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12/07/2009 - 22:33

Choque de ideias na Fazenda

Atualizado

Por Alexandre Leite

Nassif, dê uma olhada nessa matéria:

Choque de ideias no Ministério da Fazenda

O repórter Ricardo Allan, do Correio Braziliense nos brinda com um bom e honesto debate sobre as políticas públicas desenvolvidas pelo ministério da Fazenda, a partir da posse do ministro Guido Mantega. Digo honesto, pois dá voz a todos os lados envolvidos e sem tentar ditar uma linha ideológica própria, deixa para o leitor a oportunidade de chegar às suas próprias conclusões. Jornalismo da melhor qualidade. Como leitor, destaco a afirmação do secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, segundo a qual, “se é para os técnicos ditarem os rumos da política econômica, para que haver eleição?”

[...] Um deles (técnico do ministério) elogia a formação econômica de Nelson Barbosa, mas se queixa do nível geral da cúpula da Fazenda. “Essa equipe é a mais fraca que já vi aqui. O debate está muito pobre. Não adianta nem tentar argumentar. O pacote já vem pronto e a gente só fica sabendo no dia do anúncio. Antes, tínhamos um papel na formulação das medidas. Ninguém reclama abertamente para não ser perseguido”, revela.

[...]“Falar em interdição de debate hoje é brincadeira. O que eles chamam de debate interditado eu chamo de resultado democrático das eleições. O Brasil escolheu uma orientação e isso se traduz nas ações do ministério. Os funcionários da casa devem seguir as diretrizes do governo. Podem obviamente opinar, contribuir e divergir, mas no fim do dia vale a opinião do governo eleito”, rebate o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa. Na visão dele, alguns funcionários estão desacostumados com a alternância de poder que deu fim ao “pensamento único” dominante na Fazenda por mais de uma década. “Se é para os técnicos ditarem os rumos da política econômica, para que haver eleição?” [...]

http://www.aleporto.com.br/blog.php?tema=6&post=1933

Comentário

Coisa de meus amigos paulistas. No Plano Cruzado houve a mesma coisa. Abriram mão de técnicos competentíssimos porque julgavam que eram alinhados com o governo anterior. Não entenderam que funcionário público é profissional, ainda mais em áreas de excelência, como a Fazenda. Havendo ideias e ordens claras, eles cumprem.

O Guido Mantega vai ter que acordar. Não dá para tocar projetos complexos tendo apenas dois oficiais (ainda que de alto nível): o Nelson Barbosa e o Nelson Machado.

Por Marcio Flizikowski

Caro Nassif a discussão é válida mas esconde por trás dela um detalhe sobre os cargos comissionados ocupados por profissionais de carreira (concursados). Esses cargos, normalmente, são os cargos intermediários e que também são de livre nomeação, mas ocupados pelos técnicos de carreira. O que acontece é que quem nomeia os profssionais para esses cargos intermediários é o profissional em cargo de livre nomeação, normalmente escolhido de acordo com seu posicionamento político. Ou seja, do governo no poder no momento. Na mudança de um governo para outro, a renomeação dos cargos intermediários leva tempos e algumas vezes, até o próprio período inteiro de mandato do atual governante,

Aí temos o conflito. Os técnicos que ocupam posições intermediárias, com certa influência no poder decisória e que ainda estão alinhados com as políticas da gestão anterior, e os novos comandantes, que possuem uma política de gestão nova, de acordo com o governante de plantão no momento.

Além disso, existe a questão dos ‘favores’ indiretos. Os intermediários alinhados com o governo anterior, normalmente possuíam algumas regalias que agora não desfrutam mais e por isso entram em choque com os gestores atuais.

Não é só na fazenda. Nas agências reguladoras está ocorrendo este choque. Até a gestão FHC, as agências estavam populadas por servidortes cedidos de outros órgãos, contratos temporários e terceirizados. Com o governo Lula, iniciou-se o processo de concursos e a mudança de gestores. Muitos servidores antigos começaram a entrar em conflito com as nova políticas adotadas e reclamar que as decisões passaram a ser impostas de cima para baixo sem que eles fossem ouvidos.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags: , ,

53 comentários para “Choque de ideias na Fazenda”

  1. Andre Araujo disse:

    Aqui se chocam duas visões sobre a administração de um Estado. Os paises mais importantes com administrações mais sólidas, como a França, a Alemanha, a Inglaterra e os EUA adotram o sistema de quadros de carreira profissionais e estaveis como estrutura básica da máquina do Estado, ficando os dirigentes eleitos com a grande politica, o projeto estratégico, a divisão dos recursos e o rumo geral do Pais.
    Os paises mais atrasados e quanto mais atrasado mais profunda é essa opção, preferem encher os cargos com a “companheirada” sem treinamento, experiencia ou capacidade mas que trocam sua incompetência pela lealdade. Os petistas de carteirinha escolhem claramente esse caminho, consideram um quadro de alto nivel como “conservador”, “elitista”, na linha do Kmer Rouge, se usa oculos é burgues, vamos acabar com ele. Os regimes bolivarianos seguem fortemente nessa direção, Chavez colocou na presidencia da PDVSA um motorista de onibus escolar, Rafael Ramirez. Toda a gerencia profissional da `PDVSA, de alta qualificação, foi demitida em duas levas, a 1ª em 2002, sairam mais de 2.000 executivos substituidos por tecnicos simpatizantes do chavismo. Estes tambem foram demitidos em um novo expurgo, em 2006, mesmo sendo chavistas, porque defendiam a empresa contra as doações de petroleo à Cuba (50.000 barris/dia) e a todos os paises aonde Chavez quer ter influencia.
    A terceira leva agora está, como é obvio, levando a PDVSA à ruina total.
    Por alguns comentários aqui postados ve-se que essa é a preferencia de um certo petismo atrasado, encher os Ministérios com companheiros, no lugar dos técnicos da “elite”, cujo conhecimento e preparo cria desconfiança nos ignorantes. O Governo Lula executou esse projeto em parte, em muitos ministérios há titulares e sua turma de baixissimo nivel intelectual, despreparo total. A unica coisa que acontece quando assumem é o uso de ternos e gravatas caras, mudança facil, , qualquer pé de chinelo que ganha na loteria sabe fazer.
    Essa tendencia parece crescente, no primeiro Governo Lula o nivel geral era mais alto, agora esta caindo, cada vez mais sindicalistas estão preenchendo cargos de confiança, o Pais perde em todos os sentidos, na competencia, na atitude, na gana por mordomias, na boalidade geral da presença e da linguagem, um Pais que renega sua elite não tem futuro.

  2. Garcia disse:

    No passa tá cheio de oficiais. E o Brasil no buraco. Pagou FMI, Clube de Paris e as reservas aonde nunca estiveram. O mal do Brasil é ter muitos críticos e poucos criativos.

  3. Garcia disse:

    No passado só havia oficiais e o Brasil no “buraco”. Com 2 oficiais pagou o FMI, Clube de Paris e as reservas estão em níveis jamais vistos. Será que no Brasil não há mais críticos do que criativos?

  4. Jota Eme disse:

    Havendo idéias e ordens claras, eles cumprem. O problema é com que motivação. Qualquer subordinado que não concorde ou se identifique com os rumos ditados por seu superior executará as ordens com menor qualidade e eficiência. O problema é que no Estado existe algo denominado “política pública”. E é obrigação legal do “técnico” executá-lo da maneira mais eficiente possível. Afinal, essa é sua função legal. Não cabe a ele discordar da política pública adotada pelo governo da vez. Ao superior, cabe definir a política. Ao “técnico”, cabe executá-la.

  5. Andre Araujo disse:

    Ao Garcia : Raciocinios simplizinhos servem para questões simplizinhas. O Brasil não pagou o FMI e não constitui reservas porque tinha dois oficiais geninhos. Foi por um processo mundial de criação de liquidez e multiplicação do preço das commodities. Se não vc acaba dizendo que no passado as pessoas eram mais fortes e não havia tantos remédios, portanto os remédios são inuteis, isso é conversa que se toca no balcão de um boteco entre um gole e outro, no blog precisa ter mais argumentos.

  6. José Ayres Lopes disse:

    “Essa equipe é a mais fraca que já vi aqui. O debate está muito pobre. ” Nem a Mirian Leitão diria melhor. Este mesmo discurso apareceu no caso do IPEA, mais recentemente no caso da presidência do Banco do Brasil. Fulaninho tucaninho se acha o máximo, pensa que só ele sabe gerenciar e fica contrariado quando descobre que o Brasil não precisa dele para progredir e melhorar e sai então desqualificando o que está sendo feito.
    A competência tucana vejo diariamente em São Paulo. Após 16 anos de excelência gerencial tucana, eis o que temos: 60 Kms de linha de metrô(São Paulo é a única garnde cidade do mundo que não tem um trem que vá até ao Aeroporto!); Educação nota Zero com alunos que saem da escola quase analfabetos e que serve uma merenda escolar de qunta categoria; sistema de transporte público deficente e insuficiente sem corredores exclusivos e com baixa integração; sistema de gerenciamento de trafego obsoleto incompatível com modernidade dos veículos,com a existência de uma frota antiga, e com o volume de veículos que circulam pela ruas; sistema de gerenciamento de tráfego obsoleto que não tem um esquema para a prevenção de acidentes, que utiliza mal os semáforos, que se limita a construir lombadas, rotatórias, contenções de todo o tipo e lança mão de um sistema de radares que atrapalha ainda mais o trânsito; sistema de Saúde precário que só não é pior por causa do SUS. O Estado de São Paulo é considerado o Estado com a melhor malha rodoviária do país, mas nenhuma rodovia foi construída pelos tucanos. Os tucanos só sabem vender rodovias e cobrar pedágios caros. Preciso falar da PM, da Polícia, dos Presídios, do PCC? E do Rodoanel? Milhares de anos depois ainda estamos no segundo trecho! E dos sistema de águas? Estamos importando água! Para completar o quadro sobre o primor que é a competência tucana, vamos falar do Brasil? Oito anos de FHC: país quebrado, crescimento pífio, comércio exterior uma mixaria, apagão, juros estratosféricos, pires na mão junto ao FMI, privatizações irresponsáveis.
    Mas e a Lei de Responsabilidade Fiscal? Mas esta foi imposta pelo FMI. “Ou LRF ou não tem mais dinheiro novo”. Pronto. Nem precisei recorrer aos Cardeais Richelieu e Mazarin para argumentar.

  7. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Andre Araujo,
    Boa a lembrança da burocracia da França e da Alemanha. Era a mesma sob Petain e sob Hitler ,sob De Gaulle e sob Adenauer. Um dia o Brasil chega lá. Principalmente se nós nos impregnarmos de um espírito cosmopolita e aculturado e não ficarmos com o ufanismo de que o nosso modelo, apesar de ter copiado muito da França e um pouco da Alemanha, é melhor, é claro.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 13/07/2009

  8. Daniel disse:

    Pelo que li, o Nelson Machado foi claro: dar opinião pode, mas a decisão tem que vir de cima, de quem foi eleito, dos políticos…acho que ele está correto.

  9. Romulo disse:

    Amigos,
    chamar o discurso do governo anteruior de debate de idéias é um paradoxo uma vez qua tal período entrará na história como período classico do pensamento único, o chamado : Consenso de Wash……

  10. Seu creyson disse:

    Bom chefe é o que manda bem. Mau chefe é o centralizador. Sei que é fácil falar e dificil fazer, mas o dia que o serviço público aprender e quiser gerir recursos humanos, nosso pais tem um salto qualitativo enorme em todos os níveis.

  11. Jeronimo disse:

    Quem disse que servidores púbicos são essencialmente técnicos ? NÃo têm ideologias, não faz politica- partidária, não têm interesses diversos? Afinal, são apenas máquinas de calcular?

  12. Aleixo disse:

    …a verdade dói….

    Se opinião de técnicos fosse boa, o BCB não teria obtido atestado de
    incompetência pela gestão da Selic nos últimos tempos.

  13. Burocrata Esclarecido disse:

    Aviso aos navegantes:
    Nao confundam execucao de politica de governo eleito com desrespeito a lei!
    O governo eleito pode direcionar suas politicas como prometeu na eleicao, ok. Isso nao se discute. O caso e que isso nao lhe permite desrespeitar a lei vigente, do mesmo modo como fazem os ditadores (Porque o povo me elegeu, tudo posso!).
    Se a lei nao atende aos anseios da politica de governo, que seja mudada, e nao desrespeitada. Caso contrario, continuaremos reeditando aquela velha historia, de que os fins justificam os meios e, ai, ja viu onde a coisa pode parar….

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