Gastos sociais e interesses eleitorais
A Folha faz matéria pequena informando que Aécio Neves e José Serra aumentaram os gastos na área social (clique aqui).
Em vez de mais detalhes sobre gastos e os resultados, a reportagem vai ouvir cientistas políticos para saber se os gastos estão relacionados com as eleições.
É evidente que estão, é óbvio que estão e é ótimo que assim seja. E é essa relação de causalidade que legitima os processos eleitorais, que faz com que cada eleição seja uma lufada de renovação de hábitos políticos e orçamentários.
Democracia, avanços sociais impulsionados pela pressão do voto, tudo isto é tratado como algo espúrio pelos jornalões.
Por bruno
Quando um empreendedor percebe uma demanda não atendida por um produto ou serviço, investe e passa a ofertá-lo, está ao mesmo tempo satisfazendo sua ambição privada – caso venha a ter lucro – e sendo útil para a sociedade. Imediatamente esse pessoal reconhecerá que é a descrição tosca, e no nível micro, do que Adam Smith chamou de mão invisível do mercado. É assim que funciona!, dirão eles; é legítimo, praticamente um dado da natureza…
Pois bem. Ocorre que um pensador liberal – portanto insuspeito – do século passado ousou transpor a concepção da lógica do comportamento econômico para o comportamento politico e concluiu que, em democracias de massa – sim, somos nós hoje -, o empreendedor político precisa identificar demandas não satisfeitas na sociedade e oferecer soluções, caso queira “lucrar” (se eleger). Legítimo? Mais que isso: necessário, civilizatório…
Alguma ONG deveria se encarregar de mandar Schumpeter para liberais de almanaque que escrevem para os jornais.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: Aécio, eleições, gastos sociais, Serra

diz-se q politica “eh a eterna luta por coracoes e mentes”. talvez os editores da Folha nao tenham nem um e nem outro,,,
LN
Bom dia
Seria ótimo de tivesse eleições todos os anos.
Com certeza “a elite não permitiria”, oportunamente.
Abraços
Creio que a oposição ao Governo do Presidente Lula ainda não percebeu que a disputa polítca mudou de patamar com a mudança de capo social realizada pelo Presidente Lula e pelo PT e seus aliados.
A oposição continua tratanto como se fosse ainda uma disputa de classes sociais que colocasse em risco o capitalismo, e está disputa já não existe mais e foi encerrada em 2002.
Em 2006 a disputa já deu neste novo patamar.
Além disso o tão esperado fracasso na administração do Governo do Presidente Lula não ocorreu, contrariando exemplos históricos na europa e América Latina, com destaque para a Polonia e Peru, e a grande expectativa do PSDB, principalmente FHC.
Lula se tornou, Lula O Eterno.
E por falar em “processos eleitorais” recomendo muita atenção com a “mecanografia”.
Alguns especialistas já alertaram do perigo da fragilidade das entranhas das tais maquininhas, e pouco se sabe como são carregadas, ajustadas, protegidas e, principalmente, guardadas………guardadas? onde? como? por quem? terceirizados?
Comenta-se de beco e beco sobre enormes galpões, até mesmo casas e apartamentos de luxo, repletos de caixas e sacos de documentos, onde é dito que são para incineração, mas ao mesmo tempo é exigido cuidado especial, como se cuida de bumbum de neném
Caro jornalista,
Tenho apreciado bastante esse seu mais incisivo recente estilo, porém não menos educado.
Leo China:
No segundo parágrafo tem escrito o seguinte:
“EM VEZ DE MAIS DETALHES SOBRE OS GASTOS E OS RESULTADOS, a reportagem vai ouvir cientistas políticos para saber se os gastos estão relacionados com as eleições.”
Ou seja, sem nem ao menos saber no que se gastou sob a rubrica de social, a matéria já trata estes gastos como ilegítimos.
Porque o jornal partiu do princípio que gasto social é gasto ruim.
Assim como você, que nem sabe do que tratam os gastos, mas já os qualificou de “assistencialismo de conveniência”.
Ora, se não for permitido gastos na área social em anos de eleição, o país só se desenvolverá de dois em dois anos? É claro que, em qualquer época, os gastos serão bem-vindos, desde que dentro da legalidade.
Desde quando gastos sociais são ” assistencialismo”? Eles são é obrigação do Estado. Aos eleitores, cabe verificar o desempenho administrativo dos candidatos ao longo de quatro anos, e fazer uma análise global. Pretender que anos eleitorais sejam marcados pela inércia é procurar resolver problemas com um tiro na própria cabeça.
Lógico, a cada eleição renovação de ideias e metodos acontecem é o processo evolutivo da sociedade. A mídia dolosamente disvirtua o sentido
Nassif,
Veja nas entrelinhas: mesmo desqualificando e questionando se esses gastos sociais são de cunho “eleitoreiro”, já começa (ainda que subrepciamente) o incensamento ao Aécio contra o Serra.
No trecho “Aécio autorizou R$ 406,6 milhões para este ano – investimento quase sete vezes superior … o orçamento de Serra, governador desde 2007, prevê investimentos 26,8% acima do registrado em seu primeiro ano.” fica demonstrado que os gastos sociais de Aecio cresceram mais d que os de Serra.
Prá quem sabe ler…
PS- não que eu queira um ou outro. De minha parte estamos precisando de renovação, mas que incremente a linha independente e progressista de Lula e não um retorno aos “acadêmicos” elitistas. E mais, vams fazer um rodízio: sem nenhuma conotação bairrista, chega de paulistas na Presidência. Vamos renovar isso lá.
Talvez uma mineira formada no Rio Grande do Sul…
Quando um empreendedor percebe uma demanda não atendida por um produto ou serviço, investe e passa a ofertá-lo, está ao mesmo tempo satisfazendo sua ambição privada – caso venha a ter lucro – e sendo útil para a sociedade. Imediatamente esse pessoal reconhecerá que é a descrição tosca, e no nível micro, do que Adam Smith chamou de mão invisível do mercado. É assim que funciona!, dirão eles; é legítimo, praticamente um dado da natureza…
Pois bem. Ocorre que um pensador liberal – portanto insuspeito – do século passado ousou transpor a concepção da lógica do comportamento econômico para o comportamento politico e concluiu que, em democracias de massa – sim, somos nós hoje -, o empreendedor político precisa identificar demandas não satisfeitas na sociedade e oferecer soluções, caso queira “lucrar” (se eleger). Legítimo? Mais que isso: necessário, civilizatório…
Alguma ONG deveria se encarregar de mandar Schumpeter para liberais de almanaque que escrevem para os jornais.
Faltou acrescentar à reportagem dados sobre o governo federal, que é o professor da disciplina de “assistencialismo de conveniência”…
O que eu não consigo entender são os motivos que levam o jornal a prestar tamanho “desserviço”…
O que há por trás disso…?
Alguém me ajude a entender, por favor.
É uma fissura gigantesca pelo poder…?
Fissura pelo comando…? Fissura por grana…?
E isso sem se importar um mínimo com os interesses do povão…?
É crueldade demais pro meu gosto…tá doido.
Mas também têm que saber que , na opinião de Schumpeter, quase nunca o herdeiro( Dilma) do empreendedor( no caso Lula) herda sua capacidade de inovar e, portanto, lucrar( no caso eleger-se).
Schumpetermente falando, Dilma poderia tentar continuar a obra de Lula mas não teria como obter sucesso(lucro) mas tão somente manter os mesmos programas sem inovação( renda).
Precisamos de um Obama.
É isso ai.
Seria simples e óbvio fazer políticas públicas, com avanços sociais, combate às desigualdades, em suma, fazer políticas sociais para os mais carentes, trabalhadores de todas as classes sociais, também para os pequenos, médios e grandes empresários. É um esforço conjunto também em todas esferas de governo federal, estadual e municipal, entidades sindicais, ONG’s e sociedade organizada.
Mas para isso Nassif, tem que ter vocação, estar no “sangue” do político a sensibilidade de olhar a população e conhecer as suas necessidades e/ou carências.
Não vejo vocação nos candidatos Aécio e Serra, por exemplo, ambos muito preocupados com projetos de poder. Esse tipo de político só põe criança no colo às vésperas das eleições, por uma estratégia de marketing televisivo, apenas isso. Depois de eleitos prosseguem com suas carreiras políticas de apadrinhamento.
Discordo que precisamos de um Obama. Creio que já passamos do tempo de acreditar que uma pessoa apenas resolve os problemas. Os argentinos estão nessa desde Perón, e ollha em que se meteram.
Mesmo no caso do Lula, se não houver contextualização, seremos envolvidos por um engodo. Corria o segundo semestre de 2003, e qual era a sensação da população? Todos se sentiam ludibriados, pois o Fome Zero não dava resultado, e os juros ainda tinham aumentado, para deter a inflação.
Um belo dia Lula levantou e disse “vou criar o bolsa familia”? Não. O bolsa estava lá, aguardando, pois seus idealizadores já tinham tentado emplacar a idéia, mas o FH não tinha aceito.
Além disso, não funcionou no início. Foi preciso mudar a gestão do programa para que ele engrenasse.
Na verdade, Lula não tinha alternativa para por na rua uma nova política social. O que tinha era o PBF, na gaveta, e que só funcionou a partir de 2004.
A história ainda há de mostrar que entre a vontade e a realização, ainda mais uma bem sucedida, existe um caminho tortuoso, e que um presidente não pode tudo (ainda bem). Um exemplo bem claro é o bolsa família.
Chega de Perons, JKs e Obamas. Precisamos de maturidade e de continuidade em políticas bem sucedidas.
Enfim, Dilma dá conta.
“E é essa relação de causalidade que legitima os processos eleitorais, que faz com que cada eleição seja uma lufada de renovação de hábitos políticos e orçamentários.”
É..? Não é assim há décadas, nas regiões mais pobres do país(ou não)..? Chega em ano eleitoral..ujmas migalhas para o povo, e tudo renova para continuar exatamente no mesmo.?
Lufada de hábitos..?..haha….
A mídia brasileira não entende e nem quer entender o que é democracia. Para ela significa apenas liberdade de imprensa. Que alias é um conceito bastante controverso. Não é a toa que sempre apoiou golpes contra presidentes eleitos e tem saudade da ditabranda. O Bruno está certíssimo, eles tem que aprender o BEABÁ da democracia. O pig não tem a menor do que se trata
As críticas mostram a verver neoliberal extrema dos jornais e dos jornalistas, os quais reproduzem acriticamente a ideologia de seus patrões: é gasto social? Então está errado!
Dito isto, a diferença entre Lula, de um lado, e Aécio/Serra, de outro, é que estes fazem concessões sociais em época eleitoral, enquanto Lula tem políticas permanentes de inclusão social e distribuição de renda.
Ainda assim, o que o governo Lula está fazendo não passa de um décimo do que fazem Chávez e Evo Morales. Estes sim, têm uma política de TRANSFORMAÇÃO social, e não de melhoria social. Mas isso a mídia golpista não noticia, obviamente.
Só como exemplo: Bolívia e Venezuela nem ao menos tinham uma classe média, só a elite e os miseráveis. Hoje ambos os países têm índice de analfabetismo ZERO, devidamente auditado por organismos internacionais independentes.
Dá pra entender porque os dois líderes atiçam um ódio doentio da Folha/Globo/Veja/Estadão…