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11/06/2009 - 09:18

USP, greves e piquetes

O João Vergílio, corajosamente, expõe um tema que merece ampla discussão: o uso reiterado dos piquetes na Universidade e o desafio da legitimação das teses, sem o emprego da violência.

Vamos abrir uma discussão entre iguais aqui, com argumentos de ambos os lados e respeitando o contraditório. Aqui, não se está no terreno dos inimigos da Universidade pública, mas de seus defensores. Pautemos a discussão por esse prisma fundamental: o que é melhor para legitimar a grande USP.

Por João Vergílio

Agora que o pior já passou, é hora de nos sentarmos todos – professores, alunos e funcionários da Universidade de São Paulo – para fazermos uma reflexão a respeito dos gravíssimos incidentes ocorridos no campus durante a semana. O lugar por excelência da palavra foi invadido pela força bruta. Há algo de profundamente errado nisso tudo, e precisamos deixar de lado por um momento as paixões políticas e os partidarismos para buscarmos um solo comum onde todos possam se reconhecer.

Sei que é facílimo, num momento como este, refugiar-se na crítica à reitora. Sua situação não poderia ser mais frágil. Comprou briga com a “direita” quando não chamou a polícia, e agora comprou briga com a “esquerda”, ao chamá-la. Foi inábil? Talvez tenha sido, não sei. Um juízo depende, neste caso, do acompanhamento miúdo das negociações, e da consideração cuidadosa das opções disponíveis. Evitarei, por isso, este discurso fácil.

Na raiz de todos esses problemas que enfrentamos, não está uma reitora, mas o uso de certos instrumentos políticos que me parecem completamente incompatíveis com os ideais de universidade que, agora, todos parecem dispostos a invocar quando fazem a condenação das ações da polícia. Eu me refiro aos piquetes e às invasões de prédios públicos. Alunos e funcionários usam e abusam desses dois instrumentos de luta ano após ano, sob os olhares complacentes (quando não coniventes) de muitos professores. Chegou a hora de dizermos com toda a clareza que tais métodos são violentos e, nessa medida, absolutamente incompatíveis com a vida acadêmica – tão incompatíveis, ou mais, do que a presença da polícia dentro do campus.

A dificuldade de mobilizar a comunidade acadêmica para empunhar suas bandeiras leva lideranças radicais e insensatas a lançar mão desses instrumentos. As greves na USP são, em grande medida, dependentes dos piquetes e das invasões. Os piquetes garantem o esvaziamento das salas de aula e das repartições, enquanto as invasões dão à imprensa a dose de escândalo necessária às manchetes e às fotos de primeira página. O primeiro grande problema é que, ao fazer isso, os grevistas colocam-se fora dos marcos institucionais. Sou perfeitamente capaz de aceitar quebras da legalidade em situações extremas, que a justifiquem. Mas, exatamente para poder argumentar com alguma razão nesses casos extremos, não posso admitir a banalização da ilegalidade.

Piquetes são proibidos por lei. Invasões de prédios públicos também. Em ambos os casos, a lei faculta, sim, o recurso à força policial. Foi o que fez a reitora. Se foi prudente, ou não, é outra história. O fato é que alunos, professores e funcionários que insistem em recorrer a expedientes ilegais não têm nenhuma razão para reclamar quando a universidade dá a eles a resposta institucional prevista nas leis do país.

Mas não gostaria de falar aqui apenas na força da lei. Há um segundo grande problema que devemos enfrentar. O recurso aos piquetes e às invasões de prédios públicos fere também os marcos mais elementares da convivência acadêmica. Se um aluno, um funcionário ou um professor não quer entrar em greve, ele tem todo o direito de fazê-lo, e esse direito deve ser assegurado. Assembléias são instrumentos legítimos de decisão, mas devem inserir-se numa sociabilidade previamente dada. Devem satisfações a uma ordem que elas não podem pretender refundar. Como é possível invocar ideiais de convivência acadêmica para condenar a violência policial, quando esses ideiais foram solenemente ignorados durante todo o processo que antecedeu a chegada da polícia?

Greves são instrumentos normais de pressão. Ninguém deve ser perseguido ou estigmatizado pelo fato de estar defendendo ou simplesmente aderindo a um movimento grevista. Greves são normais. Piquetes não são normais, nem aceitáveis. Piquetes são intervenções físicas, violentas, que visam a impedir o exercício de um direito garantido pelas leis e sancionado pelas regras mínimas da civilidade. Se os grevistas querem adensar o movimento, devem argumentar, e não interpor corpos ou barricadas à entrada daqueles que, por quaisquer motivos, discordam deles.

Quem invade um espaço público, por outro lado, demonstra o mais completo desapreço por aquilo que deveria pautar as ações de pessoas que lutam por uma presença forte e decisiva do Estado no interior do sistema capitalista, corrigindo-lhe as distorções – o sentido do bem comunitário, que não é meu, nem seu, e do qual eu não posso dispor a meu bel prazer. Temos que renunciar firmemente a isso dentro da universidade. A comunidade acadêmica não age com os braços, nem com as botinas. Age com a palavra. As portas da reitoria arrebentadas a socos e chutes são um monumento à violência, são o oposto do diálogo, e nos expõem ao ridículo diante de toda a sociedade que paga os nossos salários.

A violência dentro da universidade tem que ser contida, meu caro Nassif. A qualquer custo. Está se criando o palco para enfrentamentos muitíssimo mais graves do que esses que as televisões mostraram, com seu habitual gosto pelo escândalo irrefletido. Não me refiro a uma volta da polícia, embora esta não esteja descartada. Estou me referindo a enfrentamentos entre estudantes. Rogo a meus colegas que examinem o material disponível na Internet. Há uma revolta imensa crescendo dentro de outras unidades da USP contra esses métodos toscos de “fabricar greves” a qualquer custo. Como podemos articular um discurso minimamente crível contra a violência, se nós mesmos a coonestamos? Quando caminhões de som do sindicato dos funcionários vão à Poli inviabilizar no berro as aulas nas unidades, o que podemos esperar como resposta? E, acima de tudo, que tipo de resposta estaremos em condições de dar, quando for preciso?

Temos que iniciar um grande movimento na universidade pelo fim dos métodos violentos de luta. Quem quiser participar de nossa comunidade tem que aceitar as regras do convívio democrático. Piquetes são ações violentas, e nenhuma assembléia de alunos, professores ou funcionários possui legitimidade para autorizar a sua prática. Invasões são ações criminosas. Quem as pratica merece ser processado nos termos da lei, e não tem condições de se inserir na vida universitária. É só rejeitando a violência que temos praticado de forma tão habitual e tranquila que expulsaremos a polícia do campus. Se não queremos a violência policial, devemos cuidar de não sermos, nós mesmos, violentos. De uma comunidade que deseja ser reconhecida pelo primado da racinalidade, o mínimo que se pode esperar, afinal de contas, é um pouco de coerência.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Universidade Tags: , ,

140 comentários para “USP, greves e piquetes”

  1. Ivan Moraes disse:

    “Sei que é facílimo, num momento como este, refugiar-se na crítica à reitora. Sua situação não poderia ser mais frágil”

    Ta, entao: eh falha da reitora ou eh falha sistemica? Saber eh facil, eh so descobrir se ela conseguiu aumento de salario depois da ultima greve porque quando eh falha sistemica, os abismo dos salarios aumenta, nunca diminui.

  2. Roberto Santos disse:

    Me impressionou o texto.
    Faz tempo que não vejo uma veemente defesa da violencia estatal como solucionadora dos conflitos como o texto acima.
    Mas se tratando em particular do campus de uma universidade, no caso a USP, foi estarrecedor.

    Essa linha de raciocínio, foi muito difundida no Brasil nos idos anos de 70 e 80.

  3. Renato disse:

    Sensacional o texto.

  4. Gustavo Amigo disse:

    João, pergunta simples, você já organizou alguma greve na sua vida? ou melhor, já aderiu a alguma?

  5. Marcelo Sobral disse:

    Bom texto, João, que detalha, responde e desenvolve algumas questões que postei anteriormente. Na verdade você foi bem além do que comentei então, pois meu questionamento era quanto á legitimidade do protesto dos estudantes e funcionários, porém sem tecer considerações sobre a forma com que vinha sendo conduzido. E a violência como ferramenta de protesto é um ponto crucial muito bem colocado em seu texto.
    Faz pouco li um artigo sobre fanatismo, e que ia além do fanatismo religiioso pois cobria as características desse fenômeno, entre elas “a intolerância diante de anseios contrariados”. Junto com o sentimento de infalibilidade (por estar iluminado por uma razão divina ou superior), cito aqui uma definição dada por Amós Oz: “a essência do fanatismo concentra-se na vontade de forçar as pessoas mudarem”. (esse artigo está na revista Leituras da História no 19)
    Bem, acalmados os ânimos e sentando-se à mesa, é hora de realmente se discutir a sério as razões para as queixas. Desejo sorte ao pessoal da USP :-)

  6. Yuri Ismael disse:

    A crítica do autor simboliza bem, a meu ver, a força da bancada “idealista pós-modernosa” da academia: a “violencia” contra símbolos (coisas e objetos) representados pela estrutura física da universidade, é nivelada e posta no mesmo patamar (se não num mais alto) da violencia contra pessoas (estudantes, professores, funcionários, etc.). Como já dizia o filósofo, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Recomendo que o senhor João Virgilio leia o depoimento do professor Pablo Ortellado, no site do Azenha: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/professor-denuncia-agressao-na-usp/ . Mesmo depois disso, Senhor Virgílio, ainda acha que dá para colocar no mesmo nível a “violencia” contra as coisas e a violencia contra seres humanos?

    Não há justificativa NENHUMA para o emprego de ações violentas contra protestantes PACÍFICOS.

    Gostaria de ver o Senhor escrever um texto sobre a violencia contra seres humanos e o exagero da resposta policial nesse caso. Se o faz para as coisas, por que não fazer para as pessoas, a bem da honestidade intelectual e da (pretensa) neutralidade academica?

  7. comentador disse:

    Primeiramente, como bem colocado, quero aqui defender a Universidade Pública como espaço para apresentação de idéias e da Política.
    O problema é que determinadas atitudes de gestores públicos e alunos diminuem o espectro da verdadeira ação política, fazendo com que esta seja vista em seu tom mais degradante. Ao assim agirem, ambos, gestores e alunos, diminuem o impacto das suas idéias sobre a Universidade.
    Erram os políticos, por não compreenderem que o uso da força é desmedido e reforça os seus oponentes. Erram os alunos, porque violam o direito da liberdade dos demais.

    Assim, não há sentido em posições que suprimem o direito dos demais, pois assim como os alunos rejeitam o uso da violência, acabam por fazer com os demais justamente aquilo que rejeitam

    Aqui em Brasília já houve grandes discussões com alunos da UNB que faziam piquetes e já me indispus com muitos, que confundiam o direito à liberdade dos outro com idéias de privatização e violência.

    Assim, em minha opinião, o espaço público pode e deve ser mantido. Os alunos podem e devem ter os seus direitos respeitados. Mas o uso da violência, de qualquer lado, deve ser mais bem equacionado e não ser de reiteradas práticas, como é a praxe.

  8. Jacy Lascaux disse:

    Concordo com o Vergílio em gênero, número e grau. Vamos avançar nessa linha. Favelas são invasões ilegais de terra. Quem constrói barraco em terra que não é sua está ferindo a LEI. Então, não pode reclamar se amanhã baixar polícia fazendo retirada à força. Ah, e dando tiros, tacando bombas… hummmm… que tal um pelotaozinho de fuzilamento, hein? Ah, só um incendiozinho, vai?!….

    Forçou a barra. A análise dele é exclusiva para o modelo USP.

  9. Luiz disse:

    O tema é interessante, mas, no meu modo dever, completamente descontextualizado.
    O que gerou a violência dos piquetes e das mob instituiçãopúblicailizações? Porque os professores apóiam (ou são complacentes) com tais práticas?
    Acredito que a questão é outra. Essas práticas somente se legitimam porque há umaoutra violência perpetrada contra a USP, a sua desvalorização como instituição pública de ensijo,pesquisa e extensão.
    Não é segredo de ninguém que os tucanos nunca apostaram nas universidades públicas. As federais passaram por isso. Somente agora vêm se recuperando do estrago de FHC e PR. Não é questão de partidarismo – embora eu não esconda minha posição política -, basta visitar qualuer federal hohe que, ao entrar, se sente que elas estão em franca recuperação. Há 3 anos não pipocam greve de professores (algumas há mais de 6 anos). Ampliaram-se os recursos, mudou a carreira dos docentes e servidores técnicos, há expansão de novas universidade e vagas (Reuni).
    A esquerda radical tentou boicotar o Reuni,mas não teve assistência. Portanto, a violência não foi compartihada pela comunidade universitária. Ni caso da USP, o que vejo é crescente tensão da comunidade comopoder executivo.

  10. Gustavo Amigo disse:

    Nassif,

    O argumento do João é de quem nunca organizou uma greve. Não sei se ele já organizou uma, mas quem já organizou sabe da importância do piquete no movimento de greve. E é perfeitamente possível fazer um piquete pacifico, que não fira o direito do cidadão de furar a greve.

    Em 2000, participei da organização da greve na USP em São Carlos. No dia seguinte a assembleia que deflagrou a greve no campus, nos organizamos as 5:00 da manhã para fazer piquete, que o doutor João tanto condena. Decidimos por um piquete pacifico, ou seja, não iriamos bloquear a entrada de ninguém que insistisse em entrar. Isso funcionou muito bem porque vários funcionários puderam aderir a greve sem aquela pressão de adesão exclusivamente pessoal, eles podem justificar o piquete.

    Numa greve é fundamental o piquete. Sem o piquete o trabalhador fica desarmado contra o chefe e os colegas. Com o piquete, que pode ser pacifico, o trabalhador fica amparado pelo movimento.

    Na minha visão, o piquete é legítimo, desde que seja pacífico, e fundamental para um movimento de greve.

    E por fim, quem disse que piquete é ilegal, com base no que?

  11. ISMAILSON ARAUJO DA SILVA disse:

    É CORROBORO TOTALMENTE COM ARTIGO ACIMA! É INADIMISSIVEL QUE PESSOAS DITAS CIVILIZADAS UTILIZEM-SE DE TAL EXPEDIENTE (VIOLENTOS E CRIMINOSOS) PARA LOGRAR EXITO EM SEUS ANSEIOS E IDEAIS DE ENSINO PUBLICO E DE QUALIDADE! A POLICIA SO USOU DA FORÇA LEGAL E NECESSARIA! AI NUM ATO DE TOTAL DESFARSATEZ (NO MOMENTO QUE A TELEVISAO MOSTRA AO VIVO O MOVIMENTO) ESTES PROTESTANTES JOGAM FLORES NA PM E AO PISCAR DOS CAMERAS JOGAM PEDRAS E OSTILIZAM A POLICIA, QUE ALI CUMPRIA ORDEM JUDICIAL! REALMETE ESTE TIPO DE ESTUDANTES SAO A VERGONHA DESTE PAIS! LAMENTAVEL!

    Sem exgaero. E a seleção de imagens na TV não costuma ser propriamente neutro.

  12. Guimarães disse:

    Sem dúvida!
    Violência só gera mais violência, de ambos os lados.
    A gente vê no vídeo estudante jogar pedra na polícia.
    Isso é barbarismo!

  13. A Folha estampou como imagem principal ontem a imagem de um estudante “atacando” um batalhão de soldados.
    Detalhe: o estudante estava “armado” com um caderno que nem chegava a ser de capa dura

  14. flavio disse:

    Só tem uma explicação. É a síndrome do pedófilo. Quem foi molestado (correu muito da policia) quando jovem usa os mesmos metodos quando adulto. E agora que o Serra pode acionar a policia, deve estar realizado.

  15. Alberto Cordiviola disse:

    A USP não é um mundo de anjos acadêmicos procurando a verdade filosófica da vida; a USP, como toda a universidade pública brasileira, é uma instituição em permanente transformação dialética, cheia de contradições portanto. Pensar que as contradições na universidade se resolvem com a palavra é como pensar que o problema do latifúndio e a reforma agrária se resolve na “democracia representativa”. É inerente à democracia o jogo de pressões, e nelas estão incluídas piquetes e invasão de edifícios públicos e privados. Claro que estão incluídos o uso da lei e da ordem por quem deles tem proveito: a reintegração de posse e a força policial. Cada qual paga suas consequências…
    “As portas da reitoria arrebentadas a socos e chutes são um monumento à violência, são o oposto do diálogo…” as portas fechadas da reitoria também.
    Apelar agora para o direito da maioria silenciosa é esquecer com quem estava essa maioria na época da ditadura, qual foi o papel do medo na in-mobilização de estudantes e professores durante o regime militar.
    Se não dermos espaço para os, poucos, que estão dispostos a uma luta desigual contra o peso das instituições e seus braços armados, estaremos matando a força que, historicamente, fez avançar a universidade brasileira. E que, aliás, gerou boa parte, senão a maioria, dos “quadros democráticos” que hoje ocupam as diferentes áreas de poder.
    E não se diga que aquilo era um regime de exceção e agora estamos num estado de direito. O estado de direito não é um limbo invariável mas uma construção permanente. E a maioria dos professores e alunos da USP ficou, aceitando aquele estado de exceção como a forma institucional vigente, quando foram demitidos os que se opunham ao regime.

  16. Mário Latino disse:

    Na verdade é que a USP não é mais que uma sombra do que outrora foi. Professores e alumnos alienados, sem nenhum interesse pelo que ocorre e está ocorrendo com a universidade pública (estadual). Nessas circunstâncias, como convencer a dita comunidade intelectual da necessidade de arregaçar as mangas e lutar por causas justas? E que era o que os grevistas pediam? Quase nada, reajuste salarial ínfimo, a descontinuação do projeto de universidade virtual, coisinhas de nada. E a reitora, incapaz de dialogar ou de manter canais de contato, fez a primeira coisa que podia, chamar a polícia. Com o apoio de Serra, é claro. Agora que enfrente as conseqüências.

  17. Jorge Verissimo Pereira disse:

    O autor diz que “Sua situação (da reitora) não poderia ser mais frágil. Comprou briga com a “direita” quando não chamou a polícia, e agora comprou briga com a “esquerda”, ao chamá-la. Foi inábil? Talvez tenha sido, não sei.” Mas espera um pouco, ela eh reitora da maior universidade brasileira e umas das maiores melhores do mundo. Como uma pessoa num cargo destes se deixa dobrar, seja por direita ou esquerda? Nao ha duvida, pode ser ate como ele disse algo facil culpar ela, mas nao tem como nao. A posicao que ela oculpa oferece prestigios e deveres tambem.
    “Piquetes são proibidos por lei. Invasões de prédios públicos também. Em ambos os casos, a lei faculta, sim, o recurso à força policial. Foi o que fez a reitora.” Deploravel isto. Um erro nao leva a outro muito maior. Um erro maior que pode ter efeitos devastadores com aumento de posicoes extremistas. O autor deve saber que nem tudo que eh legal eh aconselhavel ou ate etico. Em 2007 uma parte da UCLA, University of California, foi invadita por alunos. Eles montaram uma casa em cima de uma arvore para impedir a construcao de edificios na area que eles julgavam nao ser adequadas (motivo ecologicos). E tambem que a universidade nao tinha negociado com eles. O que fez a universidade? Segundo o Joao ela poderia tranquilamente jogar a policia e baixar a porrada, pq a universidade estava dentro da lei e os alunos nao. Pois bem, o que a UCLA fez foi so cerca a arvore, para as obras e negociar com alunos e nao deixar ninguem mais subir, e quem descesse da arvore nao conseguiria subir mais. Enquanto estive la, por 2 semanas, os alunos permaneceram la, sendo so enviado comida a eles.
    Quanto a estes piquetes, repito que antes eles nao eram assim. Mas o Nassif falou algo um tempo atras sobre greve na USP, algo como ser uma coisa q nao impacta na vida dos outros ai. Nao seria este o problema tb. O governo estadual e a reitoria nao estao nem ai, nao querem negociar pq uma hora eles teram que voltar a trabalhar, e pq tb esta greve nao desgataria o governo como uma greve no metro. Entao na falata de dialogo o extremismo aparece. Repito, antes nao se tinha invasoes assim. Ha erros de alunos fiuncionarios professores, logico que ha. mas foram potencializados pela desastrosa incapacidade da reitora. Sim Se ela esta la deve assumir os erros e acertos. Quem mais posso culpar pela falta de negociacao? O papa?

  18. André disse:

    Para esquentar o debate eu sugiro que todos vejam o vídeo do “sintusp wars” no youtube, simplesmente memorável.

  19. Cabocla disse:

    Na mosca, para variar, João…

    Quando eu era aluna da USP, a Medicina raramente aderia às greves.
    Éramos acusados-com razão- de não nos sentirmos pertencentes à Universidade, já que fazíamos – e parcialmente, nao sei como está hoje – apenas as matérias básicas na Cidade Universitária, durante os dois primeiros anos.
    Os outros 4 eram integralmente na Faculdade de Medicina, no HC e HU.

    Nos meus seis anos de Faculdade passei por apenas duas, ambas motivadas por problemas da própria Medicina:

    No meu primeiro ano porque a Congregação ameaçava não corresponder às regras do MEC para reconhecimento da Residência Médica, o que a transformaria em estágio, portanto sem o menor controle de horas trabalhadas, salários e título de especialidade – naquela época era automático sermos especialistas depois da Residência, desde que fosse reconhecida pelo MEC.
    Pois bem, os grevistas entravam nos intervalos da aula para falar conosco, exatamente como vc diz, agindo com as palavras.
    Quem aderiu, aderiu. Quem não, assistia às aulas normalmente.
    Paralelamente, o comando da greve fazia reuniões com a Congregação, que os recebia normalmente. Sem invasões, dentro da ordem.
    Apesar da Congregação ser reacionária e não muito preocupada com a opinião dos alunos, conseguimos, ela voltou atrás.

    No meu 5° ano tivemos greve dos residentes, que claro, tentavam nosso apoio. Aí pegou na veia. Sem residentes, os assistentes e professores tiveram que ir acompanhar os pacientes, ensinar os internos, toda essa “chatice” da vida de professor…
    Não foram expulsos, não sofreram sanções, não fizeram piquetes e conseguiram o pleiteado. Não houve violência de nenhuma das partes.

    Uma vez perguntei a uma amiga porque ela nunca entrava em greve. Ela me disse que as greves eram sempre para nosso interesse, para nosso umbigo. Não eram comprometidas com o público que nos custeava os estudos. Se eu já tinha visto greve por melhores condições de assistência à população. Fiquei passada de vergonha, mas era vero…

    No meu 6° ano – 1989 – foi o ano do massacre na Praça da Paz celestial na China, e era assim que o PS/HC era conhecido na grande imprensa…
    Pacientes nos corredores e até saguão de entrada, de tao lotado.
    Pos isso – pela falta de condições de atendimento decente à população – nem se pensou em greve….

    Uma greve que depende de uso da força, por não conseguir mobilizar com a palavra a comunidade acadêmica não é uma greve legítima, ainda que o instrumento o seja.

    De fato, chamar a polícia é radical, mas também como vc não sei julgar o que poderia ter sido feito e não foi pela reitora. Nem a estou defendendo. Mas a USP não é de quem estuda nela somente. É, como vc diz, um bem comum.

    A Medicina vive ainda uma outra dificuldade que não parece acontecer nos outros cursos. Os badalados professores – com as sempre raras e honrosas exceções – usam o estar ligado à Universidade para seu consultório, para a mídia, mas dar aulas?
    Isso fica para os residentes ou assistentes em início de carreira – até eles também chegarem lá e tirarem o corpo fora do ensino.
    Os internos fazem trabalho de auxiliar de enfermagem: empurram macas, levam pacientes a exames, colhem sangue…
    Enfim, a melhor Faculdade de Medicina do País poderia ser muito melhor.
    Nesses 20 nos de formada, nunca vi greve para isso.

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