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01/07/2009 - 10:06

A receita de FHC para a crise

Para os que acham que com Lula ou Fernando Henrique Cardoso a reação à crise internacional seria a mesma.

Leia aqui entrevista da Folha com FHC sobre o Plano Real (clique aqui). A propósito de nada – era para um balanço histórico -, o entrevistador Guilherme Barros pede análises de FHC sobre a política atual de Lula e de Obama.

FHC mostra claramente qual teria sido sua reação à crise: cortes de gastos, arrocho fiscal.

O que comprova claramente o que sempre coloquei em minhas análises: as quatro ou cinco crises que sacudiram o país no seu governo não são álibi, são agravantes. Eram crises nas contas externas. Após a primeira crise, o país deveria ter sido preparado para evitar as seguintes.

Mas, em todas elas, recorria apenas ao receituário fiscal, jamais à solução das contas externas. E aí entram os elementos políticos que abordei em meu “Os Cabeças de Planilha”. Em qualquer circunstância, todas as medidas do governo FHC eram no sentido de preservar os ganhos dos investidores. Ajuste cambial significaria impor perdas a quem trouxe dólares, mas prevenir de maneira definitiva futuras crises. Com as contas externas em ordem, não haveria obstáculos ao crescimento da economia.

Para não penalizar os investidores, não se permitia o ajuste no câmbio. Não havendo, o ajuste nas contas externas só se podia dar via recessão. Aí, toca aumentar o arrocho fiscal (para reduzir o déficit comercial) e as taxas de juros (para manter o fluxo de investimentos externos). O especulador ganhava nas duas pontas. O país perdia em ambas.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise Tags: , , , ,

69 comentários para “A receita de FHC para a crise”

  1. Romanelli disse:

    pautas pautas pautas e mais pautas

    caaaaaallllllllma

    saboreie mais o vinho

    parece que tá bebendo cachaça

    eu hein ?!

  2. Alberto Porém Jr. disse:

    Mas é um ” Cabra Bão” esse Nassif!
    Mais claro que isso só o sol que brilha radiante aqui no norte de Mato Grosso!
    Nem uma nuvenzinha pra atrapalhar.

  3. Marcus Vinicius disse:

    Sugestão para você, Nassif: do site “Vermelho”
    http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=58886

    Imprensa hondurenha dá aulas de colaboracionismo tacanho

    Há tempos não se via, mesmo na América Latina, uma mídia empenhada num colaboracionismo tão tacanho. Militares invadiram os dois principais jornais de Honduras, mas os sites de ambos na internet continuam no ar porque eles são favoráveis ao golpe. “O El Heraldo e o El Tribuno são parte do golpe. Eles e alguns canais de TV são controlados pela oposição. Nesta manhã, esses eram os únicos canais em funcionamento”, disse Erin Matu-te.

    De forma eufêmica e enviesada, os principais jornais do país destacaram em suas manchetes de capa a desig-nação de Micheletti à presidência do país. El Heraldo intitulou: “Assume Micheletti”; La Tribuna: “R.Micheletti sucede a Mel” (como é conhecido o presidente Manuel Zelaya), e Tiempo publicou “Roberto Micheletti, novo presidente”.

    Na noite de segunda-feira, o El Heraldo destacava, em sua página principal, a posse dos cinco ministros nome-ados pelo presidente interino e a “luta” do país “contra a ilegalidade”. Já o El Heraldo punha em primeiro plano os confrontos entre manifestantes e militares no palácio presidencial, na capital Tegucigalpa, e os relatos de que havia ao menos 20 feridos. Durante os protestos, alguns hondurenhos depredaram bancas que vendiam exemplares do Heraldo — e outros usaram os pacotes de jornais para bloquear as ruas que levam ao palácio.

    As bancas são provas incontestes do crime. Na segunda-feira, nenhuma das capas dos principais jornais do país — Tiempo, La Tribuna e El Heraldo — sequer mencionou a palavra “golpe”. No canto inferior direito do La Tri-buna, o mascote do jornal, o Tribunito, lê o jornal dizendo: “Desta vez, a ‘quarta’ foi vencida”. É uma grosseira ironia com a quarta urna, que o presidente pretende adicionar às eleições gerais de novembro para que uma Assembleia Constituinte seja convocada.

    Além disso, a manchete do La Tribuna (“R. Micheletti sucede a Mel”) traz uma chamada para “Manuel Zelaya vai à Costa Rica”. O fato, de conhecimento público, é que Zelaya foi sequestrado por militares enquanto dormia e despachado, de pijamas mesmo, para a Costa Rica. “Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles”, contou o presidente deposto. “Diziam: ‘Se não soltar o celular, atiramos’. Todos apontando para minha cara e meu peito.”

    O jornalista hondurenho Renan Martinez, do La Tribuna, disse ao Opera Mundi que as manifestações feitas na segunda-feira não foram noticiadas pela imprensa local. Os meios de comunicação já estão “informando” que Micheletti vai acabar com a fome e com a falta de segurança.

    Mais detalhes, entrem no site acima.

  4. waldir disse:

    Nenhuma surpresa FHC apareçer nesse momento, para festejar o PLANO REAL, é dele oras bolas, foi ideia dele (que o diga ITAMAR).
    Agora fico imaginando que LULA deixar o posto, quantas vezes será chamado para comemorar o FOME ZERO, COMBATE AS DESIGUALDADES,
    ETC, tem mais no :http://diariodapolitica.blogspot.com/2006/02/algumas-aes-do-governo-lula.html

  5. Que bom ler este post.

    Os demotucanos (e os papagaios de repetição) vivem dizendo que “Lula só continuou o que FHC começou”.

    Apesar de dizerem isso, os demotucanos têm ódio doentio contra Lula. Querem porque querem tira-lo do poder. Ué, mas ele não está continuando o que o Pavão da Sorbone começou? Não deveriam apoiá-lo entusiasticamente?

  6. Francisco Antonio da Silva disse:

    Este é o FHC que todos conhecemos e que queria nos empurrar o seu sucessor Serra e, ainda continua a tentar. Por far, gente! Esqueça este homem, definitivamente!

  7. Ramalho disse:

    Não sei se é por causa de minha rejeição à ideologia do PSDB-DEM, espero que não, mas achei o post ótimo. Em poucas linhas, desnuda a má fé dos que insistem em sacrificar o país para o bem de poucos. Claro, conciso e preciso.

  8. Guilhermé disse:

    Nassif, como não tinha e-mail pra mandar resolvi postar aqui. Esse é um texto do Renato Jr. Professor de Filosofia da UFRRJ sobre uma questão não discutida quase quanto a biografia do Michael Jackson que é o racismo. O texto é muito bom. Abraço.

    “Michael Jackson: astro pop, racismo, dança e infância confiscada”
    Renato Nogueira Jr.

    “Sem dúvida, um dos maiores astros que pisou os palcos do pop mundial foi Michael Jackson, quiçá, o maior. Fora todos os elogios que os álbuns merecem, Thriller é um marco, seja pelo clip de milhões de dólares, os 14 minutos foram geniais. Pois bem, quero chamar atenção para outros aspectos da vida de Michael Jackson que estão fora do glamour, do sucesso e escândalos públicos. Quero tratar do racismo e as implicações na vida do astro estadunidense.
    Não cabem aqui considerações filosóficas, sociológicas e acadêmicas acerca do racismo. Basta identificar racismo como um sistema simbólico que diferencia as pessoas pela raça, dotando algumas com mais status do que outras, seja na dimensão estética, ética, espiritual e/ou intelectual. Com efeito, o racismo define que uma raça é superior à outra e as práticas sociais demarcam essa escala de valores. De modo ligeiro vale ressaltar que raça não é um conceito biológico; mas, raça existe e tem cunho social e histórico.
    Michael Jackson teve a infância confiscada, trocou as brincadeiras e uma vida simples pela carreira no grupo Jackson Five: fama e dinheiro. Toda criança que tem sua infância roubada, trabalhando 12 horas por dia em minas de carvão, na prostituição infantil, no tráfico de psicotrópicos ilegais, lavando janelas de carros nos sinais, ou ainda, como astros e estrelas do show business parecem ter sérias implicações emocionais. Não vou incorrer numa análise psicológica, nem em conjecturas psicossociais de cunho acadêmico. O que não cabe neste pequeno artigo. Mas, sendo ligeiro sem querer ser superficial; podemos afirmar que a confiança que uma criança constrói no mundo depende de suas relações familiares e de não estar exposta a riscos e vulnerabilidade emocional ou social. Portanto, podemos estabelecer uma proporcionalidade entre o grau de vulnerabilidade que uma criança vive com a dificuldade de estabelecer laços afetivos na vida adulta.
    Michael Jackson foi uma vítima do racismo. Ele manipulou seu corpo contra ele mesmo, buscando acabar com as marcas negras, precisou se mutilar e colocar em risco a sua própria vida. Uma objeção ao argumento acima exposto poderia dizer, todos se manipulam, isto é, viver é modificar a si mesmo, se governar, ser influenciado e influenciar. O problema é quando nos modificamos colocando em risco nossa própria vida. O racismo tem esse poder. Não se trata de definir se somos vítimas ou livres das forças acachapantes que nos atravessam pelos meios de comunicação, escola, universidade, forças produtivas, família, Estado, etc.
    O que está em jogo não é definir se Michael Jackson era mais vítima ou mais autônomo. Em certa medida, todos somos produtores e produtos, simultaneamente, do meio e de nós mesmos. Michael Jackson foi mais um autor e uma marionete da política de racismo, o que distingue as pessoas são os instrumentos que elas dispõe que associados com as intenções pode fazer a diferença entre o grau de autonomia e o grau de assujeitamento e submissão. Michael Jackson era “rico” – parece que era perdulário e devia meio mundo, cerca de 500 bilhões de dólares – e famoso, dois atributos que atrapalham a independência de uma pessoa. Tornam as pessoas frágeis, pouco críticas e fáceis de manipular porque dependem mais de coisas externas do que de si mesmas. Comentários á parte, acho que ninguém deveria ganhar muito dinheiro. Mas, de volta ao thriller, o que mais aterroriza é que Michael Jackson operou o nariz em busca de uma configuração caucasiana. Casou com mulheres brancas, o que já denota os padrões estéticos preferidos. Segundo a mãe dos filhos, as gestações são resultados de inseminação artificial de doadores brancos, o que pode ser percebido pelo fenótipo norueguês das crianças. O racismo, o ódio de si, a rejeição de seu fenótipo chegou aos limites da luta contra si mesmo. O que se revelou nas escolhas afetivas, nas cirurgias, no clareamento da pele – seja ou não resultado de uma doença de pele, a opção por usar os recursos biotecnológicos que ele dispunha para enegrecer ou branquear é fruto do seu ego ideal, uma aparência branca. Óbvio que todo neurótico obsessivo se considera aquém do seu horizonte ideal. Para Michael, sua aparência nunca estava suficientemente branca. Por isso, as inúmeras cirurgias no nariz e nos lábios, o clareamento praticamente ininterrupto da pele. O alisamento do cabelo.
    Enfim, alisar o cabelo, operar o nariz, se interessar e buscar parceiras brancas para gerar crianças brancas é um conjunto de ações racistas que associadas com dinheiro e fama são uma mistura explosiva. Porque no cotidiano temos muitos “imitadores” de Michael Jackson. A diferença é o pouco dinheiro, o escasso acesso às tecnologias de última geração para branquear. Muitos homens gostariam de ser Michael Jackson, gostariam de embraquecer, tanto que buscam incansavelmente mulheres brancas, a cada 10 parceiras, nove são brancas e uma é não negra, pode ser asiática ou indígena. Mas, não é negra. O mesmo se aplica às mulheres, seja na ação de alisar o cabelo ou dirigir seu desejo para galãs brancos. Michael Jackson é um sintoma, o auge de uma manipulação de si contra si baseada no entendimento político e hegemônico de que negros não teem o mesmo status intelectual, moral e estético dos brancos. Michael sofreu violência simbólica na família? Essas suposições já correram nos meios de comunicação. Não posso afirmar nada sobre maus tratos físicos. Mas, violência simbólica é outra coisa, ele sofreu e todos nós sofremos. Seja pela ausência de bonecas negras no mercado em quantidade proporcional à população negra. Ou por causa do monopólio de galãs brancos que enfeitam os quartos das moças e de revistas pornográficas que valorizam quase exclusivamente mulheres brancas. Michael Jackson foi bombardeado por todos os lados pelas forças que determinam ostensivamente, sutilmente, de modo direto ou indireto que devemos valorizar, buscar e nos enquadrar na branquitude. Não espanta que o inventor do moonwalker tenha ficado refém da branquitude. Os mais próximos dizem, ele era triste e solitário. Ele tomava uma bateria de remédios para dor. A dor de não se enxergar, de não gostar de ver seu nariz, seu cabelo e sua cor por considerá-los inferiores. Espero que possamos aprender com esse acontecimento. Valorizar a negritude é importante para construir a si mesmo sem negações, sem mutilações e, sobretudo, numa ética étnica que devolve à negritude tudo que o racismo lhe roubou. Michael Jackson não conseguiu criar valores fortes, capazes de uma nova dança em favor de si mesmo. Porque isso não poderia ser feito sem que ele olhasse no espelho e enxergasse um homem negro sem receios, sem medos e identifica-se a beleza de seu cabelo crespo, de suas narinas largas, de seus lábios grossos e sua pele negra.”

    *Renato Nogueira Jr. é Professor de Filosofia do Departamento de
    Educação e Sociedade da UFRRJ

  9. Tony disse:

    “preservar os ganhos dos investidores”
    E o Povo brasileiro? Simples, não interessava, não fazia parte do dele, mas da Dinastia Cardoso, primeira única (e última se Deus quiser), nascida em algum lugar que não fosse aqui.
    Já declarou várias vezes que não gosta do Brasil e o que pensa do seu povo.
    “cortes de gastos, arrocho fiscal.” até seria aceitável se fizesse parte da sua ideologia ou doutrina, e não dos interesses escusos aos quais defende.
    Apátrida, entreguista, e ainda por cima hipócrita e invejoso.
    Pior será quanto morrer ainda teremos atravessar alguma Ponte, Avenida ou Praça com seu nome. Revoltante

  10. Gera disse:

    É mais a tucademopiganalha insiste com o discurso que Lula apenas continuou o receituário liberal Só mesmo quem não enxerga e não tem tato acredita nisso. Os 6% que são contra o presidente.
    Ah, foi lançado o livro ” Era outra historia” de Denise Paiva.
    Colocando pingos nos is e mostrando que os genericos e o Real foi lançado por Itamar Franco.

  11. Spok da Silva disse:

    Quanto mais lembro da Década Perdida de FHC, mais fico enojado.

  12. Sérgio Lamarca Leite disse:

    Nassif.

    Esta sua comprovação só agrava o que podemos pensar de FHC, a intenção em aplicar o receituário neoliberal foi uma opção declarada dele e de sua equipe econômica. O país perdeu “anos” de dinheiro público canalizados para especuladores e para o exterior. Foram 8 anos de lesa-pátria consentida, não é a toa que todos os seus ex-ministros estão ricos e ele também.

  13. Aldo Cardoso disse:

    Nassif,

    É um alívio saber que esse pesadelo jaz no passado, mas essas lembranças macabras são como assombrações que me fazem temer por recaídas psicóticas…

  14. Marcos Carvalho Campos disse:

    PSDB / DEM = Política de vudu (Doutrina do choque : Naomi Klein).

    Deveria existir uma disciplina de economia básica no ensino médio, para as pessoas crescerem entendendo melhor como funciona nosso país e o mundo, neste asunto. Acredito que muitos jovens se enteressariam por isto. O que achas ?

    Abraços

  15. vanda disse:

    Outra vez receita AMARGA pro POVO…benesses pros iguais…os amigos.

    …E ainda querem voltar…vá de retro “coisa ruim”.

  16. Brino Ferraz disse:

    Não sei se esse vídeo tem alguma coisa a ver, mas aí está.

    http://www.youtube.com/watch?v=RxdCTv_Pot0

  17. nassif:
    o pavão fhc poderia pelo menos ler as colunas do beluzzo e do delfim.
    tem razão o meu amigo locatelli,nas observações acima.
    romério

  18. Wagner Ribeiro de Sá disse:

    Dizer que o Real é do FHC é piada, existe milhares de teses de doutorado em ecônomia, que levam a soluções idênticas !
    O FHC é o pai do desemprego, 10 milhões em 8 anos !
    Esse recorde é dele e ninguém tira !

  19. Roberto São Paulo/SP disse:

    Creio que o fato de o Governo do Presidente Lula não ter queimado as reservas cambiais apos a quebra do Lehman Brothers, foi fundamental para possibilitar uma melhor condição de enfrentamento da crise econômica internacional.
    Esta é a principal diferença do Governo do Presidente em relação aos governos anteriores em momentos de crise econômica internacional.

    Além de viabilizar as medidas anti-cíclicas e obrigar o COPOM a reduzir os juros da Selic, criou uma situação quase surreal, onde a entrada de dólares em um momento de crise de liquidez internacional está atrapalhando, ao valorizar demasiadamente o real.

    Isto só foi possível devido a desdolarização da dívida interna e a uma Reserva Cambial mais de três vezes maior do que a dívida pública externa, conseguida por meio de emissão de títulos atrelados a Selic, transformando a dívida externa pública em divida interna pública atrelada a Selic(desdolarização da dívida externa).

    Um dos fatores que viabilizaram os incentivos fiscais, o aumento da participação dos bancos públicos e o aporte ao BNDES foi a queda da dívida pública em função da alta do dólar no final de 2008.

  20. Itamar disse:

    Ótima a colocação, quem sabe faz as viúvas do FHC e do PSDB pensarem um pouquinho, antes de ficarem se lamentando da saudade que sentem dos tempos destes no poder.
    Tempo este que felizmente já ficou no passado! Aproveitemos o crescimento e os novos ares respirados pela nossa nação e parar de criticar por criticar, fiquemos atentos aos problemas e desvios de conduta e vamos a luta combatê-los, mas também, vamos aprender a aplaudir as vitórias e acertos, a elogiar quem estiver no poder, independente de quem lá esteja quando este o merecer.

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