Da série “ombudsman da Folha sofre (muuuuuito)”
Sobre o golpe em Honduras
Análise
Há uma semana, Honduras tem dois presidentes. Manuel Zelaya está sendo recebido com honras de Estado por todos os países e organismos por onde passa, mas corre o sério risco de ser preso e de provocar uma onda de violência se pisar no seu país. Já Roberto Micheletti é reconhecido por todas as principais instituições hondurenhas, mas é rotulado de golpista fora de suas fronteiras.
O erro imperdoável da deposição de Zelaya é seu formato.
(…) Esse é o paradoxo da deposição, pois interrompeu, de forma atabalhoada, o continuísmo previsto na cartilha de Hugo Chávez, já implantada na Bolívia e no Equador. Consiste em convocar uma Constituinte, introduzir a reeleição, convocar eleições e, claro, ficar no poder além do mandato inicial. Sempre num ambiente polarizado, apoiado no fácil discurso de ricos contra pobres.
A iniciativa, deflagrada nos últimos meses de seu governo, foi considerada ilegal pela Corte Suprema, pelo Ministério Público e pelo Congresso. A Constituição hondurenha, no artigo 374, deixa claro que o período presidencial é um dos artigos que não podem ser modificados. Mas a Carta falha ao não prever um processo de impeachment, o que contribuiu para a atual crise política.
Clique aqui para as matérias.
Comentário
Ou seja, segundo o tal analista (que é o mesmo repórter analisando) o golpe é constitucional, apesar de todos os organismos internacionais o virem como um golpe.
O golpe visou democraticamente (segundo o repórter-analista) – já que com o apoio das instituições – evitar que o presidente deposto atropelasse a Constituição com uma manobra ilegal (o plebiscito do continuismo). Por “democraticamente” se entenda, seguindo o que manda a Constituição. Mas a Constituição não manda depor o presidente. Mas isso se deve a uma falha da Constituição. Segundo o repórter-analista.
E tome banho de lógica.
A propósito, mencionei o ombudsman porque cabe a ele o trabalho inglório de identificar as impropriedades jornalísticas no jornal. O autor do texto é um repórter.
Por Marco Antonio
E apenas mais um comentário, Nassif, explicando porque discordo de você. Se a Constituição de Honduras é mesmo imutável, é uma degeneração jurídica, sem qualquer legitimidade. Se não é, não houve qualquer inconstitucionalidade. Afinal, o Presidente deposto pretendeu realizar um plebiscito sobre a confecção de uma nova Constituição. Ora, o Poder Constituinte Originário_ que é que cria a nova Carta, com titularidade do povo, como já mencionei_ tem como características ser incondicionado e ilimitado.
Ou seja, uma nova Constituição rompe definitivamente com qualquer ordem jurídica anterior ( esta é que deve se adequar a ela, ou será revogada). Traduzindo: a nova revogaria a anterior. Assim, qualquer assunto tratado pela Constituição a ser criada seria constitucional ( não existe Constituição originária inconstitucional), podendo dispor de maneira diferente não apenas sobre mandatos, mas sobre qualquer assunto. Não há, portanto, inconstitucionalidade nenhuma, sob o aspecto jurídico. Muito menos quando a proposta de criação de uma nova Carta parte de alguém que está prestes a deixar o Poder, e a confecção se dará por meio de um processo democrático, através de uma Constituição promulgada, como foi sugerido.
Assim, o golpe é absolutamente inconstitucional, e, pior, inaugura uma nova modalidade. A participação do Poder Judiciário em sua perpetração.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

E tome banho de falta de lógica…
se o golpe é “democratico” porque constitucional, a mesma constituição não permite depor o presidente!
e é disto que se trata: a deposição de um presidente! ora, se ele queria continuismo, cabia ao povo, na urna (não é disto que se trata) dizer não.
ou eu não estou entendendo mais nada?
nem de lógica… bom, e política tem lógica? já fomos ensinado que às vezes ficamos nos limites da lógica, desde que (des)autorizados pela polícia!
e vc acha que uma Constituição mal feita, ou NÃO cumprida, é coisa só de brasileiros?
Acha que tanto a situação como a oposição não tem lá de seus seguidores preparados para derramarem sangue?
Desculpe …mas democracia se faz com diálogo, debate, com ENTENDIMENTO, com CONVENCIMENTO ..e com a participação de todas as demais, ou a maioria, das Instituições SIM.
O cara, peitando as INSTITUÇÕES, tentou sim ser aclamado e levado nos braços ..talvez um Janio Quadros do Caribe.
em tempo, ELTiempo, pra nos ajudar a demostrarmos como a coisa esta dividida e ideologizada por ambos os lados.
http://www.tiempo.hn/index.php/secciones/crisis-politica-en-honduras
A constituição hondurenha é inconstitucional. Onde já se viu uma constituição que não pode ser modificada? Nem a Bíblia.
uma constituição não existe do nada. é criada e modificada em determinados momentos por diferentes interesses vigentes. o cúmulo é pensar que não pode ser mudada, nem democraticamente, pela “maioria”. ou será que o problema está na democracia?
Aqui no Brasil a reeleição consistiu em comprar deputados no plenário e esse pessoal não reclamou nada.
Mas ele é ombudsman ou editor de assuntos internacionais?
Seu papel é o de fazer a crítica do jornal, ou não?
Então quer dizer que a única alternativa ao inconstitucional também é o inconstitucional? Quer dizer que as instituições tem poder legítimo para distinguir o que é inconstitucional de fato e o que foi “falha nossa”?
Meus Deus!
“Mas a Constituição não manda depor o presidente. Mas isso se deve a uma falha da Constituição.”
hehehehe, ótima.
E de ironias em ironias vamos vivendo.
Diz o nosso amado mestre:
“‘ Mas a Constituição não manda depor o presidente “”
Digo eu:
Então ele tem plenos poderes pra se eternizar no poder?
Cuba tbm ”errou” na sua constituição?( essa escrevi com ironia tbm)
Para com isso Nassif.
O único o objetivo do presidente é ficar no poder por tempo indeterminado..
E isso sim que é GOLPE.
TOM esccreveu( foi muito mais feliz que eu)
Antes o referendo propunha:
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Está de acuerdo que en las elecciones generales de 2009 se instale una cuarta urna en la cual el pueblo decida la convocatoria a una asamblea nacional constituyente? Si / No
———————————–
Esse referendo era denominado: “Encuesta de Opinión Pública para instalar una Cuarta Urna”
Mas Zelaya mudou as regras pouco antes da realização do referendo e estava propondo outro referendo, que teria outra denominação: “Encuesta de Opinión Pública Convocatoria a Asamblea Nacional Constituyente”. O pior é o que estaria impresso na cédula ainda é incógnita. Parece mesmo uma malandragem de Zelaya.
Percebem a diferença? Através do novo referendo, não seria perguntado se teria a tal quarta urna e sim se o povo queria uma nova Constituinte.
Agora imaginem um diálogo entre Zelaya e o povo:
Zelaya pergunta: Vocês querem uma nova Constituição?
Povo responde: Mas o que será mudado na Constituição
Zelaya: Ora, vocês vão saber o que será mudado na Constituição depois…
Realmente, o texto do André me parece muito mal embasado, ele não compreendeu direito o texto e escreveu uma bíblia partindo de interpretação e os comentaristas aqui do blog opinaram sem averiguar nada.
O André mesmo se embanana, não consegue “fechar a conta” e não entende por que se opor ao referendo se Zelaya não poderia concorrer nas eleições de Novembro. Lógico que poderia, se o referendo desse “Si”, com essa alteração do referendo, a Constituição poderia ser alterada antes de Novembro.
DIGO EU:
É DIFÍCIL entender quem queria dar o golpe?
E é a escola de Chavez, sim.E suas marionetes peruanas e bolivianas.
E pra ser mais claro:
Não há perigo na America Latina de golpes de direita.Nada consta.
O grande perigo são os ‘’salvadores da pátria”’( sempre os utópicos que se intitulam de esquerda) Se intitulam ,mas não são.
Ou Lula atua como esquerdista? Ele matou e cremou os ideias do PT.
Na verdade, analisei por outro prisma. Tendo por objeto o estudo científico do Direito Constitucional, a Constituição deles é inconstitucional. Explico: se é que é verdade que há uma cláusula que diz que a Constituição não pode ser mudada nunca, eles vivem em um sistema jurídico e político à parte dos séculos vinte e vinte e um. A Constituição é chamada de Carta Política porque é o documento que estabelece as bases de um país: o estado democrático de Direito, modo e aquisição do poder de governar, estrutura dos Poderes, etc ( e isso se a Constituição for material, se for formal, como a nossa e a maioria dos países do mundo, muitos outros assuntos podem ali ser dispostos). Assim, não se pode estabelecer por escrito, dentro de uma ciência jurídica, que as regras que orientam uma sociedade serão eternas, imutáveis por todo o sempre. A legitimidade de um Poder Constituinte Originário ( o que permite a criação de uma nova Constituição e cujo titular é o povo) é ” conditio sine quae non” para a legitimidade da própria Constituição. Se se nega a esse povo o direito de reivindicar novas coordenadas e objetivos jurídicos e políticos eternamente, não se está diante de um Estado Democrático de Direito.
Desta forma, a atitude do Presidente deposto de convocar o plebiscito é absolutamente legítima dentro dos conceitos constitucionais universais. Uma Suprema Corte antenada com a evolução constante do Direito deveria ser a primeira a incentivar a composição de uma Assembléia Nacional Constituinte. A impressão que fica é a de que determinados grupos temem que se atinja feudos mais do que consolidados diante de regras do século dezenove.
Aqui defronta-se com o mesmo problema das ditaduras: não reconhecer que a falta de legitimidade retira a justiça e a dignidade da simples legalidade. E, portanto, a contestação do ilegítimo passa a ser perfeitamente defensável.
Nassif, quer dizer que a constituição hondurenha é omissa.
A folha tá certa. Ou seja, ela é a favor do golpe.
Tenta impor o efeito manada, mas não cola mais em nossos dias de internet.
A “análise” de hoje subverte várias lógicas:
- A constituição hondurenha não permite o “impeachment”, mas permite o golpe ou “deposição”?
- Um presidente “sem apoio do seu partido, das Forças Armadas, da Igreja Católica, da elite econômica, desmoralizado diante dos demais Poderes e rejeitado por uma significativa parte da opinião pública” conseguiria mudar a constituição pra reeleição?
- O fato de “convocar uma Constituinte, introduzir a reeleição, convocar eleições”, quererá dizer que a consequência seria a de “ficar no poder além do mandato inicial.”? Mas e a falta de apoio sentida pelo “analista”?
O que parece é que há nessa “análise” uma aprovação tácita a um golpe ou “deposição” que impedisse o “continuísmo previsto na cartilha de Hugo Chávez, já implantada na Bolívia e no Equador.”
Eu não estou entendendo nada desta lógica. Não sei como funciona a constituição de Honduras, mas vamos organizar os fatos:
- O atual presidente, em fim de mandato quer se reeleger;
- Segundo alegam seus opositores, a constituição proíbe a reeleição, sendo este artigo cláusula pétrea;
- O presidente convoca um plebiscito para a convocação de uma nova assembléia constituinte;
- Golpe de Estado.
E aí vem toda essa discussão sobre o que foi feito e NENHUM jornal consegue informar se uma assembléia constituinte em Hondura pode ou não modificar clausulas pétreas.
Aqui no Brasil pode, e não tem nada de ilegal em se convocar uma.
E apenas mais um comentário, Nassif, explicando porque discordo de você. Se a Constituição de Honduras é mesmo imutável, é uma degeneração jurídica, sem qualquer legitimidade. Se não é, não houve qualquer inconstitucionalidade. Afinal, o Presidente deposto pretendeu realizar um plebiscito sobre a confecção de uma nova Constituição. Ora, o Poder Constituinte Originário_ que é que cria a nova Carta, com titularidade do povo, como já mencionei_ tem como características ser incondicionado e ilimitado. Ou seja, uma nova Constituição rompe definitivamente com qualquer ordem jurídica anterior ( esta é que deve se adequar a ela, ou será revogada). Traduzindo: a nova revogaria a anterior. Assim, qualquer assunto tratado pela Constituição a ser criada seria constitucional ( não existe Constituição originária inconstitucional), podendo dispor de maneira diferente não apenas sobre mandatos, mas sobre qualquer assunto. Não há, portanto, inconstitucionalidade nenhuma, sob o aspecto jurídico. Muito menos quando a proposta de criação de uma nova Carta parte de alguém que está prestes a deixar o Poder, e a confecção se dará por meio de um processo democrático, através de uma Constituição promulgada, como foi sugerido.
Assim, o golpe é absolutamente inconstitucional, e, pior, inaugura uma nova modalidade. A participação do Poder Judiciário em sua perpetração.
Para os colegas:
Assembléia Nacional Constituinte é o conjunto de representantes escolhidos pelo povo para elaborar uma nova Constituição. Uma nova Constituição revoga TODA a anterior, inclusive as cláusulas pétreas. Trata-se de uma reformulação total dos princípios jurídicos magnos, condizentes com a nova realidade social. Cláusulas pétreas só não podem ser abolidas na vigência da Constituição a que pertencem. Exemplo: se se criar uma nova Constituição no Brasil, as cláusulas pétreas do art. 5º serão revogadas, como todo o resto da Carta. Nada impede que se as insira na nova Ordem Suprema. Mas não há obrigatoriedade disso.
“O presidente violentamente sequestrado durante a madrugada por militares encapuzados, seguindo ao pé da letra o que indica o Manual de Operações da CIA e a Escola das Américas para os esquadrões da morte; uma carta de renúncia apócrifa que foi divulgada a fim de enganar e desmobilizar a população – e que foi de imediato retransmitida para todo o mundo pela rede CNN, sem confirmar previamente a veracidade da notícia; a reação do povo que, consciente da manobra, sai às ruas para deter os tanques e os veículos do Exército com as mãos limpas e exigir o retorno de Zelaya à presidência; o corte da energia elétrica para impedir o funcionamento da rádio e da televisão e semear a confusão e o desânimo.” Foi assim que Atilio A. Boron, Diretor do Programa Latino-americano de Educação a Distancia em Ciências Sociais, de Buenos Aires, descreveu o golpe hondurenho.”
http://www.anncol-brasil.blogspot.com/
Esse pessoal do Foro de São Paulo não dá trégua. Eles querem tomar o continente inteiro. A continuar do jeito que vai, em poucos anos TODOS os presidentes latinoamericanos serão oriundos do Foro de São Paulo.
Ah, mas o Foro de São Paulo não existe. E, se existe, não tem importância nenhuma. Aliás, nem o Nassif existe. É tudo Matrix.
“Soltaron a los gorilas en Honduras! Descubra quien le dio las hojillas a los monos”.
Não foi só lá não.
http://www.aporrea.org/tiburon/n138034.html
O que o presidente tentou fazer não viola a Constituição de Honduras.
Quase nenhum jornalista ou comentador deu destaque para uma distinção fundamental, para entendermos o caso: REVISÃO CONSTITUCIONAL não é a mesma coisa que convocação de eleições para uma ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE. O presidente deposto tomou a iniciativa de propor a convocação de uma NOVA ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE, que é um poder constituinte ORIGINÁRIO. Fazer revisão constitucional é obra do poder constituinte DERIVADO. O poder constituinte derivado esbarra em certos limites, como as chamadas cláusulas pétreas, mas o poder constituinte originário é um poder que não é limitado por nenhum outro. Uma nova assembléia constituinte teria o poder de modificar as leis em todos os sentidos, incluindo aí a reeleição para presidente da República.
Isso é óbvio, qualquer estudante de primeiro semestre de Direito Constitucional deve entender do assunto. Não entendo por que todos os comentadores fogem dessa questão.
Tem boca de jacaré , pata de jacaré, dente de jacaré, couro de jacaré, mas a Folha quer que a gente veja uma galinha.
A cara de pau da turminha da ditabranda não tem fim.
Nassif,
Cassar Presidente eleito pelo povo, sob preceitos constitucionais, é diferente de cassar governadores eleitos pelo povo, também sob preceitos constitucionais?
O poder judiciário, lá e cá, pode substituir a vontade popular? Ou lá como aqui, parte-se do pressuposto que o povo, em sua santa ignorância, não sabe o que quer e seria incapaz de interpetrar o que se lhe pergunta em cédula eleitoral?
Mudar a constituição com compra de voto, com golpe, com deposição de dirigentes eleitos pode? Consultar o povo sobre a sua vontade de conduzir seu destino não?
São questionamentos de uma leitora, moradora em um país onde esses fatos apenas freqüentam as peças de ficção.
Agradeço aos constitucionalistas os esclarecimentos.
Como pode dizer que ele queriar mudar a constituição para se reeleger se o plebiscito coincidiria com a eleição de seu sucessor. Ele não poderia ser candidato nessa eleição logo não se reelegeria.
Quem inventou que foi um golpe foi Hugo Chavez, e toda a esquerda foi nesse caminho, incluindo Obama… se for assim, tanto Collor quanto Nixon sofreram um golpe!
Vou deixar uns links para compreender bem a situação de Honduras:
Coronel Herberth Bayardo Inestroza, asesor jurídico del Ejército hondureño – http://www.laprensa.hn/index.php/Ediciones/2009/07/03/Noticias/Si-lo-hubieramos-dejado-estuvieramos-enterrando-un-monton-de-gente
Rodrigo López, um hondurenho:
- http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt§ion=Blogs&post=199440&blog=223&coldir=1&topo=3994.dwt
- http://florobsessiva.blogspot.com/2009/07/internet-e-mesmo-uma-maravilha.html
Cabe lembrar que não há impeachment na constituição Hondurenha, e a constituição permite mudanças, mas por meios legais e não das cláusulas pétreas…
O resto basta ver os links acima.
Abraços.
É a Folha de São Paulo apoiando a ditabranda hondurenha
Não há constituição que proíba uma constituinte, nem a de Honduras, repleta de incoerências. A interpretação das oligarquias hondurenhas, vendida e comprada por parte da nossa mídia, era de que os artigos da lei que proíbem a REFORMA da constituição para permitir a reeleição presidencial seriam impeditivos de uma consulta popular sobre a constituinte. Não são. E o congresso de lá ainda fez pior: mudou as regras constitucionais aos 45 minutos de segundo tempo para impedir uma consulta ao povo. Sem falar na fraude da carta de renúncia.
Foram os golpistas que rasgaram sua própria constituição. Diz ela sobre a soberania de seu povo:
“ARTICULO 2.- La soberanía corresponde al pueblo del cual emanan todos los poderes del Estado que se ejercen por representación.
La suplantación de la soberanía popular y la usurpación de los poderes constituidos se tipifican como delitos de traición a la Patria. La responsabilidad en estos casos es imprescriptible y podrá ser deducida de oficio o a petición de cualquier ciudadano.”
E a lei garante e pune claramente quem desrespeitar a participação popular:
“ARTICULO 45.- Se declara punible todo acto por el cual se prohíba o limite la participación del ciudadano en la vida política del país.”
Diz a constituição hondurenha sobre a quebra da democracia:
“ARTICULO 3.- Nadie debe obediencia a un gobierno usurpador ni a quienes asuman funciones o empleos públicos por la fuerza de las armas o usando medios o procedimientos que quebranten o desconozcan lo que esta Constitución y las leyes establecen. Los actos verificados por tales autoridades son nulos. el pueblo tiene derecho a recurrir a la insurrección en defensa del orden constitucional.”
E ao afastar o presidente eleito, sem direito de defesa, feriram a lei:
“ARTICULO 82.- El derecho de defensa es inviolable.
Los habitantes de la República tienen libre acceso a los tribunales para ejercitar sus acciones en la forma que señalan las leyes.”
Portanto, não há nenhum problema de lógica. Ela é clara. Os golpistas feriram a constituição. Uma pena que o discurso enganador destas oligarquias atrasadas consiga aparecer por aqui em meio a preconceitos existentes, servindo como ilação para os temores de nossas elites e seus aliados.
O Ombudsman está correto, o Nassif é que está mal-informado. O que ele quis dizer, segundo entendi, é que o problema foi o rito sumário de deposição (previsto erronea e draconianamente na Constituição), e a não abertura de um processo de impeachment que, enquanto processo, daria ao presidente eleito ampla oportunidade de defesa – o que é absolutamente necessário num estado de direito. O problema é a Constituição hondurenha prever a proteção ao estado de direito por meio de um mecanismo que é flagrantemente ofensivo aos princípios que devem pautar este e qualquer outro estado de direito. É como se para defender o direito à vida um país promulgasse uma constituição que previsse a tirada imediata da vida a todos aqueles que pusessem a vida dos outros em risco. Ela entraria em flagrante contradição. É o caso da constituição hondurenha que, conforme o exemplo concreto demonstra, precisa urgentemente de uma reforma nesse sentido.
Quanto aos que dizem que a decisão última na democracia tem de ser dada de forma direta ao povo em qualquer circunstância, estes parecem não entender o que está em jogo na necessidade de manter um fino equilíbrio entre participação popular e a estabilidade das regras e das instituições. No Manifesto Comunista Marx define a ditadura do proletariado como uma “democracia” e, a rigor, ele não deixava de ter razão. É por isso que a palavra não deve ser entendida no seu sentido etimológico, mas nas qualificações que foi ganhando em sua evolução. Apenas o caráter necessariamente formal da igualdade de condições e da isonomia pode garantir a sobrevivência da liberdade no ambiente democrático; quer dizer, a democracia levada às últimas conseqüências transforma-se imediatamente em seu contrário, como os gregos já pareciam saber. Assim, o que houve em Honduras foi um golpe, sim, ainda que constitucional (há ainda a questão da mutabilidade ou não das clásulas fundamentais pela vontade popular, o que é uma espinhosíssima disputa entre os juristas). A solução para ele não é, no entanto, uma consulta direta à vontade popular, mas a revisão dos procedimentos dessa atrapalhada constituição. Portanto, dessa vez, enfim, o ombudsman me parece estar absolutamente correto na sua ponderação. Foi o Nassif que comeu bola.
O link acima não está pegando, mas aqui está a entrevista:
http://www.elfaro.net/secciones/Noticias/20090629/noticias16_20090629.asp
Detalhe que o “delito” foi não prender Zelaya.
“…Mas a Constituição não manda depor o presidente. Mas isso se deve a uma falha da Constituição…”
É da regra do direito que quando não há norma expressa sobre determinado tema ou quando há conflito de regras utilizam-se como norte os princípios.
A ausência de mandamento constitucional não dá a ninguém poderes para eleger regra que melhor convenha ao interesse político dos golpistas.
A solução é sempre o devido processo legal, conferindo ao acusado a ampla defesa e o contraditório.
Gorila hondurenho chuta o balde. De vez.
Para os gorilas hondurenhos Obama é só um negrinho ignorante.
“Según el periódico argentino El Clarín, el nuevo “canciller” Enrique Ortez asistió a un programa periodístico de la televisión hondureña donde le preguntaron por las reacciones internacionales frente al golpe de Estado, Ortez dijo sin reparos que no le atribuía importancia alguna a la OEA y a “los otros grupitos que andan por ahí”, le pidió a José Luis Rodríguez Zapatero que “vuelva a sus zapatos” y aseguró que no iba a hablar de El Salvador “porque no vale la pena hablar de un país tan chiquito, en el que no se puede jugar al fútbol porque la pelota se cae a otro país”.
Pero fue por más al definir al presidente de los Estados Unidos, Barack Obama, como “ese negrito que no sabe nada de nada”.
http://www.lapagina.com.sv/nacionales/12119/2009/07/03/Nuevo-canciller-de-Honduras-menosprecia-a-El-Salvador
Nassif,
Quando a Bibi e a Dodó não querem comer, você ainda as ameaça com o “Foro de São Paulo”?
Aqui no Brasil nós semo muuuito mais ixperto. Nós aqui arruma reeleição comprando parlamentar baratim, baratim; basta o candidato ser de direita. A Imprensa apóia toda em peso. Mas quando um candidato de ixquerda (ou que nós acha que é de ixquerda) começa a ficar muito popular no fim de um segundo mandato a gente inventa que o cara tá querendo imitar o Xáves, dar golpe populista etc. E a gente faz isso na maior cara de pau, pois a classe média que lê jornal é imbecil e não vê contradição nenhuma em nada disso. Esses caras lá de Honduras é tudo amador.
O que vocês queriam do “Jornal da Ditabranda”???
o ombudsman para se manter lá tem que acompanhar a lógica do jornal.
E a lógica do jornal é golpista.
Como eles sonham com um golpe desses no Brasil…
Para voltar a “Ditabranda”.
Nassif, vc está contribuindo para a desinformação…
Faltou falar que o cara não pode se reeleger de maneira nenhuma, pois a assembleia constituinte aconteceria DEPOIS da eleição.
Além disso, é dificil aceitar que um plebiscito pra realizar uma eleição constituinte (dois níveis de indireção DEMOCRATICA) seja ilegal. Tem alguma coisa errada nessa constituição imutavel.
Será que foi deus quem ditou a constituição atual de Honduras e por isso ela não permite alterações?
Vamos lá de novo…
- O que ameniza o fato de que “militares não assumiram o Executivo”? Não “assumiram o Executivo”, mas depuseram o Executivo eleito!
- E se um presidente quiser um plebiscito pra possibilitar um “impeachment”? Será “golpeado”/”deposto”? Mas não estará tentando mexer na constituição?
Só faltam dizer que a Constituição de Honduras fora talhada por Deus em pedra e entregue ao explorador ultramarino, Cristóvão Colombo…
OBS: Marco parabéns pelo texto!
Marco, muito bom texto, mas mais uma vez a ironia do Nassif nao foi compreendida. Você concorda com ele!
Mozart, você tem razão, rsrs. Pior, só há uns quinze minutos eu percebi que ele estava ironizando. Mais uma vez fui cabeça de vento, pois já havia lido a opinião de Nassif sobre o caso mais uma vez. Desculpe. E me desculpe também, Nassif. Mas você já sabe que atenção nem sempre é o meu forte…
Villegagnon,
Eu tenho informações seguras de que o Foro de São Paulo esteve por trás da eleição de Barack Hussein Obama.
Como você sabe, ele é um agente muçulmano infiltrado no Partido Democrata americano.
Agora com o poder do EUA nas mãos, os encontros do Foro se disfarçam em reuniões da OEA. Veja o resultado da resolução que suspendeu Hoduras:
“A suspensão foi aprovada por 33 dos 34 integrantes da OEA, com abstenção de Honduras”
http://internacional.dgabc.com.br/default.asp?pt=secao&pg=detalhe&c=6&id=5753457&titulo=Em+assembleia+extraordinaria-+OEA+suspende+Honduras
Está tudo dominado. Só o representante de Honduras não votou a favor.
Devemos ter o máximo cuidado com o Foro a partir de agora. Antes de se deitar, veja se não há algum embaixo da cama. Eles andam sempre acompanhados do Coelhinho da Páscoa ou do Papai Noel. Assim ensinou o mestre Olavo.
Marco Antonio, o Nassif concorda com você.
“Antes o referendo propunha:
Está de acuerdo que en las elecciones generales de 2009 se instale una cuarta urna en la cual el pueblo decida la convocatoria a una asamblea nacional constituyente? Si / No
Esse referendo era denominado: “Encuesta de Opinión Pública para instalar una Cuarta Urna”
Mas Zelaya mudou as regras pouco antes da realização do referendo e estava propondo outro referendo, que teria outra denominação: “Encuesta de Opinión Pública Convocatoria a Asamblea Nacional Constituyente”. O pior é o que estaria impresso na cédula ainda é incógnita. Parece mesmo uma malandragem de Zelaya.
Percebem a diferença? Através do novo referendo, não seria perguntado se teria a tal quarta urna e sim se o povo queria uma nova Constituinte”
Esse link foi disponibilizado por um leitor no post sobre Honduras ontem. É de um grupo de comunicação venezuelano de oposição ferrenha a Hugo Chávez, apoiador do golpe para derrubá-lo em 2002.
Quem se deu ao trabalho de ler a matéria original, percebe que a única coisa factual que o jornal consegue apontar é a mudança no NOME do referendo. A PERGUNTA continuava a mesma, segundo o único documento que apareceu até agora na Internet, a cópia da cédula eleitoral.
Mas, a partir da suposta alteração do nome do plebiscito, a oposição divulgou que isso seria (no condicional) uma cilada de Zelaya, que a pergunta seria (no condicional) outra, mesmo o jornal admitindo que o que estaria (no condicional) impresso na cédula seria (no condicional) uma incógnita.
São suposições e especulações de cunho meramente golpista, tanto quanto este trecho da mesma matéria:
“Si se hubiera realizado la encuesta, el llamado en la Gaceta Oficial era para una convocatoria de una asamblea constituyente. Teniendo los resultados de la encuesta, hoy martes estaríamos con un congreso disuelto y en manos de Chávez.”
Chega de papo furado! A Folha é a favor do golpe e ponto final!
a foha já disse que tivemos uma ditabranda, como ela classificaria de golpe o golpe?
Perguntar não ofende….
Então, por essa lógica, teria sido legítimo depor o presidente FHC quando manobrou para instituir a reeleição e a garantir a si mesmo o direito a um novo mandato?
O BODE REFUGA AO BANZÉ TERAPÊUTICO GOLPISTA
Temos que compreender a dificuldade da direita conseguir o poder com um discurso que não seja tortuoso, repleto de manobras e manipulações diversas.
A primeira recomendação da bula conservadora direitista, é: Constitua-se um “Bode.” Nunca esquecer que todo trambique terá como legenda a defesa da democracia.
O bode, num primeiro momento não é necessário um de quatro patas, basta uma confusão, uma briga, uma baita encrenca, um rolo, um banzé. Naturalmente deve-se elaborar memorial justificativo consistente, para aplicação concomitante.
Até recentemente, o bode cumunismo era muito eficaz, no entanto, o uso indiscriminado, desenvolveu linhagens resistentes. O “bode corrúpção,” sempre terá aplicação subsidiária, como bode correlato, preparatório, digamos assim. Caso a terapia não apresente resultados satisfatórios, parte-se para segunda etapa do tratamento.
Segunda etapa cria-se “O Bode Expiatório,” o animal toma forma material, corporifica-se. Aí velho, vamos cair em cima do bicho de pau e pedra. No momento, na America Latina temos dois bodes na segunda etapa e, hum na primeira fase do tratamento.
Abraços. Orlando
Ao anarquista:
seus detalhes sobre o texto inscrito na cédula do referendo são esclarecedores, mas gostaria de meter minha colher torta no meio.
Primeiro, uma discussão puramente teórica sobre formas de refundar um Estado.
Essencialmente, essa é uma questão não resolvida em ciência política: como um estado pode abrigar em si próprio os mecanismos para a própria substituição. Percebes que é ilógico? Repúblicas são refundadas sem atenção aos salamaleques da república anterior, justamente porque o propósito de qualquer texto constitucional é se preservar. O que se estaria pedindo, no caso de Zelaya, é o que não se exigiu do general Jacques Massu, que tomou Argel e ameaçou atacar Paris com pára-quedistas se de Gaulle não fosse instalado no poder. O velho general aceitou, mas só se a república fosse refundada… com um referendo. Isso te parece democrático, ou mais um caso de mudança abrupta das regras do jogo?
Pessoalmente, acho ridículas tentativas de textos constitucionais de estabelecer regras para convenções constitucionais, cujo propósito é justamente substituir o texto anterior! Uma pitada de hipocrisia faz bem, mas acho que esses documentos exageram na dose.
Tua afirmação de que Zelaya deveria ter informado o povo de quais seriam os propósitos de uma Assembléia constituinte caberia melhor numa séance surrealista do que numa argumentação. Seria como pedir aos cidadãos brasileiros que aprovassem uma Assembléia Constituinte para aprovar um texto já pronto. Assembléias constituintes, uma vez formadas, são absolutamente soberanas e podem mudar o que quiserem, cabendo ao povo votar as mudanças ou não. Queres um exemplo? A convenção da Filadélfia de 1787 fora constituída com um mandato específico de propor algumas mudanças à carta original que se seguira à independência, em 1778, e que instituíra o Congresso continental. Havia um entendimento de que a carta era imperfeita, mas ninguém, em princípio, havia dado a Washington e sua trupe poderes para susbstituí-la. Mas havia o reconhecimento da convenção como um corpo constituinte, e ninguém levantou objeções aos resultados, que foram votados em 1788-9 – uma fração minoritária do eleitorado, sendo que só homens proprietários podiam votar – e aprovados por margem relativamente estreita.
Se Zelaya fizesse o que sugeriste, estaria pedindo a formação de uma Assembléia de revisão para a constituição vigente. Isso sim seria inconstitucional, pois o poder revisional em Honduras, como aqui, cabe ao Congresso. Não existe Assembléia Constituinte parcial: ou tudo ou nada. Esse inclusive é o propósito das cláusulas pétreas: obrigar o governo que quiser mudá-las a correr o risco de mudar tudo.
Talvez objetes que o PT está colhendo assinaturas para formar uma constituinte parcial. Vã esperança, em minha opinião, mas, caso consiga atingir seu intento, nada impede que, uma vez formada com plenos poderes, essa assembléia tome o rumo que bem entender, como a da Filadélfia. Porque, repito, não faz sentido uma assembléia constituinte se pautar pela carta magna anterior. Essa, aliás, é a maior crítica à constituinte de 88: ela se compôs de parlamentares, frutos da constituição de 1967, quando uma assembléia verdadeira deveria refletir a composição da sociedade de 88, formada por delegados eleitos somente com esse fim.
Em outras palavras, o que sugeres despertaria gostosas gargalhadas de gente como de Gaulle, Washington e – por que não? – Chávez. Aliás, o cartorialismo é uma ferramenta muito usada por quem quer se manter no poder, como o “establishment” político de Honduras que perpetrou o golpe contra Zelaya.
À argumentação de que o presidente queria se perpetuar no poder, o comentarista “mf” respondeu muito apropriadamente às 12:21. É claro, se a nova constituição permitisse os mandatos múltiplos, nada impediria que ele concorresse, como Chávez concorreu: todos os cronômetros são zerados por uma constituinte. Mas ele teria que enfrentar as urnas.
E aí, entra-se na eterna discussão, que, acabo de saber por fonte indireta, Gramsci chamava de “cesarismo”. Um político popular que é progressivamente mais aclamado pelo povo corre o risco de se deixar inebriar pelo poder e se mover em direção à própria perpetuação. Ignorando figurinhas de pequena estatura, como Roosevelt, Kohl, Adenauer e Miterrand, eu diria que, até pelos padrões da América Latina, o presidente Zelaya ficou pouco tempo no poder, e ainda estaria muito longe do cesarismo.
Pelo que sei, a parte legal da questão foi discutida em outro fórum aqui mesmo, mas gostaria de chamar a atenção para o texto em http://www.counterpunch.org/thorensen07012009.html para uma argumentação, no meu entender, convincente da absoluta legalidade dos atos de Zelaya.
E aí virias, provavelmente, com o argumento – desculpa me antecipar – de que a única opinião sobre o que é legal ou não em Honduras deveria ser da Corte Suprema hondurenha. Esse é um argumento interessante, posto que encerra um enigma jurídico-político: como exigir que um estamento político aprove a própria dissolução? De novo, é absurdo: para mim, é límpido e cristalino que, por mais claro que o texto da constituição e o código civil fossem sobre a autorização para referendos constituintes – no caso de Honduras, é o artigo 5 da Lei de Participação Civil de 2006 – é igualmente límpido e cristalino que a Corte Suprema, que seria dissolvida por uma refundação da república, acharia um jeito de declará-lo ilegal.
Nos Estados Unidos, se a Corte Suprema decidisse pela ilegalidade de uma petição plebiscitária, o Senado teria o poder de anular esse entendimento. Em Honduras, uma provisão dessas não ajudaria, porque a oposição tem votos suficiente para bloquear tal iniciativa no congresso. Damos de novo com a cara no absurdo que é exigir que instituições se curvem à própria dissolução. O congresso equatoriano tentou exatamente isso, mas Corrêa levou o povo às ruas e acabou refundando o país de qualquer jeito. Teve mais astúcia, ou mais tempo, do que Zelaya…
O presidente hondurenho jogou com as cartas que tinha. Se fôssemos julgar toda tentativa de refundação da república, era seria ilegal pela óptica da república anterior. É um non sequitur, percebes? Tudo é obrigatoriamente nebuloso numa refundação, e só podemos esperar que as credenciais democráticas dos atores políticos sejam afirmadas por seu aceite do julgamento das urnas. Zelaya parecia disposto a correr o risco: os que o depuseram, não. Será que um dia saberemos o que o povo hondurenho pensa da idéia de refundar o país?
Sobre constituições imutáveis, Ferdinand Lundberg as discute exemplarmente num livrinho raro chamado “Cracks in the constitution”, mas o argumento central é de que elas não funcionam bem. O principal exemplo é a estadunidense, cujo texto não muda jamais – e mesmo as emendas, que não fazem parte do texto central, são raras, em número de 25 ou 26 até hoje – e que é torcida para lá e para cá em seu significado ao longo das décadas. Lá a Corte Suprema chega ao absurdo de revogar seus próprios entendimentos anteriores de acordo com o sabor do vento. As democracias mais avançadas – estou usando meu entendimento de avanço – ou não são agrilhoadas por constituições formulaicas, como a britânica, ou mexem no texto central com freqüência, como a italiana e a francesa, trocando o texto inteiro no atacado quando convém. O grande jornalista Mauro Santayana – isso é apenas uma anedota, não percas tempo atacando o coitado, não contribuiria em nada para a discussão – sugere há anos uma constituinte, com delegados eleitos pelo povo com esse fim, para o Brasil. A carta de 88 não contém dispositivos prevendo a própria substituição. Em outras palavras, o que ora ocorre em Honduras poderia ocorrer aqui…
Poderias me perguntar o que eu acho que Zelaya deveria ter feito. Pessoalmente, não sei. O que é bom, moral ou nobre é o que a história determina em retrospectiva, o que sempre corresponde ao lado do vencedor, que, no caso de Honduras, ainda não está determinado, embora eu suspeite que as forças golpistas, pelo menos por enquanto, serão vitoriosas. Talvez o maior erro de Zelaya tenha sido de “timing”: ele deveria ter pavimentado o caminho para o plebiscito convocatório da constituinte antes, sem associá-lo tão fortemente às eleições presidenciais. Preferivelmente, deveria ter mandado toda a cúpula das forças armadas para a reserva há muito tempo, e a substituído por oficiais que não tivessem cursa a School of the Americas em Fort Banning. Mas quem sou eu, que nunca me meti em política, para julgar a astúcia ou falta dela em próceres de países distantes?
Finalmente, podes levantar a objeção mágica da alternância do poder. Essa é feita para matar os antidemocratas de esquerda e costuma deixá-los mudos, não achas? Francamente, acho que é um argumento de desonestidade intelectual que se aplica a um momento histórico recente – nações foram felizes e prosperaram sob administrações praticamente geracionais, como a de Bismarck, muito antes de que se tenha erguido o coro da alternância no poder, que é invenção do pós-guerra; e fundalmentalmente ligado a governos presidencialistas, embora todo mundo evite se constranger e ignore deliberadamente que, até 1945, um presidente estadunidense poderia se reeleger quantas vezes quisesse tentar. Francamente, não creio que haja lei eleitoral mais democrática do que a venezuelana, que permite a reeleição contínua, mas autoriza a revogação plebiscitária de mandato para todos os cargos eletivos, coisa impensável no Brasil (percebe que não te estou provocando a discutir Chávez; há uma distância muito grande entre o que está ESCRITO e como se APLICA isso; tenho minhas opiniões sobre o presidente venezuelano, tens as tuas, mas nenhuma delas vem ao caso aqui).
Posso ser mais claro do que fui até aqui, mas espero tua reação antes de prosseguirmos.
Luciano Prado:
Vc é candidata a política?
PORQUE seu texto não define quem é golpista.Muto pelo contrário,outrossim,entretantos e desbaratinos mil.
Qual é sua opinião,hein?
AAAAAAI!!! EU TÔ COM MEDO DO FORO DE SÃO PAULO!!!! EU TÔ COM MEDO DO OBAMA E DO LULA!! EU TÔ COM MEDO DO CHÁVES!!!!!!! EU TÔ COM MEDO DO LOBO MAU!!!!
Mas o tio rei, em seu blog, diz que foi a melhor coisa para Honduras e que torceria para acontecer o mesmo, por aqui.
Estão babando de ódio do Exmo. Presidente LULA, por ele naõ ter apoiado o golpe.
Que medo do tio rei! Ele é muito macho!
ahahaha
A constituição hondurenha é que nem os Dez Mandamentos, veio direto do “Homem”! Gostaria de perguntar para o reporter analista se o Hugo Chávez foi o unico que votou no plebiscito ou foi toda a população da Venezuela com título de eleitor. Depois gostaria de saber também se ao ser aprovada a reeleição, o Chávez foi automaticamente reeleito, ou teve que passar por uma eleição, na qual o povo o manteve no cargo. Sendo assim que ditadura é essa, que é fundamentada no voto popular?
Foro de São Paulo… pff, isso não tem importância nenhuma. É coisa de teórico da conspiração lelé da cuca. Mas vejam só que coincidência. Tirando Honduras da lista, reparem quantos *países* governados por membros do Foro de São Paulo (em ordem alfabética):
Argentina, Barbados, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Dominica, El Salvador, Equador, Guatemala, Haiti, Nicarágua, Panamá, Paraguai, República Dominicana, Uruguai, Venezuela.
Mas é claro que isso é tudo coincidência. Não tem nada a ver. Imagina. Bobeira, gente.
Como dizia Marx que vale a pena, o Groucho: “afinal de contas, você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?”
Impressionante esse Maisonnave, repórter (?) da Folha fazer tal afirmação. Esse sujeito vive em Caracas, entalado no quarto de hotel vendo TV de oposição ao Hugo Chavez e vomitando porcarias em sua coluna. Agora dá uma de que o golpe em Honduras tem alguma legitimidade. Pelo amor de Deus, Nassif! A ditabranda é cara de pau mesmo. Nem a Veja chega a tanto.
“Tirando Honduras da lista, reparem quantos *países* governados por membros do Foro de São Paulo (em ordem alfabética):
Argentina, Barbados, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Dominica, El Salvador, Equador, Guatemala, Haiti, Nicarágua, Panamá, Paraguai, República Dominicana, Uruguai, Venezuela.”
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Caro Villegagnon,
Assim como Honduras, a Colômbia também não é governada por membro do FSP. Alvaro Uribe não faz parte da turma.
Folha de Sáo Paulo e Honduras:
Eu sou o gorila que caiu na sua sopa.
Que a Folha de São Paulo apóia o golpe militar judiciário em Honduras já estava claro antes dessas reportagens. Assim como O Globo, o Estadão, o Estado de Minas.
Mas os mais poderosos apoiadores são os nossos canais de televisão, que quando não apóiam explícitamente o golpe, como o cabo GLOBONEWS, inclusive com ajuda de “especialistas, simplesmente não informam nada, absolutamente nada.
A coisa é grave, tanto que ontem a noite, vi no canal referido, ao vivo, um coordenador do IUPERJ da Universidade CÂNDIDO MENDES, Marcelo Coutinho, tentando justificar e legitimar o golpe. Ainda bem que ele era tão ruim de serviço, tão incompetente e confuso para lograr seu intento, e o do canal. Ele falou como cientista do IUPERJ, em nome do instituto, conforme a apresentação do “âncora” e da legenda na tela. E eu achava que o IUPERJ fosse uma instituição séria.
Mas, se revela uma outra verdade sobre a nossas televisões. Não é só má fé que as caracteriza. É também a mais profunda incompetência jornalística. Tanta omissão e distorção se dá também pela desqualificação dos seus jornalistas. Acho que a rede imitadora da Globo não precisa nem de comentários, mas chama muita atenção a incompetência da TV Cultura de São Paulo e da TV Brasil, inclusive EBC. Tratam o assunto tão mal ou pior que a Globo e suas imitadoras. Será que elas também apóiam ou teem algum argumento para justificar o golpe?
Na verdade não há tratamento do assunto e também não se permite que a única TV que faz o trabalho, a TELESUR, se mostre de alguma forma nas telas por aqui. Será que era pedir demais à TV Brasil que enviasse um correspondente, um único sequer? Se sim, será que não podiam fazer algum programa a respeito daqui mesmo?
Nassif, gostaria de acrescentar que, com essa, perdí completamente a confiança na Tereza Cruvinel, assim como no Florestan Fernandes e em todos os atuais responsáveis pelo jornalismo na TV Brasil. Quando nós mais precisamos da TV Brasil e da EBC, elas se mostram muito incompetentes para o meu gosto.
A cobertura sobre o gravíssimo golpe que é em Honduras, mas que nos atinge diretamente, é mais do que lastimável, é claramente inaceitável, o que significa que não é caso para se cogitar corrigir ou perdoar. É caso para que todos os responsáveis, ou melhor, estes irresponsáveis esvaziem suas gavetas de seus bureaus e caiam fora de lá. Não posso reconhecer neles o direito de errar tanto assim.
Obrigado.
H. C. Paes:
“”Posso ser mais claro do que fui até aqui, mas espero tua reação antes de prosseguirmos.”"
Eu entendi perfeitamente seu raciocínio.
Mas esse tipo de ”discordância”,não é´possível `a distância.
Que tal nos encontrarmos no sarau dop NASSA pra trocarmos uma ideia sobre este e outros asssuntos?
Seria muito gratificante.
Abraços!
Que a Folha de São Paulo apóia o golpe militar judiciário em Honduras já estava claro antes dessas reportagens.
Mas os mais poderosos apoiadores são os nossos canais de televisão, que quando não apóiam explicitamente o golpe, como o cabo GLOBONEWS, inclusive com ajuda de “especialistas”, simplesmente não informam nada, absolutamente nada.
A coisa é grave, tanto que ontem a noite, vi no canal referido, ao vivo, um coordenador do IUPERJ da Universidade CÂNDIDO MENDES, Marcelo Coutinho, tentando justificar e legitimar o golpe. Ainda bem que ele era um tanto confuso para lograr completamente seu intento, e o do canal. Ele falou como cientista do IUPERJ, em nome do instituto, conforme a apresentação do “âncora” e da legenda na tela.
Mas, se revela uma outra verdade sobre a nossas televisões. Não é só má fé que às vezes as caracteriza. É também uma certa incompetência jornalística. Muita omissão e distorção se dão também por aí. Acho que a rede imitadora da Globo não precisa nem de comentários, mas chama muita atenção a incompetência da TV Cultura de São Paulo e da TV Brasil, inclusive EBC. Tratam o assunto tão mal ou pior que a Globo e suas imitadoras. Pode até não ser intencional, mas parece que fazem parte do lockout.
Na verdade não há tratamento do assunto e também não se permite que a única TV que faz o trabalho, a TELESUR, se mostre de alguma forma nas telas por aqui. Será que era pedir demais à TV Brasil que enviasse um correspondente, um único sequer? Se sim, será que não podiam fazer algum programa a respeito daqui mesmo?
O Golpe militar judiciário em Honduras é gravíssimo e nos atinge diretamente. Nada justifica as não coberturas das TV Brasil, TV Cultura e EBC, entre outras. Eu acho sinceramente que os responsáveis por essa gravíssima omissão deveriam ser seriamente punidos. Considero o caso inaceitável.
FOLHA “RECONHECE” PRESIDENTE GOLPISTA DE HONDURAS. A “folhinha” “tá se achando!!!!”. O Brasil não reconhece, a OEA idem, a ONU idem idem, a União Européa tb não reconhece…MAS a “folhinha” RECONHECE. É a “república das “folhas”, porque das “bananas” nos já banimos do hemisfério. As “opiniões da Folha” valem tanto quanto “uma folha ao vento”… COMO SÃO PRETENCIOSOS !!!!
O mais interessante é que a consulta a ser realizada no dia 28 de jnho pp não falava em reforma ou emenda constitucional, perguntaria apenas se os hondurenhos gostariam de votar numa possível convocação plebiscitária sobre uma futura Assembléia Constituinte.
Pelo visto as teses da família Vargas Llosa já têm defensores, adeptos e professores. São as teses sobre as “ditaduras democráticas”, em que a maioria, embora votando por seus interesses e de forma majoritária, dão base para a formação de “ditaduras” políticas que violam privilégios e estruturas oligárquicas de poder, o que é um verdadeiro crime lesa-majestade.
Além de que Manuel Zelaya não poderia ser reeleito, pois já estaria fora da Presidência.
É uma lógica nem engraçada.
Triste essa quadra em “neustra latina america”….
De novo estamos a entregar nossos destinos nas mãos de “salvadores da pátria”, de iluminados, de coroneis, sargentos, pajés e bispos…
E de novo os militares encontram desculpas ( esfarrapadas, mas quem se importa com isso…) pra também “salvar” a patria. Só que à moda deles, com fuzis, tanques….
Os chavez, os morales, os lugos, representam um imenso retrocesso no amadurecimento de nossa pobre america latina. Pena que ainda encontrem espaço. Ainda reunam milhares de seguidores quase tão fanaticos quanto o mais enlouquecido “fundamentalista” de qualquer seita ou credo radical.
Civilização não é isso. Definitivamente, não vamos bem….
PS- Mas a minha esperança é incurável!!!!
E por falar em banho de lógica, Nassif, tome-se como exemplo o fato indiscutível de que os golpistas temiam o resultado do plebicisto. Caso tivessem concluído que o pleito era fantasioso, e que da mente doentia de Zelaya tivesse jorrado tão somente o desejo espúrio de reeleger-se por diversas vezes, o que jamais seria respaldado pelos hondurenhos, bastava-lhes deixar o barco correr, para verem os planos de Zelaya naufragarem.
Mas não concluíram desse modo. Ao sentirem que quem naufragaria seriam eles, talvez em razão da água que começava a bater-lhes no lombo, já que quem tem, tem medo, lançaram-se no abjeto e deplorável golpe de Estado. Foi, portanto, um golpe protetivo assacado pelas elites, posto que, conforme muito bem analisado por Marco Antonio (10:26), feudos medievais certamente se cristalizaram à sombra de uma Constituição atrasada perante a ciência jurídica.
Sou capaz de apostar que o desejo maior de Zalaya não vai além da modernização das leis que hoje imperam em seu país.
Vê-se assim, caro amigo, que, com a deposição de Zelaya, mais uma vez, o atraso impôs outra tenebrosa madrugada à América Latina.
Caro anarquista,
lisonjeia-me o convite, mas não moro em São Paulo, nem perto dela. Adoraria ir a um sarau do Luis Nassif – não para ver o mentiroso do Jobim, cantando, é claro – mas isso é, por ora, impossível.
Grato pela gentileza,
H. C. Paes
Deveriamos ter prendido o Sarney em 86/88, ao convocar a Constituinte!
Pouparia o Fora Sarney
Tem certeza que o autor do texto é um repórter? Para mim está mais para um ventríloquo do seu patrão.
Não custa nada agradar o chefe.
Villegagnon,
Você diz: ‘Tirando Honduras da lista, reparem quantos *países* governados por membros do Foro de São Paulo (em ordem alfabética):
Argentina, Barbados, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Dominica, El Salvador, Equador, Guatemala, Haiti, Nicarágua, Panamá, Paraguai, República Dominicana, Uruguai, Venezuela”.
Vou retirar Cuba, que NÃO faz parte da OEA, não foi a reunião, e vou contar. Acompanhe o desenho.
1-Argentina,2-Barbados,3-Belize,4-Bolívia,5-Brasil,6-Chile,7-Dominica,8-El Salvador,9-Equador,10-Guatemala,11-Haiti, 12-icarágua,13-Panamá,14-Paraguai,15-República Dominicana,16-Uruguai,17-Venezuela
Eu contei 17 os países que você nomeou como participantes do Foro de São Paulo.
Você conseguiu acompanhar?
Se ficar difícil, avisa que eu repito as partes que você não entendeu.
Veja agora o resultado da votação da OEA:
“A suspensão foi aprovada por 33 dos 34 integrantes da OEA, com abstenção de Honduras”
http://internacional.dgabc.com.br/default.asp?pt=secao&pg=detalhe&c=6&id=5753457&titulo=Em+assembleia+extraordinaria-+OEA+suspende+Honduras
33 países aprovaram a suspensão. Agora, preste bastante atenção na parte mais difícil. Vamos fazer a conta.
33 – 17 = 16
No seu computador tem uma calculadora para fazer esse cálculo. Mas sei que você deve ter suas razões de desconfiar que o Bill Gates aderiu ao Foro de São Paulo. Então junte 33 tampinhas de garrafas em um pequeno montinho. Vá separando, de uma em uma, as tampinhas do bolo até completar 17. Depois conte as tampinhas que ficaram no bolo. Você confirmará o resultado.
Além dos ‘países’ do Foro de São Paulo, outros 16 países suspenderam Honduras. Vai ver que eles aderiram ao Foro, ou ficaram intimidados. São umas porrinhas de países como Colômbia, México, Canadá e EUA.
Esse último é exemplar em acatar decisões internacionais que contraria seus interesses políticos, e é uma impotência geopolítica.
Agora, vamos a sua citação de Groucho Marx: “afinal de contas, você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?”
Você consegue agora perceber quem não está acreditando nos seus próprios olhos?
Não? Então procure ajuda.
É o enraizamento de valores e práticas. Desde 64, pouca coisa mudou na Folha. O pouco apreço por conceitos fica patente. É quase risivel o apoio velado ao golpe em Honduras. Mantém, ao menos, a coerência. Golpes militares, a Folha apoia. Já já ela publica um editorial dizendo que a ditadura em Honduras nem é lá tao dura assim. viva a ditabranda!
….O QUE HÁ DE JORNALISTA QUE NÃO FAZ JUS NEM AO CAFEZINHO DA REDAÇÃO, NÃO TÁ NO GIBI…RS….
É por isso que o PIG tem um G na sigla. O PIG defende golpes também fora do Brasil …
Caro Nassif,
Cabe pedir ao umbudsman para corrigir um erro factual da matéria do “enviado especial”: muito antes de Chávez, o continuísmo já fazia parte de outras cartilhas desde a década passada, sendo que, em alguns casos, como no Brasil, dispensou-se uma possível Constituinte para permitir a reeleição de FHC, que também se empenhou em apoiar a tese da segunda reeleição de Fujimori, no Peru.
Falando em segunda reeleição, Uribe está trabalhando para que a Constituição colombiana seja alterada sem Constituinte para que ele seja beneficiado, sem que a grande imprensa brasileira dê destaque e faça uma contestação veemente.
Abraços.
Me impressiona comom os jronais brasileiros estão saudosos de ditaduras. Não só a Folha, O Globo, mas o Estadão deu um espaço enorme para que um golpista de Honduras escrevesse dizendo que não houve golpe no país. Houve o que então? Eleições deomocráticas, limpas, serenas, etc etc? É por essas e outras que deixei de assinar jornais, e quando compro tenho náuseas.
A folha deveria convidar FHC para analisar este golpe . pois o meu deu um para se reeleger ..
viva a democracia brasileira
O Micheleti está xingando o Gorileti por ter entrado nesse rabo de foguete da quartelada, Honduras agora virou Geni, todo mundo fala mal da bananera, rs