O jogo imobiliário em São Paulo
Do Portal Luís Nassif
Uma ponte para a especulação – ou a arte da renda na montagem de uma “cidade global”
* Publicado por Hermeneuta
Mariana Fix
Arquiteta e urbanista. Doutoranda no Instituto de Economia da Unicamp. Mestre em sociologia no Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP. Professora do curso de Design das Faculdades Campinas (Facamp) e integrante do Laboratório de Habitação e Urbanismo da FAUUSP. Rua do Lago, 876. Cep: 05508- 900 – Cidade Universitária – São Paulo – Brasil. mfix@uol.com.br
RESUMO
Este artigo analisa conflitos e articulações por trás da transformação de uma antiga área alagadiça, as várzeas do rio Pinheiros, em uma das regiões mais valorizadas de São Paulo e, atualmente, sua fachada globalizada. O texto discute, particularmente, os nexos que se constituem, nas últimas décadas, entre a financeirização global da economia e os arranjos específicos que se configuram em São Paulo; entre mecanismos supostamente avançados – como operações urbanas, Cepacs e fundos de investimento imobiliário – e formas típicas de acumulação primitiva, nas quais força, fraude, opressão e pilhagem são exibidas de modo recorrente; entre “a cidade própria” das elites e a cidade dita clandestina, que ocupa beiras de córrego, encostas de morros, margens de represas. Tomo como referência três ícones dessa paisagem urbana: uma ponte estaiada, imagem-síntese da cenografia da “nova cidade”; um gigantesco emprendimento murado, que mescla residência, comércio de luxo e escritórios; e um complexo empresarial com torres de escritório e hotel, interligados por um shopping subterrâneo.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Cidades Tags: Cidade Jardim, plano imobiliário, São Paulo

Interessante.
“É o que explica o fato de os fundos fazerem frequentemente aplicações contrárias aos interesses dos trabalhadores, de modo análogo ao que ocorre no mercado de ações, no qual se veem obrigados a buscar papéis com maior capacidade de valorização, muitas vezes, hoje, aqueles pertencentes às empresas que melhor executam programas de redução do número de trabalhadores (downsizing), terceirização e flexibilização de mão-de-obra”.
Acho razoável discutirmos o papel dos fundos de pensão no Brasil na nossa economia. Afinal, o epicentro da satiagraha tem origem nisso. Dantas surgiu do dinheiro (mal usado) desses fundos.
Não sou economista, mas a impressão que tenho é que os fundos de pensão juntamente com os bancos e vice versa, são os grandes financiadores da economia brasileira. Divergindo do modelo americano, que sempre buscou financiamente na bolsa de valores.
O mais chocante é notar a inutilidade da Ponte Estaiada, que, apesar de suas dimensões e da propalada capacidade para 8 mil carros/dia, permanece normalmente VAZIA de automóveis, até porque não foi pensada para circulação de pessoas nem de ciclistas. O que se vê é sim, continuarem as marginais congestionadas e a estaiada às moscas… Seria muito interessante que se colocasse ali um contador pra constatar esse fato…
Impecável artigo, que mostra a ocupação urbana mescla de interesses nada edificantes, muitas vezes capitaneados por prefeitos inescrupulosos. Nassif, como sou cinéfilo de carteirinha consegui listar alguns filmes que tem como pano de fundo a especulação imobiliária, entre estes estão “Chinatown”, “Portal do Paraiso” e o não menos intrigante “Robocop” do Paul Verhoeven. Sim, Robocop dá uma aula de cinismo de como as grandes corporações tratam as “cracolândias” mundiais, levando a uma marginalização extrema por abandono, para depois adquirir a preço de banana o metro quadrado….qualquer semelhança com a realidade é mera coincidencia…
Alguns pontos merecem ser mencionados:
1- Apos um ganho na bolsa a pessoa usa o din din pra comprar imoveis. Isto e liquido e certo. Portanto, periodos de crescimento (ou de bolha) sao otimos pra construcao civil.
2- Deveriam rasgar, isto mesmo rasgar, jogar fora, o Plano Diretor da Cidade. Por que?
Simples. Cada dia eu leio uma coisa. Um dia vao fazer BRT, no outro VLP, no seguinte VLT, depois de amanha e nao sei o que. Assim nao da.
Uma cidade “global”, o que SAO PAULO NAO E, na verdade somos uma MEGACIDADE, deveria ter e planos pros proximos 50-100 anos; tal como Pequim e Xangai.
Planejamento e o que falta a cidade. Aonde pode-se construir grandes predios? Qual a distancia entre eles? Aonde serao construidos os parques? E a faculdade metropolitana? E as novas avenidas? Onde tera metro? A cidade precisa saber de todas estas resposta e muitas outras pros proximos 50-100 anos.
E nao adianta falar que ate la estaremos todos mortos. Eu estarei vivo, ja que vaso ruim nao quebra. E portanto, sentirei amanha o descaso do planejamento de hoje.
Muito esclarecedor, o texto, muito embora em certas partes dê um curto-circuito na linha temporal do raciocínio.
Posso destacar uns pontos importantes:
1)o túnel ligando a Av. Aguas espraiadas à imigrantes, de 4,5km, provavelmante vai demorar no mínimo uma década para sair. Antes disso, o trecho sul do anel viário sai, e provavelmente o tunel se faça desnecessário, já que sua função seria desafogar a Av. Bandeirantes. Então, a grande obra da ponte estaiada ficará de presente para os usuários (de carro) da região, e para plano de fundo dos jornais da Globo.
2) Será possível traçar alguma relação entre o ataque aos “forasteiros” da região, através do estabelecimento de zona azul nas ruas laterais e proibição de circulação de ônibus fretados? Forçando os usuários e empresas a gastar mais em transporte, estará acontecendo uma certa seleção natural em favor das empresas mais capital-intensivo, que podem pagar salários mais caros e vales-transporte mais altos.
Li o texto.
Pretensamente “acadêmico”, com forte viés ideológico..
Bem bobinho.
Qual é o problema do “viés ideológico”, Alexandre Fabian? Você preferiria um artigo apologético da “cidade global”?
Essa “Ponte Estaidada” parece que foi uma obra publica preparada exclusivamente para a atender os interesses da Globo que precisava de uma “paisagem” mais agradável para apresentar São Paulo ao resto do paísl.
Enquanto no Rio sobram belíssimas imagens de suas belezas naturais para apresentar (praias, florestas, morros, …), em São Paulo só prédios, engarrafamento, rios poluídos, .. etc…
Essa parceiria Globo x Governo SP deu nisso: um belo (!:!) Cartão Postal inútil. Enquanto isso, o transito nas marginais continua um lixo….
Luiz Lima: prefiro textos mais técnicos. Quando se é ‘ideológico’ em um tema como este sempre se perde muito….
abs
eu amo esse jogo