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06/07/2009 - 07:45

Os 15 anos do Real – 4

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 06/07/2009

Essa promessa nunca foi cumprida. Pelo contrário, a demora em investir na melhoria da saúde, da educação, em estimular a gestão, a inovação, em investir em infraestrutura – somada a uma valorização artificial do real (tornando os produtos brasileiros caros em relação aos importados) – desestimulou os investimentos produtivos externos no país.

O diferencial entre os juros internos e externos atraiam apenas capitais especulativos, que fugiam do país ao primeiro sinal de crise.

A economia ficou estagnada todos esses anos. Mesmo assim, esse modelo conseguiu uma sobrevida extraordinária. Em parte, devido à manutenção da vulnerabilidade externa. O real valorizado reduziu as exportações, aumentou as importações e tornou o país dependente de recursos externos.

Para fechar as contas, o Banco Central mantinha taxas de juros extraordinariamente elevadas.

Continua

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica Tags: , ,

15 comentários para “Os 15 anos do Real – 4”

  1. Roberto São Paulo/SP disse:

    Creio que para demonstar esse proceeso foi fundamental desdolarizar a dívida interna, trocando por títulos atrelados a Selic e ao IPCA.
    Assim como na correção cambial após a quebra do Lehman Brothers, é fundamental preservar as reservas cambiais e utilizar a correção cambial para vender parte das reservas cambiais a resgatar parte dos títulos da dívida externa.

    O BACEN não deve se compromoter com nenhum patar de câmbio para garantir o lucro dos investidores, estimulando assim a realização do hedge das operações, em processo de educação dos mercados.

  2. jo lima disse:

    ONTEM VI O GLOBO NEWS SOBRE OS 15 ANOS DO REAL. FIQUEI PASMO COMO NÃO SE TOCOU EM NENHUM CALCANHAR-DE-AQUILES DO PLANO. QUEM VIESSE DE MARTE E VISSE O PROGRAMA CONCLUIRIA QUE O REAL FOI FEITO POR EXTRATERRESTRES , JÁ QUE NÃO OUVIU UM SENÃO SEQUER POR PARTE DOS ENTREVISTADORES. TUDO BEM QUE EU JÁ PREVIA QUE SERIA UM PROGRAMA PRA LEVANTAR A BOLA DO REAL [ QUE É SEM DÚVIDA UM PLANO QUE DEVE SER LEMBRADO POR TER ACABADO COM O FLAGELO DE UM A INFLAÇÃO ABSURDA - EU PEGUEI A FASE EM QUE ENCHIA MEU BOLSO DE CÉDULAS DE DINHEIRO PARA PAGAR A CONDUÇÃO DE IDA DO ONIBUS ] , MAS NÃO IMAGINEI QUE SERIA TÃO ABSURDAMENTE PARCIAL.

    EM SUMA, ENQUANTO VOCÊ, NASSIF, VEM FAZENDO UMA RADIOGRAFIA DOS 15 ANOS DO REAL – MOSTRANDO SEU LADO POSITIVO, NEGATIVO E O QUE PODERIA TER SIDO MELHORADO E PORQUE NÃO O FOI – O QUE EU VI NO GLOBO NEWS FOI UMA HAGIOGRAFIA DO PLANO .

  3. Fabio disse:

    ” Qual a razão para não se ter corrigido o erro? Simples: os juros pagos pelo BC beneficiavam a estrutura de poder que se formou em torno do próprio banco. ”

    Me parece uma simplificação demasiadamente grosseira para se explicvar o quê aconteceu.
    É um dos fatores. Mas não o exclusivo. Havia também a ideologia neoliberal vigente, do livre fluxo de capitais, o Consenso de Washington. Lembre-se que os juros altos serviam para atrair capitais estrangeiros, que por sua vez serviam para financiar um REAL sobrevalorizado. Isso, em parte, estava garantindo a popularidade de FHC junto à classe média.
    Quem não conhece alguém que fez sua primeira viagem internacional nessa época, não levou os filhos à DISNEY? Proliferaram as lojinhas de importados. Foi a farrinha da classe média também. Por pouco tempo, mas foi.
    Algo semelhante ao que aconteceu com o o congelamento de preços do PLANO CRUZADO e conferiu alta popularidade à SARNEY nos primeiros meses.
    Em ambos os casos eram pra ser medidas curtas, mas foram alongadas por motivos políticos e acabaram destruindo a economia.

  4. Luiz Eduardo Brandão disse:

    Vai juntar a série sobre o plano real num só arquivo? Facilitaria a consulta, é uma espécie de texto de referência.

  5. Fábio disse:

    “(…) Essa foi a herança maldita, a consequência de um jogo de tomada de poder, liderado por Fernando Henrique Cardoso, que prosseguiu no governo Lula, e que comprometeria todas as boas iniciativas dede ambos os governos. (…)”

    O verdadeiro fiel do Plano Real foi a garantia do FED e dos investidores internacioanais. Só que “não existe almoço grátis”, eles deram o aval inicial, mas depois não quiseram largar o osso….

  6. Caros o sistema financeiro é um circuito fechado, onde não se produz riqueza ou se agrega valor, assim quando um perde ourto GANHA.

    QUEM ?

  7. PEDRO M. disse:

    Nassif,

    Perfeito, até que você cita o nome do Lula…
    Aquela política econômica do FHC, que conhecemos como “herança maldita”, não poderia ser mais do que uma herança, sendo assim é óbvio que o presidente Lula como “herdeiro” deveria assumir o ônus de ter que carregá-la para seu governo, não havia outra saída a não ser administrar uma gigantesca dívida pública contraída pelo Plano Real.
    Aliás, podemos colocar no “inventário” o atraso social – saúde, educação, infra-estrutura-sucateamento dos serviços públicos-segurança-etc.
    Então acho injusto para o atual governo atribuir as mazelas do governo passado à administração petista, sobretudo ao presidente Lula, que transformou e preparou o país para enfrentar a maior crise internacional nos últimos 80 anos.

  8. Torres Valentim disse:

    Será mesmo que temos uma moeda forte sem artifícios? Quanto custava um litro de óleo no início do real? E agora? Quanto era a conta telefonica no iníco do real? E agora? E a luz, gas, gasolina? E os salarios acompanharam esta defasagem? Tirem os programas sociais e digam o que restará de real para os pobres.

  9. Guttemberg disse:

    Meu caro, não há surpresa alguma em o Plano Real ter durado tanto tempo. Ele deu certo. E tratava basicamente da reorganização econômica. Esperava-se que, em continuidade, o governo Lula não cuidasse apenas de aproveitar-se da estabilidade da moeda, da mudança de cultura (o apoio popular foi o principal ingrediente do Plano) e das condições para o crescimento das reservas que já haviam tomado energia e tempo do governo anterior (foi quase um milagre ter feito tanto em tão pouco tempo) e começasse a cuidar da infra-estrutura, incluindo aí não só estradas, saneamento e coisas tal, mas incluo também como parte dela segurança e saúde. Porém, o governo atual só quis saber de literalmente aproveitar-se do caixa, praticamente assaltando-a com o único intuito de manter-se no poder. Aliás, muito natural já que sua origem é celebrada no sindicalismo. No mais, seus ataques ao Plano e a FHC continuam no âmbito da paixão. No entanto, como você mesmo já disse, isso (passionalismo) ficaria melhor para músicos como eu, e não para analistas econômicos.

  10. Como acho o Plano Real uma tapeação, vou repetir a mensagem aqui.

    Este artigo é excelente , meu comentário do blog

    Excelente artigo que coloca na devida perspectiva o problema do dinheiro sem lastro e o curso da humanidade, este ponto é o capital na minha argumentação usando Geometria, Astrologia e Tarot, percebam que não cedendo ao apelo de eqüidade e justiça feitas por um material inerte , o OURO, e sim apelando a uma inteligência, a da natureza, proponho outra alternativa para a saída da presente crise.

    Não desmereçam o autor, afinal é o Sr.Fekete do outro lado, mas considerem que ele mesmo admite no artigo que o BC têm uma outra alternativa que ele não soube nomear, mas que não funciona.

    Aqui eu argumento que o problema não é a alternativa e sim os operadores do BC, que não sabem o truque.

    Como não conseguem provar que isto é errado, continuo afirmando que uma solução negociada sobre as bases certas pode evitar o pior e mais ainda, colocar o mundo novamente na direção da prosperidade.

    http://blogln.ning.com/profiles/blogs/fiat-money-nos-espamos-finais

    http://www.financialsense.com/editorials/fekete/2009/0706.html

    Aqui a prova no artigo que o Plano Real é uma baboseira para colocar o povo brasileiro a serviço dos açambarcadores, o Plano nunca acabou ou falou em acabar com a inflação, engodo para trouxas.

    It was at this time that the notion of “targeting inflation” was invented. Previously the claims of central bank power were rather modest. Central banks were supposed to target short-term interest rates. Later they graduated to targeting the money supply. Now they were claiming supernatural powers of micromanaging price increases. It was apparently working, and the genie was put back in the bottle.

  11. JSB disse:

    “Enviado por: Guttemberg
    Meu caro, não há surpresa alguma em o Plano Real ter durado tanto tempo. Ele deu certo”

    Taí Guttemberg, gostei do seu argumento. Muito sereno, tranquilo, não arrogante, seguro. Lindo, mas continuo não concordando e gostaria de que esta discussão, se desse no seu nível.

    Mesmo lendo o que você escreveu, ainda acho que a ganância política cegou seu primeiros virtuosos momentos. No lugar de colocar o esforço político para a alavancada econômica deste mundo real do brasil, preferiu manter a estabilidade da moeda ao custo da venda do futuro de uma nação. O Lula é realmente um caro de sorte, muito esperto. Virar este jogo foi apostar, absolutamente dentro das regras do jongo – continuísmo – foi coisa de maluco. Imagine acreditar que um bolsa família produziria riqueza ? Quem ousaria pensar um relação comerciais muito além dos EUA e Europa? Tem acertado em todas, meu irmão – é incrível!! Os grupos políticos contrários têm feito o pior do baixo jogo político já vivenciou nesta sociedade. E ainda dizem que o PT na oposicão faziam pior… ora vamos falar sério. Soberbo, o Lula, dá azia, vamos deixar prá lá e vamos trabalhar. A Sociedade acofdará no seu devido tempo, O Lula é brasieiro no seu maior sentido. E é somente este detalhe que lhe tem permitido todo este sucesso. É verdade, Senhor, que o Brasil de hoje aproveitou-se do Real do… de quem foi mesmo ?… Mas hoje não tenho mais dúvida de como de resto, para que fazer de novo se já está pronto. Lembre-se Lula, não faz este jogo. É verdade que poderia ser feito um novo “real” com muita facilidade. Porque? Ora qual a grande jogada para estabilizar a moeda ?: Credibilidade. Esta, o grupo do Lula, está dando um show universal e consagrador.

    Porém, no que pese dos bons resultados inciais do Plano Real, necessário a sobrevida daquele grupo que o gravitou, optou-se por medidas, que nos custam muito. Então como pagar este preju e ainda arranjar grana para as ações sociais a ao PAC, o quel desbrochará, via infra-estrutura, acessos sociais, voltar nos sociedade de consumo para ofeta interna pela implentação do seu primeiro passo: inundar o país de escolas técnicas, prestigiar o desenvolvimento científico real, valorizar carreiras necessárias e absulatamente necessárias. Tudo isto estava ao alcance do grupo do Real, mas optou-se, o que o futuro mostrou errado, por um caminho errado, Onde errou-se: não se acreditou no Brasil, e o grupo do Lula, acriditou. Aliás, é verdade, não tinha alternativa. Por mais e melhor que trabalhassem, era a ralé da sociedade. Mas como ? conduziam-se com atributos que deveriam ser da humanidade, como honra, honestidade, bondade, tolerância, generosidade e continuavam-se tratados como relé.

    Ai vem o Lula, não caíu de paraquedas em lugar nenhum, veio caminhando.. fez tudo que vinha sendo feito. Então é isto, amigo, então obrigado pela bolação do nome da moeda que usamos hoje: o REAL. Pronto, mas olha, estamos pagando todos os pecados por nos obrigar a pagar aquelas taxas de juros e ainda ter que levar um grande patrimônio brasileiro. Diga honestamente, Senhor, não é um crime lesa-pátria, ou seja lá o nome que isto for. Claro que achamos que outros grupos políticas cometeram crimes de lesa-patria, mas isto não os desculpa. O preço é muito alto . A concentração de renda é vergonhosa para o ser humano. Mas a idéia de ser humano é tão diferente entre os seres humanos, não é ? O neo-liberalismo, principalmente antes desta grande crise (não aquelas que ainda pequenas nos arrebentavam) deve ter uma idéia de ser humano bem diferente da que o Lula têm. De resto, para que, entre os caminhos que podem levar a uma sociedade a optar destinos tão radicalmente dramáticos, bastam estas diferenças do conceito de ser humano. Que se lixe diferenças entre conceitos econômicos e políticos. Que se dane o tipo de regime político. A escolha do perfil do ser humano pode nos levar ao colapso. Os premios Nobeis da Paz, ou do gênero estão aí para quem tenta desviar rotas enganosas, reveladas em tão curto prazo.

    Perdão queria se elegante como o senhor…

  12. Guttemberg disse:

    Vou repetir: falar é fácil. Porém, trabalhar tanto técnica quanto politicamente para pôr fim a uma inflação mensal de 80%, privatizar os imensos cabides de emprego que corroíam a economia e atolava o governo em dívidas infindáveis (preservando as estatais verdadeiramente importantes), determinar taxas realistas de tarifas, fechar centenas de bancos podres, reorganizar e fortalecer o sistema financeiro, reimpor a presença do Brasil como um país importante, fazê-lo ser novamente respeitado e achar que tudo isto não passou de “bolação” de um nome de moeda, é inacreditável. Desconhecer que o Brasil, com o êxito do Plano Real, se despediu de um passado que o sugava para o atraso e que finalmente pôde partir para o futuro, ou é implicância ou, desculpe, falta de juízo – para dizer o mínimo.

    Sugiro ler “Os Cabeças de Planilha” para não incorrer em simplificações e reducionismos.

  13. Guttemberg disse:

    Mas eu conheço sua teoria sobre os Cabeças de Planilha. Você critica a maneira como foi feito o plano e aponta medidas que deveriam ter sido adotadas, para que tivesse máxima eficiência. Porém, não leva em conta que, além de suas idéias, havia milhares delas rolando no centro de decisões. Muitas foram adotadas e produziram efeitos acertados, outras não. Oportunidades foram perdidas e muitas foram aproveitadas. O saldo final, porém (e é isso que tenho repetido aqui), foi pra lá de positivo. E esta conclusão não se trata de nenhum “reducionismo”. Trata-se do óbvio, que é bem diferente. Agora mesmo, temos assistido o governo jogar fora importantes oportunidades, mesmo sendo advertido e sem estar em meio ao turbilhão das decisões da época de FHC. O que falta hoje, ao que parece, é mais competência. Numa de suas observações, você mesmo cita a oportunidade que Palocci perdeu na desvalorização provocada pela chegada de Lula ao poder. Para você ver que, mesmo encontrando um ambiente infinitamente mais calmo e com as coisas já andando, continua sendo difícil ter o sangue-frio necessário para adotar certas decisões. Principalmente porque adotá-las só parece atitude melhor teoricamente. Na prática, o resultado pode ser surpreendente e traiçoeiro. Ou seja (lá vou eu repetir novamente): Falar é sempre mais fácil.

    Se tivesse lido saberia que a apreciação cambial fugia de toda a lógica do Real e não constava de nenhum dos trabalhos prévios. Saberia que a apreciação cambial matou a oportunidade de crescimento em um momento de grandes transformações mundiais. E teria lido a auto-crítica dpo Bacha, dois anos depois, endossando todas as críticas que fiz na bucha. Teria se dado conta de que juros altos e câmbio mataram o crescimento do período e criaram uma dívida brutal, que elevou a carga tributária a níveis recordes, matando milhares de pequenas empresas. E também leria que FHC e seu mercadismo inconsequente jogou para baixo do tapete todos os conceitos relevantes amadurecidos nos anos anteriores (gestão, inovação, privatização com fundos sociais, fortalecimento de pequenas empresas), um ativo nacional depositado em suas mãos – como grande esperança de racionalização da política econômica – e que ele jogou fora.

  14. Diamantino Gomes disse:

    Se o estado fosse minimo como regra das cartilhas doutrinárias do globalicionismo de qual cartola tirariam os coelhos para salvar o sistema anti-estado na derrocada do capitalicionismo sem cor e sem alma?
    O problema que esta turma mesmo sem o capital não larga o poder e querem fazer novamente da massa sua maquina de fazer dinheiro, com a anuência da politicalha.Não enxergam que o sistema ruiu e ainda assim continuam apoiando essa “filosofia”até o fim dos tempos como se fosse um oráculo.

  15. Guttemberg disse:

    Os acontecimentos foram ditados pela história e pelo foco no que era imprescindível, que era estancar a inflação. A 80% por mês, nada poderia custar mais caro, pois nada causava tanta falência e desesperança do que ela. Daí que, volto a dizer, falar é muito mais fácil. A própria auto-crítica do Bacha significa que poderia fazer melhor, mas que, porém, ainda que pudesse dois anos depois se arrepender, foi feito o que parecia correto no momento. Ou seja, o preço que pagamos foi alto, mas o saldo foi e continuará sendo positivo. Alternativas apontadas depois dos acontecimentos, sempre se enquadrarão no refrão “Mais fácil é falar. No entanto, tenho a mais absoluta certeza de que você não preferiria o Brasil que o Real atacou ao país que ele deixou.

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