O fato novo na crise do Senado
Ao atingir a burocracia que dominava a informação, principal fonte do poder da elite administrativa da Casa, as denúncias expuseram o conjunto dos senadores e provavelmente não deixarão nenhum partido intacto. É essa a questão central da crise.
Do Valor
Informação é a arma da burocracia
Maria Inês Nassif
02/07/2009
A burocracia não profissional do Senado foi estruturada para servir uma casa parlamentar enraizada no patrimonialismo. A cultura política dos senadores que emergiram de um voto tradicional incorpora como naturais e legítimos os privilégios que chegam via normas excessivamente elásticas e vazios legais. É como se fossem um prêmio pela vitória eleitoral que os guindou a senadores numa eleição majoritária. A “burocracia política” viabiliza o acesso dos senadores a esses privilégios e os legitima; em compensação, apropria-se também de parcelas de privilégios, quer corporativamente (com concessões de horas extras indevidas, por exemplo), quer individualmente (como a intermediação de contratos de crédito consignado em folha ao funcionalismo da casa).
A crise de 2008, sob a presidência de José Sarney, fugiu ao controle. Houve um desequilíbrio na lógica de que as crises e disputas políticas entre senadores encerravam-se em culpas individualizadas e se extinguiam quando era punido um deles. Foi o que aconteceu com os senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Jáder Barbalho, em 2001; e com Renan Calheiros (PMDB-AL) no ano passado. E também houve um desequilíbrio na lógica de que, no momento seguinte à punição, havia uma recomposição política alicerçada e a partir da estrutura funcional do Senado. Não foi casualmente que o ex-diretor-geral ficou no cargo por 14 anos e sobreviveu à queda de dois presidente da instituição e ao esvaziamento do poder de um ex-presidente.
Nas crises anteriores, a burocracia desempenhou o papel de massa orgânica do Senado, em torno da qual partidos e senadores resolviam grandes conflitos sem rompimentos e mantinham o controle sobre as informações para que não se generalizasse a caça às bruxas. Prevaleceu, assim, até agora, o padrão de individualização de responsabilidades.
Ao atingir a burocracia que dominava a informação, principal fonte do poder da elite administrativa da Casa, as denúncias expuseram o conjunto dos senadores e provavelmente não deixarão nenhum partido intacto. É essa a questão central da crise. Os privilégios dos senadores foram suficientemente democratizados para expor a Casa como um todo. A “burocracia política” que foi duramente atingida não apenas sabe disso, como detém informações que dão a ela o poder de alimentar crises sucessivas.
Quando denúncias vêm à tona, a legalidade ou a ilegalidade desses atos não são mais o ponto central. O que passa a contar são os parâmetros definidos pela mídia – é ela quem acaba definindo o moral e o imoral, o ético e o não-ético. A máquina de reproduzir e valorar (no sentido de dar valor, adjetivar, definir parâmetros para julgamento dos atos) termina por impor como patamar ético aquele definido por escândalos anteriores, que nem sempre é justo e não tem correspondência na lei – isto é, existe uma separação entre o julgamento moral e o legal, e o moral acaba prevalecendo. O senso comum se consolida pela repetição do fato, repetição do discurso e repetição do julgamento.
No caso do Senado de 2008, o uso dos escândalos como arma de fazer política nacional tem eficiência muito reduzida. Em primeiro lugar, porque nenhum dos grupos do Senado tem o poder de estancar as denúncias. São informações que os senadores não detêm, mas sim a máquina burocrática que foi seriamente atingida. Em segundo, porque os chamados atos secretos de Agaciel Maia beneficiaram democraticamente partidos e parlamentares do governo e da oposição. E por último, e especialmente, a prática de alimentação do embate partidário usando exclusivamente denúncias, não necessariamente verdadeiras, e um discurso de alta agressividade, consolidou um senso comum de que os políticos são venais e facilmente corrompíveis. É por esse senso comum que os senadores denunciados – quer tenham contribuído, quer não, para a consolidação de juízos morais — serão julgados pela opinião pública.
Mesmo que, como nas crises anteriores, o Senado venha a resolver seus problemas simplesmente cedendo os anéis de um dos seus para manter os dedos dos demais; e mesmo que a mídia embarque na tática de relativização de culpas e individualização de responsabilidades, persistem dois problemas: o controle da informação e a valorização de um fato que não pôde ser represado.
O caso do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), é emblemático. Acostumado a fazer juízos sobre a honestidade e o caráter de seus opositores e a distribuir ofensas, lançou mão da usual estratégia de transformar o escândalo no Senado numa culpa particular de Sarney. Não conseguiu, todavia, controlar a informação. Foi denunciado por ter recebido um empréstimo pessoal de Agaciel, por ter mantido funcionário fantasma em seu gabinete e por ter obtido um reembolso maior do que o normal para a sua mãe. Exceto pelo reembolso médico – sua mãe, como esposa de senador, teria o direito a uma restituição maior do que a de simples dependente – Virgílio não teve como se explicar. Defendeu-se atacando, insinuando culpas de senadores e a formação de um “bando” por outros. Por fim, tomou a iniciativa de denunciar Sarney no Conselho de Ética de Decoro Parlamentar.
Virgílio falou grosso, minimizou suas próprias culpas e conseguiu (quase) sumir do noticiário na condição de senador que foi denunciado. Mas o fato é que, nem com toda essa ofensiva, ele pode assumir o controle sobre as informações que vazam da estrutura administrativa em queda.
Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras
Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições, Política Tags: Maria Inês Nassif, Senado

Nassif, se existe o fora Sarnei por aí, creio que o fora Virgilio deva existir tb…
Além do que a articulista bem descreve, acrescentaria as eleições de 2010 e a forma de financiá-la que está produzindo essa celeuma que mais parece um salve-se quem puder. E não é a eleição para presidente o motivo principal. Os arranjos e coligações regionais estão ameaçando a manutenção de cargos e posições antes favas contadas e influenciando as contendas nacionais. Talvez, o inusitado seja que todos os que hoje brigam, estão sob suspeita.
Quanto a burocracia não profissional do senado, creio que há uniformidade de práticas, impostas pelos profissionais dos outros poderes. Chego a afirmar que vivemos a pior das ditaduras, a dos bacharéis. Eles estão em todos os locais, assessorando, fazendo, controlando, auditando, legislando, dando pareceres e julgando. Mas a culpa recai sempre nos mesmos. Suas fórmulas mágicas de controles não extinguem a malversação de dinheiro público e só fazem inchar a máquina pública, implicando em mais gastos e menos eficácia. Com o SIAF não haveria possibilidade de desvios, ainda mais que a LRF e a das licitações moralizariam o ente público. Entupidos de normas e regulamentos, ninguém mais consegue entender esse emaranhado de coisas que as ONGs e OSCIPs, ninhos de nomeações e melhorias salariais de doutos, só conseguem agravar. Nunca tivemos tantos advogados e contadores trabalhando no setor público e privado com grande poder de influência e compromissos. Creio que enxergar primeiro o cidadão, depois o cliente fosse uma das formas de ajudar a melhorar o nosso sistema. Uma outra seria não eleger um estado já corrompido como o melhor dos clientes.
A Maria Inês apresenta um novo ângulo para análise da crise. A burocracia, em qualquer espaço, é sempre uma forma de manutenção do controle. Atingir aqueles que agem como se fossem donos de um determinado espaço é colocar em xeque, de fato, toda uma estrutura. Não mexer com eles, por isto, é sempre vital. Mexeu, leva!
LN
A verdade nua é crua é que estamos chegando à conclusão de que, ora no Senado, são todos farinha do mesmo saco.
Não vemos luz no fim do túnel, embora nossa alma clame por isso, por menor que seja o facho.
Há certos lugares que tem o poder, como sumidouros, de engolir das pessoas, aquilo que mais presavam: o nome limpo, a probidade, a ética.
O povo brasileiro acaba de chegar á conclusão de que o Senado nacional é um desaguadouro de fossas sépticas.
Caiu ali, por mais confiável que possa parecer, o cidadão opta, como o urso no frio, por ficar junto a seus pares, buscando o “calor pessoal”.
Buda já exortava
“Que o aspirante observe não as perversidades dos outros, nem o que os outros fizeram ou deixaram de fazer; mas que ele considere o que ele fez e o que ele ainda pode fazer.”
Pena, que o animal político brasileiro, trabalhe em ordem inversa. Caiu na política, no sentido estrito do termo, por mais filhotinho que seja, já se transfere do peito da mãe, para o da pátria amada Brasil.
O Senado nacional é a maior prova de que o homem é um animal, mais que sociável.
Todos, como os símios, acabam por adotar o mesmo ritual.
E como são sábios na capacidade de aperfeiçoamento.
De modo semelhante praticam os atos mais vis contra seu povo, sua pátria.
Que o sumidouro seja tão potente a ponto de triturar as ambições políticas dessa gentalha, no próximo pleito.
Vamos botar gente nova, sem os vícios dos calhordas.
Abraços!
Bom, pelo menos o “JOGO”, agora, pode ser “JOGADO” totalmente às claras. Mesmo os poucos “INOCENTES” que restavam não tem mais ilusôes quanto a “AMORALIDADE” de “TODOS” os nossos políticos. Lula e asseclas, finalmente, conduziram a politica brasileira ao “ESTADO DE ARTE” do VALE-TUDO-PARA-MANTER-O-PODER.
A FIFA e os perdedores times da Europa deveriam conhecer a palavara “liberdade”. O jogador comemora a vitoria como quiser. A FIFA e a UEFA nao tem nada a ver com os assuntos de forum intimo. O problema e que os europeus sabem que o Brasil vai ganhar as 3 proximas copas. Estao com inveja.
Noves fora QUEM MANDA hoje é a imprensa PIG o resto vem a reboque no 2º, 3º, 4º poder.
Todos são usados por ela e seus interesses e ainda não se deram conta disso.
Parece piada mas não é.
Outra coisa. Estes jormais europeus precisam contratar gente mais qualifacada pra escrever la. Da uma olhada na baboseira do pessoal:
“Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes europeus hoje.”
Qual a relacao entre o extremismo religioso e uma comemoracao de vitoria do time A, B ou C? Alias, este pessoal dos jornais europeus sabe o que siginifca “extremismo religioso”?
Eles me lembram alguns “pensadores” do management nacional que confundem valor agregado com preco alto, entre outras maluquices.
O Clovis Rossi hj mandou bem demais!
É uma pena os senadores do PT terem voltado atrás. Ficaram com medo do chefe? Medo de quê, hein? Alguém pode explicar?
Na minha opinião, o Mercadante perdeu a grande chance de ser governador de S. Paulo se levantasse a bandeira FORA SARNEY. Depois reclamam que a dupla SERRA/KASSAB nada a braçadas de distancia da concorrencia!
haja diferença
Maria Inês Nassif 10 x 0 clovis rossi
no mesmo tema
outro craque
Mauro Santayana
A tragédia e a farsa
02/07/2009
http://www.jblog.com.br/politica.php?itemid=13865
O Mercadante nao tem chance alguma em Sao Paulo. O estado, em especial o interior, adora os tucanos porque eles sao mestres em fazer duas obras que o pessoal do interior adora: estradas vicinais (obra das empreiteras amigas) e faculdades (se boa ou nao e ouuuuuutra historia).
O eleitor pensa assim: gracas ao Alckmin (ou Serra) meu filho nao precisa mudar de cidade pra estudar. E gracas a eles, eu agora posso ir mais facil ver minha familia que mora laaaaaaaaaaaaa.
Uma reforminha de nada no hospital local entao…..
Pra conquistar o coracao do eleitor de vez, tem que fazer um aeroporto na cidade. Ai sim fica todo mundo realizado e com o peito cheio de orgulho “TEMOS UM AEROPORTO”. Se as pessoas andam de aviao ou nao e outra historia.
Infelizmente, e assim que funciona a cabeca do eleitor. Um monte de obrinhas aqui e ali sao mais importantes, eleitoralmente falando, que poucas grandes obras. O eleitor medio nao consegue avaliar a necessidade da coisa.
“máquina de reproduzir e valorar ”
esse o ponto.
Maria Inês , belissimo texto;lógica cartesiana á parte, fica a pergunta: se ninguem detem o poder de controlar as informaçoes que vazam das estruturas administrativas em queda, quem tem o poder de determinar quando e quais informaçoes serão vazadas?
Legal,
Faço menção, em comentário enviado hoje, 02/07/2009 às 13:29, para este um post “O fato novo na crise do Senado” de 02/07/2009 às 12:08, a um post mais antigo de Luis Nassif intitulado “As denúncias contra Sarney” de 17/06/2009 às 15:59 em que Luis Nassif considera José Sarney como “o maior representante do que de mais atrasado existe na política nacional”.
Eu não penso em Sarney como o mais atraso, pois em minha opinião há outros mais atrasados do que José Sarney. Lá em “As denúncias contra Sarney” em tenho um comentário enviado em 17/06/2009 às 18:29 de onde posso extrair o seguinte trecho:
“Não, eu não considero Sarney o maior representante do que de mais atrasado existe na política nacional. Principalmente se eu tomo atrasado por um termo que eu posso definir a minha maneira. E nem o consideraria o maior representante do que de mais atrasado existe na política nacional, ainda que eu tome o termo atrasado como um termo definido a partir dos exemplos no seu texto que poderiam indicar atraso (No post Luis Nassif relaciona uma série de atos de José Sarney que fazem a ele considerar José Sarney atrasado).
Atrasado para mim é o lema da Democracia Cristã Alemã, na campanha recente para o parlamento, segundo eu li hoje no artigo do José Luis Fiori intitulado “Entre Berlim e o Vaticano” e publicado hoje, 17/06/2009 no Valor Econômico. Diziam os democratas alemães:
“Por Deus, e contra a Turquia”.
Por Deus, isso é que é atraso. E tenho certeza que José Sarney jamais difundiria lema semelhante em uma campanha política. Para que ele fosse o que de mais atrasado a política nacional possuísse era necessário que a política brasileira estivesse muitos passos à frente da política alemã. Sou ufanista, mas nem tanto”.
Enfim, lá como cá os políticos são os mesmos e, portanto, não se deve esperar que os jornalistas sejam melhores (Aqui ou lá).
Clever Mendes de Oliveira
BH, 02/07/2009
nesse naufrágio do sufrágio (universal)
em que não se sabe se nado ou se vigia
- sarney e arthur -
se abraçam nos escombros da mesma nau…
à deriva no mar morto da lama e do pré-sal
da política nacional.
o surreal é tal que,
salvador dali e daqui,
num revival de realismo mágico:
o retirante quer salvar o coronel
- velho de guerra -
seu algoz ancestral!
explorador por ideal.
se fosse, então, o intelectual,
menos mal, menos mal…
igreja e tribunal sempre
estiveram do lado do mal.
o povo de Deus que o diga
desde sempre da miséria capital.
se tal insanidade austral
aos olhos da opinião pública
se ré-pública no pós-moderno
é porque, certamente,
o aquecimento global
fez efeito nas idéias
do retirante ilustre
e da patuléia.
senão, o quê explica
que o turco nassif
letrado idealista,
migrante realista,
pragmático oportunista,
faça graças e mesuras
ao despautério
do partido populista,
oportunista por ideal.
mais do mesmo nos tempos
de pré-sal que queima
como nunca
a moral e a política nacional.
Legal,
Você também é eleitor, você também tem cabeça e ela também funciona na hora que você vai votar (A menos que você prefira se omitir na hora de cumprir esse dever cívico). Como funciona sua cabeça na hora que vai votar? Eu espero que você considere que sua cabeça funciona melhor do que a de outros eleitores. É sempre bom para o nosso ego que assim pensemos . Nem por isso, entretanto, você pode ter certeza que só o jeito de sua cabeça funcionar seja o único certo.
Essa observação do parágrafo anterior é pertinente ao seu comentário enviado em 02/07/2009 às 17:29. O comentário que enviei em 02/07/2009 às 18:00 era para seu comentário de 02/07/2009 às 16:51. Alias, pertinência por pertinência, o das 16:51 me pareceu mais.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 02/07/2009
Nassif,
Acho que seria legal uma discussão sobre para que serve o Senado num país democrático. Estou chegando a conclusão que este modelo é ultrapassado, não caberia num país moderno.
Sei lá…
Max Weber, em ‘Economia e Sociedade’, analisando a burocracia, mostra que, seja no poder de um grande rei ou de um parlamento – digno, sério, como o parlamento francês ou inglês -, essas instituições da chefia de Estado ficariam praticamente indefesas diante da burocracia.
Isso porque a burocracia tem o ‘segredo do cargo’. O burocrata é aquele que conhece os procedimentos, como colocar um processo, como obter e guardar informações, como abri-las só para quem considera ‘digno’ etc.
Além disso, funciona de forma hierárquica, vertical.
Assim, a burocracia tem uma força que muitos exércitos não possuem. E Weber dizia que o destino dos Estados e da sociedade ocidentais seria a burocracia.
O que aconteceu aqui no Brasil? Aqui tivemos duas coisas: em primeiro lugar, a burocracia, que nesse caso do Senado fica evidente, com os burocratas agindo segundo o segredo do cargo e de maneira hierárquica.
É só ver que foi o chefe dos burocratas que determinou os procedimentos errôneos e ilegais.
No entanto, tem o segundo fator que piora as coisas por aqui: as relações de favor. Elas existem em todas as sociedades, mas aqui no Brasil fazem parte de sua essência. É o favor do coronel ao agregado, do político-coronel ao seu colega coronel, dos empresários para os políticos e vice-versa…
Como diz a professora Maria Sylvia Carvalho Franco, o favor é a mediação universal da sociedade brasileira (dito em ‘Os homens livres na ordem escravocrata’).
Dessa forma, ocorreu no Brasil algo muito estranho: a junção da burocracia com o favor.
A burocracia deveria funcionar sem favor, pois ela trabalha impessoalmente, uma de suas regras é a racionalidade impessoal; o que vale é o número do processo, e não o nome.
Aqui a burocracia serve justamente para alicerçar as relações pessoais e as de favor. Isso traz um problema quase insolúvel, porque pode se tentar resolver o poder da burocracia, o que é muito complicado (como mostraram Weber, Lukács e outros), mas por outro lado é muito difícil encaminhar essa junção de dois elementos que deveriam ser opostos: a impessoalidade da burocracia com a pessoalidade do exercício dos cargos.
Roberto Romano
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3460/9/
.
Nassif & Amigos, convido a todos para entrar no movimento “EU AMO ZÉ
SARNEY”. Aviso logo que não é um movimento suprapartidário, só serão
aceitos os indivíduos que não comungam com a imprensa esgoto,
conhecida como PIG, e os eleitores que não votaram no Bolsonaro, no
consórcio DEM/PSDB e no Simon. Nosso samba enredo será “Daqui não
saio”. Segue letra para que todos (os que aceitarem) irem treinando. Não
podemos fazer feio. Vamos manter contato. Abs.
Daqui não saio
Daqui ninguém me tira
Onde é que eu vou morar?
O senhor tem paciência de esperar
Inda mais com quatro filhos
Onde é que vou morar?
Sei que o Senhor tem razão pra querer
A casa pra morar, mas onde eu vou ficar
No mundo ninguém perde por esperar
Ainda dizem por aí que a vida vai melhorar
Há muito deixei de votar para senador. E não pensem que sou um alienado. Trabalho com informação. Enquanto nós brasileiros não formos às ruas como fazem os argentinos, por exemplo, seremos governados por esta corja.
Excelente análise da Editora, Sra. Maria Inês. Esta situação deplorável e persistente também existe em muitos municípios brasileiros. Bendito o jornalismo que evidencia imparcialmente estas indignidades, provocando nossos desejos de lisura pública. Como lembra estrofe do poeta português Manuel Alegre: “Mesmo na noite mais triste, / Em tempo de servidão, / Há sempre alguém que resiste, / Há sempre alguém que diz não.”
Briguilino do blog (02/07/2009 às 13:33),
O Claudio Weber Abramo postou no blog dele, ontem, 01/07/2009, um artigo com o título “Fica, Sarney”. É a mesma idéia sua. Enviei ontem, 01/07/2009 às 17:53, um email com idéia semelhante, mas supondo exposta por quem estaria dentro do Senado. Veja como ficou o trecho do meu comentário dirigido ao Claudio W. Abramo, expressando a mesma ideia sua e a dele (agora na transcrição acrescentei ou retirei virgulas que achasse que faltava):
“Em relação ao seu texto de hoje, vale lembrar que hoje também, vendo tanta campanha contra o Sarney, eu me imaginei um senador franco, mas com o rabo preso. E então eu iria discursar no Senado dizendo:
“Por favor, senador José Sarney, renuncie, pois só desse modo acaba essa campanha contra o Senado e eu não agüento mais uma semana de acusações assim””.
Quanto a você dizer que “Temos de corrigir as mazelas do congresso, para bem da nação”, espero que sua frase não expresse uma superioridade que você imagina possuir em relação ao senadores. Não deve haver, nós seres humanos somos muitos iguais. Deixe essa sensação de superioridade por conta dos Roberto Romanos da vida, arautos da ética como se pudesse haver uma ética da soberbia.
É meu desejo que a sua frase reflita apenas a sua vontade que nós todos representados e representantes nos dediquemos à construção de um pais melhor e mais justo sem, entretanto,termos a pretenso de que se trata de tarefa a ser concluída em breve. Ao contrário, trata-se de trabalho de muitas gerações.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 02/06/2009
Arkx (02/07/2009 às 18:43),
Por um momento pensei que você também se constituía naqueles exemplares que tão bem o Lula catalogou como branco de olhos azuis causadores da crise. Foi um momento longo até chegar ao final do texto onde pude reparar que o texto fora montado a partir de entrevista de Roberto Romano na entrevista de segunda que sai publicada pela Folha de S. Paulo.
O Roberto Romano, apesar de ler de vez em quando um elogia a ele feito pelo Luis Nassif pode bem ser caracterizado como um Marco Antônio Villa mais velho. E também pode ser dito que o Villa é o Roberto Romano daqui a dez anos.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 11/02/2009
Arkx,
A construção que envergonha a esquerda ao saber que Roberto Romano se faz passar por intelectual de esquerda é a seguinte:
“Seja no poder de um grande rei ou de um parlamento – digno, sério, como o parlamento francês ou inglês -, essas instituições da chefia de Estado ficariam praticamente indefesas diante da burocracia. ”
Por que seriam dignos e sérios o parlamento francês e o inglês?
Clver Mendes de Oliveira
BH, 02/07/2009
Se souberem mexer bem o angú,vamos achar peixe grande.O Efraim ¨¨DEMORAIS¨¨ ,O Agripino ¨HAGA-CIEL¨ Maia,O ÁLVARÁ Noites e Dias,tão tudinho caladinho…Vai, nesse angú mexe,que peixe grande aparece.¨
Estamos passando o Brasil a limpo. Saíremos muito melhor depois deste estágio em que estamos lavando a roupa suja que permanecia escondida nos armários. É um estágio inerente ao processo de redemocratização do país que esteve incubado em muitos anos de obscurantismo e repressão. Sobressai uma demanda reprimida do coletivo social por transparência e responsabilidade na gestão da coisa pública. Os três poderes tem o compromisso de prestar contas a sociedade, sem tergiversar e com foco nas atribuições para as quais estão sendo mantidos. Isto é a melhoria da qualidade na ação do Estado. Vamos continuar com firmeza no rumo da construção de um Brasil e de um mundo melhor para as próximas gerações.
Clever
não endosso todo o teor da entrevista do Roberto Romano. e ela foi publicada não na Folha e sim no “Correio da Cidadania”.
li a entrevista e considerei que ela tinha importantes pontos de contato com o artigo da Maria Inês Nassif. principalmente em relação a burocracia:
->.”Ao atingir a burocracia que dominava a informação, principal fonte do poder da elite administrativa da Casa, as denúncias expuseram o conjunto dos senadores e provavelmente não deixarão nenhum partido intacto. ”
na entrevista, há uma reflexão sobre como no Brasil a burocracia e o clientelismo andam de mãos dadas.
no meu entender, a entrevista agrega a reflexão iniciada pela Maria Inês Nassif.
e note como a autora me parece ser a primeira a identificar o peso decisivo da burocracia do Senado na crise do “fica Sarney”.
a burocracia está em toda parte. num órgão público, por exemplo, ela age para emperrar a máquina, impedindo que decisões gerenciais sejam implementadas em toda sua eficácia.
não há como mudar o Brasil sem abordar a questão das burocracias. é uma reflexão importantíssima.
e note também que é apartidária! são interesses acima de posições políticas. a burocracia sempre serve a si própria, a aprte dos interesses que atende. por isto os burocratas costumam sobreviver a gerações de governantes e de gestores!
abraços
.
Clever
apenas mais um esclarecimento.
concordo com algumas restrições a Roberto Romano.
porém, não me importa em relação a opiniões, análises e idéias quem tenha sido o autor.
no meu entender, é secundário. deve ser levado em conta, mas nunca em detrimento das opiniões, das análises e das idéias – que tem valor em si mesmas.
para quem de fato quiser mudar o Brasil, será obrigatório compreender e desmantelar a relação que aqui se estabeleceu entre a burocracia e o clientelismo.
.
Devemos ver por todos os lados, enão julgar somente um homem