O dinheiro do crime organizado
Com a matéria do Leandro Fortes, na Carta Capital desta semana (mostrando esquentamento de dinheiro em operações de desapropriação do governo Cabral, no Rio) e com a de Rubens Valente, da Folha (que publico abaixo) a situação do Opportunity torna-se insustentavel.
Na de Valente tem-se as evidências de algo sobre o qual se vem escrevendo a tempos: o fato dos fundos offshore terem passado a disputar a clientela do crime organizado. E uma informação relevante, sobre o funcionário do Banco Central, acusado de levar propinas por aplicar as reservas em ouro no Desdner Bank. É a primeira vez que leio a confirmação de algo que era bastante comentado na época, especialmente na gestão pré-Armínio no Banco Central: os critérios do banco para a aplicação das reservas.
É importante anotar que há muitos anos era de conhecimento público a existência de investidores brasileiros nos fundos offshore do Opportunity – o que contrariava a legislação do mercado de capitais, do Banco Central e da Receita Federal. Nem a imprensa, nem as autoridades se mexeram para sequer investigar as denúncias.
Apenas uma dúvida: esse material constava do inquérito original do Satiagraha ou foi agregado agora, de outros inquéritos sobre lavagem de dinheiro que já corriam na Polícia Federal?
Lembro que a Teletime e a Carta Capital ficaram sozinhas nessa fronteira. Na grande imprensa, apenas eu escrevi sobre o tema. O Teletime foi processado pelo Luiz Leonardo Cantidiano (ex-presidente da CVM e diretor de empresas offshore de Dantas), com apoio dos grandes escritórios de direito societário do Rio, e quatro vezes por Daniel Dantas. A Carta Capital, por Dantas.
Da Folha
PF aponta lavagem de dinheiro por meio de fundo do Opportunity
Perícia descreve como doleiros brasileiros teriam enviado US$ 19 mi para Cayman em sistema fora do controle do BC
Relatório da Satiagraha diz que pelo menos 15 cotistas do fundo respondem por crimes financeiros; grupo nega as acusações da PF
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
O relatório final da Operação Satiagraha, que investigou o banqueiro Daniel Dantas, apontou indícios de lavagem de dinheiro no Opportunity Fund, um fundo de investimentos criado em 1994 no paraíso fiscal das Ilhas Cayman.
Uma perícia da Polícia Federal, anexada ao inquérito, revela que doleiros brasileiros -operando empresas de fachada num sistema paralelo, à margem do controle do Banco Central- remeteram pelo menos US$ 19,4 milhões ao fundo de Cayman por meio de 283 transações bancárias.
As leis de Cayman resguardam os nomes dos cotistas do fundo, cujo patrimônio já foi estimado em R$ 2 bilhões. O fundo teve participação ativa nas privatizações de estatais feitas pelo governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), arrebatando a telefônica Brasil Telecom e o terminal de contêineres do porto de Santos (SP), entre outros ativos.
No relatório, entregue à Justiça Federal, o delegado da PF Ricardo Saadi descreveu que pelo menos 15 cotistas do fundo, residentes no Brasil, respondem ou responderam a acusações sobre crimes de natureza financeira.
Um deles é um ex-funcionário do Banco Central que em 2001 foi denunciado ao Ministério Público pelo próprio BC por suspeita de cobrar indevidamente quase US$ 2 milhões para operar irregularmente reservas de ouro em favor do Dresdner Bank de Nova York.
Parte dos recursos dos cotistas chegava a Cayman por meio de doleiros em operações conhecidas desde a década de 90. Três doleiros ouvidos pela PF confirmaram as operações em prol do fundo: Clark Setton, Richard Otterloo e Luis Filipe Malhão e Souza.
Pelo sistema do “dólar-cabo”, o dinheiro do cotista era entregue ao doleiro no Brasil, que transferia para Cayman recursos de conta bancária aberta no exterior em nome de uma empresa de fachada. Assim, o sistema do BC não identificava os verdadeiros donos do dinheiro.
O dinheiro do fundo em Cayman, segundo a PF, foi reinvestido no Brasil por meio do fundo de investimento Opportunity Luxor, que tem apenas um cotista, ou a empresa International Markets Investiments.
Segundo a PF, “brigas societárias” em Cayman levaram o Opportunity a criar um segundo fundo, nos mesmos moldes. O Unique, sediado nas Ilhas Virgens Britânicas, investe no Brasil por meio de empresas sediadas em Delaware, paraíso fiscal dos EUA, e no Uruguai.
“A rentabilidade dos investimentos [no Brasil] era paga aos cotistas no exterior, os quais, além de ocultarem os recursos das autoridades brasileiras, não recolhiam os impostos devidos, causando prejuízo ao erário brasileiro”, afirmou o relatório.
Com base no depoimento de Maria Gabriela Bouquerel, que atuou na tesouraria internacional do Opportunity, Saadi apontou que a deflagração da Operação Satiagraha, em 2008, levou as autoridades monetárias de Cayman a determinar a troca de diretores do fundo por nomes “independentes”.


Prezado Nassif, houve um descuido no texto: saiu “a tempos” em vez de “há tempos”.
Parábens pelo excelente blog.
Fortaleza/CE
E agora o descuido foi meu: saiu “parábens” em vez de “parabéns”.
isto esta DENTRO DA PAUTA
…eu escrevi ontem em texto parecido
“DENUNCIA tem que ser feita
..VIVA A IMPRENSA livre …esta que podemos BATER, xingar, processar ..melhor do que a outra COVARDE que se dizia DEMOCRATA (mas era dissimulada) e nos enchia de receitas de bolo que só nos CEGAVA ..isso quando não oferecia caminhão que “nos” carregava
SE a denuncia for MENTIROSA, se apenas fofoqueira, seus autores tem que assumir dos riscos e PAGAR por elas
TODO e qualquer grampo (legal e ilegal) tem que ser ouvido e considerado no MÉRITO
se fraude, quem a fez, que pague também ..se verdadeiro, que de seus préstimos à sociedade, os “grampeadores ilegais” possam conseguir o PERDÃO a bem da NAÇÃO
Precisamos ser ágeis, ADULTOS, responsáveis contra o crime
simplesmente conseqüente
A esposa não tardou e veio pelas mãos de JOSÉ HONÓRIO
“Enquanto isto, quem for inocente paga o pato agora e sempre. ‘Rimember’ Escola de Base. É calhorda este tipo de postura”
ZÉ, queria eu estar numa sociedade adulta, DEMOCRÁTICA, rsponsávele consequente ..MAS NOSSA REALIDADE é mais o que torta
EM minhas colocações NÃO abandono os inocentes a própria sorte …ao contrário …EXIJO que as mentiras e bisbilhotices sejam PUNIDAS
O que não dá é pro crime organizado se infiltrar SEM LIMITES nos 6 poderes (executivo, legislativo, judiciário, religiões, imprensa e maçonaria) e nós tentarmos enfrentá-los nos valendo apenas de LEIS politicamente corretas
NOSSAS leis estão e foram entortados ZÉ
Direito especial; foro especial; decurso de prazo e idade; prova PROVADA e confessada desconsiderada; prova fora de forma sendo desconsiderada mesmo estando recheada de VERDADES e méritos; o flagrante de 24h; a primariedade na maldade etc ..TUDO isso, e mais, são artifícios que visão OU a vida do bandido, ou MANTER este nosso modelo que já não se aguenta em pé e não suporta mais inquilino em nossos presídios …só isso … se liga ZÉ, não se faça de MANÉ
COBRO SERIEDADE E OBJETIVIDADE, conseqüência
Queria eu que todos os bandidos atendessem EDUCADAMENTE a um pedido ou a um TOM de flauta, tal qual aquela de Hamelin que atrai os ratos para o abismo
uma coisa é a REALIDADE DURA, outra a FANTASIA ZÈ
E depois ainda criticam o Juiz Fausto De Sanctis por tentar estancar o fluxo financeiro dessa quadrilha.
O Brasil é o paraíso dos crimes financeiros. A blindagem dos poderosos é grande e o STF tem em seu Presidente o mais voraz defensor dos “direitos individuais seletivos”, como diz o dono do blog.
A delinquência financeira é gravíssima, mas nossas autoridades acham que é uma atividade que, embora criminosa, não oferece perigo. Quando TODAS as autoridades brasileiras combaterem esse tipo de delito com eficácia, sem apadrinhamentos ou protecionismo, sem troca de favores e sem jogo de cena, punindo os crimes financeiros com o rigor devido, aí sim poderemos nos orgulhar da nossa Justiça.
A impunidade dos poderosos e o individualismo exacerbado são os motores oculdos que impusionam o crescimento da violência em todos os níveis.
Os pequenos deixaram de sentir vergonha em cometer seus crimes quando souberam, graças à democracia, o que os grandes sempre fizeram: roubar o dinheiro do povo, locupletar-se com o que não é seu.
Curioso observar, um sutil movimento,na mídia ,bem orquestrada ,de reposicionar Daniel Dantas, em ângulo de contra-ataque, simultâneamente, atenuando, justificando e absolvendo, suas ações anteriormente condenadas. Por essa própria mídia. São referência casuais, aqui e ali ,em diversos veículos,alguns até ,nas colunas de “fait -divers”.
E enquanto isso o Gilmar Dantas vai na TV, no programa do João Doria Jr. (o “cansado”) para tentar desqualificar a Saitagraha.
http://www.youtube.com/watch?v=tqHaGLtwbaY&feature=related
A teoria do Gilmar Dantas é a seguinte: Um palmeirense deu um tiro na cabeça de um corintiano, mas como os dois são rivais e o corintiano tinha xingado o palmeirense, então não tem crime e o assassino pode matar a vontade.
As reportagens confirmam o artigo “Um grande especialista revela segredos dos centros bancários offshore”
No endereço http://www.resistir.info/eua/offshore_banks.html, uma entrevista com um grande especialista que revela segredos dos centros bancários offshore. Uma entrevista sobre o efeito dos paraísos fiscais sobre as economias dos países: “um fundo que investisse em títulos de governos do terceiro mundo…pressionou as taxas de empréstimo para cima para aproximadamente 45 por cento ao ano em relação a títulos do governo … da Argentina e do Brasil…tomado principalmente por brasileiros e outros compradores latino-americanos. O dinheiro foi investido em títulos de alto rendimento dos seus próprios governos. A ironia era que os pagamentos exorbitantes de juros feito em 1990 eram devidos em grande parte à fuga de capital argentino e a famílias brasileiras a operarem offshore …Os maiores investidores foram políticos bem informados … Os maiores beneficiários do serviço da dívida externa foram os seus próprios capitalistas…Quanto mais desonesto o cliente, maior a taxa que pode ser cobrada para que o conselho a ser orquestrado garanta privacidade. Numa sociedade onde o crime rende mais do que a maior parte das profissões honestas, a perícia financeira e bancária é de contratar…”.
Daniel Dantas é um prestador de serviços de clientes desonestos que não querem ser descobertos, por isso que ele tem tantos defensores.
Essa divulgação de noticias “pinçadas” das investigações e divulgadas quase que exclusivamente pela Folha SP em momentos estratégicos:
1) Servem a quem mesmo?
2) Estariam mandando algum recado subliminar a aliados e “bombeiros”?
3) Estratégia para expor a defesa do acusado?
4) Recado aos investidores que é bom se mexer que a vaca está indo pro brejo?
19 milhões?!
Mas isso só dá para pagar as despesas do Dantas com advogados.
Tem que ter muito mais dinheiro que isso nessa operação se não não faz sentido.
Tá certo que lá nos EUA é bom mais é uma merda, enquanto aqui é uma merda, mais é bom. Dizia o artista Jobim.
O que queria dizer é que, mesmo lá sendo o que o maestro Jobim disse, e não duvido, mas, duma coisa tenho certeza absoluta, o supremo do supremo tribunal lá deles, jamais se submeteria a vexame de ir a programa de TV para conceder entrevista a promoter especializado em disfile de cachorro de madame. Não é preconceito, nada tenho contra os lalau.
O pior, o sujeito não perde oportunidade para adiantar material de defesa em julgamento que breve ocorrerá do banqueiro e bandidido condenado Daniel Dantas (como diz o delegado que o prendeu), frêgues agraciado recentemente. Beneficiado por bi habeas corpus da lavra do tal juiz.
A cada lance desse jogo, percebe-se que ha jacutinga penuda escondida por tras dessas trapizongas e trapaças.
Não tá vendo que essa promiscuidade toda só pode dá naquilo que o maestro dizia? Né não? Tamos lascados com nossas elites. Que vergonha. Fui.
Abraços. Orlando