O jogo político da Cultura
Ficou difícil essa discussão sobre os critérios da Lei Rouanet, depois da decisão do Ministro da Cultura Juca Ferreira, em rever a decisão da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), de vetar projeto de R$ 2 mi para a temporada de Caetano Velloso de lançamento de seu CD.
A lógica da CNIC deveria ser a do Ministério:
1. Shows comercialmente viáveis não devem ser incentivados. Caetano é, graças a seu talento.
2. Não deve haver concentração de verbas no centro-sul. Caetano é um artista do centro-sul, seus shows serão majoritariamente no centro-sul.
A partir daí, como fica? Na entrevista da Folha, foram apresentados a ele quatro projetos que tiveram o patrocínio negado: as peças “Peter Pan” e “Miss Saigon”, e exposições como “Leonardo da Vinci” e “Corpo Humano”.
Ele não discute os critérios. Mas defende a revogação do veto à Maria Bethania, argumentando que Ivete Sangalo – que é um sucesso comercial maior – teve seu projeto aprovado.
Completa a entrevista desastrosa com essa declaração:
Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá. Um artista conhecido pode ter dificuldade de conseguir patrocínio para uma obra experimental, ou pode ser do interesse público abaixar os preços de um espetáculo popular.
Espetáculo popular no Credicard Hall é dose.
De qualquer modo, Juca deixa transparecer uma suspeita política, a de que a decisão do CNIC visou jogar artistas consagrados contra as mudanças na lei Rouanet. É possível. A própria exclusão de Maria Bethania e a inclusão de Ivete Sangalo mostra um jogo difícil de ser compreendido.
Mesmo assim, ficadevendo explicações mais claras, inclusive sobre o tal jogo da CNIC.
Se a intenção do CNIC foi desgastar as mudanças, conseguiu.
Copie e cole para ler a íntegra da entrevista.
http://www.google.com/notebook/public/03904464067865211657/BDRItSwoQuKXcy50k
Autor: luisnassif - Categoria(s): Cultura, Sem categoria Tags: Caetano Velloso, Cultura, Juca Ferreira, Lei Rouanet

[...] * acompanhe a discussão no blog do Nassif. [...]
[...] jornalista Luis Nassif publicou, em seu blog, artigo criticando o Ministério da Cultura pela aprovação da turnê Zii e Zie, do músico Caetano Veloso, na Lei [...]
Como diria um amigo, sem citar nomes …. É UMA VERGONHA …
sou produtor de sp, realizamos eventos ligados a rouanet e icms aqui, e são vetados projetos no vlr de 350 mil a escolas carentes municpias, sendo livros, teatros, sempre na tiragem de 20 mil livros …. ou 50 peças, e sempre tem vetos, sem pareceres coerentes ….
agora, para encher o …. de gente q tem verba e de sobra, q fica na iloha de caras e depois entrevistado pelo Amaury, mauhhauuha, o Juca aprova …
“o Juca é uma vergonha,.. eu tenho vergonha + ainda de quem pois ele ai no Ministério”
A linguagem é chula, as rimas de rua, mas essa critica da banda Os Tropeçalistas (última banda de Zé Rodrix com a galera do Clube Caiubi) para mim diz tudo sobre a distãncia que existe entre nossa indústria cultural e seu parasita emblemático e o público que devia ser beneficiado pela lei Rouanet:
Eu Odeio Caetano Veloso.com.br
“Se liga mano, empapucei de tantos Caetanos
que merda é essa de odara, cara?
Tem sempre um fulano que lembra beltrano
que lembra sicrano que lembra o fulano
MPB seja o que seja me dá brotoeja,
alergia, fobia.
Eu piro é na periferia no pirão da periferia
no skate, no scratch na pick up, no grafite
na pipa, no pivete, no PF,
no pingado de padaria
no Capão, no Taboao, na ZN no Hermelino,
chora menino
Estrada das lagrimas MP Mirim
naquele dia o sol ardia
e acho que só chovia em mim
Eu odeio Caetano Veloso
ponto com ponto BR
4x
Eu sei é foda não da pra inventar a roda
nada de novo no seu dial
Sempre a mesma bossa
a mesma praça, a mesma fossa
tudo assim, meio plimplim
igual padrão global
Big MacMusic
não precisa tempero, nem açúcar nem sal
só tem que ter nome, tem que ter sobrenome
tem que ter pedigree e eu que nem (sou)
filho do homi
nem amigo do amigo
só digo na veia, na lata e coragem
novo fuxico
não por desfeita, já sei de cor
a gangrena da engrenagem
eu sei de cor a dor da receita
Big Mac Music
Um banquinho um violão
blábláblá e pretensão
Big Mac Music
leite condensado, caramelizado
Dois hamburguers num pão
com gergelim
naquele dia o sol ardia
e acho que só chovia em mim
Eu odeio Caetano Veloso
ponto com ponto BR
4x
se liga Zé qualé
qualé cola na minha
já dizia o tal de Chacrinha
Eu vim aqui pra confundir
pra detonar, barbarizar
pra implodir
pra vaiar da geral
pra cuspir no festival
Tchau Mano Tchao
Hay governo soy contra
tal Mano Brown
paredão com as baratas tontas
Viva a anarquia Viva a pirataria
essa canção é de liquidação
E um real, um real, um real
um real, um real,
é fim de feira saldão, é do fundão
é fora de freqüência
é fim de feira saldão, é do fundão
é da resistência
E MD anti Karaoke fora do tom,
Armagedon Arroba ponto com,
CALMA
Meia noite levarei sua alma
CALMA
Quem não deve não teme
essa canção é de liquidação
se tem refrão é pra tocar na FM
O mercado gosta
o júri acha uma bosta
E adormece de pé
sem cabeça, enfim…
naquele dia o sol ardia
e acho que só chovia em mim
Eu odeio Caetano Veloso
ponto com ponto BR
4x
Se a MPB morreu, foda-se
antes ela do que eu.
As viúvas que a enterrem…”
Para ouvir, se liguem no Caipirinha Appreciation Society , 4 anos divulgando a música brasileira além dos clichês pelo mundo afora – SEM MAMAR NA LEI ROUANET.
2 mi para Caetano… dinheiro publico é dado investido?
Qual o retorno para o Minc continuar apoiando artistas (nao necessariamente) mal sucedidos?
o ser sucedido ou nao (salvo artistas muito mediocres) é questão de meios.
Se os artistas mal sucedidos tiverem os mesmos meios de Caetano continuariam a ser mal sucedidos?
du-vi-de-o-dó
quanta mediocridade aparece como talentosa somente porque tem dinheiro, agencia de marketing por tràs, amigos o e outras bruzundangas que abundam no mundo da arte
A nova receita do MinC para equilibrar a concentração dos recursos na região sul e sudeste talvez esteja sendo deflagrada no âmbito da CNIC. O Ministro vem se posicionando de forma contrária a toda e qualquer utilização da cultura brasileira pela indústria e pelo mercado. Mas, como ele não é Madre Tereza (ele próprio diz), costuma agir de forma diferenciada quando essas manifestações vem do seu reduto eleitoreiro. Foi isso que ele demonstrou após aprovação do projeto de Lei Rouanet da turnê do músico Caetano Veloso.
Depois de causar polêmica com o pífio Profic, defendendo algo que todos que entendem do funcionamento do mecanismo sabemos ser possível controlar e aprimorar apenas com uma boa gestão, o MinC arregaça a manga e resolve praticar suas incoerências e concentrações de poder numa clara demonstração de clientelismo e favorecimento anti-democrático de seu conterrâneo. Como já havia feito, aliás, com a irmã de Caetano, Maria Betânia.
Quero deixar claro que não vejo nada demais na aprovação do projeto de Caetano, como declarei, aliás, no especial da TV Cultura sobre a Lei Rouanet. O que salta à vista é a incoerência do ministro e seu jeito getulista de governar: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”.
A matéria publicada hoje por Marcio Aith, na Folha de S.Paulo, esclarece essa prática:
“O Ministério da Cultura voltou atrás e autorizou os produtores do músico baiano Caetano Veloso a usar os benefícios fiscais da Lei Rouanet para bancar os shows de divulgação de seu último CD, o ‘Zii e Zie’.
A decisão foi publicada no ‘Diário Oficial da União’ de ontem, assinada pelo secretário-executivo adjunto do ministério, Gustavo Carneiro Vidigal Cavalcanti.
A decisão encerra, a favor dos produtores de Caetano, uma polêmica que já dura um mês. No dia 21 de maio passado, a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que analisa os projetos aspirantes ao benefício da Lei Rouanet, decidiu que o ‘Tour Caetano Veloso’, no valor de R$ 2 milhões, não precisava de incentivo por ser comercialmente viável.
A decisão da CNIC foi revelada pela Folha, assim como a pressão da ex-mulher e empresária de Caetano, Paula Lavigne, para que o ministro da Cultura, Juca Ferreira, revisse a decisão e autorizasse o uso de dinheiro público, via renúncia fiscal das empresas patrocinadoras, para divulgar o show.
Em entrevista à Folha no último dia 12, Ferreira sinalizou que a decisão seria reformada, mas negou que Paula Lavigne o tivesse pressionado. ‘Ela não fez nenhum sauê, apenas ligou para mim e perguntou qual critério tinha sido utilizado para Caetano, que ela não percebia que tinha sido usado para outras pessoas.’
Na ocasião, Juca disse à Folha que a Lei Rouanet não tem nenhum critério estabelecendo que os artistas bem-sucedidos não podem ter seus projetos aprovados. ‘No ano passado, quando eu intervim para aprovar o show da Maria Bethânia [a CNIC também tinha negado acesso da cantora à Rouanet], já tínhamos aprovado projetos da Ivete Sangalo, artista mais bem-sucedida comercialmente em todos os tempos. Não podemos sair discricionariamente decidindo, sem critérios.’
A CNIC é um órgão colegiado que pertence ao Ministério da Cultura. O ministro pode, a seu critério, rever as decisões da comissão. O ministério informou, no entanto, que a decisão publicada ontem no ‘Diário Oficial’ não foi do ministro, mas uma revisão da própria CNIC, à luz do compromisso dos produtores de Caetano de baratear os ingressos.
Barato
Com a decisão publicada ontem, os produtores de Caetano foram autorizados a captar R$ 1,7 milhão. O valor representa R$ 300 mil a menos do que os R$ 2 milhões solicitados originalmente. Como condição, o ministério exigiu a redução dos ingressos, para R$ 40 e R$ 20 (inteiro e meia entrada). Sem o benefício da lei Rouanet, o tour de Caetano cobra entradas de até R$ 200 reais.
A Lei Rouanet prevê incentivos fiscais para que empresas e pessoas financiem projetos culturais aprovados pelo MinC. Ela foi aprovada em 23 de dezembro de 1991