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16/07/2009 - 00:03

Trivial de Chico Xavier

Do Portal Luís Nassif

Chico Xavier psicografa: Missão do Brasil

* Adicionado por Haroldo Vilhena


Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

44 comentários para “Trivial de Chico Xavier”

  1. Wallaby disse:

    “Nenhum deles conseguiu explicar a capacidade de Chico Xavier de escrever em qual quantidade, assimilando o estilo de diversos escritores”.

    Nassif, não quero bancar o cético chato, mas aqui vai a sua explicação: Chico Xavier conhecia em alguma profundidade os estilos dos autores, e simplesmente inventava textos em seus nomes. Talvez ele tivesse uma memória literária excelente. É uma hipótese, é claro, mas temos precisamente tantos motivos para acreditar nela quanto temos para acreditar na hipótese da psicografia (ou seja, motivo nenhum, já que não há evidência nenhuma), e tem a vantagem de não invocar algo inverificável: espíritos. Milhões de explicações sem o menor fundamento podem ser propostas: dentre elas, porque apenas a explicação sobrenatural merece o benefício da dúvida?

    Não tenho nada contra o espiritismo, mas qualquer afirmaçao a respeito do universo físico (nesse caso, a respeito da capacidade de se comunicar com Castro Alves morto), merece o mesmo escrutínio sereno que você aplica (brilhantemente) às falcatruas na nossa mídia.

    Um abraço.

  2. Marco Antonio disse:

    É muita bondade dizer que Chico tivesse uma ” memória excelente”. Na verdade, ele teria de ter a melhor memória do mundo, a mais rápida capacidade de escrever da história e o domínio pleno do estilo de centenas de autores, além do conhecimento absoluto da história mundial. E isso tudo, para que, já que ele nunca cobrou nada de ninguém?

    Outra coisa: Chico Xavier é de Pedro Leopoldo, embora tenha escolhido ir, em 1957, para minha Uberaba, em cuja casa minha avó, que era sua amiga, me levou em 1979. Pois bem, a mãe e a tia de um colega de faculdade me contam que, ainda em Pedro Leopoldo, Chico Xavier trabalhava o dia todo ( acho que em uma fábrica) e, em casa, atendia a população à noite. Com o tempo, passaram a enviar-lhe presentes, que ele guardou, por serem incontáveis, em uma espécie de barracão ao lado da casa. Logo que recebia o presente, sem abrí-lo, ele dizia:” isto aqui vai servir para uma pessoa que precisa muito de calçados”. E fazia isso com todos os presentes, uma coisa que ninguém sabia explicar. Nem mesmo as pessoas que precisavam e recebiam de fato tais objetos, porque nunca haviam dito a Chico que precisavam.

    Este é apenas um exemplo dos inumeráveis dons que Chico recebeu. Mas o importante não eram as manifestações mediúnicas ou os fatos sobrenaturais que praticava. Isso era apenas um meio. O fundamental eram suas lições de amor, de caridade, de trabalho incansável em favor da fé, do amor e da crença na luz divina e no homem.
    Creio que sua vida é uma prova indubitável de que praticou o que pregava.

  3. Thiago Cunha disse:

    Chico Xavier, a meu ver, era uma pessoa de bom coração, e possuidor daquelas virtudes tão admiradas e valorizadas no espiritismo, que considero um catolicismo piorado. Têm o sacrifício “pelo outro” como regra de ouro e de prova de “superioridade” espiritual, além de toda aquela construção de uma hierarquia assentada na idéia de evolução espiritual, que, pessoalmente, considero completamente desprovida de lógica e facilmente derivável da idéia católica de santidade, ou mesmo da própria noção de hierarquia na sociedade medieval.

    Tendo isso em vista, guardadas as qualidades do Chico Xavier, no que tange à sua sensibilidade em relação aos menos favorecidos, ou mesmo os favorecidos, mesmo, já que ele não fazia distinção entre classes, enquanto atendia, pelo que sei, penso que o espiritismo e o próprio Chico Xavier, da maneira como sua atuação se configurava, não se coadunam com o que esperamos em uma sociedade esclarecida, não movida por misticismos que inculquem nas mentes das pessoas o sofrimento e a dominação como valores morais superiores.

    Em resumo, para mim, ele foi um bom homem, deixou o mundo um pouco melhor do que quando chegou a ele, mas, como os franciscanos das tocas de Assis, fazem um trabalho que só alimenta o sistema que produz as mazelas de que cuidam, e não usam o cérebro que têm para enxergar a sociedade sob um prisma mais amplo. E também acho que ele era ou um charlatão, ou um esquizofrênico, mas isso já é para os médicos.

    O espiritismo é um cristianismo piorado.

  4. Pedro disse:

    Meu caro Thiago, do pouco que conheço o espiritismo, posso dizer que ele não prega o sofrimento como um valor moral.

    Prega, como valor moral, a resignação ante o sofrimento que nos é imposto pela vida. E esse sofrimento não necessariamente tem relação com o “sistema”, posto que, fosse outro o “sistema” vigente, dores viriam, como um amor não correspondido, a partida de um ente querido, a frustração por não alcançar um objetivo qualquer.

    E resignação não significa aceitação passiva. Ao contrário, é a aceitação sim, mas uma aceitação conjunta ao trabalho incessante para o combate às dores que surgem, uma vez que o trabalho também é um valor dos mais relevantes para os espíritas.

    Sobre a dominação, é possível dizer que os espíritas, como os antigos cristãos, são livres justamente porque aquilo que lhes é mais caro não pode ser tomado nem imposto, sua consciência e sua fé. Os defensores de um “sistema” diferente, por outro lado, estão estes sim condenados a relações de dominação, uma vez que improvável um “sistema” que a todos agrade.

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