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17/06/2009 - 15:59

As denúncias contra Sarney

Confesso um profundo desânimo de escrever sobre os empregos dos familiares do presidente do Senado José Sarney.

Há três anos escrevi longamente sobre a venda da Cemar – Centrais Elétricas do Maranhão – para fundos de investimentos aliados a Fernando Sarney. A empresa estava sendo recuperada, por uma intervenção da ANEEL. O GP adquiriu o fundo simplesmente conseguindo que a Eletrobras renegociasse o passivo em boas condições. Um escândalo maiúsculo, sem a menor repercussão porque não havia interesse, naquele momento, em instrumentalizar a denúncia.

Meses atrás, quando estourou o caso Gautama, era evidente a ligação da empreiteira com a família Sarney. A mídia em geral atacou o governador Jackson Lago. Eu o defendi. Não saiu uma linha sobre Sarney. Depois, quando Sarney foi eleito presidente do Senado, desencavaram o tema por uma questão de conveniência política.

Quando começou o processo de cassação do Lago, fiz nova defesa aqui – ao lado de outros blogs independentes. O esquema Sarney em São Luiz espalhou que estava sendo financiado pelas verbas da Secretaria de Comunicação do Jackson Lago. Quando Roseana assumiu, escancarou as verbas e um valor imenso tinha sido aplicado, mas nos grandes veículos, visando reduzir as críticas. Não houve retificação das insinuações lançadas.

Tenho um largo histórico de conflitos com o esquema Sarney. Na verdade, desde o Plano Cruzado, quando o consultor geral Saulo Ramos, um grande espertalhão, editou um segundo decreto do Cruzado para permitir a sobrevida da indústria das liquidações extrajudiciais e das concordatas – das quais ele, como advogado, sempre fora grande beneficiário.

Acompanhei as estripulias do Edemar Cid Ferreira, protegido de Sarney, assim como as concessões distribuídas a Mathias Machline, Abril, Objetivo. Graças a Sarney ganhei um Prêmio Esso em 1987, denunciando-o, e fui rifado pela Folha pouco tempo depois e por razões bem sólidas, que garantiram a Sarney a gratidão do jornal e espaço vitalício como seu colunista.

Por tudo isso, considero Sarney o maior representante do que de mais atrasado existe na política nacional. Mas considero esse jogo de denúncias seletivas uma ampla manipulação. Usa-se a denúncia como ferramenta política apenas, jamais como instrumento de aprimoramento político.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Eleições, Política Tags: ,

143 comentários para “As denúncias contra Sarney”

  1. Cabocla disse:

    Como disse o Zé Simão, além dos salários de fantasmas, está na hora do Sarney devolver o Maranhão ao país hehehehe

  2. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Piki,
    No seu comentário enviado em 17/06/2009 às 16:02 você diz que José Sarney manda e desmanda no setor elétrico há tanto tempo. Por pior que seja o ex-presidente José Sarney se ele tivesse mandado e desmandado no setor elétrico durante o governo FHC não teria ocorrido o apagão. Ele pode até ser acusado de incompetente, mas a incompetência dele não chega a tanto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 17/06/2009

  3. Garganta Produnda disse:

    Quer ir atras de um escandalo verdadeiro e relevante envolvendo a familia Sarney, Senado e emprestimos consignados?

    Investigue a Sarcris. Empresa de Adriano Sarney (Sarney Neto, Filho de Zequinha)

    Financeira miraculosa, administrada por quem nada entende de financas. Ajduada pelo HSCBC e convenios com o Senado

    Follow the money….

    http://www.sarcris.com.br/

  4. priscila maria presotto disse:

    Há muito tempo CC tem denunciado a dinastia Sarney.

  5. Alberto disse:

    Parabens Nassif, gostei dos comentarios.
    Porém acho que ficou faltando so uma coisa. E a culpa nosso como eleitores……….O que o povo do Maranha e Amapa tem a dizer sobre isto. Me desculpem, nao é nenhum tipo de preconceito contra estes estados, mas ta na hora de assumirmos nossas culpas como eleitores. O Sarney esta no poder ha anos e agora conseguiu colocar sua filha, que ja esta mandando e desmandando no estado. E o povo…….
    Acho que politicos bons e ruins, fazem parte da historia politica de todas as sociedades, mas estes caciques politicos, ja esta mais do que na hora de acabar com todos eles. Ainda bem, salvo engano, o Sarney é o ultimo grande e velho cacique remanescente do “coronelismo”. Os outros ou já morreram de fato (ACM) ou morreram politicamente (Jader Barbalho, Maluf)

  6. Martin disse:

    …..O Sistema Político é PODRE !

    Querem prova melhor do que isso: o Lula apoiar esse pilantra ?

    É porque a “governabilidade” só se conquista com “ALIADOS” !

    E é óbvio que o Sarney sabe detalhes do mensalão, do Lulinha, e da gratidão do Lula aos seus colaboradores de campanha…

    ( Vide => http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/537/artigo70289-1.htm )

    Para os “ALIADOS” , sobram favores e FALTA a ÉTICA !!

    O Lula vem sendo o MENOS PIOR, apenas isso…

    Já se transformou em OUTRA PESSOA… Está LONGE de ser aquele deputado que alertou o país de que haviam “MAIS DE 300 PICARETAS NO CONGRESSO NACIONAL…(1993)”

    SOLUÇÃO:

    Criação de um FILTRO POLÍTICO para DEPUTADOS ESTADUAIS, FEDERAIS & SENADORES, selecionando verdadeiros brasileiros, que sejam aptos para o trabalho de legislar guiados apenas pelo nacionalismo, a busca pela justiça e o bem comum.

    Essa seleção adviria de CONCURSO PÚBLICO, gerando ESTABILIDADE sim, mas associada ao ENDURECIMENTO das LEIS Anti-Corrupção:

    -Acabaria com o Político-Empresário (esses novos políticos, advindos de CONCURSO, seriam proibidos de serem sócios de empresa comercial);
    -Revisaria o Foro-Privilegiado para os Crimes do Colarinho Branco;
    -Enquadraria como CRIME HEDIONDO os delitos de Desvio de Verba Pública, Formação de Quadrilha, Lavagem de Dinheiro e Corrupção Ativa…

    Em nível MUNICIPAL, os vereadores de cidades pequenas e médias seriam simplesmente indicados por suas Associações Comunitárias ou Entidades Sindicais, aos quais teriam a HONRA de representar, 1 vez por semana na Câmara Municipal, pela quantia simbólica de 1 salário mínimo.

    Barão de Itararé (ou foi Stanislaw Ponte Preta?) cunhou a frase que ficou famosa: “Ou nos locupletamos todos, os restaure-se a moralidade”

    O que os senhores (Sarney & Lula) acham disso ??

    Att.

    Martin

  7. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Luis Nassif,
    Esqueci de mencionar no comentário enviado em 17/0/2009 às 18:29 que por pior que seja tudo que o Sarney pode ter causado de ruim às finanças públicas brasileiras nada se compara ao representante de São Paulo que produziu a Lei Complementar 87/86 e que trouxe a desoneração das exportações de produtos primários e semielaborados, ou à Fiesp que financiou a não prorrogação da CPMF. Longe deles, José Sarney é vanguarda.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 17/06/2009

  8. Para solucionar o caso: SÓ COM O “VOTO FACULTATIVO”.
    O Brasil é muito grande territorialmente. Esse grupelho que convive em Brasília sabe disso. Num país com extensão territorial tão imensa e diferentes momentos de compreensão e da compreensão de nossa atualidade, só O VOTO FACULTATIVO, ajudará regionalmente.
    Apesar da penetração dos meios de comunicação em quase todos os locais da Brasil, a leitura feita é diferente, até por razões de interesses e necessidades completamente outras.
    Com o “VOTO FACULTATIVO” estou convencido de que só caminharão para as urnas eleitorais, os eleitores/as que estiverem convencidos de que seus representantes locais atenderão seus interesses. Dessa maneira, não obrigatória, a responsabilidade do eleitor/a, será muito maior, eficaz, eficiente e com forte lembrança do que fez, em quem votou, o que foi prometido e a fiscalização será muito maior. O “VOTO FACULTATIVO” obriga mais que o voto obrigatório. E vale para todos: Pretendente candidatos/as e desejosos eleitores/as.
    Atualmente, por ser obrigatório punitivo e limitador de direitos civis, além de pecuniário, votam por e para escapar dos atributos referidos. Uma das razões do esquecimento de quem e por que votou.
    Mudando-se a regra atual para o “VOTO FACULTATIVO”, significará que: a) O pretendente ao exercício do cargo de político deverá convencer o eleitor/a de maneira concreta, pois do contrário, o eleitor/a não vai votar.
    b) O eleitor/a ao ir votar “LIVREMENTE” através do “VOTO FACULTATIVO” no pretendente ao exercício do cargo político, e agora sim, ir votar por acreditar nas promessas e convencimento da concretude da idéias do pretendente candidato, saberá cobrar e lembrar-se-á, da cara, do jeito, do que foi falado, prometido, pois é responsável pela sua “LIVRE”, agora sim, escolha do político/a.
    c) A repercussão “local” de tal fato, de forma regionalizada, implicará até, na postura do atual, troca-troca de partido. Como? um candidato promete aos eleitores/as, uma postura ideológica, pois está vinculado ao partido e sua ideologia e depois muda, isso representará uma traição ao voto recebido e com certeza o eleitor/a, sairá cobrando por essa mentira eleitoreira.
    d) Todos os políticos premiados com o voto deverão a cada ano, explicar aos eleitores a evolução, atingimento, negação, adiamento ou sucesso, de suas atuações parlamentares, nas regiões em que foram eleitos, e, em PRAÇA PÚBLICA! Esse em Praça Pública pode ser um campo de futebol ou um estádio. Com direito a perguntas e respostas. Bom início para o verdadeiro exercício da democracia! Poderíamos chamar de SEMANA OU QUINZENA DEMOCRÁTICA JUNTO AO POVO (ELEITOR/A).
    Fariam parte e seriam argüidos, 1 – Governador/a 2 – Prefeito/a 3 – Deputados/as Estaduais 4 – Vereadores/as 5 – Eleitores/as sorteados entre os votantes das referidas regiões e de forma equilibrada por macro-regiões, que fariam perguntas referentes aos problemas locais existentes e suas eventuais já, soluções ou não e para quando.
    e) A pauta de prioridades seria estabelecida antecipadamente e em cada dia dessa semana, ou quinzena democrática, um dos elencados acima, prestaria e seria cobrado por esclarecimentos e ações. As já realizadas e as por realizar.
    Cada estado da federação adaptaria ao seu local! Desde que, sempre uma vez ao ano.
    Esse movimento de interação e integração dará muito mais legitimidade democrática do que a existente hoje.
    Os representantes locais, de posse das necessidades e intenções, às conduzirão até o federal e aí, cumprirão as determinações recebidas localmente. E lutarão para o seu mais rápido cumprimento.
    f) Senadores e deputados federais precisam ser substancialmente reduzidos em quantidade. Há um exagero de gente que não faz “ABSOLUTAMENTE NADA”.
    Essa idéia é ainda rudimentar, entretanto insisto que precisamos urgentemente, mudar essa maneira de condução do país por parte de nossos EMPREGADOS. Estão muito folgados, prepotentes, imbecilizados e muitos, já fossilizados.
    Não sei exatamente, tudo o que precisa ser feito, porém uma mudança radical é necessária.
    Considero este momento muito positivo! Todas as mazelas atuais podem ser resolvidas, necessário afastar o que se considera pré-história ELEITORAL hoje vigente.
    Este país precisa explodir em sua grandeza territorial e grandeza de sua gente, que somos todos nós. Do jeito que está continuaremos no “ATRASO” e sendo espoliados por espertalhões como os já conhecidos e decantados.
    Como poderíamos fazer um caminhar nesse sentido da mudança?
    Quais outras sugestões poderiam ser implantadas e implementadas?
    Quando deixarão de ser ridiculamente mesquinho-tímidos os atuais presumíveis lideres, se é que os temos em nosso meio?
    Quais projetos de Brasil e onde estão esses projetos para avaliação da sociedade? Em qual gaveta? De qual sala com ar condicionado, para não apodrecer?
    Quando é que esses pretensos e presumíveis líderes vão jogar o jogo para ganhar? Ganharmos Todos?
    O salto de qualidade precisa ser dado já! Quem: dos almofadinhas, sobreviventes, em ar condicionado, nos estados e em brasília, apresentarão esse ou esses planos e projetos ao País, Brasil?
    Bem, vou ficando por aqui.
    Boa sorte para nós. Tchau…
    Idéias: a) VOTO FACULTATIVO b) STF MINISTROS FICAM NO MÁXIMO 8 (OITO) ANOS NO CARGO e depois TROCAM TODOS c) REDUÇÃO DO NÚMERO DE DEPUTADOS FEDERAIS E SENADORES, POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO d) INTERNET COMPLETAMENTE LIVRE E REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES LIVRE, E-MAIL’S LIVRES e) PRIORIZAR O CONCEITO E APLICAÇÃO DE MEIO-AMBIENTE PARA TODA AS AÇÕES. f) OBRIGATÓRIA A APRESENTAÇÃO DE CONTAS ANUAIS POR PARTE DOS EMPREGADOS POLÍTICOS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS. g) MAIS INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO E PESQUISA NAS UNIVERSIDADES E MAIS LABORATÓRIOS, IDEM NO SEGUNDO GRAU TÉCNICO E NORMAL h) CRIAÇÃO COM INCENTIVOS EM TODO O PAÍS DE FEIRAS DE CIÊNCIAS COM APRESENTAÇÃO DE PROJETOS PRONTOS E EM ANDAMENTO i) INCENTIVAR QUE INDÚSTRIAS PARTICIPEM EM CONJUNTO COM UNIVERSIDADES E SEGUNDO GRAUS DOS PLANOS E PROJETOS CIENTÍFICOS j) EXIGIR PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO APLICADO POR PARTE DOS ESTUDANTES, PROFESSORES. k) EXECUTAR OBRAS NOS ESTADOS MAIS PRIORITÁRIOS E EFETIVAMENTE FAZÊ-LAS.
    É chegado o momento de abandonar o bonde e embarcar no TREM BALA!
    l) Por falar em TREM BALA, que tal integrar o norte e nordeste com ramificações utilizando como transporte o TREM de Média e Alta Velocidade! Isso valeria inclusive para o grande amazonas. Baixa poluição, deslocamento rápido e grande quantidade de pessoas de uma vez.
    Até a próxima…

  9. a_Eli disse:

    Saiu no Observatório da Imprensa há 2 meses e meio atrás…

    ”JORNALISMO POLÍTICO
    Uma barriga e muitos vazamentos

    Por Luiz Antonio Magalhães em 1/4/2009

    O distinto público anda até meio atordoado com a cobertura da imprensa brasileira sobre o cenário político do país. Dia sim, dia não, tem denúncia nova saindo do forno. O cardápio anda variado, tem para todos os gostos: deputado democrata usa verba de gabinete para pagar a faxineira; dez partidos políticos levam uma boa graninha de empreiteiros, intermediados pela Fiesp, que ficam discutindo como mandar a “tulipa”, se era para fazer a coisa “por dentro” ou “por fora”; um nobre senador filiado ao PT empresta o telefone celular funcional para a filhota viajar ao exterior; tudo isto sem falar dos cento e tantos diretores para assuntos aleatórios do Senado Federal ou na inacreditável história da filha de um ex-presidente, contratada por outro senador, este integrante do DEM, que revela não dar expediente no gabinete do parlamentar e confessa, até com certo deboche, não saber se recebeu horas extras pelos dias (não) trabalhados durante o recesso legislativo.

    Foi lama demais em período tão curto. Se é possível estabelecer um marco inicial na nova onda de corrupção que assola o Brasil (ou não é isto que todos estamos assistindo na televisão, ouvindo nas rádios e lendo nos jornais?), a coisa começou depois que o ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP) assumiu o comando do Senado Federal. Não, não deu tempo para Sarney aprontar todas as falcatruas que vem sendo divulgadas, o descaminho parece ser mais antigo. De toda forma, depois que Sarney sentou na cadeira antes ocupada pelo discreto Garibaldi Alves (PMDB-RN), o bicho pegou.

    Este Observatório não trata de análise política, portanto a relação de causalidade entre a nova onda denuncista e a posse de Sarney fica para outro artigo, em outro veículo, pois o que realmente importa aqui é tentar perceber se a imprensa está ou não fazendo um bom trabalho na cobertura dos recentes episódios. E não é fácil mensurar a qualidade do que vem sendo apresentado ao público. Antes de tudo, é evidente que quanto mais informação houver sobre o que é feito com o dinheiro público, melhor. Mas exigir apenas isto da imprensa é muito pouco. Senão, vejamos.

    O caso Luciana Cardoso

    Grosso modo, as histórias escabrosas que estão aparecendo na mídia são fruto de denúncias de partes envolvidas no processo e há muito pouca apuração dos jornalistas nas matérias apresentadas nos veículos impressos, telejornais e noticiário radiofônico. Pelo que é possível perceber até aqui, as acusações chegam redondas aos repórteres e editores. Há, evidentemente, uma checagem básica sobre o teor da acusação e então o escândalo do dia está prontinho para o deleite do público. Sem contextualização alguma, sem indicação dos interesses da fonte que denunciou, enfim, sem maiores investimentos dos órgãos de comunicação em explicar o que está por trás de tanta falcatrua.

    Antes de analisar mais de perto o problema, cabe logo apontar a honrosa exceção ao desleixo geral: no episódio envolvendo Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique, que trabalha para o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, fez exatamente o que manda o figurino: de posse da denúncia de que a moça era absenteísta, a repórter ligou para o gabinete por três dias consecutivos, verificou que de fato Luciana não frequentava o local e por fim conseguiu falar com a denunciada após a ligação ser transferida para o telefone da casa dela, Luciana. Fez uma excelente entrevista, publicada na sexta-feira (27/3), com destaque, na coluna que leva o nome da jornalista, na página 2 do caderno “Ilustrada”. No fundo, Mônica expôs ao ridículo a filha de Cardoso e provou que não tem medo da cara feia do pai da moça. Jornalistas não devem mesmo ter medo da cara feia de ninguém.

    Nos demais casos, há pouco a comemorar no comportamento da imprensa. Os episódios envolvendo os diretores do Senado ou as horas extras recebidas durante o recesso parlamentar só apareceram porque gente com bala na agulha e algum interesse em espalhar a fedentina resolveu botar a boca no trombone. Não é possível, como bem lembrou Alberto Dines em seu comentário para o programa radiofônico do OI de segunda-feira (30/3), que os repórteres que há anos freqüentam o Congresso nunca tenham percebido a fila diária de funcionários no início da noite para bater o ponto e receber as horas extras na Câmara, ou simplesmente não soubessem o número de diretores que tinha o Senado Federal.

    Versão fajuta

    Os vazamentos de informações sigilosas de inquéritos da Polícia Federal também têm marcado a cobertura da Operação Castelo de Areia. O grande problema é que o vazamento tem sido seletivo. Inicialmente, da lista de partidos que receberam doações da empreiteira Camargo Corrêa, investigada na operação, não constava o PT. Segundo reportagem do Jornal Nacional de segunda-feira (30/3), o partido também está citado no relatório da operação, ao lado do PV e PTB, que também não foram acusados inicialmente.

    Evidentemente, os jornalistas não têm poder divinatório e não poderiam escrever, como fez, erroneamente, a Folha Online, na semana passada, que os petistas também estavam sendo investigados. Coisa muito mais simples e ao alcance de qualquer cidadão, porém, é pesquisar no site do Tribunal Superior Eleitoral as doações feitas pelas empreiteiras em campanhas passadas – ajuda a entender o contexto e revela que as empresas do setor financiam praticamente todos os partidos políticos brasileiros, sem distinção ideológica. Muito concentrados em seguir a apuração policial, os jornais, emissoras de televisão e rádio acabam oferecendo pouca informação analítica, do tipo que realmente ajuda o público a entender melhor o que está em curso.

    No caso da Operação Castelo de Areia, especificamente, o jornal O Estado de S.Paulo teve a infelicidade de publicar, na sexta-feira (27/3) matéria “informando” que o presidente Lula teria “convencido” o criminalista Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, a entrar no caso em defesa da Camargo Corrêa. O problema é que na reportagem em questão, como bem observou o blogueiro Luiz Weis, neste Observatório (”A falta que fazem os goleiros”), não havia uma única linha que confirmasse a “informação” do título.

    Sim, Bastos esteve por cinco minutos com o presidente dois dias antes de a matéria ser publicada, tomou um café, cumprimentou o ex-chefe e foi cuidar da vida. Confirmou o encontro ao jornal e negou ter recebido qualquer pedido de Lula. A explicação mais simples, de que a Camargo Corrêa, encrencada que está, tenha decidido contratar um dos melhores, senão o melhor criminalista do país, certamente não passou pela cabeça de quem escreveu a reportagem. Não, foi mesmo o Lula que chamou Bastos… para defender o DEM e o PSDB, inclusive. E, como bem assinalou Weis, pode até ser que o presidente tenha mesmo conversado com Bastos sobre o caso, mas não havia nada na reportagem do Estadão que autorizasse tal versão. Barriga, não das piores, mas barriga.

    Manipulações a rodo

    Tudo somado, o que está faltando na cobertura desses eventos é a capacidade de contar uma história com começo, meio e fim, que faça algum sentido. É evidente que existe uma disputa política por trás de tudo que está aparecendo na imprensa. Luciana Cardoso é funcionária de Heráclito Fortes há seis anos, a empregada doméstica (já exonerada) que recebia seus proventos pelo gabinete do deputado Alberto Fraga (DEM-DF) limpava a casa do parlamentar fazia pelo menos quatro anos, as filas pela hora extra não começaram ontem, nem os 180 diretores do Senado foram nomeados agora por José Sarney.

    Em Brasília, todo mundo sabe de tudo, mas o que aparece nos jornais e nas telas da televisão depende da vontade de alguns em contar o que sabem, muito mais do que da disposição investigativa dos órgãos de comunicação. E quando alguém conta uma história cabeluda, algum interesse está em jogo.

    O grande problema do jornalismo político praticado no Brasil é que muitas vezes os veículos, que também têm lá os seus interesses e as suas preferências ideológicas, preferem deixar o público no escuro e iluminar apenas as acusações e denúncias que lhes convêm, abrindo caminho a toda sorte de manipulação de informação. O que realmente se passa, o pobre leitor só vai saber muitos anos depois, nos bons livros de história.”

  10. Gabriel Sitônio disse:

    O nome do filme/documentário é “Entreatos” mostra os últimos 30 dias da eleição de 2002 com Lula/Serra e tem uma passagem no filme que Lula defende Sarney. Lula falou que via Sarney mudado entre outras coisas.

  11. Raimundo Costa disse:

    Concordo plenamente com o escrito pelo Nassif. Acho tambem que o presidente Lula ao elogiar Sarney, mostrou o quanto e refem deste congresso. Nada do governo passa sem a concordancia dos caciques no congresso nacional. O cancro nacional é o congresso, e isto é uma pena!!

  12. jose disse:

    PARA UM BRASIL DECENTE E JUSTO

    I-Sem reforma politica tudo continuara igual .

    A proposta basica deveria nortear-se pelas seguintes premissas:

    1-Acabar com o Senado
    2-Um deputado federal par cdum milha de habitantes proporcional por estado.
    3-Repete-se nos estados e municipios a mesma relacao ,ou seja 1 deputado estaual por milhao de habitantes do estado e 1 vereador por milhao nos municipios.
    4- Para os municipios com menos um milhao de habitantes formar-se-ia um conselho municipal com 6 membros rpresentativos a ociedad local,sem rmuneracao.
    5-Revisao da criacao desordenada de varios municipios .Somnte serao consideados municipios oseconomicamnte viaveis .
    6-Qualquer caso de corrupcao,nepotismo,malversacao do dinheiro publico apurado pela pela justica-perda para sempre do mandato.

    II- Reforma juridica
    1-Extincao das varias instancias e tribunais ( STF,TST,etc…)
    2- Revisao da legislacao trabalhista.

    III- Reforma Fiscal eTributaria

    IV-Reforma Agraria

  13. Nagibe de Melo Jorge disse:

    Nassif,

    Parabéns pelo seu trabalho e por sua coerência.

    Um abraço,

    Nagibe

  14. Silas W. S. Chaves disse:

    Este Sarney é um verdadeiro muçum: liso que só ele! Com essa história de que antiguidade na atividade parlamentar torna o indivíduo imune ao julgamento do povo ele pretende confundir a opinião pública. O Estatuto do Idoso não isenta nenhum dos objetos de sua proteção de ser julgado; da mesma forma a idade de Sarney não o isenta do correto julgamento que a sociedade lhe faz hoje. Sua pretensa biografia de “salvador da pátria” (quem não te conhece que te compre!) é um daqueles mitos tão bem construídos que conseguem durar um tempo considerável. Aliás de fabricação de mitos a família Sarney entende muito bem; é só verificar as pautas do sistema de comunicação deles.
    Meu pai dizia que mais depressa se pega um mentiroso do que um coxo. Pegaram o Sarney! Pegaram um Sarney que exige respeito do povo brasileiro. Ora, Senador Sarney, respeito não se exige, conquista-se e, se, conquistado, é necessário mante-lo.
    Portanto, o Sarney ao invés de teatralizar choramingando (além de péssimo escritor é também péssimo ator dramático) deveria renunciar à presidencia do Senado, renunciar ao mandato de senador e, em seguida, já que não temos por aqui aquelas soluções orientais para políticos que se envolvem em falcatruas, preaticar um harakiri literário: jamais escrever nada, contendando-se em tomar chá na Academia Brasileira de Letras e pedir um lugar no humorístico Zorra Total no qual todo sábado repetiria o discurso que fez terça-feira no Senado; o sucesso é garantido. Arrancará gargalhadas do Brasil!

  15. andrei barros correia disse:

    O mais belo espetáculo proporcionado por José Sarney foi aquele de 1989, quando se comemoraram os 200 anos da revolução francesa.

    Alugou-se um DC-10-30 da Varig e puseram-se a bordo cento e trinta pessoas. A maior de quantas comitivas foram a Paris.

    Eis que a trupe brasileira queria porque queria abrir as Galerias Lafaytte no domingo. Certamente, fariam umas comprinhas, meteriam tudo no espaçoso avião e fariam um belo free shopping.

    Delicioso espetáculo de provincianismo tresloucado, curiosamente patrocinado pelo autor do grande Marimbondos de Fogo.

  16. eliseo disse:

    Concordo com o seu comentário, agora, nenhuma frase sobre a declaração do nosso guia de que o Sarney não é uma pessoa comum????

  17. Zioprati disse:

    Marimbondos de Fogo ?
    Estariam todos alcoolizados?

  18. Stanley Burburinho disse:

    Todos os desafetos do Serra que estão em cargos estratégicos serão atacados pela chamada grande imprensa. Aliás, o próprio Sarney já disse isso.

    Esse Sarney não é nenhum santo. Tudo tem que ser apurado.

    Mas, me lembro que os ataques ao Sarney pela imprensa surgiram no dia seguinte da posse dele. Da mesma forma como o “caos aéreo” sumiu das notícias no dia seguinte que o Jobim tomou posse na defesa.

  19. Zilda disse:

    Concordo com você, Nassif. Dá desânimo acompanhar essas denúncias, não por discordar que sejam feitas. Mas por perceber que não há interesse, de quem denuncia, em esclarecer, em educar. As informações são jogadas e desmoraliza a todos indistintamente.
    Como cidadã brasileira fico muito mais preocupada – tendo em vista que para fiscalizar os atos dos políticos em atividade parlamentar ou executiva exisem instituições próprias – com a corrupção que permeia a sociedade, perpetrada pelo cidadão comum. Está ficando uma coisa horrorosa! O cinismo está tomando conta da sociedade. E o que se faz com isso? Só o “mau exemplo que vem de cima” não é suficiente para explicar a bandalheira que está circulando por aí. A quem devemos recorrer se o setor que deveria ajudar nessa tarefa – mídia, inclusive alguns blogs – está deseducando tb.

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