A lógica de Itaipu
Do Último Segundo
Coluna Econômica – 28/07/2009
A questão da energia de Itaipu merece uma avaliação um pouco mais ampla.
Há três aspectos a se analisar. O primeiro, a equação econômico-financeira e os aspectos negociais propriamente ditos. O segundo, a posição que o Brasil pretende ocupar no continente, a importância do desenvolvimento uniforme da região, como alavanca para o próprio desenvolvimento brasileiro. O terceiro, a possibilidade do acordo ser aceito pelo Congresso – que dará a palavra final para a maior parte dos itens negociados.
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O tema surgiu na campanha de Fernando Lugo para a presidência do Paraguai. Uma das bandeiras era o aumento do valor pago pelo Brasil pela energia de Itaipu.
No fundo, o Brasil tem a faca e o queijo na mão, já que o Paraguai não teria outro mercado onde colocar a parcela excedente da sua energia (pelo tratado, cada país tem 50% e se obriga a vender ao outro o que não consumir).
Haveria duas maneiras de aumentar os repasses para o Paraguai. Uma delas, o aumento do custo do kwh da parte do Paraguai que, por contrato, é obrigatoriamente vendida para o Brasil. Outra, o aumento no valor das luvas, o valor adicional pago pelo Brasil, para ter direito à parte do Paraguai.
Por Neves
O tema Itaipu esteve presente na campanha eleitoral paraguaia, os candidatos abordaram o assunto. Não poderia ser diferente, o sentimento popular no país clama por rever o Tratado, nenhum candiadato pode deixar de abordar a questão. O país vive a situação de ver sua capital com sistema de eletricidade precário, ao mesmo tempo em que é um dos maiores exportadores de energia elétrica do mundo. Se transparecesse o apoio político brasileiro a uma candidatura, seria o beijo da morte no candidato. Quem vencesse viria, como veio, com uma pauta de revisão junto ao governo brasileiro.
Os paraguaios desconfiam de Itaipu, o Tratado vem da era Stroessner, uma ditadura corrupta e obscurantista. Quem conhece um pouquinho das histórias da hidroelétrica sabe das manobras, que as empreiteiras e fornecedores de equipamentos fizeram em nome do governo paraguaio durante a construção, como o custo da obra se multiplicou por essas exigências, para alegria dos aproveitadores.
Ficou claro que o entendimento entre Lugo e Lula deverá passar pelos respectivos congressos para aprovação. Nada portanto está acordado. É uma boa oportunidade para o congresso brasileiro debater o Tratado de Itaipu. O problema que vejo é que num ambiente de parlamentares sem propósitos de construção nacional, o tema ficará na base de acusações tipo “diplomacia companheira”, e outros chavões de política rasteira. Para uma malta que só pensa em projetos pessoais, não faz sequer esboço de nenhum projeto nacional, fica impossível debater proposta de desenvolvimento conjunto dos dois países.
Eis o tratado para conhecimento e discussão aqui no blog:
Tratado de Itaipu (em português)
http://www.itaipu.gov.br/files/file/tratadoitaipu.doc


“Ville, mais criativo que o PILULA só esse ggggg que você está usando.”
Não fui eu MESMO
! Pode verificar pelo IP. Não tenho absolutamente nada com isso.
Enviado por pati 28/07/2009 9:58
…”Esses governos populista da America do Sul sao uma vergonha e essa bosta de presidente que temos e o fim da picada.”
Estou surpresa com certos comentários: nunca li b… antes por aqui.
Ao Prezado Neves : Conheço perfeitamente a historia da usina, era dirigente da principal associação de fabricantes de equipamentos eletricos do Brasil naquela época e visitei varias vezes o canteiro, com as turbinas ainda no chão seco. Está tudo certo mas não cabe ao Paraguai, por uma questão de lógica, imputar ao Brasil o papel de carrasco, o Brasil entrou com a grana e eles com agua que corre com ou sem usina. Quanto ao fato de serem ditaduras, é a História, provavelmente se não fossem os dois governos ditaduras a usina não teria sido construida. Se o vencedor fosse o Oviedo o pleito de Itaipu poderia ser colocado na mesa mas agregado ao plano de desenvolvimento que ele montou em dois anos de trabalho e que tem muito mais sentido do que entregar dinheiro sem condições a um governo que não tem qualquer tradição de bom uso de dinheiro publico. Me arrepia um governo de Pais vizinho na mão desse bispo renegado, sem nenhum perfil de gestor a não ser de sua paroquia e que tem uma moral e um discurso para lá de suspeito.
Foi o cavalo no qual o Brasil (leia-se Secretaria de Relações Internacionais do PT) apostou, é o mesmo cavalo que o Chavez bancou, agora virem-se com ele.
André Araujo
Seis linhas sobre plano Marshal e Volta Redonda são para mostrar erudição ou desviar a discussão? Ou nariz de cera para desancar a diplomacia brasileira?
Sete linhas e tres adjetivos desclassificatórios da diplomacia brasileira no governo Lula.Melhor era a diplomacia dos pés descalços e subserviência à Alca no governo fhc..
Se ao invés de buscar negócios com a China, paises asiáticos, árabes, África,os vizinhos da América do Sul, diminuir contenciosos com a Argentina, essa diplomacia preguiçosa, incompetente e ineficiente, na sua opinião, tivesse continuado os trabalhos de Lampreia e Lafer, hoje as manchetes dos jornais, ao inves de noticiarem o fim da recessão, estariam comemorando a nossa ida ao FMI. Lembre-se como êles foram hábeis em negociar empréstimos ponte, túnel, Alston, Sivam, entre outros.
Ao Neves
Pelo seu nível de conhecimento dos problemas de Itaupu, pergunto-lhe:
O valor do kwh pago ao Paraguai é o mesmo desde o início das operações? Se você tiver essa informação fico-lhe grato.
Bom, no passado nós destruímos o Paraguai. Não custa dar uma forcinha agora, até porque não adianta termos um país desenvolvido com vizinhos pobres.
Sobre a revisão de acordo com o Paraguay, sobre o valor e mais adequada distribuição da energia gerada pela usina, nada tenho a acrescentar. Mas ao chegar ao fim dos 104 comentários fico com a impressão de que houve uma ‘invasão dos universitários’ ao blog.
Nunca vi por aqui tanta intolerância! Tanta mesquinharia por merreca, que nem se sabe se vai ser exigida de ‘cidadãos’ que já pagam muitos impostos. Comentaristas muito bem esclarecidos, entendidos de política internacional, de economia, professores da arte de dar esmola.
Será que a turma que gosta de dar pancada quis aproveitar que o chefe tá viajando?
Nosso governo, além de ridículo, é debochado: diz que não haverá aumento no preço da energia elétrica, porque a diferença será coberta pelo Tesouro…
Caramba Nassif, o que aconteceu? a tubulação do esgoto estourou? Nunca vi tanta m… vazando no seu blog. Nunca gostei do governo Lula, e esse acordo com o Paraguai realmente não está cheirando bem, mas descer ao nivel de vãrios comentários desse post não é do feitio de gente civilizada. Isto está parecendo coisa organizada, porque em outros post ate mais polemicos que esse sempre houve uma ligeira maioria de pessoas defendendo o governo, do que critciando. Acho que seu blog está ficando importante e começou a incomodar algumas pessoas. Após ler vários comentários, fico só imaginando o que voçê vetou.
Ao Clovis Campos: Aonde vc viu erudição em citar Volta Redonda? Todo o Brasil sabe como Volta Redonda foi construida, não precisa erudção. O Plano Marshall citado por mim é tão pertinente quelfoi aberto depois um post sobre isso e não foi por mim.
2.O Governo FHC tanto não apoiou a ALCA que ela não foi para a frente exatamente porque o Brasil não entrou. Os EUA desistiram da ALCA por causa da resistência do Brasil no Governo FHC. Fui um opositor total da ALCA, que nuca serviu ao Brasil, , tem muito texto meu no Google sobre esse tema. O Embaixador Lampreia é um dos melhores diplomatas brasileiros, de primeira linha, foi um excelente Ministro das Relações Exteriores. A história dos pés descalços com o ex-Ministro Celso Lafer é ridicula, toda pessoa que desce em um aeroporto civil americano submete-se às mesmas normas de segurança, não há exceções e nem privilegios, seja Ministro ou Embaixador, nos EUA naõ tem “Excelências” e nem puxa saco em aeroporto para abrir caminho, o que é um mérito dos EUA.
3.O aumento do comercio exterior do Brasil não se deve ao Itamaraty, ao Amorim e ao Pinheiro Guimarães, deve-se ao ciclo economico de maior prosperidade nos ultimos cinquenta anos, à abundante liquidez mundial, à emergencia da China como maior compradora mundial de commodities, tanto que o mesmo ciclo beneficiou e até em maior escala todos os demais emergentes.
4.Pela mesma razão não foi por causa do Palocci e do Mantega que deixamos de ir ao FMI, foi por causa do mesmo ciclo de mega propseridade que inflou a liquidez mundial e atraiu capital para o Brasil, assim como para todos os emergentes., aliás entre os quatro BRICs o Brasil foi o que menos cresceu e o que menos reservas internacionais juntou..
Menos, meu caro Clovis menos. Não tem superhomem em Brasilia.fazendo o Brasil bombar.
Acho que o problema é muito simples. Acordo é para ser cumprido e jornalista para ser imparcial e defender os interesses nacionais.
Ninguém do primeiro mundo da moleza pro Brasil, porque vamos ter que dar moleza pra alguem, ainda mais quando este não tem poder de barganha nenhum.
Quer ajudar o Paraguai, acho correto, justo e importante, mas temos outras maneiras de fazer isto. Que tal priorizarmos as importações de produtos paraguaios (não faço a menor ideia do que tenham para oferecer), se não tiverem nada para oferecer, que comecem a produzir e acho uma forma interessante de ajuda-los.
E que tal como contrapartida, eles aumentarem a fiscalização de contrabandos.
Mas acho a melhor coisa mesmo, pois sempre iremos ter este tipo de problema, pois sempre ficaremos a merce de governantes populistas, porque nao fazemos um acordo para aumentar nossa participação em Itaipu, comprando parte da participação paraguaia.
Prezado André Araújo,
Parece que temos mais pontos comuns sobre esse episódio do que divergências. O problema não reside, você há de convir, na ajuda em si aos paraguaios, mas na falta de projetos e propósitos em torno dessa ajuda, em ambos lados da fronteira.
Nós fizemos no passado concessões ao Paraguai para sair a usina. Erradas ou não, elas tiveram esse mérito, a de torná-la real. Não tem erro em fazer concessões, tem em não vinculá-las a um propósito ou esforço producente.
Há uma certa oposição que está alardeando o episódio como conchavo de ‘diplomacia companheira’, etc. É uma forma demagógica também de abordagem da questão. Se ficarem batendo nesta tecla, sem agregarem propostas à matéria que será apreciada no congresso, serão atropelados por maioria simples, e todos perderão por não darem sentido as concessões ofertadas. Não adianta ficar lamentando a derrota de Oviedo, essa candidatura é uma ‘Ines’ morta.
Nós ficamos acomodados com o tratado de Itaipu e não nos atentamos para seu futuro. Estamos relativamente próximos de amortizar o custo final da usina. Inaugurada há mais de vinte e cinco anos, e suas unidades mais recentes há quase vinte, as últimas dívidas da usina se encerram em 2023, as maiores delas, relativas às obras civis, mais antigas, talvez bem antes. Depois disso os paraguaios não devem mais nada, não terão obrigação de vender energia ao preço de amortizar o custo da usina. A energia terá o preço, do que no jargão setorial é conhecido como ‘energia velha’, basicamente o custo operativo mais o ‘combustível’ que cai do céu, doado por São Pedro. O custo da energia será de uns dez por cento do custo atual. Poderão atrair a seu país indústrias eletrointensivas e usar até metade do que for produzido em Itaipu. A pergunta que temos de fazer é: podemos abrir mão de metade de Itaipu?
Na época da inauguração, o então governador de São Paulo alardeou uma caravana de empresários até o país vizinho, para ver as possibilidades de investimentos lá. Deve ter feito convite ao seu sindicato. Biografia do governador a parte, devo considerar que ele enxergou longe sobre a usina. Não há nada que impeça os paraguaios usarem a energia em seu território
Um abraço.
Concordo com a política da boa vizinhança, e se for este o caso, para render negócios futuros. Quanto ao acordo ser aprovado pelo congresso, nunca ví um congresso tão fajuto e sem legitimidade para julgar nada, onde o Sr. Renan Calheiros ameaça expor os “podres” de outros , caso votem contra os “podres” de um.
Como um colega comentou , existem muitos espertalhões querendo uma fatia desse bolo. Acho que o congresso não tem competencia para julgar assuntos financeiros deste porte, e desculpem se o comentário passou para o lado político da coisa. A minha esperança é de anters de morrer, eu veja neste país, o voto facultativo.
Itaipu foi construida e financiada com o dinheiro do Brasil.
Todo o dinheiro gerado pela venda de energia é para o pagamento dos custos operacionais mais a divida . Adicionalmente o Brasil DOA a modica quantia de 120 milhoes de dolares por ano ao Paraguai pela cesao de uso da energia .
Quando a Itaipu comecou a gerar a energia em 1982 o Brasil foi obrigado a comprar a energia mais cara de Itaipu por contrato. Pagamos mais caro pela energia porque respeitamos contratos.
O Paraguai nao reconhece essa divida de bilhoes de dolares por isso quer vender a energia a terceiros para dar um calote na divida..brasileiro é bonzinho….
Agora nosso presidente que ja deu prejuizo na Petrobras na Bolivia quer repetir a dose com o Paraguai…brasileiro nao chia mesmo…
afinal o sao meros 240 milhoes de dolares a mais POR ANO ate 2023.
Brasileiros sendo tratados em corredores de hospitais , aposentados financiando para compra de remedios, baixos salarios de professores, medicos…nao sao prioridades …prioridade sao os 360 milhoes de dolares por ano para os politicos corruptos do Paraguai .
O Paraguai é igual ao nordeste..o dinheiro nunca chega aos necessitados…
O maior problema de nosso País é a falta de Patriotismo. Nosso governante tem como ídolo o Mahatma Gandhi. Infelizmente, ele (Lula) quer ser reconhecido com um humanista preocupado com a pobreza e desenvolvimento dos países vizinhos. Perdoou quase um bilhão de dólares de dívidas de credores, entre eles até da Bolívia, cujo presidente nos ofendeu afirmando que o Acre foi roubado e cedido em “troca de um cavalo”. Esse filho da puta assim que foi eleito fez uma visita ao Lula em avião de carreira e, para voltar prá casa, nosso presidente mandou um avião da FAB levá-lo à Bolívia.
Nosso governo não fez simplismente nada. O Brasil faz diversas doações (absurdas) de navios, aviões e até helicópteros novos para estes países sem sequer ver as necessidades internas.
Um absurdo completo. Aqui ainda se fala nesta bobagem de “nações amigas”, “Laços de Amizade”, blá blá blá…. Isso não existe. Somos feito de palhaços por estes países que tem desprezo pelo Brasil.
O Brasil deveria sufocar o paraguai (minúsculo mesmo) combatendo a pirataria na fronteiro. Itaipu foi idealizada pelos dois países mas bancada totalmente pelo Brasil. Deveriam ter refeito o contrato e o paraguai ficar com a proporção de energia do valor desembolsado pelo Brasil. Isso deles terem 50% é um absurdo.
Resumo: construímos a usina, que doamos metade e pagaremos eternamente pelos 45% da energia não consumida por eles. Que negócio maravilhoso!
Esses governantes tem nojo do Brasil: Logo, Morales, Chavez, etc.
Sou patriota mas não tenho motivo algum de o ser. Se este Pais tivesse governantes brasileiros de verdade, que amassem esta terra, as coisas seriam diferentes.
Lula somente nasceu aqui mas sente desprezo pelo Brasil.
Tratado de Itaipu – Novo Tratado – Tenho lido muitas críticas por parte de cidadãos que compõem os diversos níveis culturais sobre o novo Tratado de Itaipu que o Governo Brasileiro estaria a celebrar com favorecimentos ao Paraguai em prejuizo do Brasil. Não vou entrar na polimização do assunto. Seria bom, contudo, que todos lessem sobre a Operação Condor. Pode ser lido em vernáculo pela busca no Google – Operação Condor. E buscar em seguida [LE MONDE – Diplomatique Brasil: O pesadelo da “Operação Condor”. O conteúdo traz o relato de uma fase negra da política da América do Sul, com intensa parcipação do Governo Americano – Richard Nixon e Henry Kissinger. O acordo primitivo de Itaipu é oriundo desse período. Talvez seja porisso que o Governo Brasileiro concorda com um novo Tratado de Itaipu, desde que esse Tratado tenha a aprovação do Congresso Paraguaio, legítimo representante do Povo Paraguaio, para que mais tarde não haja rompimento do Tratado, sob pena de o Brasil recorrer a Tribunal Internacional, caso venha a ser prejudicado ou questionado, ou pressionado para rever o Tratado, exceto se houver conveniência ao Brasil.