O fim do controle pela mídia
Da Folha
MARCOS NOBRE
EM MEIO À bandalheira da década de 1980, foi escolhido um presidente por eleição direta, o que não acontecia havia quase 30 anos. O afastamento de Collor em 1992 instaurou uma expectativa de controle direto do sistema político, em que o eleitorado poderia tirar mandatos a qualquer momento.
A partir da eleição de FHC, o impeachment desapareceu pouco a pouco do horizonte. Com o tempo, a expectativa de controle direto foi substituída por uma espécie de controle da “opinião pública”, entendido como uma pressão incessante da mídia sobre uma determinada figura política. Mesmo o Judiciário, o Ministério Público e as polícias se tornaram forças auxiliares desse novo controle indireto, em que se exigia pelo menos a entrega de anéis para a conservação dos dedos.
Muitos ministros caíram assim.
(…)Não que controlar o sistema político por meio de uma mídia oligopolizada seja algo a comemorar.
Mas o episódio Sarney mostra que até mesmo esse controle precário e indireto pela mídia está desaparecendo das mãos do eleitorado.
Pode até haver quem ache saudável essa redução do controle do sistema político pelo eleitorado ao momento das eleições. Mas democracia nenhuma se faz apenas com eleições. As próprias movimentações do eleitorado para 2010 dão prova disso. Quanto mais o sistema político procura se fechar em si mesmo, mais rachaduras aparecem.
Lula tenta reduzir o campo eleitoral a um plebiscito sobre seu governo, a uma disputa entre sua candidata e o candidato do PSDB. Aparece Ciro Gomes. Lula articula de todas as maneiras para neutralizá-lo. Sem sucesso até agora. Aparece Marina Silva. Difícil imaginar o que Lula poderia fazer. O sistema político enclausurado que se cuide. O que está em jogo não são mais dedos e anéis.
Comentário
A atual geração de CEOs da grande imprensa carregará na biografia a mancha de ter desmoralizado um dos poderes essenciais em uma democracia. E personagem central desse desmanche foi Roberto Civita, nesse período insano da Veja. Os demais foram fracos, indo atrás de uma loucura.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: Marcos Nobre, Mídia


A mídia golpista foi derrotada. Agora abriu-se um precedente poderoso. No futuro, Serra não conseguirá mais derrubar quem lhe convier usando sua mídia (Globo, Folha Veja e Estadão).
Ciro Gomes está bem sintonizado com Lula e nada sintonizado com os demotucanos. Ele fortalece o campo governista.
Marina é uma vedete que terá os holofotes da mídia por alguns meses e depois caíra no mesmo ostracismo que Heloísa Helena e Sonia Francine.
O PV não é nada.
Afirmar que Sarney é uma vítima dessa mídia nada mais é que confirmar o que seu texto diz: o controle pela mídia da opinião está desaparecendo das mãos do eleitorado.. Não é possível que o povo não perceba que essa campanha que estão armando contra o Senador é uma grande manipulação da mídia!
Nassif! penso que o Marcos Nobre deveria dizer algo de São Paulo também, não? Sobre a blindagem ao governo Serra e seus desmandos com a corrupção e o descaso com a educação e segurança pública. Apontar a crítica para o lado federal é fácil quando o patrão assim o faz. Além do mais, esse tipo de análise sai na hora que os jornalões, como a Folha, perde mais uma vez no intento de levar adiante sua política mesquinha e arrogante de derrubar reputações a la Veja. Tal como Adorno, quando a polícia entra no campus há um silêncio geral para não prejudicar o “pensamento crítico”.
O pessoal do site do nobre professor Hariovaldo Almeida Prado – um dos mais ácidos críticos do Luis Nassif – pensa diferente:
“Merece um comentário do professor Hariovaldo o artigo da beladona e excellent cronicwoman, Madame Eliane Cantanhêde, por seus sempre simpáticos comentários em defesa da moral e dos bons costumes, como o de hoje, intitulado ‘O trio: Lula, Sarney e Collor’.
Tudo nele é isenção e a pregação do que convém aos homens bons desse país, como ao nosso bravo corajoso Sir José ‘Chirico’ Serra, que já nos deu mostra e monta de sua competência nos quatro anos – ah, que saudades! – em que foi ministro do planejamento do grande FHC, o nosso Farol e Guia.
A articulista daquele valoroso e imparcial órgão de imprensa paulista, sempre nos defendendo de apedeutas, de alcoólatras e de agora em diante, até de tabagistas inveterados que desejam comunizar o sacro-santo solo da paulicéia desvairada e estuprar a qualidade do ar puro de Higienópolis, do Morumbí e dos Jardins, como forma de ataque a nosso combatente maior Sir Chirico, também conhecido como o Cavaleiro Chuiço.
É tão importante esse fato, que embora outras cidades e capitais já tenham anteriormente proibido o fumo em ambientes fechados de bares e restaurantes, esse assunto passou despercebido, e somente agora, na vez de SP e de Sir Chirico, é que em vez de noticiar aos verdadeiros interessados nos tele-jornais locais, foi e ainda é amplamente divulgado em todos os tele-jornais nacionais, dando enorme visibilidade e publicidade a nosso imenso lider.
Que São Serapião nos conceda proteção e vitória contra os maus, os lullo-petistas.
Essa é a imprensa que precisamos, nós, os homens bons e bem nascidos desse país.”
Fonte: http://hariprado.wordpress.com/2009/08/08/audaz-varao-da-republica-consola-mulher-de-bem/
Quando Marcos Nobre diz que “o episódio Sarney mostra que até mesmo esse controle precário e indireto pela mídia está desaparecendo das mãos do eleitorado.” sugere que a mídia, ainda que de forma precária e indireta, um dia tenha servido ao eleitorado e que hoje não serve mais porque, interpretação minha, o poder se fecha em copas – esta a verdadeira razão do poder do eleitorado. Ou seja, não vejo nesse texto crítica alguma à mídia mas vejo, sim, crítica ao governo.
E desmentir o genial professor Hariovaldo, quem há-de?
Nassif! Não estou pedindo harakiri de pessoas sérias. Quanto a isso estou tranquilo. Estou situando uma matéria em um veículo que já aprontou demais em desinformação e falsas reportagens. Afinal existe ou não liberdade de expressão por parte dos colunistas? Fico pensando nas estratégias de amortecimento que o jornal tem para com leitores mais críticos, que a Folha já perdeu em abundância e perde cada vez mais. Talvez a questão seja a credibilidade do veículo e a responsabilidade de quem escreve nele de se ver misturado a tal situação.
Quando um jornal recebe dinheiro para publicar mentiras contra alguém, nada mais justo que acionar a justiça. Afinal, ao que me consta, a justiça não está na mão do povo.
Esse jornalista do pig faz uma ginástica altamente arriscada. Parte de seu corpo vai para um lado: “..não se deve comemorar o oligopólio da mídia..”. Um gesto realmente corajoso, sem dúvida. Aí, outra parte vai para o lado oposto: ” …o controle precário da mídia em nome do eleitorado..”. Em nome do eleitorado? Essa foi para o Otavinha ouvir. Vai quebrar a coluna. Alías, foi o que escreveu, uma coluna quebrada
Marco Antonio: “E desmentir o genial professor Hariovaldo, quem há-de?”
O que eu mais lamento no declínio do Estadão está sendo a perda do estilo de escrever “euclidiano”, de tratar com carinho o idioma português falado no Brasil, independente dos leitores concordarem ou não com a linha editorial do jornal.
Por vezes, os textos eram tão bons que as reportagens renderam livros como “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. O caso de Monteiro Lobato é clássico (1):
“Em 1911, herda de seu avô uma fazenda, passando a dedicar-se à agricultura. Três anos depois, um acontecimento definiria a carreira literária de Lobato: durante o inverno seco daquele ano, cansado de enfrentar as constantes queimadas praticadas pelos caboclos, o fazendeiro escreve uma ‘indignação’ intitulada ‘Velha praga’ e a envia para a seção Queixas e Reclamações do jornal O Estado de S. Paulo.
O jornal, percebendo o valor daquela carta, publica-a fora da seção destinada aos leitores, no que acerta, pois a carta provoca polêmica, estimulando Lobato a escrever outros artigos, como por exemplo ‘Urupês’, e a criar seu famoso personagem Jeca Tatu.”
O nobre professor Hariovaldo Almeida Prado manteve o estilo clássico do Estadão e acertou em cheio. É um crítico do Luis Nassif que vale a pena ler, até as professoras reconhecem isso (2):
“Professor: simplesmente ADORO este blog! Tinha perdido seu endereço e por um bom tempo não acompanhei seu desenvolvimento. Mas agora, procurei muito e achei!! Sou do Paraná e vou indicar a várias colegas professoras, (todas mulheres de bem, claro!) a leitura de textos tão bem estruturados e criativos! Divirto-me muito (se não ficasse às vezes indignada…)! Parabéns!”
Notas:
(1) http://www.algosobre.com.br/biografias/monteiro-lobato.html
(2) http://hariprado.wordpress.com/2009/08/08/audaz-varao-da-republica-consola-mulher-de-bem/
->.” Quanto mais o sistema político procura se fechar em si mesmo, ais rachaduras aparecem. [...] O sistema político enclausurado que se cuide. O que está em jogo não são mais dedos e anéis. ”
a divisão do mundo da política brasileira entre lulistas x anti-lulistas não apenas paralisa o debate como deprecia o nível de argumentação.
Nakano escreveu um bom texto sobre os efeitos nocivos do câmbio. ah! mas o Nakano é tucano. então joga tudo no lixo!
não importa a qualidade intrínseca do texto! o que se impõe é a autoria.
não se discutem idéias, propostas e argumentos. apenas se desqualificam a interlocução.
eu, por exemplo, não suporto Delfim Neto – por causa dele ter assinado o AI-5. entretanto, isto em nada me impede de concordar com algumas das opiniões do Delfim sobre o Copom! portanto, em relação ao Copom eu não veria nenhum problema numa aliança com o Delfim! uma aliança fundada em bases claras e em benefício do país!
o mesmo ocorre com este excelente texto do Marcos Nobre!
além, de tudo, é um texto para ser considerado dentro das condições em que foi publicado – submetido a cortina de ferro editorial da FSP.
considero que o texto toca em pontos altamente pertinentes:
- o controle das instâncias políticas pela sociedade civil;
- o aprofundamento da democracia, para que não se restrinja a simples ato de votar;
à advertência feita pelo autor acerca do sistema político, seria possível também acrescentar:
- quanto mais o debate político se fechar em si mesmo, mais as rachaduras aparecem. o debate enclausurado que se cuide. o que está em jogo não são mais dedos e anéis. o que está em jogo é o destino de todos nós, povo e nação.
.
É difícil aceitar ainda essa idéia de que a chamada opinião pública é representada somente pela grande imprensa e, inclusive, pela televisão.
Com os movimentos populares a partir principalmente de 1978, com a redemocratização, houve um contínuo deslocamento desse domínio ditatorial para a sociedade.
Quando digo ditatorial, é pra ressaltar mesmo que a grande mídia traz cpmsigo muitos entulhos e vícios ditatoriais.
Diria melhor: EDITATORIAIS.
E junto aos movimentos, surgiram as novas formas de comunicação, internet, etc…
A luta, então, é radicalizar essa democratização cada vez mais.
Lembro que ha um tempo atras Lula teve uma declaração sua, para variar, fartamente contestada na mídia, ele falou que a Venezuela tinha “excesso de democracia” foi um tal de jornalista escrever artigos exaltando a democracia e defendento que ela jamais poderia ser excessiva. Agora o jornalista da folha defende a audaciosa tese de que “democracia nenhuma se faz apenas com eleições”, imagino se fosse o Lula que tivesse soltado essa pérola, tirando a obviedade da declaração pois é claro que apenas eleições não garantem um regime democrático fica a preocupação quando essa declaração é feita em um meio que há não muito tempo definiu uma ditadura com ditabranda, e que sistemáticamente infringe regras elementares do convivio democrático, sera que o jornalista tem lido o jornal em que escreve? Ou acha que ombudsman é só um cara que fica enchendo o saco e não serve para nada?
Ao Romanelli.
O poder essencial,na verdade não foi citado nas suas alternativas aos leitores,pois ele é a opinião pública,e esta está mais viva do que parece,e é ela que está levando a grande imprensa ao “buraco”.
O advento da Internet,e os blogs que estão sendo a mais nova coqueluche da sociedade moderna,pela interatividade que permite,está “deixando na poeira”os poderes citados pelo amigo,e aqui pra nós,colocar o Senado(assim como todo o Poder Legislativo)como importante,é ser bonzinho !
Não entendi nada do que o Nobre quis dizer. Aliás, esse é Marcos Severino Nobre, autor de ensaios sobre Adorno, Marx e Hegel, trutão do Giannotti a não ser na alergia que o último tem à Escola de Frankfurt?