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05/07/2009 - 15:09

O cinquentenário da morte de Villa-Lobos

Do Portal Luís Nassif

Vamos começar a montar um amplo levantamento sobre o maior músico brasileiro da história: Villa-Lobos.

Abri um grupo de discussão no Portal Luís Nassif – o Villa-Lobos (clique aqui).

A ideia será colocar lá artigos, fotos, vídeos, mp3, sites e tudo o que se relaciona ao grande mestre,

Aqui, uma coluna que escrevi em 2001 sobre ele:

Villa-Lobos e a alma brasileira

Villa-lobos morreu em 17 de novembro de 1959. Com nove anos, acompanhei de longe a comoção nacional. Não cheguei a apreciá-lo em vida, ou achava isso, porque sua música já entrava por todos os poros da nação. Era nas cirandas, nas músicas de roda, nos choros, era seu retrato com o charuto, ou tocando violão, nas peças para piano ou violão, era no movimento do canto orfeônico que espalhou corais por todo o país.

Na pátria da música, a dimensão de Villa-Lobos foi tão imensa que marcou tudo, a produção popular, a música erudita, o canto coral, a música sinfônica. As poucas tentativas de diminuí-lo ruíram em pouco tempo.

Confira a obra de qualquer grande do século, dos eruditos Mignone, Guarnieri, dos semi-eruditos Heckel, Ovalle, dos populares Edu, Jobim a Gismonti, e em tudo estará Villa. Esteve em Laurindo de Almeida, quando apresentou o violão brasileiro ao mundo, nos irmãos Assad, em Marcelo Khayat, Fábio Zanon e em todos os que transformaram a escola de violão brasileira na melhor do mundo.

De vez em quando aparecia algum crítico fazendo reparos a sua obra orquestral, mas a obra para piano… Outro criticava um ou outro ponto da obra pianística, mas a de violão… As cirandas eram copiadas de temas populares, mas os choros…. O “Choro Número 1″ foi copiado de Levino Conceição, mas as “Bachianas”…

Era muita coisa para pouca indústria fonográfica. Quando conseguíamos um disco de Villa, naquela Poços tão pequena, mais afeita às letras que à música, era uma festa, uma celebração.

Em 1964, quando Diogo Pacheco colocou Elizeth Cardoso no Teatro Municipal de São Paulo cantando as “Bachianas Brasileiras Número 5″, foi como se tivesse sido firmado o pacto final, a síntese definitiva entre o erudito e o popular brasileiro.

Aos poucos os discos foram aparecendo, a era dos CDs permitiu as regravações. Resolvi adquirir tudo o que aparecesse de Villa. Quase quebro. De todos os cantos surgiam pianistas, orquestras, violonistas interpretando os prelúdios, choros, “Bachianas” de Villa, as gravações em Paris, a consagração nos Estados Unidos. Mas, acima de tudo, havia Villa na alma do artista popular, no chorão que tocava o “Choro Número 1″, no boêmio que ia às lágrimas com a “Bachiana Número 5″.

O que foi maior em Villa? A parte orquestral, os pianos, o violão? Na semana passada, na coluna sobre Agustín Barrios, mencionei o violonista inglês John Williams, para quem Barrios teria sido maior do que Villa na obra para violão. Um dos maiores intérpretes mundiais da obra de Barrios, o violonista Marcelo Khayat me envia um e-mail contestando a opinião de Williams.

Diz ele: “Barrios foi um compositor excepcional para violão, mas compará-lo a Villa-Lobos é uma heresia! O violão moderno se divide em dois capítulos: antes de Villa-Lobos e depois de Villa-Lobos. Tudo bem que a produção de Villa-Lobos foi pequena para o violão (5 prelúdios, 12 estudos, 1 concerto para orquestra, 1 choro e 1 suíte popular brasileira), mas Villa-Lobos com pouco disse tudo”.

“Ouso dizer que os “Estudos” de Villa-Lobos para o violão têm uma importância muito maior que os “Estudos” de Chopin para o piano ou os “Caprichos” de Paganini para o violino. Não existe nada parecido com os “Estudos” em importância e relevância no repertório violonístico, enquanto o piano e o violino têm outras obras (estudos transcendentais de Lizst etc.) que complementam bem o repertório do instrumento.”

“Além disso, Villa-Lobos revolucionou a técnica do violão moderno. Cada estudo teve o seu aspecto revolucionário: o “#1″, com sua fórmula de arpejos simples, porém genial; o “#2″, de escalas transpostas de execução dificílima; o “#10″, com seus ligados infernais de mão esquerda, os acordes com glissandos selvagens no “#12″, o uníssono de seis cordas em mi do estudo “#11″.”

“Julian Bream (grande violonista inglês) disse há muitos anos uma coisa que eu demorei a entender, mas hoje vejo que ele tinha toda a razão: Villa-Lobos foi o primeiro compositor da história do instrumento que fez o violão soar grande, e não apenas como um instrumento de pequenos saraus e pequenos recitais privados para aficionados.”
“Sem nenhuma pretensão ou arrogância, conheço bem o repertório do violão dos últimos cinco séculos e tenho a maior admiração por Barrios. Mas afirmo com convicção absoluta que Villa-Lobos foi o maior gênio da história do violão. Sem patriotada.”

Autor: luisnassif - Categoria(s): Erudita Brasileira Tags: , , ,

9 comentários para “O cinquentenário da morte de Villa-Lobos”

  1. sergio g disse:

    O Villa tinha umas coisas de colocar muita gente numa apoteose de música.
    Com corais infantis.
    Instrumentos genuínos da cultura brasileira.
    Mas o que mais gosto dele.
    É uma coisa aparentemente singela mas muito sofisticada na verdade.
    É o Trenzinho do Interior.
    Acho que pq quando era menino.
    No cinema da cidadezinha onde nasci.
    Nas matinês, onde via alguns seriados e o Pedro Malazartes.
    Antes de começar a seção, tocavam música, uma delas era o Trenzinho.
    E como o cinema tinha o nome de Carlos Gomes, antes do momentum, tocava um trecho dO Guarani.
    Nunca esqueço.

  2. sergio g disse:

    Era As aventuras do Pedro Malasartes.
    Mazzaropi.
    Uia!

    http://www.youtube.com/watch?v=SFLlmAdPxlQ

  3. Marcia disse:

    LN, AQUI a Maria Betania cantando “MELODIA SENTIMENTAL” do GENIO Villa Lobos:

    LINDO VÍDEO

    Maria Bethânia – Melodia Sentimental
    http://www.youtube.com/watch?v=s4M67HeJLss

    A LETRA DA MÚSICA:

    Melodia Sentimental

    Composição Dora Vasconcellos / Heitor Villa-Lobos

    Acorda, vem ver a lua
    Que dorme na noite escura
    Que surge tão bela e branca
    Derramando doçura
    Clara chama silente
    Ardendo meu sonhar
    As asas da noite que surgem
    E correm o espaço profundo
    Oh, doce amada, desperta
    Vem dar teu calor ao luar
    Quisera saber-te minha
    Na hora serena e calma
    A sombra confia ao vento
    O limite da espera
    Quando dentro da noite
    Reclama o teu amor
    Acorda, vem olhar a lua
    Que dorme na noite escura
    Querida, és linda e meiga
    Sentir meu amor e sonhar.

  4. Marcia disse:

    O MAESTRO VILLA LOBOS É SIMPLESMENTE GENIAL E ÚNICO, A AS BACHIANAS (PRINCIPALMENTE A N. 5) SÃO LINDÍSSIMAS, DE FAZER CHORAR!!!

  5. Marcia disse:

    Pronto, LN, já dei minha colaboração no post da cominidade, depois pesquiso mais.
    OK?

  6. Simone disse:

    Que idéia genial! VillaLobos é a cara do Brasil de todos!
    Da Bidu, Quinteto Villa-lobos, João Carlos Assis Brasil, Duo Assad, Sandy.

    Egberto Gismonti: http://www.youtube.com/watch?v=qXlkUQz46X0,
    Melodia sentimental foi gravada lindamente por Olivia Byington, mas eu adoro esse cara: Antonio da Nóbrega:
    http://www.youtube.com/watch?v=KoSpFzyzJao
    Turíbio: http://www.youtube.com/watch?v=lqnVCIzyVEU
    Naná e maracatu:
    http://www.youtube.com/watch?v=mZih5Vk6oW0&feature=fvw
    Segovia:
    http://www.youtube.com/watch?v=J0SvC3NG6tI&feature=related
    Rafael Rabello:
    http://www.youtube.com/watch?v=z0wc3Bd3ulU&feature=related
    Nelson Freire:
    http://www.youtube.com/watch?v=v6ofsPqvdp0&feature=related
    Orquestra da PETROBRÁS:
    http://www.youtube.com/watch?v=UOGKSCmbCWk&feature=PlayList&p=0000E2CB279A9FA1&playnext=1&playnext_from=PL&index=26
    ou:
    http://www.youtube.com/watch?v=sAeiynnsw-M&feature=PlayList&p=CBA23A471DBE197F&index=3
    http://www.youtube.com/watch?v=7393lzD-YDE&feature=PlayList&p=CBA23A471DBE197F&index=2

    Quanto ao Julian Bream, o prelúdio nº3: absurdo:

    http://www.youtube.com/watch?v=SbW4rYYKxhg&feature=related

    Nesse endereço há muita coisa :

    http://museuvillalobos.org.br/ingles/links/

    Mas, se você achar o Tom Jobim falando do Villa…

  7. Anarquista Lúcida disse:

    Villa-Lobos para mim lembrará eternamente as aulas de canto orfeônico do colégio. E o Canto do Pajé, que é lindíssimo, em 2 vozes.

  8. Ivanisa disse:

    Grande iniciativa do portal do Nassif, pela pesquisa e o debate que está acontecendo entre as paredes do portal. Vale a pena conferir! Modernismo com elementos nacionais e reconhecimento internacional. Villa Lobos é inspirador para os nosso músicos e compositores contemporâneos. É tempo de lançar um novo manifesto, já escrevi antes. Está na hora do Brasil vanguardear um movimento artístico internacional.O nome: internacionalismo? Internacionalismo com diversidade nacional? Os acontecimentos históricos são contados e denunciados em repentes e literatura de cordel, em versos populares para desembocarem em um movimento de ruptura e transformação que se inicia pela arte e a poesia. Esses elementos incentivam a geração de um novo discurso político e influem nas mudanças sociais. Os blogs tecem o fio e alinhavam os fatos.

  9. Thiago Gois disse:

    Onde eu consigo a música ” Melodia Sentimental ” tocada no piano sem voz????
    Alguém poderia me ajudar? por favor???
    thiago.gois@gmail.com

    abraço….

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