Eternamente Gilmar
Por Leonardo Echeverria
Veja notícia do portal da UnB, onde a advogada do DEM, ex-aluna de mestrado de Gilmar Mendes, diz que, depois do voto, “as cotas estão com os dias contados”. Clique aqui.
ÔNUS - A advogada do DEM, Roberta Kaufmann, disse em entrevista à UnB Agência que não se sentiu derrotada. Ao contrário, explicou que ficou extremamente feliz” com a decisão de Gilmar Mendes. “Ele esclareceu todos os ônus que a política racialista poderia trazer”, diz a advogada. “Acredito que ele se coadunou com a nossa tese”. Roberta conta que peregrinou por vários partidos até achar um que apoiasse a causa defendida por ela. “Para mim, isso é uma questão de ideologia”, diz.
Segundo a advogada, a decisão de entrar com a ação na semana seguinte à divulgação dos resultados do vestibular, durante as férias do Supremo, não foi uma estratégia pensada. Ela diz que a ação tinha intenção de impedir a matrícula dos alunos antes que o registro fosse feito, mas tinha certeza que o presidente do STF nunca ia dar uma decisão que ferisse direitos adquiridos. Roberta nega que tenha movido a ação para que o ministro Gilmar Mendes resolvesse sozinho a questão das cotas. “Isso foi para que o processo não entrasse na vala comum do STF, onde as decisões demoram anos”, afirma.
Depois da negativa do pedido de liminar, Roberta està ansiosa para fazer a defesa oral da ação no plenário. “As cotas estão com os dias contados”, prevê.
Por Rafael
Não sei se o Edmilson e o Rodrigo, que foram os dois únicos que tentaram me responder (ainda que de viés, com ironias pouco sutis), ainda voltam neste post, mas de qqr forma deixo registrada minha breve resposta.
Talve vocês não tenham atentado, mas o argumento que vocês utilizaram de que o Pitta é uma execeção entre os negros por ser relativamente bem-sucedido é um tapa na cara de quem defende as cotas raciais.
Ora: se, a família Pitta é um “caso raro”, nas palavras do Edmilson, ou um caso único de “negro privilegiado”, como quer o Rodrigo, isto quer dizer que a regra é que os negros, em geral, sejam pobres e os brancos, ricos. Se assumirmos que esta regra é verdadeira (eu discordo), não é preciso se esforçar muito para concluir que as cotas sociais, baseadas em renda, cobririam nauralmente os negros e excluiriam automaticamente os brancos. O resultado seria o mesmo, mas a linha que separa níveis de renda é muito mais nítida e muito menos polêmica do que a que separa “raças”.
Tudo seria mais fácil se isso fosse verdade, mas o fato é que a maioria dos brancos é pobre. Há muito negros ricos, privilegiados mesmo. Pode-se defender as cotas raciais com base em critérios ideológicos, mas não em critérios de Justiça. E a Justiça, como disse Rawls, é um valor absoluto dos sistemas sociais assim como a verdade é um valor absoluto dos sistemas de pensamento.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Educação, Políticas Sociais Tags: cotas, Gilmar Mendes

Uma frase de Milton Santos:Ser negro no Brasil é, com freqüência, ser objeto de um olhar enviesado. A chamada boa sociedade parece considerar que há um lugar predeterminado, lá em baixo, para os negros.
Podemos entender que a universidade pública deve atender, preferencialmente, a camada mais pobre da população, sem excluir os mais favorecidos. Por outro lado, é preciso reconhecer que os negros não têm a primazia da pobreza. Eles são a maioria entre os pobres, sem dúvida, mas essa parcela inclui ainda outras etnias. Então, justiça social se faz com o atendimento aos mais pobres, negros inclusive.