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04/07/2009 - 08:08

Das analogias improváveis

Da coluna de Dora Kramer

A última descoberta dos repórteres de o Estado dá conta da omissão de uma casa avaliada em R$ 4 milhões da declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral quando do registro da candidatura de senador em 1998 e 2006.

Lembra o ato que provocou, no início do ano, a demissão do diretor-geral do Senado Agaciel Maia, por ocultação da Receita Federal de uma casa no valor de R$ 5 milhões.

Comentário

Agaciel escondeu sua cada da Receita Federal. Cometeu crime fiscal. Sarney declarou ao Fisco, ao TCU e ao Senado. Não declarou no TRE do Amapá. Segundo Dora, ambas as situações são idênticas.

Repito: a vida de Sarney é uma sombra ampla. Se se quisesse escarafunchar, haveria as ligações evidentes com Edemar Cid Ferreira, as transações tenebrosas com a Cemar, a história cabeluda dos cartões de crédito da família, bancadas por um certo Capitão América – aventureiro americano que passou por aqui no final dos anos 80.

O Cruzado quase foi adiado por conta de problemas com a corretora de Edemar. O envolvimento de Sarney era tão grande que incumbiu um assessor de resolver o pepino antes de lançar o plano.

Recentemente, quando Edemar se envolveu em uma pinimba monumental com uma empresária paulista, descobriu-se que a família Sarney estava pendurada em seu cartão de crédito novaiorquino.

Tem tudo isso para se levantar. Mas dá trabalho e, necessariamente, não afetam sua posição de presidente do Senado. A casa não declarada ao TRE – embora à Receita, ao TCU e ao Senado – afeta.

Dá para entender o foco da denúncia?

Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , ,

31 comentários para “Das analogias improváveis”

  1. luzete disse:

    Eu acho que entendi o foco da denúnia: as eleições presidenciais de 2010. Por que se fosse, de fato, a moralização do senado, a imprensa teria que bater forte na reforma política. Coisa que passa muito distante das matérias destes jornalecos de meleca.

    Sarney? Só Sarney? E o resto da turma? De toda a turma?
    Pegue-se os envolvidos nestas maracutaias todas. vamos ver o período histórico que os gerou. vamos investigar o patrimônio e as benesses desta turma, desde os anos 60. Vamos ver, no âmbito da imprensa, os beneficiários desta usurpação sistemática dos recursos estatais e que começa pelo monopólio do controle dos canais da mídia.

    querem limpeza ética? comecem dentro de casa!

  2. Marcelo de Matos disse:

    O PT, para governar, não pode constituir uma base de sustentação virtual: tem que se valer dos parlamentares da atual legislatura. Nessas circunstâncias, a participação do PMDB é imprescindível. Como esse partido não é homogêneo, é claro que a facção que está alinhada com a candidatura Serra 2010 ficará de fora. A outra facção, que em tese é lulista, tem de ser tratada a pão-de-ló, porque dela depende a governança. Não há alternativa: é pegar ou largar. Não fosse o PMDB o aliado necessário da vez, a situação seria a mesma. Em todos os partidos há parlamentares com o mesmo “modus operandi” dos prosélitos de Sarney. Roberto Jefferson, de dedo em riste, fitando seus pares, disse na CPI do mensalão: “Vocês podem ser iguais a mim, melhores não! E nenhum dos presentes o contestou. A mídia sabe que o PT tem necessidade de constituir uma base parlamentar e usa as denúncias como meio de colocar o partido contra a parede. O pior é que a bancada do PT não sabe como enfrentar a situação. Não entendem que não há alternativa: têm de apoiar Sarney até o fim, custe o que custar. Falta firmeza a essa bancada. Lula deve estar pensando: onde fui amarrar meu burro. Realmente, a bancada o PT tucanou, ou seja, está em cima do muro. Lula deveria chamar o líder do governo no Senado para cobrar uma decisão dos petistas. O problema parece ser falta de liderança e decisão.

  3. Hamilton disse:

    Até então, nunca havia utilizado a expressão PIG. Não há mais como evitar. Pode não se tratar de golpe institucional, para derrubar o governo. Mas é golpe no leitor, no eleitor. A “denúncia” atual, por exemplo, é a versão Lunnus para 2010.
    Enquanto isso, a imprensa paulista só dá umas notinhas sobre uma série de atos nada secretos, com aparente legalidade, e que causam enorme prejuízo ao erário paulista.
    São contratos e mais contratos sem licitação, fundamentados nas exceções da Lei de Licitações (ou seja, transformaram a exceção em regra) e que dariam para fazer quilométricos dôssies. Mas se fizerem, a imprensa decretará, sem ler, que é tudo falso.

  4. Fernando Trindade disse:

    Para os que insistem em não acreditar que o objetivo central do ataque atual a José Sarney é desestabilizar o Governo do metalúrgico leiam o editorial de hoje do Globo (está lá no Noblat, que aliás o poderia ter escrito, se é que não escreveu).
    Chega a ser hilária (e ridícula) a retórica do Globo insinuando que os Senadores do partido reajam a Lula ,pois a posição do Presidente “é um atentado à história do PT dos tempos da oposição” e malandramente ponderando que o afastamento de Sarney não é nada pessoal.

    Como dizia o grande e sempre Santiago Dantas: ‘nada mais próximo da ingenuidade do que a malícia extremada’.

    Mas pensando bem, tem todo o sentido o Globo ter saudades do “PT dos tempos da oposição”…

  5. Sikera disse:

    Me desculpe, Nassif, mas denúncias de que Sarney desviava dinheiro da cia elétrica do Maranhão e tinha seus cartões de crédito bancados por um banqueiro ladrão abalariam em muito sua posição no Senado. Foram denúncias deste tipo que derrubaram o Renan da presidência da casa. Também acho fraquinho o argumento que a imprensa não corre atrás por preguiça.

  6. Renato Sousa disse:

    Caro Nassif, calma, voce tá perdendo o FOCO e isso pode ser muito ruim. A “DORA disse: “Lembra o ato que provocou…”. “VOCE” diz: “…Segundo Dora, ambas as situações são idênticas”. Sei não… vamos ter mais comedimento e não comentar com o “FIGADO”…

    Lembra que partes do ato? A sonegação de informações ao Fisco e a demissão. Você poderia explicar, sem usar o fígado, qual a razão dessa analogia, se não a de comparar duas situações distintas.

  7. Jose Carlos de Souza disse:

    Nassif,

    Dá para entender o foco da denuncia. É o jogo.

    Não dá para entender a sua posição de que a declaração ao TRE não é importante.

    A ausencia de bens de qualquer politico à Justiça Eleitoral é CRIME passivel de punição.

    Volto a repetir nossa luta contra a midia não pode ser afetada por posições ilegais.

    Sarney cometeu MAIS um crime neste caso.

    Pense nisto!

  8. Carlos disse:

    Dá para entender o foco da denúncia: não conseguiram derrubar Sarney e já estão raspando o fundo da panela do cozido de dossiês que possuem. Uma rápida visita ao blog d’Os Amigos do Presidente revela o que o PIG esconde em relação aos aliados oposicionistas.

  9. antonio francisco disse:

    Um trecho de comentário de Tutty Vasques no Estadão:

    “Corta! Lembrei dessa história bizarra assistindo Aloizio Mercadante responder em entrevistas durante a semana se, afinal, era a favor ou contra o afastamento de José Sarney da Presidência do Senado. Pelas minhas contas, o senador disse “sim” três vezes e “não” em outras quatro oportunidades.

    A certa altura de seu discurso, fiquei com a impressão de que estava propondo a Sarney uma espécie de saída honoris causa. E tem gente que ainda acusa o Eduardo Suplicy de não falar coisa com coisa na bancada do PT. Ô, raça!”

  10. Marcelo de Matos disse:

    Querem saber o que eu acho disso tudo? O PIG está querendo colocar pedregulho na empada do Lula. Tanto a declaração de bens, quanto a prestação de contas dos candidatos, são atos meramente formais. Não compete à Justiça Eleitoral julgar se houve enriquecimento ilícito de candidatos. Tampouco é sua atribuição conferir a consistência de registros contábeis de partidos políticos, os quais, na mor parte das vezes, inexistem. Discorrendo sobre a declaração de bens dos candidatos, o jurista Joel José Cândido afirma: “A existência de tal documento em um processo de registro de candidatos é, a nosso ver, de precária utilidade e nebulosa razão, já que o patrimônio do candidato não se encontra vinculado a qualquer dado pertinente à sua condição de elegibilidade e tampouco compete à Justiça Eleitoral julgar eventuais processos de enriquecimento ilícito de detentores ou ex-detentores de mandatos eletivos.” Porque, então, são exigidos esses documentos? O mesmo jurista responde: “As declarações de bens do candidato, da qual deverá constar a origem e as mutações patrimoniais, objetivam constituir-se prova em eventual e futuro processo de enriquecimento ilícito no exercício do mandato, confrontando-se a situação de seu patrimônio anterior à eleição e suas mutações durante o mandato.” Atenção Dora Kramer e pessoal do PIG: a única finalidade da declaração de bens à Justiça Eleitoral é que ela sirva de “prova em eventual e futuro processo de enriquecimento ilícito no exercício do mandato”. E se não houver essa prova? O juiz poderá valer-se de outras declarações, como a prestada por Sarney ao fisco federal. E tem mais: quem deve julgar qualquer questão de enriquecimento ilícito é a Receita Federal, não a mídia. Aquele órgão federal tem pessoal capacitado para essa tarefa. Por sinal, são até bem remunerados para isso.

  11. Cascudo disse:

    Nassif, muito ruim essa sua posição de expor maldosamente os podres do Sarney.

    Afinal, ele foi um dos primeiros presidentes a se preocupar com os pobres no Brasil.

    Primeiro, foi a campanha contra a cerestia, que resultou no plano cruzado.

    E em seguida, a distribuição de leite às famílias pobres.

    Lula deve muito a ele, pelo seu pioneirismo.

  12. Cascudo disse:

    PS:

    cerestia = carestia.

  13. Marcelo de Matos disse:

    O tédio toma conta da primeira página da tradicional Folha de São Paulo neste sábado. Naquelas notinhas que aparecem no alto da página e que não sei como se chamam, em linguagem jornalística, já há indícios de fastio. Numa delas Chico Buarque diz que escrever “é uma chatice”. A outra fala sobre “torradeiras com funções inovadoras”. Torradeira, freudianamente, pode ter o significado de coisa maçante. A manchete principal é recorrente: “Sindicância vê crime em ato secreto e culpa só diretores”. Maçada por maçada, melhor falarmos sobre as torradeiras. Sou do tempo em que marketing de novos produtos não se fazia em jornal, revista ou TV, mas, no cinema. No filme “Primeira noite de um homem” aparece uma revolucionária torradeira. O protagonista deixa duas fatias de pão de forma no aparelho e sai de cena. A câmera focaliza a torradeira no momento em que as fatias, já tostadas, são quase que ejetadas. Essa torradeira tornou-se um ícone das vendas através de catálogo. Um amigo meu trabalhava nessas vendas e os clientes perguntavam: você tem aquela torradeira que apareceu naquele filme do Dustin Hoffman? O meu amigo tinha de assistir a todos os filmes que entravam em cartaz para poder realizar suas vendas. Mas, voltemos às torradeiras da Folha, mais modernas, com componentes eletrônicos. Enfim, é menos fastidioso falar sobre elas que sobre os atos secretos do Senado.

  14. lucifer disse:

    A casa não declarada é o pivô .Consta na de rendas ,e é omitida na do TSE.. Para requentar , o movimento , ” Fora Sarney”, o PIG, terá de recorrer aos arquivos que comprometem as “quatro famílias”,durante o saudoso período de generosa magnanimidade,quando os marinho,desfrutaram de ricas benesses. E o luxo de terem um Ministro de estado exclusivo,para seu uso e desfrute.

  15. Rodrigo disse:

    E a denúncia da Carta Capital desta semana? Homens de Sarney têm concedido licenças de exploração mineral, aos cântaros, a Daniel Dantas.

    Será que o PIG vai repercutir?

  16. anarquista disse:

    Brasília respirou, entre terça e quarta-feira, a expectativa de uma renúncia planejada para não acontecer. Moído por uma crise que o persegue há cinco meses, José Sarney pôs em marcha uma estratégia definida por um de seus aliados como “Plano Jânio Quadros”.

    Jânio, como se sabe, renunciou à presidência da República, em agosto de 1961, seis meses e 23 dias depois de ter sido empossado. Em texto manuscrito, de cunho enigmático –“forças terríveis levantam-se contra mim”—, comunicou a decisão ao Congresso e voou para São Paulo.

    Esperava que o Legislativo recusasse a renúncia e que o povo fosse às ruas clamar por seu retorno. Não ocorreu nem uma coisa nem outra. O resto é história. Sarney –“um Jânio sem álcool”, na definição ouvida pelo blog— simulou a renúncia para “voltar” a um cargo que lhe foge. Sem o inconveniente de deixar a cadeira.

    Para livrar sua “presidência” das aspas que a conspurcam, Sarney tramou uma ressurreição “nos braços do PT”. Deu-se o seguinte:

    1. Na manhã de quarta, Sarney recebeu em sua mansão, no Lago Sul, Aloizio Mercadante e Ideli Sanvatti. Foram contar a ele um segredo de polichinelo. Na noite anterior, a bancada do PT posicionara-se a favor do seu afastamento. Licença de um mês. Sarney refugou. Licença não tiraria. Ou o PT o apoiava ou renunciaria.

    2. Sem que Mercadante e Ideli suspeitassem, Sarney armava a reação desde a tarde da véspera, quando a notícia sobre a cara virada do PT lhe chegara aos ouvidos. Em segredo, conversara pelo telefone com Lula, que estava na Líbia. Queixara-se da movimentação do petismo. Ouvira de Lula críticas acerbas ao PT. O presidente chamara de amadores os senadores de seu partido. E tranquilizara Sarney.

    3. Lula acionaria, desde a Líbia, a ministra Dilma Rousseff e o chefe de gabinete dele, Gilberto Carvalho. Ordenou-lhes que agissem para deter o “amadorismo” do PT. Na noite de terça, enquanto a bancada petista apreciava o pedido de licença de Sarney –7 votos a favor e 4 contra– o “alvo” reunia-se secretamente com Dilma e Carvalho, na casa da ministra.

    4. Sob orientações de Lula e de olho na preservação do apoio do PMDB à sua candidatura presidencial, Dilma acalmou Sarney. Pediu que aguardasse o retorno do chefe. Tudo seria solucionado, disse. Assim, Lula e sua principal ministra já haviam vendido a Sarney o apoio do PT, que Mercadante e Ideli diziam não existir.

    5. Sarney tinha razões para escorar-se no governo. O plenário fervia. Três partidos exigiram a sua licença: PSDB, PDT e até o DEM. Sem o PT, sua “presidência”, já comprometida pelas aspas, poderia virar cinzas. Na conversa com Mercadante e Ideli, testemunhada por Renan Calheiros, Sarney, na pele de “Jânio sóbrio”, como que devolveu o problema ao PT e ao governo. Parecia jogar o seu futuro numa única mão de cartas. Mas a renúncia era teatro.

    6. Quatro dias antes, no início da noite de um domingo frio de Brasília, um Sarney apegado ao cargo e seu escudeiro Renan Calheiros tiveram uma primeira reunião sigilosa com com Lula. Dera-se na Granja do Torto. Lula se preparava para a viagem à Líbia. Àquela altura, a fuga do DEM tinha a forma de uma ameaça, pendurada nas manchetes pelo líder José Agripino Maia. Sarney e Renan pareciam descrer. Pelo sim, pelo não, decidiram testar os limites do apoio de Lula. Não havia limites. O presidente prometeu-lhes apoio irrestrito.

    8. Tampouco o PSDB, parceiro de oposição do DEM, levava a sério os arroubos de Agripino. “Não vão chegar a tanto”, dizia, na segunda-feira, o presidente tucano Sérgio Guerra ao dissidente peemedebista Jarbas Vasconcelos. Estavam no aeroporto de Cumbica, em São Paulo. Retornavam de uma viagem a Estocolmo. Àquela altura, Agripino já havia costurado o rompimento.

    9. O líder ‘demo’ entendera-se com os “formadores de opinião” de sua bancada. Até o sereno Marco Maciel apoiara a tese do afastamento de Sarney. A decisão do DEM foi vendida ao público como “consensual”. Meia-verdade. De 14 senadores, três saíram da reunião como votos vencidos: Eliseu Resende (MG), ACM Jr. (BA) e Heráclito Fortes (PI).

    10. Primeiro-secretário da Mesa presidida por Sarney, Heráclito ponderou que o rompimento poderia empurrar Sarney para a reunúncia. Pintou um cenário de caos. Agripino atalhou a argumentação com uma idéia que sabia inviável: “Por que não uma candidatura própria, de Marco Maciel? Ficava claro que, além de romper com Sarney, o DEM já esboçava a sucessão. Agripino prevaleceu.

    11. No meio da reunião do DEM, tocou o telefone. Era o tucano Sérgio Guerra. Queria que Agripino aderisse a uma proposta de última hora: a constituição de um grupo de senadores notáveis. Reformariam o Senado sob um Sarney manietado. Agripino já havia sido informado dos planos de Guerra por Renan, procurado antes dele. Reagira mal. Chamara a proposta de “tolice”. Nem atendeu ao telefone. Mesmo sem o assentimento de Agripino, Guerra foi à casa de Sarney. Levou a tiracolo os tucanos Alvaro Dias e Marisa Serrano.

    12. Apresentado à tese da constituição do grupo de senadores insignes, Sarney simulou interesse. Disse que iria pensar. Os tucanos disseram-lhe que nem precisaria se licenciar do cargo. Bastaria um afastamento informal. Não queriam ver Sarney pelas costas. De quebra, sondaram-no sobre a disposição de instalar a CPI da Petrobras. “Parece que nem a oposição está interessada”, provocou Sarney.

    13. O tucanato estava, sim, interessado. Sarney e Renan trataram de levar esse interesse ao caldeirão da crise como mais uma ameaça ao governo. Em seus diálogos, deixaram antever que, ao menor sinal de abandono, o PMDB ajudaria a abrir a CPI.

    14. Lula manteve a mão estendida. Mal posou na base aérea de Brasília, na noite de quarta, discou para Sarney. Antes, telefonara para Ideli Salvatti, que lhe relatara um encontro ameno de Sarney com dez dos 12 senadores do PT. Só Marina Silva e Eduardo Suplicy ousaram repisar a tese da licença diante de Sarney. A bancada parecia ceder à pressão. Lula sentiu o pulso de Sarney e agendou uma conversa com ele. Seria na quinta. Foi transferida para sexta. O presidente quis, primeiro, avistar-se com o PT.

    15. Lula testemunhou ao vivo o “amadorismo” que pressentira à distância. Cinco senadores petistas defenderam a licença de Sarney. Em resposta, reduziu a crise do Senado a uma “guerra política”. Lembrou 2010 e apelou à governabilidade. Encurralado, o PT reunirá sua bancada, de novo, na próxima terça. De antemão, Lula disse a Sarney, nesta sexta, que entregará a mercadoria que prometera. Se conseguir, José ‘Quadros’ Sarney ganhará sobrevida para continuar conduzindo o Senado. Não se sabe para onde

  17. anarquista disse:

    Brasília respirou, entre terça e quarta-feira, a expectativa de uma renúncia planejada para não acontecer. Moído por uma crise que o persegue há cinco meses, José Sarney pôs em marcha uma estratégia definida por um de seus aliados como “Plano Jânio Quadros”.

    Jânio, como se sabe, renunciou à presidência da República, em agosto de 1961, seis meses e 23 dias depois de ter sido empossado. Em texto manuscrito, de cunho enigmático –“forças terríveis levantam-se contra mim”—, comunicou a decisão ao Congresso e voou para São Paulo.

    Esperava que o Legislativo recusasse a renúncia e que o povo fosse às ruas clamar por seu retorno. Não ocorreu nem uma coisa nem outra. O resto é história. Sarney –“um Jânio sem álcool”, na definição ouvida pelo blog— simulou a renúncia para “voltar” a um cargo que lhe foge. Sem o inconveniente de deixar a cadeira.

    Para livrar sua “presidência” das aspas que a conspurcam, Sarney tramou uma ressurreição “nos braços do PT”. Deu-se o seguinte:

    1. Na manhã de quarta, Sarney recebeu em sua mansão, no Lago Sul, Aloizio Mercadante e Ideli Sanvatti. Foram contar a ele um segredo de polichinelo. Na noite anterior, a bancada do PT posicionara-se a favor do seu afastamento. Licença de um mês. Sarney refugou. Licença não tiraria. Ou o PT o apoiava ou renunciaria.

    2. Sem que Mercadante e Ideli suspeitassem, Sarney armava a reação desde a tarde da véspera, quando a notícia sobre a cara virada do PT lhe chegara aos ouvidos. Em segredo, conversara pelo telefone com Lula, que estava na Líbia. Queixara-se da movimentação do petismo. Ouvira de Lula críticas acerbas ao PT. O presidente chamara de amadores os senadores de seu partido. E tranquilizara Sarney.

    3. Lula acionaria, desde a Líbia, a ministra Dilma Rousseff e o chefe de gabinete dele, Gilberto Carvalho. Ordenou-lhes que agissem para deter o “amadorismo” do PT. Na noite de terça, enquanto a bancada petista apreciava o pedido de licença de Sarney –7 votos a favor e 4 contra– o “alvo” reunia-se secretamente com Dilma e Carvalho, na casa da ministra.

    4. Sob orientações de Lula e de olho na preservação do apoio do PMDB à sua candidatura presidencial, Dilma acalmou Sarney. Pediu que aguardasse o retorno do chefe. Tudo seria solucionado, disse. Assim, Lula e sua principal ministra já haviam vendido a Sarney o apoio do PT, que Mercadante e Ideli diziam não existir.

    5. Sarney tinha razões para escorar-se no governo. O plenário fervia. Três partidos exigiram a sua licença: PSDB, PDT e até o DEM. Sem o PT, sua “presidência”, já comprometida pelas aspas, poderia virar cinzas. Na conversa com Mercadante e Ideli, testemunhada por Renan Calheiros, Sarney, na pele de “Jânio sóbrio”, como que devolveu o problema ao PT e ao governo. Parecia jogar o seu futuro numa única mão de cartas. Mas a renúncia era teatro.

    6. Quatro dias antes, no início da noite de um domingo frio de Brasília, um Sarney apegado ao cargo e seu escudeiro Renan Calheiros tiveram uma primeira reunião sigilosa com com Lula. Dera-se na Granja do Torto. Lula se preparava para a viagem à Líbia. Àquela altura, a fuga do DEM tinha a forma de uma ameaça, pendurada nas manchetes pelo líder José Agripino Maia. Sarney e Renan pareciam descrer. Pelo sim, pelo não, decidiram testar os limites do apoio de Lula. Não havia limites. O presidente prometeu-lhes apoio irrestrito.

    8. Tampouco o PSDB, parceiro de oposição do DEM, levava a sério os arroubos de Agripino. “Não vão chegar a tanto”, dizia, na segunda-feira, o presidente tucano Sérgio Guerra ao dissidente peemedebista Jarbas Vasconcelos. Estavam no aeroporto de Cumbica, em São Paulo. Retornavam de uma viagem a Estocolmo. Àquela altura, Agripino já havia costurado o rompimento.

    9. O líder ‘demo’ entendera-se com os “formadores de opinião” de sua bancada. Até o sereno Marco Maciel apoiara a tese do afastamento de Sarney. A decisão do DEM foi vendida ao público como “consensual”. Meia-verdade. De 14 senadores, três saíram da reunião como votos vencidos: Eliseu Resende (MG), ACM Jr. (BA) e Heráclito Fortes (PI).

    10. Primeiro-secretário da Mesa presidida por Sarney, Heráclito ponderou que o rompimento poderia empurrar Sarney para a reunúncia. Pintou um cenário de caos. Agripino atalhou a argumentação com uma idéia que sabia inviável: “Por que não uma candidatura própria, de Marco Maciel? Ficava claro que, além de romper com Sarney, o DEM já esboçava a sucessão. Agripino prevaleceu.

    11. No meio da reunião do DEM, tocou o telefone. Era o tucano Sérgio Guerra. Queria que Agripino aderisse a uma proposta de última hora: a constituição de um grupo de senadores notáveis. Reformariam o Senado sob um Sarney manietado. Agripino já havia sido informado dos planos de Guerra por Renan, procurado antes dele. Reagira mal. Chamara a proposta de “tolice”. Nem atendeu ao telefone. Mesmo sem o assentimento de Agripino, Guerra foi à casa de Sarney. Levou a tiracolo os tucanos Alvaro Dias e Marisa Serrano.

    12. Apresentado à tese da constituição do grupo de senadores insignes, Sarney simulou interesse. Disse que iria pensar. Os tucanos disseram-lhe que nem precisaria se licenciar do cargo. Bastaria um afastamento informal. Não queriam ver Sarney pelas costas. De quebra, sondaram-no sobre a disposição de instalar a CPI da Petrobras. “Parece que nem a oposição está interessada”, provocou Sarney.

    13. O tucanato estava, sim, interessado. Sarney e Renan trataram de levar esse interesse ao caldeirão da crise como mais uma ameaça ao governo. Em seus diálogos, deixaram antever que, ao menor sinal de abandono, o PMDB ajudaria a abrir a CPI.

    14. Lula manteve a mão estendida. Mal posou na base aérea de Brasília, na noite de quarta, discou para Sarney. Antes, telefonara para Ideli Salvatti, que lhe relatara um encontro ameno de Sarney com dez dos 12 senadores do PT. Só Marina Silva e Eduardo Suplicy ousaram repisar a tese da licença diante de Sarney. A bancada parecia ceder à pressão. Lula sentiu o pulso de Sarney e agendou uma conversa com ele. Seria na quinta. Foi transferida para sexta. O presidente quis, primeiro, avistar-se com o PT.

    15. Lula testemunhou ao vivo o “amadorismo” que pressentira à distância. Cinco senadores petistas defenderam a licença de Sarney. Em resposta, reduziu a crise do Senado a uma “guerra política”. Lembrou 2010 e apelou à governabilidade. Encurralado, o PT reunirá sua bancada, de novo, na próxima terça. De antemão, Lula disse a Sarney, nesta sexta, que entregará a mercadoria que prometera. Se conseguir, José ‘Quadros’ Sarney ganhará sobrevida para continuar conduzindo o Senado. Não se sabe para onde

    COPIADO DE UM JORNALISTA.

  18. Ricardo disse:

    Pig,pig,pig,que isso ? Um mantra?
    Quantos crimes dos sarney precisarão acontecer para eles entrarem pelo cano ( se for escrever todos da uma enciclopedia)
    O presidente que mais fez o brasileiro de otario, este individuo em 5 anos fez o pais andar 20 para o buraco e o Estado do Maranhão então transformou num feudo e o colocou entre os mais atrasados.

  19. Pedro P. Tardelli disse:

    É duro Nassif! Com todos os seus argumentos, a geração Twitter “sou-amigo-de-quem-xinga-legal-o-Lula” quer que quer derrubar o Sarney. Só o Sarney! Os “marcelotas” da vida tem uma legião de seguidores e carrega na lapela o seu partido de preferência. Tudo que é relacionado a PT ou ao Lula (hoje em dia com atitudes bem distintas) tem tratamento idiotizado. Na falta de cultura geral (embora quem frequente seu blog deva ser considerado razoavelmente informado), usam-se argumentos engessados na base do “pronto-acabou”. Citar argumentos pífios de Dora Kramer, Lúcia Hipólito, Mainardi, Reynaldo Azevedo é correr riscos de contrapartidas agressivas com requintes de arrogância. O blog permite mais que os 140 caracteres do Twitter e, portanto, vamos debater em melhor nível.

  20. André Oliveira disse:

    A estória dos cartões de crédito eu nunca ouvi falar. Você poderia contar.

  21. Edmar Melo disse:

    Prezado Nassif,

    Seu comentário sobre a coluna de Dora Kramer está tão claro que não precisa nem desenhar. Só a ligação de Sarney com ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira já seria suficiente para incriminar o atual presidente do Senado em várias transações tenebrosas. Você realmente sabe das coisas. Aliás, seu comentário me fez mudar de opinião. Acho agora que o Sarney não deve sequer pedir licença. Ele precisa enfrentar a crise e resolver os problemas do Senado gerado por ele e seus asseclas nos últimos quinze anos. Aqui no nordeste tem um adágio popular que diz o seguinte: “quem conhece Zé é a mãe de Zé”. Você incorporou a figura.

    Abraços,

    Edmar Melo.

  22. DKRC disse:

    A estória dos cartões de crédito eu nunca ouvi falar. Você poderia contar. [2]

    Ou tem algum link onde possamos nos informar?

  23. Marcelo de Matos disse:

    Anarquista
    O texto é muito bom, mas, você não disse quem é o pai da criança. Só não concordo com certos clichês como esse de que Jânio renunciou porque estava embriagado e que as “forças terríveis” a que ele se referia eram produto de alucinação. Depois da renúncia de Jânio, João Goulart deparou-se com esses fantasmas e cuidou de refugiar-se em Montevidéu. Infelizmente, os fantasmas o perseguiram mesmo lá e parecem ter dado cabo de sua vida. Temos o costume de desqualificar personagens de nossa história. D. João VI é tido como um rei medroso que fugiu das tropas de Napoleão. Engraçado que os russos fugiram para além de Moscou quando da invasão napoleônica e nunca foram chamados de medrosos. A reação de Lula à posição do PT é interessante: a bancada do partido no Senado é composta de amadores. É verdade. Como diz o script dos marqueteiros para o horário político, está faltando “atitude” a esse pessoal.

  24. Juliano Guilherme disse:

    Dá. Agora uma perguntinha: É só porque dá trabalho que eles não levantam essas coisas tipo envolvimento com Edmar? Será que não existem outros motivos também?

  25. A aliança entre Serra e Quércia será um tema proibido na mídia daqui até o fim do ano que vem. O PSDB existe porque Serra e Fernando Henrique Cardoso, entre outros, deixaram o PMDB em junho de 1988 e criaram o Partido da Social Democracia Brasileira justamente por conta da ascensão de Quércia no partido.

    Lembram-se de Quércia? É o ex-governador peemedebista que “quebrou São Paulo mas fez seu sucessor (Fleury Filho – 1991/1994)”. Fica difícil explicar a aliança entre esse pessoal. Sobretudo para a mídia paulista, que triturou Quércia na década passada. Seria curioso pedir a um Estadão, por exemplo, que explicasse Serra e Quércia juntos depois de tudo que o jornal disse do peemedebista nos anos 1990.

  26. Clovis Camposc disse:

    Romanelli

    A linha que separa a incisividade da agressividade é muito tênue. Pior, cada um , em função do seu grau de sensibilidade avança ou recua os limites dessa fronteira. Padeci ( presunção) dessa” incompreensão” a maior parte dessa minha boa vida. Mas dá pra levar essa incompreensão dos outros.

    Anarquista

    Lá pela metade de seu texto das 13:07 ocorrera-me lançá-lo para ocupar a direção da Abim cumulativamente com a da P.F. Vai ser informado assim lá na Conchinchina. O seu texto das 13:08 derrotou minha futura campanha, mas seu jornalista ou tem muita critividade ou tem mediunidade para estar presente a diálogos e cenas tão distintas. Em todo caso é uma bela síntese do que vem ocorrendo nas bandas da taba do Índio Tupi…

  27. Antonio Barros disse:

    Entoar o mantra da “governabilidade” soa idêntico ao mantra da economia de mercado, muito ouvido no Governo FHC. É a ideia de que não dá para fazer nada fora do poder — ou, quando se entra no poder, não dá para fazer nada diferente –, como se a estrutura atemporal e metafísica do fisiologismo político estivesse acima de qualquer possibilidade concreta de transformação política, social e econômica do Brasil. Ambos os mantras imobilizam as necessárias e urgentes reformas em função das falácias politiqueiras e “economiqueiras” (perdoem o neologismo) que insistem em descer em cascata. Este é o primeiro ponto — e estou aqui tentando andar na linha das críticas de Paulo Arantes, no livro “Extinção” (Boitempo).

    Para não perder o tom dialético, porém, é preciso colocar o segundo ponto: o que a imprensa faz não é varrer a contrapelo essa suposta estrutura imobilizante da política (como era de se esperar). Em outras palavras, a imprensa não é capaz de instaurar a crítca DO poder, mas sim a crítica DESSE poder, numa manobra claramente reformista, com o intuto de devolver o poder aos “verdadeiros dono da casa”.

    O que torna ilegítimo o esperneamento da mídia é a sua parcialidade. Parcialidade que, perigosamente, joga os críticos da mídia do lado governista, engrossando o coro dessa parolagem da “governabilidade”, mesmo quando o assunto é outro.

    Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, compadres…

  28. Clovis disse:

    “A estória dos cartões de crédito eu nunca ouvi falar. Você poderia contar. [2]

    Ou tem algum link onde possamos nos informar?”

    Também não sei. Poderia informar?

    NO caso do Capitão América, matérias do Teodomiro Braga no JB, fim dos anos 80. O segundo caso foi a briga do Edemar com uma empresária paulistana. Os advogados levantaram esses dados.

  29. fariajos disse:

    Anarquista, já que vc colou o texto do Josias vou colar o mesmo comentário que fiz lá, mas dirigido a vc… Diz lá no final que não se sabe para onde Sarney está conduzindo o Senado… mas, vem cá, alguém sabe? Vc escreve como se soubesse… Não defendo o Sarney, mas o Senado é um colegiado, não há déspota esclarecido por ali (nem mesmo o déspota que se pensa esclarecido). O menor pacote que o Senado pode entregar ao povo brasileiro, como Lula sabe, é a governabilidade. Deve entregar mais, mas está, o próprio Senado, entregue a uma luta política intestina, deflagrada por uma oposição que não aprendeu que não consegue vingar por meio de colheita de escândalos. A concepção de uma oposição que se vê apenas como fiscal do governo é muito pobre, muito flácida, desvertebrada, e o Senado, e todos nós, nos ressentimos disso. Só teremos um Congresso de verdade quando as lutas ali forem por diferentes projetos de país. Enquanto isso não ocorre, ficam alguns defendendo o seu cercado e outros tentando derrubar a cerca. Faroeste. Não consigo ficar do lado de ninguém nessa tragédia. De fato, fico mesmo admirado que alguém consiga. Abraço.

  30. Marcos disse:

    Tudo se resume ao que disse Tião Vianna:
    ” Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse. E é papel do chefe de Estado fazer com que as instituições como o Parlamento sejam vigorosas.”

    Senador Tião Viana (PT-AC)
    EU ACRESCENTARIA QUE LULA CONTRIBUIU PARA QUE CHEGASSE A ISSO..

  31. [...] No dia 04/07 mais informações sobre as ligações de Sarney com Edemar Cid Ferreira: clique aqui. [...]

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