A consagração de Celso Amorim
Por Marco Nascimento
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Celsão, melhor chanceler do mundo: clique aqui.
The New ForeignPolicy.com
The world’s best foreign minister
Mas eu acredito que grande parte do mérito (das mudanças do país) deveria ir para Celso Amorim, que idealizou a transformação do papel do Brasil no mundo, de uma forma quase sem precedentes na história moderna. (…) Ele é atualmente o mais bem sucedidos Ministro das Relações Exteriores do mundo.
Comentário
Alguma alma caridosa poderia providenciar a tradução do artigo na íntegra? O artigo é uma sucessão de loas ao momento que o Brasil atravessa.
Por Alexandre Leite
Como eu sou ingênuo. No dia 4 eu li na Folha:
“”AS TRAPALHADAS na condução da crise de Honduras sintetizam de forma cristalina a ação do Itamaraty nos últimos sete anos. É um misto de voluntarismo com irresponsabilidade. Algumas vezes, Celso Amorim mais parece um líder estudantil do que ministro das Relações Exteriores. ”
E acreditei no autor, MARCO ANTONIO VILLA …
E ele fulmina:
“Um dos grandes desafios para o século 21 brasileiro é a construção de uma política externa global, que enfrente os desafios da nova ordem internacional. Um bom caminho para dar início a essa discussão é aproveitar a próxima eleição e, pela primeira vez, transformar a política externa em tema eleitoral.”
Faz sentido.
Por H. C. Paes
Vi que já há uma, mas segue outra tradução, feita com uso de neurônio e dicionário (de sinônimos, só uma vez).
Autor: luisnassif - Categoria(s): Diplomacia Tags: Celso Amorim, The New Foreign PolicyEste pode ter sido o melhor mês para o Brasil desde, aproximadamente, junho de 1494. Foi quando o Tratado de Tordesilhas foi assinado, garantindo a Portugal tudo no Novo Mundo a leste de uma linha imaginária que se declarou existir a 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde. Isso assegurou the aquilo que viria a se tornar o Brasil seria português e, portanto, desenvolveria uma cultura e uma identidade muito diferentes do resto da América Latina Hispânica. Isso garantiu que o mundo tivesse samba, churrasco, a “Garota de Ipanema” e, por uma série de eventos incrivelmente fortuita, posto que tortuosa, Gisele Bündchen.
Embora tenha levado algum tempo para o Brasil corresponder à máxima dúbia de que era “o país do futuro e sempre o seria”, restam poucas dúvidas de que o amanhã chegou para o país, mesmo que ainda reste muito por fazer para superar suas sérias contingências sociais e aproveitar seu extraordinário potencial econômico.
As evidências de que algo novo e importante estava acontecendo no Brasil começaram a se acumular anos atrás, quando o então presidente Cardoso engendrou uma mudança rumo à ortodoxia econômica que estabilizou um país sacudido por ciclos de expansão e queda e assombrosa inflação. Elas ganharam vulto, entretanto, no decurso do extraordinário mandato do atual presidente do País, Luís Inácio Lula da Silva.
Parte desse vigor se deve ao compromisso de Lula com a manutenção dos fundamentos econômicos lançados por Cardoso, uma manobra política corajosa para um líder trabalhista de longa data que pertence ao Partido dos Trabalhadores, até então na oposição. Parte se deve à sorte, uma mudança global do paradigma energético que ajudou os trinta anos de investimento brasileiro em biocombustíveis a começar a valer a pena – e de novas e importantes formas -; descobertas de jazidas de petróleo de grande porte no mar territorial brasileiro; e a demanda crescente da Ásia que permitiu ao Brasil se tornar um líder nas exportações agrícolas globais e assumir o papel de “provedor da Ásia”. Porém, muito dessa pujança se deve à grande tarimba dos líderes brasileiros em aproveitar uma conjuntura que muitos de seus predecessores teriam provavelmente desperdiçado.
Dentre esses líderes, muito do crédito vai para o presidente Lula, que se tornou meio que um astro do rock no cenário internacional, ao amalgamar energia, iniciativa, carisma, intuição incomum e sensatez de forma tão eficaz que sua falta de educação forma jamais foi um empecilho. Algum mérito vai para membros de seu gabinete, como sua ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, antes titular das Minas e Energia, que se tornou uma chefe de gabinete durona e possível sucessora de Lula. Mas acredito que um bom quinhão deva caber a Celso Amorim, que orquestrou uma transformação do papel mundial do Brasil quase sem precedentes históricos. Ele é o chanceler de Lula desde 2003 (tendo ocupado o cargo nos anos noventa), mas creio ser possível demonstrar que ele é, atualmente, o ministro do exterior mais bem sucedido do planeta.
É impossível identificar apenas um momento crucial nos esforços de Amorim em metamorfosear o Brasil, de poder regional dormente de proeminência internacional questionável, em um dos mais importantes protagonistas do cenário global, reconhecido por consenso como possuidor de um papel de liderança inaudito. Pode ter sido quando o ministro teve um papel central em arquitetar a rejeição, pelos países emergentes, de uma jogada de poder do tipo “nada de novo”, por parte dos Estados Unidos e da Europa, durante a rodada de tratativas comerciais de Cancun em 2003. Pode ter sido o modo arguto como os brasileiros têm usado distinções como sua liderança em biocombustíveis para estabelecer novas pontes de diálogo e influência, seja com os Estados Unidos, seja com outras potências emergentes. Certamente, esse processo envolveu a determinação de Amorim em abraçar a idéia de converter os BRICs, antes apenas um acrônimo, numa importante instância geopolítica de colaboração, trabalhando com seus colegas na Rússia, na Índia e na China para institucionalizar o diálogo entre os países e harmonizar suas declarações. (Pode-se discutir a afirmativa de que o BRIC que mais ganhou com essa aliança seja o Brasil. Rússia, China e Índia merecem lugar à mesa em função do poderio militar, do peso demográfico, da força econômica ou dos recursos naturais. O Brasil possui todos esses atributos… mas em menor grau que os outros.) Também envolveu outras incontáveis peças de estratégia diplomática, que vão dos laços aprofundados e estreitados do Brasil com países como a China e o fomento tanto do fluxo de investimentos como de uma reputação de porto comparativamente seguro na turbulência econômica global; à afinidade mútua entre o novo presidente dos Estados Unidos e seu colega brasileiro – a ponto de o primeiro incentivar o último a servir de mediador, por exemplo, com os Iranianos. Concorde-se ou não com cada um de seus lances em searas como Honduras ou a OEA na questão cubana, o Brasil continua a desempenhar um papel regional importante, ainda que seja evidente que seu foco se deslocou para a cena global.
Nada ilustra tão bem a distância percorrida pelo Brasil ou a eficácia do time Lula-Amorim do que os eventos das últimas semanas. Primeiro, a decisão pelos países do mundo de descartar o G8 e abraçar o G20, assegurando ao Brasil um lugar permanente na mais importante mesa de negociações do mundo. Depois, o Brasil se tornou o primeiro país na América Latina a ganhar o direito de sediar os Jogos Olímpicos. O Financial Times de ontem noticiou que “A Ásia e o Brasil lideram o crescimento na confiança do consumidor”, um reflexo da reputação que o País tem vendido com sucesso (com a maior parte do mérito indo para o ressurgente setor privado brasileiro). Acrescente-se a isso as reportagens desta semana sobre o encontro FMI-Banco Mundial em Istambul, que demonstram, com a concordância em mudar a estrutura do Fundo Monetário Internacional, uma institucionalização ainda maior do novo papel do Brasil. Segundo o Washington Post de hoje, “As nações também concordaram, em caráter preliminar, em reformular a estrutura de votos nacionais do Fundo, prometendo um arcabouço que aumente a representatividade de gigantes emergentes como o Brasil e a China por volta de janeiro de 2011.”
Nada mal para alguns dias de trabalho. E conquanto seja o Ministério da Fazenda brasileiro que tenha assento no encontro de Istambul, o arquiteto inconteste desta notável transformação do papel do Brasil é Amorim.
Muito trabalho resta por fazer, é claro. Parte dele tem a ver como o novo papel que foi moldado. O Brasil quer um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e um papel de liderança maior em outros organismos internacionais. Pode ser que os consiga, mas tem de manter seu crescimento e sua estabilidade para chegar lá. Ademais, o Brasil parece inclinado a minimizar ameaças regionais tais como a venezuelana. (Brasileiros tendem a tratar com condescendência os vizinhos ao norte quase tanto quanto os amigos argentinos ao sul… e assim eles subestimam a habilidade que têm homens como Hugo Chávez de cometer grandes estragos.) E eles terão uma eleição em breve que pode mudar o elenco de líderes e, naturalmente, mudar a atual trajetória de várias maneiras – boas e ruins.
Mas é difícil achar outro ministro das relações exteriores que tenha orquestrado com tanta eficácia uma transformação de tal magnitude do papel internacional de seu país. E é por isso que, se me pedissem hoje que depositasse meu voto para melhor chanceler do mundo, ele seria provavelmente para aquele filho nativo de Santos, Celso Amorim.


Sr. Nassif, apenas para corrigir a informação sobre que o Brasil é o primeiro país da America Latina a ganhar o direito a sediar jogos olímpicos. O México foi o primeiro a realizar os jogos olímpicos e já faz tempo (1968). Também foi o primeiro país da AL a sediar dus copas do mundo (70 e 86). Também o México ocupa um lugar bem mais alto que o Brasil no IDH (53 a 75) e nem por isso acredito que seja um país de primeiro mundo. Em tempo, não sou mexicano, nem tucano, nem sequer político. Com muito respeito pelo seu trabalho. Absss.
É meu caro Francisco,você não deve ser mesmo mexicano(pois não sabe que o México fica na América Central; Nem tucano,pois tucano que é tucano,não é definido(políticamente,está sendo “em cima do muro”; Nem político,pois não admitir que o Brasil ganhou a disputa,por méritos ,é não ser nenhum pouco politizado. Que pena do seu comentário !
Entre as piadas do Marco Antonio Villa e as do Tiririca, eu fico com as do Marco Antonio Villa. O Tiririca ainda tem muito o que aprender em comédias de horror. Mas ele chega lá.
Ele só é ruim de ganhar eleição dos candidatos que apóia (OMC,BID, BIRD, UNESCO, etc.).
Pois é, e o tio Rei quer cassar o Ministro Amorim, Ah.Ah.Ah.. depois vai pensar em cassar o Lula…rs.rs.
Bom, eu traduzi pessoalmente. Desculpem possívei erros, pois minha lingua mãe é o italiano.
The New ForeignPolicy.com
O melhor ministro do exterior do mundo
Quarta F., 7 de Outubro de 2009 – 12:35pm
Este pode ter sido o melhor mês para o Brasil desde cerca de Junho 1494. Foi na assinatura do Tratado de Tordesillas, garantindo ao Portugal todo o novo mundo ao leste de uma linha imaginária que foi declarada como existente 370 léguas à oeste das ilhas de Cabo Verde. Isso assegurou que o que se tornou Brasil seria Português e portanto desenvolveria uma cultura e identidade diferente do resto da América Latina Espanhola. Isso garantiu que o mundo tivesse samba, churrasco, “A garota de Ipanema” e através de alguns percursos retorcidos dos eventos, Gisele Bundchen.
Enquanto o Brasil precisou de algum tempo para desafiar o ambíguo ditado que era “o pais do amanhã e sempre o será”, não há uma dúvida de que o amanhã chegou para o pais, mesmo tendo ainda muito trabalho a fazer para superar seus sérios desafios sociais e desfrutar do seu extraordinário potencial económico.
A evidencia que algo novo e importante estava acontecendo no Brasil começou a se manifestar anos atrás, quando o então Presidente Cardoso arquitetou uma mudança à ortodoxia económica que estabilizou o pais atormentado por ciclos de boom e explosões alucinantes de inflação. Porem, o seu momentum chegou através do mandato extraordinario do atual Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Alguns desses momentos são devidos ao compromisso de Lula de preservar as fundações económicas implantadas por Cardoso; um passo político corajoso para um líder sindical de uma vida, do Partido dos Trabalhadores da oposição. Parte disso é fruto de sorte, a mudança do paradigma energético global que ajudou a transformar os 30 anos de investimento do Brasil no biocombustível começar a dar certo em novos importantes rumos , maciças descobertas de petróleo ao longo das costas brasileiras e a demanda crescente desde a Ásia que permitiram ao Brasil de se tornar um líder mundial nas exportações agrícolas e assumir o papel de “cesta de pão da Ásia”. Mas grande parte disso é mérito da grande capacidade do líder brasileiro de agarrar o momento que muitos dos seus predecessores provavelmente tentaram.
Desses líderes, a maioria do crédito vai para o Presidente Lula, que se tornou quase que uma rock star na cena internacional, desfrutando da energia, comando, carisma, incrível intuição e bom senso tão eficazmente que a sua falta de educação formal tem sido raramente um empecilho. Outros créditos vão para outros membros do seu time, como a chefe de governo Dilma Roussef, anteriormente ministra da energia que se tornou uma chefe de governo muito forte e possível sucessora do Lula. Mas eu acredito que uma boa parte disso deveria ser atribuído a Celso Amorim, que arquitetou uma transformação do papel do Brasil no mundo que é quase sem precedentes na história moderna. Ele tem sido ministro do exterior do Lula desde 2003 (ele serviu o mesmo papel nos anos de 1990) mas eu creio que seja justo dizer que ele é atualmente o ministro do exterior mais bem sucedido do mundo.
É impossível apontar só um momento crítico nos esforços de Amorim em transformar o Brasil desde uma potencia regional lerda, com um impacto internacional duvidoso, em um dos jogadores mais importantes no cenário mundial, sendo reconhecido globalmente seu papel de liderança sem precedentes. Poderia ter acontecido quando ele jogou um papel central ajudando a arquitetar o rechaço por parte dos países emergentes contra o usual jogo de poder de E.U. e Europa durante a conferencia de Cancún em 2003. Poderia ter sido a maneira esperta com a qual os Brasileiros usaram argumentos como a liderança em biocombustíveis para forjar novos diálogos e influencias seja com os Estados Unidos que com as potencias emergentes. Com certeza envolveu o fato dele abraçar a ideia de transformar os BRICs desde acrónimo para uma colaboração geopolítica importante, trabalhando com suas contrapartes na Rússia, Índia e China para institucionalizar o diálogo entre os países e coordenar suas mensagens. (Comprovadamente a aliança do BRIC ajudou mais o Brasil. Rússia, China e Índia, todas ganharam vagas na mesa graças às capacidades militares, tamanho da população, impacto económico ou recursos. Brasil possui todo isso… mas menos que os outros). Envolveu também inúmeras outras coisas desde os vínculos mais profundos e estreitos com países como a China, sua promoção seja de fluxos de investimento, seja de reputação, por ser comparativamente segura a frente dos reveses económicos globais; o nível de conforto que o novo Presidente americano tem com sua contraparte brasileira —até chegando a encoraja-lo a jogar um papel de conduto para, por exemplo, com os Iranianos. Mesmo concordando ou não com cada movimento em lugares como Honduras ou no OEA sobre Cuba, Brasil tem continuado a jogar um papel regional importante mesmo sendo claro que seu foco tem se deslocado para um palco global.
Nada ilustra quanto longe o Brasil chegou ou quanto eficiente o time Lula-Amorim tenha sido mais do que os eventos de poucas semanas atrás. Primeiro, os países do mundo descartaram o G8 e abraçaram o G20, garantindo ao Brasil uma vaga permanente nas mesas mais importantes do mundo. Segundo, o Brasil se tornou o primeiro país na America Latina a ter ganho o direito de hospedar as Olimpíadas. O Financial Times de ontem anunciou que “Ásia e Brasil lideram o crescimento da confiança do consumidor”, um reflexo na reputação que o governo tem eficazmente cumprido (com o grosso do crédito indo para um setor privado brasileiro ressurgente). E as histórias desta semana sobre o encontro em Istambul do IMF-Banco Mundial, mostram uma ulterior institucionalização do novo papel do Brasil com o acordo de mudar a estrutura do Fundo Monetário Internacional. De acordo com o Washington Post de hoje, “As nações preliminarmente concordaram em reformar a estrutura de votação do fundo, prometendo um modelo para dar mais impacto aos gigantes emergentes como Brasil e China dentro de Janeiro de 2011″.
Não mais de alguns dias de trabalho. E enquanto você encontrará o Ministro das Finanças do Brasil nos encontros do FMI-Banco Mundial, o arquiteto incontestável desta notável transformação do papel do Brasil é Amorim.
Há ainda muito trabalho a ser feito, claro. Parte disso tem a ver com o novo papel que há sido desenhado. Brasil quer uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e mais que um papel de liderança em outras instituições internacionais. Pode muito bem ganhar essa, mas deverá manter seus crescimento e estabilidade para chegar lá. Ademais, o Brasil parece ser incline a minimizar ameaças regionais tal como as colocadas pela Venezuela (os Brasileiros tendem a olhar para baixo do seu nariz os seus vizinhos do Norte assim como muitos deles fazem para com os amigos argentinos no Sul… e assim subestimando a habilidade de homens como Hugo Chavez em fazer demasiado dano). E eles têm uma eleição chegando o ano que vem que pode mudar a formação dos jogadores e, naturalmente, pode alterar a trajetória de várias maneiras, boas e ruins.
Mas é difícil pensar em um outro ministro do exterior que tenha orquestrado tão eficazmente uma transformação tão significativa do papel internacional deste pais. E é por essa razão que se me perguntassem hoje de votar, meu voto de melhor ministro do exterior do mundo iria para o filho nativo de Santos, Celso Amorim.
David Rothkopf
O Brasil é o primeiro da América do Sul a sediar os jogos.
Sutileza diplomática que escapa aos comuns mortais: apoio eleitoral é tão ou mais importantes do que a vitória do candidato. Para incrementar ainda mais o uso de Lexotan pelo empijamdos do Itamarati e dos editores da mídia tupiniquim, qualquer que seja o resultado de Honduras, o Brasil sai-se bem melhor do que o vacilante EUA,vítima de seus cacoetes históricos.
Parece inegável que a relação do país com a metrópole tem se mostrado o ponto G, o nó cego dos conflitos (melhor seria dizer o ódio?) entre os porta-vozes dos donos do poder no Brasil e o governo Lula. Pelo menos é de longe o seu aspecto mais instrutivo, entre outras coisas por ser em larga medida simbólico, intangível, dificilmente mensurável, ao contrario do que acontece na economia. Algum bom estudioso, menos acadêmico e mais intuitivo, deveria se debruçar sobre o momento atual das polêmicas internas em torno da política exterior. Estou certo de que ele obteria muitos esclarecimentos sobre a natureza do poder brasileiro, esclarecimentos complementares e quiçá até alternativos aos grandes trabalhos dos nossos historiadores, que por melhores que sejam estavam impregnados de teoria sociológica. Seria desejável um não acadêmico, ou um acadêmico com jogo de cintura para botar os pingos nos is. Seja como for, trata-se de uma reação patética e preconceituosa, na qual a todo tempo se ouve os coronéis (muitos deles, ou talvez todos, ilustrados na metrópole) gritar exasperados para os (antigos) barbudinhos: “como ousa”?! Na maior parte do tempo, a coisa me parece reduzir-se essencialmente a isto. E vocês?
E o que será new foreing policy.com? Eu que acompanho duas dezenas de revistas especializadas em diplomacia e politica externa nunca ouvi falar disso. Será um blog, uma revista, um newsletter? A expressão new + foreing + policy já dá a direção do vento, alternativos na pista, não existe nada mas tradicional no mundo do que a diplomacia, até os soviéticos nos bons tempos tinham diplomatas de fraque e cartola, da velha escola, como Andrei Vishinsky, Ivan Maisky, Viecheslav Molotov, Andrei Gromiko e os chineses de Mao tinham o aristocrata mandarim Chu En Lai, da mais alta sofisticação social e cultural, como Chanceler. Em diplomacia nenhum pais importante brinca, não tem novo e nem alternativo, é a velha escola dos Principes de Metternich e de Talleyrand,
de von Bullow e de Sir Edward Grey, a ideia de uma new foreing policy já define a policy.
Em um passado nem tão remoto existiam uns parvos que viviam de publicar reportagens elogiosas, Homens do Ano, o Exportador do Ano, o Usineiro do Ano, etc. porque tinha gente tosca que acreditava nessa papagaiada. Seguramente em matéria de diplomacia, um campo complexo que depende de variaveis geopoliticas incontrolaveis e que derivam da propria dinamica das relações internacionais, selecionar o Melhor Chanceler do Ano, não é apenas inutil, é imensamente ridiculo, a despeito das qualidades pessoais do homenageado. Chanceler não é Miss, Cantor de Musica Sertaneja, Goleiro ou Galá de Novela para merecer titulo de Melhor do Ano.
Vale como piada, seu eu fosse o Amorim processava quem fez essa brincadeira com o nome dele.
Melhor discutir o meio do que a mensagem, quando fica difícil segurar ” fogo de morro acima”.
Não penso que Lula e Amorim aprovem o presidente do Irã e seus disparates, nem os disparates do Chavez (que me desculpa foi eleito democraticamente sim), que apesar dos pesares e de ser pedra no sapato de algumas nações, diz bem algumas verdades de vez em quando. A política de relações exteriores do Brasil é correta, de buscar entendimento com as mais variadas culturas, resolver impasses bilaterais (como os do Equador, Paraguai e Bolívia) com frieza e responsabilidade, sem sair por aí atiçando ódios e rancores que estamos tentando combater no sentido de construirmos uma América Latina mais auto-confiante e consequentemente mais consciente e justa.
Por isso, parabéns ao Celso Amorim e ao Lula, homens de bem!
Olá Nassif, boa tarde.
Aproveitando o tema diplomacia, vi hoje duas notícias sobre Honduras.
A primeira, parcial e editada, veiculada pelo Estadão, que reproduz a noticia do New York Times a respeito do lobby do governo golpista na direção do impoluto Congresso Norte Americano.
Está aqui: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,micheletti-conseguiu-pressionar-eua-a-seu-favor–diz-jornal,447884,0.htm
A outra, mais ácida, do próprio New York Times, que aponta direcionamento de recursos, um bom montante de dólares, para grupos ligados a Secretária de Estado dos Estados Unidos e ao pessoal da oposição republicana.
O texto está aqui: http://www.nytimes.com/2009/10/08/world/americas/08honduras.html?scp=2&sq=roberto%20micheletti&st=cse
A tibieza norte americana para repudiar o golpe, explica-se pela notícia do NYT e curiosamente fica escondida pela notícia do Estadão, que não vai no cerne do artigo do jornal americano, que é a transferência de vultosos recursos para diversas autoridades americanas para que se calem.
Veja, os recursos mencionados pelo jornal estadunidense são apenas aqueles registrados nos anais do Congresso.
Absolutamente não informam quaisquer outros valores utilizados para outros fins.
Outro ponto, considerando o estado de extrema pobreza de Honduras (52% da população vivem abaixo da linha de pobreza), bem com a escassez de diversos bens de primeira necessidade, tal desvio de recursos para a chamada maior democracia do mundo (ou o maior defensor da liberdade do planeta) é, no mínimo imoral.
Abraços, boa tarde e parabéns pelo espaço.
Interessante notar que o texto faz tb elogias ao governo FHC, mas pra petista isso é uma heresia.
Ou seja, elogiar o Amorin pode, elogiar o FHC (esconde)
Por favor, tenha santa paciencia.
[...] Afiada, do Paulo Henrique Amorim, chego a notícia do Vermelho, por sua vez reproduzindo do Nassif, que recebeu a dica do Marco Nascimento, sobre artigo da revista The New Foreign Policy, uma da [...]
Nós vivemos uma situação interessante em relação ao governo, ao Presidente Lula, e a sua política de projetar o Brasil, abrir novas frentes, firmar novas parcerias e conseguir os objetivos de influir nas decisões que nos dizem respeito no cenário internacional.
O mundo todo reconhece isso, e registra isso, enquanto aqui no Brasil, a toda poderosa rede de informação global, insiste em desqualificar essa vitória da política externa brasileira.
[...] enquanto o mundo todo exalta o ministério das relações exteriores brasileiro, defendido até pela mídia de direita dos EUA, como o melhor do mundo na atualidade, nossa atrasada mídia, insiste em bater na mesma tecla, a de [...]