O “accountibility” de conveniência
Da Folha
Clóvis Rossi
(…) De quebra, Sarney refugia-se na velhíssima e fajutíssima tese de perseguição da mídia. Não, senador, é perseguição dos fatos, e enquanto eles não forem total e definitivamente explicados, continuarão a persegui-lo, no Maranhão, em Brasília, onde for.
É essa fuga à “accountability” que explica os parlamentares que se lixam para a opinião pública. Ela paga os salários de todo esse “band of brothers”, mas eles não se sentem compelidos a dizer ao púbico o que fazem, o que só aumenta a suspeita de que o que fazem só cabe mesmo em BOs.
O caso de Sarney é mais grave porque tem um espaço semanal, aqui ao lado, em que poderia dar todas as explicações sem ser interrompido por perguntas. Prefere mudar de assunto. Sempre.
Comentário
Por que o “accountibility” demorou vinte anos para ser praticado em relação à Sarney e só se manifestou agora? E por que a Folha deu vinte anos de espaço a Sarney sem jamais tê-lo cobrado por seus atos? E por que a cobrança é apenas sobre Sarney, se todos os senadores participaram de uma lambança que tem no mínimo 14 anos?
Como Rossi tem uma coluna diária na Folha, certamente nos brindará com uma explicação em breve. Ou, então, deveria ler seu colega Carlos Heitor Cony,
CARLOS HEITOR CONY
Mídia sem média
RIO DE JANEIRO – Ainda não chega a ser um sintoma, mas o indício de que alguma coisa está mudando na cabeça dos homens públicos, pelo menos aqui no Brasil. Um deputado e agora um senador declararam que não dão a mínima à opinião geral do povo, segundo eles, fabricada e massageada pela mídia, notadamente pelos jornais.
Durante quase todo o primeiro mandato de Lula, com exceção de seus primeiros meses no poder, o noticiário e os comentários dos informadores de opinião o massacravam, aludindo entre outras fraquezas à falta de escolaridade e ao excesso de bebida. Hoje, Lula caminha para quase uma unanimidade nacional e internacional, com crescentes taxas de popularidade.
Mudando de seara, em seus 50 anos de vida artística, Roberto Carlos foi execrado pelos entendidos em música popular, tanto como compositor quanto como cantor. Todos os anos, ao sair um novo disco dele, caíam em cima na base de “atingiu o ponto mais baixo de sua carreira”. Brega, repetitivo, suburbano, fim da picada -ele continuou na dele, não deu bola para a mídia e se transformou no fenômeno que é, lotando o Maracanã num dia de chuva e com o repertório que os sábios de Atenas consideram cafona.
Há exemplos assim em quase todos os setores, sobretudo na política e na administração. E há também estupefação quando o anátema da mídia não encontra ressonância proporcional. Collor, Barbalho, Renan, Maluf -para citar os mais polêmicos- deram a volta por cima e continuam aí, Collor em ascensão, tentando o governo de Alagoas, Maluf sendo dos mais votados para a Câmara dos Deputados.
Os exemplos são tais e tantos que um dos satanizados pela mídia declarou-se satisfeito e orgulhoso pois nunca recebera tantos convites para dar palestras em faculdades. E tem como garantida a sua reeleição.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: Cony, Rossi, Sarney, Senado

Sensacional este post! Taí uma grande discussão a ser feita.
O que é “opinião pública”? Recentemente um colunista da carcomídia disse algo como: Lula tem altos índices de popularidade, apesar da opinião pública ser desfavorável a ele.
Em minha opinião, o que a mídia golpista chama de “opinião pública” é a opinião dela mesma, corroborada por zumbis da classe média boboca.
Em alguns casos o PiG consegue deformar a visão da realidade de mais pessoas. É, talvez, o caso de Serra aqui em São Paulo. O Estado tem péssima qualidade de ensino público, segurança pública extremamente corrupta e ineficiente, caos na gestão dos transportes, saúde pública na UTI, funcionalismo público com um dos mais baixos salários do país. Serra boicota, aqui no Estado, os estímulos federais à ativação da economia, como o Minha Casa Minha Vida e a redução de IPI para a linha branca. E os sudestinos continuam dando a ele bons índices de popularidade!
Os sucestinos de São Paulo, em sua maioria, estão indo na onda do PiG.
Nassif, sabe por que a midia – eles se acham -, não tem mais tanta importância quanto tiveram durante muito tempo? Porque esles escrevem para quem sabe o que é “accountibility”. A maioria das pessoas que decidem na boca do caixa e nas urnas usa um tradutor online e não dá a minima para isso.
Quando estudam inglês, francês ou outro idioma qualquer é por necessidade, por crescimento profissional. Nunca por frescura.
vox populi, vox dei!!!
Nassif, você foi irônico com o Clovis Rossi. Se acha que ele tem explicação ? eheheheh nunca !
LN
Pô, quem ia fazer estas indagações era Eu ???
E tem mais, não é falta de rumo, é pauta.
Este é o mesmo Clóvis Rossi que disse que as empresas brasileiras faliram quando houve queda na bolsa. Porém, não disse o quanto elas “enricaram” ou continuam a dar lucros.
Logicamente, para dizer que o Governo Lula quebrou as empresas.
Por esta sua estupidez midiática, fala bobagens em cima de bobagens.
Nassif,
Comentario simples e claro. Aqui em fortaleza, a coluna politica de um jornal local, nao se cansa de fazer a mesmas analise feita pelo Clovis Rossi. O Sarney nao e aquele ja foi presidente da republica e tres vezes presidente do Senado.
Luis Nassif,
É estranho, que só agora o Clóvis Rossi veio notar o Senador Sarney. Eles convivem, bem de perto, semanalmente na folha, há quanto tempo.
LN
Quanto ao show de horrores anuais do RC, a “grobo” o faz, por dividas do passado, que Tu sabe muito bem, de quando vem.
Jesus Cristo, era pra tirar o diabo comuna dos supostos subversivos.
Seletividade elevada ao máximo….da falta de ética de certos meios que se dizem de comunicação,da falta de vergonha na cara de alguns senadores que é evidente e é claríssimo que além de saberem de todos os fatos agora jogado em frente ao ventilador ainda são autores e co-autores do que agora repelem na maior cara de pau,da cretinice de repórteres que fazem a cobertura política em Brasília e agora fingem que também não sabiam de nada,e ainda têm a descaramento deatribuir essa “qualidade” ao Lula ,o que prova mais uma vez que julgam os outros pelo que fazem e são. Falta de caráter?Preguiça mental?Incompetência? As três respostas estão corretas.
A polícia tem os seus jargões profissionais. Costuma dizer: “logramos êxito em prender o meliante”… A mídia também tem logrado êxito em algumas de suas campanhas. Não foi tão feliz quanto os repórteres do Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, representados na fita “Todos os Homens do Presidente” por Robert Redford e Dustin Hoffman, mas, conseguiu causar sérios estragos na seara governamental. Algumas das vítimas mais notáveis foram Dirceu, Palocci e Gushiken, entre os seguidores e Renan Calheiros e o veterano político Joaquim Roriz, entre os aliados. A bola da vez é Sarney. Se Renan caiu, por que Sarney não cairia? É preciso concentrar todos os esforços nessa nova meta. A manchete da Folha de hoje dá o tom da campanha: “Escândalos sem punição afetam ação do Congresso”. Passa a idéia de que o Congresso fica paralisado em razão da não punição dos escândalos. Como dar uma satisfação à opinião pública? Segundo o americanófilo Clóvis Rossi seria necessária uma accountability, isto é, uma prestação de contas de Sarney à sociedade. Não havendo essa prestação, a solução seria a mesma adotada pelos times de futebol em dificuldade: demissão do técnico. Já não demitiram (ou forçaram a renúncia) de Renan Calheiros? Quantos irão demitir? Não está claro, porém, o motivo condutor dessa campanha: é a moralização do Senado, a eliminação de suas antigas mazelas, ou o afastamento de um político que já prejudicou a eleição de José Serra?
Sempre que eu percebo que o narrador de um jogo de futebol está torcendo para um dos times, automaticamente passo a torcer pelo outro. Há um grande prazer em mostrar para esses caras que narram um jogo televisionado como se nós fôssemos cegos ou burros. Acho que o mesmo acontece com as demais “opiniões” da imprensa. Como é bom contradizê-las! Mostrar que estão erradas. Cheguei a pensar que a grande mídia está, na realidade, ao lado do Lula. Basta ver as pesquisas… Ou, o que é mais provável, é que esses “profissinais” de “jornalismo” são totalmente alienados mesmo.
Perguntinha basica: O corregedor da PF e o M.M Doutor Juiz Ali Mazloum vão tambem investigar esses constantes vazamentos da Operação Boi Barrica e pedir a cabeça do delegado a frente das investigações ou o espirito republicano vai se concentrar em Protogenes, Satiagraha,etc..?
Ao que me parece, se está confundindo opinião pública e opinião popular. Opinião pública é o que a mídia propõe como valor (pública porque é divulgada, tornada pública). A opinião popular é o que o povo tem como valor (esta é uma opinião privada). Nem sempre a opinião pública influi na opinião popular. É mais plausível que a influência da opinião pública na opinião popular seja mais provável a partir das telenovelas do que dos telejornais (imagine-se os jornais impressos). Sendo assim, ambas estão fortemente descoladas. O mensalão era o grande trunfo da oposição para demonizar Lula. Mas foi esmagada por ele. Lula sabe mexer na popinião popular enquanto a oposição se apega à opinião pública.
Leiam os pós-modernos — Hanna Arendt, por exemplo. O público acabou. Só há o privado.
Padrões de manipulação da imprensa
Como nos ensina Perseu Abramo, no livro “Padrões de manipulação na grande imprensa”, a ocultação e a inversão da opinião pela informação são duas técnicas muito utilizadas pelos barões da mídia.
“O padrão da ocultação se refere à ausência e presença dos fatos reais na produção da imprensa. Não se trata, evidentemente, de fruto do desconhecimento e nem mesmo de mera omissão diante do real. É, ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade. Esse é um padrão que opera nos antecedentes, nas preliminares da busca da informação, isto é, no ‘momento’ das decisões de planejamento da edição, naquilo que na imprensa geralmente se chama de pauta… O padrão da ocultação é decisivo e definitivo na manipulação da realidade: tomada a decisão de que um fato ‘não é jornalístico’, não há a menor chance de que o leitor tome conhecimento de sua existência por meio da imprensa. O fato real é eliminado da realidade, ele não existe”, ensina o mestre na obra reeditada pela Fundação Perseu Abramo.
Já o segundo truque visa “substituir, inteira ou parcialmente, a informação pela opinião. O órgão de imprensa apresenta a opinião no lugar da informação, e com o agravante de fazer passar a opinião pela informação. O juízo de valor é inescrupulosamente usado como se fosse a própria mera exposição narrativa/descritiva da realidade. O leitor/espectador já não tem mais diante de si a coisa tal como existe ou acontece, mas sim uma determinada valorização que órgão quer que ele tenha de uma coisa que ele desconhece, porque o seu conhecimento lhe foi oculto, negado e escamoteado pelo órgão… Ao leitor/espectador não é dada qualquer oportunidade que não a de consumir, introjetar e adotar como critério de ação a opinião que lhe é autoritariamente imposta”.
http://altamiroborges.blogspot.com/2009/07/congresso-da-une-e-manipulacao-da-midia.html
Boa pergunta João! Esse é um jogo de espelhos. É tudo miragem. Cuidado, amigos navegantes. Determinados homens e seus atos simbolizam determinadas épocas da história, seja este ou aquele, de um partido ou de outro. O que importa são seus atos e a prevalência de seu poder que atrasa as conquistas sociais e o desenvolvimento do país. Os homens são versões dos fatos. Se uma sociedade resolve combater definitivamente a “lambança” de um poder da República é preciso ir até o limite e sustentar a ruptura com um passado de conivência. Se isso vai fragilizar uma aliança política que, convenhamos, não é um a aliança de esquerda, pode também fortalecer uma aliança popular, em que a democracia representativa venha a ser sustentada pela democracia participativa.
Com muita vergonha assumo que já tive Clóvis Rossi, Jânio de Freitas, Dimenstein e a própria Folha em bom conceito. Sou paulistano da gema e precisei sair da Capital paulista, depois de 35 anos, para compreender o reacionárimos da “elite” paulista e de seus representantes na imprensa
Apoveitando o próprio texto do Rossi, fiz altrações que julgo verddeiras:
As “grandes” empresas jornalísticas e muitos jornalistas a serviço de interesses inconfessos não assumem sua posições, por omissão ou covardia.
É a fuga à “accountability” que explica porque se lixam para a opinião pública, distorcebdo a verdade dos fatos de acordo com seus intresses ou de seus potegidos. Ela paga os salários de todo esse “band of brothers”, mas eles não tem coragem de dizer ao púbico o que fazem, o que só aumenta a suspeita de que o que fazem só cabe mesmo em BOs
É ótimo que a grande mídia esteja mostrando sinais de exaustão. É ótimo que hoje possamos ler com facilidade e em qualquer língua o que se passa no mundo e ter diferentes pontos de vista mostrados.
Mas lamento muito que haja os que defendam a permanência de Sarney, que, para mim, simboliza o que há de pior na política brasileira, a começar da sua imposição como vice de Tancredo, que nos levou a ter um dos piores presidentes que o país já teve, e justo na abertura democrática.
Apesar de estar convencido de que o governo Lula é muito, mas muito melhor do que a grande imprensa pinta e até entender seu gesto conciliador na direção dos aliados – Lula é um político talvez tão ladino como Vargas foi. Não posso, como cidadão, defender a permanência dos coronéis da terra arrasada, que, por sua incompetência e para assegurar a permanência no poder, destroem qualquer possibilidade de crescimento em seus ‘domínios’ eleitorais.
Basta olhar para estados como Maranhão, Piauí e Alagoas, com seus IDH’s lá no chão por décadas, para até ser obrigado a pensar que ACM não era pelo menos tão horrível quanto Sarney. Meu asco por Sarney, Collor e que tais não é de hoje. Vem desde que eu comecei, por gosto e por vontade, a ler um pouco mais sobre a história do meu país e entender que precisamos de políticos que, no mínimo, não atrapalhem, e muito mais daqueles que serão os estadistas de quem lembraremos no futuro.
Como escrevi há pouco, por vias que não entendo ainda direito, Lula faz um governo que será lembrado como o de Vargas foi, pelo grau de crescimento e independência que o país vem alcançando. É claro que fico orgulhoso quando Obama diz que Lula ‘é o cara’.
Mas, por favor, não me venham com essa de que Sarney tem de ser defendido pelo cidadão comum por ele ser mais um político corrupto entre tantos. Ele não é mais um. Ele é O político corrupto, aquele que se instala de mala e cuia e com família a tiracolo, para mandar e atrasar o desenvolvimento durante décadas em tudo que ele põe a mão. Ele não pode e nem deve ser intocável. Tem de ser posto para fora do mesmo modo que Collor. Para que outros do mesmo calibre possam ter o mesmo destinado.
Leiam “destino” na última palavra do meu comentário anterior.
É descomunal a diferença de inteligências e ironias entre o Rossi e o Cony. O primeiro, coitado, que até já foi razoavelmente bom, atualmente só parece escrever aquilo que alguém (quem será hein?) manda…