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03/07/2009 - 09:31

O caso Alston

Da Folha

Suíça bloqueia outra conta na investigação do caso Alstom

Autoridades suspeitam de banqueiro que ajudou a montar contrato com a Eletropaulo

MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL

Autoridades da Suíça bloquearam uma conta atribuída ao banqueiro aposentado francês Jean Marie Lannelongue por terem encontrado indícios de que ele recebeu o pagamento de comissões ilegais da multinacional francesa Alstom.

Lannelongue, que vive no Brasil desde os anos 80, representava o banco Societé Générale no país e ajudou a montar a engenharia financeira que permitiu que a Alstom fechasse um contrato com a Eletropaulo de R$ 110 milhões em valores de 2001 -hoje seriam R$ 221 milhões, quando se corrige o contrato pelo IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado, da Fundação Getulio Vargas).

Na semana passada, a Folha revelou que o Ministério Público da Suíça bloqueara uma conta atribuída a Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Marinho é suspeito de ter recebido propina da Alstom para ajudar a empresa a fechar o negócio com a Eletropaulo.

Ele ocupou o segundo cargo mais importante no governo de Mário Covas (PSDB): Marinho foi chefe da Casa Civil entre março de 1995 e abril de 1997. O conselheiro do TCE paulista nega ter conta na Suíça ou em outro país.

O contrato de R$ 110 milhões faz parte de uma novela que remonta a 1990. Naquele ano, a Eletropaulo e a Cogelex (empresa formada pela junção da Alstom com a Cegelec) assinaram o aditivo de número dez de um projeto chamado Gisel (Grupo Industrial para o Sistema da Eletropaulo).

Transmissão de energia

O objetivo do projeto era modernizar o sistema de transmissão de energia. O aditivo dez visava a construção de subestações de energia em dois bairros da cidade de São Paulo: Cambuci e Aclimação, no centro.

Como o país passava por crises econômicas em série, com inflação estratosférica e corte de crédito internacional, o contrato com a Eletropaulo não saiu do papel até 1998.

No ano anterior, o governo francês decidira financiar o projeto da Eletropaulo porque o contrato representava ganhos de divisas para a França. O banco Sociéte Générale foi a instituição escolhida para cuidar do financiamento.

Intermediações desse tipo são corriqueiras no mundo dos negócios. O problema, segundo os promotores suíços, é que Lannelongue não se restringiu a dar consultoria financeira à Eletropaulo e à Alstom. Ele teria recebido recursos da Alstom que podem ser caracterizados como propina, ainda de acordo com a visão da Promotoria.

Offshore

Um dos indícios que o banqueiro recebeu propina está em documentos da Alstom coletados pelos promotores suíços. Outro indício foi encontrado nas movimentações de uma empresa offshore de Lannelongue -a Splendore y Associados.

A Splendore foi uma das empresas pelas quais passou parte das propinas pagas pela Alstom, segundo a Promotoria suíça. A Suíça diz que um grupo de offshores recebeu comissões que somam 34 milhões de francos franceses (equivalentes hoje a cerca de R$ 13,5 milhões).

Offshore é um tipo de empresa aberta em paraíso fiscal por duas razões: paga menos impostos e há um grau de sigilo sobre os seus proprietários muito maior do que numa empresa regular.

Lannelongue é figura influente entre a comunidade francesa que vive em São Paulo. Ele foi presidente da Câmara de Comércio França-Brasil até março de 2005 e é presidente de honra da entidade.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Corrupção Tags: , ,

5 comentários para “O caso Alston”

  1. lucifer disse:

    Alston,lembra FHC,que lembra tucanos,que lembra Serra. Que escândalo bem escondido,hein?

  2. Monier disse:

    O Coaf tem uma publicação interessante sobre lavagem de dinheiro. É uma compilação de 100 casos, disponibilizada em pdf, no link a seguir. A publicação é de 2001.

    https://www.coaf.fazenda.gov.br/conteudo/publicacoes/downloads/100_Casos.pdf

  3. Raí disse:

    Robsom Marinho,Lannelongue,e muitos outros célebres nomes de bela plumagem do PSDB local,ainda vão aparecer nas manchetes dos jornais,como intermediários e agentes nesta negociação com a Allstom.

  4. Luiz Oliveira disse:

    O que iria aparecer de corrupção envolvendo as cabeças coroadas da tucanalha se fosse levantadas as contas da eletropaulo nos últimos 10 anos…..CPI da Eletropaulo seria a solução, mas a tucanalha da assembléia paulista veta qualquer cpi, e a imprensa, a nossa valorosa imprensa, nem menciona o fato.

  5. Deu no Estadão

    Alckmin é favorito em São Paulo, indica Ibope
    Intenção de voto no tucano supera ou iguala a soma dos índices de todos os adversários

    Daniel Bramatti
    Tamanho do texto? A A A A
    Pesquisa Ibope a que o Estado teve acesso indica que o tucano Geraldo Alckmin poderia vencer no primeiro turno se a eleição para o governo de São Paulo fosse hoje. Em outros cenários, com Aloysio Nunes Ferreira como candidato da situação, quem lidera é Paulo Maluf (PP), isoladamente ou em situação de empate técnico com Marta Suplicy (PT).

    Ciro Gomes, do PSB, aparece em terceiro ou quarto lugar, a depender da lista de candidatos apresentada aos entrevistados.

    Nos sete cenários pesquisados, o Ibope avaliou até o potencial do prefeito da capital, Gilberto Kassab, como eventual candidato da aliança PSDB-DEM à sucessão do governador José Serra. Sem tucanos na disputa, Kassab assume a ponta. O prefeito, porém, tem negado a intenção de se candidatar.

    As intenções de voto em Alckmin variam de 42% a 51% (veja quadro) – seu porcentual supera ou iguala a soma dos índices dos adversários. Aloysio Nunes Ferreira, chefe da Casa Civil do governo José Serra e também apontado como pré-candidato do PSDB, oscila entre 3% e 4% nos cenários pesquisados pelo Ibope.

    OPOSIÇÃO

    Ciro, apontado como possível candidato em uma aliança entre o PT e o PSB, chega, no máximo, a 12% das intenções de voto. Seu potencial eleitoral, porém, pode ser maior, pois nas listas em que seu nome aparece também consta o de Marta Suplicy. É improvável que algum petista concorra se Ciro for candidato – e o inverso também é verdadeiro.

    Marta, a petista mais bem colocada no levantamento, já disse ao partido que não pretende se candidatar ao governo. O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que aparece com 6% em seu melhor cenário, não pretende confirmar a candidatura antes do julgamento, no Supremo Tribunal Federal, do processo em que é acusado de violação de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Outro possível pré-candidato do PT, o ministro da Educação, Fernando Haddad, tem apenas 2% de intenção de votos.

    Maluf lidera, com 20%, quando Alckmin não aparece na lista de candidatos e Palocci é colocado como o nome do PT. Com Marta na disputa, o ex-governador, ex-prefeito e deputado tem 19%, e a ex-prefeita chega a 16%.

    Márcia Cavallari, diretora executiva do Ibope, alerta que a pesquisa, por ser feita com muita antecedência em relação à eleição de outubro de 2010, é muito influenciada pelo chamado “recall” – nomes mais conhecidos levam vantagem.

    Pelo amor de Deus, o governo Alckmin de novo, Não!!! Se, caso venha a ganhar em São Paulo, garantirá a permanecia do PSDB no poder no Estado de São Paulo por 20 anos. Mais 20 anos de PCC, mais 20 anos de violência urbana crescente. Que venha a Federalização da Segurança Publica, pois somente assim viveremos em Paz.

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