Chico, o nosso Chico Buarque, o Chico de tantos sonhos embalados, invade os 65 anos.
Muito se teria para contar, mas quero lembrar de um Chico que nós, mulheres ainda meninas, de repente, nos sentimos capturadas. Não só por um homem bonito, mas de um homem que nos convidava ir à janela para apreciar uma banda, romântica, harmoniosa, com gosto de infância. Por ela cativadas, acabamos sendo conduzidas por caminhos muito menos seguros, mas fundamentais para o estabelecimento de nossa condição de cidadãs: mulheres e guerreiras.
“Saiba ou não, admita ou não, todo homem brasileiro inveja o Chico Buarque. A inveja, naturalmente, além de ser uma merda, é uma forma doentia de admiração. Não se deseja só o que o outro tem – berço, gênio, uma bela família, olhos azuis, um drible difícil de marcar, um apê no Marais – mas também o que o outro é. Portanto, saiba ou não, admita ou não, todo homem brasileiro gostaria de ser o Chico Buarque. Ao mesmo tempo, e aqui afinal chego ao meu ponto, o Chico já é todo homem brasileiro.” (Artur Dapieve)
Meu amigo José Botezelli, o Pelão, não é mais o mesmo, depois que obteve a cidadania italiana, na semana passada. Já não fala mais em Cartola e Nelson Cavaquinho (que ele redescobriu nos anos 70), mas em Sérgio Endrigo, Pepino di Capri e Jerry Adriani e em um revival de Rita Pavone.
Mas amizade é assim, tem que se aceitar as mudanças do amigo.
Bom, mas ele me levou ao Confraria (um dos últimos redutos de música boemia em São Paulo) e me jogou a seguinte incumbência: todas as quartas feiras promover um Sarau do Nassif no Confraria – ali na Doutor Arnaldo.
A ideia inicial do Pelão era fazer uma espécie de Festa de San Gennaro. Mas conseguimos convencê-lo de que a rodada deveria ser para apresentar os jovens talentos da música instrumental, cantores pouco conhecidos, veteranos esquecidos, amadores talentosos, juntar amigos, tudo em um clima de sarau mesmo, sem frescura, sem formalismos.
Estamos atrás de alguma produtora voluntária que queira gravar as apresentações dos mais talentosos, para divulgação aqui.
Caríssimo Nassif. Passei boa parte da tarde de ontem em vossa companhia. YouTubei-vos e muito (refere-se ao CD Roda de Choro no Youtube). Parabéns por tudo, como dizem os mineiros. Falar nisso, Jáder já se cadastrou. Foi só falar em bandolim e música dos bons tempos.
Passei uma noite inesquecível na casa de Bené Nunes, idos anos 60, sentado no chão ouvindo Jacob. BN tenho pouco a acrescentar. Só vivências pessoais. Papos com Newton Mendonça, Tom ouvindo discos em minha casa, op balcão das Lojas Murray e por aí afora.Concordo com alguém que fez um longo comentário num dos posts de vosso portal. Tem influência de tudo.
Grande alegria reouvir, com qualidade, o LP do Trio Surdina. Comprei na loja Musidisc, do Nilo (”Na Madrugada” Sérgio, ali na Senador Dantas. O que o senhor trabalha, e por demais de bem, é impressionante. Paro por aqui para não encher mais o saco.
Abração do novo velho amigo Ivan.
Comentário
É uma honra para a Comunidade do Portal contar com um integrante com a história e o talento de Ivan Lessa.
O Henrique Marques Porto já me havia advertido que, ao tratar dos sopranos, eu botaria minha frágil embarcação para navegar no mais revolto dos tempestuosos mares do canto lírico. Aqui adentramos o mundo das grandes divas, das estrelas fulgurantes, dos egos gigantescos. Nos posts anteriores (embora selecionar vozes seja sempre difícil, escolher estas em detrimento daquelas), ainda consegui driblar algumas dificuldades, já que meu intuito é muito mais de exemplificar timbres e tessituras do que de exibir cantores.
Agora, porém, a tarefa torna-se quase impossível. Fazer uma seleção de sopranos é muito mais complicado do que escalar a melhor seleção brasileira de futebol de todos os tempos.
Entro nesse Mar Tenebroso de forma cautelosa, com poucas velas desfraldadas, agarrando-me firmemente ao leme para não perder o rumo. Prossigamos aos poucos, gradativamente, piano, piano si va lontano.
Por isso, iniciamos enfrentando talvez a figura mais forte desse universo.
Uma diva cuja presença ofusca praticamente as demais na categoria dos sopranos. Trata-se de Maria Callas, uma personalidade ímpar, cantora que marcou de forma indelével a história da cena lírica, e cuja vida teve um enredo ainda mais dramático do que o de seus grandes personagens na cena lírica.
A primeira vez que ouvi Chico Buarque de Hollanda eu devia ter uns 14 ou 15 anos. Foi em um programa da extinta TV Tupi, não sei se “Almoço com as Estrelas” ou um programa do Fernando Faro. O cantor tocava seu violão e nem olhava para a câmara. Acho que cantava “Pedro Pedreiro”.
No início de 1965, com 15 anos incompletos, passei seis meses estudando eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí. Fui morar na república WC, a mais barra pesada da cidade, liderada pelo itajubano José Saia, que exibia no braço esquerdo marcas que, assegurava, eram de navalhadas que recebera de Mineirinho, o mais célebre bandido da época. Toda manhã acordava com meu companheiro de beliche, Salário Mínimo, de São José dos Campos, tocando no violão a valsa “Subindo aos Céus”, de Aristides Borges.
Música antiga, só na WC. Nas noitadas de Santa Rita, reinava a bossa nova, com o violão do Salário Mínimo, de São José, do Tota, de Poços de Caldas, a voz do Marcão, de Ouro Preto. Em cada serenata se punham literalmente de joelhos quando falavam de Vanda Sá, a Vanda Vagamente, musa absoluta, cujo retrato estava em um altarzinho na república WC.
Quando voltei a Poços, no segundo semestre de 1965, foi que teve início a era Chico Buarque de Holanda. Chico estourou, ao lado de Geraldo Vandré, no famoso Primeiro Festival da Record. Politizada, nossa turma torcia pela “Disparada”, de Vandré. Mas nas serestas, nossa companheira era “A Banda”, de Chico. A televisão, ainda novidade, transformou a disputa no fato nacional mais comentado do período. Pouco depois, “Olé Olá” foi lançada e transformou-se em hino nas nossas serenatas. Leia mais »
FORA DE PAUTA: Prefeitura Livre no Portal do Software Público
A Carta de liberação do projeto Prefeitura Livre no Portal do Software Público Brasileiro foi assinada hoje durante o evento OpenGEO 2009, realizado na cidade de Brasília. O acordo é fruto da parceira entre a empresa Opengeo Consultoria de Informática e a Secretária de Logística e Tecnologia da Informação, do Ministério do Planejamento.
A solução Prefeitura Livre é a terceira solução da iniciativa privada a ingressar no Portal do Software Público e a segunda dedicada com exclusividade aos municípios brasileiros. De acordo com Helton Uchoa, da Opengeo Consultoria, “a intenção é criar uma comunidade de usuários e técnicos para continuar coletivamente o desenvolvimento de novos módulos para a solução”. Leia mais »
Não pude acompanhar o blog ontem por isso corre o perigo da redundância.
Queda de 23% nas internações hospitalares derivadas da aplicação da lei seca e seguida do número de mortes no trãnsito em queda de 22% é assombroso. Foi muito além do que sonha a vã filosofia.
Somando-se aos resultados do Prouni deixam-me agradável sensação de bem estar. É possivel melhorar o pais com medidas simples, embora polêmicas,desde que o foco seja o bem comum.
A BBC Brasil repercute reportagem da ECONOMIST em que é feita uma analisa da cúpula dos BRICs, realizada no início da semana em Ecaterimburgo, na Rússia. Para a revista, o evento reflete a crescente autoconfiança desses países.
“Os maiores mercados emergentes estão se recuperando rapidamente e começando a acreditar que a recessão pode marcar mais um momento da mudança global que vê o Ocidente perdendo poder econômico”, diz o texto.
Relator da proposta, deputado diz que ela é inconstitucional por tentar mudar regras para beneficiar atuais governantes
Relatório do petista, que recebeu elogio de todos os líderes partidários, está na CCJ da Câmara e deverá ser votado em 15 dias
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O deputado José Genoino (PT-SP), relator da proposta de emenda constitucional que permite um terceiro mandado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recomendou o arquivamento do texto. O deputado argumentou que a proposta é inconstitucional, principalmente por tentar mudar as regras para beneficiar os atuais ocupantes de cargos.
“Antes de qualquer outra coisa, a medida proposta agride o senso comum de Justiça e razoabilidade ao pretender aplicar-se aos atuais detentores de mandato eletivo, alterando regras do jogo político em andamento no intuito de favorecer determinados resultados”, diz Genoino em seu parecer.
Decisão mantém punição aplicada a procuradores e acolhe recurso do secretário-geral do governo FHC
Fausto Macedo
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) reconheceu que os procuradores regionais da República em Brasília Luiz Francisco de Souza e Guilherme Schelb perseguiram Eduardo Jorge Caldas Pereira, ex-secretário-geral da Presidência no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A decisão, tomada por unanimidade na sessão de quarta-feira, mantém punição aplicada aos procuradores e acolhe recurso – embargos de declaração – de Eduardo Jorge para inclusão da expressão “perseguição” no texto do acórdão.
“Eu já havia me sentido reparado pela decisão anterior, mas entrei com embargos porque o acórdão omitiu a perseguição pessoal, motivada por razões políticas, reconhecida naquele julgamento”, declarou Eduardo Jorge, hoje vice-presidente executivo do PSDB.
Alegando ter sido alvo de “investigações ilegais”, Eduardo Jorge representou ao CNMP. Acusou Luiz Francisco e Schelb de vazamento de informações para a imprensa relativos à quebra de seu sigilo e denunciou divulgação de dados falsos sobre ele à Receita.
Deputado era acusado de envolvimento com suposto esquema de empresas de lixo; procurador-geral havia sugerido arquivamento
Argumento é de que não há provas sobre envolvimento do então prefeito na fraude; esta é a segunda vitória do petista no Supremo no ano
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitaram ontem, por 9 votos a 1, uma denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual de São Paulo contra o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP).
Ele era acusado de envolvimento em um suposto esquema de desvio de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de lixo, quando prefeito de Ribeirão Preto (2001-2002).
Ainda não se esgotou o estoque de medidas anti-crise do governo. A redução da meta de superávit deverá dar o fôlego de que o governo necessita para suas atuações pontuais.
O próximo setor a ser ajudado é o de máquinas e equipamentos. Aliás, o que mais sentiu com a crise e o que tem, talvez, o maior impacto sobre empregos e agregação de valor.
Esses dados constam de matéria do Estadão com Guido Mantega e Luciano Coutinho, em seminário do jornal.
Pesquisa sobre comportamento sexual divulgada ontem pelo Ministério da Saúde revela que os brasileiros estão fazendo mais sexo fora do casamento e com parceiros que conheceram pela internet. E o cuidado com a prevenção da Aids e outras doenças diminuiu. De acordo com o estudo, 7,3% das pessoas tiveram relações, no último ano, com alguém que encontraram na rede mundial de computadores.
Entre os homens, o percentual chega a 10,3%, contra 4,1% entre as mulheres. A pesquisa também mediu, pela primeira vez, o índice de traição nos relacionamentos. Dos entrevistados que vivem com um companheiro, 16% admitiram ter mantido ao menos uma relação extraconjugal. A infidelidade foi confessada por 21% dos homens e 11% das mulheres.
Comentário
Hoje em dia, não sei. Mas é impressionante o que as salas de bate-papo fizeram com as relações pessoais dez, quinze anos atrás.
Meu amigo Zé Rodrix, em determinada época, chegou a ficar 24 horas seguidas chateando. Outro amigo – escritor renomado – apaixonou-se perdidamente por uma gaúcha inteligente. Foi até Porto Alegre. Lá, descobriu que era um travesti.
Há histórias de todo tipo ilustrando esse enigmático mundo novo.
Certa vez, escrevi um perfil de Leonel Brizolla, mostrando uma espécie de descanso do guerreiro. Depois de viúvo, ele se apaixonou por uma moça. E houve uma cena tocante, que mostrava o líder cansado. Uma passeata debaixo de sua janela e ele encantado com a moça, e menos com a política.
Velhos brizolistas ficaram surpresos, não sabendo onde obtive a informação. Foi em uma dessas salas.
A China negou na quinta-feira que esteja discriminando fabricantes estrangeiros, depois de divulgar um documento solicitando que os governos locais favoreçam empresas nacionais na compra de mercadorias. “Este documento destina-se a manter um ambiente justo de mercado para a concorrência, que também está em consonância com a lei da China sobre contratos públicos”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Qin Gang, aos jornalistas. “Portanto, não existe tal coisa como discriminação contra empresas ou produtosestrangeiros”. No início do mês, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, agência de planejamento econômico da China, determinou aos governos locais que comprem produtos chineses quando realizarem projetos ligados ao enorme pacote de estímulo econômico da nação.
Com a colaboração dos comentaristas do meu Blog (www.luisnassif.com.br), vamos entender um pouco melhor a questão das “operações compromissadas” do Banco Central com o mercado.
Como se recorda, são operações em que o BC vende títulos com promessa de recompra a curto prazo. Mesmo com liquidez ampla (isto é, ampla capacidade do investidor resgatar seu papel) e segurança total, o BC paga as mais altas taxas de juros reais do mundo.
Além disso, injetou enormes quantias de dinheiro no mercado, a fim de melhorar a situação do crédito. Na outra ponta, em vez de utilizar os lucros que teve com a apreciação do real para reduzir a dívida, aumentou o volume de operações compromissadas.
FORA DE PAUTA: Justiça quebra sigilo telefônico de Paulo Lacerda
Objetivo é identificar contatos que ex-diretor da Abin teria feito com o delegado Protógenes Queiroz
De Fausto Macedo:
A Justiça Federal decretou a quebra do sigilo telefônico do delegado Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-diretor da Polícia Federal. O rastreamento pega 20 meses, de janeiro de 2007 a agosto de 2008. A Justiça quer identificar contatos que Lacerda teria realizado naquele período com o delegado Protógenes Queiroz, mentor da Operação Satiagraha – investigação sobre suposto esquema de crimes financeiros envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity. Leia mais »
Cai um mito tecnológico: downloads de músicas pela Internet podem estimular as vendas de CDs ao contrário do que alegam as indústrias fonográficas.
Um estudo da Harvard Business School mostra que a partilha de arquivos pela Internet causa menos prejuízo do que se apregoa e não desencorajou a criatividade, pelo contrário.
A análise foi realizada por dois economistas, Oberholzer-Gee e Koleman Strumpf, para avaliar o impacto da troca de arquivos no mundo contemporâneo e revela que, mesmo com o download ilegal, a produção musical mais do que duplicou nos últimos sete anos.
Embora a venda de discos tenha caído desde 2000, o número de álbuns criados aumentou bastante. Se em 2000 foram lançados 35,5 mil discos, em 2007 esse número saltou para os 79,6 mil, onde se incluem 25,1 mil álbuns digitais.
Procurando desmistificar os prejuízos econômicos causados pela da troca de arquivos protegidos por direitos autorais, o estudo sugere, por exemplo, que o download de músicas não representa necessariamente uma venda perdida e que os remixes e os mashups podem incentivar a venda dos temas originais.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.