O elo perdido da bossa nova
Da série Blogueiro sofre….
Olha o que saiu no Observatório da Imprensa, do Maurício Caleiros
(…) ou o efeito das incontornáveis idiossincrasias pessoais que marcam a atividade blogueira e que tendem a tornar-se repetitivas e irritantes com o tempo (como a insistência de Nassif em colocar Collor de Mello na lista dos melhores presidentes da história do país ou de afirmar que a batida da bossa nova foi criada, em gravações que aparentemente só ele ouviu, pelo grande violonista Garoto e não, como consideram 10 entre 10 pesquisadores, por João Gilberto).
E eu procurando feito um doido as gravações que recebi do Trio Surdina, com o elo perdido, a batida da bossa nova e que provavelmente se foram com um HD que deu pau. Achei a faixa em questão em um arquivo do BLog antigo, mas estava corrompida.
Felizmente tem o Blog do Loronix, o maior acervo de LPs das décadas de 50 a 70. E lá finalmente encontrei o LP do Trio Surdina (formação de Garoto ao violão, Fafá Lemos, no violino e Chiquinho do Acordeon) com a música. O LP é de 1953, quatro anos do histórico “Chega de Saudade”.
Aí vai o LP
Track List
01 – Ternamente (J. Lawrence / W. Gross)
02 – O Relógio da Vovó (Fafá Lemos / Chiquinho do Acordeom / Garoto)
03 – Duas Contas (Garoto)
04 – Felicidade (Garoto / Haroldo Barbosa)
05 – Ninguém Me Ama (Antônio Maria / Fernando Lobo)
06 – Na Madrugada (Nilo Sergio)
07 – Nós Três (Fafá Lemos / Chiquinho do Acordeom / Garoto)
08 – Malagueña (Tradicional)
A faixa em questão é “O Relógio da Vovó”, que coloquei em primeiro lugar na lista.
Se não estiver visualizando, clique aqui.
Autor: luisnassif - Categoria(s): MPB, Música Tags: batida, bossa nova, Garoto

Para estes ”bate-fundo” de opiniões musicais sempre me socorro ao Mestre.
E o que ele diz sobre os anos 60( bossa nova)
Ei-lo:
RUY CASTRO
A década que não existiu
RIO DE JANEIRO – Tenho uma tese de difícil defesa e baixa possibilidade de aceitação, que só revelo aos mais chegados quando eles prometem não rir: a de que os míticos anos 60, que apaixonam todo mundo- tanto os que os viveram como os que só os conheceram de livro, disco ou filme-, não existiram.
Com isso quero dizer que, até 1965, ainda não tínhamos saído completamente dos anos 50. E, a partir de 1966, já estávamos nos anos 70 e não sabíamos. Donde os anos 60 não existiram. Tudo bem, é um enunciado ousado, talvez antipático. Mas, somente para argumentar, eis alguns dos motivos que me levaram a tal conclusão.
Até 1965, os homens ainda usavam terno e gravata. Cuidavam para não desfazer o vinco da calça e aplicavam Glostora ao topete. Os rapazes dobravam as manguinhas da camisa-esporte ao estilo James Dean. As mulheres usavam anáguas, armavam o cabelo com Bombril e só saíam à rua de frasqueira. Ainda não havia a pílula, donde os casais tinham de se virar para fazer amor. Fumava-se Hollywood e se tomava Old Parr. Tudo como nos anos 50. E, como nestes, lia-se Sartre, Faulkner e Giselle Monfort.
A partir de 1966, tudo acima foi abandonado, exceto Sartre, premiado com alguma sobrevida. Os homens aderiram aos jeans, às camisas coloridas e às calças justas e sem bolso. Muitos nunca mais foram ao barbeiro. As mulheres converteram-se à minissaia, passaram para a maxissaia e acabaram na midissaia. Veio a pílula e nos locupletamos todos. Fumava-se maconha e se tomava LSD. Como nos anos 70. E, como nestes, já se lia Marcuse, McLuhan e Mao Tse-tung.
Ou seja, sobrou pouco que se pudesse considerar exclusivo dos anos 60. Godard. Barbarella. Twiggy. Ravi Shankar. Geraldo Vandré. Leno & Lílian. Vladimir Palmeira. Ted Boy Marino. Topo Gigio.
Pois eu já acreditava em você. Já tinha ouvido Garoto -não esse disco, outros – e achado que a Bossa Nova podia ter começado por ele.
Dá-lhe!
“Só não poderá falar assim do meu amor….”
Na segunda parte da música o tema é bem parecido, só que cortando a frase pela metade.
Como eu sou da década de 80, e fã da Bossa Nova, vou só assistir para ver no que dá. Mas na terceira vez que eu ouvi achei uma batida parecida com a Bossa… Essa é novidade.
Bolero é bossa nova?
Impressionante! Um achado riquíssimo, Nassif. Tínhamos um Trio em Brasília chamado “Anjos e Arranjos” – inclusive o Bass Jorge Helder fez parte dele durante alguns meses.
Nosso repertório, além de instrumental, era mesclado das bossas nesse estilo mais apurado misturados aos chorinhos estlizados de Valdir, Ernesto, Pinxinguinha… Bateu soldade…
Eu acho essa discussão irrelevante, o importante que a bossa é nossa e o Beasil ganhou, inclusive o jogo.
Esse dueto entre violão e violino me lembrou da dupla Django Reinhardt e Stéphane Grappelli. Muito provavelmente essa sonoridade do “jazz cigano” chegou ao Brasil via França na primeira metade do século XX e foi rendendo frutos até chegar nesse disco. Não seria a primeira vez que a música brasileira bebe da fonte dos Roma, vide o Frevo.
A internet é boa porque mata o pau e mostra a cobra.
Só vc ouviiu, tá errado, aqui nós também estamos ouvindo….
Não sabia que existia esse tipo de relacionamento entre donos de blogs….mau exemplo para o leitores e comentaristas…..rsssssssss
Quem melhor definiu a Bossa Nova foi Adelino Moreira, naquela música Seresta Moderna, cantada pelo Nelson Gonçalves.
…UM GAIATO CANTANDO SEM VOZ
UM SAMBA SEM GRAÇA
DESAFINADO QUE SÓ VENDO
E AS MENINAS DE COPO NA MÃO
FINGINDO ENTENDER
MAS NA VERDADE NADA ENTENDENDO
Irrelevante ou não, Marcia, o fato é que é a batida, ou seu gérmen, está aí.
A mim o Nassif tem razão. Mas, de qualquer modo, acho que foi João quem lhe deu forma definitiva e a lançou. Quem “descobriu” o Brasil? Se o outro veio e não levou, como alguns teóricos afirmam, Portugal não teve culpa, não fez caso com o descaso e levou.
Já varei noites atrás de uma simples autoria de uma frase por ter o maldito hábito de ser esquecido por natureza, logo, nunca confio na cuca quando é pra argumentar. Não afirmo nada que não tenha absoluta certeza e, quase sempre estou em parada estratégica, pra reestudo da situação, já que não sou infalível, logo, é necessário humildade e questionamentos frequentes antes de fecharmos uma questão. Essa do João Gilberto ser o “inventor” da Bossa Nova… E o que é bossa nova senão o velho sambinha de coco numa batida mais leve, um jeito de cantar bem próximo da ciranda e principalmente das cantigas de ninar das “negonas” babás de outrora?
Os rótulos são assim. De repente, Samba virou ritmo, quando originalmente Samba quer dizer batuque, festa musicada e dançada. Forró virou ritmo, mesmo preservando a costelação de ritmos que contém, e quando o forró como conhecemos a partir de fins da década de 50, não passa dos “sambas”, aqui com ritmos típicos do interior nordestino.
Em quase todos os “sambas” feitos nos quarenta e cinquenta, e de ritmo mais ameno já se nota a batida “preguiçosa”, típica da gostossíssima Bossa Nova. É, portanto, um pouco complicado se dar autoria para um ritmo que é a cara do Brasil “tranquilo”. Obviamente que ainda estamos sufocados pelo estrangeirismo da época onde se desperdiçava um Luiz Gonzaga a tocar tangos e polcas ao invés de baiões. E aí, fica difícil puxar do baú qualquer coisa que não seja estrangeira, uma vez que era proibido a música do povo. Mas aqui e acolá dá pra encontrar os rastros da nossa evolução musical. Bossa Nova, inclusive.
Eu nao votei no Collor e fiz passeata pro impedimento dele, nunca colocaria ele na lista dos melhores presidentes do Brasil, mas a favor dele conta o fato de que abriu o país às importacoes, fator decisivo para a industria brasileira sair da idade da pedra e correr atrás do prejuízo.
Qto. ao pai da Bossa Nova, por mais que eu ache o Joao Gilberto uma “prima donna” (nem sei como se escreve isso) e que nao respeita o povo que paga os olhos da cara pra ouvir suas músicas e seus chiliques, ele é o pai da bossa nova. Mas eu sou da periferia, nao vou falar do que nao tenho certeza
Bjus!
desculpe luis, admiro também o garoto, mas a batida em questão é mais para samba, a cadência do joão é diferente.
abs
Há uns 6 anos li um artigo chamado “Bossa sim, nova não”. Tentei encontrá-lo nos confins do Google e nada.
Encontrei um outro que talvez interesse:
“O conjunto de possíveis bricolagens sonoras que envolvem aquilo que é considerado o samba no Brasil a partir dos anos 1930, sofre modificações a partir da intensificação de seus diálogos com o jazz norte
americano, em especial após a segunda grande guerra. O presente trabalho pretende mostrar, através de uma mudança significativa na concepção do ritmo do acompanhamento harmônico, que as re-invenções e re-significações do samba em seus diálogos com o jazz vão além da Bossa Nova, no período de 1952 a 1967. ”
http://www.anppom.com.br/anais/anaiscongresso_anppom_2007/etnomusicologia/etnom_MSGomes.pdf
Nao está na hora do blog dar a largada pro PROJETO DE BRASIL QUE QUEREMOS EM 2010.
Proponho um Plano de Governo identico ao dos candidatos da eleição passada, feita de maneira colaborativa.
Um site de wiki seria uma mao na roda.
Caracas, o João Gilberto plagiou metade dessa música para fazer o “Desafinado”.
Bem, matou a cobra e mostrou o pau na metade da provocação. Fica devendo o mesmo em relação ao Collor.
E esse hd que deu pau. Acho que ja deve ter tentado recuperar, mas não custa perguntar. Qual o diagnóstico?
Faz sentido comparar a batida à bossa nova, um movimento tão controvertido que até hoje provoca interpretações dúbias.
Vale ressaltar que o fato de Garoto ter lançado primeiro a batida não tira a importância e o legado de João Gilberto para colaboração do movimento.
Já li bastante a respeito da Bossa Nova (e olha que nem sou muito fã hein… mas parece que jornalista – apesar de ser aspira – tem prazer em pesquisar sobre o que não gosta!) e acho que o argumento mais equivocado feito a respeito é falar que ela é pioneira.
Deve-se lembrar que tudo é construído através de referências. João Gilberto não criou nada – uniu elementos musicais e arquitetou sua musicalidade através das referências estéticas do samba, do choro e do jazz.
Em meu blog também fiz um texto especificamente sobre Bossa Nova: http://migre.me/1Nzs