A receita do BIS
Análises relevantes do BIS (o Banco Central dos bancos centrais), sobre a crise mundial, na reportagem de Assis Moreira, do Valor.
Economia mundial depende de reforma financeira, avalia BIS
Para o BIS, a “prioridade-chave” é reformar o sistema financeiro internacional até porque, enquanto isso não ocorrer, julga que qualquer melhora na economia real será temporária. O BIS adverte também que, enquanto os grandes bancos internacionais se mostrarem reticentes a financiar a atividade no mundo emergente – principal motor da expansão econômica mundial na última década -, as perspectivas de crescimento e desenvolvimento estarão comprometidas.
(…) Em seu relatório, o BIS enumera cinco etapas da crise para concluir que o sistema financeiro tem hoje tantas interconexões criando riscos sistêmicos que são difíceis de destravar.
(…) Isso passa pela contração do setor financeiro, que cresceu demais e acumulou ativos de qualidade duvidosa.
(…) passa pela necessidade de eliminação do excesso global de capacidades em setores que recorreram fortemente ao crédito, como o automotivo e de construção. Considera indispensável ajustes nas estruturas de produção de modelos baseados em crescimento puxado pelo endividamento nos países ricos, ou concentrados excessivamente em exportações, como em economias emergentes.
(…) O BIS reclama, porém, que os planos de socorro, que foram indispensáveis, estão na verdade travando a reforma do sistema financeiro global em vez de facilitá-la. Ajudando os bancos a se recapitalizar, as autoridades tiraram dos dirigentes as decisões para reduzir o tamanho dos balanços e do nível de risco (realocação de ativos).
(…) O BIS prevê que o custo do crédito deverá continuar sua tendência a alta. Os calotes vão aumentar, também no pagamento de cartas de crédito nos EUA. Alerta ainda para uma freada na internacionalização da atividade bancária, com certos bancos dando “preferência nacional” nos empréstimos.
(…) A situação financeira precária das famílias tem efeitos negativos sobre o consumo. Entre o segundo trimestre de 2007 e o final de 2008, o valor líquido do patrimônio das famílias americanas desabou 20%, ou cerca de US$ 13 trilhões. É uma perda superior à riqueza acumulada nos cinco anos precedentes. Para o BIS, os emergentes, sobretudo na Ásia, precisam rever seu modelo e reduzir a excessiva dependência das exportações.implementar todas as medidas de mudança organizacional e de transparência no Senado.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise Tags: BIS, crise global, reforma financeira

Brasil pode crescer até 5% em 2010”
Fernando Dantas/O Estado de S.Paulo, Domingo, 28 de Junho de 2009
Para Jim O?Neill, o célebre economista-chefe do Goldman Sachs que cunhou a expressão Brics, o Brasil pode crescer até 5% em 2010 e está se saindo muito bem no enfrentamento da crise econômica global…………..
…..Grande fã de futebol e ex-diretor do Manchester United, O?Neill arriscou também palpites para a Copa do Mundo. A seguir, a entrevista, feita por telefone, na quinta-feira, da sede do Goldman Sachs em Londres………..
……..E por que desta vez o País está se saindo bem?
Acho que o Brasil tem o mais forte arcabouço de política macroeconômica que eu, que tenho 50 anos, já testemunhei em toda a minha vida.
É muito impressionante que o ambiente de baixa inflação que Lula introduziu no início desta década tenha sobrevivido à crise.
Isto, na verdade, permitiu que o Brasil reduzisse a taxa de juros durante a crise. O Brasil jamais foi capaz de fazer isso em crises do passado.
Você conhece o Paulo Leme (brasileiro que é diretor de pesquisas de mercados emergentes do Goldman Sachs)? Eu estou sempre apostando com o Paulo que o crescimento no Brasil será mais forte e mais rápido do que ele pensa. Acho que no próximo ano é possível que o Brasil chegue a 5% de crescimento.
…….E os outros países desenvolvidos?
Estou realmente bastante preocupado com a Europa e, particularmente, com a Alemanha.
Me surpreende muito que a política alemã permaneça tão presa no que chamo de mentalidade conservadora.
Eles têm de mudar a sua forma de pensar para que se tornem menos dependentes da demanda externa, como os chineses fizeram. E os alemães não fizeram.
O que é surpreendente, o que é realmente incrível na Europa, e no Japão também, é que, apesar de toda esta crise, ele não mudam as políticas.
É surpreendente e amedrontador. Não há, de fato, nenhum ponto brilhante no mundo do G-7.
Talvez com a leve exceção do Canadá………..
.
……..Quais são as principais lições da crise?
Esta é a sétima crise que acompanho profissionalmente. A primeira foi a crise da dívida latino-americana, em 1982. O que tenho a dizer é que algumas coisas boas podem resultar de toda e qualquer crise.
Nesta agora, acho que teremos como consequência uma economia mundial mais equilibrada entre o consumo dos Estados Unidos e a poupança da China. Aliás, essa foi a primeira “crise Facebook (site de relacionamentos)”.
Eu quero dizer que a disseminação da informações fez com que 6 bilhões de pessoas tivessem fortes opiniões sobre a crise, e eu penso naquela grande frase, de que um pedaço de informação é mais perigoso do que nenhuma. Foi de fato uma crise terrível, mas houve muito exagero.
Muita gente estava convencida de que seria como nos anos 30, o que é ridículo. Era fácil de se prever que os países teriam a reação, em termos de política econômica, que eles tiveram……………….
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090628/not_imp394152,0.php
Existe uma lógica do capital. Nesta lógica quem empresta não pode ganhar menos do que aquele que recebe.
Os bancos,como empresas grandes,para serem rentáveis,necessitam de um retorno sobre o patrimônio liquído de alguma coisa próximo aos 25%,que é o mesmo retorno obtido pela média das grandes empresas.
Este retorno,caso acabem estes ativos de qualidade duvidosa,somente será alcançado com um aumento na taxa de juros e diminuição da alavancagem. Como consequência alguns setores terão que buscar outras formas de financiamento e,provavelmente,passaremos por um período maior de estagnação econômica no mundo
Se os bancos registrarem seus ativos toxicos pelo valor de mercado vai ter muito banco ai com patrimonio proximo de zero. Eu imagino a reacao dos mercados……
O objetivo do pacote de socorro, provavelmente, foi “puxar” a economia pra que estes ativos “podres” pudessem se tornar “desenputrecidos” melhorando a saude dos bancos e do sistema. Parece que nao funcionou. Os EUA continuam cheios de imoveis comerciais sem locacao. Um mau sinal.
E bom o tal do pacote dar resultado logo, senao daqui a pouco os republicanos ganham a eleicao na camara dificultando a vida do Obama e preparando o terreno pra um futuro governo Bush (o irmao Ted, da Florida). Ai sim a “vaca vai pro brejo”.
O que significa essa sigla ‘BIS’ ???
Creio que o limite estabeleciido para o aumento da capacidade de consumo das famílias americanas, abre espaço para um aumento no consumo interno das demais economias do mundo.
No primeiro momento daquelas economias que tem reservas cambias e/ou com capacidade de financiamento da balança de pagamentos.
A queda até agora e a provável lenta recupeção de um nível de crescimento do consumo das famílias americanas, além de abrir espaço para um maior consumo interno nas demais economias, deve proporcionar também um longo ciclo de estabilidade de preços internacionais.
O Brasil por ter um elevado nível de reservas cambiais e uma expectativa de grande crescimento na exportação de petróleo e derivados, pode consolidar o fortalecimento do Mercdo Interno e da distribuição de renda.
O Bacen precisa aumentar os estímulos monetários, não só para garantir a recuperação do ritmo da ativida econômica, como viabilizar ainda o cancelamento dos incentivos fiscais já concedidos, garantindo a trajetória de queda da dívida pública em relação ao PIB.
Podemos sair deste processo com um Mercado interno fortalecido, uma dívida pública menor em relação ao PIB, e principalmente um nível de juros da Selic bem menor, viabilizando um longo ciclo sustentado de crescimento do PIB.
O nosso problema é a lentidão do COPOM.
“…precisam rever seu modelo e reduzir a excessiva dependência das exportações”.
Ops! Isso passa pelo fortalecimento de um mercado interno. E é isso que o nosso tosco – segundo alguns, mais letrados e diplomados – presidente vem dizendo e fazendo, não é? Como ele disse mesmo: colocar mais dinheiro na mão do povo. Um real na mão do povo vai imediatamente para consumo. Um real na mão de rico vai para “investimento” (especulação, diriam alguns).
Eita, mas o Lula não fala e nem escreve em inglês? Então o BIS não copiou isso dele. Será que – apesar do que dizem – nosso presidente faz mesmo a lição de casa?
Nassif, sobre a crise dos cartões de crédito que se aproxima nos EUA existem alguns comentários excelentes feitos por Arianna Huffington no seu Blog “The Huffington Post” disponível em:
http://www.huffingtonpost.com/arianna-huffington/the-credit-card-debt-cris_b_169657.html
Embora os comentários datem de Abril deste ano, muitos comentários posteriores coincidem com as análises feitas por Arianna.
Particularmente preocupante é o fato de que a dívida total acumulada em cartões de crédito eleva-se a quase um trilhão de dólares. Analistas consideram que cerca de um terço do montante ficará irremediávelmente inadimplente. O número de cobranças judiciais vem se elevando desde o ano passado. Além disto, as medidas adotadas para diminuir os prejuízos com inadimplência como aumento dos juros e das multas por atrazo estão empurrando muitos usuários de cartões até o momento considerados bons pagadores para o outro lado da cêrca, o que provoca a realimentação positiva do processo de acúmulo de inadimplências.
Posso sugerir que você faça no seu Blog uma análise do que está acontecendo realmente?
Seria interessante sabermos se realmente há outra crise a caminho e, caso positivo, quais suas consequências.
A velha ladainha do Bis, mudar tudo para continuar tudo a mesma coisa, eles ganhando sobre juros pornográficos, e nós na eterna miséria.
Até quando LULA ?
Nassif, vc entraria agora no mercado de ações? por que ? suas previsões por favor.