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09/06/2009 - 09:33

PIB cai menos que o esperado

Do IBGE

PIB tem redução de 0,8% no 1º trimestre de 2009, em relação ao 4º trimestre de 2008 na série com ajuste sazonal

Ainda na comparação do primeiro trimestre de 2009 com o último de 2008, na série com ajuste sazonal1, a maior redução ocorreu na indústria (-3,1%), seguida pela agropecuária (-0,5%), enquanto os serviços apresentaram elevação de 0,8%.

Em relação ao primeiro trimestre de 2008, o PIB teve queda de 1,8%. O valor adicionado a preços básicos reduziu-se 1,5%; e os impostos sobre produtos apresentaram retração de 3,3%.

Na taxa acumulada nos quatro trimestres terminados em março, o crescimento do PIB foi de 3,1% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

O Produto Interno Bruto a preços de mercado chegou a R$ 684,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano, sendo R$ 584,6 bilhões referentes ao valor adicionado a preços básicos e R$ 100,0 bilhões aos impostos sobre produtos.

Em relação aos componentes da demanda interna, as despesas de consumo das famílias tiveram crescimento de 0,7% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o quarto trimestre de 2008, após variação negativa de 1,8% no trimestre anterior. A despesa de consumo da administração pública variou 0,6%. Já a formação bruta de capital fixo (FBCF, o mesmo que investimento) caiu 12,6% no primeiro trimestre de 2009, a maior redução desde o início da série nessa base de comparação (1996).

Pelo lado do setor externo, tanto as exportações de bens e serviços (-16,0%) como as importações de bens e serviços (-16,8%) apresentaram quedas em relação ao último trimestre de 2008.

Em relação ao 1º trimestre de 2008, só serviços têm desempenho positivo

O PIB apresentou queda de 1,8% no primeiro trimestre de 2009, em relação a igual período de 2008. O valor adicionado a preços básicos teve uma redução de 1,5%; e os impostos sobre produtos, uma retração de 3,3%, esta última principalmente devido à queda da indústria, em especial da indústria da transformação, e à diminuição do volume das importações.

Em relação ao valor adicionado, os serviços tiveram o melhor desempenho, com um crescimento de 1,7% em relação ao primeiro trimestre de 2008. Já o valor adicionado da indústria caiu 9,3%, enquanto o da agropecuária teve redução de 1,6%.

A taxa da agropecuária pode ser, em grande parte, explicada pelo desempenho de alguns produtos que apresentam safra relevante no primeiro trimestre2. Com exceção do arroz, com estimativa de crescimento anual de 6,2% na quantidade produzida, todos os outros apresentaram uma variação negativa na estimativa de produção em 2009, comparada à do ano anterior. Foi o caso, por exemplo, do algodão (-19,7%), do milho (-13,2%), da soja (-3,9%) e do fumo (-1,2%).

Na indústria, todos os subsetores apresentaram taxas negativas. A principal queda foi na indústria de transformação (-12,6%), a maior da série (desde 1996) nessa base de comparação, influenciada principalmente, pela redução na produção de máquinas e equipamentos, metalurgia, veículos automotores, mobiliário, vestuário e calçados. Também houve retração de 9,8% no valor adicionado da construção civil, seguida por eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (-4,2%) e extrativa mineral (-1,1%). Neste último subsetor, apesar de a extração de minérios ferrosos ter apresentado queda de 38,1% no primeiro trimestre, a extração de petróleo e gás natural aumentou 6,5%.

Entre os serviços, as variações positivas foram as seguintes: outros serviços (7,0%), intermediação financeira e seguros (5,8%); serviços de informação (5,4%), administração, saúde e educação pública (3,1%) e serviços imobiliários e aluguel (1,6%). São classificados como outros serviços, além daqueles prestados às empresas, os prestados às famílias, saúde e educação mercantil, serviços de alojamento e alimentação, serviços associativos, serviços domésticos e de manutenção e reparação. O crescimento dos serviços de informação deveu-se, principalmente, aos desempenhos da telefonia móvel e dos serviços de informática. O comércio (atacadista e varejista) teve taxa negativa de 6,0%, e os serviços de transporte, armazenagem e correio, retração de 5,6% – ambos influenciados pelo resultado da indústria.

Despesas de consumo das famílias e da administração pública crescem, e FBCF cai

Dentre os componentes da demanda interna, a despesa de consumo das famílias alcançou taxa positiva de 1,3%, 22º crescimento consecutivo nessa comparação, mas desacelerando em relação ao quarto trimestre de 2008 (2,2%). Um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi o comportamento da massa salarial real, que, após crescer 7,6% no quarto trimestre de 2008, teve um aumento menor (5,2%) no primeiro trimestre de 2009. Além disso, houve uma redução no crescimento, em termos nominais, do saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para as pessoas físicas (de 25,8% no quarto trimestre de 2008 para 22,1% no primeiro trimestre de 2009).

A despesa de consumo da administração pública variou 2,7% na comparação com o primeiro trimestre de 2008, enquanto a formação bruta de capital fixo (FBCF) registrou decréscimo de 14,0%, explicado, principalmente, pela redução da produção interna de máquinas e equipamentos. A variação negativa da construção civil também contribui para o desempenho da FBCF. Além disso, a média da taxa de juros efetiva Selic no primeiro trimestre de 2009 (12,5% a.a.) superou a do primeiro trimestre de 2008 (11,2% a.a.).

Pelo lado da demanda externa, as exportações de bens e serviços caíram 15,2% em relação ao primeiro trimestre de 2008. As importações de bens e serviços também apresentaram uma redução, da ordem de 16,0%, o primeiro declínio desde o terceiro trimestre de 2003 (-5,3%). Os produtos da pauta de importação que mais contribuíram para esse resultado foram material eletrônico, material elétrico, outros produtos do refino, peças e acessórios para veículos automotores e químicos diversos.

No acumulado em quatro trimestres, todos os setores têm resultados positivos

O gráfico a seguir apresenta as taxas de crescimento acumuladas nos últimos quatro trimestres para o PIB, a partir do primeiro trimestre de 1996. Após o vale do segundo trimestre de 2006, quando a taxa atingiu 3,0%, houve uma aceleração, atingindo 5,7% no quarto trimestre de 2007 e 6,3% no terceiro trimestre de 2008, e o recuo para 3,1% no primeiro trimestre de 2009. Esta última taxa resultou da elevação de 2,9% do valor adicionado a preços básicos e do aumento de 4,3% nos impostos sobre produtos.

Nesse tipo de comparação, o desempenho é positivo nos três setores da economia: agropecuária (4,3%), serviços (3,9%) e indústria (0,4%). Dentre os subsetores industriais, destaca-se a construção civil (3,4%), seguida pela extrativa mineral (3,1%) e a eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (2,1%). Por outro lado, a indústria de transformação registrou redução de 1,5%.

As maiores elevações nos serviços foram nos serviços de informação (8,2%); intermediação financeira e seguros (7,3%); e outros serviços (5,4%). Também cresceram administração pública, educação pública e saúde pública (2,7%); comércio (2,6%); serviços imobiliários e aluguel (2,5%) e, em menor magnitude, transporte, armazenagem e correio (0,8%).

Na análise da demanda, a despesa de consumo das famílias cresceu 4,1%, favorecida pelo aumento da massa salarial real e pela maior oferta de crédito para as pessoas físicas. A formação bruta de capital fixo variou 6,3% (20º crescimento consecutivo nessa comparação); e a despesa de consumo da administração pública teve taxa positiva de 4,7%. As exportações decresceram 3,5%, e as importações aumentaram 9,6%.

Em valores correntes, PIB do 1º trimestre fica em R$ 684,6 bilhões

O PIB a preços de mercado alcançou, no primeiro trimestre de 2009, R$ 684,6 bilhões, sendo R$ 584,6 bilhões referentes ao valor adicionado a preços básicos e R$ 100,0 bilhões aos impostos sobre produtos.

A agropecuária registrou R$ 41,2 bilhões; a indústria, R$ 142,8 bilhões; e os serviços, R$ 400,6 bilhões. Entre os componentes da demanda, a despesa de consumo das famílias totalizou R$ 444,0 bilhões; a despesa de consumo do governo, R$ 153,3 bilhões; e a formação bruta de capital fixo, R$ 113,8 bilhões.

A balança de bens e serviços ficou deficitária em R$ 4,1 bilhões; e a variação de estoques foi negativa em R$ 22,3 bilhões.

A taxa de investimento no primeiro trimestre de 2009 foi de 16,6% do PIB, inferior à do mesmo período do ano anterior (18,4%). Essa redução foi influenciada, principalmente, pela redução em volume da formação bruta de capital fixo no trimestre (-14,0%). A taxa de poupança alcançou 11,1% do PIB, a menor taxa da série iniciada em 2000.

_____________________

1A séries são sazonalmente ajustadas de maneira direta, ou seja, as séries são ajustadas individualmente.

2Segundo o LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola), de maio.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: , ,

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50 comentários para “PIB cai menos que o esperado”

  1. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Romanelli,
    Pensava em me vangloriar das minha previsões sobre o PIB, que eu venho colocando aqui no post do Luis Nassif de forma até freqüente desde o post dele “O neuromagma e a intuição” de 08/02/2009 às 14:32, sendo que lá lanço sempre que lembro referência a outros post onde apresento mais das minhas previsões como no post “Focus aponta queda no PIB” de 18/05/2009 às 11:09 feito a partir de notícia do Guia Financeiro informando que os prognósticos mostram queda de 0,49% no ano. Pensava em me vangloriar, ainda mais se tratando de leigo, quando leio pelo seu comentário acima enviado em 09/06/2009 às 09:47 que você já fazia as previsões desde abril de 2008. Ai o leigo deve reconhecer a primazia dos economistas e tirar o chapéu para eles. Sim, ninguém é mais previdente do que eles.
    São de economistas assim que deve estar cheia a diretoria do nosso Banco Central, pois a eles também se lança a alcunha de muito previdentes.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 09/06/2009

  2. oswaldo j. baldo disse:

    Nem mesmo uma marolinha chegou em mim e ainda vejo comentários que diz que a tese da morolinha vai se confirmando. Aqui em muitos setores nem marolinha houve.
    O que houve foram discursos terroristas de senadores do PSDB/PFL, Artur Virgilio, Demostenes Torres enfim as figurinhas de sempre impondo medo e terror a todos e consequente eco na mídia aliáda.
    Sem essas vozes contra o Brasil teria se saido ainda melhor.

  3. José de Queiroz disse:

    Nassif, a imprensa adorava comparar o PIB de outros países em desenvolvimento com o do Brasil. Gostaria de ver essa comparação agora.Quem caiu mais?

  4. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Luis Nassif,
    Fiz um comentário acima enviado em 09/06/2009 às 13:57. No comentário prometi trazer um artigo de Delfim Netto com conteúdo semelhante aos textos meus sobre previsão de PIB.
    Antes faço a seguinte consideração. O PIB do terceiro trimestre de 2008 cresceu a taxa de 1,4% em relação ao trimestre anterior. No trimestre anterior, o crescimento fora de 1,6%, o que significa que já houve uma desaceleração no terceiro trimestre (Mas muito modesta porque comparando com o trimestre do ano anterior, o terceiro trimestre apresenta um crescimento de 6,8% enquanto o crescimento do segundo trimestre (trimestre anterior ao terceiro) o crescimento em relação ao segundo trimestre do ano anterior fora de 6,2). De qualquer modo, para uma visualização mais simplificada do que ocorreu no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2008 e primeiro de 2009, como quero mostrar vou desconsiderar essa diferença de crescimento. Assim, pode-se imaginar que em 30 de junho de 2008 o PIB diário seja igual a 100 e como houve um crescimento de 1,4% no terceiro trimestre e supondo que o segundo trimestre e o terceiro trimestre estivessem crescendo a uma mesma taxa (são bem semelhantes 1,6% e 1,4%) e supondo que o crescimento não é cumulativo e, portanto, não seja em forma de curva exponencial (para o exemplo a diferença é muito pequena) e sim em forma de uma reta ter-se-ia em 30 de setembro um PIB diário de 101,4. Para obter o PIB do quarto trimestre tem-se que comparando o terceiro com o quarto obtem-se um decrescimento de 3,6%. Considerando que se o PIB do terceiro trimestre variou de 100 no final de junho para 101,4 no final de setembro tem-se como um PIB médio de 100,7 como sendo o PIB do terceiro trimestre e de 97,07 (100,7 – 3,6%) como sendo o PIB do quarto trimestre. Se o ponto médio de uma reta que começa com 101,4 é 97,07 então a outra extremidade em 31 de dezembro é de 93,10. Bem se nos três meses do primeiro trimestre de 2009 o PIB ficasse constante no mesmo patamar de 31 de dezembro de 2008, a informação fornecida hoje pelo IBGE seria que o PIB do primeiro trimestre teria decrescido de 4,0% (97,07 para 93,10) e não 0,8% em relação ao trimestre imediatamente anterior.
    A conclusão que eu tiro é quase toda a queda do PIB esteve concentrada no quarto trimestre de 2008 e deve ter existido algum crescimento em um ou dois meses do primeiro trimestre de 2009. Apenas por uma razão aritmética os dados mostram queda forte também no primeiro trimestre de 2009.
    Os cálculos que eu fiz foram todos mera aplicação de regra de três que podem ser feitos em uma reta. É claro que fiz o que leigo pode fazer. Economistas de renome, grandes conhecedores de integral e cálculos semelhantes, podem aprimorar os cálculos feitos e talvez consigam chegar a resultados mais precisos, com diferenças infinitesimais, é verdade, mas para eles relevantes.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 09/06/2009

  5. Jorge disse:

    MANCHETES E COMENTÁRIOS ALTERNATIVOS PARA OS DOS JORNALÕES:

    “PIB do Brasil cai menos que o esperado e confirma a marolinha.”

    “Conceito para admitir marolinha não é unânime entre especialistas.”

    No “bobo” a urubuzóloga Miriam Leitão, já prevê uma “marolinha técnica”….

    Hehehehehe… tô morrendo de rir de quem apostou contra o país para prejudicar o governo Lula.

  6. Roberto São Paulo/SP disse:

    Banco Central do Brasil
    Reservas internacionais
    Conceito de Liquidez Internacional

    Posição em 01 de junho de 2009: US$ 205.382 milhões
    Posição em 04 de junho de 2009: US$ 206.154 milhões.
    Posição em 08 de junho de 2009: US$ 204.641 milhões.

    confira no Link abaixo,
    http://www4.bcb.gov.br/?RESERVAS

  7. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Luis Nassif,
    Coloquei no comentário acima uma tentativa de visualização do que realmente ocorreu com o PIB do primeiro trimestre de 2009. Não havia feito esse exercício antes, nem mesmo nas minhas previsões que estão espalhadas pelo blog.
    E venho fazendo muitas previsões desde que em comentário enviado em 08/02/2009 às 21:40 coloquei aqui no seu blog no post “O neuromagma e a intuição” de 08/02/2009 às 14:32 uma consolidação de emails que em 19/11/2008 havia trocado com alguns amigos fazendo previsão sobre o crescimento da economia.
    De um comentário meu mais recente enviado em 18/05/2009 às18:45 para o post aqui no seu blog intitulado “Focus aponta queda no PIB” de 18/05/2009 às 11:09 comentando notícia do Guia Financeiro em que se afirmava que “Prognósticos mostram queda de 0,49% no ano” há o seguinte trecho que faço a transcrição:
    “Bem, o que eu ia dizer é que essas previsões são de uma pobreza impressionante. E o pior é que elas devem coincidir com o que realmente será informado lá por volta de 10 de março de 2010 quando o IBGE informar os primeiros dados do PIB de 2009. Só que quando o IBGE informar que o PIB de 2009 variou entre -1% a +1%, ele não estará informando o que ocorreu em 2009, mas apenas o que ocorreu no 4º trimestre de 2008. Assim, quando as pessoas dizem que o PIB de 2009 vai cair em tantos por centos elas apenas estão expressando que o conhecimento delas sobre o que ocorreu no 4º trimestre de 2008 aumentou. Antigamente uma notícia assim era chamada de requentada.”
    Acima mencionei no comentário enviado em 09/06/2009 às 13:57 que pretendo mostrar a semelhança das minhas previsões com a análise que Delfim Netto fez em artigo para o Valor Econômico de 02/06/2009 cujo título era “O poder das palavras”. A seguir está a análise (previsão ou como ele chama possibilidade) de Delfim Netto:
    ” . . . . Consideremos a seguinte hipótese (não é, obviamente, uma previsão, mas uma possibilidade): que o PIB tenha encolhido 2% no primeiro trimestre de 2009 em relação ao quarto trimestre de 2008, estacionado no segundo trimestre de 2009 (crescimento de 0%) e que, a partir do terceiro trimestre, ele cresça, a cada trimestre, 1% acima do anterior. As taxas de crescimento anual do PIB em cada trimestre contra seu homólogo do ano anterior, seriam as registradas no gráfico ao lado. Já estaríamos crescendo, mas o PIB só registrará isso com atraso. O mais grave é que cada uma das três quedas de crescimento do PIB seria anunciada pelo IBGE no fim do trimestre seguinte. O Brasil teria começado a crescer no terceiro trimestre de 2009, mas só saberia disso (estatisticamente medido pelo IBGE) no segundo trimestre de 2010″.
    Para mostrar a semelhança, o trecho acima é a parte do artigo de Delfim Netto que interessa. E as previsões dele não diferem muito do que falei acima exceto pelo viés mais pessimista que Delfim Netto apresenta. E não diferem muito do que eu dizia no email que enviei em 16/04/2009 às 01:48 para o post aqui no seu blog intitulado “A regra de três do professor de Deus” de 15/04/2009 às 21:00 em que você comenta o artigo de Alexandre Schwartsman na Folha de S. Paulo “Impactos da crise -
    A produção industrial é mais sensível às vendas no varejo do que às exportações” como o trecho transcrito a seguir demonstra:
    “As análises sobre o futuro não são tão difícil como os economistas tentam nos fazer crer. Elas são sempre feitas supondo tudo mais permanecendo constante. Se não acontecer nenhuma anomalia, você mesmo com conhecimentos de aritmética do antigo curso ginasial poderá fazer a sua profecia. Desenhe para 2008 uma reta com inclinação constante que dê crescimento no final do ano de 6% como parecia que iria dar se tudo permanecesse constante. Depois, faça uma queda no quarto trimestre de tal modo que a nova reta tenha a inclinação do crescimento do PIB de 2008 (5,1%).
    Todo problema das previsões está que o 1º trimestre de 2009 já acabou e nós não sabemos o que aconteceu no período. Uma forma de resolver isso é esperar o IBGE fornecer os dados do PIB do primeiro trimestre em início de junho. Você pode antecipar um pouco fazendo o mesmo gráfico com os dados de consumo de energia elétrica que é fornecido pelo Ministério de Minas e Energia em boletim próprio sobre o consumo de energia. Por volta de vinte de abril deve sair o consumo de março . . . . . Com esses dados dá para fazer uma projeção para 2009. Todo o SEU trabalho será saber se em janeiro e fevereiro houve queda em relação a produção de dezembro ou se nesses dois meses já houve uma estabilidade (A curva de consumo de energia vai lhe ajudar a descobrir o que ocorreu). Lembre de 2003 com crescimento quase nulo. Lembre de 2004 com crescimento de 5,7%. Então projete a reta em 2009 com inclinação muito pequena a partir do 2º trimestre de 2009. O ponto médio desta reta comparado com o ponto médio de 2008 vai lhe dar o crescimento de 2009. Então tudo vai depender de que ponto vai começar o 2º trimestre de 2009. Ou melhor tudo vai depender de quanto caiu o PIB no quarto trimestre de 2008 e no primeiro de 2009. Tudo isso é passado no qual o governo pouco pode fazer. A crise era de confiança e não havia força no mundo capaz de mexer na psique do país inteiro, quando a economia é livre como a brasileira.”
    Na verdade o comentário acima tinha sido enviado para o blog do Alon Feuerwerker. Ia copiar uma previsão que fizera no seu blog, mas infelizmente sempre que transcrevo comentários meus em outros blogs e levo para o blog do Alon Feuerwerker há a censura do meu comentário. Assim resolvi escrever tudo que eu já havia colocado no seu blog e levá-lo para lá. E como era mais fácil achar um comentário meu no blog do Alon Feuerwerker eu considerei mais prático copiar o comentário que havia feito no blog dele e trazê-lo para o seu blog.
    Minha intenção em mostrar a semelhança das minhas previsões com as de Delfim Netto era vangloriar-me mostrando que Delfim Netto estava me copiando. Tenho que reconhecer que há diferenças. Delfim Netto deve ter avaliado que a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2008 foi muito ruim para o ânimo dos empresários. Alias não foi a divulgação dos dados, mas a campanha que se montou contra Lula a partir dos dados que teve efeitos ainda maiores no ânimo dos empresários (O tal de espírito animal de que o Delfim Netto é tanto admirador). O texto de Delfim Netto parecia dizer diante das novas pesquisas que mostravam recuperação da popularidade do presidente: “Jornalistas da grande imprensa, contenham-se! Vocês podem estar cavando a sua própria sepultura. A popularidade de Lula cai, mas lá na frente ele a recupera, mas se vocês perderem o emprego a recuperação fica difícil”.
    Bem se não era isso que o Delfim Netto queria dizer então que me explicam para quem ele dirigia os parágrafos a seguir transcritos do artigo já mencionado:
    “Fisicamente nada mudará se, seguindo a convenção “prática” (dois trimestres consecutivos de crescimento negativo), estivermos em recessão quando, na próxima semana, o IBGE divulgar a estimativa do crescimento entre o primeiro trimestre de 2009 e o quarto trimestre de 2008.
    É inevitável que esse “fato” (construído por uma convenção) exerça uma pressão psicológica, que preocupará os agentes econômicos. Os consumidores, mesmo aqueles que eventualmente não sentiram a “recessão”, alterarão suas expectativas sobre o futuro, particularmente sobre seu emprego. Os empresários, que preventivamente dispuseram de seus estoques, reduzindo a produção, terão dúvidas sobre a demanda. Os banqueiros que importaram a crise ficarão mais vigilantes sobre a qualidade dos seus créditos, racionando-os e aumentando seus juros.
    São todos movimentos extremamente compreensíveis, mas prejudiciais à continuidade da volta à normalidade do circuito econômico. É preciso insistir que isso já é passado. Que, caminhando para o terceiro trimestre de 2009, a sensação térmica e as condições objetivas são diferentes e que não devemos nos impressionar ou iludir com as estatísticas que medem o que já foi. O “presente” é claramente diferente. Este é um ponto muito importante, porque, mesmo recuperando o crescimento, nos aguardam notícias desagradáveis nos próximos três trimestres.”
    Não é comum Delfim Netto repetir o conteúdo do artigo que ele escreve às terças-feiras no Valor Econômico no artigo que ele escreve às quartas-feiras na Folha de S. Paulo. Talvez para indicar a seriedade do assunto o mesmo tema do artigo de terça feira transcrito em parte acima foi objeto do artigo intitulado “Entender o PIB” publicado na Folha de S. Paulo do dia seguinte, quarta-feira, 03/06/2009.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 09/06/2009

  8. Raí disse:

    Contrariando a todas as previsões dos analistas e comentaristas da área economica,a queda do PIB do trimestre,não foi tão assustador assim,e confirmou o que previa a equipe economica,que somente a partir des 2º semestre,é que apregoa um crescimento sustentado,e uma recuperação dos nossos números. como um todo.
    A balança comercial,aos trancos e barrancos,vai conseguindo superar os números de 2008,e promete ;
    A alavancagem do setor de construção civil,promete ser surpreendente,com a operação “Nossa casa,nossa vida”saindo do papel;
    O crédito voltou a ser relativamente fácil,tanto interna como externamente;
    O plano da exploração do pre-sal,mostra total viabilidade,e já tem os recursos necessários,prometidos pela banca internacional;
    A Selic,deve baixar,na próxima reunião do COPOM(se Deus quiser).
    Viram ! Omundo nem acabou,cmo previu a Miriam Leitão,e apesar das baixarias do horário político do PSDB,a populção brasileira volta a indicar que acredita na administração Lula,e aumenta de 86 para 92%,nas opiniões ótimo e bom,para o desempenho do governo fedral,e suas ações frente à crise,conforme a última pesquisa CNI / SENSUS.

  9. FJT disse:

    Seria cômico se não fosse trágico, o paralelo entre a exultação midiática do Obama em ter perdido apenas cerca de 350.000 empregos em maio, contra uma perda de cerca de 500.000 em abril, e a exultação midiática do Lula em ter o PIB reduzido de -3,6% no quarto trimestre de 2009 para -0,8% no primeiro trimestre de 2009.

    Analistas norte americanos denunciam em coro que uma adulteração na metodologia de cálculo do índice de desemprego adicionou mais de 200.000 empregos fictícios ao balanço. Estão plagiando o nosso jeitinho brasileiro.

    Primeiro a marolinha. Depois a recessão menor do a esperada. Qual a próxima cantada? Que tal depressão mais suave que a imaginada? Esta seria uma nota de deixar o Joelmir Beting deslumbrado. E por falar em desemprego, parece que a nossa taxa ainda continua superior à norte americana.

  10. Raí disse:

    Alguem do blog,sugeriu que o Nassif divulgasse uma relação pos países desenvolvidos(os mais afetados pela crise)e dos países em desenvolvimento,e fizesse um comparativo técnico,entre o que ocorreu com aqueles primeiros,e a diferença entre a queda(quase uma marolinha mesmo)do nosso PIB,com os destes últimos.
    Outra coisa importante,foi o que o leitor Lee Santos escreveu: Se o empresariado brasileiro,não tivesse “amarelado”nem teríamos tomado conhecimento desta crise.

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