iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
10/06/2009 - 08:00

O modelo de saúde nos EUA

Por Waldyr Kopezky

Caro Nassif:

O “caos” da Saúde, mas não daqui

A segunda morte nos EUA de uma vítima da gripe suína (uma brasileira, adotada bebê e  naturalizada norte-americana) – e outras 226 pessoas doentes confirmadas pelo CDC (Centro de Controle de Doenças Infecto-contagiosas) de lá foi coroada com a notícia de que, hoje, a OMS anunciou oficialmente que a epidemia global de gripe suína é uma pandemia. Mas, no Brasil, ainda é apenas um surto: somente 40 casos e nenhuma morte, o que é positivo para as autoridades sanitárias em nosso País.

Seria interessante, inclusive, abordar por outra ótica:

Nos EUA, saúde e educação públicas não são deveres do Estado. Não está escrito na constituição deles. Não sendo, não há (como no Brasil) a obrigatoriedade das esferas públicas (municipal, estadual ou federal) na disponibilização de recursos para a construção de uma rede pública de atendimento – as escolas públicas são pouquíssimas e não se fala em “déficit educacional”, sendo que o mesmo ocorre na rede de hospitais: a quase totalidade é de particulares. Para se ter uma idéia, se uma pessoa pobre (a média de renda de famílias na classe D é de, aproximadamente, U$ 6 mil/mês, para menos) chega no pronto-socorro de um hospital privado vítima de acidente ou de uma doença grave e não tiver um plano se seguros que atenda os gastos com saúde, ela recebe o atendimento emergencial, vai para a enfermaria mas não recebe tratamento algum; só é deixado lá, para morrer (segundo me informaram, o máximo que fazem – por pura “liberalidade humanitária” – é enchê-lo de morfina, para que ele possa ir sem dor).

Tal modelo mostra-se totalmente errado, principalmente em um cenário de proliferação de doenças infecto-contagiosas, porque a ação seria de erradicação dos focos nas camadas mais baixas da sociedade, onde as condições sanitárias são menores e a instrução, pior.
“Jovem americana que morreu de nova gripe nasceu no Brasil”

Clique aqui

Autor: luisnassif - Categoria(s): Saúde Tags: , ,

48 comentários para “O modelo de saúde nos EUA”

  1. Waldyr Kopezky disse:

    Caros Sanzio, Foo e joao:

    Sobre Saúde: não digo que o Brasil é muuuito melhor que os EUA. Mas é um pouco. Infelizmente, só temos São Paulo como centro de referência e excelência mundial, e o Brasil inteiro vem pra cá: só quem já esperou sete horas (!) na fila de um ambulatório de oncologia no Hospital das Clínicas com um parente sabe o que é isso. Mas fomos atendidos, e em alto nível, mesmo pelo SUS. Tenho parentes de minha esposa que retiram medicamentos na Farmácia do Povo pagando menos da metade do valor de um genérico similar em qualquer farmácia; meu sogro mesmo retirava insulina no posto de Saúde da Prefeitura toda semana, e “ai” deles se não tivesse: eram obrigados por lei a conseguir em 48 horas.
    Não consegui encontrar de quem era o post que falava sobre um padrão no Brasil de atendimento por clínicas: isto está errado. Este é o modelo do Rio e de muitas grandes cidades brasileiras, mas não é o de SP. Aqui, a rede de hospitais (tanto privados quanto públicos) é extensa – e melhor do que em muitas grandes cidades americanas.
    Mas, sim, afirmo com convicção que este modelo pode levar a uma disseminação mais rápida de qualquer pandemia, porque restringe o atendimento a pessoas com poder aquisitivo, enquanto a doença continua a grassar pelas classes menos favorecidas e de condições sanitárias mais precárias.

    Caros Antonio e André Araújo:
    Há algum tempo, tenho um amigo em Orlando. Riquíssimo. Mas ele é testemunha da situação: não se vive, lá, com menos do que seis mil dólares, mesmo. Famílias americanas WASP (white, anglo-saxonian, protestant) com casa própria e essa renda não conseguem viver bem (têm que pegar cestas básicas em centros de ajuda do governo!) nas grandes cidades. Veja bem: alimentação, gasto essencial! Porque lá tudo é pago, e caro. Caríssimo. Este é o custo médio em uma grande cidade, por lá; mas há outras realidades, como a comentarista do Arizona e a Vivi Rodrigues bem colocaram.

    Sobre educação: nem vou levantar a polêmica do modelo americano de ensino, que é paupérrimo – o nosso é baseado no francês (os franceses fecharam s principais cidades do país há alguns anos, quando o governo tentou implantar o sistema americano lá): pelo que eu sei, a grande maioria do ensino de primeiro grau nos EUA é público, mas não do governo: as escolas são mantidas por instituições ligadas a igrejas, lojas maçônicas, entidades patronais, empresas, principalmente em cidades de médio/pequeno porte. A filantropia é forte. Nas grandes – como Nova York, LA -, porém, está o problema do “déficit educacional”: faltam vagas no Bronx, em Chinatown, no “bairro brasileiro” (que parece mais um quarteirão), e o estudo é de baixa qualidade. E as grandes cidades têm – tanto lá quanto aqui – um peso populacional considerável. Não sei exatamente sobre o ensino médio, mas deve ir pelo mesmo caminho. Esta história de que as esferas estadual e municipal suprem isso totalmente não confere muito com o que eu tenho ouvido.
    Ensino superior: não há ensino superior público. Quer faculdade? Entra pras Forças Armadas que elas pagam. E só. Abs.

  2. Waldyr Kopezky disse:

    No post anterior, uma ressalva: quando falei do modelo que acelera pandemias (final do primeiro parágrafo), quis dizer o americano, viu?

  3. Waldyr Kopezky disse:

    Caro Wandhklêysson (êta, um nome mis complicado que o meu!):

    Você falou bem. Os EUA – tanto quanto o Brasil, Rússia e China – é um “mundo” de diversidade e realidades. Alguns lugares bem servido, bom para viver; outros muito mal em vários aspectos. Não tem como comparar com nenhum país. Apenas quis mostrar uma realidade: não é tão bom quanto parece, ou quanto se “canta” por aqui. O modelo de Saúde e Educação no Brasil impostos pela Constituição Federal de 1988 foi, para dizer o mínimo, “de cima para baixo”: ouço muito de autoridades municipais d GRande São Paulo (também sou jornalista) que governar, hoje, é infinitamente mais difícil do que há algumas décadas – também, agora eles têm que gerir obrigatoriamente uma rede de ensino publico infantil e fundamental (o ensino médio fica com o Estado) e e uma rede de Saúde Básica. Foi bom, mas foi meio autoritário.
    O que é importante mostrar é que o “modelo federativo” de lá e daqui tem pontos fortes e fracos: lá, a pouca ou nenhuma obrigação por lei forçou a uma disseminação de empreendimentos privados, que alcançou mesmo as tarefas assistenciais (filantropia) da sociedade, mas que pode ruir com a escassez de dinheiro (quem não paga não tem e morre doente, passando o mal a outros); aqui, a regulação governamental de seu papel criou um “monstro assistencialista”, caro mas mais eficaz em situações de gerenciamento de crises, onde decisões rápidas (e, às vezes, drásticas) podem ser tomadas para a contenção de situações de pontencial risco grave à sociedade.
    Por falar nisso, vocêsjá viram o video do meio milhão de caixõesdeplástico estocados por lá? Sem teorias conspiratórias – por si só, já é assustador. Vejam em http://www.youtube.com/watch?v=9wV3vc9kDEM&eurl=http%3A%2F%2Foprofeta.net%2F%3Fp%3D822&feature=player_embedded

  4. Waldyr Kopezky disse:

    Caríssimo Tom:
    Não havia lido seu post, antes. Mas sobre os números e a comparação (que pra vc é injusta): não vejo outra forma de comparar desempenho sem medir resultados.Parece cruel, fora da realidade (principalmente pelos argumentos que você elencou – a proximidade c/ o México, população, etc.). Mas é o único jeito. E eles tão pior. É um referencial de gestão da Saúde apenas, embora eu tenha – a partir disso – comparado sistemas e mecanismos de desenvolvimento, para debater. Abs.

  5. Tom disse:

    @Waldyr

    Já que é só “usar números” para “medir resultados”, então, pode parecer cruel pra vc, mas Burkina Faso está dando de goleada no Brasil; lá não houve nenhum caso confirmado da gripe suína. Serra Leoa também, nenhum caso. O que o sistema de saúde deles têm que não tem aqui no Brasil? Olha que estou “usando números” para “medir resultados” hein!!!

  6. Waldyr Kopezky disse:

    Verdade, Tom, verdade…
    Tua afirmação tem justificativa em meu discurso. Você usou meu argumento para contrapor, perfeito. Mas continua não tendo lógica: números só podem ser instrumentos válidos de comparação em modelos minimamente equivalentes, como Brasil e EUA, ou China, ou Rússia, etc., em que uma grande extensão e uma população numerosa são desafios para um universo de amplo atendimento e prevenção de doenças. Não é o caso de Burkina Faso, nem dos Emirados Árabes Unidos ou mesmo da Mongólia. Abs.

  7. João Quadros Coimbra disse:

    Muito bem. Os americanos estão deseperados com o custo do sistema de seguros de saúde deles, dizem que vai levá-los a falência. pelo menos é o que ouço o Obama falar. Mas acho que eles estão preocupados mesmo é com as empresas que prometeram atendimento de saúde aos seus empregados e agora estão quebradas.
    Mas as empresas seguradoras não largam o osso. Compram todos os políticos igual ao que fazem aqui os bancos para manter os juros altos e os rentistas continuarem lucrando.
    Estou tentando entender o que acontece aqui e lá, estou acompanhando o que acontece lá através do http://www.democracynow.org e http://www.therealnews.com, outro bom tb http://www.naomiklein.org e outros
    Daqui li um bom artigo do Scielo (http://www.scielo.br/pdf/csp/v7n3/v7n3a04.pdf) que define uma metodologia de comparação. E baixei outro (http://www.redeamericas.org.br/files/ComparacaoSistEuropeus_SUS.pdf)
    vou ler em seguida.
    Minha impressão é que significaria, mudar muito a face dos EUA, adotar um sistema universal de atendimento de saúde, as últimas notícias dizem que isto não vai acontecer, até agora. Mas me impressiona o fato de que existem americanos que se importam, que lutam por um atendimento mais igual. Sempre vão existir médicos gananciosos como emtodas as áreas, que acham que com isso serão melhores, mais bem sucedidos, porque acumulam mais bens, do que os outros.
    Acho que a única solução está no amor, em nos dedicarmos a atender os necessitados, custe o que custar.
    Saudações.

  8. [...] EUA, a discussão da criação de um sistema público de saúde já começou cheia de acusações e traições. O nível de tensão já começou nos desacertos e [...]

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo