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18/06/2009 - 07:59

O cálculo do spread bancário

O Senado – através do senador Tasso Jereissatti – decidiu entrar nas discussões sobre a metodologia de cálculo do spread bancário, segundo matéria de Cláudia Safatle no Valor,

O estudo é importantíssimo por apontar a maneira torta como o Banco Central atua até agora, fruto dessa promiscuidade de diretores que utilizam o cargo para alavancar sua carreira no mercado financeiro.

Algumas sugestões:

1. O BC levar em conta o custo médio de captação dos bancos. Hoje em dia, considera-se apenas o CDB. Nunca foram levados em conta os depósitos à vista (que não custa nada para o banco) nem a poupança (que historicamente rendeu menos que o CDB).

2. Na análise dos custos administrativos, em 2004 o Banco Central excluiu do cálculo as tarifas bancárias e taxas de administração. Ora, as tarifas praticamente cobrem todo o custo administrativo dos bancos. No entanto, para efeito do cálculo do spread, o BC considera apenas as receitas oriundas de operações de créditos livres, de crédito direcionadas, de câmbio e de tesouraria.

3. No caso das operações direcionadas, sugere maior transparência no cálculo do spread efetivo, na medida em que os bancos impõem uma série de contrapartidas.

4. Hoje em dia, os bancos incluem no cálculo do spread o custo da inadimplência. Essa medida os torna descuidados em relação aos riscos de carteira, segundo a matéria. A ideia seria tributar menos os bancos que estimem mais corretamente a inadimplência de suas carteiras.

http://www.google.com/notebook/public/03904464067865211657/BDSMJSwoQvaKil58k

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags: , ,

13 comentários para “O cálculo do spread bancário”

  1. Pedro MIranda disse:

    Com relação ao item “4″ porque os bancos não fazem uma declaração de ajuste anual sobre a inadimplencia? Caso o estimado tenha sido menor do que o real, deve-se tributar a parcela estimada a maior. Pronto! Eu não faço isso no meu salário?!

  2. Sérgio Lamarca disse:

    Nassif.

    Existem dois tipos de profissionais que agem como “corvos’ nas finanças públicas. São os diretores do BC e os da Receita Federal. Duas categorias que determinam as finanças do Brasil e dos brasileiros. Lembro o Czar da receita do governo FHC, o tal de Maciel (primo do ex-vice presidente) defendendo o arrocho fiscal. Ficaram quase 10 anos sem reajustar a tabela do IR. Hoje estamos pagando um valor absurdo de IR por causa disso. Do outro lado da linha a turma dos “espertos” do BC, com as artimanhas para benificiar os bancos, pagando – se rios de dinheiro nos juros dos títulos da divida interna. Vimos em 10 anos de governo do PSDB a maior transferência de renda já ocorrida no Brasil em sentido inverso (o da acumulação). Depois vão trabalhar (será que trabalham mesmo?) no conselho administrativo da maioria dos grandes bancos.
    Aí tem uma porção de “nó cego” que por preconceito ideológico acredita na turma do PSDB (deve ser pelo corte do terno, só pode ser). O uso da máquina pública para benefício privado (por exemplo: a fiscalização do IR ganhando por “produtividade”, ou seja, em cima do que “extorquir” do contribuínte). E essas operações compromissadas do BC, são escandalos encobertos pela grande imprensa devido somente ao lado “ideológico” dos donos dos jornais ser favorável ao grande capital. Podemos dizer que o arrocho fiscal em cima de todos os brasileiros é transferido por vasos comunicantes aos cofres dos bancos nesta manobra de elites que o nosso brilhante presidente da república nos seus 7 incompletos anos de governo não travou em momento nenhum.
    A falta de qualidade no uso do dinheiro público é compensada pela quantidade arrecadada de todo os 60 ou 70 milhões de contribuíntes durantes os últimos 20 anos. Quantas reformas agrárias, PACs, bolsas-familias poderiam ser financiadas com o uso adequado dos recursos arrecadados. Para o benefício do país, pois pagar impostos é nossa obrigação se quisermos um Brasil melhor, com distribuição de renda, com boas escolas e hospitais, vias públicas acessíveis, etc.
    Lembro sempre no Lima Barreto e a sua comparação da forma do país com um pernil. Pernil este que é diariamente delapidado por elites corruptas e atrasadas, nos últimos 500 anos.

  3. Edgar Khouri disse:

    Enfim uma medida séria que poderá reduzir a taxa de juros para o consumidor e para o empreendedor.

    Espero que não fique apenas na discussão no Senado.

  4. L@!r M@r+3$ disse:

    Ah, se toda a oposição fosse assim…

  5. Andre Araujo disse:

    Os banco estimam a inadimplência futura e com base nessa projeção constituem reservas no exercicio presente, como se a inadimplência fosse a estimada. Não é preciso dizer que a inadimplência futura mas já provisionada no presente é geralmente superestimada com enorme exagero. É a provisão que entra no custo do spread. E ela é muito maior que o necessário, porque o planejamento fiscal de cada banco usa o provisionamento como economia de impostos no presente. Com a superestimação da inadimplência consegue-se dois efeitos benéficos: infla-se o custo do crédito para justificar o spread e posterga-se a conta fiscal, que será calculada no futuro quando se apurar a inadimplência real.
    Enquanto isso o banco opera com a reserva inflada, que é um conta do passivo que aumenta o caixa para emprestar.
    O jogo é por demais conhecido mas todo mundo finge que não vê. O BC acha bom que o sistema tenha super=reservas. O fisco agora está mais vigilante com essa jogada financeira e começa a coibir o planejamento tributátio baseado na projeção da inadimplência. Mas os bancos brasileiros exageram no truque das superestimação da inadimplência até agora, o que acaba sendo usada como se fosse a inadimplência real para fins do calculo do spread.

  6. Carlos Antonio Marinho disse:

    De nada adianta baixar a taxa selic se não houver baixa proporcional das taxas de emprestimos às pessoas físicas e jurídicas. As taxas de juros básicos da economia não devem ser tão baixas que desestimulem a poupança, nem tão altas que inibam os negócios. O equilibrio entre o consumo e a produção também deve ser buscado, cabendo ao crédito promover não só os investimentos, quanto os gastos dos consumidores. Parece-nos que a crise econômica em curso, seja mais de solvência que de liquidez, indicando que o nivel do crédito está exagerado e a sociedade endividada em excesso. Se esse for o caso, as medidas tomadas pelos governos mundo afora estão erradas e no sentido contrário à solução da crise, quando fazem expandir o crédito para manter o consumo a qualquer custo. Melhor seria então deixar baixar o consumo com base no crédito e, partir de um novo ponto de equilibrio mais modesto, iniciar o processo de recuperação, estimulando a poupança e por conseguinte os novos investimentos, aí ja solidadamente fundados nos recursos de capital financeiro então disponíveis. Tudo indica que o nascedouro da crise atual se encontra no período excessivamente longo de juros extremamente baixos praticados pelo BC americano, estimulando a procura de derivativos com maior rendimento para os investidores de capital financeiro, o que comprovaria o acerto de nossa análise.

  7. Victor disse:

    O que é spread bancário?

    A diferença entre o custo de captação e o do empréstimo bancário.

  8. Não precisa ser gênio de harvard para observar alguma coisa!
    Dá uma olhada na página principal do IG, onde se lê: “Dívida Recorde” em uma das chamadas da página!
    Notei e fiquei espantado quando percebi que a ou o “SERASA”, descobriu isso, digo esse fato. É, realmente, impressionante! Que perspicácia? Essa é uma empresa de gênios, internacionais! Fantástico?
    Resposta ao Jereissati e pergunta ao mesmo tempo: Com 8,87% ao mês, sem os demais custos e atualizações pró-rata dia, não há o que fazer? – é isso? Que nome daremos a alguém que cobra esse tipo de juro/juros? Tem alguma sugestão?
    Vou tentar apresentar uma visão: a) Furto qualificado?b) Roubo?c) Cafetinagem compartilhada d) Manter o consumidor na MERDA sempre, usando o juro/juros como vício das drogas e) Manter cativos os nacionais e enfermos pelo “canabís” financeiro?
    Até quando? Vão continuar enrolando e mentindo para a população?.

  9. Juliano Guilherme disse:

    Acrescentando ao comentário do Ricardo Santa Maria: F) Agiotagem institucionalizada. Não vejo em que o sistema financeiro seja mais regulado do que um agiota, cuja norma é: Os juros são esses porque eu digo que são, e fim de papo.
    Mas realmente fico surprêso, no bom sentido, ao ver que tal iiciativa partiu da oposição. Finalmente resolveram fazer algo em favor do cidadão. Deve ser já seguindo o conselho do neurolinguista americano. Que deve ter sido de propor medidas positivas e não só CPIs inúteis e escandalosas. Mas esse conselho eu daria, cobrando muito mais barato

  10. Gustavo disse:

    Afinal o BC trapalha para quem?

  11. Oi, Juliano Guilherme, Boa Tarde!
    Obrigado pelo acréscimo da letra F) agiotagem institucionalizada, muito apropriado!
    Acho que deveríamos fazer uma campanha para o JURO/JUROS no Brasil!

    “LEVE GRANA PARA PRODUZIR – TUDO POR 0,99% AO MÊS” – de brinde: sem mais taxas, sem contrapartidas e sem correção monetária.

    Compromisso das “CASAS BANCÁRIAS”. Agradecemos se reinvestir conosco parte de seus lucros!

    Será que veremos algo parecido um dia? Estou alucinando demais?

    até…

  12. Ferruccio disse:

    Nassif,
    Me aventuro a fazer comentários numa área em que não sou especialista.

    Acredito que a discussão sobre o spread bancário é uma tentativa de desviar a discussão do verdadeiro problema: a falta de concorrência no setor bancário, causa dos juros elevados.

    Mesmo que fique comprovado que o spread bancário é maior do que os bancos admitem, o que pode resultar dessa comprovação?

    O que o BC poderia fazer para forçar os bancos a reduzir os juros? Já vimos que não adianta baixar a SELIC (reduzindo o custo de captação) nem o depósito compulsório. Os bancos não reduzem o juro.

    E porque haveriam de reduzir? A troco de que? Perder renda? Ganhar mais clientes? Mas num setor oligopolizado, os bancos já devem ter feito o cálculo de que abaixar juros para ganhar mais clientes não aumenta a renda.

    Me parece que a única forma de baixar os juros é aumentar a concorrência do setor bancário (mas parece que a tendência é maior concentração bancária: vide fusão Itaú/Unibanco).

  13. Fábio disse:

    O compulsório no Brasil é muito alto. Não tem o menor sentido manter um compulsório tão alto em momento de inflação, relativamente, controlada.
    Desde a implantação do Plano Real, com a consequente queda da superinflação, diversos economistas estão defendendo a redução do compulsório.
    O professor Márcio da PUC-RJ é um deles.
    Abaixo o compulsório!

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