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11/06/2009 - 09:18

USP, greves e piquetes

O João Vergílio, corajosamente, expõe um tema que merece ampla discussão: o uso reiterado dos piquetes na Universidade e o desafio da legitimação das teses, sem o emprego da violência.

Vamos abrir uma discussão entre iguais aqui, com argumentos de ambos os lados e respeitando o contraditório. Aqui, não se está no terreno dos inimigos da Universidade pública, mas de seus defensores. Pautemos a discussão por esse prisma fundamental: o que é melhor para legitimar a grande USP.

Por João Vergílio

Agora que o pior já passou, é hora de nos sentarmos todos – professores, alunos e funcionários da Universidade de São Paulo – para fazermos uma reflexão a respeito dos gravíssimos incidentes ocorridos no campus durante a semana. O lugar por excelência da palavra foi invadido pela força bruta. Há algo de profundamente errado nisso tudo, e precisamos deixar de lado por um momento as paixões políticas e os partidarismos para buscarmos um solo comum onde todos possam se reconhecer.

Sei que é facílimo, num momento como este, refugiar-se na crítica à reitora. Sua situação não poderia ser mais frágil. Comprou briga com a “direita” quando não chamou a polícia, e agora comprou briga com a “esquerda”, ao chamá-la. Foi inábil? Talvez tenha sido, não sei. Um juízo depende, neste caso, do acompanhamento miúdo das negociações, e da consideração cuidadosa das opções disponíveis. Evitarei, por isso, este discurso fácil.

Na raiz de todos esses problemas que enfrentamos, não está uma reitora, mas o uso de certos instrumentos políticos que me parecem completamente incompatíveis com os ideais de universidade que, agora, todos parecem dispostos a invocar quando fazem a condenação das ações da polícia. Eu me refiro aos piquetes e às invasões de prédios públicos. Alunos e funcionários usam e abusam desses dois instrumentos de luta ano após ano, sob os olhares complacentes (quando não coniventes) de muitos professores. Chegou a hora de dizermos com toda a clareza que tais métodos são violentos e, nessa medida, absolutamente incompatíveis com a vida acadêmica – tão incompatíveis, ou mais, do que a presença da polícia dentro do campus.

A dificuldade de mobilizar a comunidade acadêmica para empunhar suas bandeiras leva lideranças radicais e insensatas a lançar mão desses instrumentos. As greves na USP são, em grande medida, dependentes dos piquetes e das invasões. Os piquetes garantem o esvaziamento das salas de aula e das repartições, enquanto as invasões dão à imprensa a dose de escândalo necessária às manchetes e às fotos de primeira página. O primeiro grande problema é que, ao fazer isso, os grevistas colocam-se fora dos marcos institucionais. Sou perfeitamente capaz de aceitar quebras da legalidade em situações extremas, que a justifiquem. Mas, exatamente para poder argumentar com alguma razão nesses casos extremos, não posso admitir a banalização da ilegalidade.

Piquetes são proibidos por lei. Invasões de prédios públicos também. Em ambos os casos, a lei faculta, sim, o recurso à força policial. Foi o que fez a reitora. Se foi prudente, ou não, é outra história. O fato é que alunos, professores e funcionários que insistem em recorrer a expedientes ilegais não têm nenhuma razão para reclamar quando a universidade dá a eles a resposta institucional prevista nas leis do país.

Mas não gostaria de falar aqui apenas na força da lei. Há um segundo grande problema que devemos enfrentar. O recurso aos piquetes e às invasões de prédios públicos fere também os marcos mais elementares da convivência acadêmica. Se um aluno, um funcionário ou um professor não quer entrar em greve, ele tem todo o direito de fazê-lo, e esse direito deve ser assegurado. Assembléias são instrumentos legítimos de decisão, mas devem inserir-se numa sociabilidade previamente dada. Devem satisfações a uma ordem que elas não podem pretender refundar. Como é possível invocar ideiais de convivência acadêmica para condenar a violência policial, quando esses ideiais foram solenemente ignorados durante todo o processo que antecedeu a chegada da polícia?

Greves são instrumentos normais de pressão. Ninguém deve ser perseguido ou estigmatizado pelo fato de estar defendendo ou simplesmente aderindo a um movimento grevista. Greves são normais. Piquetes não são normais, nem aceitáveis. Piquetes são intervenções físicas, violentas, que visam a impedir o exercício de um direito garantido pelas leis e sancionado pelas regras mínimas da civilidade. Se os grevistas querem adensar o movimento, devem argumentar, e não interpor corpos ou barricadas à entrada daqueles que, por quaisquer motivos, discordam deles.

Quem invade um espaço público, por outro lado, demonstra o mais completo desapreço por aquilo que deveria pautar as ações de pessoas que lutam por uma presença forte e decisiva do Estado no interior do sistema capitalista, corrigindo-lhe as distorções – o sentido do bem comunitário, que não é meu, nem seu, e do qual eu não posso dispor a meu bel prazer. Temos que renunciar firmemente a isso dentro da universidade. A comunidade acadêmica não age com os braços, nem com as botinas. Age com a palavra. As portas da reitoria arrebentadas a socos e chutes são um monumento à violência, são o oposto do diálogo, e nos expõem ao ridículo diante de toda a sociedade que paga os nossos salários.

A violência dentro da universidade tem que ser contida, meu caro Nassif. A qualquer custo. Está se criando o palco para enfrentamentos muitíssimo mais graves do que esses que as televisões mostraram, com seu habitual gosto pelo escândalo irrefletido. Não me refiro a uma volta da polícia, embora esta não esteja descartada. Estou me referindo a enfrentamentos entre estudantes. Rogo a meus colegas que examinem o material disponível na Internet. Há uma revolta imensa crescendo dentro de outras unidades da USP contra esses métodos toscos de “fabricar greves” a qualquer custo. Como podemos articular um discurso minimamente crível contra a violência, se nós mesmos a coonestamos? Quando caminhões de som do sindicato dos funcionários vão à Poli inviabilizar no berro as aulas nas unidades, o que podemos esperar como resposta? E, acima de tudo, que tipo de resposta estaremos em condições de dar, quando for preciso?

Temos que iniciar um grande movimento na universidade pelo fim dos métodos violentos de luta. Quem quiser participar de nossa comunidade tem que aceitar as regras do convívio democrático. Piquetes são ações violentas, e nenhuma assembléia de alunos, professores ou funcionários possui legitimidade para autorizar a sua prática. Invasões são ações criminosas. Quem as pratica merece ser processado nos termos da lei, e não tem condições de se inserir na vida universitária. É só rejeitando a violência que temos praticado de forma tão habitual e tranquila que expulsaremos a polícia do campus. Se não queremos a violência policial, devemos cuidar de não sermos, nós mesmos, violentos. De uma comunidade que deseja ser reconhecida pelo primado da racinalidade, o mínimo que se pode esperar, afinal de contas, é um pouco de coerência.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Universidade Tags: , ,

140 comentários para “USP, greves e piquetes”

  1. george disse:

    triste e muito infeliz, o seu texto, prof. sou seu aluno e estou decepcionado.

  2. wilson cunha junior disse:

    De tudo isso acho que a maioria vai concordar com pelo menos uma coisa:

    Se o Serra não consegue dar uma resposta política para um problema localizado numa universidade pública de um estado que o escolheu governador, como dá-las para todo o Brasil?

  3. Baruck disse:

    Repudio totalmente o uso de forças de segurança contra manifestantes da forma como foi feito na USP. Essa prática, que parece, tem sido habitual em São Paulo, expõe uma certa dificuldade de negociação do governo.

    De qualquer forma, o que não justifica em nada a atitude oficial truculenta, é preciso rever os mecanismos de pressão social. Como as greves se iniciam sem muito consenso nas universidades, cria uma completa desorganização do período letivo, de forma que alguns cursos – e até professores dentro de cursos em greve – continuam as aulas “normalmente”. Já passei por situações em que tive 2 “períodos” em 1. Um durante a greve, com as aulas que não pararam. Outro após a greve.

    Acho que é preciso repensar o método. O problema é saber qual. Em serviços como museus e metrôs, por exemplo, uma iniciativa seria abrir as roletas. Causa o mesmo prejuízo (até maior) ao patrão e, ao mesmo tempo, guarda a simpatia da opinião pública. Mas em uma universidade não há roletas. Como se fazer ouvir?

  4. João Maria Fernandes disse:

    Estudantes, professores e funcionários ocupando instalações de uma universidade não estão “invadindo” prédios públicos, acontece que esta forma de manifestação torna-se uma das maneira de dizer ao mundo la de fora que alguma coisa não vai bem na comunidade universitaria.

    Esse expediente reinvidicatório não dá a nenhum tirano o direito “constitucional” de usar o aparato repressor do estado para repor “a lei e a ordem”; usem o aparelho de repressão para tocair os exércitos do tráfico de drogas por exemplo, ou será que o fato de eles não usarem cadernos nem flores para revidar, e sim armas de grosso calibre, faz a PM pensar em dialogar antes com seus advogados?

    O discurso deste senhor me parece uma tese bem disfarçadinha de como ser um pelego e conviver na boa com todo mundo depois uma manifestação como essa.

    Boa tarde

  5. Fabricio de Paula disse:

    Assistam o vídeo abaixo e me digam se a atitude dos alunos é pacífica:

    http://www.youtube.com/watch?v=zYnvT4nqK3M&feature=channel_page

    eu não acho nem um pouco pacífica.

  6. Fabricio de Paula disse:

    Leiam o relato abaixo e me digam: isso é piquete legítimo??

    ============================================================
    Manifesto dos alunos em repúdio ao incidente envolvendo a turma do período noturno da disciplina FLM0305 Introdução à Tradução do Alemão I no dia 09.06.2009
    São Paulo, 11 de Junho de 2009.
    Este último dia 09 foi um dia triste na história da Universidade de São Paulo. Presentes ou não, todos nós da comunidade USP vimos o poder da força tomando o lugar do poder das palavras: o diálogo foi negado a favor da violência.
    O diálogo, entretanto, manteve-se presente na disciplina FLM0305 Introdução à Tradução do Alemão I durante todo o curso. A viabilidade para realização da prova no dia 09.06, marcada anteriormente ao estabelecimento da greve, e a própria disposição ou não dos alunos em a realizarem também estiveram inclusas em nossos diálogos por meio do fórum de discussões do sistema Moodle (http://moodle.stoa.usp.br). Várias possibilidades foram abordadas e a decisão final foi: quem quisesse ir fazer a prova, que fosse, e quem não quisesse ir ou tivesse o acesso impedido faria uma prova alternativa via Moodle em data ainda a ser definida. A escolha ficou a critério dos alunos, que de maneira alguma seriam prejudicados pelo não-comparecimento. Segundo consta no Júpiterweb há 24 estudantes matriculados nessa matéria no período noturno – 12 alunos compareceram para a prova.

    Próximo ao término da prova, por volta das 20:44 horas, nós, estudantes, de dentro da sala, ouvimos alguém gritar “Hitler!” três vezes. Apesar de que pelo bom-senso ou conhecimento de mundo mínimo parecer desnecessário relatar tal atitude como ofensiva, parece-nos melhor esclarecer que a alusão a um dos maiores genocidas da história da humanidade para uma turma que por vontade própria está realizando uma prova é, para dizer pouco, repugnante. Mas, ainda, falar isso para uma turma de Alemão é de um generalismo absurdo, ignorante e inaceitável. Os estudantes de Letras poderiam lembrar-se (ou conhecer) as palavras do poeta judeu de língua alemã nascido em Czernowitz, que teve os pais mortos pelo regime nazista e foi submetido a trabalhos forçados no campo de concentração: “A língua permanece intacta, sim, apesar de tudo” (adaptação do original).

    Pouco tempo após isso, diversos estudantes abriram a porta para “falar sobre o que havia ocorrido na universidade”. Não foi uma tentativa de dialogar ou argumentar sobre a legitimidade de nossa presença em sala: foi uma série de insultos, baderna e julgamentos de caráter. Os alunos da sala se manifestaram dizendo que estavam lá porque queriam e que aqueles que não estavam presentes, ao contrário do que se gritava (afirmando que estávamos lá “sob coerção de nota”), não sairiam no prejuízo. Cada um como indivíduo pensante, como adultos que somos, estávamos lá exercendo aquele direito que a nossa sociedade ocidental tem como supremo: o direito de livre-arbítrio. Não seria esse o momento dos alunos que se dizem “a favor da democracia” respeitarem o direito de seus semelhantes? O fracasso do diálogo fez com que alguns alunos do Alemão tentassem fechar a porta: medida irrealizável e tomada à flor das emoções.

    Por fim, o que puderam fazer doze alunos quando cerca de cem, mais ou menos, alunos histéricos (fazendo uso aqui da acepção proposta no Dicionário Houaiss “comportamento caracterizado por excessiva emotividade ou por um terror, pânico”) os obrigam, por meio de intimidação verbal e gritaria, a deixarem a sala de aula? – Sair.

    ==============(ATENÇÃO NA PARTE A SEGUIR)===================

    Assim, saímos. Cinco alunos acompanharam a professora até a sala dela para discutir o que tinha acabado de acontecer e também porque temiam maiores retaliações direcionadas à professora. Ao perceberem isso, os estudantes chegaram a mais uma conclusão infundada: os alunos estariam indo para terminar a prova, “bando de puxa-sacos”. Eles vieram atrás desses alunos e da professora, que, temendo pela integridade física dos mesmos, trancou a porta de sua sala. Nisso, os estudantes começaram a bater com excessiva força na porta, como que tentando derrubá-la, e desligaram a luz do andar inteiro. Sentimento dos que estavam lá dentro? Perplexidade. Vinte ou trinta minutos depois os estudantes foram se dispersando e os vigilantes do prédio apareceram para ligar a luz e acompanhar os que estavam dentro da sala até a saída do prédio. Os alunos e a professora saíram, então, chocados, assustados, tristes.

    Foi dada como justificativa da ação a alegação de uma suposta aluna do Alemão ter sido agredida (levado um tapa na cara) pela professora. Isso é uma mentira e uma calúnia. Quem era do Alemão, repetimos, estava lá porque queria: teve direito de escolha. O fato dos estudantes terem reagido sem o menor conhecimento de causa, sem tentar averiguar o ocorrido só mostra como uma inverdade é capaz de manipular muita gente.

    ============================================================

    Tática totalitarista: uso de mentiras e da violência em defesa da “causa”…

  7. VIVA O BOM SENSO.

    Se vocês da USP se retirassem das salas de aula em silêncio, sem conversar com ninguém, muito menos com a “grande imprensa”, e simplesmente estendessem faixas com as suas reivindicações no campus, Serra ficaria pê da vida e vocês ainda estariam assistindo ao Bob Esponja toda manhã…

    E o melhor: as suas reivindicações seriam atendidas mais rapidamente.

    Serra e o PIG arrumaram o pretexto que queriam: colocaram vocês todos na marginalidade.

  8. OM disse:

    Parabéns pelo texto professor João Vergilio.!!! As viúvas e os netos “de 68″ brincando de “atores da história durões e justiceiros” são totalmente anacrônicos.. e risíveis!! Só falta eles quebrarem garrafas de coca-cola (ícone do imperialismo) na praça da reitoria …qua qua qua!!!

  9. Marcelo Cardoso Trindade disse:

    Parabenizando o João pela coragem em expor-se, pergunto:
    - seria o jovem massa de manobra tão maleável a ponto de seguir flautistas de Hamelim?
    - culpar esta juventude pelos acontecimentos não seria oportunismo em função da sua vulnerabilidade vivencial, educacional e econômica?
    -

  10. Adriano do ABC disse:

    Nassif,
    Ontem no post sobre a invasão da USP, escrevi sobre o que significou a leitura de um poema de Bertold Brecht, impresso num cartaz pró-reconstrução da UNE: “Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem.”

    Era 1978, hoje, sempre que leio alguém criticando as reivindicações e a violência dos movimentos sociais, do MST, da CUT e da ação dos grevistas, lembro de Brecht.
    Fiz parte da geração que estudou na USP entre 1978 e 1983, acompanhei e participei de várias lutas, greves e manifestações, reconstrução da UNE, UEEs e.DCEs. Vivíamos sob a ditadura militar e o Movimento Estudantil colaborou com o seu fim. Na época, embora adversários, estávamos do mesmo lado do front. O governo Serra seu pessoal da AP e do seu vice (Goldman era do antigo PCB, hoje PPS); com a invasão da USP, fez o que Erasmo Dias, Maluf e outros brucutus não tiveram coragem. Haja peito e cara para olhar nos olhos das gerações futuras. Tenho certeza que eles e seus adeptos que assediam nossos blogs não merecerão o rodapé da História.
    Acompanho vários blogs. Todos têm uma coisa em comum; alguns comentaristas (ou todos no blog do Noblat), falam dos baderneiros, comunistas e do satanismo petista. Quase todos – desse grupo, escondem suas identidades e sua verdadeira ideologia. São chauvinistas com idéias oriundas dos porões da sociedade. Pregam a moral e a tradição, mas não respeitam as divergências, os direitos e as liberdades democráticas. Assim, revelam todo seu ódio, através de termos como satã, pátria e respeito, para eles a os atos de Hitler, Opus Dei, Stalin, Comando de Caça aos Comunistas e Operação Bandeirantes serão sempre justificados; para eles não ocorreu o holocausto e os crimes da ditadura são brandos.
    Por sorte, o humanismo tanto de esquerda, como de centro e também da direita civilizada são maiores que o autoritarismo, o fundamentalismo arcaico, o stalinismo e a barbárie nazista.
    Xô Urubus!!!

  11. André Leite disse:

    Sinceramente considero os argumentos do João Vergílio absolutamente furados. Sei que esse começo dá a entender que estou motivado pelo mesmo flaxflu que alimenta tantas discussões em blogs de política. Acreditem, não é caso. O que mais admiro no blog do Nassif é o fato de ele ser ponderado, fugir do passionalismo que diminui o debate.

    Acho que conheço a dinâmica da USP a ponto de poder discutir o assunto. Sou um ex-aluno da USP. Fiz jornalismo até o último ano, mas não me formei. Fui jubilado porque levei o dobro de tempo necessário para chegar ao último ano do que era previsto no curriculum do meu curso.

    Nesses nove anos que passei na universidade, trabalhei como estagiário e jornalista em várias redações, algumas bem grandes, e durante dois anos trabalhei num veículo de comunicação mantido pela universidade. Isso me deu uma visão bastante ampla de como funciona o jogo de forças na USP.

    QUALIDADE X TRADIÇÃO

    A USP tem tradição. É inegável. Desde de a sua fundação, até hoje, ele foi um grande reduto de produção de conhecimento. Mas é importante frisar, menos porque ela tem uma excelente qualidade, mas muito porque no Brasil não há espaços parecidos.

    Mas o seu papel, de formação de conhecimento através de pesquisas e teses, e de formação de pessoas através dos cursos de graduação e pós, é pífio.

    Digo sem medo de errar, os cursos são absolutamente medíocres. O grande maioria dos professores é formada por gente paupérrima intelectualmente, e cerca de metade deles são golpistas descarados, que faltam muito e quando vão, ficam batendo papo com os alunos nas salas de aula, sem nenhuma preocupação em desenvolver um programa de aula.

    Onde está a raiz disso? No sistema de ingresso. Para ser professor basta seguir um caminho burocrático infinito. São bancas e mais bancas, centenas de carimbos, anos de espera, capacidade de ser ‘adotado’ por um professor titular que faça seu processo andar, e, finalmente, se consegue o título de professor da USP. Importa menos a qualidade do trabalho e mais a perseverança e resignição em vencer essa selva burocrática.

    E todos os passos decisivos para a admissão dos professores são decididos por outros professores. Então isso cria uma perpetuação da mediocridade.

    Quem vai até o fim e vira professor? Os egocêntricos! Aqueles que valorizam muito o título de ser professor da USP. Ou os profissionais que querem a estabilidade do salário vitalício e da estabilidade no emprego, gente que tende a inovar muito pouco. Infelizmente os bons, os competentes, desistem daquilo, porque ser competente importa menos.

    Claro, há exceções, mas na média é assim.

    Junte esses dois ingredientes – pessoas egocêntricas e uma burocracia imensa – e você terá o perfil médio de um professor da USP: arrogante e defensor dos seus ‘direitos adquiridos’ com tanto sacrifício. Alguém que valoriza muito o fato de ser parte de um clube fechado e que vai fazer o possível para manter o atual status das coisas para que seu título não perca importância.

    EXEMPLOS CONCRETOS

    No curso de jornalismo, acontece todo ano uma revolta dos alunos que estão entrando com o nível do ensino. Todo ano não é exagero. Ou eles pedem reuniões com a direção (professores que avançaram na burocracia viram diretores das unidades) para tentar mudar, o que é claro que não adianta. Ou adotam táticas guerrilheiras, como fazer painéis nas paredes com o número de faltas de cada professor. Sério mesmo, isso acontece todo ano!

    Eu passei por situações as mais esdruxúlas durante meu período lá. Elas acabam virando folclore nas conversas entre alunos. Por exemplo, fiz uma prova de ética em que uma das perguntas era:

    Enumere em ordem decrescente quais os telejornais da rede Globo são mais éticos

    a) Globo Rural
    b) Bom Dia Brasil
    c) Jornal Hoje
    d) Jornal Nacional
    e) Jornal da Globo
    f) Fantástico
    g) Globo Repórter

    Outro exemplo. Tínhamos aulas sobre a legislação que rege nossa profissão. Os cursos na USP são modulares, duram um semestre letivo, ou quatro meses. Nosso professor de legislação começou então a discutir as leis sobre a atividade jornalística desde o Império. Passou pela República Velha, Era Vargas, período pré-ditadura e ficou semanas discutindo os artigos da nossa terceira Constituição, de 1969.

    Quando entramos no último mês de curso, começamos a ficar preocupados com o fato de ele não comentar nada sobre a Constituição de 88, a que está valendo hoje.

    Um colega então perguntou para ele quando isso aconteceria, já que o curso estava perto do fim e o que vimos foi um professor irado, indignado, gritando. Ele dizia que não aguentava mais a petulância dos alunos, que todo semestre queriam mudar o curso. “Sou um professor parovado aprovado com louvor pela banca que permitiu meu ingresso na Universidade, e este curso é resultado de mais de 30 anos de refinamentos em sala de aula”, bradava.

    O curso poderia ser muito bom na década de 70, quando ele entrou, mas agora estava desatualizado. E ele era efetivo, tinha sua vaga garantida e não estava disposto a se atualizar.

    Parece que peguei dois exemplos folclóricos, mas não, esta é a média, está é a regra.

    VESTIBULAR

    O que faz a diferença na USP hoje é o vestibular. Melhor dizendo, a dificuldade de se passar no vestibular resultante da grande procura pela universidade. No ano que entrei, Jornalismo era o segundo colocado entre os cursos que exigiam melhor desempenho para passar, perdendo apenas para medicina.

    Essa peneira separa os mais empenhados, melhor preparados, mais aguerridos. E isso faz a diferença. As pessoas que conheci no meu curso eram todas geniais, com raciocínio rápido, grande conhecimento para sua pouca idade e grande capacidade de aprendizado.

    Esse o o maior legado que a USP me deixou. A convivência com esse pessoal fez a diferença para mim. Eu sempre estudei em escola pública e fiz de três anos de cursinho para conseguir entrar. Meus colegas até então eram uma mescla de pouca gente boa e muita gente ruim (desculpe o tom elitista, não é a intenção). Na USP não. A sala inteira é incrível. As pessoas que você conhece nas festas, nas viagens, nas disciplinas são quase sempre brilhantes. Isso te permite criar uma rede de contatos muito boa e muda sua vida para sempre.

    OS FUNCIONÁRIOS

    Durante dois anos trabalhei num veículo de comunicação da USP. Tive vários colegas que trabalharam em outros desses veículos. E tenho grandes amigos que são funcionários da USP.

    Primeiro, e mais importante, estes funcionários são o elo mais fraco da cadeia. Imagine o que acontece quando de um lado professores têm suas reivindicações, de outro os alunos têm suas reivindicações e por fim os funcionários que dão apoio administrativo têm suas reivindicações. Claro, eles sempre são relegados ao fim da lista de prioridades.

    Além disso os professores tem a garantia da manutenção do emprego, os funcionários administrativos não. A grande maioria é de celetistas. Na prática quase ninguém é demitido, mas eles podem sim ser demitidos. E os processo de promoção são bastante deturpados. Quem escolhe quem será promovido são os chefes. Uma vez promovido, você precisa passar alguns meses para incorporar ao salário o extra que se ganha por ocupar um cargo mais importante. Depois, você pode voltar para funções mais baixas na hierarquia, ter menos reponsabilidade e contribuir menos para o seu departamento, que o seu salário está garantido. E fazendo isso você abre espaço para que outro tenha a chance de ser promovido (ou diríamos comprado) pelos chefes.

    Outro ponto importante é que quem gerencia a Universidade são os piores professores. Num mundo ideal, os mais abnegados deixariam suas pesquisas e suas aulas para cuidar da parte chata que dá suporte aos colegas para pesquisar e lecionar. Na prática, os piores professores, aqueles afeitos ao jogo corporativo necessários para se ocupar cargos de confiança, aqueles interessados em poder, aqueles que querem gerenciar as verbas, estes são os que viram reitores, diretores de unidade etc.

    Quando chegam lá eles colocam nos níveis de gerência gente que faz parte do seu círculo de influência. Os cunhados, primos, colegas de longa data são os que ascendem aos cargos gerenciais.

    Claro que um reitor, ou um diretor não é capaz de preencher todos os cargos disponíveis, então os cunhados do reitor ou do diretor anterior passam a bajular e temer o novo chefe, fazendo o possível para ficar na cota dos que não serão trocados.

    Aí começa a surgir um movimento de greve. Alguma reivindicação importante se coloca, como por exemplo o caso da polícia no campus (que tratarei no próximo e último item). Isso sempre se soma a uma reivindicação antiga dos funcionários, que é a de ter um plano de carreira decente, baseado em competência e não em favores dos chefes.

    Aí, a chefia entra numa disputa doentia de qual dos gerentes conseguirá que seu departamento seja o que tenha menos grevistas, o que tenha a menor adesão.

    Criam-se estratégias de guerrilha (vamos mudar nossas atividades para outro prédio, vamos trabalhar de casa) e em nenhum momento discute-se se vale a pena entrar em greve, ou se o que se está reivindicando é válido.

    Se não houver piquete, o funcionário não tem opção, ou vai trabalhar ou é demitido, preterido nas promoções etc.

    Tenho um grande amigo que faz uma brincadeira. Uma greve na USP só acontece se o sindicato colocar anões nas portas dos prédios. Isso é porque a única coisa que segura o ímpeto fura greve da gerência é o medo de alguém do seu departamento entrar num embate físico que coloque seu nome numa repercussão na imprensa e faça todo esse lodo aparecer. Então os chefes dizem: vamos fazer o possível para não entrar em greve, mas em hipótese alguma entrem num embate com alguém do sindicato.

    Aí você chega para trabalhar, tem alguém, normalmente bem fraquinho, magrinho, na porta do seu prédio. Você não entra e quando a greve terminar você dirá ao chefe que fez o melhor para ele, que seguiu suas instruções, não enfrentando o pessoal do sindicato. Esse ‘piquete’ também garante que você não será o único a faltar.

    O João Vergílio diz que está isso cria um ambiente para enfretamentos muito mais graves do que o da última terça. Ou ele está sendo desonesto ou não sabe do que está falando. Os anões dos piquetes não são os responsáveis pelo último enfrentamento. Veja no próximo item.

    POLÍCIA NO CAMPUS

    O secretário de Educaçao paulista já foi reitor da Unicamp. Então ele sabe. O Serra também sabe. Mais importante, a reitora Sueli sem dúvida sabe.

    Até hoje a USP tem uma ferida aberta, difícil de cicatrizar, que é o que os governos militares fizeram na Universidade. Foi um período tenebroso, onde o terror se instalou. Qualquer aluno percebe isso rapidamente, conversando com professores, discutindo com colegas mais velhos etc.

    Muito professores e alunos foram torturados. Havia um terror de ser considerado subversivo porque os militares infiltraram gente que fazia se passar por aluno na Universidade. Esse pessoal era tosco, e claro não conseguir entender as discussões que se travavam no campus. Portanto tomavam as decisões de quem deveria ser preso e torturado baseado em esteriótipos.

    Ao fim do processo, houve uma consenso na comunidade uspiana, polícia no campus nunca mais. Isso cria uma situação que não só protege intervenções criminosas como as da ditadura, mas também cria um ambiente mais aberto, que todos da comunidade valorizam. Quer um exemplo. Não quero entrar na polêmica do que é certo ou errado, mas o consumo de maconha é muito comum no campus. Isso cria uma espécie de balão de ensaio, de ambiente inovador, onde você se sente fazendo parte do futuro, da vanguarda. (Me perdoem a piada, mas até o FHC é a favor da descriminação do uso). Claro que isso não é só benefício.

    Como é informalmente permitido consumir maconha no campus, há uma espécie de atração de traficantes para lá. Uma comunidade mais pobre que fica ao lado da USP, chamada São Remo, vive o drama de ser repleta de traficantes.

    Claro que isso é ruim, mas permite que se ouse, que novas dinâmicas se estabeleçam, que o novo surja, que é o que se espera de um ambiente universitário.

    Em contrapartida, a comunidade do São Remo é a preferida para qualquer projeto da Universidade. O curso de jornalismo produz um jornal para eles, o pessoal da arquitetura dá suporte para melhoria das moradias e há dezenas de outros projetos.

    Toda a comunidade uspiana preza isso. Até os diretores do passado. Tanto é que a USP tem uma guarda universitária que certamente é mais dispendiosa do que se houvesse a permissão de policiamento comum no campus.

    Isso é uma espécie de valor da USP. Não está escrito, não está gravado em placa, mas todo mundo compartilha isso. Mesmo quando há casos de estupro no campus, para citar um exemplo extremo, nunca vi alguém defendendo a entrada da polícia comum. O consenso é que o fato de cuidarmos da nossa segurança tem vantagens, e toda vantagem pressupõe responsabilidades.

    Quando você analisa as ações de um estadista de verdade você percebe que ele entende o que determinado público, seja ele o conjunto de eleitores, seja apenas uma parte da população, considera importante.

    O Serra, na minha opinião, está longe de ser um estadista. Por isso ele é capaz de usar um discurso tão pobre, medíocre, ridículo de que a polícia está no campus por causa da uma ordem judicial pedida pela reitoria.

    O fato da reitora não ter permitido a entrada de policiais durante a invasão da reitoria de alguns meses atrás mostra que ela acha isso inaceitável, entende os anseios da comunidade que lidera. (O João Virgílio diz que ela comprou briga com a direita. Pelo amor, de Deus, o que ele quer dizer com isso? Que direita?)

    Mas ela reproduz a dinãmica dos outros departamentos da universidade e precisa responder aos desejos do seu ‘chefe’ José Serra. Sem dúvida foi ele que a mandou pedir a polícia agora.

    Percebam que a reação da Unicampo foi imediata. Já entraram em greve. E essa questão vai gerar muita revolta lá no campos.

    Os tucanos tiveram uma década e meia para mudar, refinar, melhorar a dinâmica que rege o desempenho da USP. Nada fizeram. Só alimentaram um sistema retrógrado para se sentirem no comando da Universidade.

    E agora, a cereja do bolo vêm com o José Serra, político tíbio, incapaz de gerenciar interesses conflitantes (veja o caso PM x PC).

    Não tenho idéia de onde isso vai parar. Acho que não haverá nada que signifique uma revolução nas relações ou processos. Quase sempre esses problemas gerados pela incompetência do Serra e sua equipe terminam em nada.

    Mas a universidade tem memória (veja o caso da repressão na ditadura) e os tucanos estão conseguindo um lugar de destaque na história, como acontece com qualquer dirigente que seja muito bom ou muito ruim.

  12. Henrique A. Ré disse:

    Caro João Vergílio,
    Parabéns pelo seu texto. Discordo, entretanto, de alguns pontos dele.
    Se entendi bem, um de seus principais argumentos é o de que “o lugar por excelência da palavra foi invadido pela força bruta” e quando os grevistas desprezam os “marcos institucionais”, estas mesmas pessoas não possuem legitimidade para criticar a ação policial. Aqui você assume que somente os grevistas usam da “força bruta” e que só não houve negociação por incapacidade de diálogo dos manifestantes. A reitoria só chamou a polícia porque os grevistas não quiseram dialogar.
    Você não estaria confundindo aqui instâncias diferentes? Uma coisa é o ensino, a sala de aula, ambiente primordial de diálogo; outra é a parte administrativa. É óbvio que num modelo ideal ambas deveriam prezar “pela palavra”, mas infelizmente sabemos que não é isso o que acontece na USP. Acho que você despreza esse ponto e assume como dada uma realidade que não existe. Ou você não admite que a reitoria (ou o CRUESP) não quis negociar?
    Diante da recusa da negociação, como penso que é o procedimento da reitoria da USP, qual alternativa tomar? A isso você não apresentou argumentos.
    Outro argumento seu: “Greves são instrumentos normais de pressão. Ninguém deve ser perseguido ou estigmatizado pelo fato de estar defendendo ou simplesmente aderindo a um movimento grevista. Greves são normais”. Você assume essa posição para em seguida afirmar que “piquetes não são normais, nem aceitáveis”. Muito bem, para você condenar os piquetes, pois eles agridem as leis, você defende o direito de greve como legítimo, pois está amparado na lei. Parece-me que aqui novamente você parte de uma realidade ideal e que não é encontrada na USP.
    Num outro texto seu, você afirmara que desconhecia pressões aos funcionários da USP para que não entrassem em greve. Com todo respeito, penso que você está confundindo o ambiente da FFLCH – ou melhor, do Departamento de Filosofia – com o do restante da USP. Trabalhei na USP por quatro anos, três na reitoria. Posso lhe assegurar que 70-80% dos funcionários de lá não aderiam às greves por medo e pressão dos superiores. Por várias vezes ouvi deles que a única alternativa eram os piquetes. Era a maneira que encontravam para aderir à greve sem sofrer represálias. Aliás, quantos funcionários da FEA ou da POLI estão em grave? Será que não há ninguém nessas unidades que desejariam participar da greve? Então, por que não o fazem? Basta uma palavrinha com eles para saber o motivo…
    Por último, vejo que aquilo que você mais preza no processo democrático é a observância das leis e das instituições, embora tenha reconhecido que é “perfeitamente capaz de aceitar quebras da legalidade em situações extremas, que a justifiquem”.
    Mas lembremos um caso emblemático, a greve de 2007. Houve invasão da reitoria, piquetes, depredação do patrimônio público etc. Mas o que pediam os manifestantes? – Que a lei fosse respeitada. Ora, eles não pediam a mudança da lei nem contestavam a sua aplicação. Eles repudiavam a forma como a lei estava sendo desrespeitada pelo Governador e a Reitoria. De que lado estava a violência nesse caso?
    Ademais, a idéia de harmonia no processo democrático, que você tanto defende, não escamotearia uma perspectiva política que não lida bem com conflitos? (basta rever o início do pensamento liberal, em que a harmonia religiosa fora substituída pela harmonia presente na natureza, cujas regras deveriam reger a vida política e… o mercado. Sem harmonia, nada de bom funcionamento do mercado. Portanto, qualquer manifestação que colocasse em risco essa pretensa harmonia deveria ser rapidamente reprimida).
    Para você, todos os conflitos devem se resolver nos “marcos da legalidade”, exceto no caso das “situações extremas”. Ora, você toma os “marcos da legalidade” como completamente imparciais, sem considerar a luta de forças que regulou e regula esses “marcos”. Será que os “marcos da legalidade” são isonômicos? O poder da canetada da Reitora e do Governador é o mesmo dos que protestam? Em seu posicionamento você não estaria assumindo um posicionamento político que caracterizou praticamente toda a vida política brasileira, que foi o receio de deixar aflorar os conflitos? Você não estaria, ainda que sem querer, mimetizando um procedimento dominante que sempre viu qualquer conflito como uma quebra da ordem e, por isso, passível de ser contido e reprimido?
    Bem, essas são algumas questões só para pensarmos um problema que é de todos nós.
    Embora haja discordâncias entre nossos pontos de vista, mais uma vez parabéns por ter se disposto a dialogar sobre este tema tão ardiloso.
    Um grande abraço.

    Henrique A. Ré

  13. Jedeão disse:

    Quando se tem um governador que se porta como uma pedra dentro de um bloco de concreto diante de qualquer movimento social, o que se pode esperar?
    João, lembra da batalha entre as polícias civil e militar? Do prefeito que caminha quilômetros e quilômetros e Serra não o recebe? Das perguntas que os jornalistas fazem e o Serra revida com ameaças e ligações para as redações?
    A raiz de tudo está na intransigência de quem ocupa o cargo de liderança e não tem jogo de cintura para lidar com as reinvidicações da sociedade.
    Meça quantas invasões, greves, bloqueios, manifestações, e piquetes aocnteceram sob o govverno Lula e diga quantos tiros, demissões, ameaças ou bombas foram desferidas?

  14. Djalma Lima disse:

    O texto do professor é bem contruído.
    Porém acho que ele está deesfocado. Ou seja, fugiu do TEMA PRNCIPAL.
    Faz isso sutilmente, mostrando-se muito educado, muito complacente, etc. Mas não vai ao ponto:

    A USP é antidemocrática porque as pessoas não tem participação política OU as pessoas não participam da política por julgarem que a USP é antidemocrática?

    Elenco só alguns fatos:

    1 – Os que não querem greves não se fazem representar nas assembléias, vão para suas casas;

    2 – A reitora toma decisões unilaterias, sob a tutela do governador, a fim de angariar maeketing político para Serra.

    3 – O sindicato também toma posturas intransigentes;

    4 – Os que não participaram das assembléias não se solidarizam com as greves, mas não deixam de receber as conquistas (lógica do puxa-saco);

    5 – Os alunos da FFLCH estão fadados a serem mal remunerados no mercado, pois o mercado não valoriza como deve o trabalho do professor;

    6 – Ampliamos os cursos de professores, pois os pobres e mais despreparados vão para lá – ampliando a insatisfação;

    7 – Por que não se propõe cursos à distãncia de medicina, direito, engenharia e jornalismo – já que essses é que são os mais concorridos e são esses os mais desejados? Por que criar cursos à distância para professores, aumentando o tamanho das humanas?? Será que os dirigentes querem mais greves, poxa?!!!

  15. Caetano disse:

    “Na raiz de todos esses problemas que enfrentamos, não está uma reitora, mas o uso de certos instrumentos políticos que me parecem completamente incompatíveis com os ideais de universidade que, agora, todos parecem dispostos a invocar quando fazem a condenação das ações da polícia. Eu me refiro aos piquetes e às invasões de prédios públicos. ”

    Desça do muro! Eu,

  16. Orlando Fogaça Filho disse:

    E aí.? Ningém vai ler a proposta do Vergílio? A questão proposta é ourtra, é da convivência entre opostos… Como faremos?

  17. Caetano disse:

    “Na raiz de todos esses problemas que enfrentamos, não está uma reitora, mas o uso de certos instrumentos políticos que me parecem completamente incompatíveis com os ideais de universidade que, agora, todos parecem dispostos a invocar quando fazem a condenação das ações da polícia. Eu me refiro aos piquetes e às invasões de prédios públicos. ”

    Desça do muro! Eu, que acompanho há um ano o drama da categoria os Policiais Civis, por estar ingressando na corporação, sei como é isso: Ser duro na negociação, é uma coisa. NÃO NEGOCIAR DE FORMA ALGUMA é outra coisa. E só o que José Serra faz é a outra coisa! Ele trata movimento social à borrachada. Não dialoga, pronto e acabou.
    Pra quem tá vendo de fora é fácil falar que certas ações e/ou manifestações são incompatíveis. Vai ser funcionário público do baixo escalão de SP, a base da máquina estatal, sofrendo com a total falta de condições de trabalho, negligência, desprezo, ainda ter que lidar com as ameaças da análise de desempenho que são simplesmente formas de se “boicotar” os funcionários contrários aos diretores comissionados das repartições, todos esses PSDBistas, claro. Aí você ia ver o que é incompatível.
    Quando o governo põe a PM para trabalhar para O GOVERNO – fazendo com que a polícia administrativa do Estado deixe, portanto, de trabalhar para O ESTADO, a revolta é tudo o que resta. E, se contra os Policiais Civis o combate já é desleal, pois ninguém briga à altura da tropa de choque, imagine contra estudantes e professores! Qualquer dia, alguém ainda mete umas balas em 2 ou 3 PM’s e aí eu quero só ver o Datena mostrando as coitadinhas das famílias dos PMs vtimas.

  18. Lais disse:

    Texto excelente. Muito bom o comentário do Fabricio de Paula. Os protestos tornaram-se sinônimo de baderna. Um conjunto de radicais que estão ali só por bagunça, não sabem nem por que lutam. Infelizmente, manifestações com um mínimo de planejamento e inteligência são raras.

  19. Andre disse:

    Gabriel você disse:

    “Muitos reivindicaram, aqui, “o contexto histórico” que leva às ações violentas. Mas parecem esquecer (ou omitir) que esse “contexto histórico” se caracteriza sobretudo pela total falta de comunicação dos sindicatos e organizações estudantis com aqueles que supostamente representam. Em suma, perda de representatividade e legitimidade!”

    Gostaria que você evidenciasse isso com fatos…pois eu acho bem difícil um sindicato ou uma organização estudantil ‘não tentar dialogar’, como você mesmo diz. Gostaria que você me trouxesse evidências, ao invés de um testemunho pessoal e visivelmente incrédulo em relação à essas organizações sociais.

  20. emr disse:

    a força utilizada pela pm, como sempre, me pareceu totalmente desproporcional a manisfestação dos estudantes. nas fotos que vi, não consegui enxergar nenhum estudante, funcionário ou professor sequer com um pedaço de pau em suas mãos; uma pedra ou um cabo de vassoura que fosse. também não vi nada disso pelo chão. em momento algum aquelas pessoas pareceram ter o nível de ameaça proporcional a força colocada pela pm.

    da maneira que está colocada, parece que aqueles manifestantes receberam o castigo merecido por ter atrapalhado algumas aulas e o acesso a alguns prédios.

    trata-se de uma falácia o argumento da maioria: “a maioria não aderiu”.

    ademais, como manifestantes poderão reivindicar ou questionar a ordem vigente sem fazer manifestações na frente de um prédio?

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