O país dos imigrantes
Por Marcelo Carneiro da Cunha
De São Paulo
Pois o nosso Brasil é mesmo um lugar surpreendente. Nessa quinta-feira, 2 de julho, o presidente Lula sancionou um projeto de lei que oferece permanência a todos os imigrantes que tenham chegado aqui até o dia 1º de fevereiro desse ano.
Nessa época em que o mundo se fecha, cria muros, expulsa e prende quem busca uma vida melhor através de fronteiras, muitas vezes imaginárias, a gente vai lá e abre o país para quem já está aqui poder ficar sem maiores traumas.
Eu fico muito, mas muito mesmo, contente com a gente. Gostaria que toda a imprensa desse mais destaque, que todos os brasileiros sentissem orgulho do nosso país, por mais que alguns dos leitores dessa coluna possam ter lá os seus desencantos com ele. Mas se é verdade que a gente às vezes erra em cheio, os nossos acertos também enchem os olhos, os meus ao menos, de lágrimas de emoção legítima, nada de inventado, garanto a vocês.
Porque esse é o país de imigração e da mistura, e isso é o que nos salva, sempre salvou. Claro que a gente poderia ter continuado sendo tupi-guarani, na essência. Mas mesmo os tupis e guaranis foram imigrantes, uns milhares de anos antes. E quando os portugueses chegaram, já pensaram o que seria de nós se tivéssemos sido exclusivamente portugueses? Fado como música nacional? Aquela melancolia toda, o tempo inteiro?
Logo vieram os imigrantes menos voluntários do planeta, diretamente da África, mas que nos moldaram definitivamente, e, a seguir, uma seqüência imparável de novas ondas de gentes que vieram, viram, foram digeridos, e nesse processo de digestão se tornaram brasileiros.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: Brasil, imigrantes, lei, Lula

Correção: para acabar com os mafiosos travestidos de empresariss.
Sorry
O país generoso que não tem sensibilidade e competencia para resolver o problema de escravidão dos estrangeiros que aqui trabalham. Citado por vários aqui, inclusive com bairro e tudo em são paulo.
Então, como se faz com devedores de impostos, perdão para eles.
E aos que chegarem aqui partir de amanhã, escravidão neles também, porque, oras, mercado vai ficar carente deles, e não nada que se possa fazer, como não se faz, e não se fez, por isso existe.
Interessante o número de comentaristas extasiados com a notícia, mas que até ontem não se importavam com os ditos “escravos estrangeiros”.
Mas se vão dormir melhor assim…..não é maravilhoso ser brasileiro..?
Vim da Itália para o Brasil com 16 anos. Tive a oportunidade de morar nos Estados Unidos por dois anos com a família, tempo suficiente para ver a diferença de receptividade entre os dois paises. Só tenho a agradecer a esta Terra (e me envergonhar pela atitude da Itália em relação aos estrangeiros).
Ferruccio
Ah, e aproveitando o post da Irene sobre serem os europeus cada vez mais “fascistas”, queria aproveitar para dizer que estou conseguindo nacionalidade portuguesa, mesmo sem ter no momento nenhuma intenção de utilizar qualquer benefício que isso possa me trazer, e após mais de cem anos da chegada de meus avós ao Brasil.
A generalização é F…………………
A ilegalidade gera criminalidade.
Ademais, ser brasileiro desempregado é complicado, imgine estrangeiro, ilegal, e desempregado?,
Meu falecido tio Giuseppe veio para o Brasil quase ao fim da 2ª Guerra Mundial, quando a derrota do Eixo já era iminente e o gabinete do ditador fascista Benito Mussolini já havia caído.
Durante 40 anos esteve proibido de voltar à sua terra natal, pois era considerado desertor, mesmo tendo lutado na linha de frente, sendo ferido por estilhaços de granada e tendo ficado por quase uma semana escondido dentro de uma fossa séptica, com merda até a cintura.
O trauma da guerra foi tão profundo que, durante toda sua vida no Brasil, mais de 70 anos, tinha de ser levado para algum sítio distante durante as festas juninas, pois entrava em surto com o barulho dos rojões. E levou para o túmulo alguns pequenos estilhaços de granada em sua cabeça.
Apesar de nunca ter aprendido o português e de viver às turras com os “brasiliani”, ai de quem ousasse falar mal do Brasil perto dele: corria o risco de levar um “cazzotto” na cara.
E vivia repetindo uma charada de sua autoria: qual o único lugar do mundo em que se enterra um pedaço de pau e 3 meses depois se tem comida na mesa? A resposta, obviamente, era o Brasil. E o tal pedaço de pau era um ramo de mandioca.
Nassif, eu sou burro que nem uma porta. Se tantos sabem do trabalho “escravo” de imigrantes ilegais, em “indústrias” espalhadas na cidade de São Paulo, como não é noticiado a prisão destes “donos de indústrias”. Atençao os que tanto falaram: procurem a polícia e denunciiem.
Fiquei contente com essa medida, vou dormir bem melhor sim.
Veleu, São Jorge! 2 X 0 nos argentinos do sul.
hehehehe
Por que me ufano de meu país!
Mais um típico exemplar da série. Santa ingenuidade, batman!
Em relação ao passado, existem muitos poucos imigrantes no Brasil atual. Além disto, como bem mostrou o Patrick acima (citando um tal de de Sakamoto), muitos poucos poderão cumprir os requisitos necessários.
Recebemos cerca de 180 mil imigrantes japoneses em TODA a nossa História, atualmente há mais de 300 mil brasileiros residindo no Japão apesar do baixo crescimento econômico que ocorre por lá desde 1990. Uma boa parte é de mestiços, outra boa parte é de brasileiros sem ascendência japonesa, apesar de casados com um. Reparem que o Japão é um país que não gosta de receber imigrantes. Juntando EUA e Europa, a quantidade de brasileiros que emigraram nos últimos 30 anos é contada em milhões.
É fácil ser bonzinho com imigrantes em pequenas quantidades. Difícil seria se o Brasil estivesse inundado por centenas de milhares de bolivianos e angolanos. Há muitos casos de mau tratamento de imigrantes no Brasil do passado, até com aqueles considerados desejáveis pela elite brasileira (brancos e católícos).
Esta lei é necessária e justa, mas seu impacto na sociedade será mínimo e não é exemplo de que somos melhores que os outros. Mostra apenas que nos últimos 30 anos deixamos de ser um país de imigração para ser um país de emigração.
Os 800.000 e tantos estrangeiros legalizados no Brasil são gente velha que não quis abdicar da cidadania original ,pois esta esta vale mais que a cidadania brasileira. Vejo muita gente jovem lutando com a burocracia italiana (logo uma das piores do mundo) para obter uma cidadania estrangeira. Até o presidente da República é casado com uma cidadã italiana!
O Brasil não está bom nem para os “perseguidos” cubanos. Quando Fidel liberou a saída de Marielitos, apenas um 200 quiseram vir para cá. Receberam até uma ajuda razoável da ONU, mas, alguns meses depois, se rebelaram e conseguiram ir para os EUA. Foram seguidos por muitos brasileiros.
Vá lá, todo mundo aqui conhece alguém, parente próximo ou amigo, que desistiu do Brasil, emigrou, e não quer voltar nunca mais. Então, para que este ufanismo enganador?
O maior problema do Brasil é essa ausência quase completa de brasileiros. É impressionante. Eu tive a felicidade de conhecer esse país de uma ponta a outra. Passei três anos nisso, de ficar de lá para cá. É um país surpreendente em todos os aspectos. Mas todo mundo aqui veio de algum lugar (Alemanha, Espanha, Holanda, Chile, Uruguai, Itália, Japão…) Pintou uma crise econômica ou política, eles brotam no Galeão ou atravessam a Amizade.
Eu gostaria de aproveitar esse romântico texto sobre essa característica brasileira, para abrir um parêntese sobre identidade. Sobre se de fato alguém realmente conhece o brasileiro – não esse de blogs, e jornais, e revista; mas os 170 milhões que só aparecem em matérias de futebol, polícia e campanhas políticas. Conhecemos mesmo o brasileiro? E se conhecemos temos orgulho dele? Porque não é possível ter orgulho do Brasil, sem ter orgulho do brasileiro – embora seja exatamente assim que muitos se comportam.
Para ilustrar isso, peguemos um exemplo oportuno, que foi ao ar, nesta semana, na rádio CBN e analisemos cuidadosamente o discurso, porque este mostra os meandros da convição de quem está aqui em cima (falo dos 8% que têm nível superior) sobre o brasileiro.
O Heródoto Barbeiro já passa a navalha ao chamar a matéria e afirmar “na reportagem de hoje, os problemas causados por alguns costumes tipicamente brasileiros” (a cultura brasileira, lá fora, é problema) e em seguida entra o repórter Leandro Mota arremessando sutilmente verbos e adjetivos que destrói aos poucos qualquer traço de civilidade que o brasileiro possa ter, o comportamento dele passa a ser ruim, porque ele quer, lá fora, manter-se ligado ao seu País – coisa que os alemães, 300 anos depois, ainda fazem por aqui.
Aos poucos vai se destruindo o brasileiro – porque, imaginem, ele ousou ficar rico na Europa! – um absurdo. Então entra o magnânimo pensamento uspiano na voz do sociólogo Hilário Franco Júnior, que não alivia e já de cara chama o brasileiro por “indivíduo” e diz que o cidadão – lá fora – só quer saber de lugares onde se possa apreciar o arroz com feijão – como se a pizza fosse invenção nossa ou o chimarrão corresse nos rios daqui. Ele diz: “o indivíduo chega, não mostra a mínima boa vontade em aprender a língua do local, está sempre procurando um local onde venda um arroz feijão (sic), como se não existisse nada ali que fosse comestível. Não deixa de ser, do ponto de vista [daquela] população, também uma certa forma de insulto” e segue disparando um pensamento típico do catedrático uspiano – o de reverência incondicional à Europa. Ou seja, para ele, manter os hábitos alimentares e os traços culturais típicos é um insulto.
Mas bater em brasileiro é igual bater em cachorro morto. Ele não late, não rosna, não estranha, porque, até mesmo dentro de seu próprio país ele não é reconhecido, não é respeitado, não é ouvido, não é ninguém. E terra de ninguém, meu cumpadi, quem chega de fora é dono.
link da reportagem da CBN
A louvável Anistia tem que ser seguida de outras medidas, como combate implacável à exploração da mão-de-obra semi escrava, bem como uma orientação dos imigrantes nesta condição para empregos formais.
Pensamos logo nos irmãos bolivianos, que devem ser uns 80 mil em São Paulo – não é um número que deva assustar os brasileiros igualmente sub-empregados.
Espero que existam na massa de ilegais pelo menos algumas dezenas de espanhóis, portugueses e europeus em geral. Assim o Itamarati terá mais autoridade moral para defender os brasileiros que naqueles países são arbitrariamente presos e escorraçados, muitos preenchendo todas as condições legais de viagem. É preciso reciprocidade nesta área, hoje totalmente desequilibrada.
Nassif & Amigos, ponto, ponto e mais ponto para o LULA, que é mestre em
sensibilidade. Ele, que não acha o bolsa-família uma merreca porque, como
sabemos, passou fome. Que, apesar dos problemas causados pelo Evo,
não invadiu a Bolívia. Que, com toda a proximidade que tinha com o Bush,
não embarcou soldados brasileiros para morrer no conto-de-fadas do
Iraque. Que declarou achar bom ter como candidatos Dilma, Serra, Aécio e
Ciro porque pensa que nenhum é de direita. Que, apesar de todas as
dificuldades que a imprensa tem colocado para que ele possa governar
mais e melhor, desfiando diuturnamente um baita rosário de mentiras e
falsas acusações, acha que só chegou lá por causa da própria imprensa.
Que, mesmo com esse carcomido e atrasado senado sendo o reduto mais
oposicionista do seu governo, jamais declarou que deixou de fazer isso ou
aquilo por causa dos nobres senadores. LULA tem mesmo é phd em
sensibilidade e acho que, entre outros preconceitos que sofreu ao longo
da vida, quando já foi taxado por muita gente “boa” como apedeuta,
ignorante, analfabeto, entre outros adjetivos de quem não tem argumentos
plausíveis, é porque passou também pelas agruras da fome. Só quem
passou por tal provação pode ter esse sentimento num grau raro e
máximo como é o caso do nosso Presidente. O premio Nobel da paz ficaria
muito dignificado se chegasse às mãos dele.
Abs.
Louvável iniciativa, já morei na Europa e felizmente fui sempre bem tradado, pois além de descendente estava como estudante, mas eu vi bastante injustiça contra brasileiros e temos nossa imagem bastante prejudicada por alguns compatriotas só que isso já é outro assunto….
Já na Itália foi tomado outro rumo e agora imigração ilegal é crime e inclusive milícias anti-imigração estão se organizando, e pensar que não muito tempo atrás estes junto de portugueses, espanhoís e outros chegavam em barcos sem nada aqui e fizeram vida.
O visto de permanência para estrangeiros ilegais, em sua maioria dos países vizinhos sulamericanos é de importância vital para o fortalecimento das relações com seus países de origem.
Cria ambiente para relações micro-economicas, alivia tensões sociais e desenvolve mercado consumidor para os produtos feitos no Brasil e nesses países.
Um imigrante, ao melhorar de renda, a primeira coisa que faz é remeter o excedente aos seus familiares na origem. E estes então passam a ter condições de vencer suas limitações locais.
Manter ilegais, ilegais, só aumenta o preconceito e a violência. Alimenta o crime organizado e as atividades ilícitas.
Mas uns votos para Dilma em 2010.
O Brasil e um paiz que vez por outra acomoda bandidos extrangeiros ,porque nao acomodar trabalhadores pobres que tentam sobreviver.
Foi um gesto bonito, principalmente em tempos de intolerância e xenofobia!
Moro na Espanha desde 99, consegui contrato de trabalho e hoje tenho cidadania espanhola. Apesar de estar vivendo, trabalhando e com todos os direitos, dificilmente poderei ter um cargo maior do que tenho na minha profissão (sou arquiteto), já que aqui existe uma barreira grande contra os estrangeiros não europeus.
Minha mulher que é espanhola fica horrorizada quando escuta comentários das colegas de trabalho dizendo que teriam um troço se um filho se casasse com um(a) imigrante.
Ao contrário do Brasil (que também já teve um cultura bastante xenófoba) aqui na Europa você nunca vai deixar de ser “de fora”, mesmo que fale o idioma perfeitamente e sem sotaque. Essa é uma grande diferença.
Se volto ao Brasil com minha mulher ela será melhor recebida do que eu aqui.
Como disseram acima, o Brasil é um país de acolhida e de mistura, só precisa se dar conta disso.
[...] em países como a França (de Sarkosy) e a Itália (de Berlusconi). Sacamos a notícia do blog do Nassif, no qual Marcelo Carneiro da Cunha dá a notícia com euforia. Mas nos comentários há uma [...]