Convide três menininhas muito engraçadinhas e espertas, pegue o Metrô Paraiso, direção Tucuruvi, desça no Largo Sao Bento e almoce no Bar Salve Jorge, em frente à BM&F.
Ah, ia me esquecendo: ao som de choro de primeira.
Está programada para agosto a realização da Conferência Nacional de Segurança Pública. Por ora, estão em andamento as fases municipais e estaduais da Conferência. Pelo que se pode ver, naquilo que se encontra na web, não haverá novidades.
Os delegados de polícia vão defender que sua carreira seja reconhecida como carreira jurídica, ao par com juízes e promotores, e que seja-lhes concedida a isonomia de vencimentos com o MP. Vão defender, com unhas e dentes, o inquérito policial, alegando que é procedimento indispensável a persecução criminal. As polícias militares, por sua vez, vão continuar insistindo no famigerado “ciclo completo”, panacéia para todos os males da segurança pública, de acordo com a visão dos oficiais das PMs. E a coisa vai por aí, com cada um tratando de puxar brasa para sua sardinha. Leia mais »
Apresento uma pequena reflexão acerca dos desafios da mídia ante o fenômeno da blogsfera.
Vamos retroceder pouco mais de vinte anos, para resgatar a constituição do “Plenário Pró-Participação Popular na Constituinte”. Já citei, em outra ocasião, aqui mesmo no seu blog, minha admiração por Francisco Whitaker. Em 1985, o “Chico” foi um dos formuladores do modelo de organização quase “anárquico” do “Plenário”: um modelo de participação espontânea dos interessados, sem exigência de “identidades” padrões, sem comando uniforme acerca das iniciativas, sem datas únicas, sem “coordenação”, no sentido mais hierárquico do conceito. O “Plenário Pró-Participação Popular” era uma coalizão em que um “ideário” comum insuflava a criatividade e a iniciativa de todos os seus participantes em qualquer lugar onde se encontrassem. Essa característica determinou uma capacidade extraordinária de multiplicar iniciativas que acabou ecoando fortemente na Constituinte. O conceito chave do Chico era a “rede”. Leia mais »
Em seu depoimento como testemunha de defesa de Roberto Jefferson, Fernando Henrique Cardoso afirmou que, em seu tempo como presidente, o PT transformava tudo em escândalo. Estava certo. E sua afirmação não foi uma contestação, mas uma crítica.
O tiro no pé foi ter recorrido – como figura maior do PSDB – a uma lógica binária, tiro no pé. Se o PT fez e ganhou, se fizermos, ganharemos.
O PT não ganhou pelo exercício reiterado da escandalização. Essa era a face mais condenável e negativa do partido. Não sei se a face de oposição civilizada garantiria a vitória ao PSDB. Mas certamente seria muito mais legítima e eficaz do que essa visão carbonária, que fez com que a cara do partido fosse Jungman, Itagiba, Virgilio, Álvaro Dias e a parte mais podre do jornalismo.
(…) A história se repete na Amazônia, a última fronteira. Se a medida provisória 458 for sancionada pelo presidente da República, na forma como saiu do Congresso Nacional, estaremos diante de uma volta ao passado.
Uma área maior do que o Estado da Bahia será doada a particulares sem cuidados que garantam condições mínimas de justiça, progresso e sustentabilidade. Grandes e médios proprietários ficarão com mais de 70% das terras que hoje são públicas. Um grileiro ou uma empresa que tenham 50 prepostos poderão legalizar, praticamente de graça, latifúndios de 75 mil hectares, mesmo que já possuam outras propriedades rurais. Com cem prepostos, reais ou fictícios, a área dobrará. Por persuasão ou por coação dos pequenos, em uma região em que o Estado é ausente e falha a cobertura da lei, estará aberto o caminho para um aumento desenfreado da concentração fundiária.
A Amazônia é uma região frágil, onde se chocam interesses nacionais e internacionais, sem que Estado e sociedade tenham sido capazes de definir e implementar um projeto coerente de desenvolvimento. É um dos grandes desafios para o nosso futuro, talvez o maior de todos.
Repetir o que foi feito em 1850 não é a melhor decisão.
Só para entender a lógica dos cortes no orçamento de São Paulo:
1. Houve queda da receita, de 1,6%. Mesmo assim, haverá aumento do funcionalismo.
2. Para compensar, o governo estadual cortará R$ 605 milhões de diversos programas (programas sociais, Poupatempo) para destinar aos salários de servidores.
3. Havia uma previsão de gasto adicional de R$ 400 milhões para salários da Polícia Civil. No ano passado, em vez de negociar com a Polícia, José Serra deixou partir para o pau. Colocou a Polícia Militar em cima, provocou o confronto inútil, para atender aos seus aliados que consideram greve caso de polícia. Uma semana depois, recuou na questão da aposentadoria (permitiu redução da idade de contribuição de 35 para 30 anos). E, agora, além dos R$ 400 mi acrescentou mais R$ 500 mi – R$ 900 mi no total – para recomposição dos salários. Em vez de um benefício, assinou uma rendição.
Nada contra, precisaria haver a recomposição. Apenas indago como seria o discurso do Estadão se esse aumento das despesas correntes, pela recomposição dos salários do funcionalismo, ocorresse no âmbito federal. Evidentemente a edição trataria cada caso com uma media diversa, apesar do diretor de conteúdo Ricardo Gandour considerar a edição um apêndice indissociável da liberdade de imprensa.
Do Globo do dia 8 passado:
Entrevista com Fernando Henrique Cardoso:
- Os gastos correntes do governo, especialmente com pessoal, são muito preocupantes, em um momento de retração fiscal. O governo precisa tomar medidas. Como não é possível mais se aumentar impostos no Brasil, é preciso conter gastos.
Uma pequena amostra da esquizofrenia da candidatura José Serra, depois que tornou os ultraneoliberais seus aliados preferenciais. Endureceu nas negociações, projetando a imagem de intransigente. Cedeu em tudo, depois que o pau comeu, mostrando que, quando confrontado, recua em todas as frentes.
Ficou difícil essa discussão sobre os critérios da Lei Rouanet, depois da decisão do Ministro da Cultura Juca Ferreira, em rever a decisão da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), de vetar projeto de R$ 2 mi para a temporada de Caetano Velloso de lançamento de seu CD.
A lógica da CNIC deveria ser a do Ministério:
1. Shows comercialmente viáveis não devem ser incentivados. Caetano é, graças a seu talento.
2. Não deve haver concentração de verbas no centro-sul. Caetano é um artista do centro-sul, seus shows serão majoritariamente no centro-sul.
A partir daí, como fica? Na entrevista da Folha, foram apresentados a ele quatro projetos que tiveram o patrocínio negado: as peças “Peter Pan” e “Miss Saigon”, e exposições como “Leonardo da Vinci” e “Corpo Humano”.
Ele não discute os critérios. Mas defende a revogação do veto à Maria Bethania, argumentando que Ivete Sangalo – que é um sucesso comercial maior – teve seu projeto aprovado.
Completa a entrevista desastrosa com essa declaração:
Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá. Um artista conhecido pode ter dificuldade de conseguir patrocínio para uma obra experimental, ou pode ser do interesse público abaixar os preços de um espetáculo popular.
Espetáculo popular no Credicard Hall é dose.
De qualquer modo, Juca deixa transparecer uma suspeita política, a de que a decisão do CNIC visou jogar artistas consagrados contra as mudanças na lei Rouanet. É possível. A própria exclusão de Maria Bethania e a inclusão de Ivete Sangalo mostra um jogo difícil de ser compreendido.
Mesmo assim, ficadevendo explicações mais claras, inclusive sobre o tal jogo da CNIC.
Se a intenção do CNIC foi desgastar as mudanças, conseguiu.
Se te interessar e a seus eleitores, informo que o meu estudo citado na edição de hoje do Valor está disponível no meu portal, na seguinte página: clique aqui
Como poderão conferir, é uma avaliação técnica e focada na arrecadação tributária federal no primeiro quadrimestre de 2009 vis-a-vis 2008. Confesso que fiquei surpreso de extraírem dele inclinações políticas ou partidária, muito menos vinculo (a favor ou contra) qualquer CPI. Mas cada um é livre para ter suas opiniões e interpretações – só acho que seria melhor o fazer depois de ler o trabalho.
Se há disposição para um debate público, aproveitaria a oportunidade para sugerir que fosse em torno da compensação tributária, desde sua forma de utilização até os seus efeitos sobre a repartição federativa e vinculações setoriais. Nem questiono sua validade, muito menos a forma como este ou aquele contribuinte, só digo que se tornou um instituto muito importante na tributação federal e era praticamente desconhecido da maioria dos analistas, se não até da grande maioria dos contribuntes. Seria um momento propício para discutir, sem as bravatas que a nada levam, mas de forma séria e consistente, mais essa particularidade do sistema tributário brasileiro.
Mais uma vez, grato pelo seu espaço democrático.
Comentário
O seu mérito é colocar a análise técnica acima das paixões partidárias.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.