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14/08/2009 - 09:51

Os grupos de inovação e o maniqueísmo político

Uma coisa cansativa é a divisão de todos os temas entre PT e PSDB.

É o caso de alguns comentários no post sobre inovação, a respeito da participação do Carlos Américo Pacheco no governo FHC. Bastou isso para alguns comentaristas mais apressados concluírem que o evento da próxima quarta visará recolher fundos para o Serra, se tem um nome do governo FHC no meio o modelo é neoliberal.

Há uma incompreensão ampla sobre o atual estágio do país.

O país não é PT e PSDB. Ambos são parcelas ínfimas da grande teia econômica e social que está transformando o país.

Desde os anos 90, consolidaram-se no Brasil grupos de excelência em várias áreas, que são muito mais ligados aos temas que defendem do que aos partidos políticos. São esses grupos que garantem a continuidade de diversas políticas públicas, que tentam se equilibrar entre governos tucanos e petistas. São eles o verdadeiro esteio do desenvolvimento do país, porque garantem a continuidade das boas práticas, colocando o viés técnico acima das conveniências políticas – que são inerentes aos partidos políticos.

Tome-se o caso da saúde, desde a criação do Sistema Único de Saúde, na Constituição de 1988. Vários Ministros serviram a vários governos. Mas eram (e são) acima de tudo soldados da saúde. Henrique Santillo, Alceni Guerra, José Gomes Temporão, Jamil Haddad.

O mesmo ocorre com políticas sociais. Há um grupo de primeiríssima responsável pelas melhores ações nos governos FHC e Lula e que também faz o meio campo com ONGs e Institutos privados. Ou se considera que a brilhante equipe do Bolsa Família nasceu em proveta de laboratório?

Na área de Educação, há um movimento suprapartidário, assim como na área de saneamento.

No campo da Qualidade, apesar do baixo interesse dos diversos governos com o tema, esse grupo logrou convencer o governo FHC a instituir o Prêmio dse Qualidade para o Setor Público, que foi mantido no governo Lula. Eu mesmo integrei o Conselho do Prêmio de Qualidade no governo FHC (depois de ter recusado o convite do Bresser para ser membro do Conselho da Reforma do Estado). O grupo da qualidade está infiltrado em todos os governos, independentemente do partido político e está ajudando a mudar o país.

A inovação é uma bandeira supra-partidária, que, na sua elaboração, contou com a participação de cérebros de todas as partes, do Pacheco e do Britto Cruz, aqui em São Paulo, aos cientistas da UFRJ e da UFMG, do Sérgio Rezende, no Pernambuco de Arraes, ao Cunha Lima, na Paraíba, dos institutos militares, das universidades federais e das estaduais paulistas, de grandes multinacionais abrasileiradas, como a Rhodia e a Siemens, às multi brasileiras, como a Natura e a Odebrecht.

Esses movimentos são muito mais orgânicos e modernizadores do que os partidos políticos – cuja lógica maior é o da conquista e preservação do poder.

Só para comprovar o primarismo dessas avaliações, o encontro de quarta-feira em São Paulo faz parte de articulações do setor de inovação com o apoio do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e do Ministério de Ciências e Tecnologia.
Por isso, pessoal, vamos fazer daqui sempre um contraponto ao discurso único da mídia. Mas, peloamordeDeus, não vamos embarcar nesse primarismo maniqueísta da mídia.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Tecnologia Tags: , ,

57 comentários para “Os grupos de inovação e o maniqueísmo político”

  1. Lucinei disse:

    essa discussão e tantas outras que observamos na imprensa (e aqui) não passam de neurose-de-guerra-fria. Escolhem adversários – é isso – com os quais têm rixas pretéritas ou atuais e desatam a critiquice. Não estão querendo aprofundar nem contribuir para nada; estão discutindo com o (próprio) passado.

    A sorte é que a maior e a melhor parte dos brasileiros não está nem aí para quem é stalinista ou neoliberal, americanista ou anti-americanista (seja lá o que for que signifique cada uma dessas palavras)…

    …Tem um pessoal que ainda se auto-proclama cultivado e bem informado.

  2. Para não dizer que não colaborei, aqui vai a minha sugestão, este produto vende hoje em dia 60.000 por ano daqui a dois anos vão ser no mínimo 3 milhões de unidades, se capturarmos 10% deste mercado num primeiro movimento, já teríamos lançado as bases para uma nova indústria de ponta no pais, vontade política.

    EE Times:

    Analyst predicts rapid growth for pico projectors

    Pico projectors embedded into products such as smartphones are set to experience a sixtyfold growth in shipments during the next four years, according to a forecast by market research firm iSuppli Corp.

    Shipments of embedded pico projectors will rise to more than 3 million units in 2013, up from less than 50,000 units this year, iSuppli (El Sequndo, Calif.) predicted. The firm defines pico projectors as front projectors weighing less than 2 pounds and sized at less than 60 cubic inches without a battery pack.
    http://www.eetimes.com/rss/showArticle.jhtml?articleID=219100339&cid=RSSfeed_eetimes_newsRSS

  3. Índio Tupi disse:

    Aqui do Alto Xingu, os índios asseguram que o SUS não paira no Olimpo, fora da esfera do Estado, onde se dão as disputas políticas das classes sociais. Ademais, o SUS não paira acima dos partidos que formam a coalisão governamental. Os índios não afirmaram que o SUS pertence a um partido! Onde está esse falso argumento?

  4. Leandro Ferrari disse:

    Ah claro, dar um pedaço de terra brasileira aos EUA (vide episódio da Base de Alcântara) e defender a Alca não necessariamente é algo “mal intensionado”.
    Sem contar os charlatões dos EUA que defendiam a Alca, nem sequer consequiram implementar por completo o Nafta, que deveria ser uma simples zona de livre comércio com somente 3 países, e queriam implementar em todo o continente uma zona com objetivos muito maiores do que o Nafta.

  5. Anonimo disse:

    Exemplo de pesquisa inovadora das nossas universidades

    Segunda-feira , 10 de Agosto de 2009

    A ciência do PCC

    http://cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br/arch2009-08-09_2009-08-15.html#2009_08-10_11_45_54-129493890-25

  6. Anonimo disse:

    Já a proposta para nossa educação e desenvolvimento tecnológico defendido por uma das maiores autoridades do mundo no assunto é: “Os chineses não têm constrangimento em copiar o que funciona em outros países. Ao contrário: eles são movidos por isso. É uma das razões para progredir a uma velocidade tão espantosa, enquanto os brasileiros melhoram em ritmo mais lento”

    http://veja.abril.com.br/060808/entrevista.shtml

  7. José Antônio disse:

    Um esclarecimento em relação à minha última frase que, ao lê-la, percebi que pode se mal compreendida:

    Chega de simplificações em que tudo parece se resumir a uma disputa futebolística na qual que os times foram devidamente apelidados pejorativamente pela torcida adversária, como Petralhas e Tucanalhas.

  8. Dimas disse:

    O mais ridículo neste Fla X Flu é que entre os dois times não tem diferença básica nenhuma. Alias, não é PT X PSDB; é lulismo X fernandismo, serrismo etc.

  9. Thoreau disse:

    Prezado Nassif,
    você pode até estar certo quando afirma que a atual conjuntura brasileira não pode ser pensada a partir do conflito PT x PSDB. Mas não dá para deixar de dizer que há, sim, em todas as áreas de disputa política (não falei partidária!!!), econômica e social progressistas, conservadores e reacionários no Brasil.
    Vou dar um exemplo: sou da área da educação. Na instituição em que leciono, uma instituição de ensino superior, é uma luta conseguir aprovar projetos que envolvam propostas de produção de conhecimento e de atividades voltadas para a comunidade externa à instituição. Os professores que participam dessas atividades são rotineiramente chamados de esquerdistas e comunistas pelos que são contrários a qualquer inovação que não signifique maravilhosos empreendimentos econômico-empresariais.
    Há setores da sociedades brasileira que invariavelmente interditam a inovação por intermédio de estigmas lançados contra aqueles que desejam experimentar as inovações, principalmente quando essas inovações têm caráter social.
    Essas disputas existem e precisamos debatê-las. O célebre Maquiavel já dizia que a liberdade em Roma se construiu do conflito entre a plebe e o patriciado romano. Os conflitos produzem boas leis, caro Nassif.
    Não se trata de transformar qualquer conflito em FlaxFlu, no melhor estilo PTxPSDB, mas também não se trata de acreditar que nas políticas públicas de saúde, de educação, no campo da gestão ou em qualquer outro âmbito não existam conflitos e não existam grupos que se comportam exatamente como a mídia se comporta quando o assunto é Comunicação Social, por exemplo.
    Muitos traduzem de modo simplista esses conflitos como petistas contra tucanos, o que é equivocado, concordo. Entretanto, não é porque esse conflito não pode ser universalizado que não existem diversos grupos no Brasil que, em suas áreas, interditam inovações voltadas à amplicação do exercício dos direitos no Brasil. E tais grupos utilizam táticas semelhantes a quem mais estimula essa universalização do conflito PT x PSDB como modo de entendimento de todos os problemas brasileiros: a mídia. Que táticas? Estigmatização, acusação sem provas, boicote, interdição do debate etc. etc. etc..
    Não há mudança sem conflito. É preciso que isso fique claro, Nassif, ainda que eu concorde com a tese de que um conflito partidário não pode ser usado única e exclusivamente para explicar os diversos conflitos.
    Seus argumentos são bem interessantes, mas é preciso deixar isso claro, do contrário podem parecer atrelados a uma visão poliana de mundo.

  10. Marcelo Mesquita disse:

    Isso tudo não é nada comparado ao que acontece aqui no Amazonas. Depois do Deputado que mata gente pra exibir na TV e dos políticos e empresários pegos cometendo crime de prostituição infantil surge mais escândalos a cada dia . Leiam essa matéria

    http://www.blogdoholanda.com/news/detail.asp?iData=4093&iCat=630&iChannel=1&nChannel=News

  11. Rafael disse:

    Os partidos políticos são na verdade a representação do povo ou a democracia não tem sentido.Ou democracia não é a representação do povo e pelo povo?
    Há uma diferença gigantesca entre Lula e FHC o que é bem claro para todos.
    FHC privatização destruidora da soberania do país(privataria).
    Lula descoberta do pré-sal e fortalecimento da Petrobras/Brasil.
    Só isso para mim já faz muita diferença.

  12. janes disse:

    Ivan Morais: concordo com teu comentário.Para a mídia tudo é culpa do PT, sendo ele governo ou oposição

  13. André Silva disse:

    “O que importa é os partidos políticos perceberem a importância de se cercarem de quadros técnicos entrosados com os movimentos sociais (todos esses movimentos de que falei têm componente social).”

    O PSDB fez isso? A pergunta é sincera.

  14. Anonimo disse:

    Quanto custa tecnologia pronta:
    Submarinos negociados pelo Brasil com a França equivalem a cerca de dois anos de Bolsa Família

    http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/08/14/submarinos-negociados-pelo-brasil-com-franca-equivalem-cerca-de-dois-anos-de-bolsa-familia-757420442.asp

  15. [...] uma conversa com Roberto Pinho (As Coisas) sobre um post do Luis Nassif (Os grupos de inovação e o maniqueísmo político) veio uma lembrança dele na série The West Wing. President Josiah Bartlet: Never doubt that a [...]

  16. Renato Lira disse:

    Nassif e malungos.

    Não vejo essa polarização PTxPSDB.

    Vejo uma polarização mais ou menos assim:

    Governo x mídia/ruralistas/psdb/demos/pps/dantas/mendes/psol/reaças e golpistas em geral/às vezes o próprio PT.

    Essa sim é a polarização que vislumbro.

    EVOÉ!!!

  17. amigo nassif,há muito tempo não via você comentar um assunto com tanta lisura e isenção ideologica,parabéns…fico feliz por constatar que você,me parece,etá deixandop de lado o ranço ideologico de esquerda que tem pautado os seus comentários ultimamente,e está mais pro lado correto das análises,é por aí mesmo o que você escreveu o brasil é tudo menos as corjas petistas e tucanas,aliás ultimamente são as siglas mais prejudiciais ao paíz

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