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18/06/2009 - 08:26

O diploma e as faculdades de jornalismo

Já fui mais cético em relação ao papel das faculdades de jornalismo. Sempre considerei o jornalismo um curso técnico. Em seis meses de redação, aprendia-se o ofício com muito mais profundidade do que em quatro anos de faculdade.

Além disso, as faculdades de jornalismo padeciam de um mal crônico: a grade curricular. Quando o curso surgiu, em fins dos anos 60, as Humanas tomaram conta, buscando marcar seu território na nova frente que se abria.

Criaram excrescências como Sociologia da Comunicação, Filosofia da Comunicação, História da Comunicação. Excrescências porque essas matérias deveriam ser uma extensão das respectivas cadeiras. Ou seja, o aluno teria que fazer um curso de história, primeiro, para depois aprender uma especialização da história – a tal História da Comunicação.

Em vez disso, no prazo de um ano o professor precisava passar noções de história, sociologia e antropologia e, de quebra, a especialidade estudada.

No plano técnico-operacional, aprendia-se muito pouco. Um dos argumentos dos defensores da faculdade era a questão dos princípios éticos que ela incutiria nos alunos. Mas o que havia era uma profunda politização, de considerar o jornalismo uma arma de luta. Além disso, as distorções no jornalismo profissional ainda não eram tão acentuadas.

O que ocorre hoje em dia é outro bicho.

No plano técnico, os jornais se defasaram, não dominam a imensa riqueza que se abriu com a Internet. Portanto, é um campo a ser preenchido pelas faculdades. Mas, com exceção da Casper Líbero, não me parece que as demais tenham acordado para essa nova realidade.

No plano do jornalismo, os jornais desaprenderam completamente a técnica jornalística. Cartelização, arrogância, o uso reiterado da manipulação entortaram a boca. Os jornais desaprenderam princípios básicos de bom jornalismo, abrindo, agora, um campo para as faculdades entrarem.

Além disso, há um enorme mercado que se abre com o fim da obrigatoriedade do diploma – beneficiando especialmente os com-diploma. Daqui para frente, cada vez mais as empresas e associações serão produtoras de informação, acabando com essa intermediação espúria da mídia. Hoje em dia há assessorias com mais jornalistas que as redações. Preparam releases, enviam para o jornal, o editor passa para um repórter dar uma guaribada e publicar como se fosse matéria própria.

Esse jogo vai acabar. Cada vez mais empresas e associações precisarão de jornalistas profissionais para produzirem notícias que serão veiculadas sem intermediação na Internet.

Veja bem, no modelo convencional as redações prescindem de jornalistas formados. Elas têm seu próprio método de trabalho, no qual os jornalistas acabam se enquadrando. No novo modelo, as empresas necessitarão de jornalistas com formação – ou quem tenha passado por redações ou quem tenha se formado em faculdades que ensinem efetivamente o novo, como estruturar as informações das empresas, como identificar aquelas de interesse do público, como utilizar as novas mídias etc.

Por wiss

Nassif;

Sou leigo no assunto, mas achei interessante duas opiniões aparentemente divergentes, entre dois profissionais conceituados na área .

A Sua e a do Alberto Dines no Observatório da Imprensa.

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=542DAC005

Por weden

Comparando com a Casa da Mãe Joana do Jornalismo, que é o Brasil, na França o rigor com a formação dos jornalistas é acentuado. Observe-se que o jornalismo francês é a maior escola européia, e prima pela pluralidade e respeito ao leitor.

Se o pretendente quiser ser jornalista ele terá que ou cumprir um estágio de dois anos em jornal – e aí estagiar em empresas grandes é praticamente a única possibilidade de reconhecimento nacional – ou se formar numa das doze escolas de jornalismo reconhecidas pela Fenaj local (SNJ).

Abaixo algumas das escolas que podem emitir diplomas.

A observação é que sem uma destas duas condições, o profissional não terá uma carteira de “jornalista titular”, independente se ele tiver qualquer outra formação, e isso é controlado pelo sindicato da categoria.

* Centre de formation des journalistes, CFJ-Paris
* École des hautes études en sciences de l’information et de la communication, Celsa-Paris IV
* École de journalisme et de communication de Marseille, EJCM
* École de journalisme de Toulouse, EJT
* Institut de la Communication et des Médias, ICM-Grenoble III
* Institut Français de Presse, IFP-Paris
* Institut pratique de journalisme, IPJ-Paris
* Institut de journalisme Bordeaux-Aquitaine, IJBA

Um caso específico:

A Escola de Jornalismo e Comunicação de Marseille oferece o curso de jornalismo de revista.

Para ser admitido, o candidato tem que ter o primeiro ciclo universitário (dois anos), ou três anos de prática desde que passe por um teste de nivelamento.

O curso tem a duração de cinco meses (observação: só o curso de jornalismo de revista).

O curso se desenvolve sob os seguintes módulos

Módulo 01

Direito, Poderes, Instituições
História das Mídias
Os instrumentos da Mídia
Deontologia
Estatuto do Jornalista
Mercado de Mìdias
Direito à imagem e direito de imagem
Regras de base do jornalismo
Escrita de agência de notícia
Síntese jornalistica
Introdução ao Fotojornalismo

Módulo II

Sinopse
Os diferentes gêneros jornalísticos
Jornalismo em rede
Entrevista
Perfil

Módulo III

Introdução a softwares de diagramação
Diagramação
Formatos
Paginação
Fotografia
Reportagem
Jornalismo Judiciário
Fotojornalismo hoje

Elaboração de uma revista

Escolha de assuntos após o tema estabelecido
Planejamento de reportagem
Redação
A fotografia
Paginação

Se ele quiser jornalismo de tevê, rádio, jornais, etc, ele terá que cumprir outros tantos cinco meses (o semestre francês), quanto necessários.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Blogs, Mídia Tags: ,

97 comentários para “O diploma e as faculdades de jornalismo”

  1. Carlos Eduardo disse:

    Acredito que médicos, engenheiros e outros profissionais que exerçam atividade que exija conhecimento específico devam, sem dúvida, ter diploma.

    Agora, exigir que pessoas tenham diploma de “comunicação” ou “jornalismo” para escreverem textos/artigos em jornais, revistas e internet, é absolutamente desnecessário, reconheçamos. O que essas pessoas precisam ter é boa educação, boa cultura, serem estudiosas e curiosas. E terem bons conhecimentos gramaticais.

    Conheço pessoas que escrevem maravilhosamente bem e que são capazes de produzir belas peças. Não têm diploma de jornalistas, embora, em geral, tenham curso superior (mas nem sempre). E são curiosas, interessadas nos temas sobre os quais escrevem.

    Enfim, penso que até que enfim o STF deu uma dentro, mesmo não sendo fã do Gilmar Dantas.

  2. Carlos Eduardo disse:

    Faltou dizer: sobre a “bandalheira” dos grandes veículos de mídia, ela pode até aumentar (se bem que já é descomunal), mas esses veículos, especialmente os de mídia impressa, estão com os dias contados.

    As gerações futuras querem internet, livro digital, novas tecnologias. A mídia impressa não vai acabar totalmente, mas vai cair dramaticalmente e terá que buscar qualidade, para não morrer de vez.

    Em um primeiro momento, jornalistas formados podem perder empregos. Mas no longo prazo, quem não tiver qualidade de verdade, não sobreviverá (ou viverá sempre às portas da morte). Acredito em grandes oportunidades para os bons jornalistas, formados ou não em jornalismo.

  3. A FAVOR da decisão do STF: ABERT e ANJ (as entidades do PATRONATO)
    CONTRA a decisão do STF: FENAJ, ABI e OAB.
    Não, obrigado, Nassif, continuo achando que essa decisão é péssima para os jornalistas e para a sociedade como um todo. Vai rebaixar ainda mais os salários e selecionar gente em qualquer esquina pra reforçar as teses dos patrões, num mercado que já é pra lá de saturado.
    Não entendi mesmo esse teu raciocínio…

  4. Sinistrossauro disse:

    A obrigatoriedade do diploma caiu e já foi tarde.
    Se o jornalismo brasileiro está podre, a culpa, em grande parte, é desse sistema onde as universidades praticamente vendem diplomas, formando jornalistas despreparados e incompetentes, que, depois, submetem-se a interesses políticos e econômicos, agindo como bonecos de ventrílocos.
    Agora, se a universidade quiser continuar tendo curso de jornalismo, terá de primar pela qualidade da formação, pois o jornalista irá se colocar no mercado de trabalho pelo mérito.

    Perdão. Quem define o modelo de jornalismo são as empresas jornalísticas. Os jornalistas fazem o que a chefia manda fazer.

  5. Juliana disse:

    Na verdade o que mais indigna não é a decisão em si, que creio vai mudar pouco do que já acontece hoje. O que revolta é o fato de ministros engomadinhos decidirem, com argumentos pífios, o que nem sequer conhecem, nem de perto, nem de longe. Porque longe é o que estão da realidade de uma profissão que muda muito. Fora que os argumentos da advogada do Sertesp, Taís Gasparian, autora da ação, eram sinceramente, idiotas, com todo o sentido da palavra. Trocando em miúdos ela disse que a obrigatoriedade do diploma poderia coibir a disseminação de blogs e informação na internet. Acho que nem preciso ressaltar o tamanho do sorvete na testa que uma declaração assim provoca.

    PS: Não sei da Cásper que meu ‘berço’ não alcança, mas aqui na UFSC, estudamos ciberjornalismo e novos meios até mais que outros meios.

  6. Marko disse:

    Educação no mundo todo é um monstro criado pelas elites q perceberam há cerca d 200 anos pelas experiências Muçulmana e Hindu q era (e ainda o é) mto mais eficiente o controle da estultice escolada construída e concedida do q da natural e imprevisível ignorância iletrada.

    1)Retire, como no Jornalismo a obrigatoriedade do diploma p/o exercício d qq profissão;

    2)Mantenha as portas abertas p/os q quiserem aprender, à qq hora em qq ritmo, independente da idade cronológica sem necessidade d triagem e

    3)Exija Exame rigoroso apenas p/aquelas q envolvam risco, exame este baseado em conhecimento prático, independente da idade cronológica, p/obtenção d permissão p/o exercício das mesmas, permissão esta q possa ser cassada Não apenas por um conselho d iguais. Estabeleça e Cumpra punições rigorosas p/os profissionais assassinos no caso dessas atividades d risco.

    E observem não só como a qualidade dos profissionais como o conhecimento técnico do público à respeito d tais matérias aumentará na mesma proporção q decaírá quase a zero a (des)confiança cega q este público mtas vezes deposita nos “especialistas”; pra não dizer das instituições d ensino q sobreviverão mas p/isso terão forçosamente d se mostrar práticas e interessantes afim d atrair cérebros.

  7. Laura Ribeiro disse:

    Em País pobre, onde os ricos dominam, não deveria ter diploma para nenhuma especialidade mesmo, porque já conheci muitos “intelectuais “sem diploma algum, invadindo outras áreas profissionais, mediante autorização ilegal (assinatura) de diplomados.. Ora, se as escolas públicas já não podem reprovar seus alunos, então para que eles hão de querer um diploma, não é mesmo? Desta forma, não tardaremos a “chegar” à Idade da Pedra, né?
    Quero meu dinheiro, corrigido, de volta. Cobro dos 7 que votaram, ou da Faculdade Cásper Libero?…

  8. Josival disse:

    Continuo achando discriminatórios os seus comentários. Tenta considerar as mesmas observações suas, para cada uma das outras profissões, inclusive medicina. Não precisa. Considere somente medicina. Procura ver tudo funcionando como você diz para com o jornalismo: boas faculdades, bons alunos, bons estágios, boa residência e bons hospitais! Qual a diferença?
    Se o médico lida com a vida o jornalista também. A grande diferença é que o erro médico é de efeito imadiato e muito mais fácil de ser detectado.O erro da informação pode levar gerações a deformações irreversíveis. Estes erros são cumulativos e um gera outros e outros, na formação das pessoas.
    De qualquer maneira muito obrigado pela sua atenção aos meus comentários. Eles realmente mexeram com um dos mais famosos jornalistas da atualidade. Chego a sentir um toque de orgulho.Este sentimento que, na maioria das vezes, é negativo para as pessoas, mas neste caso, farei o melhor proveito dele.
    Obrigado

    Ué, estamos aqui para conversar, concordar e discordar. É assim que se faz a tolerância e a democracia.

  9. Gerson Pompeu disse:

    Seria interessante, logo depois de passar a propaganda da FSP com a mosca, botar a cena do Obama esmagando uma e mostrando a mesma morta no chão.

    No fim, um letreiro: SE VOCÊ SE PRETENDE UMA MOSCA, ESCOLHA BEM ONDE POUSAR. SEU FIM PODE SER TRÁGICO.

  10. Jorge Galvão disse:

    O STF abriu o concurso para o quadro de Jornalista.
    São 12 vagas – só aceita inscrição de Jornalista com diploma.

  11. Moita disse:

    A Inglaterra, por exemplo, em um jornalismo muito bom (que convive com o pior jornalismo do mundo, o dos seus tablóides, mas isso é outra história) e lá, não existe a exigência de formação específica em jornalismo. Mas os profissionais são, em geral, formados em cursos que ensinam a escrever de forma lógica e compreensível (problema grave hoje no Brasil) e análisar fatos e acontecimentos. Os jornalistas provem de cursos como Literatura, Ciências Sociais, Ciências Políticas e etc. Para mim é o suficiente.

  12. Marco Antonio disse:

    Mas isso é discriminação do STF! Por que cozinheiros não podem prestar o concurso????

    Porque se fizerem gororoba vão achar que é crítica ao Mendes.

  13. Marco Antonio disse:

    rsrsrs, em tempo, concordo com a decisão do STF, conforme expus no outro post sobre o assunto.

  14. MAdS disse:

    Gostei da decisão do STF, neste caso. Acredito que apenas profissionais que exijam rigor técnico, e ética não é técnica, devam exigir diploma para o exercício. E sinceramente, mesmo para esses, sou contra a existência dos conselhos profissionais.
    Na minha opinião, a questão não é dizer que jornalista não precisa de formação específica, mas que para ser um jornalista não se precisa de um diploma de jornalista. Qual formação será necessária? Deixe a empresa que contrata decidir, e depois colher o fruto do que plantou.
    Na forma antiga, para ser jornalista basta ter um diploma. Um papel dizendo que cursou uma faculdade. Se aprendeu-se algo ou não, isso é outra coisa. O que estimula a existência de faculdades que apenas produzem diplomas e mais nada. Empresas boas buscam profissionais bem formados, empresas ruins buscam o mínimo que a lei exige pelo menos preço, i.e., profissional com diploma de qualidade discutível.
    No futuro, a esperança é que as faculdades que continuarem, continuarão porque oferecem uma formação que ajude à formar um profissional melhor. E as fábricas de diplomas, desapareçam. As empresas que buscam bons profissionais continuarão absorvendo jornalistas bem formados, as outras, continuarão buscando a opção mais barata.
    E se não existem boas empresas de jornalismo no país, é porque fazemos um péssimo serviço na hora de escolher o que lemos.

  15. Em resumo: vai abrir um campo maior para os vocacionados aumentando a competitividade e quem sabe assim, trazendo de volta a velha e boa maneira de se fazer jornalismo. Um passo a mais para a democratização da notícia.

  16. Carlos Alberto disse:

    A queda do diploma é autoexplicativa: os jornalistas diplomados não foram sequer capaz de reagir. Pode-se imaginar uma coisa dessa acontecendo com qualquer outra profissão?

  17. Ken Rosaka disse:

    Não sou jornalista e nem estudante de jornalismo, sou designer.

    Na minha área o mesmo debate acontece, porém na direção contrária do vetor: Querem regulamentar.

    Esta é uma questão que não difere muito nas duas áreas, tendo em vista que o designer também é um comunicador. O que se percebe, é o medo de uma juventude de perder o emprego para alguém com menos formação acadêmica. Oras! Se o estudante está fazendo uma faculdade, ele já está em vantagem em relação aos seus concorrentes não-formados. Além disso ele ainda quer uma lei que proíba os outros de serem concorrentes?

    Estamos numa época que precisamos diminuir o número de leis e não aumentar.

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