O Blog da mídia
Sarney é Sarney desde que entrou na política. O que armou e aprontou depois de deixar a presidência é de conhecimento amplo da mídia e estava ao alcance desde as primeiras aventuras, ainda mais se tratando de um ex-presidente – o que justificaria o interesse jornalístico.
Nada se fez durante vinte anos. Permitiram-se abusos no Amapá, no Maranhão, permitiram que sua influência abatesse governadores eleitos, derrubados por motivos menores. Os ecos de suas aventuras rodavam todas as redações, desde as estripulias de Jorge Murad e Saulo Ramos, no seu governo, à ligação permanente com Edemar Cid Ferreira ou o escândalo da Cemar.
Mesmo assim, durante décadas mereceu todo o cuidado por parte da imprensa, e um carinho e proteção especial da Folha. O Otavinho sabe a razão.
Agora, esse tiroteio infindável contra ele não tem razões nobres. A mídia fez o mesmo em todos os momentos anteriores da vida nacional. Cria o clima, levanta a bola de quem quiser se apresentar como o vingador e vai gerando fatos, tirando os escândalos que lhe interessam da gôndola do supermercado e mandando bala.
Os verdugos de Collor apareceram na CPI das Empreiteiras. O Catão de hoje é o mandrião de amanhã. E, em todos os momentos, são meramente peças que servem ao jogo de poder da mídia. Para se ter uma ideia desse jogo limpo e asséptico, o Catão do momento é Arthur Virgílio, ator tão completo que é capaz de se escandalizar com aquilo que ele mesmo pratica.
Esse é o ponto central.
Hoje em dia o maior poder do país, aquele sem o menor limite, sem os contrapesos fundamentais da prática democrática, se chama mídia. Ela é a única capaz de intimidar o Judiciário, o Executivo, assassinar reputações. O caso da Veja foi apenas uma amostra desse jogo. Juízes que se colocam contra, desembargadores, ministros, políticos, são fuzilados inapelavelmente. Bastava uma fonte não se mostrar de boa vontade para ser fuzilada com adjetivos ou com factóides. Nem se fale dos interesses maiores, expostos agora nesse lamaçal em que se tornou o gasto com Educação de diversos estados – que passaram a adquirir maciçamente material de editoras jornalísticas como compra de proteção.
O caso Satiagraha acabou sendo o retrato acabado da impunidade no grande jogo de informações acoplado a negócios.
Não havia limites para esse poder até o florescimento de novas mídias, da era da informação, criando um paradoxo curioso: se o Senado se tornar transparente, se se moralizar, se abrir suas contas, o país ganha e a mídia perde. Seu poder reside na falta de transparência da sociedade. É o que permite a ela se tornar “dona” da informação, selecionando as que melhor lhe convem ou editando de acordo com suas conveniências. É por isso que todas as campanhas midiáticas visam pessoas e escândalos pontuais – levantados de acordo com as conveniências do momento – e não mudanças capazes de impedir a perpetuação do erro.
Qual seria o poder da mídia em ambientes transparentes, onde não desse para armazenar escândalos e utilizá-los em benefício do seu jogo político particular? Qual seria o poder se, de repente, instituições assumissem seus erros, mas enfrentassem a mídia sem medo?
O caso Petrobras é emblemático e cria uma dinâmica fantástica, no bojo da Internet.
Com seu Blog, a Petrobras se amarrou a um compromisso: o de não mais deixar perguntas sem respostas. Internamente, significará o fim dos feudos, a obrigação de todos os departamentos de fornecer a informação solicitada.
Esse modelo vai se expandir, se expandir até chegar na mídia. É inexorável. Quando chegar, alguns grupos jornalísticos terão condições de abrir o jogo, de responder às dúvidas dos leitores?
Hoje em dia, o conjunto de conhecimento acumulado na Internet é maior do que aquele controlado pela mídia. O mundo mudou. A mídia terá que mudar.
Aí cada jornal terá que criar seu Blog, não apenas para discutir suas matérias, mas seus interesses empresariais ou políticos por trás de cada campanha.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Blogs, Mídia Tags: Blog Mídia, Blog Petrobras, informação

Nassif, até quando essa mídia de métodos arcaicos irá se render ou suportará o advento de tecnologias modernas?
é, blogueiro sofre
‘nóis sofre, mas nóis goza’, já diz o Simão
Nassif,
Conta o que voce sabe do Otavinho?
Respondendo à pergunta do Nassif, diria que o poder da mídia num ambiente de transparência, poderia ser um poder do bem. Que é aquele que advém da credibilidade. Se ela se comprometesse em bem informar o leitor. Que desse voz tanto aos acusadores quanto aos acusados, revelando todos os lados da história. Que abrisse o mesmo espaço para opiniões contrárias. Que tivesse como colunistas, gente gabaritada e com liberdade para expor sua opinião. Tudo isso, sem excluir assumir posições em seus editoriais. Junta-se isso à capacidade financeira de investir em reportagens e correspondentes internacionais, e tem se um veículo de comunicação imprescindível para o cidadão. O poder então viria desse fato, o de ser fundamental. Mas eles preferem apostar no poder da chantagem. Daí entre em choque com a democracia e sua necessidade de transparência
Dear Mr. Jake Lynch
Congratulations for your outstanding report on the matter. I do really agree with your commentary too. Nevertheless, one should bear in mind that unfortunately it is kind of a Human proclivity to always see the dark side of the Moon and to produce emotional instability on politically/scientifically untaught people. “Nowadays the Media is what the Sword was during the “
Ao Villegnon eu diria que a mídia está ficando broxa, sim. Isso porque recusa-se a rejuvenescer. Por isso está perdendo a parada para a jovem e viril blogosfera
O problema é que querem derrubar só o Sarney, têm que por para fora todos, não me parece justo escolher um e relevar os outros.
Fecha o congresso e o senado e apura as irregularidades, para isso eleja-se uma constituinte de emergência, sem políticos profissionais, para fazer a faxina.
Pior do que está não ia ficar.
Nassif:
Na minha modesta opinião a grande mídia nacional afundou-se num lamaçal sem limites. Não tem mais jeito. É ida sem volta.
Ja imaginou a mudança que teriam que promover???? Da água para o vinho. E o tempo? Com o avanço avassalador da Internet (blogosfera, sites,orkut, etc., etc.), o tempo é o maior inimigo da “tchurma”. Não acredito em mudança pois como dizia minha avó Cotinha: É muito dificil mudar burro velho. A revolução silenciosa que hora experimentamos, com a Internet, é irrversível e, acima de tudo, extremamente salutar. Nassif: Os responsáveis na condução das informações e análises somos nós, os do mause e do teclado e não dá mais para ser diferente.
Fernando Curi (Curitiba)
Mr. Lynch!
I wanna mean : Nowadays ,”The Media ” stands for what The Sword used to mean during the “CRUSADES”. Tks
excelente resumo da história da imprensa brasileira, na minha opinião feita de muitas chantagens e luta pelo poder econômico e político..
a mídia é folhetinesca, detetivesca e, seguno Cony em seu artigo na folha do dia 9, é guilhotinesca (expressão que assustou-me pela coragem com que ele assume os equívocos da imprensa),
Os jornalistas “estenderam sobre a sociedade uma teia assombrosa que absorve denúncias vindas de fontes anônimas, lembrando os comitês de salvação pública da Revolução Francesa que alimentaram de sangue a guilhotina nos anos do terror.”
O artigo do dia 9 na Folha de São Paulo do escritor Carlos Heitor Cony corajosamente expõe a força descomunal da imprensa no Brasil. Confessa que vários segmentos sociais sentem desconforto (certamente um eufemismo) em relação à atuação detetivesca da grande mídia que lembra “1984″, de Orwel
CARLOS HEITOR CONY
Eu, pecador, me confesso
RIO DE JANEIRO – Antes, no melhor das festas, se alguém duvidasse, a imprensa já era tida como quarto poder, uma instituição que exercia um poder paralelo. Na verdade, não é um poder, mas uma força. Com as novas técnicas de comunicação e com a sacralidade das fontes, ela se transformou no escoadouro dos descontentamentos (lícitos ou não), dos ressentimentos (pessoais ou grupais), das pressões e compressões de uma sociedade heterogênea que inclui desde índios e menores inimputáveis até políticos e empresários que podem roubar.
Esse caldo em ebulição seria a matéria que justificaria a existência e a expressão do Estado que, no caso brasileiro, antecedeu a Nação.
Abriu-se um vácuo e, nele, a força da comunicação encontrou o seu espaço. E o fez com exuberante boa vontade. Não é a vida nacional que pauta a imprensa. É a imprensa que pauta a vida nacional, através de seus órgãos mais excitáveis.
Dá a régua e o compasso. A classe política empacou, ataca e se defende a esmo, desarticuladamente, de acordo com a direção e a intensidade dos petardos que recebe.
Mas quem acusa a imprensa? Quem se atreve a mostrar e demonstrar que o gigante também tem, como todos os gigantes, os seus pés de barro? Há desconforto em todas as classes, juízes, militares, empresários e policiais em relação aos jornalistas. Eles se transformaram em detetives, em esmiuçadores de contas de luz e telefone, de depósitos bancários, declarações de Imposto de Renda, despesas nos postos de gasolina e nas agências dos Correios.
Estenderam sobre a sociedade uma teia assombrosa que absorve denúncias vindas de fontes anônimas, lembrando os comitês de salvação pública da Revolução Francesa que alimentaram de sangue a guilhotina nos anos do terror.
(ACHO QUE O CONY SÓ ESQUECEU DE CITAR OS MAIS PREJUDICADOS PELA GRANDE MÍDIA, OS MOVIMENTOS SOCIAIS E POPULARES COMO O MST, POR EXEMPLO, SINDICATOS,PARTIDOS POLÍTICOS QUE NÃO ACEITAM A PAUTA SELETIVA DESSA MÍDIA DITA GOLPISTA).
Nassif,
Entendo, também, que a estratégia da grande mídia está orientada pela disputa presidencial em 2010 e pelo fator Serra, como diz. Trata-se, claro, de estratégia articulada com a oposição, no congresso. Um (mídia) precisa do outro (oposição) para complementar o jogo.
Mas, correndo o risco de estar falando um monte de besteiras, não parece uma estratégia frágil tendo em vista o objeto que se pretende alcançar? Porque pergunto isto. Vejamos.
A participação de alguns setores da oposição no massacre a Sarney pode impulsionar de vez o PMDB para a aliança com o PT em 2010, fortalecendo a candidatura governista, mesmo considerando as inúmeras fraturas entre os pemedebistas?
O PSDB é desejoso de uma aproximação com o PMDB para 2010? Mas compartilha deste desejo o DEM? Não estaria o DEM numa posição desprivilegiada, se isto se confirmasse?
Em sendo afirmativas as pergundas acima, não seria uma estratégia conflituosa, o ataque a Sarney, entre os que a compram dentro do DEM e do PSDB? O DEM não estaria ganhando mais no jogo, ao afastar cada vez mais o PMDB do PSDB?
Às vezes penso que o PSDB, com Artur Virgilio à frente, tem um único propósito: descontruir Lula. Mas não uma desconstrução puramente eleitoral, mas uma desconstrução simbólica, como necessidade implacável da vontade de FHC. Como que para obter um reparo da história, já que sua (FHC) imagem não será das melhores, seria obrigatório o fracasso histórico do Lula. Parece que esta possibilidade de comparação, entre Lula e FHC, com o resultado que conhecemos, corrói FHC e comanda toda a agenda do PSDB.
Parece que o partido virou um tentáculo enlouquecido de um espírito vaidoso, quase doentio.
De minha parte não me interessa quem ta colocando guizo no gato,contanto que eu me livre dele.O sarney ja deveria ter sido cassado quando era presidente,se não foi possivel na epoca que seja agora,pois este individuo só esta la para segurar seu familiares mamando nas tetas da viuva.
2010 esta chegando, espero que o povo coloque todos eles para fora , assim quem entrar vai ficar esperto, e vão com certeza parar de se lixar para a opinião publica.
Existem leitores bissextos do blog, que pegam o bonde andando e ainda querem sentar na janelinha. Aí o blogueiro sofre…
Pessoas esclarecidas inteligentes e com um mínimo de senso crítico não deveriam discutir Sarney e seus pecados.
Deveríamos estar debatendo, como o texto do Nassif e de outros jornalistas independentes sugere, a causa (busca da ingovernabilidade até 2010) e não o efeito (queda do Sarney).
Sua queda agora, neste momento interessa a pouquíssimas pessoas (ex-aliados) e prejudica e muito ao País. Só não enxerga quem age como massa de manobra…
Nassif, concordo plenamente com a postagem. Tanto que copiei e colei no meu – dando os devidos créditos -, claro.
Mas, acrescento uma coisinha mais. É que dependendo de quem diz ou escreve uma coisa, a repercussão é muito diferente. Alguns exemplos:
1- No dia 22/05/2006 um sujeito disse que a Dilma Rousseff seria nossa proxima presidente – riram dele -.
2- Lula chamou a Dilma de “Mãe do PAC”…
3- O mesmo sujeito faz tempo que afirma a Muié vai vencer no 1º turno – nada -.
4- O sujeitinho diz que Serra amarelou e não vai concorrer a presidência em 2010 – blog e twitter -.
5- Mauricio diz a mesma coisa na CartaCapital – repercute -.
6- O sujeitinho publica nome de jornalistas(?) pagos pelo DvD – é precipitado e banido da sua comunidade -.
7- O ministerio publico abre processo contra alguns destes jornalistas – investigou -.
Nassif, daria uma serie… Blogueiro desconhecido.
Quem duvidar do que afirmei aqui, pesquisa “Briguilinas” , lá encontrará algumas provas. Outras estão no Twitter. http://twitter.com/Briguilino
Sarney tem raiva do Serra desde o caso Lunus. A mídia o está emparedando, a medida que se aproxima uma eleição em que ela está comprometida com Serra.
Mas é apenas isso, Nassif, que leva a mídia a tirar da prateleira essas sujeiras antigas?
Pergunto porque tenho dúvidas da capacidade real de Sarney fazer muito estrago na candidatura Serra. Atualmente, quem faz mais estragos na candidatura Serra é ele mesmo, na minha opinião.
Caro Nassif
Estarias por um acidente, mero acaso, também a se referir ao Serra, com a assinatura dos jornais FSP, Estadão; das revistas, Veja, Época?! “Nem se fale dos interesses maiores, expostos agora nesse lamaçal em que se tornou o gasto com Educação de diversos estados – que passaram a adquirir maciçamente material de editoras jornalísticas como compra de proteção.” Pois tem gente que acredita que é para melhorar a Educação.
Você foi no osso mesmo. Lavou minha’lma.
Saudações
Me permita discordar Nassif, aliais discordo no tempo em que a mudança virá, o que esta acontecendo agora é que se tornou ainda mais vital derrubar o Sarney.
A lógica diz que essa operação esta montada visando 2010, a midia que ataca, não faz por ideologia, faz por interesses menores, os mesmos que condena no Sarney, vide o caso das assinaturas para as escolas paulistas.
Então hoje existe um mercado de “assassinos profissionais de reputação”, os orgãos de imprensa são verdadeiros “exercitos mercenarios”, os “assassinos” precisam dos “exércitos” e vice versa, afinal não da para imaginar alguns escrevendo sobre outra coisa a não ser o lixo fazem, vide o Reinaldo Azevedo.
Então é necessário acabar o serviço, afinal o poder de fogo esta quase todo concentrado em uma figura só! a Dora Kramer e Lucia Hipolito já estão cansando de falar que a situação do Sarney é insustentável e Noblat ta escrevendo tanto “Deu no…” que chegou a escrever um texto onde dizia que o Sarney era fruto do meio e a saida era a unica forma de salvar sua reputação!! Se o cara escapa o que vai ser desses caras e esquemas????
Sarney deve “morrer” e as fontes paralelas de informação ignoradas, no caso a internet fora dos esquemas da grande midia, vide novamente o Noblat, Miriam Leitão e Sardenberg, que tem filtros nos blogs para evitar os “chatos”.
Existe um cartucho que ainda não foi usado, o poder judiciário não usou as denuncias para abrir processo contra Sarney… será que é demais?
Chamar repetidas vezes o interlocutor de pedante também não é lá muito sofisticado. Você precisa variar seu repertório de ofensas, senão fica maçante.
Apesar de todo o tiroteio da mídia contra o Protógens, como explicar essa verdadeira adoração do povo por ele?
Seria por causa da Blogosfera? Haveria outras razões?
Tô começando a acreditar que não somos burros, nós, o povo.
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3868348-EI13528,00-Santos+fortes+do+delegado+Protogenes.html
Santos fortes do delegado Protógenes
Reprodução
A Operação Satiagraha, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, virou um caso emblemático, avalia jornalista
A Operação Satiagraha, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, virou um caso “emblemático”, avalia jornalista
Vitor Hugo Soares
De Salvador (BA)
No Dois de Julho o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, foi a sensação do grande desfile cívico e popular realizado em Salvador, na data magna da Bahia. Ele deixou no chinelo o governador Jaques Wagner (PT), o ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), o prefeito João Henrique (PMDB) e o ex-governador carlista Paulo Souto(DEM), entre outros políticos renomados da terra – do governo e da oposição.
Veja também:
» Opine aqui sobre a Operação Satiagraha da Polícia Federal
» MPF denuncia Dantas e o vincula ao “mensalão”
» Protógenes: Satiagraha dividiu Brasil em dois
» Operações de Daniel Dantas, Roberto Amaral e a mídia
» MPF pede inquérito sobre ligação de Greenhalgh com Satiagraha
Protógenes percorreu quilômetros a pé sob aplausos e gestos efusivos da multidão nas ruas e das famílias nas sacadas dos casarões históricos durante o cortejo aos heróis simbólicos da batalha da independência nos cerros de Pirajá, em 1823. A consagração veio no Pelourinho, onde o delegado recebeu, de joelhos, a saudação dos integrantes do Olodum, que tocaram tambores para ele em formação especial, algo raro de ver.
Desde então é difícil encontrar no País alguém mais contente que Protógenes. Ele próprio atribui esse estado de felicidade pessoal a motivos de fé: religiosa, moral e cívica. O homem que há um ano conduziu a Operação Satiagraha e prendeu, entre outros, o conterrâneo Dantas Dantas – banqueiro-mor do Grupo Opoortunity – é católico praticante, devoto de São Bento e do Senhor do Bonfim, cujas medidas não tira do braço por nada.
Sincrético, nascido no seio de família com um pé nas sacristias e outro nos terreiros, Protogenes foi recebido também em um dos templos mais sagrados do candomblé de sua terra. Ali teve a confirmação de que é protegido de Xangô, guerreiro poderoso do reino dos orixás que adora desafios.
Saiu da visita quase em estado de levitação, segundo testemunhas confiáveis. Esta seria uma das principais razões do atual estado de espírito e do moral elevado exibido por Protógenes ultimamente. Mas não é o único, podem apostar. Basta ler a entrevista do delegado na revista virtual Terra Magazine, postada na quarta-feira (8/7) na passagem do primeiro ano da Operação Satiagraha, para tirar essa conclusão.
O devastador evento político-policial que virou o país de cabeça para baixo segue emblemático em seus desdobramentos, como se vê pela denúncia criminal apresentada pelo Procurador da República Rodrigo de Grandis, na sexta-feira, 03, contra o banqueiro Daniel Dantas e mais 13 pessoas envolvidas. Eis aí causa mais concreta e explícita para explicar a euforia destes dias de Protógenes Queiroz.
Isso se revela a cada resposta do delegado à repórter Marcela Rocha, na conversa em que o delegado avalia os desdobramentos das investigações que ele conduziu na fase mais crucial, até ser abrupta e injustificadamente afastado pelo novo comando da corporação a que pertence. Os motivos estão ainda submersos, mas provavelmente ainda virão à tona, como outras estranhas transações (para dizer o mínimo) deste caso.
Os fatos mais recentes revelam que o filho de Xangô não só é bom de briga e sabe nadar bem, como parece ter a proteção atenta de santos e orixás poderosíssimos. Assim, no primeiro aniversário da Satiagraha, ele pode afirmar na TM, que não teria feito nada diferente do que fez. Para Protógenes a denúncia do procurador De Grandis, esta semana, não é diferente da primeira, como alguns afirmam. Ao contrário, confirma integralmente os crimes antes apontados por ele.
“Inclusive o procurador foi muito feliz ao requisitar, com urgência, a instauração de três novos procedimentos, em especial o da BrOi, que já era para ter sido instaurado no ano passado, porque eu requisitei que a PF prosseguisse, mas isso não foi feito. O MP, segundo o delegado, teve grande lucidez em razão das provas levantadas, que apontam a autoria de fraude e participação de várias pessoas no esquema da BrOi”, entre elas o advogado e ex-deputado petista Luis Eduardo Greenhaalg e o advogado e ex-ministro Mangabeira Unger, que inesperadamente deixou o governo Lula e voou de volta para a sua cadeira mais tranqüila e segura, na Faculdade de Direito de Harvard.
Quanto ao fato de ter aberto um novo capítulo sobre a mídia na operação Satiagraha, o delegado também não se arrepende de nada. Ao contrário, afirma estar cada vez mais convencido de que a relação do banqueiro Daniel Dantas e do grupo dele com setores da mídia “é uma relação espúria e criminosa, como foi desde o início apontado na investigação. Foi mostrada a relação que ele (DD) tinha com determinados jornalistas… Entendo que tem que aprofundar essa questão”, conclui o delegado.
Neste domingo (12), à meia noite (que pena o horário tão tarde), na católica Rede Vida de Televisão, o feliz delegado Protógenes Queiroz dará entrevista também no programa de Kennedy Alencar. Mais “chumbo grosso” a caminho, pois munição o delegado não esconde que ainda tem de sobra. Que o Senhor do Bonfim, São Bento e Xangô reforcem a guarda de seu protegido.
Ele precisa, e merece.