Os riscos de negociar com a China
Do Estadão
Sem encomendas, Embraer estuda fechar fábrica na China
Contratos atuais garantem funcionamento da unidade chinesa apenas até meados de 2011
Raquel Landim e Mariana Barbosa
A operação industrial da Embraer na China está em risco. Com o cancelamento de pedidos e sem novas encomendas, a empresa cogita fechar as portas da fábrica de Harbin, no norte do país, onde são feitos aviões do modelo ERJ 145.
Pelos contratos em vigor, a Embraer tem serviço para manter a unidade funcionando apenas até a metade de 2011. Se não surgirem novos pedidos, a avaliação é que não faz sentido seguir montando aviões na China.
A decisão de manter ou não a fábrica no país asiático deve ser tomada até meados do ano que vem. “Os próximos movimentos estratégicos para a nossa presença industrial na China devem ser definidos dentro de doze meses”, diz o presidente da Embraer, Frederico Curado.
Segundo o executivo, o prejuízo para encerrar as operações não seria grande. A Embraer e sua parceira China Aviation Industry Corporation (Avic) aplicaram US$ 25 milhões no negócio. Apesar da brasileira possuir 51% da joint venture, a sócia chinesa construiu a maior parte da infraestrutura.
O maior contrato da Embraer na China é com a companhia aérea Hainan Airlines, no valor de US$ 2,7 bilhões, e apresenta vários problemas. O acerto previa a venda de 100 aviões: 50 ERJ 145, produzidos em Harbin, e 50 Embraer 190, feitos no Brasil. Em maio deste ano, a Hainan cortou pela metade a encomenda dos ERJ 145. Já os 50 aviões feitos no Brasil não estão conseguindo licenças de importação para entrar na China.
Com a eclosão da crise, a situação da Embraer na China se tornou delicada. A turbulência reduziu a demanda por aviões no país e tornou o governo local mais protecionista. Segundo fontes em Pequim, além de obrigar o setor aéreo chinês a reduzir a oferta de assentos por causa da crise, o governo pressiona as empresas a dar preferência aos aviões fabricados na China.
A decisão prejudicou as entregas dos aviões EMB 190, que começaram em 2008. Até hoje, foram exportadas apenas sete das 50 unidades. Desde o início do ano, o problema com as licenças de importação bloqueou as entregas. “De uma perspectiva realista, 2009 já passou, estamos tentando liberar os jatos de 2010″, disse Curado. Na visita a Pequim em maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou resolver o caso, mas não conseguiu.
Segundo fontes no meio empresarial chinês, a Avic teria imposto à Embraer condições quase inaceitáveis para continuar a joint venture em Harbin. Uma das exigências seria a de levar para a China a produção de aviões da família 170/190, possibilidade que é descartada pela companhia brasileira.
Além de ter as entregas bloqueadas, a Embraer assistiu sua sócia chinesa se tornar parceira indireta da arquirrival Bombardier. O governo chinês fundiu as duas grandes fabricantes de aviões: Avic II, sócia da Embraer, e Avic I, que se preparava para colocar no mercado um avião concorrente da família 170/190, o ARJ 21.
Com a nova reunificação da Avics – no passado, as duas empresas formaram um gigante com 600 mil funcionários -, o projeto do ARJ 21 foi deslocado para um terceira companhia, a Commercial Aircraft Corporation of China (CACC), que também é controlada pelo governo chinês. Em novembro de 2008, a CACC firmou acordo de cooperação tecnológica com a Bombardier para produzir o ARJ 21.
Segundo um executivo da Embraer, “para atuar na China, é preciso ter nervos de aço”, por conta das mudanças que o governo faz nas regras do jogo. A Embraer chegou ao país em 2000 e vendeu, na época, 40 jatos. No ano seguinte, Pequim elevou as tarifas de importação de aviões. Para conquistar a boa vontade do governo, a companhia optou pela fabricação local por meio da joint venture.
Mesmo que decida fechar a fábrica em Harbin, a Embraer não vai abandonar o mercado chinês e espera continuar vendendo aviões depois que a crise passar. No entanto, a vantagem competitiva que a companhia tinha em relação aos concorrentes e novos entrantes – o fato de estar em plena produção com os aviões da família 170/190, enquanto os novos modelos da Bombardier e de fabricantes da China, Japão e Rússia estão em fase de desenvolvimento – começa a se perder.
Quando a crise passar, é provável que os jatos dos concorrentes tenham saído do papel ou estejam próximos disso. Os mais avançados são os russos, que prometem entregar os primeiros Sukhoi SuperJet 100 em dezembro. Já os primeiros ARJ 21, da Avic, devem ser entregues em 2011, enquanto o MRJ 90, da japonesa Mitsubishi, está previsto para entrar em operação em 2014.
Se as projeções da própria Embraer para os próximos 20 anos se concretizarem, os fabricantes disputarão um mercado de US$ 220 bilhões. A companhia brasileira prevê uma demanda global de 6.750 novos jatos de 30 a 120 lugares até 2028. Apenas a China deverá adquirir 875 jatos, ou 13% do mercado.


Nassif, na minha opinião isto serviu apenas para os chineses adquirirem tecnologia da embraer
Segundo o comentário do Luis Armidoro, eu me pus a pensar:
foi isto que a ‘revolução’ ensinou àquele povo ou a vontade de se tornar grande faz as pessoas esquecerem-se de princípios aprendidos e entra o vale tudo…
É o dilema do próprio ‘mundo corporativo’.
Caro Nassif,
A saída para o nosso amado Brasil:
1- Educar em massa o povo brasileiro cultural e tecnologicamente, para que possam competir de igual para igual com qualquer povo;
2- Impor barreiras tarifárias e não tarifárias aos nossos agressivos parceiros comerciais, no que se relaciona a matérias-primas e estimular a exportação de manufaturados e de serviços;
3- Desenvolver indústrias nacionais de automóvel, eletro-eletrônica, de defesa, aeroespacial, informática etc;
4- Aumentar o nível de governabilidade política e de governança corporativa das organizações públicas;
No dia que fizermos isso os nossos agressivos concorrentes irão comer na nossa mão, pois quem tem 20% da água doce do mundo, quem as melhores e maiores terras agricutáveis do mundo, quem tem a maior floresta tropical do planeta, quem tem umpovo tão criativo quanto o nosso, quem tem 90% do nióbio do mundo único metal capaz de ser usado na fusão nuclear que será a energia do futuro en área aeroestacial , que aliás estamos correndo um sério risco de perdermos estas reservas pois estão na terra dos Yanomâmis e as pressões estão aumentando para que a internacionalizemos, as maiores reversas de pretróleo do pré-sal no mundo, quem tem a maior biodiversidade do planeta, etc.? Mas só seremos o país do futuro se soubermos conduzir bem o presente.
Concordo plenamente com o Luis Armidoro…esse é o lema dos que querem ser grande potência.
….adquirir tecnologia alheia com parcerias e depois descartar seus parceiros…
E a China há muito caminha para ser uma potência!!!
Crreção em alguns trechos Nassif.
Caro Nassif,
A saída para o nosso amado Brasil:
1- Educar em massa o povo brasileiro cultural e tecnologicamente, para que possam competir de igual para igual com qualquer povo;
2- Impor barreiras tarifárias e não tarifárias aos nossos agressivos parceiros comerciais, no que se relaciona a matérias-primas e estimular a exportação de manufaturados e de serviços;
3- Desenvolver indústrias nacionais de automóvel, eletro-eletrônica, de defesa, aeroespacial, informática etc;
4- Aumentar o nível de governabilidade política e de governança corporativa das organizações públicas;
No dia que fizermos isso os nossos agressivos concorrentes irão comer na nossa mão, pois quem tem 20% da água doce do mundo, quem tem as melhores e mais extensas terras agricutáveis do mundo, quem tem a maior floresta tropical do planeta, quem tem umpovo tão criativo quanto o nosso, quem tem 90% do nióbio do mundo, único metal capaz de ser usado na contenção da fusão nuclear que será a energia do futuro e também na área aeroestacial , e estamos correndo um sério risco de perder estas reservas pois estão nas terras dos Yanomâmis e as pressões estão aumentando para que a internacionalizemos, quem tem as maiores reversas de pretróleo do pré-sal no mundo, quem tem a maior biodiversidade do planeta, etc.? Sei que hoje não poderíamos abdicar das receitas das comodites innatura, pois elas compõe parte substancial de nossas fontes de obtenção de receitas. Mas precisamos mudar a nossa história, pois só nos tornaremos o país do futuro se soubermos conduzir bem o presente.
Curioso.Recorda-se ,durante os anos de “fechamento” da China,imposto pelo “ocidente”, este produziu uma quantidade imensa de “sinólogos”,especialistas em decifrar a cultura chinesa, antever os movimentos políticos,prever os lances subsequentes da estratégia bélica provável, e adivinhar os rumos daquele país com Mao e sem ele.
Depois, do desaparecimento do “Grande Timoneiro”,sumiram todos os videntes,os “especialistas’,semelhantes aqueles que povoam com suas charlatanices, as páginas consentidas, hoje, da “grande imprensa”, que lemos com ceticismo ou com desprezo.
chuparam a tecnologia.
a bombardier vai na mesma linha.
Concordo com o Jose Nivaldo. O Brasil deveria ser mais “agressivo” em relacao a outros paises. A China faz o que bem entende aqui. A Argentina consegue tudo no Mercosul. E nos, sempre nos achando menos que os outros, coitadinhos.
Nos temos e que “levantar a cabeca”. Nada de ficar permitindo a China ser a nova pontencia do mundo. Este papel e NOSSO.
Sobre a Embraer. Alem dos jatos, penso que havera uma grande demanda por helicopteros. Por que a Embraer nao os fabrica?
No texto, dizem que os russos e chineses estao loucos pra entrar no mercado de jatos.
Vc compraria um jato russo? Confiaria que eles entregariam os pedidos? Voaria sem resssalvas num jato “made in China”? Brinquedinho, OK. Jatos e outra historia. Os concorrentes realmente serios sao os japoneses.
A estratégia comercial brasileira, na minha humilde opinião, é enviesada para dizer o mínimo. O Buffet, que não é bobo nem nada, fez exatamente o contrário, foi lá e comprou participação na BID, que produzia pilhas e agora vai lançar um carro elétrico no USA.
Exatamente o contrário do que fizemos, não sei dos detalhes, mas que cheira lambança , isso cheira.
Vocês perdem tempo em falar desta Lucia HYppolito, isto é o que ela mais deseja, IBOPE.Tudo que ela fala não faz nenhum sentido, não diz nada com nada. Deve ter algum complexo. ´De 10 palavras que fala nove refere-se ao nome do LULA. Faz sentido !!!
Se o governo não estatizar a Embraer e assim ela obter fundos para inovações maiores e maior diversificação,
a Embraer irá murchar, muchar e muchar nos próximos 15 anos,
pois não há como competir com empresas estatais, semi-estatais ou dependentes de fundos públicos diretos ou desviados por encomendas militares como empresas Chinas, Russas, Americanas, Japonesas e Européias.
Só a China e os Russos sozinhos já são capazes de canibalizar o mercado da Embraer.
Essa turbulencia no mercado aeronautico é mundial, não apenas entre Brasil e China, e a Embraer obviamente vem sofrendo essa turbulencia.
Lendo os comentarios acima, quanto aos rumos para o Brasiil, penso que nossa aptidão esta nos produtos que exigem solo e sol, exemplos soja, celulose, minerio de ferro, e para que tornemos competitivos ou mais competitivos ainda, precisamos de melhoramentos em nossa infra estrutura e logistica, rodovias de interligação com hidrovias, ferrovias, portos, sem esquecer das reservas petroliferas, ai sim seremos imbativeis .
Lembrando que tudo isso deve vir acompanhado de muita escola para nossa gente.
Abraços
Nassif,
Uma das maiores vantagens da China para desenvolver e adaptar sua política e estratégia econômicas aos cenários cambiantes e competitivos dos diversos segmentos de mercado (indústria, comércio e serviços) é – por incrível que pareça – o fato de ser uma nação ditatorial e não-democrática. Não há questionamento nem consultas a um empresariado privado: o governo cria empresas e desenvolve executivos, orientados no sentido de expandir negócios e realizar alianças somente com o intuito de aumentar o poderio econômico chinês. Eles subvencionam a vinda de empresas chinesas em exposições de negócios no Brasil (pude ver isso no Salão do Automóvel 2008, Salão de Acessórios 2008 e Automec 2009, eventos do setor automotivo brasileiro), marcando presença massiva. Outra regra: nenhuma concessão de seu mercado a estrangeiros, nenhuma preocupação com marcas ou patentes; a ordem é fazer mesmo engenharia reversa (quando não se puder aliar a empresas para descobrir seus segredos, caso da Embraer e, futuramente, da Bombardier) e ser o mais agressivo possível em açambarcar mercados fora da China. O governo lá sabe que dinheiro é poder – e negócio, hoje, é uma guerra. Nada mais.
A china conseguiu se associar com a Embraer, montando uma verdadeira “empresa chupa cabra” de tecnologia. Não foi a primeira empresa e nem será a última. Apossar de tecnologia alheia é especialidade dos obcecados Asiáticos.
É muita pretensão da embraer ou, qualquer empresa nacional ,achar que receberia um mercado gigante como o Chines de maos beijadas.
Política industrial na China é coisa séria ,desde os insumos (commodities), absorção de tecnologia e abertura de mercado para seus produtos.
Enquanto aqui no Brasil, empresas de sucesso como a Embraer, perderá seu brilho se não contar com uma politica mais alinhada com o governo. A parceria para desenvolvimento do avião C-390 é um bom caminho para o futuro, se quisermos ter uma companhia respeitada como
ainda é respeitada hoje.
é chato o que os chineses aprontaram, mas para proteger o mercado interno vale tudo.
Prezados colega,
Ha muito venho alertando que esta fabrica na China so serve para transferir conhecimento aos nosso amigos chineses.
Fecha-la por 25 milhoes sai barato.
Miope
Parte pensante do Brasil,
Sinceramente, o erro não está na China, na verdade está em nossa política industial brasileira. Estamos avaliando o mercado de aviões, que aliás, poderiamos estar desensolvendo tecnologia de criação para subistituição do air bus por um brasileiro, mas se analisarmos que somos a única economia do mundo batendo recorde de vendas de veículos e não temos nenhuma companhia verdadeiramente nacional verificamos o equívoco.
Se compararmos a balança comercial brasileira com a Chinesa por exemplo, verifiamos que não somamos 10% das exportações de China, e oque é a China frente ao Brasil (riquezas naturais, petróleo, material humando, etc) ?
Os políticos brasileiros têm de parar de pensar unicamente em seu patrimônio pessoal e serem verdadeiramente brasileiros, pensando o país como um todo.
Nós como povo temos que cobrar mais dos políticos, protestar na imprensa, nas ruas, nas escolas e faculdades, nas associações, para exigirmos uma atitude séria desses políticos, independemente de partido, e por fim não renovarmos o mandato daqueles que só servem a sí proprios, usurários, fascinoras e bandidos. É preciso darmos apoio a proposta de projeto que político que responda por processo, mesmo condenado, na primeira instancia, não possa concorrer a mais nada.
Temos tudo, só precisamos de administradores sérios para nosso país..
Negócio da china parece que só é bom para os chineses, que não pensam duas vezes para dar uma rasteira em alguém. Tá na hora do mundo aprender isso. Aliás todo mundo já sabia disso, mas sempre acabamos acreditando nas boas intenções dos amarelos. Tolinhos.
A norma da CHINA é EU eu eu e voces estão lembrado de quando o BRASIL abriu o mercado para os chinas e em troca eles votariam a favor do pais no assento do conselho de segurança da ONU, pois é o governo LULA não aprendeu.
Cordiais Saudações!
A leitura que eu faço é que estamos sofrendo consequência da nossa cultura. Sou Engenheiro Mecânico, e atuo dentro da área, no próprio “arroz com feijão”, isto é, tento fazer o precisa ser feito. Sou um dos poucos que gosta de projeto. É meio absurdo, mas conheci vários formandos, inclusive nas “melhores faculdades” que não gostavam. É um absurdo. Todos queriam ser gestores.
Enquanto almejarmos ser jogadores de futebol, cantores de pagode ou sertanejo, político ou passar em concurso público, iremos ser passados para trás…
Devemos valorizar os técnicos de todas as áreas, não só os gestores e os famosos midiáticos.
Sucesso a todos!