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11/07/2009 - 10:25

O Blog da mídia

Sarney é Sarney desde que entrou na política. O que armou e aprontou depois de deixar a presidência é de conhecimento amplo da mídia e estava ao alcance desde as primeiras aventuras, ainda mais se tratando de um ex-presidente – o que justificaria o interesse jornalístico.

Nada se fez durante vinte anos. Permitiram-se abusos no Amapá, no Maranhão, permitiram que sua influência abatesse governadores eleitos, derrubados por motivos menores. Os ecos de suas aventuras rodavam todas as redações, desde as estripulias de Jorge Murad e Saulo Ramos, no seu governo, à ligação permanente com Edemar Cid Ferreira ou o escândalo da Cemar.

Mesmo assim, durante décadas mereceu todo o cuidado por parte da imprensa, e um carinho e proteção especial da Folha. O Otavinho sabe a razão.

Agora, esse tiroteio infindável contra ele não tem razões nobres. A mídia fez o mesmo em todos os momentos anteriores da vida nacional. Cria o clima, levanta a bola de quem quiser se apresentar como o vingador e vai gerando fatos, tirando os escândalos que lhe interessam da gôndola do supermercado e mandando bala.

Os verdugos de Collor apareceram na CPI das Empreiteiras. O Catão de hoje é o mandrião de amanhã. E, em todos os momentos, são meramente peças que servem ao jogo de poder da mídia. Para se ter uma ideia desse jogo limpo e asséptico,  o Catão do momento é Arthur Virgílio, ator tão completo que é capaz de se escandalizar com aquilo que ele mesmo pratica.

Esse é o ponto central.

Hoje em dia o maior poder do país, aquele sem o menor limite, sem os contrapesos fundamentais da prática democrática, se chama mídia. Ela é a única capaz de intimidar o Judiciário, o Executivo, assassinar reputações. O caso da Veja foi apenas uma amostra desse jogo. Juízes que se colocam contra, desembargadores, ministros, políticos, são fuzilados inapelavelmente. Bastava uma fonte não se mostrar de boa vontade para ser fuzilada com adjetivos ou com factóides. Nem se fale dos interesses maiores, expostos agora nesse lamaçal em que se tornou o gasto com Educação de diversos estados – que passaram a adquirir maciçamente material de editoras jornalísticas como compra de proteção.

O caso Satiagraha acabou sendo o retrato acabado da impunidade no grande jogo de informações acoplado a negócios.

Não havia limites para esse poder até o florescimento de novas mídias, da era da informação, criando um paradoxo curioso: se o Senado se tornar transparente, se se moralizar, se abrir suas contas, o país ganha e a mídia perde. Seu poder reside na falta de transparência da sociedade. É o que permite a ela se tornar “dona” da informação, selecionando as que melhor lhe convem ou editando de acordo com suas conveniências. É por isso que todas as campanhas midiáticas visam pessoas e escândalos pontuais – levantados de acordo com as conveniências do momento – e não mudanças capazes de impedir a perpetuação do erro.

Qual seria o poder da mídia em ambientes transparentes, onde não desse para armazenar escândalos e utilizá-los em benefício do seu jogo político particular? Qual seria o poder se, de repente, instituições assumissem seus erros, mas enfrentassem a mídia sem medo?

O caso Petrobras é emblemático e cria uma dinâmica fantástica, no bojo da Internet.

Com seu Blog, a Petrobras se amarrou a um compromisso: o de não mais deixar perguntas sem respostas. Internamente, significará o fim dos feudos, a obrigação de todos os departamentos de fornecer a informação solicitada.

Esse modelo vai se expandir, se expandir até chegar na mídia. É inexorável. Quando chegar, alguns grupos jornalísticos terão condições de abrir o jogo, de responder às dúvidas dos leitores?

Hoje em dia, o conjunto de conhecimento acumulado na Internet é maior do que aquele controlado pela mídia. O mundo mudou. A mídia terá que mudar.

Aí cada jornal terá que criar seu Blog, não apenas para discutir suas matérias, mas seus interesses empresariais ou políticos por trás de cada campanha.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Blogs, Mídia Tags: , ,

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119 comentários para “O Blog da mídia”

  1. Vivi disse:

    Concordo contigo, Nassif. Espero mesmo que essa “nova era” chegue logo para que possamos respirar melhor… Chega de esgoto!

  2. Nilson Fernandes disse:

    Que privilégio, todos os dias jogam a folha dentro da minha casa sem assinar.

  3. zuleica disse:

    LN
    Post curto e certeiro. Sempre achei

  4. lp disse:

    Excelente comentario.

    Agora vamos aproveitar que a midia quer derrubar o Sarney e derruba-lo de vez. Afinal de contas este tipinho, e outros tantos, precisam ser varridoS (por favor, varrer no caso nao tem nada nenhuma ligacao com outro tipinho chamado Janio Quadros) do cenario nacional.

    Sem perder foco e energia, afinal de contas tirar Sarney e muito importante. Podemos discutir como a midia e a internet podem fazer a sociedade ser melhor ao mesmo tempo.

    Por sinal, ja que voce estave na Folha nos ultimos 20 anos, e sabe muito bem o por que do carinho especial pelos Sarney, DIVULGUE ! ! ! Nao e voce que esta pedindo transparencia ?

    Se voce tambem sabe detalhes das artimanhas do Sarney, pois frequentou as redacoes neste ultimos 20 anos. DIVULGUE ! ! !

    Gostaria de saber se o Sarney nao apoiasse o governo do Lula que atitude voce teria. Repercutiria os fatos ou discutiria o papel da impressa. Facamos os dois ao mesmo tempo e com a mesma dimensao e energia.

    FORA SARNEY !!! TRANSPARENCIA NA MIDIA
    TRANSPARENCIA NA MIDIA !!! FORA SARNEY

  5. zuleica disse:

    LN
    Post curto e certeiro. Sempre achei que a mídia alimenta a corrupção, porque sem ela não há como deflagrar campanhas difamatórias e, por tabela, golpes políticos. Seria muito bom que a iniciativa da Petrobrás, que segundo matéria anterior, inspirou-se na UFMG, prosperasse e colocasse, senão um ponto final, ao menos um freio nessas arremetidas midiáticas. A população não pode mais ficar subjugada a esse tipo de manobra. Este ano, a Globo completa 40 anos e a campanha do JN mostra que ela está altamente capilarizada, com emissoras e retransmissoras em cidades pequenas e médias de todo o interior. É prioridade um da mídia alternativa desmontar essa rede de mentiras e golpes. Seu blog é vital nessa luta.
    Um abraço.

  6. Nilson Fernandes disse:

    Nassif, a folha e um grande jornal, tanto é que me presenteia todos os dias sem eu ser assinante. Será que o Otavinho está querendo me cooptar ?

    Nassif, estou me sentindo um cara importante.

  7. Nilson Fernandes disse:

    Vamos ver até onde vai este jornal grátis.
    Nassif, ve se me entende, mesmo sendo uma merda adoro ler a folha nem que seja no banheiro.

  8. Ivan Bispo disse:

    Para Fernando Curi:

    Gostei muito desse texto lá no Observatório da Imprensa:

    http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=545ENO004

  9. waldir disse:

    Tenho lido os artigos e os comentários, e percebo que ninguem aqui desconheçe o poder que a midia tem.
    A diferença entre os pontos de vista (que não passam disso , um ponto), está em que alguns concordam com o que a midia faz, e outros não concordam.
    Perçeber o fato, entender o que está ocorrendo e transmitir isso para o leitor, é uma arte. Arte que alguns usam de forma puramente comerçial e finançeira.
    Que o midia, influencia a opinião de seus usuarios, é consenso. A grita está em saber para que lado esta indo essa corrente, se a favor ou contra, este ou aquele politicio, esta ou aquela empresa, essa ou aquela lei.
    Entendo que, deveria haver uma ética jornalistica, não apenas para o reporter, mas para os meios de comunicação. Não um conselho secreto e obscuro, como o de alguns profissionais liberais que se acham intocaveis.
    Mas um conselho eleito por seus pares, com membros eleitos com notavel conheçimento do assunto e historia ilibada.
    O poder de informar é algo muito sério e importante para o bem estar da sociedade, e a responsabilidade pela veiculação de uma noticia, é algo que pode prejudicar toda uma nação.
    Imaginemos uma noticia do tipo – “VAI FALTAR LUZ” -.
    Não diz quando nem por que, pronto o pânico está espalhado.
    Dramatizãções a parte, o mesmo vale para qualquer tipo de noticia sem escrupulo, ética ou responsablidade.
    Mantendo-se o “status quo” do atual relacionamento entre a midia e a sociedade, logo o jornalista deixara de ser um personagem importante para ser uma “persona nom grata” em qualquer lugar.
    Logo, toda e qualquer empresa criará blog ou sites, para se comunicar com os consumidores.
    Governos criaram mecanismos para partiçipar aos cidadãos o que fazem ou o que deixam de fazer.
    Juizes atenderão as demandas judiciais de forma on line.
    Medicos farão consulta atraves da internet.
    Será que os meios de comunicações não entendem que as pessoas estão cansadas da forma como estão sendo tratadas?
    Todo dia algum jornalista diz algo que outro jornalista desdiz, e o cidadão que necessita de uma noticia não sabe em quem confiar, e tem que buscar a noticia na fonte.
    Gostaria de ver um debate de jornalistas sobre a ética, no debate partiçipariam NASSIF, PH, MIRIAM, DM, AZENHA, JOSUE, entre outros.
    Sería muito bom, que fosse transmitido em rede nacional de redes de televisão, com temas propostos por leitores ou telespectadores.
    Sería interessante.
    Fica a proposta.
    Posso ser o mediador?

  10. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Luis Nassif,
    Eu me bati contra seu post “As denúncias contra Sarney” de 17/06/2009 às 15:59. Quem conhece esse seu post e lê que eu fiquei contra ele pode pensar que em meu comentário eu fui contra José Sarney. Não é bem assim. Eu fiquei contra você ter dito que considera José Sarney “o maior representante do que de mais atrasado existe na política nacional”.
    Pode-se, entretanto, pensar a idéia equivocada de que eu sou a favor do José Sarney. Não, sou contra a imprensa. E mais não sou contra a imprensa fazer campanha contra José Sarney. Sobre isso também comentei no seu post e tenho comentado sobre isso toda vez que você procura trazer a idéia que as CPI são contra o interesse do Brasil.
    A meu ver as CPI são instrumento de transparência e como tal, seja qual o objetivo oculto que ela tenha, serão benéficas para o Brasil se, principalmente contando com a colaboração da imprensa, houver maior interesse em acompanhar todos os desdobramentos que uma CPI oferece.
    Assim, em relação a campanha contra José Sarney, sou mais contra a imprensa parar de fazer campanha contra ele. Alias não considero que a campanha contra José Sarney seja uma campanha orquestrada pela grande mídia. Em minha opinião a grande imprensa está em concorrência e isso a inviabiliza de fazer orquestração. O ruim da grande imprensa é que estando em concorrência a informação deixa de ser um bem precioso. Portanto, uma campanha contra José Sarney, que só surge porque há interesse concorrencial, rapidamente desaparece da mídia, exatamente quando mais haveria oportunidade de aparecer informações relevantes.
    Enviei para o blog do Pedro Doria no post “O inacreditável fim de José Sarney?” de 03/07/2009 às 11h24 alguns comentários que complementam os que eu coloquei no seu post “As denúncias contra Sarney” além de copiar o primeiro deles. Alem disso, fiz outros comentários apresentando enfoque semelhante e os encaminhei para diversos outros posts aqui no blog, dentre eles posso mencionar:
    1. O coronel que pretendeu ser reformador de 28/06/2009 às 15:59;
    2. Pedro Simon, o Catão de 26/06/2009 às 08:24;
    3. Sarney e o tapetão de 18/04/2009 às 08:00;
    4. O jogo midiático do escândalo seletivo de 04/03/2009 às 08:50.
    Em relação a conclusão desse seu post eu estou totalmente de acordo. Qualquer que seja o meio, desde que ele traga mais transparência para o país e o blog da Petrobras com certeza trará, ele deve ser bem vindo.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 11/09/2009

  11. David rodrigues da silva disse:

    Caro Nassif, Boa Tarde ! Historicamente a MÌDIA GRANDE.istoé, quem detém os MEIOS. Vamos voltar no Tempo: Quando da Revolução Francesa, o dono da Mídia era PAUL MARRAT, ele era contra MONARQUIA,usou o seu Jornal VOZ DO POVO para REVOLUÇÂO .Marrat , pós Revolução resolveu escolher seletivamente as BRUXAS que eram contra a Revolução.Toda lista dos indesejáveis rolava na lista do seu PIG da época.Normalmente todos eram condenados na Forca em Praça Pública.UM Espetáculo! Como O PIG atual,quer forca em PRAÇA PÚBLICA, para ESPETÁCULO.O PIG NACIONAL,por perda de audiência E credibilidade Hrror! O PIG não quer ver o POVO FELIZ! Sabe! Uma Camposesa dos arredores de Paris á época,teve o discernimento de questionar o PIG da época. Entendeu que não havia mais motivos para continuar a matança SELETIVA.Foi a Paris e ASSASSINOU o Paul Marrat numa Banheira. Ela entendia que a FRANÇA,já tinha feito a Revolução e não PRECISAVA de matar mais cidadãos. A Posteriori, a campanesa …..,a FRANÇA passou a ser LIVRE. Parece que o POVO BRASILEIRO tem que começar a ocupar os TRANSMISSORES do PIG de concessão que o POVO quer se VER.Não me sinto representado no jornalismo de OCASIÃO,MANIPULADOR,TENDENCIOSO,PARTIDÁRIO DE DIREITA,CONSERVADOR,HIPÓCRITA,SINUOSO,SELETIVO,OPORTUNISTA,PANFLETÁRIO,EXCLUDENTE E ELITISTA.Meu NASSIF,minha opinião final é o seguinte,desculpe-me a as peresa: O Jornalismo é um barco de bosta que navega sobre a urina tocado pelo PIG-Partido da Imprensa Golpista,nas águas da Sacanagem. O POVO nunca foi a PAUTA do PIG.O Jornalismo do PIG é TERRORISMO 24 HORAS contra o LULA e o POVO. de Belo Horizonte,MG.

  12. Antonio Carlos Silva disse:

    O PIG vai ser triturado, podem escrever .

    O Sarney (como sempre)soube se adaptar aos novos tempos, enquanto a Óia e a Groubo continuam com aquele velho reacionarismo buschista .
    E tem mais, eles estão substimando um oligarca que a décadas cultiva a confiança (e amizade) com a nata da política conservadora (ou não) americana .

    Sds.

  13. Ricardo disse:

    O pais sempre fica com problemas de governabilidade proximo às eleições só não acontecendo isso quando o presidente tem direito a disputar a reeleição.
    O problema do Brasil não é jornais e revistas, onde a democracia fica mais vulneravel é com a pessima qualidade de seu ensino, fazendo com que o povo fique refem desses nossos pessimos politicos atuais e sujeito a toda sorte de engodo.
    O baluarte da democracia é o ensino de qualidade, que da as pessoas as ferramentas necessarias para se defender.
    Sem ensino de qualidade não havera a verdadeira democracia nem o fim da corrupção.

  14. Jornal no Brasil hoje só o Primeira Mão e isto até a Craiglist chegar por aqui.

  15. Luís Carlos P. Prudente disse:

    A imprensa golpista e cínica do PIG está sendo desnudada pelos comentários do jornalista Luis Nassif. Essa imprensa golpista ataca Sarney agora, pois o objetivo não é atingir Sarney e sim atingir a governabilidade do país., pois essas denúncias “novas” contra Sarney não são recentes. Há muito tempo ouvimos falar das ações ilegais da família Sarney, no entanto, a imprensa do PIG (no Maranhão é controlada pelo próprio denunciado) nunca teve interesse em mostrar isto.

    Parabéns Nassif.

  16. Otávio Luiz Machado disse:

    Nassif, muito bom seu artigo. Foi ao ponto: “Seu poder reside na falta de transparência da sociedade”. A mídia desmerece muitos fatos quando não interessa ao dono (ou dona) do jornal.

  17. Otávio Luiz Machado disse:

    Nassif, muito bom seu artigo. Voce foi ao ponto: “Seu poder reside na falta de transparência da sociedade”. A mídia geralmente desmerece fatos relevantes por não ser de interesse do dono (ou dona) do jornal.

  18. David rodrigues da silva disse:

    Meu Nassif, fui assinante da decadente Folha de São Paulo até MARÇO de 2009 .Cancelei minha assinatura depois de muita briga pois não queria A MOSCA que eu saísse. Um Estado como São Paulo deveria ter uma Imprensa á sua Altura. O Paulista MERECE a IMPRENSA PAULISTA? É HIPÓCRITA? E GOLPISTA ? O POVO PAULISTA é tão Idiota? de Belo Horizonte/MG.

  19. LN,

    O Sarney; Jereissati; Collor e a família de ACM também são donos da mídia no norte/ nordeste do país e TODOS são retransmissores da GLOBO em seus feudos.

    Eles conseguem selecionar as informações que enviam para a matriz no RJ e o que veiculam nos telejornais locais.

    Para conferir o poder da mídia basta ver como são influentes em seus feudos e como todos os políticos mais reacionários sempre correm atrás de concessões de rádios e TVs.

    Quem não consegue uma concessão de rádio ou TV corre atrás de comprar um jornal ou arrendar uma rádio ou TV.

    Quem está no poder, mas não tem veículo de comunicação de massa consegue controlar as verbas publicitárias públicas, que são as fontes de custeio de grande parte destes veículos.

    Quem reza por suas cartilhas recebe os anúncios e editais das administrações municipais, estaduais e federal da administração direta e das estatais.

    Em Santos, na década de 80, durante a administração da prefeita Telma de Souza (PT) já havia o grupo de mídia A Tribuna (rádio e jornal)

    Há três décadas eles possuem o único jornal editado no litoral paulista, porém hoje também são TV Globo e editam seu jornal eletrônico no portal Globo (G1)..

    Eles atacavam diariamente a administração da prefeita de Santos e esta precisava pagar informes publicitários para desmentir os factóides, além das publicações oficiais obrigatórias.

    Era tanto dinheiro para desmentir a imprensa local que a prefeitura criou um Diário Oficial do Município e o distribuía de graça nas bancas de jornais.

    A prefeitura de Santos fez, há mais de vinte anos, sem existir internet no pais, o que a Petrobrás está fazendo hoje, com muito êxito.

    Infelizmente o grupo A Tribuna conseguiu impedir judicialmente a distribuição gratuita do Diário Oficial nas bancas e continuou com a exclusividade das verbas publicitárias no litoral paulista.

    Caso as administrações diretas e indiretas criem seus portais e blogs e a justiça aceite a publicação de editais oficias somente pela internet será o golpe fatal no PIG.

    Sem dinheiro das publicações oficiais obrigatórias (editais; balanços de empresas; fatos relevantes; etc.) os coronéis da mídia vão precisar cada vez mais vender assinaturas, sem licitações, para governos de seus interesses, até que a justiça dê um basta nesta ilegalidade.

    Somente desta forma vão precisar de credibilidade e dinheiro de leitores e assinantes para sobreviverem.

  20. Fr@ncisco disse:

    Parabéns, “o blog da mídia” foi na veia.

    Falta informar também para o Ville, que a lógica política indica a necessidade de levar-se em conta, no caso, o modelo político brasileiro e não o francês.

    Sem reforma política para valer (de fora para dentro) a hipocrisia será infinita por aqui.

  21. Ana Bednarski disse:

    É uma alegria saber que é o começo do fim, enquanto isto fiquemos atentos aos AI5 digitais que virão pela frente!!!

    E que os blogs continuem seu papel de emancipadores….heheheheheh

  22. Giovanni de Carvalho disse:

    Ô, Nassif, se as falcatruas do Sarney são conhecidas desde a época em que ele deixou a presidência, isso põe por terra a sua tese de que a mídia só divulga o que lhe interessa, pois foi exatamente pela mídia que se ficou sabendo dessas falcatruas.

    Não confunda vazamentos de informações com campanha. As denúncias apareciam em notas sem destaque e não tinha continuidade.

    A leitura dos jornais da época mostra que o Imperador do Maranhão não armou e aprontou apenas quando deixou a presidência, ele armou e aprontou inclusive DURANTE a presidência. São notórias as acusações de corrupção endêmica em todas as esferas do governo Sarney, sendo o próprio presidente denunciado, embora as acusações não tenham sido levadas adiante pelo Congresso (qualquer semelhança com a situação atual NÃO é mera coincidência). Lembra-se das suspeitas de superfaturamento e irregularidades nas licitações públicas, das quais o Ferrovia Norte-Sul é o exemplo mais emblemático? Lembra-se da farta distribuição, entre a escória política da época, do maior lote de canais de rádio e TV da história deste país? Lembra-se do império de comunicação montado no Maranhão, onde o primeiro presidente pós-ditadura adquiriu status de semi-deus e até a sua tumba foi construída com dinheiro público? Pois bem, eu, pelo menos, fiquei sabendo disso tudo pelos jornais. Se “nada se fez durante vinte anos”, como você alega, a culpa não é da mídia, pois a ela cabe apenas denunciar. O “nada se fez” fica por conta da longa tradição de impunidade reinante entre nós, coisa que também ficamos sabendo pela mídia.

    Denunciei o caso Cemar, um escândalo. Ninguém repercutiu, nem na Folha. As ligações com Edemar apareceram esparsamente. A mídia nunca transformou essas informações no escândalo que de fato eram.

    Portanto, sr. Nassif, eu vejo com muita suspeita toda essa fúria acusatória contra a imprensa. Se é verdade que uma parte da mídia seja vendida, não é verdade que toda ela esteja contaminada. Aqui, como em qualquer outro país democrático do mundo, a mídia vive de furos, e tornar públicas as falcatruas de um governante é tão relevante quanto divulgar o fato inusitado de uma criança morder o cachorro. Por isso, a mídia jamais deve ser calada, controlada, manietada, qualquer que seja o pretexto.

    Quem falou em manietar ou calar? Quem? O importante é entender a lógica seletiva da mídia para transformar denúncias em escândalos apenas quando lhe convem.

    O próprio ambiente de total liberdade que só a plena democracia proporciona faz com que mais cedo ou mais tarde a verdade venha à tona. De mais a mais, é bom lembrar aquela famosa advertência de Thomas Jefferson: entre um governo sem imprensa e uma imprensa sem governo, mil vezes a última hipótese.

    Condenar a imprensa por divulgar as falcatruas de hoje, sob o argumento furado de que as do passado passaram batido, é querer perpetuar a impunidade, além de configurar uma adesão descarada à tese esdrúxula de que um erro justifica o outro.

    Uma má leitura não justifica um erro, prezado. Leia melhor.

    O que há por trás disso é o apoio cego e acrítico a um partido, a um governo, a uma ideologia, o que é lamentável. Nenhum partido ou governo é infalível, e hoje, mais do que nunca, a plena liberdade de expressão é necessária. O argumento em favor da condenação geral à “mídia golpista” por não fazer vista grossa às falcatruas que se cometem em nome da tal “governabilidade” segue a seguinte lógica perversa: “já que todo mundo armou a aprontou no passado e ninguém foi punido, por que nós não podemos armar e aprontar também”?

    Custa-me crer que é isso o que o senhor defende, sr. Nassif.

    Da série Blogueiro sofre… Prezado Giovanni, sua simplificação demonstra que levará algum tempo ainda até perceber como é o jogo da mídia.

  23. Rutger Hauer disse:

    Nassif, proibir o Otavinho e similares de contratarem com a Administração Pública não seria o ideal? Afinal, isso pode ser legal, mas é imoral. Temos que acabar com essa imoralidade!

  24. Eduardo Viveiros de Freitas disse:

    Parabéns, Nassif. Mas desse jeito vou ter que te citar na minha tese de quinze em quinze minutos, sô!
    Abraços do Eduardo Viveiros

  25. oswaldo j. baldo disse:

    Postei em varios blogs recentemente comentários referente a esse tema.

    A mídia tornou-se o 1º poder e ninguém percebeu ainda.

    Tudo e todos estão sendo usados pelo poder midiático e seus interesses, sendo que quem pensamos comandar a mídia na verdade só é um sócio do momento oportuno, as vezes minoritario do negócio.

    Até fica engraçado, ver os que usavam a mídia agora passaram a serem usados por ela.

  26. Bakunin Krupinski disse:

    Parabéns, pelo texto. Este é o Nassif que conheço e admiro.
    Nada de defender o morubixaba do Mranhão.

    Fora Sarney!!!!!!!!

  27. Eduardo Viveiros de Freitas disse:

    Texto nascido para se tornar um clássico. Profético. Provável.

  28. celio mendes disse:

    É isso aí Nassif, torço para que as novas mídias lancem luz sobre tudo o que a dita grande mídia sonega a população e que esta tenha acesso rapidamente aos novos meios.

    Mas só ter acesso não basta, é preciso que essas pessoas se interessem em buscar a verdade, neste mundo novo as pessoas não podem mais simplesmente sentar a frente do computador como faziam a frente da televisão e passivamente escutar tudo que Bonner disser sem buscar o contraditório, fica uma coisa parecida com a Matrix, as pessoas se acostumaram a que a mídia lhes diga o que devem pensar, formar opinião por conta própria é uma coisa que dá trabalho e no caso do nosso país, com essa tradição de uma mídia monopolista, as pessoas se acomodaram a essa situação de alguem pensar por eles, mudar essa cultura talvez seja o maior desafio.

  29. masc- Selvagem disse:

    “Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley” . O único dissidente , Mr Selvagem, acabou dependurado numa corda, dentro de um farol. A esperança suicidou-se.
    Chicotadas em todos… até se enquadrarem.

  30. edna baker disse:

    Adorei o post do Pedro Cavalcante. Perfeito. E, a Folha, já pelejou prá me dar uma assinatura grátis e não conseguiu. Folha na minha casa não entra. Excelente artigo Nassif!

  31. robledo duarte disse:

    O Nassif botou o otavinho numa “frias”.

  32. Rogério disse:

    Continuamos aguardando suas críticas de 20 anos atras sobre o poder e a atuação dos Sarney,,,

    Quem sabe agora você pode postar suas análises anteriores???

    Autor: LUÍS NASSIF
    Editoria: DINHEIRO Página: 2-3
    Edição: Nacional SEP 20, 1994
    Seção: LUÍS NASSIF

    Acima de qualquer suspeita
    Nos últimos anos a imprensa esmerou-se em vasculhar os recantos mais inexplorados da vida pública nacional.
    Poucos homens públicos deixaram de ser alcançados pela lanterna inquisidora da mídia, num trabalho fundamental, mesmo descontando-se eventuais exageros, porque estabelecendo novos limites éticos à vida pública.
    Um personagem que até agora atravessou incólume esse processo foi o delegado Romeu Tuma, homem de inegável simpatia popular, boa capacidade de cortejar a imprensa e uma habilidade única de criar eventos vazios, trovões sem raio.
    Uma análise superficial de sua carreira pós-abertura revelará no mínimo episódios bastante controvertidos de atuação, que jamais mereceram levantamentos mais aprofundados da parte da imprensa.
    Na condição de diretor da Polícia Federal no governo José Sarney, Romeu Tuma ordenou escuta telefônica contra jornalistas que faziam oposição ao governo.
    O colunista, em conflito com o então consultor-geral Saulo Ramos, foi um deles.
    Neste mesmo período, limites irrealistas de compra de dólares e inexistência de cartões de crédito internacionais haviam transformado em rotina a compra acima do limite por parte de turistas em viagem ao estrangeiro.
    A Polícia Federal atuou apenas duas vezes sobre os turistas, revistando-os e detendo-os. Coincidência ou não, ambos eram desafetos declarados (por razões diversas) de Saulo Ramos.
    Neste momento mesmo, entidades internacionais de defesas de direitos humanos estão mobilizadas, tentando entender a participação de Romeu Tuma –agora na qualidade de representante da Interpol– em um processo que culminou com a prisão nos Estados Unidos e a perda de todos os bens de dois cientistas brasileiros lá radicados.
    Depois de terem denunciado tráfico de dólares envolvendo bancos brasileiros, ambos foram alvos de uma represália inédita das autoridades norte-americanas, pelo que se suspeita com base em informações remetidas por Tuma.
    Também tem relação com Tuma a decisão até agora inexplicada do governo de transferir para o Banco Central a fiscalização de cotas de consórcio.
    Quando acumulou o cargo de diretor da Polícia Federal e de Secretário da Receita Federal durante o governo de Fernando Collor, o delegado passou a privilegiar determinados grupos paulistas.
    Sem condições de contê-lo –já que se reportava diretamente ao presidente da República– a única saída encontrada por seus superiores formais foi transferir o setor para o Banco Central.
    Ainda há muito mais a se saber da vida desse cidadão acima de qualquer suspeita.

  33. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Luis Nassif,
    Corrupção é corrupção em qualquer lugar e em qualquer valor. Em qualquer lugar e em qualquer valor, corrupção só é corrupção se houver sentença condenatória com trânsito em julgado.
    Faço esse comentário quando constam 111 comentários. Nos comentários há os que acusam a grande mídia de ser qualquer coisa, menos informativa. É evidente que a informação pode ser mercadoria para se vender como ganha pão, individualmente ou em um coletivo, mas por sobrevivência. Vender a informação para concorrer com outro para no final um, porque vendeu mais notícia, ou porque teve mais lucro, ou porque reduziu mais os custos, crescer mais que o outro vencendo o adversário na concorrência não me parece se a forma mais adequada de divulgar a informação. Assim os que acusam a grande impressa de deseducadora, de não ser um veículo de informação, estão corretos, mas não vejo nenhuma possibilidade de mudança nos próximos 20 anos. E essa é uma realidade no mundo todo, não havendo aqui no Brasil nenhuma particularidade.
    E há outros que acusam o José Sarney de corrupto. Ninguém apresentou uma sentença com trânsito em julgado, É claro que se mesmo assim se chama José Sarney de corrupto é porque não se acredita na nossa justiça, no Ministério Público ou na Polícia.
    Agora as pessoas podem causar muito mal a um país mesmo não sendo corruptas. Basta ser incompetente. Os que fizeram o plano Cruzado foram incompetentes e destruíram um potencial de crescimento do Brasil que provavelmente nos levaria a ter hoje o mesmo PIB da China se não maior. Entretanto tudo isso é apenas possibilidade.
    Há casos em que o resultado da ação legislativa foi tremendamente nociva aos cofres públicos. A desoneração das exportações de produtos primários e semi elaborados causou muito mais dano ao Brasil que toda essa conversa sobre a ainda não transitada em julgada história de corrupção de José Sarney. Também causou muito mais mal ao Brasil a não aprovação da CPMF. Se houvesse referências a esses casos da Lei Kandir e da CPMF quando se falasse de corrupção de quem quer que seja. Quanto a isso eu tenho certeza: mil vidas eu tivesse, mil vidas eu esperaria até que um grande jornal dissesse essa história simples e com muitas ouras semelhantes (A venda da Vale).
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 11/07/2009

  34. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Luis Nassif,
    Quanto às minhas generalizações, eu tenho que reconhecer que passei batido por quem não merecia as críticas que fiz nos meus comentários ao dizer que os comentaristas ou eram críticos do José Sarney ou críticos da grande mídia. Não sei quantos dos comentários fogem do padrão. Posso citar um exemplo como o da Sofia em 11/07/2009 às 10:34, que não faz a crítica simples a José Sarney nem a grande mídia e permitir a leitura de uma nova visão de jornalismo.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 11/07/2009

  35. jamesson buarque disse:

    julgo q o principal meio de abater a mídia – aí institucionalizada como partido do conglomerado da imprensa dos grandes jornais, revistas e redes difusoras de rádio e televisão – é a fundação, lenta mas incisiva, de blogs com este do Nassif, inclusive p combater os futuros blogs da mídia.

  36. Raí disse:

    Prezado Nassif,independente da sua “briga”com o “pedante” Ville,ser mais um tempêro saudável,para o blog,ele sabe que a mídia brasileira é composta pelo que tem de mais cretino e perigoso,e que quando escolhe seus alvos,estes dificilmente escapam de ir para a sargeta,tão bruscos são os seus métodos de ataque,que “quando não matam,alejam”as reputações das vítimas.
    Pouquíssimas pessoas que atuam na imprensa brasileira,têm a coragem e o suporte de um Nassif,para desafiar tais adversários e conseguir sair ilêso dos confrontos.
    Outra coisa que até você mesmo,outro dia me confessou,através do blog,é que como o mercado de trabalho neste setor,está diminuindo a cada dia,devido a concorrencia com a blogosfera,muitos profissionais que estão hoje empregados,temem serem corajosos e/ou independentes nas suas opiniões,por medo de ficarem à mercê deste ameaçado mercado,e aí sujeitam-se a “jogar o jôgo”do PIG.

  37. Juliano Guilherme disse:

    De que país e de que mídia, o sr.Giovanni está falando? Não pode ser do e da que teve um presidente que se suicidou acuado pela imprensa. Também não deve ser aquele que teve que “improvisar” um primeiro ministro(Tancredo Neves), pelo fato de que o vice-presidente(Jango) assumir por causa da renúncia do titular(Jânio) foi transformado numa crise institucional pela imprensa. Nem naquele que teve um golpe militar apoiado e “requisitado” pela imprensa. Tão pouco aquele que teve um presidente “fabricado”, eleito e depois derrubado pela imprensa. Afinal, de que mídia e de que país ele fala?

  38. Giovanni de Carvalho disse:

    Blogueiro sofre, sr. Nassif? E o que dizer dos leitores de blogs? Reli todo o seu arrazoado com bastante atenção e não encontrei nele nada que me fizesse mudar de opinião. A alegação central é a de que a nossa mídia é seletiva e só publica o que lhe interessa. Ora, não há aí nenhuma novidade, isso decorre da própria liberdade de expressão. Eu ficaria mais preocupado se as notícias, bem como o espaço e destaque a elas dedicados, tivessem que ser decididos por uma autoridade central.

    Num regime de plena liberdade, cada jornal é livre para dar às notícias o espaço e destaque que bem entenderem. Aliás, o mesmo padrão seletivo é adotado por esses blogs panfletários que vivem vociferando contra a tal “mídia golpista”, mas fazem vista grossa a certos fatos. Nenhum deles jamais deu às maracutaias governamentais (e nós sabemos que são muitas) o destaque que elas merecem, a não ser para justificá-las sob o argumento fajuto de que no Brasil sempre foi assim e “nunca ninguém fez nada”, portanto insistir nelas só pode ser campanha da mídia para desestabilizar o atual governo.

    Quando o nosso lider máximo começa suas costumeiras fanfarronices com um sonoro “nunca na história deste país”, a blogosfera chapa branca se apressa em reproduzir a bravata com letras garrafais. Mas quando o mesmo líder máximo diz que Sarney merece respeito pela sua biografia, a mesma blogosfera chapa-branca sanciona o afago presidencial com um obsequioso silêncio, mesmo conhecendo o passado do “impoluto” senador. E é essa imprensa “democrática” que eles querem que substitua a “outra”.

    Sim, sr. Nassif, eu conheço o “jogo da mídia”. Nele não se disputam apenas fatos, há muitos interesses envolvidos. Não há heróis nesse jogo, apesar de nele haver espaço para todos, até para blogs laudatórios. E é bom que seja assim: ajuda-nos a saber quem é quem.

    O jogo da mídia não se combate com a padronização das notícias, dos espaços e dos destaques, mas com mais liberdade. Quanto mais mais liberdade, mais coisas o leitor descobre e pode tirar suas próprias conclusões.

  39. Eduardo Viveiros de Freitas disse:

    Uma pequena contribuição ao debate sobre a mídia:

    http://www.pucsp.br/neamp/pensando/pa_15.htm

    abraços do Eduardo Viveiros

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