Nassif, um “trivialzinho” de Nina Simone tocando, cantando, interpretando e comentando (tudo ao mesmo tempo) a música “Feelings” do brazuca Morris Albert…
Marco, genialidade pura! Na minha humilde opiníão não se trata de desilusão amorosa mas da impossibilidade de viver um sentimento que possa ser representado através das palavras ocas da letra. Para isso, ela retoma o teclado do piano e toca uma espécie de fúria enlouquecida de feelings, que foram adormecidos por contágio, pela opacidade da canção. Em geral feelings são associados ao amor. E amor não é um sentimento somente dedicado a um homem e vice versa, sustenta toda e qualquer relação, inclusive, os atos de toda a natureza, como as manifestações, os protestos, os cuidados por outros, o trabalho em geral, a prática engajada, a política. Está presente no trabalho de uma professora e, mais do que tudo, no trabalho de um artista. Este especialmente, assim como Nina, não se envergonha de misturar o pior com o melhor, o verso e o anverso dos feelings. Feelings são explosivos, também melancólicos, suaves, silenciosos, furiosos, sem destino, as vezes conseguem tangenciar algo semelhante ao real. Sem feelings não é possível superar-se. A ausência de feelings embrutece.
‘Tá no site do PSDB. Para eles, é negócio da ONU, nada de ONG, que só promoveu a homenagem: clique aqui.
“Brasília (08)- O governador de São Paulo, José Serra, recebeu hoje em Genebra, na sede das Nações Unidas (ONU), uma homenagem por sua atuação à frente das políticas públicas de saúde desenvolvidas no Brasil nos últimos anos.
A homenagem, promovida pela Organização Mundial da Família (World Family Organization), organismo internacional filiado à ONU, ocorreu durante a reunião anual do Ecosoc – Comitê Econômico e Social da ONU. Serra recebeu seu prêmio, uma placa, das mãos de Nikhil Seth, diretor do Ecosoc, e foi saudado pela presidente da WFO, Dra. Deisi Kusztra, como “o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve”. Ela disse ainda que o prêmio se deve “ao grande trabalho realizado” por Serra no Ministério da Saúde. Políticas relacionadas à maternidade e infância, como o Programa de Saúde da Família, o programa de prevenção à AIDS – esse, de grande reconhecimento internacional – e a ação coordenada por Serra para a liberação dos genéricos no Brasil foram lembradas.
(…)”
Posso levar o assunto para a reforma política? Acho que aqui não se trata somente de mudanças para o Senado e sim para a política em geral. Sugiro, então, algumas mudanças:
01) Máximo de dois mandatos para qualquer cargo político eletivo.
02) Ordem de eleição não retroativa: vereador (sem salário); prefeito; dep. estadual; governador; dep. federal; senador; presidente. Se eleito para um cargo acima na ordem, exclui qualquer possibilidade de se eleger abaixo. Uma bela forma de se evitar políticos profissionais, como a maioria existente no país, que, após seguidos anos, pouco ou nada contribuíram.
03) Mandatos fixos em 4 anos para todos os cargos;
04) Ainda que eu defenda a impossibilidade, prevista em lei, de concorrer à eleição para qualquer que esteja respondendo a processo eleitoral/administrativo, sei que tudo dependeria de decisão final do STF, especialmente a respeito do princípio da inocência (ou não-culpabilidade), que acaba sendo a negativa maior a tal previsão; tenho entendimento de que, pelo princípio da igualdade (em que os desiguais devem ser tratados desigualmente), a função pública eletiva não mantém os eleitos como cidadão comuns (como diria Lula sobre Sarney). Pelo contrário, possuem mais responsabilidades e deveres que o cidadão médio, devendo, portanto, terem direitos a mais e também a menos que os demais. Assim, no suposto conflito entre os princípios da inocência e da igualdade, em lados opostos nessa discussão, pelo princípio da proporcionalidade, entendo que o bem público (com sua função social) deve estar acima do bem individual do candidato/eleito.
Quem dera se TSE e STF entendessem assim.
05) O candidato/eleito abre mão de seus sigilos fiscal e bancário.
Acho que essas medidas já ajudariam um pouco na questão política brasileira.
A World Family Organization (WFO) não é uma entidade da Organização das Nações Unidas (ONU). Trata-se de uma Organização Não-Governamental (ONG), com sede em Paris, associada ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) da ONU, com status consultivo, e associada ao Departamento de Informação Pública (DPI) da Organização.
As ONGs associadas ao ECOSOC e afiliadas ao DPI não representam a ONU nem podem, em qualquer hipótese, falar em nome da Organização. Seu papel é de colaborar com as Nações Unidas, de forma voluntária, ajudando na divulgação das atividades da Organização e, no caso do ECOSOC, contribuindo com sugestões às atividades do Conselho.
Valéria Schilling
Assessora de Comunicação
Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio)
Comentário
O curioso nessa história é que foram três as personalidades premiadas: Serra foi o único que compareceu, para se dar uma ideia da irrelevância do prêmio.
Além disso, Serra informou em seu Twitter que a entrega seria no próprio plenário do Conselho da ONU. Segundo o Estadão, foi em uma sala emprestada. Mais:
Segundo Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra:
Serra foi escolhido entre mais de 200 pessoas. A Organização Mundial da Família também premiou a ex-primeira dama do Reino Unido, Cherie Blair, e a princesa do Kuwait, Sheikha Fariha Al-Sabah. Nenhuma das duas esteve ontem no evento. Serra estará hoje em Paris.
Por Stanley Burburinho
Se o Serra tivesse lido as matérias abaixo ele não teria ido à Suiça receber esse “Prêmio”:
“Resumo: Requer ao Prefeito Municipal e à representante da WFO (World Family Organization), cópia da prestação de contas e da aplicação dos recursos repassados pela Prefeitura Municipal à WFO referente à construção do Hospital Municipal Ruth Cardoso, bem como de todos os comprovantes das despesas realizadas.
Autor(es): Vereador Marcos Augusto Kurtz
(…)
JUSTIFICATIVA
Este requerimento visa disponibilizar a esta Casa Legislativa cópia dos documentos que visem esclarecer o valor real investido pela Prefeitura Municipal e pela WFO, para a construção do Hospital Municipal, além de averiguar se ambas as partes cumpriram com o que fora estabelecido no convênio. “
Na Mooca, onde José Serra foi criado, havia o hábito de se conferir “comendas” a torto e a direito. O sujeito enricava um pouco (termo da épóca), aparecia alguma aventureiro, criava uma “comenda” e fazia do sujeito um “comendador”.
Aparentemente Serra se apegou aos hábitos da infância. Veja que história rocambolesca.
Do Twitter de Serra
Da Agência Estado
Serra ganha prêmio internacional por atuação em Saúde
Da Agência Estado
(…) Em uma sala da ONU em Genebra, Serra recebeu um prêmio de uma entidade internacional e fez um discurso em tom de campanha, enumerando os avanços que conseguiu como ministro da Saúde (1998 a 2002) e apontando como suas políticas de acesso os medicamentos genéricos, que hoje são “exemplos para o mundo”.
Fui pesquisar quem é a World Family Organization (WFO). Nem consta verbete na Wikipédia. Quase não há referências à organização na internet. É apenas uma das milhares de ONGs ligadas à ONU espalhadas pelo planeta.
Apesar de a notícia do Estadão induzir o leitor a acreditar que o governador paulista foi premiado pelas Nações Unidas, não é nada disso. A premiação é de exclusiva responsabilidade da ONG.
Os leitores, hein… Vejam só, abaixo, o que desencavaram sobre essa história dessa ONG que “premiou” Serra um dia depois de Lula ter sido premiado pela ONU.
A Presidente da WFO é brasileira (Dr. Deisi Noeli Weber Kusztra). O escritório da presidência fica em Curitiba.
Quem quiser pode olhar o link. Clique aqui.
Jailton | Araraquara – SP | Técnico em eletrônica
Do Blog de José Cristian Góes
Do rei para rainha
Você sabia que o governador de Sergipe João Alves Filho (PFL) era presidente honorário da Cúpula Mundial da Família. Pois não era? Era. Repare a importância…
09/12/2006 – 08:42
Você sabia que o governador de Sergipe João Alves Filho (PFL) era presidente honorário da Cúpula Mundial da Família. Pois não era? Era. Repare a importância. Nesta semana ele e comitiva aqui do pobre e sofrido Sergipe estão na região do Mar Morto, na Ásia, e participam de um encontro da cúpula mundial da Família.
Então é por isso que o colega jornalista Ivan Valença, quando se refere ao governador de Sergipe só o trata carinhosa e respeitosamente de “Sua Excelência”. Mas ao que parece é mais que isso, Ivan.
Segundo informou o próprio site oficial do Governo do Estado, João Alves Filho esteve em Amã, na Jordânia, um país da comunidade árabe com pouco mais de 5 milhões de habitantes, e lá passou o cargo de presidente dessa tal cúpula para a rainha da Jordânia, Rania Al-Abdullah. Segundo uma revista de futilidades, Rania é a décima terceira mulher mais poderosa do planeta e é também considerada uma das mais elegantes do mundo.
Ela tem 32 anos, é casada com o rei Abdullah, filho do primeiro casamento de Hussein. Nascida no Kuwait, filha de palestinos, ela recebeu uma educação ocidental. Veste-se com elegantes estilistas, dirige seu Mercedes pelas ruas de Amã e é figura carimbada nas revistas de celebridades. É ela que agora, como “fez João Alves Filho”, vai devotar todas as suas preocupações pelas famílias do mundo, no mínimo, ser responsável pelo andamento da Cúpula Mundial da Família. O detalhe é que este pomposo cargo sempre é ocupado por reis e rainhas, logo, nosso governador…bom deixa para lá.
Nessa questão quatro fatos chamam atenção. O primeiro é o da realização em Sergipe, de 3 a 8 de dezembro do ano passado, de um tal encontro da Cúpula Mundial da Família +1. Pense que “refinaria” bacana. Segundo a nossa mídia, mais de 200 delegações estrangeiras e um evento apagando nacional e internacionalmente. Fiz um artigo na ocasião acham uma série de fatos estranhos. Sequer um ministro de Estado do Brasil esteve aqui e a mídia brasileira não tomou conhecimento.
O segundo é o aparecimento fácil de uma senhora aqui conhecida como Deisi Noeli Weber Kusztra. Fala mansa, jeito de dona Zilda Arns (coordenadora nacional da pastoral da criança) e que aqui dizia ser presidente da prestigiosa Organização Mundial da Saúde. Mas logo se descobriu que não era bem assim e que aquela senhora tinha problemas com prestação de contas de recursos numa entidade de Curitiba/PR. Aqui ninguém quis apurar nada, sequer desconfiar da reunião da cúpula da família aqui da forma que foi feita.
O terceiro é que a senhora Deisi Noeli Weber Kusztra, em pleno Palácio de Despachos, concede uma entrevista para o programa eleitoral do candidato à reeleição João Alves Filho. Um absurdo. Em resumo ela dizia que todos os imensos projetos e programas do governador em Sergipe estavam comprometidos na sua continuidade se João Alves não fosse reeleito para o Governo de Sergipe, ou seja, os recursos não iam chegar. De quebra, ela ainda falava o perigo da reeleição de Lula.
Quatro é um projeto de lei que o governador João Alves Filho mandou para a Assembléia Legislativa garantindo que Sergipe estava para receber, de forma rápida e gratuita, cerca de US$ 115 milhões da organização da senhora Deisi Noeli Weber Kusztra. O projeto foi aprovado e nada. Logo depois a senhora volta a Aracaju anuncia que Sergipe, graças ao governador, iria receber quase meio bilhão de dólares, mais precisamente US$ 470 milhões em projetos visando o desenvolvimento do estado. Seria o “Via Rápida”. Resultado, nada, nem via lenta, nem via coisa nenhuma.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.