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04/07/2009 - 07:48

Lá como cá

Interessante a lógica de Paul Krugman sobre os desdobramentos político-econômicos da crise, nos EUA, comparando com a dos anos 30. E mostrando inúmeras semelhanças com o que ocorre no Brasil.

1. Programas de estímulo ao emprego, importantes mas insuficientes.

2. Demora natural em recuperar o ritmo anterior e oposição se prevalecendo disso para exigir resultados imediatos e procurando se aproveitar dos problemas.

3. Esforço anticíclico do governo federal sendo atrapalhado pela reacomodação fiscal de estados e municípios.

4. Mercado levantando o fantasma da inflação. Foi esse pânico com uma inflação improvável que matou o New Deal de Roosevelt, ao levá-lo a aumentar os juros em 1937.

Da Folha

Números mostram que os anos 30 voltaram

PAUL KRUGMAN

DO “NEW YORK TIMES”

Bem, os números sobre o emprego divulgados na quinta-feira confirmam: vamos precisar de um estímulo maior. Será que o presidente está informado?

Façamos as contas. Desde que a recessão começou, a economia dos EUA perdeu 6,5 milhões de empregos, e essa queda continua em ritmo acelerado.

Se considerarmos os cerca de 100 mil ou mais empregos novos necessários a cada mês para acompanhar o crescimento populacional, temos um déficit de cerca de 8,5 milhões de postos de trabalho.

Os números do emprego não foram a única má notícia do relatório da quinta-feira, que mostrou ainda estagnação de salários e a chance de um declínio aberto. Isso representa uma receita para deflação ao estilo japonês.

Alguém se interessa por uma década perdida? Há mais notícias ruins: a crise fiscal dos Estados, por exemplo. Ao contrário do governo federal, os estaduais têm a obrigação de manter Orçamentos equilibrados. Diante da severa queda na arrecadação, muitos dos governos estaduais preparam cortes selvagens em seus Orçamentos, muitos dos quais prejudicarão as pessoas mais vulneráveis. Além de serem diretamente responsáveis por gerar muito sofrimento, esses cortes deprimirão a economia ainda mais.

O que temos de fazer para combater essa assustadora perspectiva? Temos o plano de estímulo de Obama, cujo objetivo é criar 3,5 milhões de empregos até o fim do ano que vem. Isso é bem melhor do que nada, mas nem de longe é o bastante. Você se lembra do plano do governo para reduzir o número de execuções de hipotecas ou do plano que estimularia os bancos a retomar seus empréstimos ao assumir os ativos tóxicos de seus balanços? Eu tampouco.

Tudo parece deprimentemente familiar para quem estudou a política econômica dos EUA nos anos 30. Uma vez mais um presidente democrata impôs a aprovação de políticas de criação de empregos que mitigarão a queda, mas não são agressivas o bastante para resultar em plena recuperação. Uma vez mais boa parte do estímulo em nível federal está sendo prejudicada pela reacomodação orçamentária nos Estados e nos municípios.

Será, portanto, que não aprendemos com a história e por isso estamos condenados a repeti-la? Não necessariamente cabe ao presidente e à sua equipe econômica garantir que desta vez as coisas sejam diferentes. O presidente Barack Obama e seus assessores precisam acelerar seus esforços, a começar de um plano que ampliaria as medidas de estímulo. Eu gostaria de deixar claro que estou ciente de o quanto seria difícil implementar um plano desse tipo.

Falta de cooperação

Não haverá nenhuma cooperação dos líderes republicanos, que decidiram por uma estratégia de completa oposição. Esses lideres reagiram ao anúncio dos mais recentes dados sobre o emprego proclamando o fracasso do plano econômico de Obama. Isso é ridículo. O governo avisou desde o começo que seriam necessários alguns trimestres para que o plano apresentasse efeitos positivos importantes. Mas isso não impediu o Comitê de Estudos Republicano de divulgar um comunicado cujo título perguntava: “Onde Estão os Empregos?”.

Não está claro, tampouco, que ajuda o governo receberá dos “centristas” do Senado, que mutilaram parcialmente o plano original de estímulo ao exigir cortes na assistência aos governos estaduais e locais. Um auxílio que, como estamos vendo agora, era necessário. Foi um choque desagradável ver economistas respeitados reciclando velhas falácias como a alegação de que qualquer aumento nos gastos do governo automaticamente desloca igual montante de gasto privado, mesmo que exista desemprego em massa -e emprestando seus nomes a alegações absurdamente exageradas quanto aos malefícios de déficits orçamentários de curto prazo (no momento, os riscos associados a elevar o endividamento público são muito inferiores aos ligados a não oferecer à economia o apoio requerido).

Além disso, a exemplo dos anos 30, os oponentes contam histórias assustadoras sobre o perigo de inflação, enquanto a deflação nos ronda. Assim, será difícil promover uma nova rodada de estímulo. Mas é uma tarefa essencial.

Os economistas do governo Obama compreendem o que está em jogo. Apenas algumas semanas atrás, Christina Romer, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, publicou um artigo sobre as “lições de 1937″ -o ano em que o presidente Franklin Roosevelt cedeu à pressão da linha-dura quanto à inflação e ao déficit, com consequências desastrosas para a economia. O que não sei é se o governo reconheceu que aquilo que fez até agora foi insuficiente.

Por isso, eis minha mensagem ao presidente: é preciso colocar tanto sua equipe econômica como seus assessores políticos em ação para promover novas medidas de estímulo, e já. Porque, se isso não acontecer, em breve o senhor estará enfrentando o seu 1937.

PAUL KRUGMAN, economista, é colunista do “New York Times” e professor na Universidade Princeton (EUA).

Números mostram que os anos 30 voltaram

PAUL KRUGMAN
DO “NEW YORK TIMES”

Bem, os números sobre o emprego divulgados na quinta-feira confirmam: vamos precisar de um estímulo maior. Será que o presidente está informado? Façamos as contas. Desde que a recessão começou, a economia dos EUA perdeu 6,5 milhões de empregos, e essa queda continua em ritmo acelerado. Se considerarmos os cerca de 100 mil ou mais empregos novos necessários a cada mês para acompanhar o crescimento populacional, temos um déficit de cerca de 8,5 milhões de postos de trabalho.
Os números do emprego não foram a única má notícia do relatório da quinta-feira, que mostrou ainda estagnação de salários e a chance de um declínio aberto. Isso representa uma receita para deflação ao estilo japonês. Alguém se interessa por uma década perdida? Há mais notícias ruins: a crise fiscal dos Estados, por exemplo. Ao contrário do governo federal, os estaduais têm a obrigação de manter Orçamentos equilibrados. Diante da severa queda na arrecadação, muitos dos governos estaduais preparam cortes selvagens em seus Orçamentos, muitos dos quais prejudicarão as pessoas mais vulneráveis. Além de serem diretamente responsáveis por gerar muito sofrimento, esses cortes deprimirão a economia ainda mais.
O que temos de fazer para combater essa assustadora perspectiva? Temos o plano de estímulo de Obama, cujo objetivo é criar 3,5 milhões de empregos até o fim do ano que vem. Isso é bem melhor do que nada, mas nem de longe é o bastante. Você se lembra do plano do governo para reduzir o número de execuções de hipotecas ou do plano que estimularia os bancos a retomar seus empréstimos ao assumir os ativos tóxicos de seus balanços? Eu tampouco.
Tudo parece deprimentemente familiar para quem estudou a política econômica dos EUA nos anos 30. Uma vez mais um presidente democrata impôs a aprovação de políticas de criação de empregos que mitigarão a queda, mas não são agressivas o bastante para resultar em plena recuperação. Uma vez mais boa parte do estímulo em nível federal está sendo prejudicada pela reacomodação orçamentária nos Estados e nos municípios.
Será, portanto, que não aprendemos com a história e por isso estamos condenados a repeti-la? Não necessariamente cabe ao presidente e à sua equipe econômica garantir que desta vez as coisas sejam diferentes. O presidente Barack Obama e seus assessores precisam acelerar seus esforços, a começar de um plano que ampliaria as medidas de estímulo. Eu gostaria de deixar claro que estou ciente de o quanto seria difícil implementar um plano desse tipo.

Falta de cooperação
Não haverá nenhuma cooperação dos líderes republicanos, que decidiram por uma estratégia de completa oposição. Esses lideres reagiram ao anúncio dos mais recentes dados sobre o emprego proclamando o fracasso do plano econômico de Obama. Isso é ridículo. O governo avisou desde o começo que seriam necessários alguns trimestres para que o plano apresentasse efeitos positivos importantes. Mas isso não impediu o Comitê de Estudos Republicano de divulgar um comunicado cujo título perguntava: “Onde Estão os Empregos?”.
Não está claro, tampouco, que ajuda o governo receberá dos “centristas” do Senado, que mutilaram parcialmente o plano original de estímulo ao exigir cortes na assistência aos governos estaduais e locais. Um auxílio que, como estamos vendo agora, era necessário. Foi um choque desagradável ver economistas respeitados reciclando velhas falácias como a alegação de que qualquer aumento nos gastos do governo automaticamente desloca igual montante de gasto privado, mesmo que exista desemprego em massa -e emprestando seus nomes a alegações absurdamente exageradas quanto aos malefícios de déficits orçamentários de curto prazo (no momento, os riscos associados a elevar o endividamento público são muito inferiores aos ligados a não oferecer à economia o apoio requerido).
Além disso, a exemplo dos anos 30, os oponentes contam histórias assustadoras sobre o perigo de inflação, enquanto a deflação nos ronda. Assim, será difícil promover uma nova rodada de estímulo. Mas é uma tarefa essencial.
Os economistas do governo Obama compreendem o que está em jogo. Apenas algumas semanas atrás, Christina Romer, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, publicou um artigo sobre as “lições de 1937″ -o ano em que o presidente Franklin Roosevelt cedeu à pressão da linha-dura quanto à inflação e ao déficit, com consequências desastrosas para a economia. O que não sei é se o governo reconheceu que aquilo que fez até agora foi insuficiente.
Por isso, eis minha mensagem ao presidente: é preciso colocar tanto sua equipe econômica como seus assessores políticos em ação para promover novas medidas de estímulo, e já. Porque, se isso não acontecer, em breve o senhor estará enfrentando o seu 1937.

PAUL KRUGMAN, economista, é colunista do “New York Times” e professor na Universidade Princeton (EUA)Números mostram que os anos 30 voltaram

PAUL KRUGMAN
DO “NEW YORK TIMES”

Bem, os números sobre o emprego divulgados na quinta-feira confirmam: vamos precisar de um estímulo maior. Será que o presidente está informado? Façamos as contas. Desde que a recessão começou, a economia dos EUA perdeu 6,5 milhões de empregos, e essa queda continua em ritmo acelerado. Se considerarmos os cerca de 100 mil ou mais empregos novos necessários a cada mês para acompanhar o crescimento populacional, temos um déficit de cerca de 8,5 milhões de postos de trabalho.
Os números do emprego não foram a única má notícia do relatório da quinta-feira, que mostrou ainda estagnação de salários e a chance de um declínio aberto. Isso representa uma receita para deflação ao estilo japonês. Alguém se interessa por uma década perdida? Há mais notícias ruins: a crise fiscal dos Estados, por exemplo. Ao contrário do governo federal, os estaduais têm a obrigação de manter Orçamentos equilibrados. Diante da severa queda na arrecadação, muitos dos governos estaduais preparam cortes selvagens em seus Orçamentos, muitos dos quais prejudicarão as pessoas mais vulneráveis. Além de serem diretamente responsáveis por gerar muito sofrimento, esses cortes deprimirão a economia ainda mais.
O que temos de fazer para combater essa assustadora perspectiva? Temos o plano de estímulo de Obama, cujo objetivo é criar 3,5 milhões de empregos até o fim do ano que vem. Isso é bem melhor do que nada, mas nem de longe é o bastante. Você se lembra do plano do governo para reduzir o número de execuções de hipotecas ou do plano que estimularia os bancos a retomar seus empréstimos ao assumir os ativos tóxicos de seus balanços? Eu tampouco.
Tudo parece deprimentemente familiar para quem estudou a política econômica dos EUA nos anos 30. Uma vez mais um presidente democrata impôs a aprovação de políticas de criação de empregos que mitigarão a queda, mas não são agressivas o bastante para resultar em plena recuperação. Uma vez mais boa parte do estímulo em nível federal está sendo prejudicada pela reacomodação orçamentária nos Estados e nos municípios.
Será, portanto, que não aprendemos com a história e por isso estamos condenados a repeti-la? Não necessariamente cabe ao presidente e à sua equipe econômica garantir que desta vez as coisas sejam diferentes. O presidente Barack Obama e seus assessores precisam acelerar seus esforços, a começar de um plano que ampliaria as medidas de estímulo. Eu gostaria de deixar claro que estou ciente de o quanto seria difícil implementar um plano desse tipo.

Falta de cooperação
Não haverá nenhuma cooperação dos líderes republicanos, que decidiram por uma estratégia de completa oposição. Esses lideres reagiram ao anúncio dos mais recentes dados sobre o emprego proclamando o fracasso do plano econômico de Obama. Isso é ridículo. O governo avisou desde o começo que seriam necessários alguns trimestres para que o plano apresentasse efeitos positivos importantes. Mas isso não impediu o Comitê de Estudos Republicano de divulgar um comunicado cujo título perguntava: “Onde Estão os Empregos?”.
Não está claro, tampouco, que ajuda o governo receberá dos “centristas” do Senado, que mutilaram parcialmente o plano original de estímulo ao exigir cortes na assistência aos governos estaduais e locais. Um auxílio que, como estamos vendo agora, era necessário. Foi um choque desagradável ver economistas respeitados reciclando velhas falácias como a alegação de que qualquer aumento nos gastos do governo automaticamente desloca igual montante de gasto privado, mesmo que exista desemprego em massa -e emprestando seus nomes a alegações absurdamente exageradas quanto aos malefícios de déficits orçamentários de curto prazo (no momento, os riscos associados a elevar o endividamento público são muito inferiores aos ligados a não oferecer à economia o apoio requerido).
Além disso, a exemplo dos anos 30, os oponentes contam histórias assustadoras sobre o perigo de inflação, enquanto a deflação nos ronda. Assim, será difícil promover uma nova rodada de estímulo. Mas é uma tarefa essencial.
Os economistas do governo Obama compreendem o que está em jogo. Apenas algumas semanas atrás, Christina Romer, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, publicou um artigo sobre as “lições de 1937″ -o ano em que o presidente Franklin Roosevelt cedeu à pressão da linha-dura quanto à inflação e ao déficit, com consequências desastrosas para a economia. O que não sei é se o governo reconheceu que aquilo que fez até agora foi insuficiente.
Por isso, eis minha mensagem ao presidente: é preciso colocar tanto sua equipe econômica como seus assessores políticos em ação para promover novas medidas de estímulo, e já. Porque, se isso não acontecer, em breve o senhor estará enfrentando o seu 1937.

PAUL KRUGMAN, economista, é colunista do “New York Times” e professor na Universidade Princeton (EUA).

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise Tags: , , , ,

10 comentários para “Lá como cá”

  1. Roberto São Paulo/SP disse:

    Creio que no Brasil os incentivos fiscais concedido pelo Governo Presidente Lula garantiram o início da recuperação da atividade econômica, e estão compensando parte da forte queda da demanda externa.

    Para garantir a continuidade da recuperação econômica após o fim dos incentivos fiscais, será necessário diminuir os juros da Selic, os spreads e aumentar a liquidez, viabilizando uma forte expansão do crédito.
    O ajuste na liquidez será necessário caso ocorra uma forte recuperação da demanda externa, o que no momento parece pouco provável.

    O nosso problema é o COPOM, que parece que não considera o fato que os incentivos fiscais concedidos pelo Governo do Presidente Lula tem data limite, ou seja, são provisório, não são para sempre, vão terminar em algum momento.
    E precisão de outros estímulos, de preferência monetários, para manter o ritmo de recuperação da economia brasileira.

    Quanto mais o COPOM demorar para reduzir os juros da Selic e aumentar a liquidez, maior será o tempo necessário para manter os incentivos fiscais.

  2. Assis Ribeiro disse:

    Não adianta estudos profundos sobre a crise e a sua solução.
    Se não socializar a renda via ingerência forte dos governos… bau bau!
    O consumo de superfluo terá que cair para aumentar o de gêneros essenciais
    pela maioria da população. Na boa, ou na marra!

  3. Roberto São Paulo/SP disse:

    BB e Caixa vão ampliar competição em cartões
    Governo quer usar bancos públicos para reduzir concentração de mercado
    Fernando Nakagawa, Sábado, 04 de Julho de 2009, O Estado de S.Paulo

    Os bancos federais receberam uma nova missão do governo: aumentar a concorrência no mercado de cartões de crédito. Depois de liderar a oferta de empréstimos durante a crise, essas instituições começam a pôr em prática um plano ambicioso……………
    ………..Segundo informação dada ao Estado por fonte diretamente envolvida com o assunto, os bancos públicos vão agir alinhados com o plano da equipe econômica de remodelar o mercado de cartões, que é concentrado em poucas empresas.

    O Banco Central e os Ministérios da Fazenda e da Justiça trabalham numa proposta de nova regulamentação do setor, que deverá ser divulgada no fim de setembro.
    A intenção do governo é aumentar a concorrência para elevar o uso dos pagamentos eletrônicos e, ao mesmo tempo, reduzir custos para os clientes e varejo.

    Na Caixa Econômica Federal, está sendo preparada uma nova frente de negócios para o segmento de baixa renda e há intenção de emitir até 30 milhões de cartões para esse público.
    No Banco do Brasil, foi quebrado um duopólio de décadas e a instituição começou a oferecer uma terceira marca aos clientes de maior renda, a American Express……………..
    …………….Nesse projeto, a Caixa e o BB querem repetir o sucesso da ação recente no crédito. Desde o agravamento da crise em setembro de 2008, essas instituições aumentaram a oferta de financiamentos e passaram a reduzir os juros para tentar normalizar as condições do mercado.
    O movimento deu certo e foi seguido pelas instituições privadas. Para o governo, o plano pode ser aplicado nos cartões porque Caixa e BB têm posição relevante: juntos, têm um quarto do mercado…………….

    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090704/not_imp397580,0.php

  4. Ale AR disse:

    Paul Krugman é um palhaço monetarista, e a sua proposta é a receita para o desastre econômico durante 20 anos, tal como aconteceu no Japão. O único caminho que tirará os EUA (e o mundo) da depressão e o afastaria definitivamente dos ciclos de boom-bust, é o fim da intervenção estatal na economia, e o fim das políticas de estimulo, que jogam fora recursos genuínos dos contribuíntes e aumentam a divida pública (com o conseguinte aumento da carga de juros sobre a economia). A lógica liberal se faz evidente nestes tempos malucos, mas isso soa anacrónico. É claro! Que Governo vai querer ficar revendo procesos, organogramas, tributos, e melhorando a sua gestão enquanto os bancos vão a falência e as fábricas fecham? Nenhum! Eles querem “mostrar serviço”. E assim o fazem desde crises passadas, aumentando o gasto público, injetando dinheiro espúrio na economia, introduzindo distorções e privilégios a este ou aquele setor através de subsídios, linhas de creditos especiais, isenções impositivas, pacotes de investimento, etc, etc. É incrível que os Governos que estavam a frente da economia quando a crise se formava fossem incapazes de enxergá-la (lembram das palavras “a crise está contida”, ‘é uma marolinha’, e tais?) mas capazes de resolvé-la. Eles são os culpados da crise!
    Acho engraçado (por não dizer outra palavra mais chula) que perante qualquer problema (tipo gripe suína, alagamentos, ou outras catástrofes naturais), sempre a primeira notícia que ouvimos é: “foram alocados trozentos trilhões para um fundo especial destinado a enfrentar a gripe/ o tornado/ o tsunami, ou o que for”. Que velocidade pra fazer contas e calcular o custo da solução! O que parece é: o governo nunca está preparado, nem tem instituições prontas para atuar em caso de desastre (defesa civil, bombeiros, hospitais, cientistas), e sempre precisa de uma partida “extra” para solucionar o problema. Nunca se prestam contas dessas partidas extraordinárias, que imagino sejam sempre uma fonte renovada de recursos que vão parar no bolso de alguem.
    Menos Estado. Menos manipulação da moeda. Menos farra com dinheiro do contribuínte. Menos “rolagem” de dívidas. Mais controle do gasto. Mais desoneração da economia, reduzindo juros e carga tributária. Menos privilégios (a começar pelo Governo, e seguindo pelo sistema financeiro e industrial, que leva boladas bilionárias a cada crise). Menos Krugman. Mais Von Mises! Melhor do que consertar o mundo da crise passada, e não deixá-lo pronto para a próxima crise.

  5. Sergio Saraiva disse:

    Há algum tempo tenho a seguinte impressão,
    o Obama é o Lula deles e, guardadas as devidas proporções, principalmente em relação à beligerância, o Bush foi o FHC deles.
    Por isso, temia que, passado o entusiasmo inicial, o pau conservador começasse a descer solto na cabeça do Obama. Pelo que pude entender o belo texto do Paul Krugman o Partido Republicano é o PSDB deles e adotou a infeliz idéia do quanto pior melhor. Logo se as coisas correrem com a mesma simetria o governo Obama deverá ser um governo de sucesso popular e econômico com terríveis ataques da midia conservadora que, lá como cá, é a mesma merda.

  6. Fábio disse:

    Lula, Obama, dentre outros líderes recentes, têm se apresentado como uma opção “diferente”, capaz de modificar as estruturas, etc.
    Só que a ação não confere com o discurso. O que fazem é “mais do mesmo”.
    Um período histórico em que vivemos onde as estruturas, os sistemas, sejam eles: políticos, econômicos, éticos, sociais, militares, educacionais, de imprensa, etc, etc, demandam opção mais de “vanguarda”. Continuar com o “mais do mesmo” é forma de prorrogar o atraso.
    Isso me faz lembrar a Revolução Francesa. As estruturas estavam carcomidas. Eis que derrubam o rei, implantam uma monarquia constitucional, mas era tudo “mais do mesmo”.
    O marasmo da inércia que produziu uma fase jacobina até chegar a Napoleão. Os jacobinos e Napoleão foram capazes de adequar as ações com as necessidades do momento histórico.
    Obama, Lula, dentre outros, são apenas “mais do mesmo”. O futuro não será definido pelas suas ações, mas pelas sua omissões.

  7. O Paul Krugman é da turma do têm que mudar tudo para continuar a mesma coisa.

    Um amigo meu lá de fora, o Bart, postou um monte de gráficos provando que a analogia simplória com a crise de 30 não funciona e é na verdade mais ruinosa ainda para a economia se levada a sério.

    Os detalhes são praticamente ininteligíveis para leigos, assim poupo-os do trabalho da leitura e interpretação dos mesmos, mas se acreditam na minha palavra, este estudo é mais fumaça na cortina para impedir a visão do que realmente está acontecendo.

  8. Oz . disse:

    Menos neoconservadorismo e neoliberalismo.

    Mais Libertarianismo!

  9. Alexandre Leite disse:

    Nassif,
    seu “colega” ataca de novo:

    Professor da PUC critica aumento de gastos do governo Lula e alerta para desmanche de arcabouço institucional

    http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/07/04/professor-da-puc-critica-aumento-de-gastos-do-governo-lula-alerta-para-desmanche-de-arcabouco-institucional-756657498.asp

  10. Roberto São Paulo/SP disse:

    Pelos lado de cá, o Ministro Guido Mantega vai tirando leite de pedra, apesar dos erros do COPOM.
    O crescimento da indústria no segundo trimestre de 2009 em relação ao primeiro trimestre de 2009, indica que a incentivos fiscais deram resultados.
    A prorrogação dos dos incentivos fiscais até o final de 2009, demonstram que o Ministro Mantega sabe que a redução gradual praticada pelo COPOM irá demorar para fazer efeito na economia, o que se dará apenas no final de 2009.

    Diferente do lado de lá, no lado de cá há um grande espaço para permitir um aumento no nível de crédito e até bem maior que no período anterior a quebra do Lehman Brothers.

    Um dos grandes problemas a ser superado no lado de lá, é encontrar alguma forma de permitir um crescimento no nível de crédito que não seja o refinancimento dos imóveis.

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