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23/08/2009 - 11:52

As ligações de Lina

No dia 19 de dezembro, Dilma passou a manhã em reunião do Conselho de Administração da Petrobras. À tarde, Lina estava em Natal, onde mora, a serviço. Naquele dia, Lina chegou a receber uma diária por se ausentar de Brasília, registrada no Portal da Transparência sete dias depois, em 26 de dezembro.

Na verdade, segundo o documento levantado pela revista, foram três diárias.

Além da Carta Capital, a revista Época resolve fazer jornalismo e levanta as ligações políticas entre Lina e o marido e o senador Agripino Maia e a política do Rio Grande do Norte.

Nada que os leitores daqui já não soubessem graças ao trabalho do Stanley Burburinho e da Namara. Mas uma demonstração que ainda existe jornalismo – de forma amplamente minoritária – na mídia.

Tenho ido com cuidado nessa questão do levantamento da vida da Lina Vieira. Mas não dá para ignorar mais as ligações do marido e dela com o senador Agripino Maia.

O fato de ser indicada por Guido Mantega não comprova que ela é petista militante. Mas apenas que Mantega foi descuidado ao indicar para a Secretaria da Receita Federal pessoa com envolvimento político dessa natureza. Aliás, teria sido igualmente imprudente se o envolvimento político fosse com o PT.

Da Época

A versão de Lina

clique no título ou clique aqui.

A ex-secretária da Receita continua dizendo que esteve com Dilma no Planalto para tratar do caso Sarney. Mas não conseguiu mostrar uma evidência da reunião

Marcelo Rocha

CONFUSÃO

A ex-secretária Lina Vieira, no depoimento no Senado. Aos oposicionistas, ela citou informalmente que o encontro teria sido em 19 de dezembro. Naquela data, porém, ela estava em Natal, Rio Grande do Norte, como revela o site Portal da Transparência (abaixo)

Anunciada como personagem capaz de dinamitar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), à Presidência da República, a ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira deixou o auditório da Comissão de Constituição e Justiça do Senado sem entregar a mercadoria. Em seis horas de depoimento, Lina confirmou o que dissera na semana anterior ao jornal Folha de S.Paulo. Descreveu um encontro no Palácio do Planalto, onde Dilma teria lhe pedido para “agilizar” as investigações do Fisco contra empresas de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Mas Lina Vieira não apresentou dados novos capazes de comprovar a reunião. Não foi, portanto, capaz de desmentir a versão de Dilma, que, desde o início, nega ter se encontrado com Lina no Planalto. É fato que uma das duas está mentindo. Mas o ônus de apresentar provas cabe a quem acusa.

Lina não levou uma agenda em que pudesse ter registrado o compromisso. Não apresentou testemunha direta da conversa. No início, disse que foi um diálogo normal, no qual nem sequer se sentiu pressionada. “A ministra me disse para agilizar a fiscalização do procedimento contra o filho de Sarney, mas, de forma alguma, o pedido foi para não investigar”, afirmou. No mesmo depoimento, porém, disse que achava o pedido de Dilma “incabível”.

Indicado como possível testemunha de sua ida ao Planalto, o motorista que costumava atender Lina deu uma entrevista dizendo que não sabia de nada. Em conversas informais com senadores, Lina Vieira identificou o dia 19 de dezembro de 2008 como a data provável do encontro. Mas informações oficiais revelam que as duas não poderiam ter se encontrado nessa data. No dia 19 de dezembro, Dilma passou a manhã em reunião do Conselho de Administração da Petrobras. À tarde, Lina estava em Natal, onde mora, a serviço. Naquele dia, Lina chegou a receber uma diária por se ausentar de Brasília, registrada no Portal da Transparência sete dias depois, em 26 de dezembro.

Na quinta-feira, os dois principais cicerones de Lina no Senado não conseguiam esconder certo desapontamento. O senador José Agripino Maia (DEM-RN) afirmou que Lina Vieira “não sabe” quando a conversa ocorreu e que será preciso vasculhar a agenda da Casa Civil “entre 15 de novembro e 15 de dezembro”. Garibaldi Alves (PMDB-RN) disse: “É mais factível que o encontro tenha ocorrido em outubro”. Em outubro, Lina esteve mesmo no Planalto, não há dúvida. Para uma visita oficial, devidamente registrada, segundo disse o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) no Senado.

O marido de Lina é empresário com ligações políticas.

A presença de Lina em Brasília na semana passada chamou a atenção para suas ligações com o mundo político de Natal. Por duas vezes, ela foi secretária de Tributação do Rio Grande do Norte. Primeiro, entre 1995 e 1998, na gestão de Garibaldi Alves. Depois, sob Vilma de Faria (PSB), a atual governadora, entre 2006 e 2007. O marido de Lina Vieira, Alexandre Firmino de Melo Filho, é um empresário ligado ao PMDB. Entre agosto de 1999 e julho de 2000, ele foi ministro interino do Ministério de Integração Nacional, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Firmino é sócio majoritário na agência Dois A Publicidade. A empresa atua em Natal, onde recentemente venceu licitação para prestar serviços à Secretaria de Comunicação da prefeitura administrada por Micarla de Souza (PV), aliada de Agripino e responsável por uma das maiores derrotas do PT nas eleições municipais. A Dois A divide um contrato anual de R$ 10 milhões, firmado no mês passado, com outras quatro agências. Firmino também é sócio da empresa Impressão Gráfica e Editora, recém-contratada pela prefeitura para editar a publicação Natal pra você, dedicada ao turismo. Procurados, nem Lina nem Firmino responderam aos pedidos de entrevista feitos por ÉPOCA.

Se quiser provar mesmo que o encontro não ocorreu, Dilma poderia acionar Lina Vieira na Justiça, exigindo provas ou uma retratação. O inconveniente é que cada depoimento realimentaria o assunto – o tipo de situação que não interessa a uma candidata à Presidência da República.

O Planalto também poderia liberar os registros de seu serviço de segurança. Não são informações perfeitas. De acordo com a graduação do visitante, apenas sua passagem fica registrada, sem que se saiba seu destino final. Mas esse tipo de informação poderia confirmar ou desmentir a suposta presença de Lina no Planalto.

Numa entrevista ao jornal O Globo, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, disse que o Planalto deveria divulgar os dados. “Não há motivo para esconder o registro de ingresso de cidadãos ou servidores públicos em uma repartição,” disse. A Casa Civil afirma que é o Gabinete de Segurança Institucional, responsável pela segurança do presidente da República, que detém a palavra final sobre essa documentação. Por causa disso, na semana passada não se sabia quando – nem se – os registros serão publicados. Enquanto isso, continua a palavra de Lina contra a de Dilma.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Política, Sem categoria Tags: , , ,

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46 comentários para “As ligações de Lina”

  1. Dimas disse:

    Alguém comenta que Lina foi escolhida por Mantega numa vacilada. Ora meus amigos, cargos desse nivel não são escolhidos dessa forma. Normalmente são resultados de pressões de todo lado. Essa moça, se realmente está a serviço da direita mostra mais uma vez o resultado das alianção espúrias do PT. Esse balcão de negócios que a direita criou e do qual se utilizou acabou sendo incorporado pelo PT sempre em nome da governabilidade. Quem dorme com criança acaba molhado.

  2. Marcelo Merlo disse:

    Nassif
    Eu fiz uma rápida pesquisa pela internet e achei esse link e tem outros, inclusive com fotos da Lina Vieira, dando conta que ela esteve em Natal no dia 22/12. Se ela teve 3 diárias, é plausível que ela esteve em Brasília no dia 19 e ficou em Natal dias 20, 21 e 22/12, o que completaria as 3 diárias que estão no pedido que você mostrou.

    Segue o link da matéria: http://www.fiern.org.br//index.php?option=com_content&task=view&id=620

    A foto está pequenininha, mas a Lina Vieira é a de vermelho.

  3. EDIR disse:

    não consigo entender como os senadores do PT não apresentam este documento que desmascara de vez esta senhora Lina.Porque não o apresentaram?pelo menos na tribuna poderiam apresentar….

  4. Poeteiro disse:

    Pense, Marcelo:

    Se Lina tivesse se encontrado com Dilma no dia de uma viagem ao reduto político de Agripino Maia, com certeza se lembraria. Afinal, ela passou oito anos no Rio Grande do Norte… E teria contado para Agripino no mesmo dia…

    Por outro lado: que eu saiba as diárias se completam ao final de um dia…
    Dia 20 termina a primeira, dia 21 termina a segunda e dia 22 termina a terceira diária…

  5. Douglas Cardoso disse:

    A grande imprensa ainda não parou para fazer a sua autocrítica sobre seu posicionamento diante do caso. Não fizeram a suposição de que Lina poderia estar mentindo, apenas atacaram a figura da ministra Dilma, afinal, ela ameça o plano da volta da direita ao poder.

  6. [...] Vieira, cujo marido foi ministro durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), tem ligações políticas com o senador Agripino Maia, dos Democratas (Dem) do Rio Grande do [...]

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