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03/08/2009 - 14:00

Índice VCMH – mede despesas médicas

Do Valor

Operadoras criam índice para medir gastos médicos

Beth Koike, de São Paulo

Seis grandes operadoras e seguradoras de saúde – Amil, Bradesco, Golden Cross, Intermédica, Medial e Sul América – se uniram e criaram um índice próprio para calcular seus gastos médicos. Trata-se da VCMH (Variação dos Custos Médico-Hospitalares), que mede as despesas médicas dos planos individuais de saúde no período de 12 meses.

Ao que tudo indica, esse novo índice vai se confrontar com os reajustes aprovados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Pelo indicador dos planos, a variação dos gastos médicos foi de 7,44% em 2008 e de 10,45% este ano. Já a ANS concedeu, nesses mesmos períodos, reajustes de 5,48% e 6,76%.

“Os aumentos no índice são reflexos das novas tecnologias, valorização do dólar, novo rol de procedimentos da ANS e implementação do Tiss [novo sistema em que as transações entre operadoras e prestadores é feita por meio eletrônico]“, disse José Cechin, superintendente-executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess) e ex-ministro da Previdência no governo FHC. O Iess é mantido pelas seis operadoras, que juntas detém cerca de 10 milhões de beneficiários, e é responsável pelo índice feito em parceria com a consultoria Towers Perrin.

Ainda de acordo com Cechin, um dos motivos das diferenças entre o índice do Iess e o reajuste da ANS é que a agência reguladora faz seus cálculos com base nos reajustes dos planos coletivos.

A ANS argumenta que sua base de dados é muito maior e por isso existe a diferença. “Uma comparação entre os critérios da ANS para o cálculo da variação do custo assistencial e os números divulgados pelo Iess se torna inviável. Temos que atentar para um dado de suma importância, que é levar em conta que a nossa base de dados é formada por todas as operadoras que comercializam planos de saúde no Brasil. Já o Iess acessa uma base formada por apenas seis operadoras”, informou a agência reguladora por meio de comunicado.

A Sul América Saúde quer usar o novo índice como ferramenta para melhorar a imagem dos planos médicos. “Queremos mostrar à sociedade de forma transparente a procedência dos custos médicos. É mais um esforço para acabar com esse rótulo de vilão dos planos de saúde”, disse Gabriel Portella, vice-presidente da Sul América Saúde.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Saúde, Sem categoria Tags: , , , ,

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15 comentários para “Índice VCMH – mede despesas médicas”

  1. Sergio Saraiva disse:

    “A Sul América Saúde quer usar o novo índice como ferramenta para melhorar a imagem dos planos médicos”.

    Como aumentar os preços acima dos níveis estabelecidos pelo governo pode melhorar a imagem dos planos médicos?

    Esse pessoal acha que somos troxas?

  2. Legal disse:

    Ou seja, querem seleconar o pessoal. Ao inves de reduzir os custos querem e repassar as despesas. Precisava mesmo e uma REGULACAO DE VERDADE neste pessoal.

  3. Miguel Grazziotin disse:

    Pois é, os lobos vão criar seu proprio indice de galinhas mortas e querer – com a ajuda “imparcial” da imprensa que eles patrocinam, confrontar um indice oficial.
    Gostaria de saber o quanto anualmente estes donos da saude reajustam o trabalho do medico, o valor da consulta.
    Saude não pode ser tratada com outra mercadoria, pois não é!
    Novamente o capitalismo querendo tirar poder constituido do Governo em prol de sua ganancia.

  4. Legal disse:

    So pra mostrar o tanto que a saude no Brasil e tratada como lixo.
    Eu estava na Italia, em Veneza, e torci o pe. Fui no medico do posto de saude que me atendeu como a um irmao.
    Pediu o telefone do meu plano de saude. Ele ligou e os caras lhe deram 2 alternativas:
    1- Viajar na primeira classe e ser reembolsado;
    2- Ser buscado de jatinho.
    Eu fiquei com a terceira opcao: Continuar viajando pela MARAVILHOSA ITALIA. Puxa vo, como vc foi burro.

    Continuemos. Ele me disse que o CERTO era tirar um raio-X e fazer alguns exames, MAS eu poderia ir tomando uns remedinhos e seguir no caminho da roca. Foi o que fiz.

    Qto eu pago por mes? 25 dolares.

    Este pessoal ai sao e uns ….. deixa pra la eu fico muito nervoso com este tipo de noticia.

  5. Zabumba disse:

    “Muitos especialistas em saúde pública acreditam que um dos principais motivos do aumento de custos dos planos de saúde é o sistema de pagamento por serviço, no qual os hospitais e médicos recebem por procedimentos, não por resultados.

    Isto cria um incentivo para que os fornecedores de serviços em saúde façam mais testes, mais operações e assim por diante, sem levar em conta se estes procedimentos ajudam os pacientes ou não.”

    O texto acima é uma adaptação livre para a questão dos planos de saúde no Brasil, inspirado em um trecho do artigo de Paul Krugman sobre o Medicare (http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3892315-EI12928,00-Comentario+custos+e+compaixao.html).

  6. Paulo SD disse:

    Está notícia reflete o aumento do grau de profissionalização dos planos de saúde. Em tempos passados, a margem de lucros destas instituições era bem alta, o que permitia um amadorismo gerencial. No entanto, devido a vários fatores que aumentaram os custos da saúde (incremento tecnológico, envelhecimento da população, mudança do perfil epidemiológico e medicina defensiva) e ao aumento da concorrência no setor, esta margem caiu bastante e, ao contrário do que muitos pensam, esta queda levou muitos planos a operar próximos ao vermelho.
    Em decorrência disso, estas organizações estão procurando cada vez mais mecanismos de controle. Ter uma noção exata do aumento dos custos médicos é um destes mecanismos. O que virá depois, a meu ver, é uma análise mais detalhada do “valor médico” de cada procedimento solicitado, a fim de evitar gastos desnecessários.
    Apesar de ser particularmente fã do SUS e acreditar que o sistema único público é a melhor solução para qualquer país, não sou um execrador a priori dos planos privados de saúde. Acho que eles são necessários para o país no momento atual e tudo aquilo que leve a uma maior profissionalização no setor é bem vindo. Acho, inclusive, que eles podem ser um grande aliado do SUS no desenvolvimento de ferramentas de controle de procedimentos médicos, muitos destes solicitados de maneira desnecessária.

  7. paulo disse:

    estranho isso !!!!!!!!

    levando em conta que estes mesmos convenios nao reajustam a remuneraçao dos medicos desde 2003 , e que ainda utilizam a tebela de referencia da associaçcao medica de 1996 (isso mesmo, de 13 anos atras)
    nao sei dizer o que causou esse aumento de custos.

    pode ter muitos motivos, mas com remuneraçao medica nao foi.

  8. Ozzy disse:

    Isso é uma piada! Essas empresas pagam mal os profissionais, cobram caro, não cobrem todas as despesas hospitalares, impõem uma série de dificuldades para uso dos serviços, aumentam seus preços todos os anos enquanto pioram cada vez mais o atendimento e ainda vem falar de transparência?

  9. Ivan Moraes disse:

    CARTEL cham cham cham, CARTEL cham ch…

  10. Lima disse:

    Apenas um adendo. Empresas comerciais não vendem planos de saúde. Se muito, comercializam planos médicos. Plano de saúde não custa nada para quem pode manter uma vida com hábitos regrados: boa alimentação; higiene física, mental e emocional; exercícios; sono de boa qualidade. As empresas comerciais faturam muito com planos médicos é justamente por haver muita falta de saúde.

  11. miguel grazziotin disse:

    Ao companheiro Zabumba:
    O medcare americano ´e uma maneira de transferir o onus da cura apenas para o maedico/clinica, retirando de si, que é quem cobra, a responsabilidade.
    1. Medeicina não é atividade fim e sim de meio, opu seja, nao pode ser medida por resultados, mas pela ação que a CIENCIA MEDICA NAO EXATA consegue.
    2.Para lhe dar um exemplo simples, pelo metodo americano do Medcare se faz uma conta simples, se para cada 100 eletrocardiogramas feitos, apenas dois salvarao uma vida, devemos proibir os eletros, porque 89 pacientes nao reclamarao pporque nao irao morrer, e dos dois que morrerão, a estatistica mostra que apenas um poderá ingressar na justiça, e na matematica haverá o LUCRO, objetivo do Medcare e nao Saude, o objetivo que deve haver.

  12. Paulo SD disse:

    Com relação ao comentário do Miguel Grazziotin sobre os eletrocardiogramas, o grande desafio atual, tanto do SUS quanto de outras formas de assitência médica é desenvolver mecanismos que permitam pré-selecionar dentre os 100 pacientes o grupo que tem maior probabilidade de beneficiar-se com a tecnologia. Isto é, transformar este grupo de 100 num grupo de 10 que inclua os dois que realmente terão benefícios. Felizmente, isto é possível de ser realizado para a grande maioria dos pacientes. Infelizmente, a disputa não chegou neste nível e a disputa continua na esfera do pagar menos possível e proibir o máximo possível.

  13. Zabumba disse:

    Prezado Miguel,

    A observação que fiz tem origem em algumas experiências pessoais.

    Um otorrinolaringologista, professor universitário, indicou-me uma cirurgia para correção de pequeno desvio do septo como cura para uma obstrução nasal de origem alérgica.

    Por coincidência, tenho dois conhecidos que passaram pela mesma cirurgia, pelos mesmo motivo, por indicação de outros médicos, e, obviamente, não tiveram seus problemas resolvidos.

    Tenho outros casos como esses em meu repertório.

    Meu comentário teve a intenção de chamar a atenção para a situação perniciosa criada pelo reajuste dos planos automaticamente em função dos custos.

    Tanto os médicos como o plano acabam tendo interesse (consciente ou inconsciente) no maior número de procedimentos possíveis, que aumenta o lucro de ambos. Quem paga a conta é o consumidor.

  14. Que a chamada “inflação da saúde” é sempre superior à inflação “comum”, é coisa antiga, todo mundo sabe e concorda. A novidade na proposta dos “raposões” (Amil, Bradesco, Golden Cross, Intermédica, Medial e Sul América) é que eles querem ditar o índice com o qual pretendem decidir como vão devorar os habitantes do galinheiro.

    Seria a mesma coisa que permitir ao Carrefour, Extra, Mercadorama, Angeloni, Rede Somar e WallMart para criarem um índice que balizaria os seus reajustes de preços confrontando os indicadores legais.

    Só ficou uma curiosidade: será que o tal VCMH (Variação dos Custos Médico-Hospitalares) leva em conta o prazo transcorrido entre o pré-pagamento (ou seja, o pagamento antecipado das mensalidades pelos usuários) e o efetivo desembolso das operadoras?

    Pensar em reduzir custos, enfrentando o oligopólio das grandes empresas do complexo médico-industrial-farmacêutico, ninguém sequer cogita. É sempre mais fácil apelar para a queda de braço com o governo no reajuste das mensalidades. O usuário que se vire.

  15. Fábio Souza disse:

    Desde a Confência Nacional de Saúde de 1986 (8a),marco da Reforma Sanitária, que deu base ao capítulo da Seguridade Social na Constituição Federal de 1988, que estabelece a Saúde como direito de todos e dever do Estado. Fica clara a tensão entre público e privado. E nesta o setor público está previsto, como forma complementar e que deve seguir a lógica do SUS e seus principios. Contudo, historicamente, a Saúde Suplementar pauta-se por procedimentos ambulatoriais e hospitalares, pois movimentam o grande complexo médico-farmaco-hospitalar. Por outro lado, os planos fecham a torna da atenção em saúde aos usuários para obterem lucros, enquanto esses pressionam, por meio das associações, orgãos defesa do consumidor, para terem mais acesso (leia-se mais e não melhor mesmo). Neste sentido os sindicatos têm papel importante, pois a maioria dos planos ou boa parte deles são fruto de convenções coletivas e podem ser fruto de pressões por mudanças nos serviços prestados ou então os sindicatos pressionarem e corroborararem ao investimento necessário no SUS. Contudo, enquanto isso ainda não acontece a ANS tem aumentado o roll de procedimentos, as linhas de cuidado, que tem obrigado aos planos aumentarem suas coberturas e atendimento aos clientes. Estudos de Mendes e Kayano apontam como apesar da cobertura universal do SUS, proporcionalmente o investimento privado ainda é muito grande.

    Fico pasmo em assistir na elaboração de planejamento em saúde a ausência do poder público estadual e municipal em SP sobre as propostas em Saúde. O poder executivo descreve o problema, diagnostica, sabe que gasta com usuários que migram dos convênios, mas pouco ou nada faz para pressionar os planos para que mudem de conduta. Pois é mais fácil “jorgar pedra na vidraça” no âmbito nacional. Urge a regulação do público sobre o privado para que este seja de fato complementar e se quiser operar, que funcione integralmente. Principalmente por meio de promoção, prevenção e atenção primária em saúde.

    A gripe Suína deveria ensinar isso. POis tenho circulado nas unidades públicas e privadas e assistido a ausência de protocolo nos hospitais privados, a falta de preparo. Como também a longa espera em hospitais gerenciais muitas vezes por essas organizações sociais.

    Espero que este índice também valorize o trabalho do profissional de saúde, que não é só o médico, mas toda a equipe.

    Precisamos de fato discutir a Saúde da população. Não somente na lógica do direito do consumidor, sobre os índices economicos, de saúde, mas sim que saúde queremos fornecer à população brasileira e como efetivarmos os orgãos de Controle e Participação Popular previstos na Constituição e leis que regem a Saúde.

    Abraços
    Fábio Souza
    SinPsi

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