O improvável pacto desenvolvimentista
Por Rodrigo Medeiros
O difícil mesmo será convencer a idiotia neoliberal tupiniquim, que, por sua vez, acredita em concorrência perfeita, racionalidade ilimitada e informação completa, de que o mundo está caminhando para outra direção e sentido. Bom, há também a turma que vive de “tacadas” no mercado financeiro.
Receitas para o desenvolvimento das sociedades organizadas são muitas. Conforme tem escrito há pelo menos uma década Dani Rodrik, as sociedades precisam estar abertas à experimentação e a políticas heterodoxas. A análise econométrica empreendida pelo respectivo acadêmico aponta para o fato de que os países que conseguiram sustentar o processo de crescimento econômico após a Segunda Guerra foram capazes de articular uma ambiciosa política de investimentos produtivos com instituições capazes de lidar com os choques externos adversos, não os que confiaram na mobilidade do capital e na redução indiscriminada de suas barreiras alfandegárias.
Em síntese, os países devem buscar alargar suas margens de manobra no concerto das nações e experimentar políticas de desenvolvimento capazes de levar em conta suas especificidades e interesses.
A suposta separação entre Estado e mercado não se sustenta como um fato nas realidades vividas pelas sociedades organizadas mais desenvolvidas. Nota-se, ademais, que a cooperação pelo desenvolvimento econômico estrutura relacionamentos duradouros entre ambos, pouco importando em alguns casos qual agremiação política encontra-se à frente do governo nacional. A respectiva divisão do trabalho e a coordenação dos processos inovadores extrapolam a abstrata perspectiva do equilíbrio involuntário.
Tais fatos deveriam ser objeto de reflexões para o debate de 2010. PSDB e PT poderiam convergir em uma agenda progressista para o Brasil? Por que não?
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia, Novo Modelo Tags: pacto, PSDB, PT

Note-se que economia de mercado e sua auto regulamentação gerando equílbrio social pressupõe um papel de coadjuvante para os não capitães de indústria e detentores de tomada de decisão e investimentos dos recursos poupados , mesmo políticos e juristas tem suas funções limitadas pelo conceito de liberdade quase total que o mercado e o capital tem neste modelo garantido legalmente pelo mesmo. Ou seja a maior parte da sociedade passa a ter o papel principal de mercado consumidor, sendo regulamentações e direitos coletivos menosprezados em relação a liberdade sagrada que este modelo garante ao capital. Concentração de renda e desigualdade social foram as principas marcas que deixaram nas sociedades ricas, nas outras inclui-se a perda de soberania já que o capital dos países ricos dominariam estes mercados e ditariam as regras.
Nassif: a decorrocada do capitalismo quer financeiro, quer outro tipo de estrutura economica que tenha como fundamento o capital, o dinheiro, o mercado aparece, nestes dias com muita clareza. Fala-se muito que o mercado necessita de regulamentações, o que mostra que deixado sem limitações, a economia de mercado apresenta como essencial, a corrupção. Pode-se deduzir que neste sistema econômico, qualificado de perverso, não existe honestidade, não existe lisura, não existe solidariedade, não existe a essência do ser humano, e as pessoas que aí são produzidas, se apresentam como fruto desta estrutura social e econômica caótica, corrupta etc. O que existe é a acumulação de capital, é a expansão sem limites do econômico. Com isso ,tudo será destruído, a natureza, as matas, o meio ambiente e também o ser humano. A exclusão e a desigualdade da maioria das pessoas, dos trabalhadores e trabalhadoras, são consequências inevitáveis dessa estrutura. Lamentavelmente são poucos aqueles que lutam por solidariedade, pelo fim das desigualdades e das injustiças. A essencia do capitalismo consiste em produzir seres sem caracteríssticas de humanas. Tudo isto é uma utopia, mas precisamos viver em função desta, pois depois desta existência, nada mais existirá senão pó.
Desejo de lucro é compatível com progressismo?
“E o que dizer do sujeito que ainda acha que os fundamentos econômicos da antiga URSS é o que ainda existe de mais perfeito no mundo?”.
R – Não conheço ninguém que pense desta forma, a não ser, talvez, alguns stalinistas em vias de extinção.
No governo Lula, por exemplo, predomina uma visão em que o Estado deve ter, sim, um papel importante na promoção do desenvolvimento econômico e social, mas duvido que tenhamos um só integrante do governo Lula que pense em querer destruir com a iniciativa privada ou em fazer com que o Estado se torne um ‘Leviatã’ todo-poderoso.
O fato é que ambos os tipos de sociedade ( tanto aquele em que o Estado controla tudo, como aquele em que o setor privado domina tudo) desmoronaram e não representam mais alternativas viáveis para a Humanidade.
O Muro de Berlim caiu e Wall Street também.
Cabe a nós, agora, a missão de construir um mundo melhor e no qual não tenhamos muro algum.
Não precisamos nem do Muro erguido por um Estado todo-poderoso, nem de um muro construído por um sistema financeiro que a todos escraviza.
“…Tais fatos deveriam ser objeto de reflexões para o debate de 2010.
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PSDB e PT poderiam convergir em uma agenda progressista para o Brasil? Por que não?…”
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Rodrigo…me permita só um adendo:
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Por que esses e VÁRIOS outros fatos não entram na agenda para o desenvolvimento do país…?
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Quando falaremos da Reforma da Justiça…da Reforma Política…da Reforma Agrária…da Tributária…?
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Enfim…quando vamos discutir o que queremos para o nosso país…?
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Será que é pedir muito…?
Ao Fabiano Duarte : A discussão é outra. O capitalismo não está em derrocada.. Quem está é o socialismo. O capitalismo é muito mais eficiente, tanto que a URSS acabou e o que resta de comunismo hoje, Cuba e Coreia do Norte, são grandes fracassos economicos e de qualidade de vida. Tampouco o comunismo preservou o meio ambiente. Muito ao contrario. A situação ambiental na ex-URSS é terrivel e na China um desastre.
O capitalismo é evolutivo, muda em cada década e está em uma reforma continua, de acordo com as necessidades, essa reforma não é em direção ao estatismo e sim para uma maior equilibrio entre o Estado e o mercado, com mais regulamentação, algo que o proprio mercado exige. O Estado deve ter seu espaço assegurado, muitas atividades são proprias do Estado e outras são mais eficientes pelo mercado.
Quanto às injustiças, falta de solidariedade, voce tem razão em lamentar, aonde há menos de tudo isso são nos paises capitalistas avançados, nos quais a conciencia social e de combate a privilegios é muito maior. Nos EUA o ano passado, de crise, foram doados por gente rica US$144 bilhões à fundações, para fins coletivos, não lucrativos.
Quanto mais atrasada a sociedade, como as africanas, menos solidariedade, mais corrupção, mais miséria, nada disso tem a ver com capitalismo e sim com o nivel civilizatorio dessas sociedades. A evolução da sociedade é mais complexa do que o capitalismo, metodo de produção relativamente novo que vem da Revolução Industrial na Inglaterra, que teve sua contraparte na democracia moderna, que tambem é muito nova, há menos de cem anos as mulheres não votavam e na maioria dos paises só os proprietários tinham direito a voto. Infelizmente a crueldade e a falta de solidariedade acompanham o homem na Terra, não tem relação com sistemas de produção modernos, capitalismo e comunismo e sim com a propria natureza humana.
O nivel de crueldade praticada pelo homem contra o homem atingiu seu apogeu moderno na Russia de Stalin, com expurgos, fome provocada por politicas de Estado (coletivização da agricultura), mudança à força de populações (todos os chechenos foram mandados para a Sibéria) que dizimaram mais de 20 milhões de russos.
Quanto a propria noção de desenvolvimentismo, que vem do pós-guerra, esse conceito está em total transformação,
o padrão da Cepal e do crescimento economico quantitativo está superado. Estamos em um caminho de grandes transformações tecnologicas provocadas pelo aquecimento global, que vai mudar conceitos de valor nos bens, na energia, no modo de vida e não mais se referem à simples taxas de crescimento do PIB. Será um crescimento mais voltado à qualidade do que à quantidade,
o uso dos combustiveis fosseis vai cair nos paises ricos
e as sociedades estarão se adequando aos novos tempos do global warming. Todo o discurso do desenvolvimentismo precisa ser reciclado, esse dos anos 50 já não serve mais.
A justificativa para a convergência seria afinidade ideológica-que não há- ou identidade ética -positivamente falando – e que parece também não existir.
A disputa entre as respectivas agremiações poderia ser bastante salutar ao desenvolvimento político nacional se pautadas pela lealdade e não pela disputa midiática instrumentalizada. Assim fosse, não teriam que buscar governabilidade com forças políticas ainda mais atrasadas.
Muito pertinente a explanação de Marcos Doniseti. E é com esta realidade complexa -que não aceita simplificações maniqueístas- que teremos que conviver.
Apesar de achar que o socialismo ainda pode viabilizar melhores condições de vida, de acesso ao connhecimento e a liberdade individual, o capitalismo pode ser muito melhor do que é hoje.
Creio que ainda não exprimentamos uma forma de socialismo com forma produção, o máximo que poderíamos dizer é que exprimentamos um capitalismo de estado absolutista, que em alguns lugares representarm um grande avanço social em relação ao que se tinha, mas em contrapartida ocorreu um esmagamento da liberdade individual.
De qualquer maneira, a escolha do sistema econômico é antes de mais nada uma disputa pelo controle dos meios de produção entre os membros da sociedade.
A atual crise econômica é resultante da hegemonia de pensamento neoliberal, da falta de disputa nos mercados e do avanço da globalização.
No Brasil a atual crise econômica provocou um recuo do pensamento neoliberal, o que abriu espaço para o avanço das teses do desenvolvimento econômico apoiado em uma maior intervenção do Estado.
O Muro de Berlim caiu e Wall Street caiu? Como assim? A Bolsa de Nova York fechou? Precisamos avisar as principais empresas brasileiras, inclusive estatais, que transacionam suas ações na Bolsa de Nova York, elas pensam que está funcionando, ah, ah, ah,
Se não caiu, trincou. É bom não ficar por perto.
Falando em mercados e governos, está em curso na camara federal a CPI dad Dívida Pública, um verdadeiro câncer nas finaças do País e ninguém noticia nada! Falam do PIG…mas nessa questão são solidários!
Agenda progressista é ter uma economia de mercado bem regulamentada e com regras estáveis, garantias jurídicas e Estado proporcionando infraestrutura, educação pública de qualidade e sistema de saúde bem administrado.
E as compras públicas? Nos EUA têm peso relevante no direcionamento industrial.
Cada país tem a sua especificidade, até mesmo em termos de mercado, visão de governo, senso de justiça e corrupção.
No meu ponto de vista, em termos de Brasil, o Estado precisa garantir elementos que diminuam a representatividade das commodities na participação do produto agregado e que se favoreça o surgimento de tecnologias a serem até exportadas aos demais países.
Para isso, é necessária a continuação dos investimentos em infra-estrutura e a qualificação da mão-de-obra.
Um outro ponto importante é que as famílias beneficiárias dos programas de transferência de renda direta do governo sejam estimuladas a “caminharem com suas próprias pernas e se tornarem independentes da muleta” chamada Bolsa “X”, “Y” ou “Z”.
Detalhe importante: tudo isso só acontecerá em parceria com o setor produtivo e o financeiro.
Mais importante do que discutirmos quem é melhor, governo ou mercado, talvez seja perguntarmos de que forma os agentes econômicos podem se tornar parceiros para que o Brasil seja uma economia de ponta, nos moldes do que a Coréia do Sul conseguiu evoluir nos últimos 50 anos.
Mais do que discutirmos certos ou errados, talvez seja interessante discutirmos e sugerirmos parcerias para que as populações pobres tenham acesso à educação de qualidade e possam efetivamente se sentirem cidadãs, com dignidade de viver.
Me pergunto: De que forma inserir as regiões Norte e Nordeste como pólos industriais e de serviços? Como qualificar o pessoal que mora lá para aproveitar as possíveis oportunidades que poderão surgir?
Grato,
Everton de Andrade
O Mercado está aí e, apesar de todas as suas falhas, incluído aí as morais, muitos de nós ganha o seu sustento e mantém o seu bem estar nele.
Até Lula, que sempre labutou como peão nele, disse no seu discurso de posse que não podíamos destruir as conquistas que ele nos deu, para reiniciar a construção de algo novo.
Ter um Estado que ordene e direcione as conquistas da sociedade mais igualitariamente, que controle com mão de ferro nossos recursos naturais, não implica em matar a galinha dos ovos de ouro. Apenas não queremos que a galinha cacareje nas nossas cabeças…
O recuo do pensamento liberal econômico, abre espaço para um maior intervenção do estado na economia no Brasil, permitindo acelerar a distribuição de renda e fortalecer o Mercado Interno, mas precisaremos não realizar os mesmos exageros realizados pelo livre mercado.
Mesmo que os países desenvolvidos, consigam retormar o nível da atividade econômica do período anterior a atual crise econômica, muito díficilmente se conseguirá manter o mesmo ritmo de crescimento da economia mundial.
Este provvável cenário, abre um enorme espaço para fortalecer e acelerar o crescimento do mercado Interno do Brasil, mas para isso será fundamental garantir e acelerar a continuidade do atual processo de distribuição de renda e de queda da dívida pública em relação ao PIB.
Maioria quer mais controle do governo sobre economia, diz pesquisa da BBC
14/09 – 06:21 – BBC Brasil, divulgado pelo Último Segundo do iG
Uma pesquisa da BBC divulgada nesta segunda-feira afirma que a maior parte das pessoas em 20 países diferentes, entre eles o Brasil, quer maior controle dos governos sobre a regulação e administração das economias nacionais. No total, 67% das pessoas entrevistadas preferem mais regulação do governo e supervisão da economia nacional.
No Brasil, esse índice foi de 75%.
Nos 20 países pesquisados, 60% disseram apoiar um aumento dos gastos governamentais para incentivar a economia.
Sessenta e dois por cento apoiam ajuda governamental para indústrias afetadas pela crise.
Satisfação com líderes nacionais
O Brasil esteve entre os países onde a população esteve mais satisfeita com a resposta do seu governo à crise.
Segundo a pesquisa, 59% dos brasileiros ouvidos se disseram satisfeitos com a resposta dos líderes nacionais à crise econômica mundial, contra 39% de insatisfeitos.
Outros países onde a maioria manifestou satisfação com a reação dos seus líderes à crise foram China (87% dos entrevistados), Austrália (68%), Egito (63%), Indonésia (57%) e Canadá (56%).
Os países com os menores índices de satisfação foram México (9%), Japão (18%), Filipinas (24%) e França (27%).
Nos Estados Unidos, a população esteve dividida ao meio – 49% se disseram satisfeitos com a resposta dos seus líderes, e 48%, insatisfeitos…………….
……………..A pedido da BBC, a GlobeScan e um programa especial da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, ouviram 22.158 pessoas em 20 países – Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, Chile, China, Egito, Estados Unidos, Filipinas, França, Grã-Bretanha, Índia, Indonésia, Japão, México, Nigéria, Paquistão, Quênia, Rússia e Turquia.
No Brasil, foram ouvidas pessoas em Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2009/09/14/maioria+quer+mais+controle+do+governo+sobre+economia+diz+pesquisa+da+bbc+8423939.html
Não existem mercados e/ou Estados perfeitos. Penso ser importante em um debate construtivo não radicalizar as posições ideológicas – mercado versus Estado. Essa simplória argumentação não se sustenta. A URSS está morta, porém a imperial “Mãe Rússia” renasceu.
Fato: Wall Street caiu novamente, mas o governo norte-americano injetou novamente recursos para salvar símbolos do seu capitalismo liberal. Podem incluir bancos na lista de bene$$es do Tio Sam e até a GM, que hoje é uma empresa “nacionalizada”. Como se pode ver, o pragmatismo norte-americano supera os preconceitos da idiotia neoliberal tupiniquim quando a inação pode custar caro à nação.
A GM produz equipamentos militares para os EUA e as compras governamentais são importantes na alavancagem de novos setores (cf. Mowery e Rosenberg 2005, “Trajetórias da inovação”, UNICAMP). Não há nenhuma novidade nisso, apenas preconceitos e cegueira da parte de alguns quando o assunto é intervenção estratégica estatal, ou como preferem outros, ação coletiva coordenadora.
Creio que nós, brasileiros, também deveríamos ser mais pragmáticos e menos preconceituosos com relação à intervenção do Estado e também menos deslumbrados com a retórica do livre-mercado.
Gosto de exercitar o otimismo e vejo que a temática do desenvolvimento pode abrir espaços efetivos para uma nova agenda progressista a partir do debate de 2010. Bom, o PSDB e o PT precisam querer elevar o nível do debate político no próximo ano.