Da cândida inocência dos analistas
Continuo não entendendo o raciocínio que se esconde por trás do sempre excelente texto de Dora Kramer.
Vamos à sua análise de hoje:
Sob custódia do Planalto
Dora Kramer,
Muito bem: o presidente Luiz Inácio da Silva intervém no Senado, faz de José Sarney um presidente tutelado pelo Palácio do Planalto, assume a custódia das lixeiras do Parlamento, submete o PT a um vexame ímpar e o que isso influi no processo da sucessão presidencial?
Ou, antes, o que a eleição de um presidente da República e a boa governança de um País têm a ver com a sustentação de um esquema político obsoleto e moralmente apodrecido?
A rigor, nada. Bem como a manobra não acrescenta um voto – podendo tirar muitos – a candidaturas governistas nem tampouco serve como garantia da adesão do PMDB à chapa com patrocínio oficial.
De que país Dora está falando? Deve ser da Inglaterra. Levando seu raciocínio ao extremo, FHC se apoiava em ACM, Luiz Eduardo Magalhães, Jader Barbalho por afinidade. E Lula se apoia em Sarney, Geddel e outros porque participam das partidas de futebol na Granja do Torto. Senado, CPIs, nunca foram fator de instabilidade política por aqui? O jogo acabou. Qual a intenção de Dora com esses argumentos que nada têm a ver com a realidade política do Brasil?
Não obstante, o argumento por trás dos movimentos do presidente Lula em defesa do presidente do Senado é o de que Lula age em prol da governabilidade e do êxito eleitoral de seus aliados em 2010.
Alega-se que o presidente da República atua no propósito de preservar a estabilidade política e de evitar uma “crise sem precedentes” no Senado que poderia “comprometer o restante do seu mandato”.
Crise sem precedentes o Senado vive há pelo menos oito anos, período em que assiste ao permanente questionamento público dos presidentes escolhidos pelo colegiado, já se vê, por critérios que não levam em conta normas de boa conduta.
Que é isso? Seria apenas uma marolinha. E se o Senado vive essa crise há 14 anos, porque Dora se apegou à demissão do atual presidente do Senado como saída e não à cobrança da implementação do projeto da FGV?
A intervenção explícita – de maneira nunca vista – do Poder Executivo, se influência tiver sobre a crise, será no seu agravamento. Quanto ao comprometimento do mandato de Lula, não é visível o motivo do receio.
Nunca vista? FHC se valeu de ACM, quando precisou. Quando o aliado exorbitou, defenestrou-se em dois tempos – em prol da governabilidade, sim – de uma maneira nunca vista.
São três as possibilidades de solução até agora apresentadas: a licença do presidente Sarney até a conclusão da investigação e desmonte das atividades da rede de ilicitudes montada ao longo dos últimos 14 anos; renúncia e realização de novas eleições; formação de um grupo suprapartidário para encaminhar as soluções, independentemente de Sarney sair ou ficar.
Objetiva e friamente nenhuma delas configura um problema.
Nem o Lobo Mau foi tão convincente assim, ao convencer Chapeuzinho a mudar o caminho (perdão pela comparação, já que nessa história só existem lobos e raposas).
Se Sarney pedir licença, assume o primeiro vice, Marconi Perillo, do PSDB. Alega-se que o governo “não aceita” entregar a presidência do Senado ao partido que será seu maior adversário em 2010 e que, ademais, Lula “detesta” Perillo.
Questão de gosto. Muita gente no Parlamento também deve “detestar” algum ministro do Executivo e nem por isso a nomeação de todos eles deixa de ser prerrogativa do presidente. No tocante à “entrega” do Senado à oposição, é de se perguntar por quê. Descontada a hipótese de o PSDB fazer a revolução, de que loucuras seria capaz o partido?
Não acredito! Por que razão FHC juntou todas suas forças contra a CPI do Fim do Mundo? Porque o poder desestabilizador de uma CPI é imenso. É óbvio até para os leitores da Dora que o Senado, sob controle da oposição, se transformaria em uma máquina de gerar uma CPI por semana, paralisando o país até as eleições.
(…) Se Sarney renunciar, realizam-se novas eleições. E daí? Realizaram-se várias. Em quantidade maior que as regulamentares de dois em dois anos, em função de vacâncias anteriores no curso do mandato. Seria apenas mais uma. Com a mesma dificuldade de sempre: ausência de nomes de consenso.
Desta vez só seria preciso cuidado redobrado no quesito folha corrida.
Que cuidado? Dora precisou escolher um campeão apenas e escolheu errado.
A terceira possibilidade – recusada, mas até agora a mais ponderada – é a do grupo suprapartidário. O PSDB apresentou a sugestão, o PT encampou, mas a Mesa Diretora recusou, também suprapartidariamente, com receio de perder poder.
Não teria, é verdade, o controle absoluto sobre as investigações e eventuais reformulações, mas manteria suas funções habituais. O grupo administraria a crise e a Mesa continuaria no comando do Senado.
Falar em perda de poder pontual, deste ou daquele, nessa altura é irrelevante, pois o nome do jogo é a recuperação de um poder já perdido coletivamente.
Ou o Senado percebe que trata da sua sobrevivência ou os grupos dominantes continuarão a reboque das conveniências do Palácio do Planalto. Hoje ou amanhã, seja Lula ou outro o presidente da República.
Ou o Senado continuará à reboque da mídia e da Dora. A transparência que virá tornará o Senado mais limpo – e também menos vulnerável aos jogos de manipulação da mídia.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições, Política Tags: crise, Dora Kramer, Sarney

Mas quem é essa Dora Kramer??
31/01/2009
Lula sai do confronto do Congresso como derrotado
Escrito por Josias de Souza às 20h09, BLOG Josias de Souza, 31/01/2009
Não importa o resultado. Vença quem vencer, Lula sairá da guerra em que se converteu a troca de comando no Legislativo com o semblante da derrota.
No presidencialismo à brasileira, tisnado pela hipertrofia do Executivo, é usual que o Planalto meta-se em disputas que deveriam ser exclusivas do Congresso……………………………….
http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-01-25_2009-01-31.html
Desde que virou presidente, Lula mostra deferência a Sarney
Maurício Savarese, Do UOL Notícias, Em São Paulo
Poucas décadas depois de tê-lo chamado de “ladrão”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva hoje tem o senador José Sarney (PMDB-AP) como um “amigo leal”, nas suas palavras. Sarney, hoje alvo de uma série de denúncias de irregularidades, consegue o que deseja do petista desde a campanha que o elegeu para o Palácio do Planalto em 2002. Visitas, indicações e demonstrações de apoio político não faltaram ao presidente do Senado, agora pressionado por denúncias de favorecimento a parentes e assessores e que corre risco de ser forçado a deixar o cargo…………….
………Nos últimos anos, Lula transformou Sarney em um dos seus principais conselheiros políticos. Indicou dois aliados do ex-presidente da República para o Ministério das Minas e Energia (Silas Rondeau, derrubado por denúncias de corrupção, e o atual, Edison Lobão), além de outros para autarquias e postos de segundo e terceiro escalões. A filha dele, Roseana, hoje governadora do Maranhão, tornou-se líder do governo no Congresso e candidata apoiada pelo petista nas eleições estaduais de 2006 apesar de ser membra do arquirrival DEM………………….
http://noticias.uol.com.br/politica/2009/07/03/ult5773u1590.jhtm
24/01/2009
Disputas na Câmara e Senado viram ensaio de 2010
Escrito por Josias de Souza às 04h42, Blog do Josias de Souza, 24/01/2009
…………..Em conversa com o ministro José Múcio, coordenador político de Lula, o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, resumiu o drama do tucanato.
Guerra disse a Múcio que Tião faria mais pela recuperação da imagem do Senado do que Sarney. Mas indagou: “Quem vai ficar com a gente em 2010, o PMDB ou o PT?”
Fechado com a candidatura presidencial de Serra, o também oposicionista DEM planeja despejar votos em Sarney. E empenha-se para arrastar o PSDB para a empreitada.
Na última segunda (19), Serra recebeu no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB).
O presidenciável tucano derramou-se em elogios ao petista Tião Viana. Três dias antes, Serra conversara, pelo telefone, com o próprio Tião. Combinaram um encontro.
Serra é desafeto de Sarney. Desentenderam-se em 2002, ano em que uma operação da PF transformara em pó a candidatura presidencial de Rosena Sarney.
Pai da ex-presidenciável, Sarney enxergara as digitais de Serra na operação policial.
A despeito das negativas, a relação entre os dois desandou.
Na Câmara, Serra ajudou a empurrar o PSDB para dentro da campanha de Michel Temer, candidato do PMDB à presidência da Casa…………………..
………..Bornhausen ficou de conversar com FHC, presidente de honra do tucanato. Ficou de acionar também o prefeito ‘demo’ Gilberto Kassab, unha e cutícula com Serra.
Tenta-se armar um cerco a Serra, para convencê-lo de que é melhor ter no Senado um Sarney aberto ao diálogo com a oposição do que um Tião incondicionalmente alinhado ao Planalto……………..
http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-01-18_2009-01-24.html
Nassif, concordo em tudo contigo. Infelizmente, no momento atual, é preferivel apoiar um ex- Velha UDN (Sarney,…) do que a Nova UDN(PSDB, DEM,…). Basta lembrar o estrago que Carlos Lacerda junto com algumas Doras Kramer produziram na época.
Essa senhora não merece a menor atenção! Aliás, quem é ela mesmo? Como não leio o PIG há anos, continuo sem saber quem é e nem faço questão de saber!
Lula joga a “bóia” e salva Sarney, por enquanto
03/07/2009 – 19:01 – Reuters, divulgado pelo Último Segundo do iG.
Edição Carmen Munari
Tudo depende agora dos desdobramentos da crise e da fidelidade de aliados.
“Se tiver que sair, ele sai. Não está apegado (ao cargo), mas não acho que isso vai acontecer”, disse à Reuters a filha e governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), antes mesmo do encontro do pai com o presidente da República.
O PT transformou-se em bóia para José Sarney, jogada a pedido de Lula para salvar o aliado. Foi por intervenção do presidente que seu partido não abandonou o barco nos últimos dois dias.
“Sem o PT, não dá”, afirma um auxiliar do peemedebista…………….
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/07/03/analise+lula+joga+a+boia+e+salva+sarney+por+enquanto+7111901.html
Orlando,
“Enquanto isso, a banda do metalúRgico, apresenta um som mais colorido, matizado com muita diversidade criativa. Tudo bem que o refinamento europeu não esta habituado ao que chamam de ruídos.”
Não sei porque a Inglaterra entrou no samba. Inglaterra não é mais a mesma. Não há ruídos, pelo contrário, há sirenes descontroladas e estridentes da polícia, dos serviços emergenciais de saúde e dos bombeiros. Nos shows de rock a moçada de 16 anos está lançando garrafas uns nos outros. Nas ruas, os policiais vivem atrás de jovens, com todo o carinho (ponto para a polícia londrina), que circulam pelo centro de Londres e bebem até cair nas esquinas dos pubs, do lado de fora, porque não podem fumar do lado de dentro. Grupos de meninas circulam aos gritos, atravessam ruas de maneira arriscada, caem nas calçadas e riem até não poder mais. De que Inglaterra está se falando? É claro que há os alemães, os irlandeses, os escoceses, os russos. Não comento o comportamento dos indianos, dos africanos e dos árabes, porque são os mais educados devido a anos de discriminação social. Porém é preciso tirar o chapéu para o permanente humor inglês. Isso eles não perdem para ninguém. Quanto à Dora… Nassif, foi bom ter colado o comentário do Jorge. O debate provoca a discussão das contradições do texto e dos comentários. Importante é sempre levar em conta os argumentos, mesmo que se tenha dúvidas sobre a origem do pensamento. Com isso fortalece-se a postura mais analítica e menos sanguínea.
“Excelente Dora Kramer”(?).Excelente de quê?Presta atenção na foto dela..
Excelente assessora do PSDB,acho que seria.
Será que foram essas contradições de Dora quanto a ver pecados inexpurgáveis em desafetos e confiança absoluta nos aliados que levaram à idéia do roteiro do premiado ( e chato) ” Kramer X Kramer?”
Falando em análise, até mesmo em função do post da Irene, é bom que se diga que quando prevalece a lógica do mercado e não do Estado, as pessoas se tornam e se veem como mercadoria. E os jovens são os primeiros a apontar, a sinalizar em seu comportamento social. Não é possível fulanizar culpando Tony Blair e seus antecessores que privatizaram os serviços públicos ou Gorbachev que atendeu a demanda pela diversidade do capital, mas que a falta de Estado cria um anarquismo sem perspectiva de longo prazo, cria. O que resta é uma polícia mais humana ou menos. É preciso analisar sob a ótica do capital e seu efeito perverso sobre o tecido social. Isso me leva de volta ao Brasil que, diante de uma perspectiva histórica se ocupa com a lógica eleitoral. Ah, esse Brasil! Ah, esse povo brasileiro! Nosso povo merece governantes generosos, solidários, éticos, que não se apequenem diante de intereses privados. Nosso povo merece um Estado que redistribua a renda e a riqueza, que redistribua a terra e proteja a riqueza ambiental e que não se submeta acriticamente à lógica do mercado financeiro nem local nem internacional. E os nosso jovens precisam com urgência ter acesso ao ensino público em todos os níveis, ter acesso a uma educação que represente a nossa riqueza cultural. O Ministério da Educação tem sido escrupuloso em respeito à adesão voluntária de Estados e Municípios. Em outros tempos, o UNICEF reunia todos os governadores e agendava um pacto de compromisso. O UNICEF é uma agência, o governo federal foi eleito e tem a aprovação de 60 a 80% de brasileiros (mantenho a faixa, em virtude de polêmicas na leitura dos resultados das pesquisas). O governo federal tem autoridade suficiente para tornar a educação de nossas crianças e jovens uma agenda prioritária e fundamental.