O ciclo dos juros baixos
Ainda tem que se caminhar muito em direção à criação de uma taxa de juros de países civilizados. A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), de reduzir a Selic em 1 ponto, traz a taxa para a faixa de um dígito pela primeira vez na história.
Mesmo assim, continua uma taxa extremamente elevada, ainda mais em função das demais taxas internacionais. Continua permitindo as arbitragens em cima do real. Além disso, na ponta o dinheiro continua extremamente caro.
Tem que se avançar urgentemente em duas linhas:
1. Pacto com o mercado, de reduzir a tributação sobre as operações financeiras e exigir a ferro e fogo a redução do spread. Inclusive com o uso intensivo do Código de Defesa do Consumidor e das leis de direito econômico.
2. Estabelecer taxações para a livre entrada de capitais.
Hoje em dia há uma dinheirama de brasileiros entrando e saindo do país, não ajudando a consolidar um nível estável de poupança. Esse dinheiro era da mesma natureza dos capitais voláteis do início dos anos 30.
Agora, tem-se um combate gradativo aos paraísos fiscais, escassas possibilidades de investimento em outras economias. E parte desse capital começa a ser despejado na economia real.
É o momento de aumentar o custo dessa volatilidade e induzir a vinda de mais capital para a economia real.
Quem leu meu “Os Cabeças de Planilha” sabe que, na análise comparativa do então ciclo especulativo, com o que ocorreu nos anos 20 e 30 no país, previ os seguintes pontos:
1. Fim do ciclo especulativo internacional, pela ampla disfuncionalidade dos mercados.
2. Ampliação do combate dos estados nacionais ao crime organizado, o que resultaria em cerco cada vez maior aos paraísos fiscais.
3. Esses capitais brasileiros internacionalizados regressando ao país, indo irrigar a economia real.
Ainda não chegamos, mas estamos perto do início do terceiro ciclo.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia, Novo Modelo Tags: juros, novo ciclo, Selic

Creio que a forte queda da economia brasileira no quarto trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009 se deveu a um enorme erro do COPOM ao não considerar os efeitos da queda dos preços internacionais, e ao substimar os impactos da falta de crédito no consumo das famílias, principalmente bens duráveis.
Era fundamental iniciar rapidamente a queda dos juros da selic e aumentar ainda mais a liquidez, o que alías ainda é necessáriopara garantir a continuidade da recuperação da economia brasileira em 2009 e 2010.
Se hoje ainda é necessário, imagine então no quarto trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009, quando a situação estava muito pior.
Valor Econômico, divulgado pelo clipping do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
Mais reservas blindam eleições
Autor(es): Claudia Safatle
Valor Econômico – 12/06/2009
A compra de dólares para acumulação de reservas cambiais, retomada em maio pelo Banco Central (BC), deve ter como subproduto uma blindagem política nada desprezível: o país chegará às vésperas das eleições presidenciais de 2010 com um colchão de reservas jamais visto.
Não há meta, mas, conforme a intensidade do ingresso de recursos, as reservas poderão atingir a casa dos US$ 250 bilhões…………
………..Não se espera, para as eleições de 2010, nada parecido com o vendaval de 2002. O país mudou e o mundo é outro.
Os técnicos da área econômica, porém, identificam um histórico de depreciações cambiais em períodos de campanha presidencial, fruto das incertezas com relação às diretrizes econômicas das novas administrações.
Acham que na eventual disputa entre Dilma Roussef, ministra da Casa Civil, e José Serra, provável candidato do PSDB, não haverá dúvida quanto ao compromisso de Dilma com a preservação dos fundamentos da macroeconomia, dados pelo tripé meta de inflação, superávit fiscal e câmbio flutuante, mas tal incerteza, alegam esses técnicos, é legítima no caso de Serra, alimentada pelo fato de que ele nunca demonstrou nenhuma simpatia por esse arcabouço, à exceção da área fiscal, onde muito provavelmente ele seria mais austero. Serra também não esconde seu desacordo com a autonomia do Banco Central, que ele acha que, por excesso de conservadorismo ou erros de avaliação, vem mantendo os juros ainda elevados………………
confira no link abaixo,
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/6/12/mais-reservas-blindam-eleicoes
Da Agência Brasil , Última modificação em 12 de Junho de 2009 – 09h36
Calçado brasileiro perde mercados e faturamento no exterior a cada ano
Jorge Wamburg /Enviado Especial
Novo Hamburgo (RS) – O Brasil é o terceiro produtor mundial de calçados, com 800 milhões de pares por ano, superado apenas pela índia, com 900 milhões, e pela China, com 9 bilhões, mas a crise econômica mundial enfraquece o calçado brasileiro, que, ainda por cima, sofre com a forte concorrência dos importados chineses.
O resultado é uma redução nas vendas externas brasileiras, que; no primeiro quadrimestre do ano; caíram 26,5% na quantidade de pares vendidos, embora o país se mantenha também como o quinto maior exportador mundial, com 165 ,5 milhões de pares comercializados no ano passado.
O Brasil só perde em volume de exportações de pares de calçados para a Itália (200 milhões), Vietnã (500 milhões), Hong Kong (700 milhões)
e China (7 bilhões).
A queda nas exportações brasileiras tem consequências sérias para o maior polo calçadista do país, o do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, que vem perdendo empresas, postos de trabalho e faturamento…………….
………..O faturamento também despencou: foram obtidos pelos exportadores brasileiros US$ 469 milhões contra US$ 646,5 milhões de janeiro a abril do ano passado, uma redução de 27,4% nas vendas externas de calçados. Por isso, o diretor executivo da Abicalçados, Heitor Klein, não esconde a o temor do setor com a situação: “Estamos muito preocupados com o desempenho no mercado externo, que não mostra sinais de reação positiva”.
Uma preocupação que se justifica, embora seja do mercado interno, é que a indústria de calçados brasileira obtenha seu maior volume de vendas, com 70 % do que produz vendido no território nacional. O problema é que a invasão chinesa no setor de calçados está fazendo a indústria brasileira perder mercado dentro do próprio país, o que já virou caso de briga jurídica, com um processo por dumping (concorrência desleal) aberto pela Abicalçados no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
confira no link abaixo,
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/06/10/materia.2009-06-10.8839961321/view
Agência Estado, divulgado pelo Último Segundo do IG, 12/06/2009 – 09:24
Funcex: rentabilidade de exportador já caiu 12% este ano
Achatada pela combinação de preços em queda, câmbio sobrevalorizado e demanda mundial fraca, a rentabilidade das exportações brasileiras já encolheu este ano 12%, até abril. Comparada com outubro de 2008, pico de rentabilidade no ano, a margem média dos exportadores recuou 20,7%, segundo índice calculado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex)………………
………….. A questão é que a taxa de câmbio é um dos principais preços da economia, variável-chave de todo o setor produtivo. Sempre que o câmbio estiver sobrevalorizado, há um desestímulo não apenas à exportação, mas também à produção local, aos investimentos e à geração de emprego e renda, na medida em que o dólar barato favorece a importação.
“A indústria ficou muito pouco competitiva com o câmbio no nível atual”, diz José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Vitopel, fabricante de embalagens plásticas flexíveis. “Não chegou ao ponto de causar prejuízo, mas é apavorante ver gente falando que o dólar vai chegar a R$ 1,80.”
Boa parte das empresas fechou contratos de exportações no primeiro trimestre com câmbio entre R$ 2,25 e R$ 2,30 e está entregando produtos com o dólar valendo menos que R$ 2. Agora, elas precisam de mais reais para poder pagar as suas contas internamente, tais como salários, impostos, fornecedores e outros compromissos assumidos para a produção do bem exportado…………
confira
***
NASSIF DISSE: Ainda tem que se caminhar muito em direção à criação de uma taxa de juros de países civilizados. A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), de reduzir a Selic em 1 ponto, traz a taxa para a faixa de um dígito pela primeira vez na história.
Mesmo assim, continua uma taxa extremamente elevada, ainda mais em função das demais taxas internacionais. Continua permitindo as arbitragens em cima do real. Além disso, na ponta o dinheiro continua extremamente caro.
***
Correto.
***
NASSIF DISSE: Tem que se avançar urgentemente em duas linhas:
1. Pacto com o mercado, de reduzir a tributação sobre as operações financeiras e exigir a ferro e fogo a redução do spread. Inclusive com o uso intensivo do Código de Defesa do Consumidor e das leis de direito econômico.
***
Há quatro formas combinadas de reduzir o spread:
a) reduzir o encargo direto sobre as operações (IOF). Isso vai beneficiar investidores, clientes e tomadores. É canetada e adequação orçamentária da União.
b) desconcentrar o sistema. Poucos bancos implicam em pouca concorrência. Infelizmente, não se faz num passe de mágica.
c) Forçar BB e CEF a reduzir seus spreads. Pelo efeito concorrência, já se sabe o que ocorre com os privados.
d) Reduzir o compulsório.
Defesa do consumidor deveria ser aplicada para as tarifas bancárias. Seria mais produtivo.
***
NASSIF DISSE: 2. Estabelecer taxações para a livre entrada de capitais.
Hoje em dia há uma dinheirama de brasileiros entrando e saindo do país, não ajudando a consolidar um nível estável de poupança. Esse dinheiro era da mesma natureza dos capitais voláteis do início dos anos 30.
Agora, têm-se um combate gradativo aos paraísos fiscais, escassas possibilidades de investimento em outras economias. E parte desse capital começa a ser despejado na economia real.
É o momento de aumentar o custo dessa volatilidade e induzir a vinda de mais capital para a economia real.
Quem leu meu “Os Cabeças de Planilha” sabe que, na análise comparativa do então ciclo especulativo, com o que ocorreu nos anos 20 e 30 no país, previ os seguintes pontos:
1. Fim do ciclo especulativo internacional, pela ampla disfuncionalidade dos mercados.
2. Ampliação do combate dos estados nacionais ao crime organizado, o que resultaria em cerco cada vez maior aos paraísos fiscais.
3. Esses capitais brasileiros internacionalizados regressando ao país, indo irrigar a economia real.
Ainda não chegamos, mas estamos perto do início do terceiro ciclo.
***
O que você escreve guarda certa lógica, se feito de maneira inteligente (o que não costuma ser praxe nas intervenções do governo – qualquer governo – no mercado financeiro):
1) Uma taxa (Tobin) para onerar a movimentação de recursos (uma CPMF internacional) que flippam nos mercados é ok.
2) Sobre os paraísos fiscais, ok.
3) Aqui é presunção. Eles podem optar, mesmo a certo custo, migrar para fora do país se as condições lá fora forem melhores. Mesmo que fiquem, só migrariam para negócios produtivos se a expectativa de retorno fosse superior ao ganho no mercado financeiro. Ou seja, as taxas PRIMEIRO teriam de baixar para que essa opção fosse factível, ainda correndo o risco de que seja melhor migrar o dinheiro, mesmo a certo custo, para fora do Brasil.
Para que o capital financeiro queira investir em negócios, seja como private equity ou outro formato, o ambiente para fomento no país deveria ser melhor. Temos um sistema tributário e previdenciário caro e confuso (extremamente confuso). Um modelo regulatório e jurídico ineficiente e sem credibilidade.
da Folha de S.Paulo, 13/06/2009 – 11h21
Lucro dos bancos que atuam no país tem queda de 39%
da Folha de S.Paulo, em Brasília
Com a crise, o lucro dos bancos que atuam no Brasil caiu 39% no primeiro trimestre deste ano quando comparado com os primeiros três meses de 2008, segundo levantamento feito pelo Banco Central a partir dos balanços entregues pelas instituições financeiras. No período, os ganhos acumulados pelo setor passaram de R$ 12,3 bilhões para R$ 7,5 bilhões.
Os números consideram apenas os chamados bancos comerciais, ou seja, aqueles que oferecem contas correntes a seus clientes. Se considerados apenas as chamadas financeiras independentes -que operam apenas com a concessão de empréstimos e não estão ligadas a grandes conglomerados financeiros-, a queda foi maior: no mesmo período, o lucro recuou de R$ 70 milhões para R$ 14 milhões…………….
………………….O estudo, porém, é limitado por não falar na situação individual de cada banco, mesmo que sem citar nomes, como aconteceu recentemente nos EUA. ………….
………….Além disso, nem todos os parâmetros considerados pelo BC estão próximos da realidade.
O estudo considera, por exemplo, que a cotação do dólar não cairia para menos de R$ 2,06, sendo que hoje a moeda dos EUA já é negociada abaixo de R$ 2.
O que os balanços dos bancos mostram é que, no primeiro trimestre do ano, as instituições sofreram muito com o aumento nos juros praticados no mercado financeiro, que levou a uma forte elevação nos seus custos de captação.
Entre janeiro e março, os bancos gastaram R$ 44,5 bilhões para captar recursos com empréstimos de curto prazo, 44% mais que no mesmo período de 2008.
Como o setor não conseguiu repassar todo esse aumento de custos aos clientes, o resultado foi uma queda de 15% no lucro com operações de intermediação financeira.
confira no link abaixo,
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u580531.shtml
A decisão do Banco Central (BC) de reduzir para 9,5% sua taxa de juros não contém apenas o simbolismo de transpor a barreira dos dois dígitos.
Ela deixou lá atrás, no lado fronteiriço ultrapassado, os que defendiam a ideia de reduzir juros na marra, por decreto, de cima para baixo, de forma autoritária e desprezando regras e leis do mercado, e os que defendiam que a queda dos juros da Selic só seria possível depois que todas as reformas fossem realizadas.
O fato é que a atual queda dos juros da Selic demonstra que já havia condições para o COPOM praticar juros da Selic bem mais baixos, essas mesmas condições são também as que permitiram o Brasil resistir a maior crise econômica do capitalismo de uma forma diferente do que em crises econômicas internacionais até agora.
A queda dos juros da Selic já era possível antes da quebra do Lehman Brothers, como era a condição necessária para tornar possível as reformas.
Agora quanto a queda do Investimento e a queda do produto interno bruto (PIB) no segundo trimestre seguido desmoralizou demonstrou antes de mais nada que o Ministro Guido Mantega trabalhava com vários cenários, o que permitiu implementar rapidamente as medidas necessárias para recuperar o nível da atividade econômica no Brasil.
A recuperação só não foi mais rápida por monumental erro do BACEN, o único pego de surpresa, que ficou saber o que fazer.
É ruim ver o País entrar em recessão, mas a queda livre e recorde do investimento, além de ser uma reação natural do setor privado em nada vai atrapalhar os sinais de retomada da atividade econômica.
É preciso dizer antes que a queda livre e recorde dos investimentos no Brasil, se deveu antes de mais nada ao alto ritmo do crescimento dos investimentos no período anterior a queda do Lehman Brothers, o que indica que a maturação dos investimentos já realizados combinado com a retração da demanda agregada irá permitir um aumento da capacidade instalada.
Da mesma forma que houve uma queda dos investimentos privados com a retração da demanda agregada, haverá uma forte retomada dos investimentos privados caso ocorra uma retomada do ritmo de crescimento do PIB no Brasil, o aporte de R$ 100 bilhões, é garantia dos recursos necessários para uma eventual retomada do crescimento dos investimentos privados.
Creio que a queda do produto interno bruto (PIB) no segundo trimestre seguido desmoralizou de vez a marolinha e as projeções sonhadoras do BACEN, o único que não trabalha com a forte queda da liquidez internacional, com a forte queda dos preços interacionais e da demanda externa.
O que fez o COPOM manter os juros da Selic no quarto trimestre de 2008, por acreditar que estava ocorrendo aumento da inflação e da demanda como consta nas atas das reuniões do COPOM de outubro e dezembro de 2008 e no Relatório de Inflação do BACEN de dezembro e 2008, impedindo uma reação mais rápida da economia brasileira.
Pelo jeito o único que não trabalhava com vários cenários no Governo do Presidente Lula, era o BACEN.
O Estado de S.Paulo, Domingo, 14 de Junho de 2009
A muralha dos juros
Suely Caldas, jornalista, é professora de Comunicação da PUC-Rio
E foi no meio de uma crise e de uma recessão econômica que finalmente o Brasil atravessou uma fronteira que parecia intransponível, separada que era por um obstáculo invisível, mas forte, poderoso e resistente – comparável aos seis mil quilômetros da grande Muralha da China……………
…………..A decisão do Banco Central (BC) de reduzir para 9,5% sua taxa de juros não contém apenas o simbolismo de transpor a barreira dos dois dígitos. Ela deixou lá atrás, no lado fronteiriço ultrapassado, os que defendiam a ideia de reduzir juros na marra, por decreto, de cima para baixo, de forma autoritária e desprezando regras e leis do mercado……….
…………..Investimento – A queda do produto interno bruto (PIB) no segundo trimestre seguido desmoralizou de vez a marolinha e as projeções sonhadoras do ministro Guido Mantega. É ruim ver o País entrar em recessão, mas a pior notícia do PIB foi a queda livre e recorde do investimento, justamente porque a falta dele vai atrapalhar os sinais de retomada da atividade econômica………………….
……….Quem sabe a queda dos juros ajude a destravar e a encontrar a saída.