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03/07/2009 - 12:22

Gol aberto e o PT não chutou

Por Jorge

o PT bobeou nessa crise. Devia ter apresentado um projeto global de reforma do senado. fico espantado com o declínio da capacidade analítica dos parlamentares petistas e mesmo de prefeitos e governadores. A geração dos anos 1990 era muito mais arguta e pró ativa. O poder emburrece.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: , , ,

91 comentários para “Gol aberto e o PT não chutou”

  1. sergio ruiz disse:

    Tem hora que o PT é de uma ingenuidade pior que criança.

  2. Edmar Roberto Prandini disse:

    Ivanisa,

    Como sempre, perfeita!

    Não há que investir em nenhum tipo de reducionismo. A esfera do debate ético é um, do debate eleitoral é outro e da discussão política de fundo é uma terceira, e, certamente a mais relevante.

    Neste sentido, estou completamente alinhado àqueles que defendem o fortalecimento das instâncias de democracia direta e participativa, a audiência aos movimentos sociais, aos sindicatos e centrais sindicais.

    Estou em absoluta concordância com você neste, especialmente destacando este trecho:

    “…se dispõem a debater grandes questões, mas para isso precisam ganhar mais visibilidade, o que significa ocupar posições mais relevantes. E é aí que o jogo precisa virar. Mais visibilidade para vanguardear propostas e debates que produzam iniciativas efetivas na ruptura da desigualdade social. Com um movimento social forte e independente e com centrais sindicais vigilantes e críticas é possível criar condições para o governo arriscar posições de caráter mais coerente com o projeto político-ideológico do PT”.

  3. arkx disse:

    Edmar e Ivanisa

    o problema não está no acordo com Sarney e o PMDB. acordos fazem parte da política. a questão são as bases em que os acordos são firmados. e se compromissos públicos são assumidos!

    o grande ponto é o foco da política: se restrita ao parlamento ou se fundamentada no movimento social.

    atuação parlamentar e democracia participativa não são excludentes. é perfeitamente possível conjugar a via parlamentar com o movimento de massas.

    para percorrer o caminho do aprofundamento da democracia, as duas pernas precisam se equilibrar uma na outra, em movimento alternado mas contínuo.

    não compreender esta necessidade tem sido um dos maiores erros históricos das esquerdas.

    a crise global e seus inevitáveis reflexos no Brasil – principalmente com as grande empresas afetadas e precisando da ajuda do governo, via empréstimos do BNDES e desonerações variadas – criam uma rara oportunidade para a formação de um inédito arco de forças progressistas em torno de uma proposta de desenvolvimento com inclusão social.

    o cenário externo favorece o Brasil não apenas no aspecto econômico. também no político: Obama, G-20, BRIC.

    enquanto o debate político estiver polarizado entre Lula x grande mídia, entre Dilma x Serra, entre lulistas x anti-lulistas, será impossível qualquer sucesso na formação, então sim, de um grande acordo nacional sob a bandeira do desenvolvimento e da inclusão social (um visto como condição necessária do outro).

    este pacto seria um novo “modelo de governabilidade” com “garantia de estabilidade política”.

    tudo e todos que não passassem por ele (como a grande mídia e a quase totalidade do PSDB) cairiam no ostracismo político, isolados e sem qualquer possibilidade de retaliação.

    teríamos então, como povo e nação, dado um passo irrevogável em nossa História.
    .

    “O governo Lula terá de se equilibrar num estreitíssimo fio da navalha. Por um lado, deve evitar a cooptação pelo atual status quo, por outro, não pode sucumbir às tentações voluntaristas de ir muito além do que nos permite a atual correlação de forças.”

    Carlos Nelson Coutinho
    O estreito fio da navalha
    02/2003
    .

  4. arkx disse:

    “É importante que fique claro, de resto, que – se a desfavorável correlação de forças impõe a um governo de esquerda a aceitação dos “contratos” feitos pelos governos anteriores – é impossível construir um “novo modelo econômico” sem criar as condições para que “contratos” deste tipo se tornem desnecessários.

    Se Lula e o PT centram suas propostas na necessidade de retomar o paradigma da produção, de tomar como eixo central a geração de empregos e a distribuição de renda, e, ao mesmo tempo, se enfatizam que o modelo neoliberal é responsável pelas mazelas que nos atormentam, então não é possível deixar de dizer, com toda clareza, que o respeito aos “contratos” não passa de um mal necessário.

    Não podemos de modo algum sucumbir à tentação de fazer da necessidade (temporária!) uma virtude (permanente!).

    Se isso desgraçadamente ocorre o risco com que se defronta hoje um governo de esquerda no Brasil não mais seria o de ser derrubado por um golpe militar: seria o risco – talvez ainda mais grave! – de ser cooptado objetivamente (ou seja, independentemente da vontade e da intenção subjetiva de seus componentes) pelo modelo neoliberal dos setores mais reacionários das classes dominantes nacionais e internacionais.

    Em outras palavras: se esta cooptação ocorresse, teríamos entre nós uma enésima “revolução passiva”, isto é, mais um movimento no qual – com pequenos e inessenciais retoques “sociais” – seria conservado essencialmente o atual status quo.”

    Carlos Nelson Coutinho
    O estreito fio da navalha
    02/2003
    .

  5. Julio disse:

    A um ano da eleicao nao sei se seria hora do PT radicalizar e partir pro confronto direto com toda a direita, ainda mais nesse assunto de romper com o velho coronelismo e a politicagem. E um assunto onde o discurso nao renderia muito; se fosse pra radicalizar, melhor num assunto mais propicio, como revolucionar a educacao, ou algum projeto radical interessante. Comprometer a governabilidade sem beneficio nenhum, somente pra ficar na foto como anti-coronelista, sendo que deixar Sarney se lascar nao acabaria com o corolelismo e a politicagem. Os congressistas da esquerda podiam apresentar projetos sem parar, deixando a oposicao ocupada em criticar os projetos histericamente. Assim a oposicao ficaria sem tempo de criar inqueritos. Nao sei se e impressao minha, acho que anos atras o congresso era mais ativo que senado, aparecia mais que o senado e havia bons deputados de esquerda dando a tonica dos discursos. Hoje parece que os deputados andam apagados.

  6. Julio disse:

    ops, no comentario acima, quando dizia congresso queria dizer a Camara dos Deputados.

  7. Neves disse:

    Edmar,

    “o cenário da crise internacional abriu uma janela de oportunidade para o renascimento da oposição, com a interrupção do fluxo de expansão da economia, do emprego, dos salários e dos demais indicadores sociais”.

    Veja o paradoxo, A esperança da oposição demo-tucana é que se abra uma crise econômica no Brasil. Faltam quinze meses para as eleições de 2010. Resta para eles que a marolinha se transforme num tsunami e derrube a elevada popularidade de Lula. Terá que ser um queda econômica danada, brusca e intensa, suficiente para liquidar os duzentos bilhões de dólares da reserva internacional.

    Sendo assim, forças liberais e conservadoras demo-tucanas, com forte ligações ao poder econômico, ficarão na torcida para que a economia brasileira se exploda. É um caso patético na direita mundial. Faz apostas na crise geral do capitalismo como a ultraesquerda. As operações para desestabilizar instituições vão nessa linha.

    Depois reclamam quando digo que Lula tem a oposição que pediu a Deus. Toda virulência dela é desespero pela falta de discurso consistente. Ela não tem alternativa para ofertar ao neoliberalismo. A superação deste terá de vir pela esquerda, ou será uma nova barbárie.

  8. Edmar Roberto Prandini disse:

    Neves,

    Obrigado pelo diálogo, que agradecer e reconhecer que é perfeito seu comentário!

    Decorrem algumas observações:

    a) O governo, sem nenhuma mirabolância, adotou uma série de medidas impactantes e exitosas para a frenagem dos impactos dramáticos da crise sobre o nível de atividade, o emprego e os salários. A atividade caiu menos do que em outros países, enquanto o emprego apenas reduziu seu ritmo de expansão. Houve um momento agudo de demissões em dezembro de 2008, mas mantém-se o estoque positivo e crescente;

    b) A retomada do início do segundo trimestre, que deve incrementar-se a partir da metade do ano, causa desespero na oposição, que vê-se sem fôlego para discursar;

    Vai piorar a falta de fôlego, em função do que apresento abaixo:

    c) Medidas como o projeto “Minha Casa, MInha Vida”, em que o investimento na ativação da economia faz-se pela lógica da inclusão social e redução das desigualdades, embutindo a redistribuição de renda (via subsídio direto aos mais pobres = Bolsa Habitação?) mudam o perfil do projeto de “desenvolvimento” com que o país lidou desde sempre. Vão tentar denegrir esse programa, apontar-lhe erros, equívos e ineficácias. No primeiro mês, já vinham dizendo que o programa tinha sido ineficaz porque poucas casas já havam sido contratadas… Agora que já foram contratadas mais de 80 mil em apenas 3 meses, continuam dizendo que é ineficaz… e quando foram 500 mil ainda dirão que é ineficaz… porque a realidade não importa.

    d) A iniciativa direcionada às micro e pequenas empresas, ainda em detalhamento, de implantação dos fundos garantidores de crédito, de primeiro e segundo piso (garantias diretas e garantias através de sociedades garantidoras de crédito), inserem-se nessa lógica da mudança do perfil do desenvolvimento. Assemelha-se ao significado da expansão acelerada do PRONAF no primeiro governo Lula, quando a agricultura familiar ganhou um fortíssimo estímulo, representado pela expansão da disponibilidade de crédito em quase dez vezes, comparativamente ao final do governo FHC;

    e) Lula sustenta o reajuste do funcionalismo federal;

    d) Pretende o rejauste do Bolsa Família.

    O motor do desenvolvimento econômico, que todos dizem estar no “mercado interno” deixa a abstração e encontra eco numa opção sociológica. O mercado interno que deve ser ativado corresponde às camadas sociais de mais baixa renda. É essa a opção que o governo está fazendo e os impactos objetivos dessas medidas tem sensibilidade imediata, não permitindo sobrevida ao discurso neoliberal.

    A ainda altíssima taxa SELIC segue tendendo à queda, de modo que os ganhos exclusivamente financeiros dos setores rentistas tendem à redução. Ainda serão volumes fantásticos, sem dúvida, mas, o país, está sim sainda do crise melhor do que entrou.

  9. arkx disse:

    Edmar

    não vou polemizar com vc. vou fazer tão somente uma observação:

    - tanto o seu raciocínio (cfe. exposto acima ao Neves) como as medidas tomadas pelo governo são pautadas por uma disputa política de caráter eleitoral.

    não são medidas inseridas numa estratégia de superação do atual modelo econômico (por exe. cfe. texto citado acima).

    antes da crise global, o governo sustentava que ela não aconteceria. agora, o governo dá como certo que em 2010 a crise global estará definitivamente no passado.

    leitura do comportamento recente da economia dos EUA aponta em direção contrária.

    mas como sempre os “estrategistas’ do governo preferem olhar para suas próprias expectativas, ao invés de se debruçarem sobre as complexidades do mundo real.
    .

  10. Calvin disse:

    Edmar Roberto Prandini, em que país vc vive? Não viu o estudo do IPEA e FGV COMPROVANDO que o Bolsa Família, se tivesse sido implantado há 20 anos, NÃO teria havido mobilidade social? Ou seja, os pobres continuariam pobres?

  11. Agnaldo Antonio Perez Nogueira disse:

    É pessoal da indignação as coisas só melhorarão quando a sociedade de forma organizada pressionar para que haja leis de limitação do gerenciamento político no setor público. Aqui no país “Capitalista” emergente todos enriquecem as expensas do herário público, políticos, empreiteiras e toda sorte de ladrão. È a espoliação do Estado pelos partidos e empresários. E há quem tenha receio do Socialismo.

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