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03/07/2009 - 09:26

Os 15 anos do Real – 3

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 03/07/2009

Alguns meses antes do lançamento do Real, o economista Winston Fritsch, da equipe econômica, participou de uma reunião reservada com alguns banqueiros de investimento – nacionais e estrangeiros. Nela, informou-os dos rumos que se pretendia dar à política cambial, apreciando o real – algo que fugia à lógica convencional dos planos com âncora cambial.

Os banqueiros se surpreenderam com um membro do governo antecipando os movimentos do câmbio.

Depois, entenderam. Haveria uma grande disputa no mercado futuro de câmbio, na BMF. Empresas exportadoras, multinacionais, certamente buscariam proteção contra o risco de desvalorização cambial. Estavam dispostas a pagar para ter a garantia de um dólar a R$ 1,20 ou mais.

De sua parte, a Fazenda e o Banco Central empurrariam o dólar para baixo através de um estratagema: a garantia tácita de que o dólar não passaria de R$ 1,00; mas nenhuma garantia sobre o tanto que ele poderia cair. Com os juros elevadíssimos, praticados no início do Real, os investidores seriam estimulados a vender dólar a preços abaixo de R$ 0,90, sabendo que, com as taxas de juros recebidas, e com a garantia de que o dólar não passaria de R$ 1,00, seu risco ser mínimo.

Continua

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

7 comentários para “Os 15 anos do Real – 3”

  1. Ho disse:

    O artigo de hoje no Valor da Cláudia Safatle diz tudo:

    “…Chegou aos ouvidos de um ministro que haveria possibilidade de Fábio Barbosa, presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), ser o escolhido do presidente Lula para substituir Henrique Meirelles no comando do Banco Central a partir de março de 2010. Meirelles deixará a presidência do BC para se candidatar ao governo de Goiás. Barbosa, que foi convidado para o mesmo cargo em 2002, quando Lula montava seu primeiro governo, nega. O ministro que comentou o fato acha que Barbosa, mesmo se convidado, não aceitaria deixar o que faz por um “mandato tampão” no BC.
    Acredita, também, que as especulações em torno do nome de Luciano Coutinho, presidente do BNDES, para o BC não procedem. “O Luciano está reservado para um cargo importante no eventual governo da Dilma Rousseff”, comentou o ministro. Ele acredita que Lula optará por uma solução caseira para o BC, como a de Alexandre Tombini, atual diretor de Normas.

    A sucessão no BC é acompanhada com lupa pelo sistema. Os dirigentes de bancos sabem que suas vidas não serão mais as mesmas com os juros nominais de um dígito (a Selic está em 9,25% ao ano). Mais do que isso, perceberam que “a sociedade mudou, o governo mudou e o sistema financeiro terá que mudar”, resumiu um banqueiro.

    Essa preocupação está no cerne das discussões nas entidades patronais dos bancos, calcada na constatação de que, nos últimos anos, houve exaustão da sociedade com as elevadas taxas de lucro do sistema e que o Executivo, o Judiciário e mesmo Banco Central já não são tão sensíveis às demandas dos setor.

    “O governo FHC não nos chamava para nada, mas fazia tudo direitinho. O Lula nos chama para tudo, mas faz o que lhe dá na cabeça”, sintetizou um banqueiro, para exemplificar o que significa esses novos tempos….”.

  2. nsdelgado disse:

    Sempre pensei que o PAI do Plano Ral era o presidente Itamar Franco do PMDB.

    E essa semana descubro que o Plano Real é um filho bastardo e o verdadeiro Pai é o José Serra que o rejeitou no nascimento.

  3. Hans Bintje disse:

    Adorei a assepsia de sua nota sobre a GM para o IG em 03/07/2009:

    “Credores insatisfeitos da General Motors querem impedir a venda dos ativos bons da montadora concordatária para a ‘Nova GM’, financiada pelo governo dos Estados Unidos. O representante legal desse grupo alega que a operação não foi negociada como uma venda legítima aos interessados. Eles querem que a GM siga o processo tradicional de falência, onde os credores têm poder de voto ao invés de depender de uma proposta para a venda de ativos.”

    Eis a versão “suja” dessa mesma nota:

    “A quebra forçada da General Motors: o que ninguém explica

    Stevie Rattner tem um plano sinistro para a GM: usar os fundos de pensão da empresa para pagar os 6 bilhões de dólares que esta deve a instituições creditícias como JPMorgan e Citibank. O que o Rattner pede ao tribunal de falências é, claramente, que confisque o dinheiro que a GM deve aos trabalhadores a título de seguro de assistência em saúde na aposentadoria. O dinheiro do fundo de seguros seria reembolsado via ações da GM.”

    Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16031

  4. Anibal disse:

    Caro Nassif

    PARA FAZER JUSTICA;
    O autor do Plano que veio a se chamar ” Plano Real ” (matar a cobra com o proprio veneno) e o Dr. Claudio Braga de Abreu e Silva, funcionario do BNDES que enviou seu estudo para Edmar Bacha, Andre Lara Resende, Persio Arida, Itamar Franco, FHC, Gustavo Franco e muitos outros ligados a area economica do Governo Itamar. A alguns anos atraz o Marcio Moreira Alves publicou esse assunto na sua coluna de O GLOBO, mas parece que ninguem se interessa em reconhecer quem na verdade fez o estudo que resultou na implantacao do “Plano Real”. Talvez o proprio Itamar desconheca que o plano que ele implantou se originou de um estudo do Claudio Braga de Abreu e Silva.
    OBS: O Claudio tem todo o estudo documentado e registrado com o envio as autoridades competentes em data muito anterior a implantacao do plano que veio a se chamar ” PLANO REAL” .
    Acho que o Brasil deve ao Claudio o seu reconhecimento.

  5. Guttemberg disse:

    Não que sua avaliação seja equivocada, mas a leitura que você faz da época o é. Do jeito que você conta, parece que os responsáveis pela economia da época cometeram erros de propósito, como se tivessem uma bola de cristal iluminando claramente o cenário, e eles se recusassem a fazer o óbvio. Por isso digo que falar é fácil. Facílimo. Ter que tomar as decisões dentro da panela fervente e escura, é coisa totalmente diversa. O Brasil da época, com sério problema de sobrevalorização do dólar, optou pelo câmbio flutuante. Com 50% da dívida do setor público atrelada à moeda estrangeira, foi um passo arriscado. Porém, muitos críticos afirmam que ela veio atrasada. Porém, o preço pago foi altíssimo. Sem falar nos imprevistos, como por exemplo, a surpreendente queda nas importações mesmo com real desvalorizado. Haja bola de cristal! No entanto, e ainda assim, o Governo Federal conseguiu a duras penas estabilizar a economia, regular o sistema financeiro (de tal modo que Aloizio Mercadante declarou recentemente que “O PROER de FHC salvou o País da crise” – refería-se à crise atual), afora controlar a inflação. No final, apesar dos erros e desencontros, a equipe conseguiu recolocar o Brasil no caminho do crescimento.

  6. Athos disse:

    Nassif, foi exatamente essa a parte de sua entrevista com o PHA que me chamou a atenção mas me diga uma coisa.

    A idéia do governo na época não seria uma certa previsibilidade cambial?
    Lógico que antecipar ao mercado tudo relativo a política cambial não pode ser considerado estratégia mas foi tudo contado mesmo?
    Como saber isso?

    Abraço e até segunda.

  7. Índio Tupi disse:

    Aqui do Alto Xingu, ao invés de qualquer comemoração boba, os índios estão se programando para assistirem amanhã, domingo, ao “Calígula”, com Malcolm McDowell, Peter O`Toole, John Gieguld e Helen Mirren, com adaptação de Gore Vidal e direção de Bob Guccione.

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