Choque de ideias na Fazenda
Atualizado
Por Alexandre Leite
Nassif, dê uma olhada nessa matéria:
Choque de ideias no Ministério da Fazenda
O repórter Ricardo Allan, do Correio Braziliense nos brinda com um bom e honesto debate sobre as políticas públicas desenvolvidas pelo ministério da Fazenda, a partir da posse do ministro Guido Mantega. Digo honesto, pois dá voz a todos os lados envolvidos e sem tentar ditar uma linha ideológica própria, deixa para o leitor a oportunidade de chegar às suas próprias conclusões. Jornalismo da melhor qualidade. Como leitor, destaco a afirmação do secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, segundo a qual, “se é para os técnicos ditarem os rumos da política econômica, para que haver eleição?”
[...] Um deles (técnico do ministério) elogia a formação econômica de Nelson Barbosa, mas se queixa do nível geral da cúpula da Fazenda. “Essa equipe é a mais fraca que já vi aqui. O debate está muito pobre. Não adianta nem tentar argumentar. O pacote já vem pronto e a gente só fica sabendo no dia do anúncio. Antes, tínhamos um papel na formulação das medidas. Ninguém reclama abertamente para não ser perseguido”, revela.
[...]“Falar em interdição de debate hoje é brincadeira. O que eles chamam de debate interditado eu chamo de resultado democrático das eleições. O Brasil escolheu uma orientação e isso se traduz nas ações do ministério. Os funcionários da casa devem seguir as diretrizes do governo. Podem obviamente opinar, contribuir e divergir, mas no fim do dia vale a opinião do governo eleito”, rebate o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa. Na visão dele, alguns funcionários estão desacostumados com a alternância de poder que deu fim ao “pensamento único” dominante na Fazenda por mais de uma década. “Se é para os técnicos ditarem os rumos da política econômica, para que haver eleição?” [...]
http://www.aleporto.com.br/blog.php?tema=6&post=1933
Comentário
Coisa de meus amigos paulistas. No Plano Cruzado houve a mesma coisa. Abriram mão de técnicos competentíssimos porque julgavam que eram alinhados com o governo anterior. Não entenderam que funcionário público é profissional, ainda mais em áreas de excelência, como a Fazenda. Havendo ideias e ordens claras, eles cumprem.
O Guido Mantega vai ter que acordar. Não dá para tocar projetos complexos tendo apenas dois oficiais (ainda que de alto nível): o Nelson Barbosa e o Nelson Machado.
Por Marcio Flizikowski
Caro Nassif a discussão é válida mas esconde por trás dela um detalhe sobre os cargos comissionados ocupados por profissionais de carreira (concursados). Esses cargos, normalmente, são os cargos intermediários e que também são de livre nomeação, mas ocupados pelos técnicos de carreira. O que acontece é que quem nomeia os profssionais para esses cargos intermediários é o profissional em cargo de livre nomeação, normalmente escolhido de acordo com seu posicionamento político. Ou seja, do governo no poder no momento. Na mudança de um governo para outro, a renomeação dos cargos intermediários leva tempos e algumas vezes, até o próprio período inteiro de mandato do atual governante,
Aí temos o conflito. Os técnicos que ocupam posições intermediárias, com certa influência no poder decisória e que ainda estão alinhados com as políticas da gestão anterior, e os novos comandantes, que possuem uma política de gestão nova, de acordo com o governante de plantão no momento.
Além disso, existe a questão dos ‘favores’ indiretos. Os intermediários alinhados com o governo anterior, normalmente possuíam algumas regalias que agora não desfrutam mais e por isso entram em choque com os gestores atuais.
Não é só na fazenda. Nas agências reguladoras está ocorrendo este choque. Até a gestão FHC, as agências estavam populadas por servidortes cedidos de outros órgãos, contratos temporários e terceirizados. Com o governo Lula, iniciou-se o processo de concursos e a mudança de gestores. Muitos servidores antigos começaram a entrar em conflito com as nova políticas adotadas e reclamar que as decisões passaram a ser impostas de cima para baixo sem que eles fossem ouvidos.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags: Guido Mantega, Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa

Luis Nassif,
Mencionar o Plano Cruzado é interessante. Se fosse a equipe que Tancredo Neves deixou para José Sarney a história não teria acontecido como aconteceu. A turma de Tancredo era a turma certa para a hora certa. A turma do Plano Cruzado foi a turma errada para a hora errada. Foi azar do Brasil. Naquela época não tínhamos democracia. Se houvesse eleição Tancredo não seria eleito. A turma que ele colocou na Fazenda era turma do antigo regime. Depois que saiu a turma do José Sarney por pressão do PMDB de São Paulo, aconteceu como você falou.
Agora a situação é outra. Funcionário público tem muito disso. Não aceita que quem ganha as eleições tente impor aquilo que foi promessa eleitoral. E cada setor tem sua justificativa. A educação diz que a educação é um bem público que não pode fica a mercê do governante de plantão. Na Fazenda o discurso é semelhante. Trata-se de um corpo técnico diz eles que não pode ficar submetido aos humores do eleitorado.
Em minha opinião, tanto Fazenda como Educação estão enganados. A democracia pressupõe exatamente a possibilidade de execução de uma política próxima daquela que foi prometida e muitas vezes ela é o oposto do que o governo anterior fazia.
O que se pode é criticar a política que está sendo adotada. E a crítica pode ser de dois modos. Uma comparando com o prometido. Outra analisando se ela é uma política adequada. Eu por exemplo censuro, embora Lula tenha prometido isso em campanha, a redução dos custos trabalhistas. Primeiro porque é receita e de receita não se pode abrir mão. E segundo porque a economia já se encontra adaptada a esses custos trabalhistas. E terceiro, porque esses custos trabalhistas são uma forma de reduzir os lucros das multinacionais e assim reduzir a remessa de dólares ao exterior (É bem verdade que para aqueles que como eu defendem que o dólar deveria ficar mais valorizado a remessa de lucros para o exterior é uma boa (boa é modo de dizer) maneira de valorizar o dólar).
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/07/2009
Olha Nelson Barbosa bom, mas que já morreu, era o meu professor de gaita, tocava como ninguém. HEHEHEHEHEHE
Já a política econômica brasileira caracteriza-se por uma constância impar, DIRETO PRO BURACO.
acorda LULA !
A declaração do Secretario é de estarrecer. Nada tem a ver eleição com a administração permanente dos Ministérios. Na França a tradição que vem desde a formação do Estado nacional sob os Cardeais Richelieu e Mazarin conseguiu fazer a França manter a excelencia da administração publica por quatro séculos porque mudam os Ministros mas abaixo deles existe uma burocracia estavel e profissional que conseguiu manter a máquina funcionando sob todos os tipos de politica, desde o absolutismo dos Reis, passando pela Revolução, Consulado, Diretorio, Restauração, Monarquia Constitucional e cinco Republicas, alem da Ocupação alemã. A linha geral é dada pelo Ministro que representa a politica escolhida pelos eleitores mas a formulação e execução dessa politica é manejada pela administração profissional, baseada nos Inspecteurs de Finance, uma burocracia de exclência, admitida por severo concurso após extenso treinamento na ENA Ecole Nationale d Administration. O nivel desses quadros é tão alto que um Secretario permanente do Quai d Órsay, o Ministerio do Exterior francês, Alexis Leger, ganhou o Premio Nobel de Literatura. Na Inglaterra, os Secretarios permanentes asseguram a continuidade das politcas, não importa que Governo esteja no poder. Politica é uma coisa, Administração é outra, pais de ponta sabe distinguir. Agora, nos EUA, com a radical mudança de politica interna e externa, grande parte dos cargos abaixo de Ministros não foi mudado, o funcionalismo de carreira e mesmo alguns Ministros continuaram passando de um Governo Republicano para um Democrata, caso de Robert Gates, que passou da CIA no governo Bush para a Defesa no governo Obama.
Não é possivel pilotar um Ministerio chave, como o da Fazenda, sem altos funcionarios de carreira que tem que fazer parte das formulações, não podem ser apenas atendentes de balcão. O Secretario Machado mostrou-se bem desatualizado com a administração publica moderna e confundiu conceitos distintos.
Luis Nassif,
Li a matéria indicada no Blog do Alê. Concordo inteiramente com a opinião do Julio Sérgio Gomes de Almeida.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/07/2009
Olá Nassif,
Desconheço o debate, mas há mesmo uma incompreensão quanto ao papel do servidores técnicos. Alguns, claro, estão em busca de vantagens pessoais muito longe do que seria razoável, mas a maioria tem como valor o bem comum. Quando o profissional ingressa no serviço público o faz motivado pela certeza de buscar a plena ação técnica livre dos mesquinhos interesses individuais que são comuns na iniciativa privada. Mas, quando o servidor público é alijado do debate, é quase certeza que agirá com mal-humor e má-vondate.
Finalmente! Gosto muito do Nelson Machado e não conheço os meandros da Fazenda. Mas não é só no Ministério da Fazenda não. Há técnicos muito competentes em todas as áreas. Em determinados setores impera uma desconfiança desmedida. Os técnicos são vistos como um risco para a política que é decidida de maneira centralizada. Nisso o governo tem errado e muito. Ao não ouvir e considerar os argumentos de técnicos especializados. Acaba gerando muita insatisfação e dificuldades operacionais. Enquanto se faz alianças políticas, não se faz aliança com os técnicos e descuida-se da base de um pensamento construído ao longo dos anos. Isso também acontece no Senado e na Câmara. A decisão final é do governo eleito, mas os técnicos podem oferecer alternativas que agilizam as operações e mesmo aprimoram as decisões. Isso muitas vezes pode gerar crises que não se entende como começaram, se avolumam e se tornam políticas, por mera idiossincrasia de quem está em postos de chefia. Essa situação não é característica somente desse governo, mas de uma prática que se adota em qualquer governo. Perdem todos, os governos e os especialistas. Muitos se licenciam.
nelson barbosa está certo. quem tem que mandar é o governo democraticamente eleito; os técnicos que cumpram as ordens. aliás, será que não estão criticando por que são contra a política do ministerio da fazendo sob orientação do mantega?
Não sei se ficou muito claro o fato de que os secretários “pilotam o ministério sem altos funcionários de carreira”. Acho que a preocupação levantada pelo Nassif importante, mas não podemos também deixar de pensar que esses técnicos tendem a pasteurizar a máquina pública. Reparem:
“Os atuais secretários imprimem uma nítida orientação ideológica”
Não podemos mais ter ideologia na Fazenda? Qual é o limite?
“Ele cita decisões que trouxeram preocupação: a emissão de até R$ 100 bilhões em títulos para capitalizar o BNDES, a determinação que o Banco do Brasil (BB) baixe os juros e empreste mais, mesmo com o aumento do risco de calote, e a escolha de setores específicos para gozar de cortes de impostos.”
Essas foram medidas em tempo de crise. Repito, qual é o limite para a tomada de decisões do ministro e sua equipe de confiança?
A nossa máquina burocrática foi formada em um ambiente ideologicamente diferente do proposto pelo Mantega. O que fazer? Se adaptar a essa máquina ideologicamente diferente?
É um bom debate.
Enviado por: Ivanisa
“A decisão final é do governo eleito, mas os técnicos podem oferecer alternativas que agilizam as operações e mesmo aprimoram as decisões.”
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Mas será que isso não acontece?
Não é só a decisão final que deve ser do governo eleito, mas deve partir dele a formulação das propostas. Muitas delas decisões do presidente.
Estou achando esse debate bem parecido com o que ocorreu no IPEA.
A Fazenda almeja arrecadar cada vez mais e bem controlar os gastos governamentais, grosso modo.
O que faria diferença no contexto seria a prodigalidade do governo, independente do que pensem os funcionários da casa e das tais “diretrizes”.
Amigos , economia não é papelada prá cá e prá lá, economia é o povo empregado, ganhando bem, produzindo riquezas etc…
Estes caras em Brasília não têm a menor idéia do que ocorre no mundo real, como é que podem acertar ?
Eles estão lá para isto mesmo, errar, enfraquecer a nação, entregar nossas riquezas , pelos juros pornograficamente altos para os açambarcadores, em troca de migalhas.
Nassif, discordo do seu comentário. Aviso desde já que sou contra um excesso de cargos de confiança. Entendo, portanto, que devemos apostar na alta formação profissional e técnica da burocracia permanente do Estado (aquela que não é afetada por eleições). No entanto, tenho pavor quando ouço propostas tecnicistas e aparentemente bem intencionadas, como do Presidente da ONG Transparência Brasil, que defendem a redução radical e até a extinção dos cargos de livre nomeação. As tentações anti-democráticas às vezes vem embutidas em propostas lindas e “moralizadoras”.
Por duas experiências que tenho, uma pessoal e outra com pessoas muito ligadas a mim, aprendi que a coisa não é assim. Nesses dois casos vi que a burocracia tem ideologia e resiste a mudanças de rumo que nada tem a ver com a competência de quem comanda.
Minha experiência pessoal foi numa grande estatal, onde trabalhei como contratado (numa área próxima ao comando, mas não diretamente) exatamente entre o final de FHC e o início do Governo Lula. Na transição foi impressionante as resistências dos funcionários de carreira com quem eu tinha contato diário. O Lula “vai falir a empresa”, esse pessoal que está assumindo “é um bando de incompetentes”. E por aí vai. Não era o pessoal do comando, a quem não tinha acesso direto, mas a burocracia gerencial. Gente, em tese, sem maiores interesses políticos. Na época, apesar de ter votado em Lula, fiquei impressionado e preocupado. Afinal, pareciam técnicos competentes, de carreira, falando. Tudo que eles disseram que ia falir a empresa, resultou no exato oposto. Hoje a empresa é muito, muito maior do que era em 2003. E o salário dos caras que reclamavam também está muito melhor. O que será que pensam agora? Gostaria de encontrá-los.
Outro exemplo é de dois amigos meus, que trabalharam em um importante Ministério durante 5 anos, de 2003 a 2008. A primeira coisa que eles me reclamavam eram do “sucateamento” de pessoal de um Ministério tão importante. Não havia concurso há anos. Não havia quadro de pessoal capacitado para impor as mudanças de gestão que o Governo queria implementar. E os que eram capacitados não escondiam a resistência.
Então, essa atitude do Barbosa parece-me muito mais uma explosão contra essa “pequena” resistência, que muitas vezes mina qualquer tentativa de mudança de rumo. Profissionalismo uma ova. Parte da burocracia se sente dona do espaço e não se contenta em ouvir. Quer é mandar mesmo. Eleição, para eles, serve só para mudar o rosto do sujeito que usa a faixa no peito no quadro atrás das mesas dos gabinetes. E é impressionante como o discurso da “incompetência” se repete, agora que o continuismo Palloccista se foi.
Portanto, todo meu apoio ao desabafo do Barbosa.
A falácia do “técnico isento”
Essa história dos “técnicos isentos” é uma das mais ardilosas, mais bem montadas e mais sujas mentiras já criadas pelo ser humano. O capitalismo selvagem se vale dela para impor seus paradigmas, travestidos de “decisões técnicas”.
É uma mentira perigosa pois é tão bem arquitetada que convence pessoas de boa índole, as quais passam a disseminá-la. E, convenhamos, uma mentira dita com a convicção de uma pessoa de boa-fé, faz ainda mais estragos.
Nem máquina de lavar é isenta. Na centrifugação, ela tem que escolher o sentido no qual vai girar. Eu prefiro as que giram no sentido horário.
Um bom exemplo é a questão dos juros no Banco do Brasil. Os “técnicos isentos” diriam para que o banco adote os juros altos “do mercado”, como manda o receituário neoliberal.
Ora, mas o neoliberalismo é um cadáver putrefato. Há que se enterrá-lo urgentemente antes que as moscas que o cobrem pousem na sopa de alguém e espalhem doenças.
Que os “técnicos isentos” tenham o direito de opinar, ninguém discute. Idéias e sugestões podem ser úteis. Mas quem comanda não são eles. Houve eleições presidenciais no Brasil. Um grupo ganhou. Implementar qualquer outra política “isenta” diferente daquela que venceu as eleições é trair a vontade expressa nas urnas.
Caro Nassif a discussão é válida mas esconde por trás dela um detalhe sobre os cargos comissionados ocupados por profissionais de carreira (concursados). Esses cargos, normalmente, são os cargos intermediários e que também são de livre nomeação, mas ocupados pelos técnicos de carreira. O que acontece é que quem nomeia os profssionais para esses cargos intermediários é o profissional em cargo de livre nomeação, normalmente escolhido de acordo com seu posicionamento político. Ou seja, do governo no poder no momento. Na mudança de um governo para outro, a renomeação dos cargos intermediários leva tempos e algumas vezes, até o próprio período inteiro de mandato do atual governante,
Aí temos o conflito. Os técnicos que ocupam posições intermediárias, com certa influência no poder decisória e que ainda estão alinhados com as políticas da gestão anterior, e os novos comandantes, que possuem uma política de gestão nova, de acordo com o governante de plantão no momento.
Além disso, existe a questão dos ‘favores’ indiretos. Os intermediários alinhados com o governo anterior, normalmente possuíam algumas regalias que agora não desfrutam mais e por isso entram em choque com os gestores atuais.
Não é só na fazenda. Nas agências reguladoras está ocorrendo este choque. Até a gestão FHC, as agências estavam populadas por servidortes cedidos de outros órgãos, contratos temporários e terceirizados. Com o governo Lula, iniciou-se o processo de concursos e a mudança de gestores. Muitos servidores antigos começaram a entrar em conflito com as nova políticas adotadas e reclamar que as decisões passaram a ser impostas de cima para baixo sem que eles fossem ouvidos.
Há limites (embora nem sempre estejam bem delineados, mas sempre os há) entre decisões técnicas e políticas.
Não adianta o Lula tomar a decisão política de construir viadutos utilizando areia e madeira; os técnicos mostrarão que aço e concreto sempre serão necessários.
O problema surge quando políticos ignoram critérios técnicos e vice-versa.
O pessoal levantou pontos interessantes aqui.
O nosso principal problema é a “máquina burocrática”. Ela existe para si mesma, para ela prestar algum serviço é “secundário” à garantir a existência dela mesma. E sabemos como qualquer burocracia é avessa à mudanças, sejam de que tipo forem.
E um técnico é como colocaram, ele deve ser ouvido sim pois é ele que está “no front” vendo a situação real (e não a ficção que os políticos enxergam). Mas o rumo, para onde ir deve ser decidido por quem foi eleito para isso, ao técnico cabe descobrir a melhor forma de percorrer o caminho, e se o caminho for ruim avisar sobre isso.
Luis Nassif,
Há um comentário muito bonito do Andre Araujo em “O enigma Argentina” de 30/06/2009 às 10:29. Enviado em 30/06/2009 às 11:01, com o comentário certamente o Andre Araujo queria se redimir de tantas idiossincrasias que ele cometera nos últimos tempos. Alias o comentário dele era tão bom que bem merecia ter tido um destaque maior e ter vindo compor a primeira página do blog. E tão bom que era que, tendo em vista o comentário acima de 12/07/2009 às 23:04, é de se supor que ele ali fazia também a penitência para erros futuros.
O desejo de a máquina pública em uma democracia funcionar como a máquina da nobreza francesa do Séc. XVIII não se vê nem entre o mais empedernido e recalcitrante conservador.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/07/2009
12/07/2009 – 23:04
Enviado por: Andre Araujo
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/06/30/o-enigma-argentina/
“O enigma Argentina” de 30/06/2009 – 10:29
30/06/2009 – 11:01
Enviado por: Andre Araujo
A Argentina é produto de uma história formativa completamente diferente da nossa, ao que se acrescentam fatores climáticos, demográficos, de solo, de miscenagção diferenciada, de elevada cultura geral,
de ausência da importação de escravos, por não serem necessários às culturas agro pastoris, à influência inglesa muito maior do que no Brasil.
Uma economia baseada na pecuária, que produz certo tipo de homem e sociedade, a ausencia do elemento negro consolidando a Igreja Católica tradicionalista, o pioneirismo na exportação de carnes, possivel pela invenção dos navios frigorificados em 1885, pelos irmãos Vestrey, principais açougueiros da Inglaterra e que criaram a maior frota do mundo para esse fim (Blue Star Line), trazendo à Argentina uma riqueza fabulosa, a carne sempre foi cara na Europa e não custava quase nada na Argentina. O Eldorado da carne trouxe uma riqueza inédita, com a qual a Argentina comprou toda a sofisticação da Belle Epoque, colocada em cima de um povo já muito bem educado pelo excelente sistema de instrução publica implantado por Domingos Faustino Sarmiento, tão bom que dura até hoje atravesaando mega crises.
A Argentina em 1940 era uma potência regional temida pelos EUA, tinha um Exército poderoso e criou grandes embaraços aos Aliados durante toda a Segunda Guerra.
O melhor interprete atual da Argentina é o historiador Felix Luna que em seu livro clássico “Breve Historia dos Argentinos”, recentemente editado dá um grande painel desse fascinante Pais, fascinante até na sua decadência extraordinária, um Pais aonde sempre houve mais livrarias do que padarias, mais psicanalistas do que barbeiros, que produziu Premios Nobel de Literatura, grandes cineastas e publicitarios, onde há uma paixão pelas artes plásticas, pela música e pela vida não competitiva que torna esse Pais uma experiencia única na America Latina.
Luis Nassif,
Não era para eu reproduzir o texto do Andre Araujo que encontrei no seu post “O enigma Argentina” de 30/06/2009 às 10:29.
Como o texto é um dos melhores do Andre Araujo, não faz mal que se o repita. A repetição talvez ajude ao bom comentarista no pagamento dos pecados de comentários um tanto quanto sofríveis que ele vem comentendo ultimamente e que ele provavelmente cometerá a menos que ele contrate um personnal adviser para evitar as recaídas à um conservadorismo já um tanto em desuso.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/07/2009
Nassif,
Quando que, no Brasil, a formulação de políticas econômicas teve caráter democrático, ouviu a sociedade?
Concordo com os comentários do Mauro e do Locatelli. Trabalhei em um ministério em BSB e pude ver a resistência do corpo técnico de carreira em implementar as mudanças planejadas pelo ministro. Esse papo da isenção técnica é falácia. Na verdade, os ditos técnicos são eleitores e asseguro que poucos deles declararam que iam votar em Lula, a maioria votou em Serra. Cansei de ver técnicos repetindo receituários neoliberais em reuniões do ministério e serem questionados, porque ditos receituários eram exatamente o contrário das políticas que o ministro buscava implementar. Nesses momentos, toda a competência e segurança que os técnicos demonstravam iam por água abaixo, teve gente que chegou a chorar e confessar que não estava à altura de formular projetos com as características da nova política!!!
Esse caso do MF parece ter duas vertentes: 1) os técnicos “competentíssimos” estão contra os novos rumos da política pública e apelam para repórteres que mantêm suas críticas no anonimato; 2) não existe técnico “isento”, o que existe são seres humanos vulneráveis a paixões políticas e inconformados com o esvaziamento da influência que pensavam ter quando da implementação de projetos.
Basta lembrar que, nos tempos de FHC, todas as decisões eram tomadas por Malan e Parente, sempre ouvindo o FMI/Banco Mundial, e que o papel dos felizes técnicos do ministério se resumia a coordenar a implantação do que eles haviam decidido. As poucas vozes opositoras eram caladas e os técnicos afinados com o pensamento único não recorriam a repórteres bonzinhos para reclamar.
Todo o apoio ao Nelson Barbosa e a todos os que ousarem dizer a verdade sobre a relação dos dirigentes do alto escalão com seus corpos “técnicos”.
Ísso que é jornalismo. Realmente quem tem achar isso e aquilo somos nós, leitores e eleitores. Nelson Barborsa acertou e derrubou de vez, o esquisofrênico discurso que até então prevalecia no seio da Fazenda. Técnicos existem para tentar colocar as idéias do chefe, ou melhor, do governo de plantão, para funcionarem no dia-a-dia da sociedade. Mas antes quem finalmente decide sobre os rumos que o país deve trilhar, são os eleitores. O resto é conversa mole.
Nassif,
Não posso deixar de observar que tanto os Nelsons como o seu comentário em defesa dos técnicos estão certos, mas aqueles ainda mais porque fazem a interlocução dos interesses de uma política econômica que, se foi a eleita pela maioria, necessário é que seja implementada.
O que vem arruinando o nosso mundo é essa prevalência da visão tecnicista sobre qualquer outra. Uma ideologia mais cruentamente levada a efeito pelos iluminados do neo-liberalismo e seus agentes que foram sempre desprovidos de qualquer sentimento humanista, sob a égide da falaciosa globalização.
Nassif,
Vale a pena analisar a peculiar situação do Tesouro Nacional.
O PT decidiu colocar um secretário ligado ao Partido, Arno Augustin, ligado à tendência Democracia Socialista de Miguel Rosseto. Com isso, o PT colocou um homem comprometido com o destravamento do PAC, que era sabotado pelos técnicos do Tesouro.
No entanto, ao não trazer nem uma equipe nos altos escalões e nem um projeto, o Tesouro está completamente sem rumo.
Os projetos do governo, criação de novas despesas são criticados em pareceres da burocracia e engavetados pelo governo. Na falta, de trabalhos técnicos que coloquem o Estado como agente indutor importante, as decisões do Tesouro Nacional são feitas sem o devido estudo de impacto.
Enfim, o Tesouro avançou, mas ainda são necessárias muitas mudanças.
Abraços,
Zé
Se fosse na iniciativa privada, não haveria essa discussão.
O funcionário não é dono do negócio e pronto.
O patrão, no caso o governo, é quem dita as diretrizes e políticas. Cabe os funcionários segui-las. Simples.
Pois, afinal, o risco é do patrão.
Caro Nassif,
Logicamente está havendo confusão sobre o assunto. Esta discussão geralmente ocorre nos primeiros dias de mandato, é natural e salutar. Idéias divergentes levam quase sempre a um resultado melhor, é por isso que administrar é quase uma arte. Idéias convergentes, geralmente, levam ao fracasso. Mas, eu juro que estou surpreso, essa discussão agora, quando estamos no oitavo e último ano do governo do Lula. Será que o governo Lula não começou ainda? Por favor Nassif, esclareça, eu acho que o buraco é mais embaixo. Toda celeuma, acho que tem haver com o financiamento da campanha do ano que vem. Não tem anjo nesta discussão. CPI da Petrobrás, demissão do presidente do BB, demissão da secretária da Receita, desoneração da carga trabalhista, ora, vamos parar com esta hipocrisia que estamos dicutindo o futuro do Brasil. Não há interesses técnicos ou politicos em discussão. O fato é: De onde vem a grana que vai embalar a campanha oficial ano que vem?
Vou mais longe ainda, o que seria da Embrapa, INPE ou IPT se os próprios pesquisadores decidissem o rumo das suas pesquisas? Iriam, por natureza, decidir sempre o que é bom para o país? Ou para eles mesmos? Ou para a corporação deles?
Para onde iria o planejamento? O direcionamento dos esforços para cumprir um objetivo estratégico para o país?
Mantega demite secretária da Receita
Forte queda da arrecadação e mudanças na direção do órgão determinaram a saída de Lina Maria Vieira
Vera Rosa
A primeira mulher a ocupar o cargo de secretária da Receita Federal deixará o posto na próxima semana, por decisão do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Lina Maria Vieira foi exonerada do cargo em que teve uma gestão marcada por quedas consecutivas na arrecadação de tributos e por uma controversa mudança na estrutura da secretaria, o que garantiu a ascensão de sindicalistas aos postos de comando.
Lina Vieira ficou pouco mais de 11 meses no poder. Nesse período, trocou paulatinamente os ocupantes dos principais cargos. As superintendências regionais foram entregues a líderes sindicais espalhados pelos Estados. A saída de Lina foi antecipada na edição de ontem do jornal O Globo e confirmada ontem ao Estado por uma fonte da Fazenda. Ainda não está definido quem será indicado para ocupar o posto – o secretário executivo do ministério, Nelson Machado, deve comandar o órgão interinamente.
Apesar de a cúpula da Fazenda ter ficado irritada com a investigação da Receita em cima da Petrobrás, no início do ano, por causa de um crédito tributário de R$ 4 bilhões da estatal, o real motivo da saída de Lina é a queda na arrecadação de impostos e a desestruturação administrativa da Receita.
A Petrobrás saiu do regime de competência para o regime de caixa na apuração de receitas e despesas para calcular impostos ao descobrir que podia ganhar R$ 4 bilhões na redução da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), expurgando parte dos ganhos decorrentes da variação cambial do lucro tributável. A operação contábil da estatal tinha o apoio da Fazenda e do Planalto, o que desautorizou a contestação e a investigação da Receita promovidas por Lina Vieira – que ficou numa situação política constrangedora. Para a Receita, a empresa fez uma manobra “ilegal”.
A permanência de Lina no comando do Fisco passou a ser questionada e, no fim do mês passado, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou que o futuro da secretária estava nas mãos do chefe da Fazenda. “Isso é um problema do Mantega”, disse Lula, durante o lançamento das últimas medidas de apoio à economia.
As mudanças na estrutura da Receita coincidiram com o agravamento da crise global e com uma inédita série de quedas acentuadas no recolhimento de impostos e contribuições. Nos primeiros cinco meses do ano, o tombo foi de 6,9% em relação a igual período de 2008.
COFRES
A situação dos cofres é tão ruim que a arrecadação deste ano deve ficar abaixo do registrado em 2008, fato que só ocorreu duas vezes na história, em 1996 e em 2003.
Um dos exemplos de como representantes do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Unafisco) passaram a controlar postos-chave na Receita foi a mudança promovida por Lina, no fim de 2008, na superintendência de São Paulo. Ela pôs no cargo Luiz Sérgio Fonseca Soares, que, até então, presidia a delegacia do Unafisco em Belo Horizonte (MG). Para o comando da Delegacia Especial de Instituições Financeiras, a escolhida foi Clair Maria Hickmann, ex-diretora da Unafisco.
Em Brasília, as mudanças eliminaram quase todos os nomes ligados ao ex-secretário Everardo Maciel, que comandou o órgão no governo Fernando Henrique Cardoso e teve boa parte da equipe mantida na gestão de Antonio Palocci na Fazenda.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090712/not_imp401428,0.php.
Não se pode falar em falta de coerencia,na escolha dos técnicos da quipe economica deste governo,que no entender de muitos críticos,está trocando a capacidade técnica destes,por indicações políticas,prejudicando a dministração do Min.da Fazenda. Se ssim fosse,como admitir-se a insistencia do Pres.Lula,na manutenção no cargo de Pres.do Banco Central,do Henrique Meireles,se não fosse pelo simples fato,dele,Meireles,ser altamente gabaritado para a função ?
E assim acontece em outros escalões federais,ora ocupados por técnicos,e não necessariamente por indicações políticas.
O debate é saudável,porem o tem é improcedente.
Lendo esse artigo parece que as questões no governo são resolvidas após a dialética de idéias de correntes do pensamento econômico, um verdadeiro ambiente acadêmico, etc. Tud em prol da coletividade, do Brasil.
O que se vê de fato, no entanto, é a mais pura politicagem. Vide recente política remuneratória dos servidores públicos federais.
Enquanto milhares de brasileiros perdem o emprego ou tem o seu salário reduzido, o governo federal concedeu substanciosos aumentos aos seus servidores.
Essa política não tem o menor fundamento econômico, o único interesse é políico.
Sinceramente, este governo do Lula é uma tragédia. Vai deixar um passivo enorme para o próximo governo.
Nessas horas que nos lembramos da frase de Churchil sobre a diferença entre o político e o estadista: Político é aquele que pensa na próxima eleição, estadista na próxima geração…
FHC é um estadista, Lula um demagogo.
Hoje no programa CBN Notícias,desta manhã,com o Heródoto Barbeiro,aconteceu uma tremenda “saia justa”entre um Dep.Federal,que como Pres.de uma recem-criada Comissão de Fiscalização da Câmara,que acompanhará o uso dos recursos federais,na preparação da próxima Copa de 2014,no Brasil,teve contra tal comissão,a acusação por parte da Transparencia Brasil,de ter entre os 18 parlamentares da comissão,14 que respondem a processos judiciais e de serem diretamente interessados,no direcionamento dos recursos,para os Estados de suas bases,e isso segundo a ONG,é pouco ou nada recomendável,para não dizer passível de ser visto como prejudicial ao país. É como entregar a chave do galinheiro á raposa. E aí,quando o Heródoto confrontou(pelo telefone as 2 partes,para explicar o discenso,foi um “deus nos acuda”de ambas as partes,pois ambos não conseguiram explicar o inexplicável.
O representante da Transparencia Brasil,”zelando”pela ética e o deputado querendo dar ares de santos aos seus colegas de parlamento.
Gestão econômica na visão do político.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei:
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 1o Esta Medida Provisória dispõe sobre a gestão econômica da Republica Federativa do Brasil:
I – A inflação medida por qualquer índice não poderá superar 0,1% ao ano;
II – O desemprego fica doravante revogado, todo homem e mulher apto e desejoso por trabalho deverá encontrar um posto de acordo com suas capacidades e habilidades;
III – Todos os salários deverão garantir uma vida digna aos assalariados e seus familiares;
IV – A falência e/ou concordada de empresas ficará suspensa, toda empresa deverá dar lucro e apresentar um crescimento de 25% ao ano, pelo menos;
V – O Produto Interno Bruto do país deverá crescer 10% ao ano.
CAPÍTULO II
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art 2o. Ficam revogadas todas as disposições em contrário.
Art. 3o Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.
Fábio,
diferença é que depois de ganhar milhões de empregos no governo do ‘demagogo’, em plena crise mundial se perdeu milhares;
Enquanto isso, no governo do ‘estadista’ se perdeu milhões de empregos e apenas isso.
“Funcionario publico é profissional”. Desde quando, onde e como alguém pode separar suas ideias e valores da sua prática diária e do exercicio profissional. E com funcionário público não é diferente. Eles também pensam, raciocinam,leem e concordam ou discordam do que veem ou leem. Só quem acredita em neutralidade e que pode haver uma decisão puramente técnica pode pensar assim. Neutralidade não existe em lugar nenhum. E decisão é sempre, sempre, política. Se temos autonomia se baseiam naquilo que pensamos, naquilo que acreditamos. Mesmo quando é contrária ao que pensamos é acatando ordem de outra esfera, que tem outra visão política do assunto. Portanto, é sempre política.
Alexandre Leite,
O governo do Lula foi hiperfavorecido pela situação mundial, excesso de liquidez, preços de commodities em alta, etc. Somente após a crise de 2008 que a coisa ficou ruim.
Então, o discurso do Lula ficou assim: o que aconteceu de bom antes da crise de 2008 se deve ao Lula, o que aconteceu de ruim com a crise decorre do ambiente internacional…
Já o FHC a conversa foi outra. O FHC tomou crise na cabeça do começo ao fim do governo. No primeiro mandato havia baixa liquidez internacional, no segundo a coisa melhorou um pouco no final do segundo mandato.
O preço das commodities estavam baixo naquela época.
Em que pese todos esses problemas o “homem” aguentou firme.
“Parte da burocracia se sente dona do espaço e não se contenta em ouvir. Quer é mandar mesmo.” colando o Mauro
“Na mudança de um governo para outro, a renomeação dos cargos intermediários leva tempos e algumas vezes, até o próprio período inteiro de mandato do atual governante,
Aí temos o conflito. Os técnicos que ocupam posições intermediárias, com certa influência no poder decisória e que ainda estão alinhados com as políticas da gestão anterior, e os novos comandantes, que possuem uma política de gestão nova, de acordo com o governante de plantão no momento.
Além disso, existe a questão dos ‘favores’ indiretos. Os intermediários alinhados com o governo anterior, normalmente possuíam algumas regalias que agora não desfrutam mais e por isso entram em choque com os gestores atuais.” colando Marcio Filizikowski
“mas há mesmo uma incompreensão quanto ao papel do servidores técnicos. Alguns, claro, estão em busca de vantagens pessoais muito longe do que seria razoável, mas a maioria tem como valor o bem comum. Quando o profissional ingressa no serviço público o faz motivado pela certeza de buscar a plena ação técnica livre dos mesquinhos interesses individuais que são comuns na iniciativa privada.” colando emerson
Há diferenças entre a postura dos funcionários públicos de carreira. O importante é analisar as diferenças e trabalhar com aqueles que são solidários com as mudanças. O conservadorismo está presente na própria base do exercício por tempo indeterminado de um cargo comissionado. Muitas vezes o técnico não se conforma em interromper um projeto que há muito tempo se verificou que estava em desacordo com os objetivos de avançar no sentido das transformações sociais e econômicas. Isso acontece principalmente na área social. Os movimentos sociais junto com os funcionários de carreira engajados em defesa dos direitos e da justiça social tiveram muito trabalho, aliás anos de trabalho, para desfazer esses nós atávicos. Ainda há muitos lacinhos.
Bom, pelo menos na Procuradoria da Fazenda, os Procuradores, em sua grande maioria, não concordam em praticamente nada com o atual Procurador-Geral.
Ivanisa,
Você pode não concordar comigo e pode até dizer que sua opinião é a mesma, e nem sei o quanto a opinião de Mauro em 13/07/2009 às 02:17 tenha influenciado você, mas, em minha opinião, você mudou para melhor do comentário de 12/07/2009 às 23:49 para o comentário de 13/07/2009 às 12:37.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/07/2009
O Fábio decretou “FHC é um estadista, Lula um demagogo.”
É mais fácil os dois serem demagogos do que qualquer um estadista.
E mais, isso não está em questão aqui. Fugiu do foco do debate e já caiu na panfletagem desbragada.
Ivanisa,
Inadvertidamente não incluir entre as leituras que na minha opinião ajudaram no aperfeiçoamento (também em meu entendimento) da sua opinião o comentário de Marcio Flizikowski enviado em 13/07/2009 às 08:41.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/07/2009
Fabio
Concordo plenamente contigo, FHC teve seus erros, mas Lula é um demagogo com muita sorte, estava no lugar certo, na hora certa, com os acontecimentos certos, falando as bobgens certas e mesmo assim, lanterninha no crescimento, comparado a America Latina.
Clever, são vocês que melhoram os meus comentários. Democracia é isso: debate e participação. Não conheço o Marcio, somente me sustento na leitura de um argumento.
Aqui se chocam duas visões sobre a administração de um Estado. Os paises mais importantes com administrações mais sólidas, como a França, a Alemanha, a Inglaterra e os EUA adotram o sistema de quadros de carreira profissionais e estaveis como estrutura básica da máquina do Estado, ficando os dirigentes eleitos com a grande politica, o projeto estratégico, a divisão dos recursos e o rumo geral do Pais.
Os paises mais atrasados e quanto mais atrasado mais profunda é essa opção, preferem encher os cargos com a “companheirada” sem treinamento, experiencia ou capacidade mas que trocam sua incompetência pela lealdade. Os petistas de carteirinha escolhem claramente esse caminho, consideram um quadro de alto nivel como “conservador”, “elitista”, na linha do Kmer Rouge, se usa oculos é burgues, vamos acabar com ele. Os regimes bolivarianos seguem fortemente nessa direção, Chavez colocou na presidencia da PDVSA um motorista de onibus escolar, Rafael Ramirez. Toda a gerencia profissional da `PDVSA, de alta qualificação, foi demitida em duas levas, a 1ª em 2002, sairam mais de 2.000 executivos substituidos por tecnicos simpatizantes do chavismo. Estes tambem foram demitidos em um novo expurgo, em 2006, mesmo sendo chavistas, porque defendiam a empresa contra as doações de petroleo à Cuba (50.000 barris/dia) e a todos os paises aonde Chavez quer ter influencia.
A terceira leva agora está, como é obvio, levando a PDVSA à ruina total.
Por alguns comentários aqui postados ve-se que essa é a preferencia de um certo petismo atrasado, encher os Ministérios com companheiros, no lugar dos técnicos da “elite”, cujo conhecimento e preparo cria desconfiança nos ignorantes. O Governo Lula executou esse projeto em parte, em muitos ministérios há titulares e sua turma de baixissimo nivel intelectual, despreparo total. A unica coisa que acontece quando assumem é o uso de ternos e gravatas caras, mudança facil, , qualquer pé de chinelo que ganha na loteria sabe fazer.
Essa tendencia parece crescente, no primeiro Governo Lula o nivel geral era mais alto, agora esta caindo, cada vez mais sindicalistas estão preenchendo cargos de confiança, o Pais perde em todos os sentidos, na competencia, na atitude, na gana por mordomias, na boalidade geral da presença e da linguagem, um Pais que renega sua elite não tem futuro.
No passa tá cheio de oficiais. E o Brasil no buraco. Pagou FMI, Clube de Paris e as reservas aonde nunca estiveram. O mal do Brasil é ter muitos críticos e poucos criativos.
No passado só havia oficiais e o Brasil no “buraco”. Com 2 oficiais pagou o FMI, Clube de Paris e as reservas estão em níveis jamais vistos. Será que no Brasil não há mais críticos do que criativos?
Havendo idéias e ordens claras, eles cumprem. O problema é com que motivação. Qualquer subordinado que não concorde ou se identifique com os rumos ditados por seu superior executará as ordens com menor qualidade e eficiência. O problema é que no Estado existe algo denominado “política pública”. E é obrigação legal do “técnico” executá-lo da maneira mais eficiente possível. Afinal, essa é sua função legal. Não cabe a ele discordar da política pública adotada pelo governo da vez. Ao superior, cabe definir a política. Ao “técnico”, cabe executá-la.
Ao Garcia : Raciocinios simplizinhos servem para questões simplizinhas. O Brasil não pagou o FMI e não constitui reservas porque tinha dois oficiais geninhos. Foi por um processo mundial de criação de liquidez e multiplicação do preço das commodities. Se não vc acaba dizendo que no passado as pessoas eram mais fortes e não havia tantos remédios, portanto os remédios são inuteis, isso é conversa que se toca no balcão de um boteco entre um gole e outro, no blog precisa ter mais argumentos.
“Essa equipe é a mais fraca que já vi aqui. O debate está muito pobre. ” Nem a Mirian Leitão diria melhor. Este mesmo discurso apareceu no caso do IPEA, mais recentemente no caso da presidência do Banco do Brasil. Fulaninho tucaninho se acha o máximo, pensa que só ele sabe gerenciar e fica contrariado quando descobre que o Brasil não precisa dele para progredir e melhorar e sai então desqualificando o que está sendo feito.
A competência tucana vejo diariamente em São Paulo. Após 16 anos de excelência gerencial tucana, eis o que temos: 60 Kms de linha de metrô(São Paulo é a única garnde cidade do mundo que não tem um trem que vá até ao Aeroporto!); Educação nota Zero com alunos que saem da escola quase analfabetos e que serve uma merenda escolar de qunta categoria; sistema de transporte público deficente e insuficiente sem corredores exclusivos e com baixa integração; sistema de gerenciamento de trafego obsoleto incompatível com modernidade dos veículos,com a existência de uma frota antiga, e com o volume de veículos que circulam pela ruas; sistema de gerenciamento de tráfego obsoleto que não tem um esquema para a prevenção de acidentes, que utiliza mal os semáforos, que se limita a construir lombadas, rotatórias, contenções de todo o tipo e lança mão de um sistema de radares que atrapalha ainda mais o trânsito; sistema de Saúde precário que só não é pior por causa do SUS. O Estado de São Paulo é considerado o Estado com a melhor malha rodoviária do país, mas nenhuma rodovia foi construída pelos tucanos. Os tucanos só sabem vender rodovias e cobrar pedágios caros. Preciso falar da PM, da Polícia, dos Presídios, do PCC? E do Rodoanel? Milhares de anos depois ainda estamos no segundo trecho! E dos sistema de águas? Estamos importando água! Para completar o quadro sobre o primor que é a competência tucana, vamos falar do Brasil? Oito anos de FHC: país quebrado, crescimento pífio, comércio exterior uma mixaria, apagão, juros estratosféricos, pires na mão junto ao FMI, privatizações irresponsáveis.
Mas e a Lei de Responsabilidade Fiscal? Mas esta foi imposta pelo FMI. “Ou LRF ou não tem mais dinheiro novo”. Pronto. Nem precisei recorrer aos Cardeais Richelieu e Mazarin para argumentar.
Andre Araujo,
Boa a lembrança da burocracia da França e da Alemanha. Era a mesma sob Petain e sob Hitler ,sob De Gaulle e sob Adenauer. Um dia o Brasil chega lá. Principalmente se nós nos impregnarmos de um espírito cosmopolita e aculturado e não ficarmos com o ufanismo de que o nosso modelo, apesar de ter copiado muito da França e um pouco da Alemanha, é melhor, é claro.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/07/2009
Pelo que li, o Nelson Machado foi claro: dar opinião pode, mas a decisão tem que vir de cima, de quem foi eleito, dos políticos…acho que ele está correto.
Amigos,
chamar o discurso do governo anteruior de debate de idéias é um paradoxo uma vez qua tal período entrará na história como período classico do pensamento único, o chamado : Consenso de Wash……
Bom chefe é o que manda bem. Mau chefe é o centralizador. Sei que é fácil falar e dificil fazer, mas o dia que o serviço público aprender e quiser gerir recursos humanos, nosso pais tem um salto qualitativo enorme em todos os níveis.
Quem disse que servidores púbicos são essencialmente técnicos ? NÃo têm ideologias, não faz politica- partidária, não têm interesses diversos? Afinal, são apenas máquinas de calcular?
…a verdade dói….
Se opinião de técnicos fosse boa, o BCB não teria obtido atestado de
incompetência pela gestão da Selic nos últimos tempos.
Aviso aos navegantes:
Nao confundam execucao de politica de governo eleito com desrespeito a lei!
O governo eleito pode direcionar suas politicas como prometeu na eleicao, ok. Isso nao se discute. O caso e que isso nao lhe permite desrespeitar a lei vigente, do mesmo modo como fazem os ditadores (Porque o povo me elegeu, tudo posso!).
Se a lei nao atende aos anseios da politica de governo, que seja mudada, e nao desrespeitada. Caso contrario, continuaremos reeditando aquela velha historia, de que os fins justificam os meios e, ai, ja viu onde a coisa pode parar….