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19/07/2009 - 08:27

O “accountibility” de conveniência

Da Folha

Clóvis Rossi

(…) De quebra, Sarney refugia-se na velhíssima e fajutíssima tese de perseguição da mídia. Não, senador, é perseguição dos fatos, e enquanto eles não forem total e definitivamente explicados, continuarão a persegui-lo, no Maranhão, em Brasília, onde for.

É essa fuga à “accountability” que explica os parlamentares que se lixam para a opinião pública. Ela paga os salários de todo esse “band of brothers”, mas eles não se sentem compelidos a dizer ao púbico o que fazem, o que só aumenta a suspeita de que o que fazem só cabe mesmo em BOs.

O caso de Sarney é mais grave porque tem um espaço semanal, aqui ao lado, em que poderia dar todas as explicações sem ser interrompido por perguntas. Prefere mudar de assunto. Sempre.

Comentário

Por que o “accountibility” demorou vinte anos para ser praticado em relação à Sarney e só se manifestou agora? E por que a Folha deu vinte anos de espaço a Sarney sem jamais tê-lo cobrado por seus atos? E por que a cobrança é apenas sobre Sarney, se todos os senadores participaram de uma lambança que tem no mínimo 14 anos?

Como Rossi tem uma coluna diária na Folha, certamente nos brindará com uma explicação em breve. Ou, então, deveria ler seu colega Carlos Heitor Cony,

CARLOS HEITOR CONY

Mídia sem média

RIO DE JANEIRO – Ainda não chega a ser um sintoma, mas o indício de que alguma coisa está mudando na cabeça dos homens públicos, pelo menos aqui no Brasil. Um deputado e agora um senador declararam que não dão a mínima à opinião geral do povo, segundo eles, fabricada e massageada pela mídia, notadamente pelos jornais.

Durante quase todo o primeiro mandato de Lula, com exceção de seus primeiros meses no poder, o noticiário e os comentários dos informadores de opinião o massacravam, aludindo entre outras fraquezas à falta de escolaridade e ao excesso de bebida. Hoje, Lula caminha para quase uma unanimidade nacional e internacional, com crescentes taxas de popularidade.

Mudando de seara, em seus 50 anos de vida artística, Roberto Carlos foi execrado pelos entendidos em música popular, tanto como compositor quanto como cantor. Todos os anos, ao sair um novo disco dele, caíam em cima na base de “atingiu o ponto mais baixo de sua carreira”. Brega, repetitivo, suburbano, fim da picada -ele continuou na dele, não deu bola para a mídia e se transformou no fenômeno que é, lotando o Maracanã num dia de chuva e com o repertório que os sábios de Atenas consideram cafona.

Há exemplos assim em quase todos os setores, sobretudo na política e na administração. E há também estupefação quando o anátema da mídia não encontra ressonância proporcional. Collor, Barbalho, Renan, Maluf -para citar os mais polêmicos- deram a volta por cima e continuam aí, Collor em ascensão, tentando o governo de Alagoas, Maluf sendo dos mais votados para a Câmara dos Deputados.

Os exemplos são tais e tantos que um dos satanizados pela mídia declarou-se satisfeito e orgulhoso pois nunca recebera tantos convites para dar palestras em faculdades. E tem como garantida a sua reeleição.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,

62 comentários para “O “accountibility” de conveniência”

  1. Juliano Guilherme disse:

    Os “fatos” vão continuar perseguindo o Sarney, coisa nenhuma. O Rossi acha que a gente não sabe o que é a mídia brasileira. Se, e assim que o Sarney deixar o cargo e não servir mais como apoio ao governo Lula, os “fatos” somem num passe de mágica. E se por acaso o Aécio for o candidato do PSDB e o Sarney apoiá-lo, os “fatos” farão parte de um passado remoto

  2. Sr Luis Nassif
    Referente a várias materias divulgadas na mídia nacional, como esta, intitulando este inquérito policial como Operação Boi Barrica, que investiga o empresario Fernando Sarney, informo-lhe da desvinculação do nome do nosso folguedo junino maranhense “BOI BARRICA” com a citada operação, a partir de decisão judiciaria de 23 de dezembro de 2008 e de nota de esclarecimento da Policia Federal, publicada em 26 de março de 2009, em vários jornais, como a Folha de São Paulo, Estadão, o Globo, etc. Solicitamos, por favor, um e-mail para enviarmos os documentos referidos. Para o seu conhecimento e dos seus leitores copiamos o texto da “Nota” a seguir:
    josé pereira godão (www.ciabarrica.com.br)

    luisnassif@ig.com.br

    Serviço Público Federal
    Departamento de Policia Federal
    Diretoria de Administração e Logística Policial
    Coordenação de Administração

    NOTA DE ESCLARECIMENTO À POPULAÇÃO

    O Departamento de Policia Federal, em atendimento ao determinado nos autos de Ação Cautelar nº. 200837000089090, esclarece que não há qualquer vinculação do grupo folclórico Boi Barrica à operação veiculada pela imprensa com o referido nome. Outrossim, informa ainda que tal operação, no âmbito da Policia Federal, é tratada com o nome Operação FAKTOR.
    Antônio César Miranda Araújo

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