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23/06/2009 - 09:16

O exercício de embromar na economia

Do Último Segundo

Coluna Econômica – 23/06/2009

No começo do ano passado, em um encontro de cafeicultores, o economista-chefe de um grande banco garantiu que o dólar ficaria entre R$ 1,50 e R$ 1,70 em 2008. Havia sinais claros de crise no horizonte. Se não fosse a crise mundial, haveria certamente uma crise no balanço de pagamentos brasileiro, por conta do déficit externo provocado pelo câmbio apreciado. Mesmo assim, ele dava todas as garantias, com aquela convicção da qual nenhum economista sério se vale.

Veio a crise mundial, explodiu o câmbio, deixou empresas quebradas pelo caminho. Seu banco se saiu bem. Ao contrário de outros grandes bancos, não apostou na apreciação cambial sugerida por seu economista.

Na semana passada, nova reunião do café e novas previsões taxativas: o dólar até 2010 ficará entre R$ 1,70 e R$ 1,90. Ontem, o dólar passou dos R$ 2,00.

Continua

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia Tags: ,

19 comentários para “O exercício de embromar na economia”

  1. Marco Antonio disse:

    Então o Banco Central pode interromper suas operações cambiais de compra. Quando quiser alterar a cotação do dólar, basta consultar o tal economista…

  2. Cesar Alberto Hyssa Luiz disse:

    Prezado Nassif,

    contou o milagre, mas não contou o santo?

    Obrigado.

    É geral.

  3. Ivan Moraes disse:

    Garantia judicial de impunidade.

  4. Nassif. Isso faz-me lembrar das agências de risco. Embora entenda pouco de economia, parece que não fizeram o dever de casa. A bem da verdade parece mesmo que as indicações positivas ou negativas destas, principalmente as internacionais, encontravam origem em interesses outros, não acha ?
    Desculpe-me a palavra chula, mas, em relação à maioria das previsibilidades nessa área, eu disse maioria, não todas, é como “bunda” e opinião. Cada um tem a sua e todas são diferentes, embora assemelhem-se por vezes.
    Abs.

  5. Andre Araujo disse:

    As consultorias tem como clientela geralmente empresas dirigidas por executivos profissionais que necessitam “salvos condutos” para se cobrirem
    de decisões arriscadas perante seus acionistas. Se o executivo acerta a aposta
    nem menciona que usou as previsões do consultor. Se errar, invoca o relatório da prestigiosa consultoria como defesa. No mundo da administração profissional, isto é, quando os dirigentes não são os donos, usa-se largamente consultores, advogados, headhunters para referendar decisões ja tomadas, por exemplo, um headhunter seleciona um gerente que é o conhecido do CEO mas entra da corporação pela mão de uma suposta seleção. As consultorias são peças desse jogo corporativo nada inocente, onde um usa o outro, a consultoria funcionando como seguro preventivo para o plano de negocios do executivo genial.

  6. Raí disse:

    E quem tem pena de cafeicultores e/ou outros especuladores,que saem da “sua praia”e aplicam o seu capital em derivativos,ao invéz de investir naquilo que sabem fazer e bem,produzir e melhorar a qualidade de seus bens e serviços produzidos ?
    Bancos(e banqueiros) vivem de aplicações e manipulações de ativos financeiros,e estão certos quando pregam o mercado futuro,quem está errado,é quem quer ganhar dinheiro na ciranda financeira.

  7. anarquista disse:

    quando o ecomista faz uma receita sobre os custos e despesas de uma empresa, e todas as possibilidades do mercado,tais como localização da mesma,preços da concorrência, e todas as possibilidades de sucesso ou fracasso do empreendimento,podemos chama-lo de economista.Que analisa com a frieza da razão( e mesmo assim sujeito as innterpéries do mercado)

    Mas quando um economista afirma quanto estará o preço do dólar daqui uns meses,ele não passa de uma vulgar cartomante.Ou um advinho( que me diga os números do próximo sorteio da sena)

    eles não tem medo do ridículo.

    Clovis Rossi dedicou nos últimos meses vários artigos pra esses ”bidus” da economia,

    Se a economia fosse previsível,não precisariamos de economistas.

    e TODOS eles( sem excessão) viram mestres de ensinar o governo,depois de errarem ROTUNDAMENTE quando fizeram parte do governo.

    Interessante,não?

  8. Legal disse:

    Se a tendencia e a queda dos juros pra uns 8% e os juros americanos subindo ate uns 4% pra financiar a ajudinha do governo obama as grandes corporacoes entao a tendencia so pode ser o dolar subir.

    Outra coisa. Todo mundo que acompanha o mercado financeiro sabe que de junho a setembro/outubro a um ajuste na bovespa de uns 30%. Facil explicar, como o brasileiro nao tem din din sobrando e e avesso a investir em acoes entao a bovespa depende dos estrangeiros do hemisferio norte que vendem suas acoes em junho pra realizar um lucro e vao curtir umas ferias na Europa ate setembro/outubro (alta temporada). E so isto.
    Depois a bovespa voltar a ganhar “folego” novamente.

  9. Guttemberg disse:

    Sobre o “uso recorrente de escândalos por parte da oposição”, eu lembraria que, no governo Lula, grande parte dos escândalos foi provocada por atos ilícitos do governo e de sua base, independente do trabalho da oposição. O dos Aloprados e dos Sanguessugas, por exemplo, foram eclodidos pela Polícia Federal. E o do Mensalão por companheiros da base governista. E “o uso” deste foi exercido principalmente pela Justiça, visto que o procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza que acusa a cúpula do PT de formar uma “sofisticada organização criminosa”, que se especializou em “desviar dinheiro público e comprar apoio político”, nada tem a ver com a oposição. E, pra finalizar, quando a oposição “faz uso” de escândalos cuja origem é de crimes comprovados, está nada mais nada menos do que cumprindo o dever e a obrigação do mandato outorgado a ela pelos eleitores.

  10. Sanzio disse:

    Se o BC não estivesse comprando você não acha que o dólar já teria batido em 1,80?

  11. Eduardo disse:

    Isso não é embromação dos bancos, é tática de vendas do produto mais lucrativo que existe.
    Para mim, isso é sinal que os bancos vão cotinuar com a tática de 2008, visando entubar nos exportadores os contratos de swap cambial. Os exportadores, contando com essa pretensa valorização cambial, contratam câmbio futuro na taxa proposta pelo banco. Mas se o câmbio estiver mais desvalorizado na época do vencimento dos contratos, a perda recai sobre os exportadores. O que de fato aconteceu no ano passado.
    Por isso, eu não acho que seja embromação de economista, isso é tática de venda de banqueiro.

  12. W K disse:

    Façam como eu faço:

    eu ouço com extrema atenção o que esses gurus amadores dizem, anoto tudo o que recomendam, e fujo dessas aplicações, ou então faço o contrário.

    Se ele diz que o dólar está bom, vendo meus dólares; se ele recomenda determinada ação, trato de vendê-la, se ele avisa que determinada ação cairá, compro ela.

    Sempre dá certo! Afinal, banqueiro brincando de profeta, só acerta se for no interesse dele !

    Há alguns anos, pouco antes da primeira sobrevalorização de dólar recebi esta dica de um diretor de banco: aplique em dólar, que vai subir. Não apliquei, e o dólar caiu!

    Felizmente esse cidadão foi demitido de seu querido banco !

  13. Luís, parafraseando o Bozo, antes de pseudos economistas (Joaquim Levy, Antônio Kandir, Henrique Meirelles, Pedro Malan, Daniel Dantas etc) serem “operadores” da economia, eles deveriam prestar conta à justiça de barbante brasileira pela prática de exercício ilegal da profissão (falsidade ideológica). Afinal quem estuda reengenharia é metido a entender tudo, exceto a própria engenharia e presta grande serviços de consultorias financeiras a políticos que subtraem recursos públicos para proveito próprio e que “economistas” aplicam no mercado financeiro com uma bela taxa de administração pelo serviço prestado.

  14. Hans Bintje disse:

    W K

    Eu também sigo sua brilhante (sem ironia) estratégia: “eu ouço com extrema atenção o que esses gurus amadores dizem, anoto tudo o que recomendam, e fujo dessas aplicações, ou então faço o contrário.”

    Vejamos as afirmações do Sr. Jean-Claude Trichet, citado na matéria do Luis Nassif: “O aumento dos gastos sociais na Europa pode atrasar a recuperação econômica do continente e diminuir a confiança da população, alertou o Banco Central Europeu (BCE).”

    Se a gente seguir o método W K, a bobagem fica evidente. O desenvolvimento está ligado à inclusão social, como escreveu o mestre Ignacy Sachs em 2003, para um seminário do BNDES (1):

    “O desenvolvimento includente requer uma estratégia tridimensional: a consolidação e expansão do núcleo modernizador, condição para o crescimento sustentado, deve ser suplementada pela identificação de todas as oportunidades de crescimento puxado pelo emprego e pela promoção de instrumentos de ação direta sobre o bem-estar das populações, sob a forma de redes públicas de serviços de base, educação, saúde, saneamento e habitação que, diga-se de passagem, são geradoras de numerosos empregos. A sua importância deve-se ao fato de que estes serviços permitem a efetivação dos direitos humanos fundamentais. O desenvolvimento, em última instância, consiste precisamente na universalização destes direitos.”

    A revolta dos europeus contra o discurso do BCE é enorme. Eis o que diz um conterrâneo meu, Michael R.Krätke (2):

    “Nas atabalhoadas ações dos Estados visando ao resgate de empresas no espaço da União Européia, algumas das crises que haverão de se tornar decisivas para o transcurso da atual Grande Depressão do ano de 2009 (a quarta do capitalismo moderno), estão silenciosas: a crise de fome, a crise agrícola, a crise energética, a crise de matérias primas e as ameaçadoras consequências da catástrofe ambiental.”

    O mestre Sachs tratou desse assunto naquele mesmo seminário:

    “Queremos é maximizar o emprego decente combinando atividades de diferentes níveis de produtividade, em vez de buscar a maior produtividade possível do trabalho às custas do emprego. Ao lado do artesanato e das indústrias naturalmente intensivas em mão-de-obra, as maiores margens de liberdade existem na produção de bens e serviços não-comerciáveis, os ‘non-tradables’ não submetidos à concorrência estrangeira, ou seja, a produção de serviços sociais, técnicos e pessoais, a construção civil e as obras públicas. A estes podemos acrescentar os empregos relacionados com a redução do desperdício no uso dos recursos naturais como a conservação de energia, a conservação de água, a reciclagem, os empregos ligados a uma manutenção mais cuidadosa do patrimônio já existente, de infra-estruturas, equipamentos e parque imobiliário, além de uma maneira de prorrogar a sua vida útil e reduzir desta forma a demanda pelo capital de reposição.

    Essas duas atividades a que acabo de me referir na conceituação da teoria do crescimento de Kalecki são as fontes de crescimento que não exigem investimento. E, portanto, é uma área extremamente importante, esta é para mim e para os planejadores do desenvolvimento a principal mensagem do conceito do desenvolvimento ambientalmente sustentável. Como melhorar a produtividade dos recursos e não somente a produtividade do trabalho? Como aumentar a produtividade dos recursos e a vida útil do patrimônio já existente através do trabalho? Eu acho que é por aí que engrenamos o debate sobre o desenvolvimento ambientalmente sustentável e, ao mesmo tempo, socialmente includente.”

    É interessante notar que a reação ao enganoso “discurso da ordem” está fazendo surgir holandeses que apoiam os BRIC. O Luis Nassif já deve estar enjoado de ler minhas manifestações sobre o tema, então cito novamente Michael R.Krätke:

    “A União Européia, agora em situação de espera, terá que decidir com quem quer dar as mãos: se vai ao abismo com os EUA, ou com os países do BRIC, rumo a uma nova ordem econômica mundial.”

    Notas:

    (1) http://www.bndes.gov.br/inclusao_ignacysachs.pdf

    (2) http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16043

  15. É difícil fazer previsões, especialmente as sobre o futuro.

    Por isto que insisto na Astrologia, Geometria e Tarot, comprovadamente oferecem resultados muito mais consistentes.

    Mas percebam, câmbio é vantagem relativa, não adianta só ser bom, tem de ser melhor que o cara do outro lado da operação.

    Coisa de profissional, e o Delfim sabe disso.

  16. André Oliveira disse:

    Esse economista é o próprio rolando lero.

  17. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Luis Nassif,
    Antigamente eu admirava os economistas pelas previsões muito próximas da realidade. Depois passei a entender que as previsões eram feitos supondo que se repetiria o passado e nada de excepcional ocorreria. Hoje não os admiro mais. Penso, entretanto, que eles são livres para fazer e vender as previsões deles. E, ao contrário do que disse Alexandre Weber no comentário enviado em 23/06/2009 às 15:47 acredito que as previsões deles são muito mais consistentes do que os dos Astrólogos, Geômetras (Se esses fazem as previsões a partir da forma e tamanho dos corpos geométricos) e estudiosos do Tarot.
    Não considero que as previsões do economista-chefe de um grande banco eram as melhores do mercado naquela época, mas não as avalio totalmente fora da realidade. Primeiro a declaração dele é de início de 2008 quando poucos no mundo sabiam da dimensão da crise que iria ocorrer no final do ano. (Disse poucos, mas não teria como argumentar com alguém que dizendo que poucos são muitos, alegasse que eu superestimo o total de economistas que sabiam que a crise viria).
    Segundo a crise no Balanço de pagamento foi se desenvolvendo ao longo do ano de 2008 não havendo condições de prever que ali no início de 2008 já se soubesse não só que o câmbio iria cair mais e que haveria mais fuga de capital no Brasil como de fato ocorreu.
    Terceiro, no início de 2008, muitos acreditavam que com a crise que já existia nos Estados Unidos (Não se pode esquecer que o órgão que define sobre a recessão nos Estados Unidos informou que os Estados Unidos convivêm com uma recessão desde o último trimestre de 2007) o crescimento no Brasil seria inferior do crescimento de 5,4% verificado em 2007. Assim se tudo ocorresse conforme as previsões uma taxa de câmbio entre 1,5 e 1,7 era razoável.
    Ai você analisa as declarações do economista-chefe de um grande banco àquela época e diz que, à época:
    “Mesmo assim, ele dava todas as garantias, com aquela convicção da qual nenhum economista sério se vale.”
    Aqui eu concordo com você. A convicção como alguns economistas se expõem depõe contra eles. Já fiz algum comentário aqui no blog, mais provavelmente no antigo blog projetobr em que eu elogiava o antigo Secretário do Tesouro Americano George Pratt Shultz em razão de artigo que ele fizera, creio no início da recuperação americana no final do governo George Hebert Walker Bush – o Bush pai – que segundo o Ex-Secretário do Tesouro poderia recompor o crescimento mundial. Era incontáveis as dúvidas que George P. Shultz lançava no artigo. A cada afirmação de pressentimento de recuperação econômica ele dizia: “pode ser”.
    Os economistas brasileiros, até pelo tanto de erros que cometeram principalmente a partir do Plano Cruzado deveriam apreender a ser mais humildes.
    Quanto à segunda previsão dele, agora para o ano de 2009, eu torço para que ele esteja errado. Torço mais ainda para que as autoridades brasileiras prestem bem atenção ao artigo de Delfim Netto hoje, 23/06/2009, no Valor Econômico, intitulado “O Câmbio e os fundamentos” e para o qual você fez chamada no seu blog com o título de “A farra do Câmbio” de 23/06/2009 às 09:58 e reconheçam que é preciso ter mecanismos de controle de fluxo de câmbio e que esses mecanismos atuem para manter o câmbio em um patamar bem mais elevado do que o prognosticado pelo economista-chefe de um grande banco.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 23/06/2009

  18. Emerson disse:

    Nassif, se o presidente Lula fosse um Estadista, convocaria uma reunião extraordinária do Banco Central nesta quarta-feira e pediria uma redução de 02 pontos na taxa selic; com certeza o dólar ficaria entre $ 2,10 e $ 2,20.

  19. Duvido que a previsão dele tenha alguma qualidade, é achometro mesmo. Falta a ele o básico para entender a dinâmica da situação, que por acaso, é contraintuitiva e não trivial.

    Duvida ?

    Dê uma olhada nesta discussão.

    http://www.itulip.com/forums/showthread.php?t=8948

    O comportamento do câmbio em um sistema de dinheiro fiduciário lançado ” ex nili” é totalmente arbitrário.

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