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16/07/2009 - 16:53

A Marinha e os submarinos franceses

Construção de Submarinos:

Respostas do Ministério da Defesa, com base em subsídios fornecidos
pela Marinha do Brasil aos editores dos jornais
“O Globo” e “Folha de São Paulo”

O Globo:

Senhor Editor,

Sobre as reportagens relativas ao projeto do submarino nuclear brasileiro, divulgadas recentemente por esse jornal, o Ministério da Defesa esclarece:

Não é possível fazer comparações entre o acordo Brasil-França e a proposta da empresa alemã IKL.
A proposta alemã era apenas para a construção de dois submarinos convencionais (propulsão diesel-elétrica), sem evolução para um submarino nuclear, pois a Alemanha não os produz (detém zero por cento deste mercado). Também, não haveria transferência de tecnologia de projeto, nem de manutenção, mas apenas de construção, e de forma limitada. A “seção de vante” (proa) dos atuais submarinos brasileiros veio pronta da Alemanha e a manutenção dos sistemas de combate só é feita com presença de técnicos alemães.

Já a proposta francesa inclui a construção, no Brasil, de quatro submarinos convencionais, que servirão para a capacitação do País no desenvolvimento de um submarino com propulsão nuclear, com respectivas transferências de tecnologias, tanto de construção, quanto de projeto, inclusive de seus sistemas de combate. Essa proposta inclui, também, o projeto e a construção de um estaleiro dedicado à fabricação de submarinos nucleares (e convencionais) e de uma nova base naval, capaz de abrigar submarinos nucleares. A parte nuclear do submarino será integralmente nacional, desenvolvida pela Marinha do Brasil.

Em relação à construção de um novo estaleiro e da nova base, ela está prevista desde 1993, para a área de Sepetiba, o que torna inconsistente a acusação de ser “imposição” dos franceses. Considerar que essas obras seriam desnecessárias, implica ignorar que submarinos nucleares só podem ser construídos em estaleiros a isso dedicados e que atendam a requisitos tecnológicos e ambientais bastante específicos, que, hoje, não são atendidos por nenhum dos estaleiros existentes no Brasil. Além disso, a atual base dos submarinos convencionais, na Baía de Guanabara, sequer tem profundidade para um submarino desse tipo.

O Brasil exigiu que a base e o estaleiro fossem construídos por empresa brasileira, cabendo à responsável pelo projeto, a francesa DCNS, escolher, livremente, seu parceiro, tendo sido selecionada a construtora Odebrecht. Independentemente de quem fosse o responsável pelo projeto, não caberia licitação da obra, tendo em vista a necessidade de sigilo do projeto (plantas de instalações nucleares militares, não passíveis da divulgação pública exigida por uma licitação).

Ressalta-se que o casco do Scorpène já tem o desenho típico de um submarino nuclear e emprega tecnologia desenvolvida no projeto do submarino Barracuda, a nova classe de submarinos nucleares de ataque franceses, ainda em construção. A Marinha do Brasil dispõe, ainda, de farta documentação que mostra o elevado grau de satisfação da Armada Chilena com os Scorpène convencionais operados por aquele país.

José Ramos Filho
Coordenador de Comunicação Social
Ministério da Defesa

Folha de São Paulo:

Senhor Editor,

Sobre a coluna “A Empreitada das Armas”, do jornalista Janio de Freitas (14/7), o Ministério da Defesa esclarece:

Não é possível fazer comparações entre o acordo Brasil-França e a proposta da empresa alemã IKL.
A proposta alemã era apenas para a construção de dois submarinos convencionais (propulsão diesel-elétrica), sem evolução para um submarino nuclear, pois a Alemanha não os produz (detém zero por cento deste mercado). Também, não haveria transferência de tecnologia de projeto, nem de manutenção, mas apenas de construção, e de forma limitada. A “seção de vante” (proa) dos atuais submarinos brasileiros veio pronta da Alemanha e a manutenção dos sistemas de combate só é feita com presença de técnicos alemães.

Já a proposta francesa inclui a construção, no Brasil, de quatro submarinos convencionais, que servirão para a capacitação do País no desenvolvimento de um submarino com propulsão nuclear, com respectivas transferências de tecnologias, tanto de construção, quanto de projeto, inclusive de seus sistemas de combate. Essa proposta inclui, também, o projeto e a construção de um estaleiro dedicado à fabricação de submarinos nucleares (e convencionais) e de uma nova base naval, capaz de abrigar submarinos nucleares. A parte nuclear do submarino será integralmente nacional, desenvolvida pela Marinha do Brasil.

Em relação à construção de um novo estaleiro e da nova base, ela está prevista desde 1993, para a área de Sepetiba, o que torna inconsistente a acusação de ser “imposição” dos franceses. Considerar que essas obras seriam desnecessárias, implica ignorar que submarinos nucleares só podem ser construídos em estaleiros a isso dedicados e que atendam a requisitos tecnológicos e ambientais bastante específicos, que, hoje, não são atendidos por nenhum dos estaleiros existentes no Brasil. Além disso, a atual base dos submarinos convencionais, na Baía de Guanabara, sequer tem profundidade para um submarino desse tipo.

O Brasil exigiu que a base e o estaleiro fossem construídos por empresa brasileira, cabendo à responsável pelo projeto, a francesa DCNS, escolher, livremente, seu parceiro, tendo sido selecionada a construtora Odebrecht. Independentemente de quem fosse o responsável pelo projeto, não caberia licitação da obra, tendo em vista a necessidade de sigilo do projeto (plantas de instalações nucleares militares, não passíveis da divulgação pública exigida por uma licitação).

Ressalta-se que o casco do Scorpène já tem o desenho típico de um submarino nuclear e emprega tecnologia desenvolvida no projeto do submarino Barracuda, a nova classe de submarinos nucleares de ataque franceses, ainda em construção. A Marinha do Brasil dispõe, ainda, de farta documentação que mostra o elevado grau de satisfação da Armada Chilena com os Scorpène convencionais operados por aquele país.

José Ramos Filho
Coordenador de Comunicação Social
Ministério da Defesa

Autor: luisnassif - Categoria(s): Defesa Tags: , ,

55 comentários para “A Marinha e os submarinos franceses”

  1. Luis disse:

    Essa imprensa brasileira tá mesmmo com cara de 5a coluna dos americanos…

    Querem terminar de privatizar a Petrobrás e pra isso estão dispostos a criar uma “crise” no Senado do nada, pra viabilizar a CPI da Petrobrás

    querem liquidar todas as chances que o Brasil tem de receber tecnologia de ponta estrangeira. Já mobilizaram opiniões poderosas contra os Sukoi russos, agora já querem inviabilizar a compra de APENAS 4 submarinos Scorpène franceses. Apenas 4 submarinos e já estão batendo na Marinha.

    Imaginem se estivessemos construindo uma frota de 30 submarinos e adquirindo algumas dezenas de aeronaves com capacidade de carga de grandes mísseis cruzadores anti-navio, o mínimo necessário pra defender o pré-sal do “olho gordo” das grandes potências do mundo todo.
    a
    Depois vêem dizer que

  2. sergio g disse:

    Contratos dessa natureza.
    Que envolvem muita grana e tecnologia.
    São sempre alvos dos concorrentes.
    Usam do que podem e não podem.
    É uma briga de poderosos.
    E muitas vezes.
    Ou quase sempre.
    Certos jornais levam algum por baixo para fazer o jogo sujo.
    Não há nada de novo nisso.

  3. Daniel Campos disse:

    Esperavam que a nossa mídia conseguisse evitar de escrever besteira sobre um assunto TÉCNICO? Esqueçam, não é a primeira vez que vejo erros grosseiros nesta área e não vai ser a última. Até hone eles não conseguem nem fazer a distinção entre os vários tipos de caças americanos e russos

  4. HEZBOLLAH666 disse:

    “Independentemente de quem fosse o responsável pelo projeto, não caberia licitação da obra, tendo em vista a necessidade de sigilo do projeto (plantas de instalações nucleares militares, não passíveis da divulgação pública exigida por uma licitação).”

    Se os jornalistas do PIG deixassem a indigência mental de lado e conhecessem pelo menos o básico da Lei 8666/93, não escreveriam tanta bobagem nos jornais.

  5. Ruy Barbosa Maciel disse:

    Esta questão da imprensa nativa partiu para o descontrole. Isto é muito ruim, mas muito mesmo. Eu por exemplo não acredito em nada escrito por esta corja de jornalistas, aliás é ridículo alguém ler estes fascinóras e achar que estão sendo informados. O triste da história é quando algum jornal publicar uma verdade e nós como de costume não acreditarmos.

    Ruy barbosa Maciel- Governador Valadares MG

  6. Cesar A disse:

    A aquisição de submarinos Scorpene pelo Brasil ainda não esta totalmente esclarecida, alguns pontos da resposta da Marinha merecem comentários.

    Quando afirma que o Scorpene deriva do projeto Barracuda, o que não é verdade, o Scorpene deriva do projeto do SSN Rubis, pelo menos o desenho é derivado, o Rubis representou a introdução do submarino nuclear na marinha francesa, é considerado um projeto limitado, mesmo para época em que foi lançado, para ficar mais fácil notar as semelhanças abaixo imagens do Rubis, Amethyste, Scorpene e Barracuda.

    http://www.netmarine.net/bat/smarins/rubis/caract02.jpg

    O SSN Rubis passou por uma revisão de projeto devido as limitações, era muito barulhento entre outras coisas, e surgiu a classe Amethyste

    http://www.netmarine.net/bat/smarins/rubis/caract01.jpg

    O projeto do Scorpene se aproveitou das lições aprendidas e incorporou o mesmo estilo de desenho.

    http://www.naval-technology.com/projects/scorpene/images/scorpene1.jpg

    Ja no Barracuda, como as exigencias eram bem maiores, inclusive na área de sensores, da para notar um desenho bem diferenciado, aproveitanto o maior porte do barco com maior velocidade, autonomia e capacidade de mergulho e armamento, os submarinos americanos e ingleses são capazes de lançar misseis de cruzeiro, o Barracuda francês tambem será, ja os Rubis/Amethyste lançam misseis antinavio, coisa que o Tikuna convencional fabricado aqui no Brasil ja pode fazer.

    http://www.naval-technology.com/projects/barracuda/images/1-submarine.jpg

    Então dizer que o Scorpene deriva de um desenho de submarino nuclear tem algum fundamento, mas afirmar que a partir do desenho do Scorpene se chega a um submarino nuclear é um absurdo! as exisgencias de um projeto de submarino nuclear são totalmente diferentes e se conseguirmos essa proeza de criar um Scorpene nuclear, como sugerem algumas reportagens que colocam o submarino nuclear como um Scorpene “esticado”, uma gambiarra de alguns bilhões de dolares.

    A nota apresenta como dado o fato da Alemanha ter 0% do mercado de SSN, a Alemanha NÃO pode ter armas nucleares, então ela não tem por que não pode, não por que não possa… aliais seria de interesse dos alemães participar do projeto do SSN brasileiro, poderiam exercitar suas capacidades de projeto. Muito importante resaltar que a Alemanha é o principal fabricante de submarinos convencionais do ocidente, com bastante mais tradição que os franceses, em duas guerras mundiais os submarinos alemães quase estrangularam a Inglaterra.

    Em termos comparativos o submarino convencional alemão oferecido, o IKL-214, tem mais autonomia e mergulham mais fundo que os Scorpene, aliais o parceiro original dos franceses acharam o projeto do Scorpene limitado e desenvolveram um projeto maior chamado S-80 justamente para ampliar a capacidade do submarino.

    O Scorpene tem uma opção de propulsão que inclui uma unidade geradora de calor que movimenta uma turbina para movimentar o barco, principio similar ao que é usado pelos submarinos nucleares, onde o reator gera calor para movimentar uma turbina, as semelhanças terminam ai, a opção convencional é auxiliar e a nuclear principal, isso faz uma diferença enorme, enquanto a primeira movimenta o barco a velocidade reduzida a segunda movimenta a alta velocidade, o que leva a considerações bem diferentes na forma de transmissão, tecnologia que parece que os franceses não estão interessados em repassar, eles reiteradamente estão falando no desenho do casco, qual casco seria??? o do Barracuda ou o do Amethyste???

    Submarino nuclear tem várias áreas do projeto que são sensiveis, geração de energia através de um reator compacto e transmissão são mais importantes que o desenho do casco, que ainda perde em importancia na questão dos sensores e armamento.

    Afinal, relativo ao projeto do submarino nuclear, estamos comprando o que??? sem isso muito claro no final estaremos apenas transferindo a produção de submarinos convencionais para outro local, sem nenhum ganho adicional.

  7. Roberto Rosario disse:

    Para quem se interessar por mais detalhes sobre os submarinos e assuntos relativos a defesa nacional indico o blog Poder Naval, que é bem diferente da maioria dos blogs de defesa do Brasil, que possuem claro viés conservador de direita. Segue o link abaixo

    http://www.naval.com.br/blog/

  8. André Oliveira disse:

    Hahaha,
    Gostei do “uai até”. Evite apenar usas o vaso sanitário. Ele trabalha com alta pressão e não é coisa para iniciantes.

  9. Roberto Rosario disse:

    Ao 16/07/2009 – 19:26 Enviado por: emerson

    Reproduzi seu comentário no blog poder naval. Sei que não solicitei autorização, mas achei suas informações importantes para o debate. Estão neste link

    http://www.naval.com.br/blog/?p=14482&cpage=1#comment-40163

  10. João Maria Fernandes disse:

    E olha que foi o Globo e a FSP

    Um escamoteava como podia as noiticias na época da “ditabranda”,
    o outro até aparelhava a OBAN.

    O mundo dá mesmo muitas voltas.

    Que os jovens oficiais da Marinha aprendam a lição.

  11. luiz c l botelho disse:

    Caro Nassif
    Novamente e intencionalmente confunde-se a propulsão da plataforma naval de batalha chamada de submarino, com o tipo de espoleta do armamentos embarcados (torpedos , mísseis e minas).O que o Brasil realmente necessitaria do ponto de vista militar são as espoletas nucleares. A propulsão nuclear naval submersa só tem utilidade de combate no nível estratègico, no qual gigantescos submarinos-bases de lançamentos SBML-; precisam se evadir por meses e em profundidades abssais , daqueles submarinos táticos de ataque e que tambèm precisam ser movidos a propulsão nuclear para a caça dos estratégicos.Como é bem sabido que a doutrina de usos de mísseis balísticos tornou-se completamente utrapassada no nível tático de engajamento nuclear,devido aos modernos mísseis de cruzeiros com ogivas nucleares ( os quais podem até ser disparados por soldados infantes no teatro de operação), exponho a minha opinião de cidadão de que não pssa de uma estranha política altamente custosa ao erário público (15 bilhões de dólares) esta falsa modernização militar da força da submarinos da MGB , a qual caso implementada ,será altamente lesiva a estrutura militar integrada brasileira. já que passaremos a ser teoricamente detentores de tecnologia militar nuclear ( mesmo sendo teoricamente não-ofensiva). Acredito que no presente contexto operacional naval militar brasileiro, torna-se muito mais importante a compra para o uso imediato de submarinos convencionais modernos.Penso também que o Ministério da Defesa deveria deixar as tentativas de “aprendizagem” tecnlógica aos projetos integrados das tres forças .A propósito, certamente não será através de submarinos movidos a propulsão nuclear que prestígio político interno da Marinha aumentara no contexto militar brasileiro e contabilizara como destacado sucesso do presente governo no campo da defesa e do desenvolvimento científico autônomo brasileiro.

  12. Luiz c l botelho disse:

    Prezado Nassif e comentarista Emerson 19:26 -16/07/2009
    Voces não acham que os 22 caças A4 deveriam passar para a força aérea, onde seriam melhor integrados na estrutura defesa militar brasileira ? e não servir de justificativa para o nunca alcançado “sonho naval” de uma Nau Capitânea do tipo Porta-Aviões que realmente funcione?.A continuar este processo de disputas de prestígio militar interno na âmago das instituições militares brasileiras através da expropriações de funções militares e não real crescimento e produtividade, só restara o grupo de transporte da FAB passar para a Cavalaria Aérea do Exército! e a Brigada de forças Especiais do EB passar para o Corpo de Fuzileiros Navais.Penso que interesses geopolíticos exògenos estão interessados nesta repetição inùtil e custosa de estruturas operacionais militares.Nós não somos os USA!.

  13. José Araújo disse:

    O bacana deste blog é que nele navegam especialista em vários assuntos. Leigo como só tem a aprender. parabéns, em especial ao César A e ao Emerson.

  14. Lacyr disse:

    Êta ossinho duro de largar ein PIG!

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