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13/07/2009 - 10:09

Bolsa Família e interesses políticos

É curiosa a forma de edição da Folha. O repórter Pedro Dias Leite entrevistou Anthony Hall, professor da LSE (London School of Economics and Political Science). Ele traz uma crítica importante e uma sugestão para a próxima etapa do Bolsa (clique aqui).

A crítica:

Seu objetivo imediato, obviamente, é amenizar a pobreza, e as avaliações iniciais indicam que o programa foi bastante bem-sucedido. Outro objetivo é acumular capital humano, fazendo os pagamentos condicionais a educação e saúde. E, nisso, o cenário é menos certo no momento. No campo educacional, as matrículas aumentaram, mas isso não necessariamente significa que a qualidade melhorou. Os resultados são melhores na saúde, em campanhas de vacinação e outras frentes.

A sugestão:

O próximo estágio desse tipo de programa é estabelecer uma ligação clara com geração de emprego. Isso também depende da macroeconomia. A avaliação tem de acompanhar o progresso dos beneficiários do Bolsa Família cinco, seis anos depois que deixaram a escola, para checar se há correlação entre ter participado do programa e uma melhor posição no mercado.

Obviamente, só será possível esse acompanhamento depois que houver uma boa quantidade de ex-alunos egressos do Bolsa Família para serem acompanhados. Aliás, esse tipo de acompanhamento faz parte do processo natural de aprimoramento de indicadores do Bolsa Família.

O título da matéria é: “Analista defende novo foco ao Bolsa Família”. Que novo foco? Ele apenas sugeriu um indicador adicional de acompanhamento.

Fora esse início promissor, todo o restante da matéria é sobre a “exploração política” do programa. O professor se limita a falar “em tese” do risco do “curto-prazismo”.

(…) Essa certa ênfase em transferências de dinheiro, no curto prazo, é um “remendo”. Não quer dizer que não funcione, mas devemos ser cautelosos. O que pode haver também é uma mudança na mentalidade dos políticos e planejadores, tentação de “curto-prazismo”, de pensar que a transferência de dinheiro seja um modo rápido e popular de entregar os bens e pegar os votos, em vez de investir em saúde e educação pelos próximos dez anos. Não estou dizendo que está acontecendo, mas é um perigo real.

Mas as principais forças do programa no momento, francamente, são políticas. Lula não fez segredo de que sua popularidade é, em larga medida, consequência do Bolsa Família.

É curiosa a dificuldade de certos acadêmicos de entender a importância da dinâmica político-eleitoral na definição de programas sociais.

Foi a política, foram as eleições, é o interesse eleitoral que está livrando o país da camisa-de-força colocada pelo pensamento mercadista, de demonizar qualquer gasto social, qualquer medida que viesse em benefício da população. Antes, o interesse eleitoral engendrou o tabelamento do Cruzado e outras práticas populistas. Agora, está estimulando o mais amplo programa social do planeta. Ótimo!

Muitos temem o populismo. Mas é o poder regenerador do voto que levou Lula a apostar firme nas políticas sociais. Foram os políticos da Constituinte que instituíram o SUS, o Còdigo de Defesa do Consumidor, as Leis do Meio Ambiente, que colocaram o país no mapa dos direitos sociais e individuais.

Essa é a lógica imposta pela política e pelo voto.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Fome, Políticas Sociais Tags: , ,

37 comentários para “Bolsa Família e interesses políticos”

  1. lucifer disse:

    “Agenda- outra- família-que – essa- não- serve”,o ´programa “original” dos “demos”,sob o comando de seu presidente o”guri-de-merda”,Rodrigo Maia,j selecionou 50 famílias para o teste,”martin bormann”,que mistura economia com eugenia. Se der certo,Treblinka ,será lembrado como uma agradável colônia de férias.

  2. Sanzio disse:

    Nonato Amorim,

    Compreendo o espírito de seu comentário, mas faço um reparo. Ninguém precisa saltar do 10º andar para saber que vai morrer.
    Quem critica o Bolsa Família, na verdade, ou é mal informado ou age de má-fé.

    Mas aproveito o seu gancho para uma boutade comum entre a esquerda nos anos 70: se se quiser que a classe média faça a Revolução basta atrasar o churrasco em 15 minutos.

  3. Ivanisa disse:

    Acho que o Anthony Hall precisa do espaço de direito de resposta. Alguém tem o telefone dele?

  4. Hamilton disse:

    Tá certo.
    Bolsa família (10 bi) é populismo, compra de voto e blá blá blá.
    E bolsa rentista (150 bi), o que é?

    Enquanto isso, “exportadores” ingleses mandam lixo hospitalar para o Brasil como se fosse lixo reciclável.

    O Nassif não destacou. E eu pergunto: há quanto tempo estão fazendo isso e que outros países estão sendo vítimas dos súditos da rainha?

  5. comentador disse:

    Nassif, acho que você já teve acesso ao relatório do TCU que aponta para as necessidades descritas pelo professor Anthony Hall. O problema que temos nessa análise do TCU é que a mídia sempre usa as recomendações do Tribunal para atacar o programa.
    De certa forma, o pofessor vai na mesma linha do que já vem sendo discutido aqui, ou seja, o programa se tornou essencial.

    O grande problema é que os nossos Catões existentes na mídia e na oposição apenas não acabam com o programa não pelos seus méritos, mas por ser no momento, um suicídio eleitoral. Os Kamel e Jarbas Vasconcelos da vida certamente vêem neste programa um desvio da função do Estado. Não conseguem , não querem ver, ou ñão querem admitir, o que o mundo inteiro já viu, ou seja, que este é um dos mais importantes programas do mundo de inserção social.

  6. Orlando Varêda disse:

    ELES SÃO TÃO MODERNOS, MAS NÃO SUPORTAM VIVER LONGE DA CASA GRANDE

    Concordo com o comentário do Professor. A democracia é um belo conceito, como podemos ver: Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente, nos termos desta Constituição. Isto é o que diz o artigo 1º da Constituição de1988.

    O diabo é quando o mandarinato acadêmico de posse desse postulado tenta levá-lo ao dia-a-dia.

    As brilhantes mentes, produzidas nos laboratórios do tecnocratismo, a quem o Professor chama “sábios iluminados,” como que desnaturados por tecnicismo avassalador, submete-se obedientes aos preceitos com o antolhos que lhes garante a trilha.

    Coitados, não podem confessar, mas, democracia não é regime adequado às potencialidades despóticas destes senhores esclarecidos(?).

    Abraços. Orlando

  7. Sanzio disse:

    Para Ivanisa:

    Pô, você é que é amiga do cara e vem pedir o telefone dele em público rsrsrsrs ?

    Brincadeiras à parte, dei uma consultada básica na página do LSE e está lá:

    LSE phone number:+44 (0)20 7955 7809
    LSE email:a.l.hall@lse.ac.uk

    Abs

  8. Caetano disse:

    P.:O bolsa-família é um bom programa?
    R.:Sim, mas pode e deve ser melhorado.
    P.:O bolsa-familia é eleitoreiro?
    R.:Sim, os cadastrados dificilmente votariam na oposição, com medo de perder a bolsa. Compraram a consciência dos necessitados com uma mensalidade.
    P.: O governo está fazendo um bem aos bolsistas?
    R.: A curto prazo, sim. A longo prazo, não. Se não houver modificação no programa, está criando esmoleres, gente sem dignidade.

  9. José Maia disse:

    O entrevistado disse o óbvio. E Lula, que compreendeu tudo desde o começo, já sintetizou tudo o que pode ser dito sobre isso, mais de uma vez: a únca saída é o crescimento econômico. Todo o resto é exercício mental. Esse papo de PSDBistas sobre próximo estágio, porta de saída, etc., é tentativa de jogar cortina de fumaça no espetacular acerto que é o bolsa família. Não existe ‘política de emprego’, o que existe é crescimento econômico.
    PARABÉNS AO PRESIDENTE LULA, O MAIOR PRESIDENTE DO BRASIL DESDE GETÚLIO!

  10. fariajos disse:

    Caetano, que tal continuar com a sua maièutica?
    P: O futuro governo deve extinguir o Bolsa Família?
    R: Nâo, ao contrário, repito: o programa deve ser melhorado.
    P: Mas o futuro governo, ao continuá-lo, não estaria também comprando a consciência dos necessitados?
    R: Sim, se não continuar a avançar no programa. O compromisso do futuro governo é dar outro passo adiante. O primeiro passo foi dado.
    P: Então esse programa é eleitoreiro somente porque não está sendo melhorado?
    R: Só se pode melhorar aquilo que já está implementado. Senão vamos para a estaca zero novamente. O certo é dar continuidade, aprimorando os indicadores do programa. Não concordar com isso é suicídio político. Agora a pergunta que me faço: se é tão bom, e no mundo inteiro o aplaudem, e dá tantos votos, por que não o fizeram antes do governo Lula?… Certamente não por moralismo, ou por medo de ganhar votos…

  11. Calvin disse:

    A politica e o voto estão é nos mostrando o show de horrores no Senado, Nassif. “…pensamento mercadista, de demonizar qualquer gasto social, qualquer medida que viesse em benefício da população”. Não acredito que um adulto acredite nesta carochinha…acho que nem os nazistas desejavam este mal todo, Nassif. Pega leve.

  12. Vitória disse:

    …me considero uma analfabeta funcional ao meio desses comentários, mas não deu pra eskecer ….DEIXAR O BOLO CRESCER PRA DIVIDIR, hj aos 42 anos estou esperado a minha parte….soh migalhas senhoresss

  13. Nonato Amorim disse:

    Sanzio, a fome é o pior sentimento pessoal que um ser humano pode

    sentir. Eu vou repetir aqui todas as vezes que tocarmos no assunto: só

    quem passou é que sabe. Eu falo de fome mesmo, não ter o que por na

    boca por horas seguidas. Quem critica o bolsa-família, nem de longe (e

    põe longe nisso) sabe o que é isso. Perdoe se estou sendo redundante.

    E de barriga vazia ninguém pensa (a não ser em enchê-la) e muito menos

    faz qualquer revolução. Obrigado pelo comentário. Abs.

  14. Nanaco disse:

    Já estava na hora desse pensamento reacionário vesgo virar o disco. Não funcionou em 2006. Não funcionará em 2010. “Vagabundo” não é quem recebe dezenas de reais para manter o filho na escola. Vagabundo é quem ganha R$ 120.000 ao ano do Tesouro por deixar 1 milhão parado. Esses é que tinham que encontrar a “porta de saída”.

  15. Caetano disse:

    Prezado fariajos, a base do bolsa-família vem do governo anterior. Por que não foi feito já na atual forma, distribuição direta de dinheiro? Suponho que por pudor, e também por haver dúvidas (que eu também tenho) se é a maneira mais rápida e produtiva de desenvolver o país. É certo que o dinheiro distribuído aumenta o consumo, mas a infraestrutura, que permite o progresso contínuo, fica prejudicada.

  16. Geraldo Reis disse:

    So critica o Bolsa-Familia que nao precisa dele!!!!!

  17. pro-bolsa disse:

    Comentar sobre algo que não se conhece, expondo juízos categóricos, é leviano. Quem disse que há uma ênfase no repasse de recursos? Quem acompanha de perto o programa percebe que, desde 2004, quando sua gestão foi entregue a uma equipe de funcionários de carreira, sabe que os maiores avanços foram realizados no aperfeiçoamento do acompanhamento do cumprimento das condicionalidades. Ao contrário do que os que chamam o programa de bolsa-esmola apregoam, o MDS sabe sim a frequencia de cada um dos alunos das famílias beneficiárias. E usa a informação sobre descumprimento para identificar as vulnerabilidades da família faltosa. De cada 100 famílias notificadas pela primeira identificação de descumprimento, apenas 5 são desligadas do Bolsa, pois o processo de acompanhamento tem sido capaz de faze-las voltar ao cumprimento, assim como de alterar alguns problemas que afetam esse grupo, como violencia sexual, violencia nas escolas da periferia, etc.
    As condicionalidades são mais importantes que o repasse de dinheiro, para os que gerem o programa, e tais aperfeiçoamentos evidenciam essa escolha.
    Outro ponto: a qualidade da escola pública sem dúvida é um elemento central para a promoção do desenvolvimento dessas familias, sobretudo de suas gerações. Mas isso não tem que ser cobrado do MDS. Os críticos devem atravessar a rua e falar com o Ministro HAddad a respeito do tema (alô, Senador Cristovam Buarque, que gosta de falar em bolsa-esmola: por que sua gestão no MEC não fez nada a respeito, nem promoveu a melhoria do acompanhamento das condicionalidades do então Bolsa Escola?).
    É facil mandar os beneficiarios buscarem emprego. Mas e se eles não existem para pessoas irremediavelmente comprometidas em sua capacidade pela fome que já passaram na vida?
    Por fim, que tal comparar o Bolsa com as “politicas sociais” patrocinadas desde sempre por DEMOs? LBA, distribuição de cestas, caminhões-pipa… e só faz 15 ou 20 anos que superamos essas práticas. Alguém falava de porta de saída para essas politicas, ou que causavam dependência? Não me lembram disso.

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