Das analogias improváveis
Da coluna de Dora Kramer
A última descoberta dos repórteres de o Estado dá conta da omissão de uma casa avaliada em R$ 4 milhões da declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral quando do registro da candidatura de senador em 1998 e 2006.
Lembra o ato que provocou, no início do ano, a demissão do diretor-geral do Senado Agaciel Maia, por ocultação da Receita Federal de uma casa no valor de R$ 5 milhões.
Comentário
Agaciel escondeu sua cada da Receita Federal. Cometeu crime fiscal. Sarney declarou ao Fisco, ao TCU e ao Senado. Não declarou no TRE do Amapá. Segundo Dora, ambas as situações são idênticas.
Repito: a vida de Sarney é uma sombra ampla. Se se quisesse escarafunchar, haveria as ligações evidentes com Edemar Cid Ferreira, as transações tenebrosas com a Cemar, a história cabeluda dos cartões de crédito da família, bancadas por um certo Capitão América – aventureiro americano que passou por aqui no final dos anos 80.
O Cruzado quase foi adiado por conta de problemas com a corretora de Edemar. O envolvimento de Sarney era tão grande que incumbiu um assessor de resolver o pepino antes de lançar o plano.
Recentemente, quando Edemar se envolveu em uma pinimba monumental com uma empresária paulista, descobriu-se que a família Sarney estava pendurada em seu cartão de crédito novaiorquino.
Tem tudo isso para se levantar. Mas dá trabalho e, necessariamente, não afetam sua posição de presidente do Senado. A casa não declarada ao TRE – embora à Receita, ao TCU e ao Senado – afeta.
Dá para entender o foco da denúncia?
Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: escândalos, Sarney, Senado

Prezado Nassif,
Seu comentário sobre a coluna de Dora Kramer está tão claro que não precisa nem desenhar. Só a ligação de Sarney com ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira já seria suficiente para incriminar o atual presidente do Senado em várias transações tenebrosas. Você realmente sabe das coisas. Aliás, seu comentário me fez mudar de opinião. Acho agora que o Sarney não deve sequer pedir licença. Ele precisa enfrentar a crise e resolver os problemas do Senado gerado por ele e seus asseclas nos últimos quinze anos. Aqui no nordeste tem um adágio popular que diz o seguinte: “quem conhece Zé é a mãe de Zé”. Você incorporou a figura.
Abraços,
Edmar Melo.
A estória dos cartões de crédito eu nunca ouvi falar. Você poderia contar. [2]
Ou tem algum link onde possamos nos informar?
Anarquista
O texto é muito bom, mas, você não disse quem é o pai da criança. Só não concordo com certos clichês como esse de que Jânio renunciou porque estava embriagado e que as “forças terríveis” a que ele se referia eram produto de alucinação. Depois da renúncia de Jânio, João Goulart deparou-se com esses fantasmas e cuidou de refugiar-se em Montevidéu. Infelizmente, os fantasmas o perseguiram mesmo lá e parecem ter dado cabo de sua vida. Temos o costume de desqualificar personagens de nossa história. D. João VI é tido como um rei medroso que fugiu das tropas de Napoleão. Engraçado que os russos fugiram para além de Moscou quando da invasão napoleônica e nunca foram chamados de medrosos. A reação de Lula à posição do PT é interessante: a bancada do partido no Senado é composta de amadores. É verdade. Como diz o script dos marqueteiros para o horário político, está faltando “atitude” a esse pessoal.
Dá. Agora uma perguntinha: É só porque dá trabalho que eles não levantam essas coisas tipo envolvimento com Edmar? Será que não existem outros motivos também?
A aliança entre Serra e Quércia será um tema proibido na mídia daqui até o fim do ano que vem. O PSDB existe porque Serra e Fernando Henrique Cardoso, entre outros, deixaram o PMDB em junho de 1988 e criaram o Partido da Social Democracia Brasileira justamente por conta da ascensão de Quércia no partido.
Lembram-se de Quércia? É o ex-governador peemedebista que “quebrou São Paulo mas fez seu sucessor (Fleury Filho – 1991/1994)”. Fica difícil explicar a aliança entre esse pessoal. Sobretudo para a mídia paulista, que triturou Quércia na década passada. Seria curioso pedir a um Estadão, por exemplo, que explicasse Serra e Quércia juntos depois de tudo que o jornal disse do peemedebista nos anos 1990.
Romanelli
A linha que separa a incisividade da agressividade é muito tênue. Pior, cada um , em função do seu grau de sensibilidade avança ou recua os limites dessa fronteira. Padeci ( presunção) dessa” incompreensão” a maior parte dessa minha boa vida. Mas dá pra levar essa incompreensão dos outros.
Anarquista
Lá pela metade de seu texto das 13:07 ocorrera-me lançá-lo para ocupar a direção da Abim cumulativamente com a da P.F. Vai ser informado assim lá na Conchinchina. O seu texto das 13:08 derrotou minha futura campanha, mas seu jornalista ou tem muita critividade ou tem mediunidade para estar presente a diálogos e cenas tão distintas. Em todo caso é uma bela síntese do que vem ocorrendo nas bandas da taba do Índio Tupi…
Entoar o mantra da “governabilidade” soa idêntico ao mantra da economia de mercado, muito ouvido no Governo FHC. É a ideia de que não dá para fazer nada fora do poder — ou, quando se entra no poder, não dá para fazer nada diferente –, como se a estrutura atemporal e metafísica do fisiologismo político estivesse acima de qualquer possibilidade concreta de transformação política, social e econômica do Brasil. Ambos os mantras imobilizam as necessárias e urgentes reformas em função das falácias politiqueiras e “economiqueiras” (perdoem o neologismo) que insistem em descer em cascata. Este é o primeiro ponto — e estou aqui tentando andar na linha das críticas de Paulo Arantes, no livro “Extinção” (Boitempo).
Para não perder o tom dialético, porém, é preciso colocar o segundo ponto: o que a imprensa faz não é varrer a contrapelo essa suposta estrutura imobilizante da política (como era de se esperar). Em outras palavras, a imprensa não é capaz de instaurar a crítca DO poder, mas sim a crítica DESSE poder, numa manobra claramente reformista, com o intuto de devolver o poder aos “verdadeiros dono da casa”.
O que torna ilegítimo o esperneamento da mídia é a sua parcialidade. Parcialidade que, perigosamente, joga os críticos da mídia do lado governista, engrossando o coro dessa parolagem da “governabilidade”, mesmo quando o assunto é outro.
Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, compadres…
“A estória dos cartões de crédito eu nunca ouvi falar. Você poderia contar. [2]
Ou tem algum link onde possamos nos informar?”
Também não sei. Poderia informar?
Anarquista, já que vc colou o texto do Josias vou colar o mesmo comentário que fiz lá, mas dirigido a vc… Diz lá no final que não se sabe para onde Sarney está conduzindo o Senado… mas, vem cá, alguém sabe? Vc escreve como se soubesse… Não defendo o Sarney, mas o Senado é um colegiado, não há déspota esclarecido por ali (nem mesmo o déspota que se pensa esclarecido). O menor pacote que o Senado pode entregar ao povo brasileiro, como Lula sabe, é a governabilidade. Deve entregar mais, mas está, o próprio Senado, entregue a uma luta política intestina, deflagrada por uma oposição que não aprendeu que não consegue vingar por meio de colheita de escândalos. A concepção de uma oposição que se vê apenas como fiscal do governo é muito pobre, muito flácida, desvertebrada, e o Senado, e todos nós, nos ressentimos disso. Só teremos um Congresso de verdade quando as lutas ali forem por diferentes projetos de país. Enquanto isso não ocorre, ficam alguns defendendo o seu cercado e outros tentando derrubar a cerca. Faroeste. Não consigo ficar do lado de ninguém nessa tragédia. De fato, fico mesmo admirado que alguém consiga. Abraço.
Tudo se resume ao que disse Tião Vianna:
” Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse. E é papel do chefe de Estado fazer com que as instituições como o Parlamento sejam vigorosas.”
Senador Tião Viana (PT-AC)
EU ACRESCENTARIA QUE LULA CONTRIBUIU PARA QUE CHEGASSE A ISSO..
[...] No dia 04/07 mais informações sobre as ligações de Sarney com Edemar Cid Ferreira: clique aqui. [...]