iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
22/08/2009 - 12:40

A mídia e os intelectuais delivery

Por weden

Intelectuais à Brasileira: o padrão Delivery

A chefia de jornalismo define que se deverá fazer uma matéria com tal posição política ou ideológica, atendendo a tal e qual interesse de alguma facção partidária.

Quem anda praticando muito isso é a imprensa anti-Lula-Dilma-PT ou pró-Serra, o que dá no mesmo.

Escohido um tema, compõe-se o texto, incluindo as possíveis declarações. Aí sim se discute: “quem diria isso aqui?”, pergunta o jornalista. Seu superior sem olhar o repórter responde como se citasse o próprio nome: “fulano”.

Sergio Miceli, num trabalho magistral, mostrou como de alguma maneira os intelectuais brasileiros sempre foram dependentes de alguma esfera de poder. Das oligarquias, antes, do Estado, depois.

Acrescentamos que a terceira fase de alguns “intelectuais à brasileira” é a associação com o as oligarquias midiáticas.

Há uma troca de favores intensa entre estes “especialistas” e as mídias: “dirás o que penso, e virás comigo ao paraíso”. Por paraíso, entenda-se uma boa divulgação para o próximo livro, um elogio na próxima edição, etc.

Os jornais devem ter uma listinha de intelectuais para pronta entrega de ideias. Eles têm como função assumir a opinião dos veículos, para camuflar o artigo como reportagem.

Os intelectuais à brasileira de padrão delivery mais batidos são: Marco Antonio Villa e Demétrio Magnolli. Mas há outros: uns mais outros menos discretos.

Um exemplo de intelectual delivery mais discreto é Leoncio Rodrigues. Toda vez que um jornalão quer dizer que o PT não é mais o mesmo, que Lula não é mais honesto, é o Leoncio que será chamado para, com seu poder de cartório, atestar a opinião do veículo.

Para falar mal do bolsa família, o ideal hoje é ouvir o Villa. Para dizer que o governo é chavista, nada melhor do que Magnolli. Mas para dizer que a inocência foi perdida, chame este senhor de cabelos grisalhos, de tom nostálgico, mas discurso bem afinado com o que quer a mídia.

Observe abaixo as declarações de Leoncio a quatro veículos diferentes.

Observe a surpreedente semelhança nos argumentos (”o que era antes não é mais agora”.) Observe ainda como parecem, como todo produto delivery, atender a um formato pre-estabelecido.

Afinal, a produção em escala deve seguir certos padrões.

VEÍCULO 01
Estudioso dos políticos e das classes trabalhadoras, o cientista político Leôncio Martins Rodrigues, 69, vê um “descompasso” entre a “capacidade teatral” e a “capacidade de execução” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ressalva que ainda é muito cedo para julgamentos definitivos: “Apenas julgo que muito do que se propõe não sairá do papel”.

VEÍCULO DOIS
“A nova e a velha elite se uniram”
Leôncio Martins Rodrigues, entrevista a O Estado de S. Paulo, 22/06/09
Para Leôncio Martins Rodrigues, o desfiar de escândalos não punidos é fruto da aliança entre os grupos de Lula e de Sarney

VEÍCULO TRÊS
”Estão se lambuzando”

Cientista político diz que o PT ficou encantado com a ascensão social e abandonou a velha idéia de fazer a revolução

VEÍCULO QUATRO
Titulo: ‘Ao atacar a elite, Lula tenta agradar ao povão’
Data Publicação: 12/08/2007
CONTRADIÇÕES PETISTAS: Cientista político afirma que aumentou a participação das classes médias no poder O cientista político Leôncio Martins Rodrigues é um estudioso do movimento sindical e dos partidos brasileiros há mais de 40 anos. Desde a eleição do presidente Lula e da conseqüente expansão do PT, diz ele, tem havido uma espécie de elitização de grupos originários das classes médias assalariadas que chegaram ao poder. Para ele, Lula, ao atacar as elites, tenta agradar ao “povão” e se livrar de responsabilidades. Como podemos classificar elite no Brasil de hoje? Pelo poderio econômico, poder de decisão, pela influência política? LEÔNCIO MARTINS RODRIGUES: Não seria possível, aqui, uma…

Por Paulo Igel

Gostaria de sabe em que categoria poderáimos enquadrar intelectuais como Marilena Chauí e Emir Sader.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: ,

Ver todas as notas

78 comentários para “A mídia e os intelectuais delivery”

  1. Paulo Igel disse:

    Gostaria de sabe em que categoria poderáimos enquadrar intelectuais como Marilena Chauí e Emir Sader.

  2. Felipe Vargas Zillig disse:

    Denúncias no Senado, candidatura da Marina(vide Heloisa Helena), Lina Viera, a repetição da forma que a mídia e a oposição escolhem para fazer campanha é impressionante.
    Não soma para o aprimoramento da democracia, despreza a inteligência e deve ter os mesmos resultados nas eleições.
    A posição de senador Mercadante é uma situação normal para o líder no Senado do governo. O Brasil é dos maiores países do mundo, as dificuldades políticas e ideológicas são naturais , o senador está agindo com a grandeza de colocar em primeiro lugar um projeto de governo e nação aceitando as dificuldades que por vezes o cargo lhe traz.
    Quem tem mais poder para impedir a presença de políticos corruptos no Senado ou em qualquer cargo público são os eleitores, as acusações e provas apresentadas esbarram na legitimidade da votação obtida pelos políticos envolvidos nas denúncias . Vamos voltar a legislação eleitoral,financiamento de campanha, voto eletrônico e participação da mídia e na mídia de alguns políticos.
    A manchete do globo só confirma o que vários falaram, o desmentido não teve o mesmo espaço e isto deve ocorrer durante a campanha. O papel que será cumprido pelas ONGs internacionais que apóiam Marina é o fato mais preocupante, elas não podem trazer dinheiro do exterior para a campanha, estas ONGs vinham tendo seu espaço e capacidade de movimentação e participação na vida pública brasileira reduzidos, agora terão todas as portas abertas usando a campanha e assumindo o papel de militantes para circularem pelo país e se intrometerem em todos os setores públicos.
    Quanto a posição ideológica do atual governo, penso estar próximo do que foi definido como patriotismo republicano constitucional pelo prof Antonio Carlos Maia, discutisse patriotismo, patriotismo republicano , patriotismo constitucional e temos esta definição que me parece a mais adequada para o governo e a ampla possibilidade de discussão e avanço nesta linha.Linha de pensamente que já norteia vários integrantes do setor de justiça e vem sendo amplamente discutida em sua vertente jurídica, pode ser o começo da definição de uma nova teoria em sua veia política. O sentimento de brasilidade existente em todas as regiões do país, a profunda preocupação social , discussão sobre formas de comunicação entre pessoas e setores da sociedade assim como eleição de valores como princípios para resolução de conflitos entre estes setores e pessoas são características desta linha de pensamento.
    Saudações ao professor Antonio Carlos Maia e a todos que vem estudando e contribuindo para esta discussão, há luz no fim do túnel das teorias políticas e novamente podemos ter um assunto inteligente para discutirmos neste âmbito.

  3. anarquista disse:

    Weden :

    Belíssima análise.

    Sinto que insuspeitísssimo amigo tenha se esquecido de Marilena Chaui .

    Por que será?

    Recomendo tomar memoriol e tbm ”isentol”( UM VIDRO POR MINUTO)

    Abraços!

  4. Ricardo Bras disse:

    FHC, THC e a Rede Globo
    Caro Nassif,
    dentro do macrotema da mídia que manipula os registros da realidade que todos compartilhamos cada vez mais – expondo assim a manipulação e permitindo com facilidade o desnudamento dos interesses de quem faz o registro – quero chamar a atenção para uma matéria do JN/Globo de ontem. Já lemos aqui e ali que FHC está militando pela revisão da legislação sobre drogas, posição calcada no fracasso das políticas de repressão até então adotadas. Pois não é que a Globo deu a notícia do seminário sobre o tema, aberto pelo FHC, mas negou ao telespectador a informação de que ele, FHC, está entre aqueles que defendem a descriminalização da maconha? Faz sentido abordar o assunto sem tocar no principal da notícia? Ou será que consideram que Fernando Henrique está ficando gagá – mas que a constatação não se aplica às suas opiniões sobre o PT e o governo Lula? É pra pensar, né não?

  5. luzete disse:

    Weden, mas estes que você enumera são intelectuais?
    qual a originalidade deles?
    qual a contribuição que deram à formação de um país emancipado e emancipador dos grilhões que assolam nosso povo?
    qual a contribuilção que deram à formação da nossa cidadania?
    qual a contribuição que deram, senão ao reforço de ideologias preconceituosas e atrasadas?

    com isto, acho que respondi ao seu paulo, do primeiro comentário ao post.

  6. Boa tarde, Luís! Falta ao Brasil intelectuais realmente engajados politicamente. O que se vê são olhares comprometidos com a heraldica do mofo de nossas eleites – essa oligarquia canhestra e cafona!

    Nada de novo no front das idéias a não ser o discurso do “mesmo”, sem bordas, sem pathos ou poiésis.

  7. J. Tadeu disse:

    Caro Nassif;

    Ë asqueroso o “ïntelectual” Roberto Romano que se escuda na credibilidade da UNICAMP, para bajular descaradamente o psdb e criticar de forma desconstrutiva o govero Lula.

    Este “intelectual” é a voz do dono (serra).

    saudações

    José Tadeu

  8. Maria Coelho disse:

    Parabéns Weden! È exatamente assim que se faz a ação entre amigos.
    Outra: a Veja dessa semana dizendo que o PT acabou repete uma capa de 2005, quando em 2006 foi desmentida pela vitória do Lula.
    E o Montenegro do Ibope,hem? Parece até uma piada de salão o cara fazer afirmações tão conflitantes.
    Em todas as pesquisas que acompanhei, recentemente, o Partido mais citado e acreditado pela população é o PT, e como é que o cara que ganha dinheiro com pesquisas diz aquelas bobagens todas lá na Veja?
    Sei não. È a mídia mais uma vez colocando a política no hospício.

  9. Marco Vitis disse:

    Sr. Paulo Igel
    As argumentações de direita e de esquerda (só para simplificar) devem ser respeitadas. Ambas.
    Porém, toda argumentação honesta intelectuamente deve partir do mesmo princípio: premissas verdadeiras.
    Os personagens utilizados pela chamada “grande mídia” produzem falácias, convenientes a determinados grupos econômico-políticos.
    O sr. nunca verá no Globo News Painel o Marco Villa confrontado com Chauí ou Sader.
    O sr sabe por quê ?
    No dia em que o sr. tiver a resposta, ninguém precisará lhe categorizar esses acadêmicos. O sr. saberá “enquadrar os intelectuais”.

  10. Ivan Moraes disse:

    O intelectuauauau gagageja… intelectualmentemente falando!

  11. Lee Santos disse:

    Na minha modesta opinião o tal Roberto Romano, é o pior de todos.Figurinha carimbada do Globo News Painel.

  12. Ivan Moraes disse:

    “Gostaria de sabe em que categoria poderáimos enquadrar intelectuais como Marilena Chauí e Emir Sader”:

    Governistas de naipe.

  13. Fernando Augusto disse:

    “…e alguma maneira os intelectuais brasileiros sempre foram dependentes de alguma esfera de poder. Das oligarquias, antes, do Estado, depois.”

    Não é uma defesa, mas há a questão da dependência econômica, do mercado de trabalho restrito, controlado pelas oligarquias e pela PLUTOCRÁCIA MIDIÁTICA, mesmo com a alternativa da Internet. Nem todos aceitam viver com restrições de ordem econômica, há inclusive a pressão da família.

  14. emanuel cunha lima disse:

    Tento responder ao Paulo Igel ( 12:43):
    A Marilena e o Sader não podem ser classificados com tão depreciativa denominação ( “delivery”).
    Não porque sejam bons, diferentes, melhores que os outros… Não…
    É porque são “do nosso lado”, sabe?

    Ao ler artigos como esse do Weden me lembro sempre do Nelson Rodrigues, torcedor Fánatico do Fluminense, definindo o que é torcer:
    “Torcer é dar razão pra quem não tem”

    É isso… Torcer é paixão!
    É assumir “um lado” e negar o outro.
    Se meu time ganhar foi legal, jogou bem! Se o time adversário Ganhar, foi roubo. Gol de impedimento, de mão, ou, em última hipotese, muita sorte desses pernas de pau….

    Por isso que tenho dito desde ontem: O grande crime do Mercadante nem foi a forma como se conduziu na crisa, sua indecisão, relutancia, etc…
    Foi ter dito – NA TRIBUNA DO SENADO – Que seu partido ( sua “torcida organizada”) errou. Que o Governo ( seu “time”) errou.
    Isso não se Faz, Mercadante!
    Isso é imperdoável….

  15. Hermeneuta disse:

    Não entendi a pergunta de Paulo Igel.
    Marilena Chauí e Emir Sader são membros do PT e sempre se apresentam como tal.
    O Paulo pode dizer a que partido pertencem os citados intelectuais delivery? Não. Porque estes posam de ”apartidários” e ”isentos”. Esta é a fraude.

  16. CAIXA PRETA disse:

    Tal pai, tal filha!

    ZIRALDO seria um “intelectual esquerdista” ou um “chargista elitista” ?

    Seria errado dizer que ele, depois que o governo passou a ser um grande comprador e seus trabalhos infantis, passou a ser tão elitista quanto o petista “Zé”, dos ternos de cortes impecáveis(mas que não sobe morro)?

    Outro dia lembrei-me de uma programa há cerca de 25 anos, na TV Educativa, onde Ziraldo estava acompanhado de uma filha que morava na Europa (acho que na França). Um fato me chocou tanto na ocasião que até hoje não consegui esquecer. A filha dele, em determinado momento, ao se referir a uns policias (simples soldados de uma patrulhinha da PM que a abordaram junto a um grupo de amigos seus, para pedir documentos) referiu-se aos policiais, gratuitamente, com total desprezo e expressão de asco, da seguinte forma: “aí chegaram os macacos…..”.

    Afinal os rapazes a trabalho “eram macacos” por que? Ela não era filha de um “socialista” que venerava o povão? Todos sabemos o que aconteceu no período ditatorial, mas, discriminação, assim, gratuitamente, para quem vivia (e muito bem) na Europa com postura de socialista ………… .

    Enfim, tal pai, tal filha!

  17. Vocês esqueceram dos “intelectuais” da arte. Entre eles Caetano Veloso é o encarregado maior das “mensagens”. Sempre de plantão.

    Alias nunca havia entendido tanto destaque ao “teatrologo” Gerald Thomas. Depois entrei em seu blog aqui no IG. Nem o Bolsonaro é mais anti Lula, contra a Petrobras e “os petralhas”, do que o “artista de vanguarda” dos palcos. Segundo suas próprias afirmações, o Reinaldo Azevedo é o seu “mestre”. Parece que exagerou tanto em campanhas violentas contra o governo que o IG determinou que ele se delimitasse aos assuntos culturais.

  18. Valdir Fiorini disse:

    Todo mundo qual a preferência política e partidária de Marilena Chauí e Emir Sader: eles a proclamam, não fingem ser marcianos de passagem pelo Brasil como os produtos R$1,99 citados.

  19. Valdir Fiorini disse:

    Faltou o “sabe”: Todo mundo SABE…

  20. anarquista disse:

    22/08/2009 – 13:54

    Enviado por: Valdir Fiorini

    Todo mundo qual a preferência política e partidária de Marilena Chauí e Emir Sader: eles a proclamam, não fingem ser marcianos de passagem pelo Brasil como os produtos R$1,99 citados.

  21. boaz dias disse:

    Nassif:
    faltou Werneck vianna, IUPERJ et caterva.

    Que é isso. Luiz Werneck Vianna é uma das reservcas morais e dos intelectuais mais lúcidos deste país.

  22. animal racional disse:

    marilena chauí e emir sader são intelectuais militantes do PT. eles assumem, não se acovardam.

  23. Fernando Augusto disse:

    Que o moderador permita esse breve momento poético, amém.

    AMORES NA SERRA

    A MONTANHA do PIG faz de tudo pela amiga SERRA

    A SERRA sonha com o PLANALTO

    Mas este não lhe ama

    Vai ficar no ABISMO da saudade

    É uma coisa que me SERRA o coração

    A SERRA, pobre coitada, vive num CANYON de ilusões

    Mas quem mandou acreditar na GARGANTA profunda da MONTANHA

    Na vida tudo pode terminar num PENHASCO.

    Agradecendo o espaço e lembrando o grande poeta MERCADISTA, “tudo vale a pena se a conta não é pequena”.

  24. anarquista disse:

    Antonio Rodrigues

    Campeão seu comentário.

    Só esqueceu daquele cara que fala umas trocentas horas e ninguém,absolutamente ninguém,entende nada.

    O tal de Gilberto Gil.

    E ele quer ser vice da Marina.E foi vereados e candidato( ?) a prefeito na Bahia. E tbm ministro.Sua renúncia do cargo foi com o argumento que não dava pra fazer show e ser político ao mesmo tempo.

    Mas ele tentou fazer as duas coisas durante grande parte de sua vida.E só agora percebeu que não é possível? E ao mesmo tempo se insinua pretendente do cargo de vice da MARINA?

    Como diz a Blíbia:

    É tudo vaidade.

    Abraços!

  25. jairo batista dos santos disse:

    Nassif
    Demetrio Magnoli é intelectual? Eu achava que ele é geografo.
    Neste rol de intelectuais delivery temos que acrescentar Denis Rosenfeldt.

  26. Calango Bakunin disse:

    Nenhum dos dois são entrevistados pela piguenta imprensa…..só isso

    Eles não são penas de aluguel

  27. hugo aguiar disse:

    e muitos outros mais,paulo

  28. Índio Tupi disse:

    Aqui do Alto Xingu, os índios mandam um texto do Emir Sader, publicado ontem no sítio http://www.cartamaior.com.br, a fim de que os leitores deste blog saibam quem é o Emir Sader por ele mesmo:

    “”"A desmoralização da política

    Um dos maiores consensos nacionais é a desmoralização da política e dos políticos. Esporte fácil, dos mais praticados nas rodas de conversa, alimentado pela imprensa e favorecido pelo comportamento dos parlamentares, que, no entanto não tem alterado em nada a composição do Parlamento – individualizado como a instância por excelência da política -, políticos acusados sistematicamente pela imprensa como pivôs de grandes escândalos – como Collor, Sarney, Renan, entre tantos outros – têm sido reeleitos sistematicamente. Ao mesmo tempo, outra instância que personifica a política – os governos – tem tido em geral grande apoio do eleitorado, nas eleições e nas pesquisas, salvo casos limites – como o de Yeda Crusius.

    Ao mesmo tempo, as pesquisas sobre credibilidade colocam o Congresso sempre em posição muito ruim e a imprensa em posição de destaque. No entanto, os jornais baixam sistematicamente sua tiragem em um caminho sem volta para sua crise definitiva, enquanto suas vítimas privilegiadas são eleitos e reeleitos. E ao mesmo tempo, a imprensa, que teria muita credibilidade e fabrica – literalmente – a “opinião pública”, é quem mais influenciaria a população, se choca com a vontade dos eleitores, que tem reiterado a maioria de partidos – como especialmente o PMDB – atacados centralmente pela imprensa. Quem tem mais apoio da população – como algum que outro acusado já disse: a imprensa, que não se sustenta no voto popular, ou os parlamentares, que são submetidos periodicamente à consulta da cidadania?

    Em última instância: de onde vem a desmoralização da política? Quem se aproveita disso? Qual a credibilidade que a imprensa tem? Qual seu poder de influência? Como se constróem os consensos no Brasil?

    Na transição da ditadura para a democracia, a política estava em alta, contra o poder militar, que sempre buscou desmoralizá-la: as cassações se faziam contra dois grupos de políticos, os supostamente subversivos e os corruptos. A derrota das eleições diretas para presidente – recordemos o papel da Globo, que tentou, até o ultimo momento, desconhecer a campanha, para finalmente aderir a contragosto, quando já era um consenso nacional – levou a que o novo regime não representasse claramente uma vitória da democracia contra a ditadura. A conciliação feita no Colégio Eleitoral – em que a oposição dependia de votos dos partidos do governo – deu a nova cara da democracia: uma conciliação entre o novo e o velho. No lugar do candidato natural da oposição – Ulysses Guimarães, o conciliador Tancredo Neves, tendo como vice o até poucas semanas antes presidente do partido da ditadura, José Sarney, que havia liderado a campanha da ditadura contra as eleições diretas, ao mesmo tempo que nascia um partido que saia no derradeiro momento do bloco do governo, o PFL, para somar-se ao carro vencedor e tentar distanciar-se do regime moribundo.

    Uma chapa – Tancredo-Sarney -que expressava claramente a conciliação entre o velho e o novo.

    As circunstâncias – morte de Tancredo e presidência de Sarney – consolidaram a presença do velho, pelo papel mais destacado que tiveram políticos centrais na ditadura – de que o caso de ACM é o mais significativo, embora não o único. A frustração do governo Sarney, restringindo a democratização ao plano político-institucional – no marco estritamente liberal, sem democratização econômica, social, midiática, cultural – recolocou o tema da desmoralização da política, de que Sarney foi uma expressão clara, por seu governo, por sua capacidade camaleônica de reciclar-se rapidamente da ditadura para a democracia, pelo poder oligárquico que mantêm no Maranhão e por sua capacidade de eleger-se, artificialmente, por outro estado como senador, assim como por seus vínculos estreitos e promíscuos com a grande imprensa – através de ACM, que distribuiu os canais de rádio e televisão pelo Brasil afora para a conquista do quinto ano de mandato para Sarney -, de que a propriedade do canal da Globo no Maranhão é um exemplo, além da transferência da sua influência para eleger filhos seus – Roseana e Zequinha.

    Collor, na sua campanha, tratou de capitalizar essa nova desmoralização da política, aparecendo como um outsider, supostamente contra as oligarquias tradicionais da política – como desdobramento da “modernidade” que prometia, contra os “marajás” e a favor da abertura da economia, contra “as carroças”, que seriam os carros fabricados no Brasil. Como isso, Collor colocava, pela primeira vez de forma aberta, dois eixos do consenso neoliberal, que se impunha na America Latina e no mundo: a desqualificação do Estado e a abertura para o mercado externo.

    Seu caráter pretensamente bonapartista de governar, se exercia contra a política e os partidos – sua própria eleição por um partido de aluguel expressava a crise dos partidos tradicionais: recordar o pífio resultado de Ulysses como candidato do PMDB, assim de outros representantes de partidos, como Covas, Afif Domingos, Roberto Freire, entre outros. Collor buscava construir um novo bloco no poder, em torno da sua figura e do ideário neoliberal.

    Collor viria logo se somar à lista de políticos coruptos – cuja lista incluía centralmente a Maluf, ACM, Sarney, Quércia, entre muitos outros. Mas a nomeação de FHC para comandar a economia por Itamar Franco, permitiu ao PSDB retomar a plataforma neoliberal, de forma mais articulada. Retomava também os pressupostos ideológicos do neoliberalismo: o Estado é o problema e não a solução, promoção da centralidade do mercado no seu lugar.

    O neoliberalismio busca desqualificar o Estado, especialmente as regulações – que se contrapõe à livre circulação do capital, aos gastos em políticas sociais e em qualificação e melhor remuneração dos funcionários públicos, além da privatização das empresas públicas.

    Um dos seus objetivos, portanto, é enfraquecer o Estado, considerando seus gastos como fonte inflacionária, pregando a diminuição constante dos impostos, para favorecer a transferência de recursos do Estado para o mercado.

    O Estado e o conjunto da esfera política foram alvo sistemático das forças neoliberais, tendo a imprensa privada como agente fundamental dessas campanhas, valendo-se das denúncias – quase sempre reais – de casos de corrupção de políticos, da malversação de verbas estatais, da contratação de servidores públicos – sem atentar quando se trata de gastos socialmente inúteis ou quando se trata da prestação de serviço para a massa da população, como é o caso de professores, médicos, enfermeiras, assistentes sociais, entre outros.

    Sempre se tenta tomar casos individuais para buscar criminalizar a totalidade da política e das ações do Estado. Toma-se casos particulares de comprometimento com a corrupção – como os casos de Severino, aliás eleito pela oposição contra o governo, de Sarney, de Renan (sempre deixando de lado os aliados atuais do bloco de direita, como é o caso, por exemplo, da ausência de Quercia, atual aliado de Serra, ou dos membros do DEM e dos próprios tucanos, como foram os casos de Artur Virgilio, Sergio Guerra, Tasso Jereissatti, Yeda Crusius – para tentar generalizar para todos os políticos. Toma-se eventuais irregularidades, por exemplo na distribuição do Bolsa Família, em alguns casos individuais, para se tentar desqualificar um programa que beneficia mais de 60 milhões de pessoas.

    Um Congresso fraco não tem condições de definir leis que limitem a livre circulação do capital, o poder sem controle da mídia (como pode ser o caso da Conferência Nacional de Comunicação), a denúncia dos casos de corrupção de empresas privadas, de sonegação fiscal por parte dessas empresas, de controle sobre os ganhos gigantescos dos bancos privados, da superexploração dos trabalhadores pelas empresas privadas, da deterioração do meio ambiente por conglomerados privados urbanos e rurais – entre outras iniciativas. O Congresso fica voltado para casos que a imprensa privada escolhe como seu objeto privilegiado de denúncias – aqueles que buscam afetar políticas de alianças do governo, como se o PMDB e os políticos denunciados agora fossem menos corruptos quando eram aliados de FHC e não eram submetidos a essas denúncias. Tenta colocar o Estado e o governo na defensiva, quando tenta desqualificar programas sociais, gastos na contratação de servidores públicos, investimentos de infra-estrutura ou outros planos como os habitacionais, como gastos inúteis, que recairiam em aumento da tributação.

    Tratam de criar o clima de que o Estado tem um papel essencialmente negativo, ao tributar muito e gastar de forma irresponsável. Era esse o discurso de FHC quando candidato, tendo como mote a idéia de que “o Estado gasta muito e gasta mal”, que era um Estado falido. Quando terminou seus trágicos 8 anos de presidência, a dívida pública tinha se multiplicado por 11, o Estado tinha se desfeito, a preço de banana, depois de sanear as empresas com dinheiro público, de patrimônios fundamentais do Estado, como a Vale do Rio Doce, os gastos sociais tinham diminuído e, ainda assim, o Estado acumulava uma inflação alta e sem controle por parte do Estado. Nunca o Estado gastou tanto e tão mal, como quando governou o bloco tucano-demoniaco.

    Estado e Congresso fracos significam mais espaço para se fortalecer o mercado, isto é, o espaço de domínio e controle das grandes empresas privadas. O bloco opositor termina aceitando que as políticas sociais do governo são positivas, mas tenta esconder que elas supõem tributação e redistribuição do ingresso através de um Estado regulador. Tem que reconhecer que o Brasil saiu antes e mais rapidamente da crise, mas tenta esconder que a indução à retomada do crescimento foi basicamente estatal. Denuncia casos de irregularidade no governo, mas busca esconder, por exemplo, o envolvimento da Sadia e do Unibanco, entre outras empresas privadas brasileiras, na compra irresponsável de subprimes, o que levou à sua falência e compra por outras empresas. Os maiores escândalos contemporâneos não se situam na esfera do Estado, mas no das grandes empresas privadas, como tem se tornado público no caso de algumas das maiores empresas privadas norteamericanas.

    No caso do Brasil, tornou-se consensual a idéia de que o PMDB, por ter sido o partido majoritário desde o fim da ditadura militar, se vale do seu papel chave para a obtenção das maiorias pelos governos de turno, para se apropriar de cargos chave nos governos e no Congresso, onde desenvolve práticas fisiológicas. Foi assim nos governos Sarney, Collor, Itamar, FHC e agora no governo Lula. Quando se aliam ao bloco de direita, cala-se em relação a essas práticas, quando elas favorecem o bloco agora governista, se tornam alvos privilegiados das denúncias, tentando desarticular as alianças do governo no Congresso, dado que fracassaram ao tentar desqualificar a Lula com denúncias e ao se dar contra do imenso apoio popular que o governo tem.

    Mas se a imprensa mercantil, com o controle monopólico na TV, nos jornais, nas revistas e nos rádios, forja a opinião pública, essa maioria do PMDB é o resultado, como um bumerangue, que retorna do tipo de despolitização que essa imprensa difunde. Ela costuma dizer que “o povo brasileiro não tem memória”. Mas é essa mídia a que produz o esquecimento. Senão teria que dizer que:

    - todas essas empresas apoiaram o golpe militar
    - A grande maioria apoiou o governo Sarney
    - A grande maioria apoiou o governo Collor
    - Todas apoiaram o governo FHC do começo ao fim
    - Todas apoiaram o Serra e Alckmin.

    Tornaram-se instrumentos de propaganda do bloco de direita, que tenta reaver o controle do Estado brasileiro, contra um governo que detêm 80% de apoio da população, enquanto eles conseguem obter apenas 5% de rejeição do governo que atacam noite e dia.

    Querem a política desmoralizada, em favor do mercado. O Estado mínimo, fraco, em favor da força das grandes empresas privadas. Um Congresso desmoralizado, para que não possa legislar sobre nada, deixando que as leis de oferta e de procura defina tudo na sociedade.

    Postado por Emir Sader às 16:16″”"

  29. daSilvaEdison disse:

    Nassif,

    Opiniões “delivery” tomaram conta de todas as áreas do Jornalismo.

    A FSP sempre se vale de um Adriano Pires para esculhambara a Petrobras.
    O homem já foi usado para defender a idéia de que a nossa petroleira praticava dumping em 2002:
    “Sem realizar aumentos, a Petrobras pratica hoje preços menores do que os internacionais.
    Na visão de Pires, isso caracteriza prática de dumping, ou seja, vender mais barato para conseguir mercado.”
    (http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u54653.shtml)

    Ou lamentando o não reajuste dos preços dos combustíveis em 2008:
    “Cálculo do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura) aponta que a gasolina vendida no Brasil tem defasagem de 17% em relação ao mercado internacional.
    Para o diesel, a diferença chega a 22%.”
    (http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u415606.shtml)

    Ou, ainda, lamentando o reajuste para baixo, neste ano:
    “De acordo com Pires, o recuo dos preços “foi surpreendente”, pois ocorreu numa fase de forte aceleração das cotações internacionais do petróleo e dos derivados.”
    (http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u578589.shtml)

    Ou até mesmo para decretar o fracasso do modelo previsto para o do Pré Sal:
    “Já para Adriano Pires, especialista do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), o poço seco deveria levar o governo a repensar o modelo e optar pelo regime de concessão, uma vez que toda a defesa do sistema de partilha de produção se baseou no risco zero (com descobertas em todas as perfurações) do pré-sal até então.”
    (http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u594670.shtml)

    Todavia, essa constância da FSP tem uma virtude.
    Leio com o sinal trocado toda matéria que se escora no lobista do CBIE.

  30. Wilton disse:

    YIntelectuais a que se podem rotular não são intelectuais e sim pseudointelectuais. E já que estamos falando destes, que tal catalogarmos os socialytes do pensamento? No mundo pop, socialytes são celebridades que não tem nenhum talento especial (não são bons desportistas, músicos pop, atores, modelos) mas fazem sucesso por terem dinheiro e pose. No mundo do pensamento são pessoas eruditas, espirituosas e de 'bom gosto', mas que não sabem pensar, que nunca apresentaram idéias surpreendentes e densas e vivem da celebridade fugaz dos espaços periódicos que a grande mídia lhes dá. Exemplos? Diogo Mainardi e J P Coutinho.

    Mainardi é setorista de dossiês, categoria equiparada aos antigos setoristas de policia.

  31. OlhosdoNorte disse:

    O blog do sakamoto já fez um post sobre isso, é o disk fonte. Vc liga o obtem os intelectuais com as abordagens que vc quiser:
    http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/06/15/disk-fonte-o-jornalismo-papagaio-de-repeticao-parte-2/

    Analises em fast-news.

  32. Silvana disse:

    Paulo Igel,

    Intelectual que ASSUME que tem lado não tem vez na grande imprensa – a menos que seja para ser confrontado com os “disk fonte”. Por falar neles, o Sakamoto tem dois posts ótimos a respeito:

    http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/?s=disk

  33. hamilton disse:

    ” marilena chauí e emir sader são intelectuais militantes do PT. eles assumem, não se acovardam…” Tá bom. Eles tanto se acovardam, que não deram um piu sobre o escandaloso e covarde comportamento do PT no último imbroglio do Senado (Sarney, Lula, Collor etc).

  34. Juliano Santos disse:

    O.Weden,foi.certeiro.mais.uma.vez..Esses.intelectuais.delivery.ou.disk.fonte.é.uma.verdadeira.praga
    .nesse.nosso.mundo.midiático..Meu.irmão,.cientista.político.do.Iuperj,.cançava.de.atender.jornalista,com.
    perguntas.que.já.vem.com.respostas.prontas..Como.ele.tem.o.péssimo.hábito.de.responder.o.que.ele.
    realmente.acha,.não.o.procuram.mais

  35. Claudio M Silveira disse:

    Observação interessante, mas o trabalho ficará mais confiável se informar a razão da declaração do intelectual assim como data e nome dos respectivos veículos de comunicação.
    Com isto pode-se usar a informação e passar para outros, resguardando a crédito ao autor.
    Um abraço

  36. Yuri Suzano Silva disse:

    É bom sempre desconfiar de tudo e todos, mas sobretudo de intelectuais dos países em desenvolvimento. Eles não brotam da terra espontaneamente com filosofias democráticas e progressistas. Todos saem de uma determinada “fábrica”, por assim dizer. Se a ignorância é perigosa, igualmente pode ser a instrução.

  37. Dulce Leão disse:

    ;) hummm Nassif, por falar em “jogos teatrais”… Rouanet come um dobrado!!!! ;) ))))))))

  38. Fernando Augusto disse:

    “Gostaria de sabe em que categoria poderáimos enquadrar intelectuais como Marilena Chauí e Emir Sader”:
    “Governistas de naipe”.
    de Ivan Moraes

    Sr. Ivan Moraes

    1_ Os dois continuam defendendo as mesmas idéias que sempre defenderam, muito antes de Lula chegar ao poder.
    2 _ O apoio de ambos é crítico, questionado inclusive a política do BC
    3 _ Não ocuparam ou ocupam cargos no governo, o que não seria demérito
    4 _ Se tivessem interesse exclusivo no progresso material poderiam ter apoiado os governos anteriores o que não o fizeram, contando apenas o período pós-ditadura tiveram mais de 15 anos para apoiar governos

  39. Neylor disse:

    Eu acrescentaria o filósofo “especialista em ética” (sic) Roberto Romano da Unicamp. Que por sinal tem um blog que não permite comentários.

Voltar ao topo